Abracadabra!

25 O retorno às aulas


Notas iniciais
JEANZINHU, agradeço infinitamente por sua bela recomendação. Querido público, mais um capítulo!

*Diário da Hinata *On*

O restante das férias foi quase perfeito.

Digo, quase porque não encontrei Naruto na tenda nas vezes que fui visita-lo.

A ausência dele me pegava de noite, martelando a minha mente, premindo meu coração.

A caixa de correio ainda estava lá, do lado de fora da tenda.

Na minha última visita, eu coloquei uma carta dentro da caixa.

Naruto precisava saber que eu não estava mais brava pelo que aconteceu.

Se não fosse essa culpa me corroendo poderia relaxar totalmente no decorrer das férias.

Contudo, toda santa noite vou dormir com a imagem do mágico, do exato momento que fui embora da tenda.

Em casa, as coisas seguiam maravilhosas.

Otou-san entregava toda a atenção às filhas.

Fazíamos passeios em família nos fins de semana.

Eu apreciava nossa convivência, embora não tratasse otou-san com o mesmo carinho que Hanabi, mas ele não se importava, eu percebia o quão satisfeito ele estava por estar conosco.

*Diário da Hinata*Of*

*

*

*

— Por que está tão apressada hoje? – Hinata perguntou, vendo Hanabi se arrumar numa velocidade incrível.

— Não quero me atrasar pro meu primeiro dia de aula depois das férias! – calçava os sapatos, praguejando ao se atrapalhar nos nós dos cadarços. – Os alunos atrasados têm que ficar na sala depois da aula.

— E alguma vez ficou depois da aula, mocinha? — a colegial pusera uma mão na cintura.

— Lie! Mas não quero correr risco de perder tempo, hoje comprarei o celular com o otou-san! — suas duas esferas prateadas reluziram.

— Ah o celular... — A maior desgosta em saber, tendo se passado vários dias acreditou que a irmã esquecera ou que Hiashi mudou de ideia quanto a comprar o aparelho.

— Estou indo, tchau mana! — pegou a mochila e correu à porta, segurando a maçaneta, a voz autoritária da irmã a detém.

— Nada disso mocinha, primeiro o café da manhã! — apontou à mesa, sobre a qual a sopa de missô aguardava para ser ingerida.

Descontente, a menor refez seus passos e colocou a mochila no chão, sentando ao lado dela, preparando-se para ingerir tudo.

— É melhor comer devagar. — Hinata beliscou a bochecha da pequena, depois sentou do outro lado da mesa baixa. Gostou do novo móvel, Hiashi conseguiu trocar o modelo de mesa em um bazar. Ocupa menos espaço o que é excelente para morada pequena. Em gentil timbre pediu à irmã: — O celular... escolha um bem baratinho, tá bom?

A menina assentiu, tomando a sopa.

— Já estão arrumadas. — Hiashi retornado da padaria pusera um saco de torradas no meio da mesa.

Suas cinzentas íris observaram os uniformes de ambas.

— Claro, não quero me atrasar para a escola. — Hanabi dissera. — Não pense em sair sem mim hoje, otou-san.

— Não deixe isso te desconcentrar nas aulas. — Hiashi sentou à mesa. — Estarei esperando, não tenha pressa.

— Valeu! — a menor era a primeira a terminar o café da manhã, abraçou seu pai de lado e depois abraçou a irmã, pegou umas torradas ao tempo que colocava a mochila nas costas, correu à porta.

Após o baque forte da porta, o pai sorriu, comentando orgulhoso:

— Ela vai sozinha para a escola.

— Aprendeu muito cedo, tenta aprender a fazer as coisas para não me dá muito trabalho. Um dia costurou minha meia-calça em segredo.

Hiashi manteve o agradável sorriso.

— Como são as notas dela?

— Medianas pra bom.

Ele se orgulhou mais, Hinata percebeu.

Consomem a refeição matinal, em um longo silêncio até o senhor Hyuuga se encorajar pra iniciar uma conversa:

— Poderia trazê-lo aqui.

