Notas iniciais
Querido público, apresento-lhes minha primeiríssima fic: Abracadabra!

~Japão.

~Quioto.

~Colégio Konoha.

~2 de fevereiro de 2010.

~08: 00h

O aluno do cabelo tigelinha e grossas sobrancelhas, pensante, olhava pela janela até que mirou a colega sentada na frente dele. Resolveu perguntá-la:

— Ei Tenten, você ouviu falar do mágico?!

— Que mágico? — a garota de cabelos castanhos presos em dois odangos, ao se virar para fitá-lo, descansou seu braço, sobre o respaldo da cadeira.

— O que fica no topo da colina do norte, dentro da tenda de circo.

— Lie, eu não ouvi falar dele. — Tenten pensou sobre a localização: — O topo da colina é abandonado e o caminho pra lá é desagradável. Quem colocaria uma tenda de circo naquele fim de mundo?

Necessitariam-se de atrações fora do comum, algo mais impressionante de tudo o que foi visto em outros circos, para convencer as pessoas de subirem à colina.

— Beeeem, o parque de diversões perto da colina voltou a funcionar, quando alguém entra na roda gigante, no alto do brinquedo consegue avistar a tenda de circo.

— Então é isso, o mágico quer aproveitar o público do parque. — Concluiu Tenten. — E armando o circo na colina, ele não teve grande problema em conseguir autorização. O governo não vai se interessar por aquele fim de mundo.

A aluna retornou a virar as costas para o colega, de sua parte, encerrava o assunto.

Mas o sobrancelhudo, não:

— Os meninos que moram perto da minha casa se divertiam no parque quando souberam da tenda, se aventuraram até lá. Eles me contaram tudo de modo apressado, estavam muito... energéticos.

— “Energéticos” tipo “empolgados” ou “energéticos” tipo “você”? — Divertidamente, Tenten indagou. Abriu um pequeno diário e pegou uma caneta colorida, e ficou rabiscando algo, em uma página.

— O que quer dizer?

—Ai Lee, você ainda pergunta? Estou admirada que ainda não tenha gritado ou soltado um “fogo da juventude” parece que sua vida é uma festa, seu jeito natural é sempre tão... barulhento. — Rabiscou com mais força, quando mencionou a última palavra.

Lee sorriu, não se envergonhava do jeito dele, gostava de ser espontâneo e motivador.

Todavia, naquela manhã de terça-feira, acordou com um incomodo indefinido que o impediu de se comportar como nos seus dias comuns.

Quando a folha de seu diário ficou toda rabiscada, Tenten teve preguiça de rabiscar outra.

Fechou o diário e retornou a se virar de lado, apoiando um braço sobre o encosto da cadeira, e fitando seu amigo, retomou o assunto:

— Continua aí, soube como é a aparência desse mágico?

— Huuum — O sobrancelhudo brincava com alguns elásticos, puxando cinco deles ao mesmo tempo — pelo que as crianças me disseram.... o mágico tem cabelos loiros e arrepiados; olhos azuis, pele clara e possui seis riscos na cara, três em cada bochecha; Usa cartola, sapatos, terno e capa, tudo de cor preta. Não! Minto. Eu lembro um dos meninos me falar que a gravata borboleta dele é de cor laranja.

— Loiro de olhos azuis. — Certo brilho surge nas íris castanhas de tonalidade clara, de Tenten. Um sorriso nela brotou de mansinho. — Se é loiro significa que não tem cabelo grisalho, ou seja, não é velho. Algum dos meninos soube dizer mais ou menos a idade dele?

— Está interessado nele Tenten? — Lee se assombrou com a possibilidade.

— Por que quer saber? — divertida, ela suspeitou que ele se enciumasse.

— É que existem boatos bizarros... há um pouco mais de cinquenta anos, um mágico também possuía uma tenda no topo da colina do norte. As pessoas que o visitaram jamais retornaram. O mágico fazia as pessoas desaparecerem e em uma noite, uma multidão de revoltados com a presença dele na cidade, combinou de tocar fogo na tenda. — Agarrou a própria cabeça pelos lados e amedrontado interrogou: — E se ele voltou para se vingar?

