Abracadabra!

20 Mata aimashou?


~18 de julho

~9: 00h

Hiashi convidou as filhas para passear na pracinha mais próxima, para surpresa de Hanabi, Hinata aceitou.

A Hyuuga mais velha buscava pelo perdão da irmã, o que não demorou a acontecer, pois no caminho, a menina começou a verbalizar, animadamente, com ela.

Chegando ao ambiente de passeio, Hiashi convenceu a menina a se divertir no escorrega, junto das outras crianças.

Entre a molecada, Hanabi encontrou alguns amigos da escola.

— Olha lá ele, não falei que eu tinha um otou-san?! — a caçula Hyuuga apontava para Hiashi, orgulhosa, provando aos amigos. Na sua turma todos sabiam que não tinha mãe, e quando dizia que tinha pai achavam que mentia para não terem mais pena dela.

O senhor Hyuuga se deleitava em assisti-la em plena alegria. Ele sentou em um dos bancos ripados de madeira. Hinata escolheu o mesmo assento, no entanto, manteve um grande espaço entre os dois.

Após três minutos assistindo a caçula se divertir, agradavelmente, ele comentou:

— Quando Hanabi nasceu eu lhe falava que ela era uma bonequinha especial.

Uma bonequinha da qual aprendeu a cuidar até hoje, pensou Hinata.

O coração dela se comprimia, estar na presença do pai sem conversar sobre o que a atormentava era horrível, uma tortura.

Queria brigar com ele a todo instante. Mantendo o controle na voz, questionou-o:

— Quando começou a ganhar dinheiro de forma errada?

— O céu está tão lind...

— Responda.

— ....

— Foi um ato impensado se envolver em apostas? Jogos... bebidas? Como investir numa fábrica de brinquedos só por que foi um sonho antigo da falecida esposa.

"Gomenasai okaa-san, sei que ele fez pensando na senhora, mas tudo poderia ser diferente se ele usasse o dinheiro corretamente.".

Tudo teria sido... diferente....

Hiashi alargou o sorriso correspondendo aos acenos da caçula.

— Aproveitarei o amor de Hanabi. Preciso do amor da minha filhota.

Hinata meneou se culpando, por ainda criar expectativa de que ele lhe respondesse diretamente.

— Aceitei dinheiro para errar várias questões em uma prova. Estou esperando quando será a próxima vez que comprarão ou roubarão minha dignidade.

Ela arriscou compartilhar algo pessoal, esperançosa, de que ele dialogasse seriamente com ela, sem desviar do assunto.

Um pouco de silêncio entre os dois.

Risadas da criançada.

Inúmeras conversas dos responsáveis em volta.

O barulho do carrinho de algodão doce.

O sorveteiro.

— Continuo vendo a Hinata que minha linda esposa se orgulharia. — Hiashi falou de ar apaixonado, visualizando a imagem da falecida amada, seu coração se revigorava. — Pra alguém tentar tirar sua dignidade penaria a vida inteira, e isso porque estou sendo generoso.

Ela apertava o tecido do vestido sobre o colo, conseguiu.

O fez responder de forma direta.

— Você é muito bondoso, não fala nada sincero.

— Depois que sua mãe se foi eu aprendi a ser sincero.

— O senhor era sincero.

— Com palavras, sim. E quando eu não as dizia, as guardava para mim. Aprendi a ser sincero com sentimentos. Eu teria feito sua mãe muito mais feliz se eu fosse como sou agora.

— Abandonando suas filhas? — era incontrolável tentar atingi-lo.

A expressão suavizada de alegria de Hiashi se preservou.

— Aberto para sorrir e dizer o que sempre tenho para dizer... sua mãe se felicitaria com isso.

— O senhor sequer perde desculpas, isso não tem para dizer? Sabe por que falei sobre eu ser paga pra diminuir minha pontuação na prova? Porque eu quero um conselho do senhor, eu também me sujeitei a fazer algo errado para o bem da Hanabi. Ainda que a pessoa que me pagou tenha me pedido desculpas, eu queria que me dissesse como se sente bem com sua pessoa sabendo que faz algo errado. Por acaso pode me responder? Tem alguma coisa para me dizer a respeito? — interrogou se esforçando em manter uma expressividade natural, acenou para Hanabi quem lhe sorria.

— Eu sou um perdedor, Hinata. — Hiashi declarou. — Não consegui erguer o sonho de sua mãe. Então aceitei minha vida assim. Hanabi está segura com você, muito mais do que comigo.

— Então por que o senhor não some? Diz que ela estará melhor comigo, mas vive aparecendo, trazendo o perigo até nós, por conta de suas dívidas.

— Ficarei mais atento, não esperava que Mizuke viesse. — Acenou para a caçula quem estava no alto do trepa-trepa agora.

Na visão da Hyuuga mais nova, pai e irmã estavam em clima normal.

E ao perceber que os dois conversavam, sua felicidade engrandecia, acreditava que Hinata perdoou Hiashi.

— Conforme Hanabi crescer ela me odiará, estou aproveitando o tempo que tenho com ela. Por isso volto sempre. Um dia ela não quererá mais minha presença. — O senhor Hyuuga diminuiu seu ar agradável pela primeira vez durante o passeio.

