Abracadabra!
22 O passado de Naruto (parte 1)
Do Uchiha, Sakura se afastou correndo ao auxilio do mágico.
Abaixou-se na frente de Naruto quem expressava dor. Exclamadora perguntou:
— O que aconteceu?!
O loiro empurrou a rosada e disparou contra a saída da tenda.
Sasuke saltou para o lado, saindo do caminho do mágico.
Lá fora, Naruto beirou o topo da colina, ao lado da caixa de correio.
Sua respiração se aprofundou e saiu longa.
— Irei para outra dimensão, lá as pessoas não usam o amor para se machucar. — Preparou-se para pular daquela altura. — Esperarei a Hinata...
Foi envolvido pelos braços de Sasuke.
— LIVRE-ME!
Naruto gritou, balançando-se furioso.
— Tá doido? Pensa em se jogar? – o Uchiha interrogou, descrendo que estivesse salvando o mágico.
Naruto se debateu, como uma besta selvagem.
— Traga ele de volta para a tenda! – Sakura exclamou, desesperada.
— Jura? Eu pensei em ficar com ele aqui na beira da colina. — Sasuke ironizou. — Droga... estou muito fraco, não conseguirei.... — Seu nariz escorria mais.
A Haruno abraçou Naruto pela frente e ajudou o moreno a arrastá-lo ao interior da tenda.
Atravessando a lona, o mágico foi jogado contra o chão onde convulsionou, enquanto o Uchiha o pressionou pelas costas, na tentativa de imobilizá-lo.
Naruto começou a dar fortes cabeças contra o chão.
Sakura em maior desespero se moveu, ajoelhando-se na frente dele, deteve a cabeça do loiro com as mãos.
— O que os boatos dizem é verdade, ele é perigoso, temos que sair daqui. — Sasuke falou, ofegante, não tendo certeza quanto tempo permaneceria em cima do mágico.
— Não podemos deixá-lo nesse estado, ele precisa de um médico!
— Enviarei vocês para outra dimensão, lá não brigarão mais, serão felizes! Acreditam em magia?! — o loiro exclamou, tendo veias grossas se destacando ao longo do pescoço e na testa.
Uma coloração vermelha tomou sua face.
Não, eles não merecem entrar lá.
O amor deles não é puro.
Brigariam na outra dimensão, estragaria o nosso paraíso.
— Me libertem! Eu farei mágica de verdade! Hinataaa! HINATA! Cadê você? Por que estão me segurando? O que fizeram com ela? O QUE FIZERAM COM O AMOR DA MINHA VIDA?! — respingou saliva.
— Ela foi embora mais cedo, não lembra?! — a rosada dissera, lacrimejando e se esforçando mais para paralisar a cabeça do mágico.
— Cheguei a tempo! – gritando, Karin entrou na tenda. – Continuem o segurando firme!
A Haruno empalideceu na presença da namorada do Uchiha.
Sasuke, igualmente, abismou-se.
A Uzumaki trazia uma mala média a qual lançou no chão, abaixou-se e abriu o objeto, preparando uma injeção, ordenou ao moreno:
— Solte somente o braço direito dele.
O Uchiha confiou na Uzumaki e assim o fez, a ruiva imobilizou o braço livre do homem e enfiou a agulha.
— Karin... – O loiro murmurante a reconheceu.
— Hai, sou eu, ficará tudo bem, Naruto.
Gradativamente, os movimentos incontroláveis do mágico escassearam.
As pálpebras pesaram e em três minutos se aquietara.
Sasuke e Sakura sentaram-se exaustos no chão. Sentiam-se como se tivessem domado um animal feroz.
A ruiva estava mais cansada que eles, pois viera correndo sobre todos aqueles degraus. E antes disso realizava uma série de exercícios. Usava roupa de ginastica: calça colada e um top.
Cinco minutos prosseguidos em descanso e silêncio.
Karin notara o desconforto entre Sasuke e Sakura, acima disso, captava o sério interesse deles em saber sobre sua repentina presença na tenda e o problema acontecido do mágico.
— Ele é meu primo. — Seus escarlates globos pousaram no loiro.
— Primo?! — em uníssono, a rosada e o moreno repetiram a palavra.
Sem explicações, a Uzumaki pegou um aparelho celular de dentro da mala e realizou uma ligação, conversou durante uns vinte minutos e desligou o aparelho.
