Notas iniciais
IZZY WEST, valeu por sua recomendação! Agradeço toda sua ajuda. Me desculpem a demora em responder os comentários pessoal.

*Diário da Hinata*On *

Há tempo aceitei a ideia de criá-la sozinha, estive consciente que Hanabi se esquecia do otou-san a cada dia que se passava, no entanto, ele voltou, reacendendo as esperanças dela.

Minha irmãzinha desentendia por que me ajoelhei e abracei-a de modo apertado.

Pedi desculpas a ela e que esquecesse.

*Diário da Hinata *Off*

*

*

*

— Naruto... — Hinata terminou de subir a escada, bastante suada e cansada, ofegante se deteve no último degrau. Sua voz enfraquecia: — Naruto...

A entrada da tenda jazia aberta, risadas de crianças vinham dela, as vozes infantis escasseavam conforme o mágico pedia tempo.

Ele cruzou a saída da lona, o sorriso alargado dele encurtava na medida em que analisava a aparência de Hinata, algo nada bom aconteceu.

— Conseguiu me ouvir? Meu sussurro?

— Lie, desconfiei que estivesse aqui.

— Como?

— O que há? — ele fugiu da questão, seriamente, preocupado. — Sua luz está se apagando.

Luz? O que ele considerava luz? Refletiu a azulada.

Os lábios femininos tremeram, ela os escondeu para dentro da boca.

O homem de cartola foi envolvido pelo abraço desesperado da Hyuuga quem lagrimava.

Terno, Naruto passeava as mãos nas costas dela e beijou o topo dos cabelos azulados.

Acalentou-a, por uns instantes.

— Me espere um momento. — Pediu ele se afastando de modo suavizado.

Acalmada, a azulada assentiu.

O loiro tirou do bolso da calça, um lenço e entregou para ela, em seguida, entrou na tenda, conduziu as crianças ao parque atrás da colina, avisara a elas que retornaria em breve.

No pendurador, Naruto guardou a capa, a cartola e por último as luvas.

Ao volver seus azuis à aprendiza, ela perdera as lágrimas, de vazio olhar ela segurava o lenço com as duas mãos contra o busto.

O mágico buscou uma jarra de água e serviu em um copo de plástico, organizou os objetos no meio da mesa.

Hinata se aproximou, amassando o lenço em uma mão, com a outra, virou uma cadeira e sentou de frente pra entrada da tenda.

Naruto deitou seu traseiro em outra cadeira diante à mesa.

Aguardou que a Hyuuga se dispusesse a falar o que aconteceu.

— Otou-san apareceu. Ele está cuidando de Hanabi agora, por isso vim sozinha hoje. Fazia um tempão que ela não perguntava nada a respeito dele, se acostumou com a ausência do pai. — Voltou a amassar o lenço, ela o embolou, desferiu seu sentimento revoltoso no pedaço de tecido delicado. — Ficou tão feliz com o retorno dele... mais que da última vez que ele apareceu, significa que quando ele partir... o sofrimento dela será maior que os anteriores.

— Quer que eu faça seu pai desaparecer?

Embora a pergunta do mágico saísse suave, a seriedade de sua proposta era terrivelmente verídica, algo que passou despercebido pela Hyuuga quem não o levou a sério.

— Ele mesmo fará isso. — Hinata pressionava o ombro no encosto da cadeira. Observou o pedaço do céu visível através da abertura da tenda. — A única coisa que posso fazer é torcer pra que ele demore bastante tempo, que Hanabi possa aproveitar o máximo possível dessa visita. — Virou-se na cadeira, pondo seu corpo de frente pra mesa, fitando os azuis. — E falando em tempo, será que posso ficar aqui até a hora do jantar?

Hiashi pretendia passar o dia inteiro com Hanabi.

— Que desnecessário me pedir, sabe que sim.

— Arigatou. — Ela colocou o lenço sobre a mesa e pediu desculpa ao ver o estado em que deixara o delicado tecido.

O mágico estendeu o braço e alcançou o lenço, abriu-o, exibindo todos os amassados que Hinata fizera.

Depois começou a dobrá-lo e quando o encolheu, cobriu-o com a mão esquerda, a direita estalou os dedos.

Ao abrir o lenço, o tecido se expos lisinho.

— Me ensinará esse truque hoje? — a aprendiza limpou um resquício de lágrima.

— Se você quiser, ou podemos brincar com as crianças no parque atrás da colina.

— Me parece uma boa as duas opções.

— Então faremos as duas. — Decidiu ele.

Hinata sorrir, bebeu um pouco de água, e após se refrescar observou os azuis a lhe contemplarem apaixonados.

Ele saiu da cadeira e se pusera ao lado dela, oferecendo a mão, a Hyuuga segurou à palma dele e se levantou.

Juntos, encaminharam-se ao fundo da tenda.

*

*

*

~11: 49h

O sol era acobertado por algumas nuvens.

O calor não se intensificava como o esperado da estação.

As crianças foram embora antes das dez horas.

Sentados no primeiro degrau da escada, o mágico e a colegial comiam hot dog.

