Abracadabra!

11 Meta de relacionamento


Hayate se ajoelhou na frente do mágico, colocando uma pequena maleta no chão, era seu quite de primeiros socorros.

Com as mãos apoiadas no chão gelado, Naruto sentava, dobrando as pernas, silencioso, permitindo-se ser cuidado após a surra que levou de Mizuke e os capangas.

Se não pode ajudar Hinata, não se intrometa. Sorte sua que Mizuke foi embora, mas não sabemos por quanto tempo. Desde quando as Hyuugas se hospedaram aqui, elas trouxeram muitos problemas, você é só mais um deles.

Por que permite a hospedagem da Hinata? Ela ainda não pagou o aluguel.

As feições do homem se suavizaram ao responder:

cofcof... Hinata é uma grande pessoa. O problema é que a vida não é generosa com ela, o pai principalmente, é o maior peso. – Terminou de colocar os curativos, fizera apenas o básico. Em sua opinião, os inchaços continuavam horríveis. — cofcof... ele se envolve com pessoas de más índoles para conseguir dinheiro.

Onde posso procurar o pai dela? — levantou-se. A cartola caiu em algum lugar, durante os socos e chutes que recebeu.

Encontrou-a próxima da porta do quarto das Hyuugas.

Quer se meter mesmo né? Se eu soubesse, eu mesmo iria atrás de Hiashi. Cofcof. Trabalhei para a família Hyuuga como chofer, era uma família rica. Mas quando eles faliram, eu perdi meu emprego. Não pude negar abrigo para as Hyuugas, elas não têm culpa pelo que o pai faz. – A tosse o dominou e se curvou, atacado pela frágil saúde.

O mágico encaixou a cartola sobre os cabelos rebeldes, a seguir fechou a porta dupla da entrada do corredor, impedindo que o frio continuasse a preencher o estabelecimento.

Retornou para perto de Hayate e aguardou que a sequência de tosses terminasse.

As coisas estão difíceis, não poderei manter Hinata e Hanabi aqui por mais tempo se não arcarem com as despesas. – Pegou a maleta do chão. — Me sinto péssimo, porém não tenho outra escolha.

Naruto retirou dinheiro do bolso, na parte interior do terno e entregou na mão do homem. Pediu-o:

— Diga que poderá abriga-las por mais um mês.

Com essa quantia elas serão abrigadas por dois meses. — Aceitou assustado. — Qual sua intenção? Tem interesse amoroso por Hinata?

Tenho.

Sinto muito, mas você sendo espancado não sensibilizou o coração dela.... será difícil ser correspondido.

Não revele que eu paguei.

Tudo bem... mas se você tinha dinheiro de verdade por que não pagou a Mizuke?

A divida não pertence às irmãs Hyuugas. Mizuke não voltará por que eu o fiz desaparecer junto com os capangas.

Ele foi embora apenas... mas voltará qualquer dia, creio.

Não voltará. Eu sou um mágico de verdade, sei fazer pessoas desaparecerem. Vou encontrar Mizuke por aí, o farei continuar desaparecido da vida das Hyuugas. É uma promessa.

*

*

*

A saudade culminava o mágico.

Ao ouvir o nome daquela quem o encantava, o fez se interromper, desejando obter informações.

A Yamanaka impaciente fitava o homem de cartola quem se demorava emudecido.

Sentindo-se desconfortável, ela não teve mais vontade de permanecer dentro do caixão.

Notava a lâmina tremular na mão do mágico.

Com toda aquela reação estranha dele após escutar o nome da Hyuuga, a loira não duvidava que algo ele tinha com ela.

— Estudo na mesma sala que ela. Ouvi dizerem que ela o visitou...

O mágico lançou a lâmina propositando acertá-la dentro de uma caixa, porém errou e derrubou uma das inúmeras pilhas de caixas.

Contente, ele a fitou:

— Poderia avisar Hinata que estou esperando por ela?

Uma veia ressaltou na testa da colegial.

— Com... como é?

— Faz muitos dias que não vejo ela. Diga que estou aguardando a visita dela... tenho saudades. — Virou as costas à loira e caminhou ao fundo, lá, seguiu por trás das cortinas.

