Abracadabra!

21 Perdendo-se


Short jeans, blusa rosada e tênis branco, vestida assim no sábado de manhã, Sakura decidiu visitar o tal mágico.

Não temia o homem de cartola pelo que os boatos diziam, confiava na palavra do velho do parque:

Você deveria visitar o mágico da colina, os dois se darão muito bem. Ele te ajudará mais do que eu, tenho fé.”.

Para sua surpresa avistou ao longe Hinata saindo do parque, gritou o nome dela, mas a Hyuuga não a ouviu, o barulho do trânsito abafou seu chamado.

A Haruno se arriscou a atravessar durante o sinal vermelho, foi xingada por um motorista, o ignorou e continuou correndo, porém chegando à rua do parque, a azulada mais distante dobrou em outra rua, sumindo da mira dos esmeraldinos esféricos.

A rosada, ofegante, pensava se ainda tentava alcançar à amiga, olhou para a entrada do parque, depois na direção que a Hyuuga andou.

Mais tarde falaria com ela, decidiu.

Entrou no parque vazio, enquanto rumava à colina não deixava de olhar em volta, em busca do velho.

Alguns dias antes da viagem à Kotohiki, visitou o parque, procurando pelo senhor, no entanto, sem resultado.

Tinha a esperança de que o mágico soubesse da localização do idoso.

Na escada, passando pela metade do conjunto dos degraus, seu celular tocou, cessou cada pé em um degrau diferente, enfiou a mão no bolso traseiro do short.

Puxou o celular para frente de seu rosto, ao ver que a ligação era de Sasori, mordeu o lábio inferior e olhou para a tenda.

Pensativa.

Desligou a chamada e enviou uma mensagem.

Daqui a pouco te ligo, boneco.”.

Guardou o celular, rindo imaginando a cara do namorado, o apelido se devia pela noite anterior, quando ele lhe apresentou uma coleção de marionetes no quarto dele.

Sasori apresentaria shows infantis em teatros, a Haruno achou tão fofo. Continua a subir a escada.

— “O primeiro show será hoje de tarde, não posso esquecer de pesquisar pelo horário.”.

Filmará tudinho e tirará várias fotos.

Encheu-se de anseio pela primeira apresentação de Sasori.

Esses pensamentos foram bons para lhe distrair, enquanto avançava sobre os inúmeros degraus.

Parando diante a tenda se reservou em alongado momento de descanso, reparou na caixa de correio cravada na borda da colina ao lado direito da escada.

— “Esse lugar recebe carteiro?”.

Em poucos minutos, descansada, atravessou pela entrada da lona, o ambiente se encontrava escuro, abriu mais a entrada da tenda, fazendo a claridade abranger maior parte do local.

Os esféricos verdes pararam na pessoa, no chão, deitado de lado e de pernas encolhidas, o mágico de vazio olhar mirava o nada.

Alcançado pela luz da manhã, suas pupilas estremeceram, devagar sentou de pernas abertas e as mãos espalmaram o piso entre as coxas, no seu dedo anelar direito se amarrava uma liga de girassol.

Ele elevou a cabeça, na direção da pessoa quem devagar e receosa caminhou na direção dele.

— Você... acred...

Desmotivado ele deixa a pergunta incompleta.

Até esquece o que perguntaria à visitante.

Detendo-se a quatro passos do homem, ela verbalizou:

— Está tudo bem com você? E-eu sou Sakura Haruno.

— Haruno... Sakura...

Murmuroso, ele repetiu o nome, achando-o familiar.

Sua memória se desorganizava.

A rosada se agachou, abraçando as próprias pernas.

Naruto segurou a cabeça pelos lados. Inspirando fundo, expirando rápido.

— Moço, quer que eu lhe ajude em algo?

Ele a fitou, afundando-se nos verdes.

— A sua luz é forte. — O loiro se levantou e um pouco curvado apoiou uma mão na mesa. Cobriu seus olhos com a outra mão. — Mas... eu quero a luz dela, será que ela voltará hoje? — cheirou a liga de girassol, sugando o resquício do aroma da Hyuuga. Num ataque raivoso virou a mesa derrubando uma das cadeiras. — Bakaaa! Por que não a obedeceu só uma vez?!