— Quem? — ela conservou os perolados, em sua sopa.

— Seu anjo da guarda.

Hesitação.

Ela pensou no que dizer, respondeu-o:

— Não nos vemos mais.

Hiashi pretendia testar até onde podia ir a uma conversa pessoal com a filha mais velha. Falou-a:

— Você sai atrás dele.

A azulada engoliu uma porção da sopa, negou:

— Não saio.

— Se não quiser que eu o conheça, posso passar uma tarde fora e aí você pode trazê-lo pra cá. Hanabi se lembra bastante dele nos últimos dias, ela está com saudades.

Hinata então entendia o que se passava na cabeça do Hyuuga.

Hiashi crer que ela se envergonhava pelo pai que tinha.

Que não gostaria de apresenta-lo a alguém especial.

— Ele não está... — A Hyuuga decide mentir — na casa dele. Ainda não chegou das férias.

— Espero que ele volte logo, é ruim vê-la triste.

— Pareço triste?

— Até mesmo quando se diverte perto de mim e sua irmã, você pode sorrir... mas seu olhar... é por causa dele, certo?

Hinata nada confirmou, mas seu silêncio substituiu sua confirmação.

Era a próxima a terminar a refeição matinal.

— Eu lavo, vá para a escola. — O senhor Hyuuga pegou o recipiente, onde a filha tomou a sopa, pegou o de Hanabi também.

— Não preci...

— Tudo bem, quero fazer isso cantarolando do jeito que sua mãe fazia, me sentirei estando com ela. — Seus cinzentos globos brilharam ternamente.

Hinata hesitante permitiu que ele fizesse.

Estando de saída, escutou ele emitir a música através dos cerrados lábios.

*

*

*

Diário de Hinata*On*

Lá estava eu, okaa-san, me lembrando de você, do tempo que vivíamos unidos.

Quis chorar, quis ir atrás de Naruto, quis gritar o quão almejava que tudo melhorasse velozmente.

Mas tive que engolir tudo e usar minha máscara de normalidade para encarar meu primeiro dia de aula pós-férias.

Não vi mais Rin ou Sakura depois de Kotohiki, como não tenho celular ou outro meio de comunicação, estava ansiosa para revê-las e acredito que elas também queriam me ver o quanto antes.

Diário de Hinata*Of*

*

*

*

Na sala de aula, vários alunos se cumprimentavam, um grupo exibia as fotos das férias, outros contavam sobre o que fizeram no mês de julho.

Existia toda uma energia positiva restante do que sobrou do mês anterior.

Antes da primeira semana de aula acabar o clima voltaria ao normal, os estudantes estariam entediados, preguiçosos, agiriam no automático durante as aulas, etc. Com exceções.

Rin forte abraçou a Hyuuga quem estava de lado pra ela.

Hinata corou conforme a Nohara lhe distribuiu beijos pelos lados da face.

Sai se aproximou e as cumprimentou, erguendo a mão na altura do ombro.

A azulada o sorriu.

Rin se afastou da amiga e bateu na palma do Hino quem incógnito a fitou.

— Isso é um “bate aqui”, vai me dizer que nunca viu?! — a Nohara questionou, pasma.

— Afirmativo que vi, mas estamos nesse nível? É comum um “bate aqui” entre garoto e garota?

— Aaaiii Sai — Rin dissera, revirando os olhos ­— pensei que sua esquisitice tivesse diminuído.

— Acho fofo o seu jeito, Sai. — Hinata elogiou e ele assentiu agradecido.

— O bom a se fazer aqui é nos reunirmos e contarmos como foram as férias de cada um. — O Hino sugeriu, puxando uma lista sobre seus métodos de socialização.

— É o que pretendemos fazer né, mas não faremos isso como se fosse uma tarefa. — Rin firmou e depois levantou os braços, pondo as mãos nos ombros do pálido rapaz. — Sai, por que não tenta agir no improviso?