A Yamanaka incrédula dispôs de longo momento pra se livrar do choque, digerir o que aconteceu.

Empurrou a porta do caixão e paralisou-se no centro da tenda.

Sofrendo ataque de ódio, de dentes trincados, puxou os próprios cabelos, bagunçando-os.

Devorada por revolta.

Inconformada!

— VOLTA AQUI, NÃO TERMINOU O SEU TRUQUE! TEMOS UM COMBINADO! — correu seguindo o mesmo caminho do mágico, no entanto, existia passagem secreta por trás das cortinas, e a loira não a encontrou. Apenas paredes. — POR ACASO NÃO GOSTA DE MULHER?

Rejeitada, ignorada, simplesmente descartada... como doía!

A dor injetava-se em seu coração, desmanchando ainda mais o orgulho.

Fugindo da tenda, desceu a escada, deixando um imperceptível rastro lacrimoso de raiva.

*

*

*

*Diário da Hinata*On*

Retornei a pagar o aluguel, o dinheiro acumulado durante o período de morada grátis foi gasto em refeições completas para Hanabi, forneci todas as vitaminas das quais ela carecia, levei-a em consultas médicas. Comprei novas roupas e calçados para ela. Comprei para mim algumas peças, somente porque minha irmã insistiu. Lençóis, travesseiros, futons, utensílios de cozinha e banho, outros itens novos comprados.

Com tantos gastos me restava economizar o quanto podia do meu trabalho atual. Seria um esforço danado, entretanto, pelo menos em casa o conforto compensava e o bem estar de minha irmã então, deixava tudo muito melhor de se suportar.

Eu finjo que levo almoço ao colégio, o escondo pra pô-lo nas refeições de Hanabi sem ela perceber, é um sacrifício com muito amor. Apenas levo comida para mim quando realmente a fome se torna dolente.

No colégio, a companhia dos meus amigos me distraía da fome na maior parte do tempo. No intervalo, eles sempre me oferecem alguma coisa do almoço deles, aceito e tento não devorar parecendo uma esfomeada.

E quando eles não podem me acompanhar à biblioteca, me escondo no cantinho, para não correr o risco de que alguém escute meu estômago.

*Diário da Hinata*Off*

*

*

*

Em mais um dia no colégio, durante o intervalo, os amigos não puderam se reunir na biblioteca.

Sozinha, Hinata resolveu escolher um livro e sentar-se no cantinho.

Caminhando por entre as estantes, avistou um que lhe interessava, ao tocar nele...

Roooonc... roonc...

Os malditos roncos!

Aliviou-se quando olhou para os lados e não viu ninguém.

O barulho novamente, é meu problema...”.

Nas pontas dos pés, esticou o braço, tentando alcançar o livro, seus perolados pararam para frente, onde entre dois livros existia um espaço expondo o que tinha do outro lado da estante: um aluno a observando.

Ele era alto e estava com a cabeça um pouco abaixada para poder vê-la.

Impressionado, ele a perguntou:

— O barulho veio de você?

— Lie! Veio de um menino que passou por aqui. — Mentiu, rezando para o ronco não voltar.

O aluno assentiu e foi embora.

A Hyuuga se aliviou.

E quando o constrangimento se esvaiu, pousou a mão no peito e pensou nos olhos azuis claros daquele aluno. Eram intensos...

De intensidade, diferente da do mágico...

Mágico...

Por que pensa nele? Quando acha que o esqueceu...

Concentrando-se no presente, o aluno de antes reapareceu, só que ao seu lado, ele ajudou-a a pegar o livro.

A Hyuuga então entendeu que ele não havia ido embora, apenas contornara a estante.

— Esse livro é sobre a versão original dos contos de fadas, aviso que não é muito agradável de ler.

— Estou acostumada a encarar a realidade. Arigatou.

A resposta dela instigou a curiosidade do estudante.

Ele se curvou, apresentando-se:

— Chamo-me Toneri Otsutsuki.

— Hinata Hyuuga, prazer. — Imitou o movimento dele.

