Abracadabra!
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Notas iniciais
Lembrara-se daquela criança, viu ela na primeira vez que visitou a tenda.
— “Ela é você do passado, gostaria de dar algum aviso pra ela?”.
Foi o que Naruto lhe perguntou naquele dia.
Os soluços da menina guiaram a Hyuuga até ela.
A menor percebendo a presença da outra esfregou o antebraço sobre as pálpebras.
— Gomem... incomodo moça?
— De jeito algum. — Enfiou a mão na mochila e pegou uma toalhinha amarela estampada de cupcake. — Pode ficar. — Entregou à garota quem agradeceu. — Por que chora tanto?
Veio nova ardência na beirada dos olhinhos, novas lágrimas brotaram e a pequena logo pressionou o tecido contra a umidade.
— Okaa-san foi embora de casa, não sei quando volta. Tenho medo. Meu tio não gosta de mim, nem dos meus irmãos pequenos. — Estava assustada, triste, desesperada.
Muita pressão sobre uma vida tão jovem.
Naruto dois passos atrás à esquerda da Hyuuga. Verbalizou:
— Essa moça veio do futuro, eu a convidei para vir aqui porque ela sabe o que vai lhe acontecer, isso não é incrível? — os azuis reluziram de felicidade.
A menina de queixo caído apertou a toalhinha na frente do peito, admirando a imagem da perolada, como se ela fosse um anjo. Seu coração palpitava em um calor de esperança.
— A... moça é uma viajante do tempo... de verdade? Mesmo? — suas pupilas dilataram. A menina conhecia o mágico, ele era um grande amigo e se ele confiava na moça do futuro, confiaria também.
Hinata arremessou fuzilador olhar ao loiro quem lhe sorriu amarelo, e a seguir ela volveu a atenção à menina.
— Eu vim. — Concordou em mentir.
“Em outros tempos eu não pensaria duas vezes em jogá-la pra realidade...”.
A menina embolou a toalhinha entre seus dedos, observou o solo, enquanto mexeu seus pés juntando os dedões, depois os calcanhares e repetiu esse movimento três vezes antes de contar sua situação:
— E-eu não quero ser pobre no futuro porque sou pobre agora e por causa disso okaa-san foi embora. Se eu conseguir dinheiro trarei okaa-san de volta. — Torceu a toalhinha. — Moça... se veio do futuro... poderia me dizer se terei muito dinheiro pra poder sustentar meus irmãos sem ajuda do meu tio? — foi vitimada pela forte sensação gelada que imobilizava todos os seus músculos no aguardar da resposta.
— No futuro... — Hinata estava inacreditavelmente tão gelada quanto à pequena diante de seus perolados. Seu cérebro a impulsionava a gritar que a vida não seria o bem bom, não se tornaria um conto de fadas.
Deveria apresentá-la à verdadeira realidade.
Uma vida cruel, cheia de obstáculos se preparava para dar o bote na criança.
Mas...
Viera à cabeça, a face de Danzou, e assistiu, na lembrança, o momento que achou estar sendo ajudada de bom coração, até ele começar a tocá-la indevidamente.
A próxima memória foi quando Toneri lhe pagou em dinheiro, para que tirasse uma nota baixa.
O barulho de seu estômago, sempre atraindo a atenção.
Mizuke e seus comparsas indo cobrar a dívida de Hiashi.
Tantas... tantas situações horríveis.
E ela estava ali, de pé, sobrevivendo, e vivendo um pouco.
— Você enriquecerá. — Dissera sem medo.
A esperança foi plantada na criança.
— Será recompensada pelo seu esforço, então, onegai, não inveje ninguém. Mesmo que passe fome, ainda que se arrisque a comer do lixo, mesmo que tenha que pegar água no bebedouro da escola, ainda que vá de estômago vazio para as aulas, ainda que as saudades de sua mãe lhe doa... tudo será apenas uma prova.
Por que haverá momentos felizes....
Momentos pelos quais vale a pena se sacrificar.
— Seus irmãos serão a fonte de sua força, nunca se esqueça disso. Pelo seu esforço se sentirá realizada quando ver os sorrisos dos seus irmãos. Ganhará dinheiro aos poucos, as dificuldades que enfrentará não serão nada no fim. Ser pobre não significa absolutamente nada. Há pessoas ruins e pessoas boas que surgirão na sua vida, aprenderá a separá-las e a conviver com elas. É fatal que cometerá erros, mas não se preocupe, você aprenderá com eles, então não se envergonhe, não desista... não faça que tudo seja em vão.
Estava aprendendo.
Sobreviveu ao abandono do pai, sobreviveu à fome.
Lutava e lutava, por mais que a vida lhe parecesse injusta tinha sempre a recompensa de ver o sorriso da irmã.
