— Tadaima! — Hinata entrou em casa, apressada, jogando sacolas de supermercado sobre a pequena mesa baixa. — Comprei comida pronta, estou de saída! — girou os tornozelos, em direção da porta aberta.

Como ninguém lhe disse nada, crer que o pai e a irmã haviam saído para comprar o bendito celular.

Melhor assim, não precisaria justificar aonde ia.

Seu coração clamava loucamente, por Naruto.

A irmã saiu do banheiro, a toalha enrolada no corpo.

No futon, sentou-se e abriu uma caixa que estava lá, de dentro do objeto retirou o celular.

A expressão neutra da irmãzinha arremessou temeridade à azulada.

Adivinhando ser observada pela mais velha, Hanabi antecipou o que aconteceu:

— Depois da escola fomos comprar o celular, na volta pra casa, Hiashi avistou homens esquisitos. Ele me escondeu dentro de uma sapataria, disse que voltaria quando pudesse. — Mexia no celular. — Esperei um tempão, resolvi voltar sozinha, o homem atrás do balcão já estava me olhando estranho.

"Hiashi" a forma crua como Hanabi se referiu ao homem por quem despejou tanto amor e carinho nas últimas semanas, certamente não passou despercebido pela colegial.

O coração da menina fora estilhaçado.

O som do catarro na respiração da menor indicava o quanto chorou.

A decepção caiu como uma chuva de pedras em Hinata, não decepcionada com o pai, mas consigo mesma por acreditar que ele mudaria.

Doía por Hanabi.

Aguentaria por Hanabi.

Como sempre.

— Se vista primeiro, está molhando o colchão. — Pediu Hinata, após alguns silenciosos segundos.

— Tá bom. — Hanabi devolveu o celular ao interior da caixa, antes de se trocar, entregou um envelope à irmã. — É do Hiashi.

Hinata encarou o envelope.

— Quer visitar o mágico comigo? — apertou o papel, em torno da palma direita.

— Bora vou me arrumar. — Afastou-se.

Estando Hanabi longe, Hinata verificou o conteúdo do envelope, era dinheiro, muito dinheiro.

E um recado portando as letras inconfundíveis do pai:

É tudo minha culpa filha, sou outra pessoa, você pode me odiar”.

*

*

*

Hinata decidiu tomar um banho e se trocar, concluído, pegou a sacola de comida feita, escolheu a mochila de Hanabi, onde guardou o envelope deixado pelo pai.

As duas irmãs se vestiam do mesmo modo, como no dia que foram convidadas para ir à Kotohiki.

Ao passarem pela porta, a mais velha pediu para ser esperada do lado de fora do prédio.

Confirmando que a caçula já estava longe, a azulada se aproximou de Hayate quem varria na frente da porta dele.

— Hayate-san, viu meu pai hoje? Conversou com ele?

A varrida do homem se tornou violenta.

— Não o vi saindo pela última vez, mas vi a cara de Hanabi voltando sozinha, nem precisa dizer, ele se mandou de novo né não? Uma bosta que Hiashi tenha dado no pé, o estranho da cartola é mais honrado que seu pai. — Apoiou o cabo da vassoura na parede e foi buscar uma pá, ao retornar, a Hyuuga lhe aguardava de surpresa expressão.

— Por que o acha mais honrado? — a azulada se interessou assaz. — Por que fala dele?

Hayate segurava à vassoura com a mão esquerda, os dedos direitos coçaram atrás da cabeça.

— Aquele período que permiti que ficasse de graça na verdade foi por que o homem de cartola me deu dinheiro. Se não fosse por ele, infelizmente me veria obrigado a despejar você e sua irmã.

As primeiras palavras dela se embaraçaram em gaguejo, poucos segundos foram necessários para organizar seu questionamento:

— Por que... não me falou nada?

Hayate expirou de modo curto e forte, não deveria ter dito nada, reconheceu.

Todavia, agora que deixou escapar, diria até o final:

— Ele me pediu para guardar segredo, mas acho que você precisa saber.... saber que há pessoas melhores que seu pai para se importar. Além de pagar seu aluguel por dois meses, o loiro ainda respondeu que tem interesse amoroso por você, e não sei como ele fez, mas realmente fez Mizuke desaparecer. Ele pode parecer esquisito, mas se quer minha opinião, esse cara lhe será uma companhia muito melhor que Hiashi. Se eu fosse você, daria uma chance pra ele.

Hinata se demorou, fitando Hayate, ele desconfortável soltou um “pense nisso” e voltou pro interior de sua morada.

*

*

*

Hinata descontinuou no último degrau observando a caixa de correio.

Ler o aviso destacado em letras maiúsculas na placa pendurada:

ATENÇÃO: CAIXA DE CORREIO MÁGICA. ESCREVER ENDEREÇO É DESNECESSÁRIO.

Meneando sorrir.

Aceitou.