De coluna reta, o Otsutsuki estimulava intenso raciocínio, exercitando a memória, comentou:

— Hyuuga... conheço esse sobrenome.

Hinata congelou-se inteira.

O tão temido dia chegou: alguém que se lembrava da rica família Hyuuga que faliu.

Seu segredo seria desvendado.

Logo se imaginava rodeada de gente da sua sala lhe erguendo mil perguntas.

— É a aluna que está empatada comigo na pontuação dos exames. — Toneri complementou.

Sem perceber, Hinata soltou ar de grande alivio, nem se dera conta que chegara a prender a respiração.

— O nosso colégio selecionará os melhores alunos para participarem do concurso que haverá entre as instituições de ensino da cidade. Você e eu estamos entre os primeiros. — O Otsutsuki seguiu falando a respeito.

— Verdade? Não estive atenta aos nomes da lista... boa sorte.

— Desejo o mesmo. — Os dois se fitavam hesitantes. Parecia ser o momento para se despedirem, contudo, continuavam de frente um pro outro. — Sua voz é diferente.

— É... é muito infantil, não é? — sorrir sem graça, movendo os perolados ao livro em sua mão.

— Lie. — Ele pusera a mão no queixo, sério olhar. — Vejamos, ela é melodiosa. É uma voz bonita.

— Ha... eh... e-eu gostei dos seus olhos. E do seu cabelo claro.... e... sua pele é.... — Percebeu que suas palavras fugiam, formava um nó na língua. Puxava o ar com força e ao se recompor, desculpou-se: — Gomenasai, quis retribuir o elogio, me atrapalhei.

Escondeu o rosto atrás do livro, totalmente, vermelha.

— Eu agradeço.

O Otsutsuki se virou pra estante e começou a procurar um livro, nesse momento, a Hyuuga achava ser o certo para se retirar, ela se recolheu em seu canto.

Um minuto depois Toneri estava perto dela novamente.

Ele segurava um livro de literatura, e perguntou-a:

— Me permite sentar com você?

Hinata sorrir e assentiu, esquecendo-se que escolhia o cantinho justamente pra não ficar perto de outras pessoas.

No entanto, naquele presente, esquecia-se até mesmo que estava com fome.

*

*

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Diário da Hinata *On*

Okaa-san, Toneri é um rapaz excelente. Bonito, rico e inteligente. É o melhor aluno da classe dele. Sei que é fútil da minha parte, mas começo a pensar que se eu sair com ele, eu ganharei muito.

Ele é mais esperto que eu, pergunto coisas que não sei, quando estou estudando, Toneri me responde tudo, não há nada que ele não saiba, e ensina muito bem. Ele me empresta livros muito bons, os quais não consigo encontrar na biblioteca.

No intervalo, ele oferece para pagar meu almoço.

A cada noite imagino nossa relação indo longe, nós temos um ritmo, criamos uma rotina.

Toneri ama minha voz e eu amo ler pra ele.

Tornamo-nos companheiros de estudos.

A biblioteca se tornou nosso ninho de cumplicidade.

Imagino-me dando um filho pra ele. Um filho que receberia todo o conforto que um dia ganhei quando nasci.

Toneri poderá realizar muitos dos meus desejos, porque ele possui muito dinheiro.

Além de belo e ser uma ótima companhia, Toneri Otsutsuki será uma garantia de que eu não terei um futuro na pobreza.

Terei condições de ajudar minha irmã sempre.

Diário da Hinata *Off*

*

*

*

As férias estavam próximas.

As pétalas de cerejeira enfeitavam o ar quando se desprendiam dos galhos e passeavam com o vento.

O sol proporcionava calor ameno, clima agradável.

As crianças jogavam migalhas aos peixes, namorados tirando fotos na ponte de madeira a qual atravessava o lago, famílias realizando picnic sob as árvores, pessoas levando cães e gatos para passearem, enfim, atividades harmoniosas.

Hinata e Toneri sentavam lado a lado, no banco de pedra, observando o harmonioso cenário.

Resolveram depois das aulas passearem pelo parque florestal.

Gomenasai.... não sei como agir, jamais tive um encontro. — Hinata informou. — É a primeira vez que nos encontramos fora do colégio.