O almoço.

O loiro nem todo dia conseguia refeição de verdade.

Ela iniciou o diálogo:

— Viu o velho do parque esses dias?

— Lie, mas hoje minha tenda amanheceu com mais tesouros, sei que foi ele quem as trouxera.

Hinata se desagradou, imaginando o velho subindo todos aqueles degraus.

— Sabe onde ele mora?

O mágico, negando, moveu a cabeça, dando nova mordida no lanche.

Ela mastigou alguns instantes, após engolir, seguiu curiosa:

— Ele quem lhe traz comida também?

Naruto fechou os olhos, saboreando.

— Algumas vezes, ele sabe que não gosto de incomodá-lo.

A Hyuuga percebeu o progresso em conversar com o mágico sobre o velho, antes ele não se concentrava no assunto, deixava de respondê-la ou entregava respostas vagas.

Compartilhavam do mesmo suco de uva posto entre eles.

Em um momento, os dois pegaram o copo ao mesmo tempo.

Naruto rapidamente concedeu a vez para ela.

Hinata sorveu um pouquinho do líquido açucarado.

Agradeceu ao passar o copo para o mágico.

Enquanto ele bebia, ela o perguntou:

— Tem vontade de se mudar?

— Por quê?! — ele se expressou, como se tivesse escutado algo absurdo.

— Por que vive numa tenda com tralhas, pode chama-las de tesouros, mas são tralhas. E embora seja um homem bonito é insuficiente para ser bem visto na região, aposto que o meu colégio não é o único lugar que espalham boatos sobre você.

Naruto sorrir despreocupado.

Bebeu o resto do suco.

— Não deixarei essa paisagem pelo que falam de mim. Veja, pequena. Tudo isso, a visão das árvores, do parque... é tão lindo. O meu lar é uma maravilha, se todo mundo tivesse um lugar assim ficaria em paz, não importaria se tivesse um dia estressante. — Terminou seu lanche e inspirou, relaxado se deitou de costas.

— Sempre vendo o lado bom das coisas...

A Hyuuga murmurou.

Temia que um dia toda essa positividade de Naruto não fosse o bastante para continuar vivendo daquele modo.

Ela queria ajudá-lo de algum jeito, temia pela segurança dele.

No entanto, no presente não insistiria.

Ao menos não naquele dia, no qual ela foi até ele para ser acolhida.

Acabou seu lanche e observou a tranquilidade do mágico, deitou-se de ladinho, ele sorriu gostando da atitude dela e puxou-a para que descansasse em seu peito.

Hinata desceu as pálpebras se sentindo protegida.

Naquele dia, estava, unicamente, aproveitando a companhia de seu mágico.

*

*

*

~20: 00h

— Mana! Que bom, chegou antes do jantar! — Hanabi a recebeu a abraçando de apertado modo. De repente, fazendo bico se repeliu da irmã. — Foi embora sem avisar!

— Eu... esqueci, gomenasai, peixinho.

A menina largou da chateação.

Agarrou a mão da mais velha com as suas duas e a conduziu.

— Chegou bem na hora, otou-san terminou de arrumar a mesa.

Hiashi ia se sentar quando vê a filha maior, desejou as boas vindas a ela e não se importou de ser ignorado.

Hanabi formou outro bico, vendo o quão fria a irmã agia com ele, diria algo a ela, no entanto, o pai desfez os embrulhos no centro da mesa, revelando o que comeriam, o estômago da menor se agitou e ela rapidamente deitou o traseiro na cadeira.

Hinata também se acomodou à mesa. Comentou:

— Não precisava comprar comida feita.

Hiashi se animou pela filha mais velha se comunicar com ele.

— Precisa sim. — Hanabi contrariou, separando o seu jantar. — Estamos juntos de novo, é uma ocasião especial.

O senhor Hyuuga rir passando a mão na cabeça da caçula.

— Mana, eu passei o dia contando pro otou-san sobre nossos dias em Kotohiki!

Hinata repreendedora observou a menina, e Hanabi logo entendeu que falara de boca cheia, tratou de engolir.

— Ah otou-san, ainda não contei da minha excursão escolar.

A pequena se empolgou e foi contando tudo, tendo cuidado de não falar de boca cheia.

Hiashi reagia a tudo o que escutava da pequena, mantendo um leve sorriso e olhar apaixonado, assentia sempre mostrando o quão se interessava.

Hinata deixara de se incomodar com a presença do pai para apreciar a felicidade explosiva da menina.

Foi um momento de paz apreciado por comidas saborosas.

Quando Hanabi acabou de falar tudo o que queria, ela e o pai competiram pra ver quem esvaziava o prato primeiro.

— Acabarão tendo dor de estômago. — Hinata os advertiu. — Pare Hanabi-chan, engasgará!

— Terminei primeiro! Ganhei! — Hanabi exclamou, levantando as mãos fechadas pra cima, vitoriosa.

— Hahaha... certo minha menina, venceu você. — Hiashi passou a mão na cabeça da caçula de novo. Amoroso, contemplou sua filha mais velha. — É ótimo que estejam comendo bem.