A Haruno se manteve onde estava. Espaçou as pálpebras, vendo o mágico lutar para manter o controle.

Ficou de pé, lembrando-se de vê a amiga Hyuuga sair do parque.

— Você disse “ela”? Se refere à Hinata?

— A conhece? — ligeiramente, o homem sem cartola mirou a rosada.

— Somos amigas.

A memória do mágico retornou a funcionar.

— Sakura Haruno. — Foi o nome mencionado pela colegial loira quem lhe visitou um dia. — O que faz aqui?

A rosada não deixou de notar o atordoou do loiro.

Interrogou-se sobre qual seria o problema do mágico, qual a relação dele com Hinata.

— Conheci o velho que atua no parque. O procurei outras vezes, mas nunca mais o vi, sabe onde posso encontrá-lo?

Naruto moveu seu olhar para trás, observou a bagunça que fez. Tratou de arrumar e enquanto o fazia, perguntou-a:

— Assustei você?

A rosada se decepcionou por não ser respondida. Suspirou.

— Um pouco, mas o velho disse que você é uma boa pessoa, acredito nele.

E ficando pensativa, acrescentou:

— Acho que é por causa desse teu jeito estranho que espalharam boatos ruins sobre você, deve ter assustado algumas pessoas.

Os azuis cintilaram incessáveis. Sua palma direita fechou-se em torno do girassol, espremeu-o forte.

— O velho.... não sei.... sou uma boa pessoa... acho que não, magoei quem me traz luz....

Ele seguiu falando, soltando palavras desconexas, sua voz afundara-se em rouquidão.

Abaixou-se se encolhendo, embrulhando seu corpo com a capa de mágico, tentando criar uma camada protetora.

— Quer que eu ajude em algo? — Sakura se aproximou e se agachou ao lado do loiro, descansando uma mão no ombro dele.

O mágico parecia uma criança perdida.

— A pessoa que magoou é a Hinata? — a Haruno questionou, tendo quase certeza.

— Hai... — Os olhos dele arderam.

— Por que não me conta o que aconteceu entre vocês? Tenho certeza que não demorará a se resolver, se quiser eu mesma posso conversar com ela.

Os azuis se cruzaram com os verdes, a luz que a rosada emanava, a voz melodiosa carregada de verdadeira boa intenção, acalmava o mágico.

Em meio à neblina na qual ele imergia, Sakura se tornou o seu farol.

*

*

*

Uchihas. Sobrenome de peso. Bastava a pronuncia dele para as pessoas em volta adequarem à postura e assistirem a grandeza dos que faziam parte da família, a qual multiplicava suas posses pelo mundo inteiro.

O herdeiro mais novo, Sasuke, desde criança sendo acostumado a cominar as próprias vontades aos outros.

Sakura Haruno se tornou verdadeiro teste aos hábitos possessivos do Uchiha, uma vez que ele a desejava ao tempo que os pais dele o empurravam à Karin Uzumaki.

“Não” A palavra que ficou entalada na garganta de Sasuke. “Não”. Ele só precisava rejeitar o desejo dos pais de uni-lo a Karin.

Todavia, foi nesse momento que Sasuke, acostumado a obter tudo o que desejava, descobriu que sua palavra não tinha poder entre os Uchihas.

Não tem o poder de escolha.

Ir contra seus progenitores? Apenas considerar a possibilidade de dizer “não” trazia as pesadas consequências que sofrerá em não atender as expectativas deles.

Itachi Uchiha.

Seu irmão mais velho era o exemplo do que acontecia, quando ia contra a vontade da família.

*

*

*

Sasuke no sábado amanheceu gripado não podendo ir junto de seus pais visitar o tio Madara, um empresário de sucesso que comemorava o mais novo negócio bem feito em uma nova linha de automóveis.

Lhe visitarei de tarde, agora tenho assunto importante a resolver.