Momentos especiais, queria voltar pra casa todo dia pra compartilhar desses momentos pelo qual vale a pena suportar tanta coisa.
E ao olhar para o homem de cartola, via nele mais um motivo para seguir adiante.
Sua vida não era a perfeição de antes da miséria a sobrecarregar, todavia, melhorara tanto que nem almejava ter a mesma riqueza de quando morava na mansão Hyuuga, contentava-se tendo o suficiente, nada que faltasse de necessário para que ela e a irmã sobrevivessem, o mínimo para usufruir de uma vida decente.
— É muito nova para entender sua okaa-san, quando chegar o dia, em que saberá os motivos que levou ela a sair de casa, será mais uma prova a ser enfrentada. Perdoando ou não sua mãe, lembre-se pelo quê e por quem está se esforçando, não abandone seus objetivos, continue firme tá ouvindo? — a menina entreabria os lábios, muda, fixava a visão em cima da Hyuuga. — Está me ouvindo?
Perguntou mais alto, tentando arrancar alguma reação da menor.
— Ouvi direitinho, moça do futuro! — abraçou-a forte pela cintura, esfregando a cabeça no abdômen e depois correu para rever os irmãos, acenou com a toalhinha, gritando palavras de agradecimento.
Aquela menina enfrentaria dificuldades, sofreria bastante sem dúvidas, mas lidar com essa vida, com grande motivação e esperança podia fazer grande diferença, ela passaria de qualquer jeito por momentos terríveis, então que tivesse as forças necessárias.
— Se as pessoas soubessem usar a magia da viagem no tempo, criariam um mundo melhor. — Naruto comentou, pondo os azuis na igual direção dos perolados. Os dois fitaram por onde a menina correu. Sorriu vitorioso:— Ganhei o desafio.
— Ganhou?
Ele entendeu o murmúrio feminino.
— É a magia da viagem no tempo. — Colocou-se na frente dela, fazendo-a alçar a cabeça para fita-lo nos azuis. — Foi consolada pela futura você.
As fileiras de cílios se espaçaram, a pálpebra superior subiu mais e a inferior desceu mais.
De afável modo, ele perguntou:
— Se sente diferente?
A emoção impediu que a azulada dissesse algo ou fizesse qualquer ato.
Garoa apareceu.
Não incomodava Hinata quem tentava lidar com o turbilhão interior.
O Namikaze olhava para o alto, depois observava a azulada e via que ela não se moveria.
Delicadamente, colocou uma mão sob os joelhos e a outra atrás das costas de Hinata, e a levantou sem esforço.
A Hyuuga envolveu o pescoço dele, os encaixados dedos afinados e amaciados na nuca fizeram cócegas no mágico.
O Namikaze andou na direção da tenda, no meio do percurso, a Hyuuga se libertou de sua paralisia emocional, em um ataque beijou o belo homem.
O beijo se tornou forte.
Desesperado.
A cartola foi derrubada.
Surpreendido, Naruto instintivamente a correspondeu, provando do céu o qual imaginou ser o gosto dos lábios femininos.
A garoa abriu espaço pra chuva.
O vento se fortaleceu e arrastou a cartola pelo solo.
Nada moveu o casal do lugar.
Naruto segurou Hinata mais firmemente arraigando o beijo.
Quando o ato de respirar se tornou algo difícil de realizar, tiveram que aceitar que necessitavam de espaço.
O mágico depositou cauteloso o corpinho de sua querida no chão.
Sob a chuva se fitaram ofegantes.
— Você é um mágico de verdade. — Declarou aceitando que perdeu o desafio. Seu tom saiu alto para se sobrepor ao da queda de água. — Prometa que seremos felizes. — Abraçou-a, sua cabeça mal chegou ao peito másculo, percebeu que aprecia em se sentir pequenina perto dele, há interligado a esse detalhe uma prazerosa segurança que ele lhe transmite.
— Muito. Seremos muito felizes! — prometeu ele ainda ofegante pelo beijo, curvou-se pra retomar o corpo menor no colo, porém ela tocou suave no peito dele o fazendo endireitar a coluna.
Sorrindo divertida e rosto corado, a Hyuuga agarrou a mão dele e correu, de imediato o Namikaze apressou os passos. Sob a chuva, ansiosos correram para se abrigarem fora dela.
*
*
*
*Diário da Hinata*On*
Okaa-san, Naruto é espetaculoso.
A magia nem sempre precisa ser visual, concreta. Eu consegui interpretar o que ele considera mágica.
Naruto fala tantas coisas fantasiosas, eu aprenderei a interpretar todas elas.
Meu futuro marido é um mágico de verdade!
*Diário da Hinata *Of*
*
*
*
Dentro do território marcado pela lona, Hanabi adormeceu de peito pra baixo sobre o futon que achou.