— Hahahah que bobo Lee. Você acha que é o mesmo mágico? Ele deveria ser um velhinho hoje.

— Não se for um espírito, ele terá a aparência de quando morreu né verdade? E se ele estava dentro da tenda quando a queimaram?

O temor verdadeiro do amigo começou a incomodar Tenten.

— Lee que bobagem. O mágico não fazia as pessoas desaparecerem de verdade. Mágica não existe, é impossível alguém sumir sem deixar rastro. Se existiu uma tenda e ela pegou fogo, não foi por uma multidão revoltada. Com certeza foi algum acidente, e considerando números de circo que envolve fogo, sabemos que não é impossível de acontecer um desastre desses. Tudo o que você escutou foi exatamente o que falou no início: Boatos.

Nada confirmado, nada verdadeiro. Apenas especulações. Convencia-se Tenten.

— Ainda sim, é melhor esquecer esse interesse nele. — Lee comentou.

— Não senhor, quis falar dele, agora me interessei. — Ela estendeu o braço e alcançou uma bochecha de Lee, beliscou-o. Recolhendo o braço, deu uma risadinha, antes de comentar: — A menos que diga estar com muito ciúmes, aí prometo não ferir os seus sentimentos, passo longe até mesmo do parque.

— Ciúmes? — Lee estranhou. — Por que eu sentiria ciúmes? Somos amigos. Eu zelo pela sua segurança, Tenten-chan.

Por mais que fossem palavras carinhosas, elas incomodaram a amiga dele, que bufou e retornou a virar as costas ao sobrancelhudo e buscou por outra folha do diário para rabiscar.

Lee deu de ombros e seguiu se distraindo com os elásticos, entretanto, seus pensamentos seguiam presos sobre o mágico da colina.

— “Oito e vinte, argh, só o professor Kakashi mesmo para se atrasar tudo isso. Como ele ainda não foi demitido?” — Tenten refletia, pelos vinte minutos de atraso do educador. Reparou que existiam alunos, chegando, somente naquele momento. — “Eu deveria ser como eles e ter acordado mais tarde hoje....

O sobrancelhudo arranjou um lápis e com ele cutucou as costas da amiga que se incomodou, perguntando-o:

— Que é Lee?

— O mágico de hoje faz a mesma pergunta do mágico do passado.

Tenten revirara os olhos, implorando:

— Esquece isso pelo amor de Kami.

O sobrancelhudo não deu bola e seguiu revelando:

— Antes de realizar os truques para quem o visita, ele olha bem nos olhos da pessoa e pergunta: Você acredita em magia?

Ela uma nova vez, virava-se de lado em seu assento, repousando novamente, o braço sobre o encosto da cadeira, e questionou-o:

— E daí?

— E daí que se a resposta for “sim”, ele faz os números de mágica e agradece, mas se a resposta for “não”.... ele convida o visitante para participar dos números de mágica e isso inclui aquele de colocar a pessoa dentro de uma caixa para serrá-la ao meio. — Sentiu um arrepio.

— Os meninos também lhe contaram isso? — o timbre dela saía desinteressado.

— Lie, é uma lenda que surgiu quando as pessoas desapareciam nas mãos do antigo mágico da colina, claro, se não for o mesmo que está lá hoje.

— Escuta aqui Lee, se ele fizer as pessoas desaparecerem, ele será preso.

— Ele ainda não fez nenhuma vítima esse ano. Os meninos retornaram são e salvos porque são crianças. — Lee esfregou os cabelos, colocando os cotovelos na mesa e verbalizou descontrolado: — Crianças acreditam em um monte de coisas, lógico que responderam que acreditam em magia e por isso estiveram seguros. Mas se uma pessoa adulta responder que “sim” e na verdade não acreditar, o mágico saberá que é mentira, sendo um espírito é possível ele ler o coração das pes...

TAP

O som da tapa que Tenten deu no sobrancelhudo fez os alunos presentes se silenciarem e direcionarem suas vistas aos dois. Alheia ao resto da classe, a garota dos odangos segurou o colega pelos ombros, fazendo-o fitá-la nos olhos.