Karin se despediu usando essas palavras pelo celular, ela ligara para saber como o namorado estava.

O casal teve uma conversa vaga.

Sasuke poderia tê-la achado fria, mas se acostumara com esse lado dela, havia período do mês que ela se distanciava, ele achou que fosse algo a ver com a menstruação, porém há tempo confirmou que nem sempre essa distância interposta pela ruiva batia com os dias menstruais.

Embrulhara-se pela amarga lembrança de que se aproveitara desses dias distantes da namorada para traí-la com Sakura.

Seu namoro seguiu como sempre depois que a Haruno o deixou.

Até entregou mais do seu tempo para Karin.

No entanto, a Uzumaki esclareceu que precisava de espaço.

Então ele resolveu adicionar novas coisas na rotina para se ocupar.

Desespero.

O real motivo dessa mudança.

Quer tapar um buraco e crer que está tudo certo.

— Merda!

Praguejava por se ver pensando em Sakura.

Fazia pouco mais de uma semana que não se focava na Haruno.

Estragou o seu recorde.

Enrolado em cobertor, procurou o celular, se lembrou de que o aparelho carregava.

Resolveu ligar o computador.

Procurou as redes sociais de Sakura, e bateu-lhe o arrependimento, a foto recente que ela compartilhara com Sasori trouxe a conhecida espetada dor ao seu peito.

Girou o botão do mouse, rolando a tela, a cada sorriso e brilho de felicidade nos esmeraldinos, devia-se ao Akasuna, o ruivo fazia parte da nova fase de vida que a Haruno alavancou.

— Sr. Sasuke? — a empregada chamou, batendo de leve na porta.

O Uchiha fechou as páginas por impulso.

O medo de ser flagrado permaneceu no seu subconsciente.

— O que é?

— Irei ao supermercado, preparo novamente a sopa de tomate?

— Hai. E de frango e carne. E legumes. E sopa que só tenha batatas. Não quero mais incomodo até a hora do almoço.

— Minha nossa, seus pais ficarão felizes. Ontem não comeu quase nada.

Ele escutou os passos se afastando. Sorrir satisfeito. Uma ideia repentina o subiu.

Acrescentou na lista do almoço apenas para atrasar mais a empregada.

Jogou o cobertor no chão, colocou uma calça jeans, uma camisa preta de mangas curtas e calçou os sapatos sem meias.

Apressado fugiu pela janela do quarto.

Mais tarde, avistando a casa da Haruno, respirava fundo, imóvel na calçada do outro lado da rua, refletindo no que diria à rosada.

Batemos o nosso recorde hahaha nunca pensei que aguentaríamos tanto tempo longe um do outro.”

Não. Àquela altura estava evidente de que não se tratava mais de uma daquelas fases em que eles brigavam para depois voltarem.

Foi um término definitivo.

Estava certa. Terminarei com a Karin hoje. Não me importo que continue namorando o Akasuna, você suportou ser minha amante, farei o mesmo por você.”.

Passar agressivamente por cima do orgulho Uchiha era a maior prova do que o que sentia por ela era poderoso.

Viu Sakura saindo de casa, ele foi percorrido pelo arrepio, ela jazia linda.

Adorava as lindas pernas exibidas no shortinho, gostava quando a luz batia nas coxas roliças.

Havia algo a mais naquela beleza, o ar alegre que ela exalava, a firmeza...

Sustentando pesada dor, Sasuke a seguiu de longe, permanecendo do outro lado da rua.

— “Chega logo nela antes que se encontre com o namorado.”.

Pressionara-se durante minutos.

O semáforo se avermelhou, atravessou a rua, só não esperava que Sakura corresse com o sinal aberto na outra rua.

Tinha certeza que a ouviu gritar algo.

Esperando o próximo sinal fechar para os carros, enxergou a rosada entrando no parque.

Estranhou.

Após enfim atravessar a faixa de pedestre, correu ao parque, perdera a rosada de vista.

Rodeou pelo local por mais de meia hora, cansado sentou no primeiro degrau da escada da colina.