— Poderia ficar e lutar junto comigo, para dar o melhor pra ela.

— Sendo perseguido, é impossível, fiz muitos inimigos.

— Ainda endividado... claro. — Ela estaria surpresa se ele não estivesse.

— hahaha pois é né, estou com uma maré de azar ultimamente. Mas estou apostando em lugares bem longe.

— Aproveite que está longe e não volte mais pra lá.

— Está me convidando para morar com vocês? — ele moveu a cabeça pro lado, observando o rosto de perfil da filha mais velha.

— Sabe que não faço pelo senhor.

Hiashi assentiu, contente do mesmo jeito pelo convite.

Volvendo seu olhar à caçula, dissera orgulhoso:

— Você sabe protegê-la.

Hinata sorrir de canto meneando uma vez.

— E quem me protege?

— Conheceu um anjo da guarda. Ele usa cartola.

— Ela o contou.

— Para você levá-la até esse estranho, então deve ser alguém de confiança.

Silenciaram-se, talvez Hiashi esperasse que Hinata falasse sobre o mágico, porém ela prendeu a mente em Naruto, e só a libertou quando Hanabi se despediu dos amiguinhos.

A pequena Hyuuga se aproximou do pai e irmã, bastante cansada. Hiashi decidiu comprar sorvete.

A família sentou no banco, cada um apreciou seu gelado.

Após isso, retornaram ao lar.

*

*

*

*Diário da Hinata*On*

Conversei com otou-san finalmente. Ele me respondeu mais do que esperei. Não sei como me sentir. Se for uma conquista, parabéns e se não for progresso algum, tanto faz.

Ele não se arrepende de ter investido na fábrica de brinquedos. Para minha surpresa, quando perguntei sobre o assunto, ele afirmou-me que investiria de novo se pudesse.

Tivemos um dia em família. Só faltou você, mãe. Contemplei o pôr do sol pensando se a senhora perdoaria o otou-san. Provavelmente sim. Mas não é uma certeza e isso me corrói, eu queria que a senhora me desse um sinal. Uma pista.

Quando a noite veio, permiti que otou-san dormisse ao lado de Hanabi, ela ficou entre nós dois.

Ele contou uma história pra ela dormir, mas eu também aproveitei em ouvi-lo.

Quando minhas pálpebras se fechavam, entre a consciência e o sono, pensei que tinha a mesma idade de Hanabi, acreditei que estava no meu antigo lar, crendo que a okaa-san esperasse no quarto dela, pelo otou-san.

Foi bom dormir sendo criança outra vez.

*Diário da Hinata*Of*

*

*

*

~19 de julho

~Domingo

~10: 15h

Vim sozinha para a colina de novo, otou-san levou Hanabi para comprar o celular, eu ainda reprovo essa ideia. Acho q

— Escreve pra quem? — Naruto trazia a bandeja cheia de limonada e biscoitos.

Colocou-a na mesa e acomodara-se na cadeira ao lado da Hyuuga.

— Para ninguém. — Respondeu, guardando o bloco de folhas dentro da bolsa. Sorrir vendo os biscoitos, pegou um. — Onde os conseguiu? Parecem caseiros. — Experimentou um pedaço e fechou as pálpebras, pequeno sorriso lhe brotou, quando mastigava as gotas de chocolate.

— Presente de uma visitante.

Uma visitante.”.

Hinata ao engolir, fitou o biscoito em sua mão.

— Nem todos espalham boatos ruins de você, não é? Deve receber vários presentes de gente que aprecia sua mágica.

— Hai. — Naruto confirmando pegou um biscoito e o colocou inteiro na boca.

Enquanto ele mastigava, a Hyuuga especulava sobre quantas moças o conhecia, elas deviam acha-lo atraente.

O que mais ele ganhava além de biscoitos?

— Ninguém merece receber uma carta sua?

— Ham? — os perolados se voltaram aos azuis.

O mágico ainda estava curioso pelo fato de tê-la visto escrever. Formulou outra pergunta:

— Enviará alguma carta para alguém?

— Hoje em dia quem se comunica através de carta? — Hinata perguntou, mastigando outro pedaço de biscoito.

Naruto não insistiu. Pegou uma limonada e depois de seu primeiro gole, elogiou-a:

— Você está mais linda hoje. Amo laranja.

Hinata de bochechas levemente rosadas olhou pro vestido novo de cor laranja e faixa amarela marcando a cintura.

Seus cabelos azulados estão em uma única trança e presos por uma liga de girassol que viera em conjunto com o vestido.

— Arigatou. Meu pai quem me deu. — Amanheceu tendo ao lado um embrulho e um bilhete de Hiashi. Seu pai e a irmã já haviam saído quando acordou.

— Fez as pazes com ele?

Hinata fez uma expressão neutra ao responder:

— Não acho que vale a pena ficar o atacando com palavras. Hanabi pode se embravecer. Por ela eu aturo a presença dele. — Pegou outro biscoito.

— Me parece que o perdoou.

— Eu só quero uma boa convivência. — Mordeu um pedaço.