Da mochila retirou seu bloco de folhas-diário e escolheu uma folha, dobrou-a e colocou dentro da caixa de correio.

Se a carta chegar à okaa-san, me mandará um sinal?”.

Hanabi sentou no último degrau, descansando da longa subida.

— Descansarei um pouco aqui, tá bom mana? — Hanabi retirou o celular do bolso do short e começou a mexer no aparelho.

— Trouxe isso pra cá. — Hinata desaprovou.

— Vou mexer só um pouquinho, depois entro. — A menina garantiu. — Quero mostrar alguns joguinhos pro Naruto... mas primeiro vou treinar.

— Se... acontecer algo me chame. — A mais velha pediu.

“Acontecer algo” significava se Hanabi começasse a chorar de novo, sofrer algum ataque emocional pelo fato de Hiashi tê-las abandonado outra vez.

A caçula assentiu de olhos fixos no aparelho, enquanto seus pequenos dedos agiam apressados.

Hinata adentrou a tenda e a encontrou sem ninguém, colocou a sacola de comida pronta sobre a mesa.

Devagar observou em volta e depois se encaminhou ao parque abandonado atrás da colina.

Avistou o loiro sentado num dos balanços se embalando veloz no igual tempo que brincava com cartas de baralho.

Ela sentou no balanço vizinho ao do mágico, gradualmente se empurrou até alcançar o ritmo de Naruto.

Ele dividiu o baralho no meio e guardou cada metade em um bolso diferente da calça e permaneceu se empurrando forte no balanço.

Quando começaram a ir bem alto iniciaram risos, gargalharam.

Trocaram doces olhares e em um momento a azulada esticou uma mão pra ele, o mágico a pegou de modo imediato, a luva macia dele fez cosquinhas na pele dela.

Sorridentes, escassearam a velocidade alta, se tornaram imóveis com os pés seguros no chão, prevaleceram de mãos dadas.

Os globos oceânicos notaram a liga de girassol a prender os cabelos azulados atrás do pescoço.

Logo sabia que ela falou com a Haruno.

Claro que a Hyuuga se encontraria com a rosada, elas estudavam no mesmo colégio, mesma sala, lembrou.

— Sakura. A conheceu. — Hinata iniciou calma.

— Minha nova amiga. — Contente destacou. — Ela gosta de mágica.

— Ela me contou sobre sua história. — Seguiu calma.

O loiro a soltou. Suas mãos espremeram as cordas um pouco acima dos ombros.

— Voltaremos com as aulas de mágica? — ele questionou.

— Não hoje. — Respondeu nada surpreendida por ele fugir do assunto anterior. Suspirou e observou o céu. — Karin Uzumaki, ainda é difícil assimilar que ela é sua prima.

Naruto abaixou a visão.

— Por que não podemos voltar com as aulas de mágica hoje?

A Hyuuga se inclinou pro lado, massageando-o de leve no ombro.

— Por que vim para conversar, me fale de sua prima, onegai.

Ele expirou forte, despencando os braços pra baixo, deixando-os moles.

A mão feminina repeliu-se, lenta.

— Ela traz noticias dos meus pais, não os visito. E também por meio de Karin eles me enviam dinheiro.

— O qual você gasta fazendo caridade. — Apõe, da mochila retirou o envelope de Hiashi. — Arigatou, por pagar aqueles dois meses de graça no condomínio.

— Ele contou. — Naruto se embraveceu por Hayate romper o segredo.

— Não fique com raiva, onegai. Ele fez o certo. Tome. — Ofereceu o envelope. — Tem bastante dinheiro aí dentro, quero pagar de volta.

— Meus pais continuarão a me enviar dinheiro, é desnecessário me pagar. — Ergueu uma das mãos em “pare” deixando claro que recusaria o envelope. Retirou-se do balanço e se ajoelhou diante a imagem delicada feminina, envolveu os braços em torno da cintura dela. — Estávamos indo tão bem, vamos voltar para antes daquele dia no qual se zangou comigo, imploro.

Ela apertou o envelope, guardou-o na mochila a qual colocou no chão. Retirou a cartola para acariciar os cabelos loiros.

Ele fechou os olhos, em aprecio.

— Não estou com clima pras aulas de mágica, mas Hanabi veio comigo, acho que alguns dos seus shows animaria ela.

— Irei animar você também, venha. — Decidiu ele se levantando e esticando o braço, a palma enluvada virada pra cima no aguardo de segurar a mão suave da perolada.

Hinata fixava o olhar na mão dele, em seguida, diretamente pusera seus perolados nos azuis. Encorajada o perguntou:

— Quer ficar comigo?

O mágico a olhou questionador.

Ela respirou fundo, curvou-se pegando a mochila pela alça, abraçou-a contra o peito e fitou o belo homem.

— Otou-san foi embora de novo, estou torcendo que seja pra sempre dessa vez, pois não o receberei nunca mais. Voltarei a trabalhar nessa semana. Pode morar comigo, Hanabi adorará sua companhia.