Na sequência, revirou quase todas as tralhas, encontrou um saco de dormir, pediu ajuda aos dois para colocar Naruto em cima do material de acampamento.
Feito isso, a ruiva avisou que pegaria um ar e se retirou da tenda.
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*
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Sakura e Sasuke notavam a tensão consumindo-os originando a troca frequente de olhares entre os dois, um pressionando o outro silenciosamente numa batalha para saber quem começaria a falar com a ruiva.
— Estou sabendo de tudo, não precisam se olhar desse jeito. – Karin tomou a iniciativa, deitada de costas no chão, ao lado do primo.
Sakura sentava em uma cadeira e Sasuke em outra, entre eles, a mesa.
— O quê você sabe? – receosa a rosada questionou.
— Que os dois se pegavam. Na minha ausência, claro.
Imediato, Sasuke perguntou:
— Quem lhe contou?
Bang! Pergunta errada Uchiha, que ficasse calado! Pensou raivosa a Haruno.
— Ino. — Karin o respondeu.
Sakura pasma arregalou os olhos.
— Achei que estivesse enganada, no entanto, passei a observar seu comportamento. — Karin firmou os avermelhados globos no Uchiha. — Os olhares que dirigia à Haruno, suas reações quando a via com o Akasuna, enquanto isso eu fingia falar no celular ou fingia ler algo. — Fitou a rosada e quando os verdes lhe bateram, notou a feição feminina assumir seriedade preparando-se para ser julgada. — Terminou com ele, não foi?
— Infelizmente... tarde demais... — Sakura respondeu envergonhada.
Os ônix estremeceram, Sasuke fitava o chão, envergonhado.
— Tenho mais respeito por você do que por ele. —Karin admitiu.
O Uchiha sentia-se um lixo diante as duas, mal conseguia encará-las.
— Não acho que respeito seja a palavra correta... olha, não colocarei a culpa toda nele, errei feio. — Sakura assumiu.
Karin nada disse, a mudez viera se estabelecer. No delongar do silêncio, o Uchiha se levantou, decidido a partir:
— Não há mais nada para eu fazer aqui...
A Haruno se embraveceu mais com ele.
Sasuke saiu da tenda, mais adiante parou no primeiro degrau, vendo a chegada de uma linda loira em um vestido de seda e salto alto.
— Oi, Karin está por aqui?
— Hai... dentro da tenda...
Curioso respondeu, ela pediu licença e atravessou a lona.
Ele refletiu um instante e acabou voltando para dentro.
A ruiva o observou, ele não conseguiu fitá-la, moveu seus ônix para qualquer direção do chão.
Karin suspirou, cumprimentando a recém-chegada, decidiu fazer as apresentações:
— Esses são Sasuke Uchiha e Sakura Haruno, estudam no meu colégio. Essa é Shion Fujimura. É uma amiga antiga de Naruto, foi pra ela quem liguei.
— Eu tinha um compromisso, mas resolvi visitar o meu amigo, ainda mais depois de saber da crise que ele sofreu ainda há pouco. — Shion observou o mágico no chão. — Estou aliviada que deu tudo certo.
— Hoje eu praticava exercícios quando percebi que na minha tabela cometi um erro grave, deixando de dar injeção no Naruto na data correta. Nem perdi tempo trocando de roupa. — Karin se explicou.
— Gomenasai, por me intrometer, mas... poderiam me esclarecer melhor a situação? — Sakura perguntou. — Conheci o mágico hoje, o acho uma boa pessoa... quero ajudá-lo de algum modo...
Shion levantou um dedo indicador, pedindo tempo, usava seu aparelho celular.
Cancelou todos os compromissos daquele dia, desligou e guardou o objeto em sua bolsa de alça longa e fina.
Abaixou-se ao lado do mágico, acariciando o rosto dele, perguntou à rosada:
— Gostaria de saber da história de Naruto?
— Hai... — A Haruno se abaixou também.
Sasuke limpava seu nariz escorrido recostado na mesa.
Karin arranjava seus ósculos dentro da mala.
A Fujimura se afundou na história de Naruto, em sua perspectiva.
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— Que maravilhoso filha! Estudará na mesma sala que Naruto Namikaze, ele é filho de um amigo antigo meu e do seu pai. Seja amiga dele, fiquei sabendo que ele vem sendo excelente aluno desde o fundamental. E se puder ser mais que amiga, melhor ainda, os Namikazes atualmente são uma família de destaque. Kushina está no top dez de modelos mais bem pagas do Japão e Minato continua sendo um professor renomado nas maiores universidades do nosso país! — minha mãe disse toda empolgada e esperançosa de que eu fizesse algo produtivo no primeiro ano do colegial.