— Não precisa pensar que é um encontro. Eu quis apenas mais do seu tempo hoje.

Uma folha caiu numa mecha azulada e Toneri estendeu o braço na direção dela, retirou-a dos cabelos da Hyuuga.

Quando a mão esteve próxima do olfato feminino, Hinata sentiu o cheiro de eucalipto do Otsutsuki, ela gostava.

Hai. — Vermelha, passou a mão no rosto. Respirou fundo e mencionou: — Minhas amigas. Elas insistiram para eu convidá-lo... para um encontro duplo que terá hoje.

— Encontro duplo?

— Sakura e Sasori, você e eu. Cinema...

— Estarei ocupado com os estudos. — Avisou, soltando a folha.

— Mas eu não disse quando vai ser.

— Independentemente disso, sei que estarei ocupado, por isso lhe convidei para passearmos aqui hoje. Raramente, estou livre depois da aula. O concurso será antes das férias, minha ocupação dobrará.

— Verdade... o concurso.

— Poderíamos estudar juntos em minha casa.

— Não dá... — Hinata negou imediatamente.

— Por que não?

— Estarei ocupada... — Pensou no trabalho.

— Eu não falei quando. — Toneri a estranhou, sendo que pouquíssimo tempo atrás, ela o convidava para o cinema.

— ....

— Não se preocupe, eu sei o que é. — Ele segurou as mãos entre os joelhos separados, abaixando a cabeça, fitando os próprios pés.

— Sabe? — ela ficou nervosa. Sempre tinha a impressão de que ele saberia sobre o histórico de sua família.

— Você é bonita, é uma garota popular. Vejo o tal do Inuzuka a cercando de longe. Os garotos da sua sala falam muito de ti, vários deles vão lhe pedir ajuda com as atividades...

Para o alivio de Hinata, o dia da verdade ainda não chegou.

E achava a preocupação de Toneri boba e fofa.

— Nunca tentaram algo a mais, juro. — Encostou no ombro dele, delicada. Seus joelhos juntos roçavam no lado da coxa de Toneri.

— E o Hino? — sempre o viu muito perto dela.

— Sai, ele é um amigo. Foi o primeiro amigo que fiz. — Mantendo a mão no ombro dele, levou a outra ao braço do Otsutsuki. — Espero que nós dois.... futuramente, tenhamos mais tempo, é que... em casa minha vida está bem ocupada, mas... será temporário. Foi um esforço danado programar um momento para sair com a turma.

Ele lhe deu um sorriso, e ela adorou, pois o Otsutsuki sorria tão pouco, podia até contar quantas vezes ele esticou a boca daquele jeito desde que se conheceram: Três vezes.

Hinata pensou em beijá-lo, mas achou que se arriscaria demais, se estragasse o momento, nunca se perdoaria.

O Otsutsuki pegou a mão dela que estava em seu braço e ficaram de mãos dadas por mais um tempo observando a paisagem.

*

*

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Diário da Hinata *On*

Limito minhas informações a Toneri, o impeço de saber da minha vida. Ele acredita que meu pai esteja viajando, imagina que moro num apartamento.

Sendo ele rico, quando ele me convida à casa dele, sei que é uma mansão. Todos que o conhecem já confirmaram.

Sempre que ele me convida para ir ao lar dele, eu invento uma desculpa, pois sinto que se eu aceitasse, obrigatoriamente, mais cedo ou mais tarde teria que ser eu a convidá-lo para ir ao meu lar.

Imponho limites, muitos limites.

Meu plano é conviver o quanto puder com Toneri e quando me sentir segura eu direi a verdade a ele.

Almejo muito nosso relacionamento.

Toneri é satisfatoriamente responsável. Os colegas o tratam como se ele fosse um dos professores. Facilmente, ganha respeito dos que estão a sua volta.

Sakura e Rin brincam muito, jogando indiretas sobre nós dois. Até Sai comenta algo que faça duplo sentido, mesmo sem querer.

Toneri é realista como eu.

Preciso de alguém realista e não de alguém imaturo que acredita em magia.

Diário da Hinata *Off*