Não parou de se interrogar o que a Haruno viera fazer ali? Em que lugar ela se enfiara? Será que ela percebeu que estava sendo seguida por ele e resolveu pregar uma peça?

A possibilidade o incomodava. Levantou-se, pretendendo voltar para casa, no entanto, olhou para a escada... vendo todos aqueles degraus, recordou-se que no final dela havia uma tenda de circo, veio-lhe a lembrança sobre os boatos sobre tal mágico. Algumas garotas diziam que o homem de cartola era bonito.

— “Será?”. — Considerou que Sakura estivesse lá.

Ela estava curtindo o namoro com o Akasuna, por que visitaria o homem dos boatos estando sozinha?

Por via das dúvidas, decidiu conferir.

Enfrentou o infortúnio de escada, no topo da colina se conservou anelando.

Seu coração disparou ao escutar a voz da rosada, uma breve risada, teve certeza que pertencia a ela.

Em lentor se aproximou da abertura da tenda.

Espiando testemunhou a Haruno segurando às mãos do loiro, os pés dela centímetros acima do chão.

Sakura entreabrindo as pálpebras nem bem olhou pro chão e o encanto se desfez, seus pés pousaram no piso.

Falou impressionada:

— Eu estava flutuando mesmo...

Naruto sorrir orgulhoso, rápido jogou sua vista à entrada da tenda, encaminhou-se na direção do espiante, deteve-se na frente do surpreso Uchiha.

— Seja bem-vindo. — Curvou-se retirando a cartola, e depois de pô-la de volta, questionou: — Acredita em magia?

— Sasuke? — Sakura arredou para o lado, enxergando a imagem do Uchiha.

O moreno de lábios entreabertos retardou para falar algo. Até que cerrou os punhos e estremeceu seus ônix.

— Olha só quem me julgou! Aproveita bem o namoro com o Akasuna hein!

A raiva na rosada foi desperta.

— O que quer dizer com isso? Acha que há algo entre eu e Naruto?

— Naruto? Nome de comida, que nome ridículo! — o Uchiha virou de costas. Limpou seu nariz escorrido, quando sugou o ar pelas narinas foi audível o som do catarro. — Você não veio aqui para ver truques baratos, é inteligente demais pra acreditar neles. Sei qual seu interesse estando aqui.

A Haruno incrédula correu se pondo na frente do mágico o empurrando para trás, de mãos na cintura, encarou odiosa a retaguarda do Uchiha.

— Se é real ou não a mágica do Naruto me impressionou de todo jeito! O que não me impressiona é você vir aqui insinuar que estou traindo meu namorado, não sou como você.

Sasuke se voltou pra ela.

— Como não? Eu chifrava Karin contigo e durante muito tempo! Agora quer dá uma de santa.

— Me arrependi! Esqueceu nossa conversa no banheiro?! É incrível como você continua o mesmo verme de sempre!

— Mudei muito se quer saber, meu namoro com Karin está mais do que excelente. Vendo você aqui na tenda com esse estranho, percebo que fiz a escolha certa.

— Escolha certa foi a minha, vendo VOCÊ AQUI com acusação sem sentido! É a prova de que Sasori é o cara ideal para mim.

Os dois estenderam a discussão. Proferiam raiva, espumavam ódio.

Naruto esquecido recuou.

Aos seus azuis, a tenda se preencheu de obscuridade, a luz da rosada era extraída e engolida pela escuridão.

As palavras do visitante saíam em raios de ódio, esburacando o colorido nascido da alegria de quando realizava sua mágica para a Haruno.

Através das trocas de ofensas entre os dois jovens, o loiro percebeu o quão um sentia pelo outro, existiu algo muito bom entre eles que apodreceu, consumindo o coração de ambos.

— O amor... ele fere desse jeito? É normal o amor causar brigas... — Naruto murmurou, enquanto via as duas almas sendo destruídas. Sendo engolido pela neblina, sem nenhum farol pra guiá-lo, rompeu-se em um grito de dor: — Aaahhh!!! — ajoelhando-se, tapou os ouvidos.