Ela via em Naruto, a oportunidade de eu começar a fazer algo de relevante.
Assim que convivi meu primeiro dia com ele, descobri que não atenderia as expectativas de minha mãe.
Naruto e eu éramos diferentes.
Tínhamos desempenhos opostos no nosso ambiente estudantil.
Ele conquistava a popularidade tirando excelentes notas. Lindo fisicamente, bom em atletismo e música, sempre o melhor aluno.
Eu, caracterizada por sardas, óculos de lentes grossas e cabelos trançados.
Zoada por ser esquisita.
Diziam que eu era assombrada e quem se tornasse meu amigo seria amaldiçoado.
Foi uma coincidência macabra, mas as duas únicas pessoas que se tornaram meus amigos na sexta série sofreram acidentes que os deixaram incapazes de andar.
Desconfio que o segundo acidente tenha sigo armado por algumas garotas que praticavam bullying comigo.
Elas empurraram meu segundo amigo da escada, porém nunca tive provas, e mesmo se tivesse, caso eu revelasse a algum educador da escola, as consequências poderiam ser piores do que sofrer os xingamentos diários delas.
No final de tudo a má fama me acompanhou até o último ano do fundamental.
No primeiro ano do colegial, alguns conhecidos que estudaram comigo no fundamental ressuscitaram minha má fama e comecei a ser evitada pelos meus novos colegas.
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No meio do intervalo, Naruto lia um livro de biologia. Centralizado. Era visto sempre segurando algum material de estudo nas horas vagas.
De fininho cheguei perto da mesa dele.
Todos os alunos e professores haviam o cumprimentado por conquistar o primeiro lugar na lista de melhores notas.
— Você possui perfeições de notas. – O parabenizei expondo meu sorriso minúsculo. – Em primeiro lugar de novo, muito bom.
O Namikaze descontinuou a leitura erguendo lentamente a cabeça, tentando me reconhecer.
Assentiu seriamente aceitando de respeitoso modo o meu elogio, daí retornou a ler, dispensando minha presença.
Era claro que ele estaria desinteressado em me conhecer.
Sonhei com os clichês nos quais o aluno popular se apaixonou pela nerd.
O romance permaneceu apenas nos sonhos.
— Se ao menos você se vestisse bem, ele te notaria.
Minha mãe disse quando contei a ela que minha relação com Naruto continuava distante.
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Acontecia a reunião de família no colégio, os educadores informariam como andava o desempenho dos alunos aos responsáveis dos mesmos.
Eu saía do banheiro quando passava na frente da diretoria.
Não resisti à vontade de pressionar a orelha na porta, pois eu soube que Naruto estava lá dentro com os pais dele, conversando com o diretor.
— Minato deve ser só contentamento, professor e pai de Naruto. Ver o filho crescendo e se tornando exemplo para essa geração. – O diretor Hiruzen Sarutobi jogava seu excesso de elogio. – Tenho amor pelo ensino, construí essa instituição com meus sonhos, quando conheço estudantes tão dedicados ao aprendizado me emociono. Por isso, eu pedi para virem até aqui depois da reunião de família, eu precisava elogiá-los pessoalmente.
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Poucos dias depois da conversa com o diretor, durante o intervalo, Minato Namikaze adentrou a sala de aula, sendo seguido por mais quatro professores, ele empolgado abordou Naruto:
— Filhão, meus amigos professores de universidades vieram conhecê-lo.
— Fará mais sucesso que o seu pai. — Um dos adultos disse, estendendo a mão, quando Naruto a apertou, sacudiu firme.
— Li suas teses citadas na última palestra de geografia, continue assim jovem. – Outro apertou a mão de Naruto.
— Você tem um futuro promissor. – Uma professora se manifestou, pondo a mão no ombro direito do jovem Namikaze. — Eu baixei seus documentos sobre os agravantes da urbanização, é incrível como imerge no assunto como um profissional.
— Sua foto com certeza estará no mural do colégio. — Afirmou o primeiro professor quem cumprimentou.
Os adultos rodeavam a mesa de Naruto que pacientemente assentia agradecendo pelos elogios e respondia o que conseguia em meio a tanta admiração, Minato assistia a tudo bastante orgulhoso.