A barulheira da forte chuva dava vontade em Hinata de se aconchegar à caçula.
No entanto, no momento almoçava com o mágico.
Notara a falta de uma porção grande de arroz.
Com certeza foi Hanabi quem após se alimentar sentiu sono e buscou onde dormir.
— “Ao menos ela não perdeu o apetite.”. — A azulada pensou aliviada.
Do outro lado da mesa, o mágico almoçava.
Os perolados perceberam o quão ele se esbaldava no lámen, ele não queria comer outra coisa além.
A Hyuuga se levantou da cadeira, andando até a menor e pegou o celular sob a pequenina mão direita, achava melhor guarda-lo na mochila, feito isso, retornou ao seu lugar.
Corou ao se perceber observada pelo mágico.
— Sinto, te aborreço? — Naruto volveu a comer seu lamen.
— Lie, é que... é estranho está desse jeito. — Usava uma toalha enrolada na cabeça, seus cabelos ainda não secaram completamente. E mesmo com isso, o Namikaze contemplava seu rosto, como se fosse uma perfeição de modelo. Aliás, não era só para seu rosto que ele procurava contemplar. Olhava para o próprio corpo vestido em uma roupa de mágico modelo feminino. — É nova. Viajou no tempo para saber que eu precisaria usá-la hoje? — sorriu.
As roupas anteriores deles estavam penduradas em cordas que o Uzumaki atou dentro da lona.
Agora Naruto usava sua calça de suspensórios com a camisa branca por baixo.
— Arranjei depois que você se tornou minha aprendiza. — Explicou depois de engolir uma nova porção do seu lamén, lamentava silencioso ao notar que faltava mais um pouquinho para termina-lo.
— Poderia escolher um modelo que não mostrasse tanto as pernas. — Hinata alisou as coxas com as mãos.
— Tem uma saia que veio com o traje, você pode usá-la por cima.
— Por que não me avisou antes?
Ele apenas sorriu e ela corou mais.
O Namikaze adorava vislumbrar os lindos membros inferiores, sempre quando a querida se levantava.
A Hyuuga seguiu almoçando e quando seu rubor desapareceu inteiramente, resolveu alçar assunto:
— Como será?
Naruto terminara de almoçar fazia alguns minutos, bebeu um copo de água e observou-a questionador.
— A gente. — Ela especificou.
— Nos casaremos. — Respondeu considerando obvio. — Quando você achar o momento certo.
— Acredita no que sinto por você? — ela levou as mãos aos joelhos, apertando-os.
— Hai.
— Mas não morará comigo. — Deduziu lamentosa.
— Morarei com você quando nos casarmos. Até lá quero que reconheça como anda suas emoções. Não quero que tome nenhuma atitude que possa prejudica-la. Não serei um fardo em sua vida, Hinata.
— Você quer ter certeza se eu não estou sentindo apenas pena de ti, não é? — ela sorrir entristecida.
— Isso. Não duvido que esteja apaixonada por mim, que comece a me amar. Mas quero poder ver isso em outro momento. Em um futuro melhor.
— Então por enquanto somos namorados.
— Prefiro noivos.
Os perolados cintilaram. Quando ela terminou de almoçar, Naruto virou a cadeira de lado, e de modo gestual chamou sua noiva para que sentasse no colo dele.
Hinata olhou para Hanabi quem continuava adormecida.
O som da chuva jazia enfraquecido.
A azulada se ergueu e sentiu suas maçãs queimando quando o loiro mais uma vez lhe desceu o olhar pelas pernas.
Sentando na coxa direita dele, lentamente, colocou as mãos sobre a camisa branca, passou por cima dos suspensórios, e pousou as palmas nas larguras dos ombros.
— Atrás da nuca. — Ele pediu sereno.
Ela envolveu o pescoço com as mãos, encaixou os dedos na nuca.
Viu-o fechar os olhos, prazeroso, ele gostava daquele contato.
Sorrindo, a azulada experimentou acarinhar os cabelos curtos da nuca.
Naruto sentiu um arrepio.
Hinata grudou a testa na dele.
Os dedos femininos estendiam o carinho nos cabelos ralos da nuca, e ele levou uma mão para tirar a toalha da cabeça da azulada, afastou seus rostos em poucos centímetros, apenas para iniciar sua contemplação das feições suavizadas serem molduradas pelos cabelos azulados úmidos.
Hinata retirou uma mão detrás do pescoço masculino para encaixar a palma no rosto quente de seu noivo, terna pousou o polegar sobre os beiços grandes e devagar uniu sua boca na dele.
Ataram e prolongaram aquele beijo.
E se demoraram tanto tempo naquele momento trocando sabores labiais que sequer perceberam quando a chuva acabou.
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