— Mana uma vez passou muita fome! E mesmo assim ela insistiu em me dar comida! Eu disse a ela que tem que comer mais também! Hahaha ela tentou me enganar com o papo de dieta. — Hanabi revelou, pondo as mãos na barriga.

As bochechas da azulada enrubesceram.

— As duas estão crescendo lindas e saudáveis. Desejo que continuem assim.

A menor ruborizou, adorando quando o pai as elogiava.

Hinata se manteve indiferente.

— Ficou tudo numa boa, Hina-chan conseguiu emprego e temos muito dinheiro e comida, não é como a comida que o senhor comprou, mas é gostosa. Agora o senhor poderá ficar com a gente pra sempre, não é papa? O senhor nos ama e por isso ficará com a gente, por isso o senhor voltou.

Hanabi verbalizou emocionada, saindo de sua cadeira, indo abraçar o senhor Hyuuga.

— Amo vocês. — Hiashi se limitou a dizer, enquanto retribuiu o abraço da menina.

— Otou-san nunca se esqueceu de mim e da Hina-chan!

Hanabi comemorou, não se dando conta de que ele sequer respondeu a sua pergunta.

Hinata por outro lado percebeu e esse detalhe derramou raiva em seu coração.

*

*

*

Depois do jantar, Hiashi convidou as filhas para passear.

Hanabi aceitou na hora, já Hinata recusou inventando a desculpa de que estava se sentindo mal.

A azulada assistia a TV quando os dois voltaram do passeio.

A menina se ajoelhou ao lado da irmã, oferecendo-a pipoca que o pai lhe comprara.

Educada, Hinata negou.

— Adivinha só, otou-san me comprará um celular! — Hanabi alçou os braços e sem querer uma pipoca caiu no chão, catou-a rápido, dizendo: — Se não matar, engorda.

E comeu.

— É nova demais para ter um celular.

— Na minha escola todas as outras crianças tem um. — Hanabi argumentou. Dobrou suas pernas. Fez uma careta e depois saiu correndo. — Não demoro! — No caminho, entregou o saco de pipoca para o pai.

Hiashi e Hinata escutaram a porta do banheiro ser batida com força.

A Hyuuga mais velha segue assistindo TV, sentada em seu futon, usando pijama.

— Seu cabelo ficou lindo tão crescido.

Ele elogiou.

Cinco segundos de silêncio.

— Pagou suas dívidas, otou-san? Se promete comprar um celular para Hanabi... significa que sim. Ou continua colecionando dívidas?

— Você virou adulta. — Agindo ordeiro, Hiashi suportava o quanto Hinata ignorava seus elogios. — Mizuke apareceu aqui?

Ela franziu a testa, requeria paciência. Muita paciência. Seu pai assim como Naruto costumava fugir das perguntas.

— Apareceu, mas foi embora e nunca mais voltou. — E graças à ajuda de Naruto. Esperava que Hanabi não tivesse contado ao pai a respeito do mágico.

Novo silêncio.

— Você é mais forte do que eu esperava. — Ele se orgulhou.

— Eu não fiz nada! — Hinata fechou os olhos, torcendo para Hanabi não ouvir. Respirava de aprofundada maneira. Mediu seu volume vocal: — Sabe o que me incomoda, o que me enfurece? O senhor nunca pede desculpas pelos seus sumiços.

Queria gritar com ele, sacudi-lo!

— Não imagina o que pode acontecer comigo ou Hanabi, pois se imaginasse não iria embora. — Se o mágico não aparecesse, onde elas estariam no presente? O que Mizuke estaria fazendo com elas? Enojara-se. — Eu realmente o odeio.

— Mana! — Hanabi se aproximara de fininho e escutou a declaração da irmã. — Peça desculpas ao otou-san!

— Menina, é feio escutar a conversa dos adultos. — Hiashi falou severo.

Hababi lagrimosa bradou:

— Huuum. Por que para a mana tudo tem que ser ruim?! Nossa família está unida agora, não estamos penando na pobreza... por que tem que ser má? Está tudo melhorando!

Hinata se virou no futon, vendo sua menina sofrendo, quis abraçá-la.

Hababi recuou e foi pegar algo, a concha que ganhou da irmã, jogou-a no chão na frente da Hyuuga

— Se odeia o otou-san, não somos amigas! — saiu do cômodo.

Hinata de perolados entristecidos, pegou a concha e se deitou de lado retornando a assistir a TV.

— Vá logo. — Disse ela depois de um tempo, sabendo que Hiashi ainda estava ali. — Hanabi só quer a sua presença agora.

Hiashi estendeu o braço na direção da filha mais velha, ficou com a mão no ar durante alguns segundos.

Em lentidão, recolheu seu braço se conformando que Hinata jamais permitiria ser confortada por ele.

Espremendo o saco de pipoca, ele se retirou do cômodo indo atrás da caçula.

— "Preciso do meu mágico...”. — A Hyuuga pensou, enquanto apertava a concha próxima do peito.