Eu sentava ao fundo na sala.
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Próximo das férias, usando o bebedouro escutei Naruto pedindo ao pai para realizarem uma viagem em família.
Os dois andavam ao estacionamento do colégio na hora da saída quando passaram atrás de mim.
O professor Minato respondia:
— Viajaremos em família, eu confirmei nossa presença em palestras que acontecerão em outras cidades.
— Muito bom. — Naruto aprovou.
Fiz cara azeda, estava saturada de sempre escutar um membro da família Namikaze falando de estudos ou alguém elogiá-los.
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Nas férias, Naruto criara uma página na internet de auxilio aos alunos do colégio, logo se tornou famosa e estudantes de outras instituições de ensino se interessaram.
O modo como ele ensinava a matéria era tão prático e claro que até eu me interessei, aprendi muita coisa.
Assisti uma série de vídeo-aulas dele, às vezes me enfeitiçava pela beleza do Namikaze e acabava me distraindo do conteúdo.
Na segunda semana do retorno às aulas, vi o professor Minato andando com o diretor, eu carregava uns livros para levar à biblioteca.
Minha curiosidade inflamada me fez mudar de percurso.
Vi os dois entrarem na diretoria, fui escutar atrás da porta.
— Daremos atenção diferenciada para ele, Minato, o faça estudar a nível universitário. Uma mente brilhante como a do seu filho precisa de desafios maiores. – O diretor quase perdia seu profissionalismo estando empolgado pelo colégio ter saído em matérias de jornais por conta da fama de Naruto.
— Estarei indo contra as normas de ensino. — Embora tenha alertado, a voz do professor Namikaze saiu cheia de entusiasmo.
— Menina, o que está fazendo?!
Fui flagrada pela professora de inglês, me assustei, os livros escapuliram de minhas mãos, tentei arranjar uma desculpa, no entanto, ela me dedurou para o diretor e mais tarde minha mãe recebeu uma ligação sobre meu péssimo comportamento.
— É isso que faz quando deveria estudar? Fica bisbilhotando na escola? Você só me dá desgosto.
Depois daquelas palavras, minha mãe não me falou mais nada no resto do dia.
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A mãe de Naruto o visitava na sala de aula, sempre antes da chegada do professor, acho que ela trabalhava em algum lugar perto e dava um jeito de dar uma passada no colégio para ver o filho.
— Fiz seu lanche preferido, aproveite bem, sua okaa-san anda muito orgulhosa de você.
— Arigatou okaa-san.
Vi o sorriso doce em Naruto, me surpreendeu, a serenidade que ele transmitia na presença da mulher o fazia perder seu ar neutro. Mas bastou ela ir embora para ele volver ao modo impassível.
Irritei-me, senti que não era grato pelo conhecimento que possuía. Incomodava-me o modo robótico dele. Eu lutavatanto para ser uma boa aluna, e ele era um aluno de grande excelência sem esforço algum, estudar pra ele era muito fácil, pois absorvia informações de modo rápido, parecia fazer parte de sua natureza, qualquer aluno gostaria de estar no lugar dele, e apesar de tudo, o Namikaze apresentava não usufruir dessa dádiva.
Fui até a mesa dele:
— Por que estuda tanto? Vai cursar o quê? Medicina? Direito? Engenharia?
Os azuis me fitaram analíticos.
— Não sei o que farei. — Respondeu neutro.
— Não? Então por que estuda tanto?
— Conservarei notas altas, assim escolherei a faculdade que quiser, todas as portas estarão abertas para mim. Obtendo qualquer diploma, terei reconhecimento profissional e social.
— Reconhecimento? Esse é o seu objetivo, não importa o que fará, só precisa dele?
— Okaa-san diz que preciso de reconhecimento. Foi algo que ela não recebeu quando mais jovem, por isso ela se orgulha em me ver conquistando a admiração das pessoas. Otou-san, igualmente, fala o mesmo.
— Então não é seu objetivo, é o objetivo de seus pais.
— Não sou adulto formado então prefiro ser orientado pelos mais velhos que são experientes, confio neles, principalmente em meus pais.
— Então... seu objetivo é qualquer coisa que seus pais queiram...
— Não sendo um adulto fracassado no futuro, é o suficiente.
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Naruto era uma folha de papel em branco, puro e manuseável.
Permitia que outras pessoas escrevessem nessa folha sobre o que ele deveria fazer.
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