— Improviso?

— Hai, é assim que as amizades são, não precisam de uma lista para os amigos seguirem... é algo que flui, como os sentimentos, as emoções, etc.

— Não é a primeira vez que escuto isso. — Sai lembrou. — Meu irmão é quem mais tentou me explicar, mas me sinto seguro se seguir minha agenda.

A chegada da rosada acompanhada do namorado ruivo fez a Nohara se repelir do Hino.

De encontro à Haruno abraçou-a forte, após um bom momento apertando-a, afastou-se em poucos centímetros, sua cabeça para fitar o lindo rosto feminino moldurado pelas madeixas róseas.

— Doida, não consegui falar com você semana passada, o que houve? — Rin questionou, afundando sua visão nos verdes.

— Bem... é que... Sasori e eu andamos muito ocupados, comecei a ajuda-lo nas férias com a apresentação de fantoches. — Nas suas últimas palavras, pousou sua visão sobre a Hyuuga quem já lhe sorria. — Oi Hina.

— Olá, Sakura-chan. — Ruborizou, por um instante, achou que a Haruno a abraçaria e apertar-lhe-ia como Rin, preparou-se para ser beijada várias vezes na face.

Contrariando as expectativas da perolada, a Haruno perdeu a força no sorriso, os verdes entristeceram em segundos escassos, para disfarçar, virou o rosto ao Hino, cumprimentando-o, questionou-o sobre o que ele segurava e Sai lhe respondeu ser uma lista, perguntou o que ele havia anotado, o rapaz pálido começou a explicar-lhe cada item escrito.

A harmonia na face de Hinata murchou, percebendo algo fora do comum naquele ato da Haruno, no entanto, como ninguém mais percebeu, quis acreditar ter sido somente impressão.

— Que chato desperdiçarem o resto das férias com trabalho. — Rin dissera, interrompendo a explicação de Sai. Sakura a fitou e a Nohara alternou o olhar entre a rosada e o ruivo.

— Deveria experimentar trabalhar com crianças, é apreciável levar alegria pra elas. — Sasori quem dissera.

— Se as crianças forem como Hanabi seria tão fofo. — Rin capturou a mão da azulada. — Como vai ela? Quando poderei conhecer a sua casa? Sabia que foi ruim não ter noticia de você no restante das férias?

— Eu...

A chegada do professor se tornou a desculpa perfeita para se desviar do interrogatório.

*

*

*

No soar do intervalo, Sakura imediatamente se levantou, avisando aos amigos que iria à sala do Sasori tratar de rápido assunto.

— Vamos nos retirar do clube de matemática, não demoro. — A Haruno avisou, apressando os passos. Discretamente, deixou um bilhete na mesa de Hinata, no qual a chamava para conversarem no campo de esportes.

— Essa não, começou a fase, ela vai começar a nos substituir pelo namorado, perceberam que ela mal conversou com a gente? — Rin perguntou mal pressentida.

— Ela está cansada, e disse que seria rápido. — Sai ressaltou.

— O que acha, Hinata? Sakura lhe parece diferente? — Rin interrogou. — Hinata? — cutucou-a com a capa da caneta.

A azulada “desperta” e ao entregar atenção à Nohara, fica no aguardo dela lhe dizer algo.

— Perguntei se acha que Sakura tem algo de diferente hoje.

— Não percebi nada. — Alçou-se. — Eu vou à biblioteca apenas perguntar se um livro que quero chegou, volto já. — Depressa se retirou da sala, amassando o bilhete dentro da mão direita.

*

*

*

Hinata, preciso falar contigo, me encontre agora no campo de esportes, estarei no cantinho da arquibancada, na parte que faz sombra.

É sobre o mágico da colina do norte.

*

*

*

Milhares de coisas passavam pela cabeça de Hinata, enquanto se encaminhava ao campo de esportes, coisas essas que lhe dispararam o coração e lhe congelavam a pele.