Os dois seguiram lanchando em silêncio.

Naruto era o primeiro a terminar. Puxou uma folha de papel do bolso da calça, expondo-se a ler, comentou:

— É para essa pessoa que você escreve.

A Hyuuga espaçou as pálpebras, abriu a boca, deixando algumas migalhas de biscoito caírem.

Verificou sua bolsa e confirmou que os zíperes estavam fechados.

Quando foi que o mágico teve tempo de puxá-los?

Ela deveria escutar o barulho, principalmente, se ele ainda se deu ao trabalho de fechá-los.

— Na-Naruto! Devolva! É pessoal, não é assunto seu! — de braços esticados se inclinou pra eles.

— Quando você entregará para ela? — curioso, permitiu que a Hyuuga pegasse a folha de volta.

— Eu contei a você no dia que nos conhecemos, okaa-san morreu. — Abriu a bolsa, mas quando foi guardar o papel, descobriu que as folhas do bloco continuavam ali dentro, todas. Confusa, olhou o papel que tomou do mágico. — É só uma folha em branco.

— haha... eu disse “Para essa pessoa” e você revelou que era sua okaa-san.

Plantou verde e colheu maduro.

— Foi um blefe seu, que ultraje! — foi enganada com um truque tão fácil.

O loiro encorajou:

— Continue escrevendo para sua okaa-san.

— Não escrevo pra ela. Quer dizer, eu escrevo. Mas não é uma carta. Esse bloco de folhas é o meu diário. — Segredou, abraçando a bolsa contra o peito.

Compreensivo, Naruto assentiu.

Retirou-se, indo aos fundos da tenda, cinco minutos depois, retornou, carregando uma caixa de correio.

A curiosidade estava engrandecida na face feminina.

— Você pode colocar cartas dentro dessa caixa, às folhas serão enviadas até sua querida okaa-san. — Complacente explicou. — Sei que ela ficará feliz.

A mente da Hyuuga nublou-se, dentro dela tudo se acinzentou.

Brincar com a mãe dela, falando daquele jeito, o mágico a feriu.

— Tuas brincadeiras passam dos limites. — Empurrou a cadeira e colocou as alças da bolsa em torno do ombro. — Não sou uma criança, sei que okaa-san não receberá essa carta.

— É uma caixa de correio mágica. — O loiro afirmou em plenitude de confiança. — Claro que receberá.

Ela respirou fundo se exigindo do que restava de paciência.

— Naruto, nós somos amigos?

De azuis reluzentes e os lábios flexíveis a belo sorriso, respondeu-a:

— Eu quero mais que sua amizade.

— Mas por enquanto, o que somos?

— Amigos. — Respondeu meio emburrado.

— Então, onegai, não brinque comigo sobre esse assunto, é algo sério, estou te pedindo pela nossa amizade.

Ele devolveu o mesmo grau de seriedade:

— Eu não mentiria para você. Por que não acredita em mim?

Os perolados lacrimejaram.

— Tire essa caixa da minha frente! — nervosa, ela exigiu batendo na mesa, derrubando um dos copos vazios de limonada.

— Tente ao menos uma vez.

Ela abaixou a visão ao piso.

Na mudez se aprofundaram.

O mágico torcendo para ela ceder.

E a aprendiza almejando que ele mudasse de comportamento.

Retornando a fitá-lo, atacou-o com o interrogatório:

— Como foi para você se tornar mágico, Naruto? O que o fez acreditar em magia? Você tem família? Por que sempre me deixa no vácuo quando pergunto mais sobre sua vida? — E ainda apôs uma condição: — Se me responder tudo, colocarei uma carta dentro dessa caixa de correio.

O mágico caiu em hesitação. Suas mãos na caixa tremularam.

— Embravece-se comigo? — culpa-se por vê-la daquele modo. Necessitava dos sorrisos dela, do brilho no olhar e das bochechas coradas. — Tudo bem, não vamos mais falar da sua okaa-san.

Hinata o encarava, respirando, pesadamente. Um touro enfurecido, um instinto animalesco despertado dentro dela.

— Eu quero respostas, Naruto. — Continuou exigindo. — Não é justo que só você saiba da minha vida.

Novo silêncio se arrastou.

O mágico estalou os dedos, tendo uma ideia.

— Já sei! Vou ensiná-la mágica usando bichos de pelúcia! — explodiu de anseio.

Foi guardar a caixa de correio.

A Hyuuga meneou a cabeça, desistindo.

— Estou indo embora... voltarei outro dia.

— Mas nossa aula ainda não acabou. — Naruto correu e circulou o pulso direito dela. Com seus azulados rotundos imploradores, pediu-a manso: — Onegai, fique.

A Hyuuga gélida, permaneceu, esperando ser liberada, sabendo que o homem não a forçaria. Fixou suas pérolas nos pedaços esféricos oceânicos.

Devagar e com muito custo emocional, Naruto liberou a mão dela. Recebeu uma sensação dolorosa.

— Até. — Murmurosa, Hinata se despediu, saindo da tenda. Enquanto apressada descia a escada, a liga de girassol afrouxou, deslizando de seus cabelos.