Meio minuto silencioso foi uma tortura de espera para Hinata.

— Pena. — Ele comentou.

— Hai, é uma pena que otou-san se foi, estou acostumada, mas Hanabi...

— Lie, pena, é o que está sentindo de mim.

— O que?

— Agora que sabe da minha história sente pena de mim. — Ele reforçou, decepcionado, melancólico.

Ela largou a mochila, e tomou cuidado para não pisar nela ao se aproximar do mágico.

— Lie, o admiro por ser forte depois de tudo. — Nas pontas dos pés, ergueu o braço e alcançou a face máscula.

— Nunca me convidaria parar morar contigo se não soubesse o que me aconteceu.

— Naruto... antes de eu ir para Kotohiki reconheci que me apaixonava por você.

O Namikaze balançou, negativamente, a cabeça afirmando revoltado:

— “Ele não é um mágico de verdade, é só um homem que enlouqueceu” é isso que reflete ao meu respeito.

Hinata apertou os braços do homem.

— O que você faz são truques. São impressionantes, mas não fogem da realidade. É especial o modo que você enxerga suas técnicas de mágica. Quero que continue assim, usando seu gosto de ser mágico para alegrar as pessoas, não tem absolutamente nada de louco em você! — escorrega suas mãos pelos braços até parar nas enluvadas mãos. — Aceito o seu propósito de vida, apenas venha morar comigo, vamos começar nossa nova fase de relacionamento.

Naruto apertou as sobrancelhas, azuis trêmulos.

— A sua luz se apaga. Você se distancia da magia, Hinata.

— Nunca acreditei em magia, eu avisei.

— Você possuía esperança. Era apta para crer.

Ela ponderou, se desse corda no assunto permaneceriam ali por horas.

— Naruto... você me ama?

— É claro. — Exerceu força nas mãos dela. — Quero me casar com você, mas não quero lhe conquistar através de pena. Quer me salvar, porém eu não quero ser salvo, sou feliz do jeito que sou.

Hinata entregou um dos seus mais belos sorrisos, seus perolados cintilaram, em serenidade.

— Graças a você aprendi a sorrir mais. Valorizo a pessoa que você é, juro. Porém temo o que pode acontecer-lhe no futuro, por Deus! Você quase pulou da colina! Eu teria te perdido! Almejo o seu bem Naruto, da mesma forma que você almeja o meu e sempre esteja disposto a me fazer sorrir.

Hinata se elevou nas pontas dos pés, passeando a mão de forma leve, atrás da nuca do loiro, ele abaixou o rosto, eles se deram um selinho, pressionaram seus lábios.

O Namikaze fechou os olhos, resistindo bravamente à vontade de transformar o selinho em um beijo ardente.

— Não viverei em paz se ficar a todo instante preocupada com você. Se melhorar de situação, não te julgarão preconceituosamente e te darão atenção quando falar em mágica... você ganhará mais público... um público mais respeitável. — Argumentou ela, roçando os beiços nos dele.

— Vivo longe do aglomerado de pessoas aqui na colina, fora da cidade, gosto do som da natureza. O que falam de mim... o que importa? Pessoas de coração puro, pessoas como você, são com essas que me importo. Onegai, não seja corrompida.

A Hyuuga recuou cinco passos, determinada, não voltaria pra casa sem seu mágico.

— Se me mostrar à magia de verdade, acreditarei em você. Mostre-me agora, prove que magia existe, caso contrário... quero que venha comigo, para minha casa, permitindo-me cuidar de ti.

O Namikaze sério a fitou, a contornou indo buscar sua cartola, posicionou-a muito bem sobre os cabelos e retornou para frente de sua perolada. Pediu-a:

— Feche os olhos.

Ela os fechou.

Os dedos do mágico tocaram a testa da Hyuuga.

Abracadabra!

— Abra-os.

As fileiras ciliadas se distanciaram uma das outras.

Os perolados não enxergaram nada de diferente.

— A trouxe ao passado. — O mágico avisou.

O ambiente em volta permaneceu inalterado.

Ela estendeu seu aguardo durante cinco minutos, dez minutos, quinze minutos....

Durante esse tempo, o Namikaze jazia de expressão tranquila, satisfeito crendo ter realizado a mágica.

A paciência da azulada estava enorme, contudo, começou a ter vontade de ir chamar a irmã quem ainda não havia aparecido.

O prazo para a mágica terminou.

— Arrume suas coisas, virá comigo. — Decidiu, sendo a ganhadora do desafio, uma vez que nem um tiquinho de mágica surgira.

Naruto permaneceu parado, enfiou as mãos nos bolsos, somente observando em aprecio a bela mulher.

Dirigindo-se à tenda, Hinata notou que o loiro não a seguia, iria chama-lo, entretanto, sua visão parou no carrossel, onde uma menina de cabelos curtos e lisos chamou-lhe atenção.