Desde quando Sakura conhecia Naruto? O que ela sabia sobre os dois? Que ideia ela tinha sobre eles?

Tantas perguntas lhe geravam agonia.

Ainda que estivesse indo de encontro às respostas, parecia que elas estavam distantes, lhe saía uma eternidade o percurso feito à arquibancada.

Avistou a rosada no lugar informado no bilhete.

Ofegada cessou diante de Sakura quem deu uma leve batida ao lado, convidando-a para sentar junto com ela.

Lutando contra seu nervosismo, Hinata deitou o traseiro no espaço vazio vizinho à rosada.

A Haruno aguardava o ritmo da respiração da amiga se amenizar, direta entrou no assunto:

— Falou de Naruto para Rin ou Sai?

— Lie. É um segredo. Pedi até para Hanabi não comentar sobre ele perto de vocês.

Os esmeraldinos vagavam pelo verde do campo, depois subiram aos lugares vazios, do lado oposto, do amplo espaço a céu aberto.

Interrogou, segurando uma possível mágoa:

— É tão ruim um de nós saber sobre ele? Ainda não confia na gente?

— Confio! — Hinata olhou desesperada para o perfil do rosto feminino. Justificou-se: — Apenas não quis complicar as coisas. Minha relação com Naruto é delicada. Se eu revelasse sobre ele... considerei que logo quereriam conhece-lo e começassem a insinuar coisas entre nós... não quero dar falsas esperanças para Naruto, quando o que paira entre nós é uma incerteza.

— Acha que somos esse tipo de pessoa? — Sakura moveu o rosto pro lado, devagar.

— Não o tipo de pessoa que faria com má intenção. Vocês fariam na inocência, poderiam achar que eu e Naruto somos um lindo casal, incentivariam, motivariam um romance nosso de várias formas. — Sua voz tremulou.

— Então se tinha esse receio, qual o problema de conversar com a gente? Poxa Hinata, não somos burros, entenderíamos a situação.

— Sinto muito, apenas achei melhor que soubessem no tempo certo. — Colocou as mãos nos joelhos, abaixando o rosto. — Otou-san voltou pra casa depois de desperdiçar anos ganhando dinheiro em jogos, fugindo de dívidas, chegando a novos lugares para acumular novas dívidas e me visitando quando tivesse a sorte de despistar os cobradores.

— Hinata... — A Haruno murmurou assombrosa.

— O pior é que estou gostando de tê-lo de volta, aproveitei as férias com ele e Hanabi, minha irmã está tão feliz... — Uma linha úmida saiu de cada cantinho dos olhos perolados e ela secou, com o dorso da mão direita. — Uma vez tomei a decisão de afastar Naruto pra sempre, por termos visões diferentes, doeu, mas fiz. Agora considerar essa decisão de deixa-lo... dói muito, eu não sei se conseguirei, já o visitei algumas vezes, mas... desde um desentendimento nosso... ele não está mais na tenda.

— Está pensando em deixa-lo? Não faça isso, onegai. — Sakura agarrou uma mão dela, fez os perolados se afundarem em seus verdes. — Na última vez que tentou vê-lo, deixou uma carta, não foi?

— Como sabe?

A rosada sorriu e levou sua outra mão fechada, abriu os dedos com a palma voltada pra cima exibindo a liga de girassol.

— Ele estará lhe esperando hoje, Hinata.

— .... — A Hyuuga segurou o delicado objeto, seu perolados vibrantes.

Sakura respirou fundo, séria segurava de modo suave o queixo de Hinata, avisou-a:

— Você precisa saber sobre o passado de Naruto.

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Diário de Hinata*On*

O que Sakura-chan me revelou a seguir a respeito de Naruto me causou um distanciamento da realidade, não consegui prestar atenção nas aulas, fui preenchida pela imensa vontade de rever meu mágico. Uma ferida se abrira no meu coração, e eu sei que ele fecharia, da mesma forma que estou disposta a curar qualquer ferida que estivesse no meu anjo da guarda.

Diário de Hinata*Off*