— Escute-me bem Lee, é mais uma de suas paranoias. Lembro quando cismou que o sinistro do Shino Aburame trabalhava no laboratório do colégio mais tempo que os outros alunos, você dizia que ele planejava fazer uma arma biológica controlando insetos, então me convenceu a espioná-lo, no final nós dois descobrimos que o pai dele é entomólogo e Shino apenas sonhava em seguir o mesmo caminho profissional do pai! Não existe nenhum espírito na colina, ninguém está em perigo!

Uma enxurrada de risos dominou a sala de aula e no meio deles Lee escutou: “É só mais uma doidice do Lee”, “Só a Mitsashi mesmo para aturá-lo”.

Todos acostumados a testemunhar Tenten Mitsashi usando brutalidade contra ele.

O sobrancelhudo sorriu aos outros, fingindo entrar na graça deles, no entanto, Tenten reconhecia ser um sorriso falso.

Quando a barulheira passou, ele nada mais disse e fingiu cochilar com a cara virada pra janela.

A morena pensou em se desculpar, todavia, ao pensar mais concentradamente, conclui ser desnecessário, pois sempre o tratou dessa forma e ele nunca alimentou rancor contra ela, afinal são amigos desde os seis aninhos.

Depois que Lee esquecesse definitivamente o assunto sobre o mágico, retornaria ao normal.

Acreditava Tenten.

~08: 28h

— Ino?

A aluna não escutou o chamado, seu par de olhos azuis, dois perfeitos e redondos topázios se prendiam no aluno sobrancelhudo.

— Loira, ouviu o que eu disse? — a outra insistiu.

— Desculpe Rin. — Ino se desapegara do assunto abordado pela amiga, pois parte da conversa de Lee e Tenten, sentados a dois lugares vazios na frente dela, atraiu sua curiosidade. Entretanto, vendo que o sobrancelhudo se calou depois da Mitsashi escandalosamente encerrar o assunto, resolveu esquecê-los. — Você dizia....

— Sobre irmos à Kyoto Station! Minha mãe finalmente liberou o cartão de crédito dela. — Cerrou os punhos, sacudindo-os em festejo.

— Então saiu do castigo por ter acabado com o cartão de crédito anterior. — Ino comentou divertida.

Colocando uma mão atrás dos cabelos castanhos lisos os quais batiam na altura do pescoço, Rin respondeu-a coradinha:

— É, eu fiz umas tarefas árduas, principalmente, cuidando da minha vó. — Suspirara desagradada tendo as lembranças daqueles dias difíceis. — Mesmo sendo rica, minha mãe não quer que eu gaste como se não houvesse amanhã. — Reanimara-se, olhando para um futuro melhor: — Mas tudo bem, agora podemos comemorar, irei gastar de montão!

— Comemorar a saída do castigo por estourar o cartão, indo estourar o cartão hahahah só você mesma Rin.

— Dessa vez vou me segurar. — Pôs as mãos sobre o peito, sinal de juramento. — Gastarei sem passar dos limites.

— Não existe “me segurar” e “gastar de montão” na sua realidade Rin.

O professor varou pela porta da sala, recebendo de um coro de estudantes: Até que enfim!

— Sinto muito turma, tive que ajudar uma velhinha com as sacolas de compras e a pobrezinha morava muito longe, e para piorar estava com um problema nas costas... — Contou sua desculpa, colocando a pasta na mesa, abriu-a e foi retirando uns papéis amassados. Ajeitou a máscara branca que lhe cobria o nariz e boca (dizia ele usá-la por conta de alergia). — ....quando cheguei na casa dela resolvi ajudá-la a dar comida pro gato, ela não podia se abaixar...

— Uma ova que foi isso, é o terceiro ano seguido que dá aula pra nós e continua com essas historinhas, ninguém mais acredita! — um aluno reclamou.

— Não seja escandaloso Sr. Inuzuka. — O professor se voltou para a lousa. — Por favor, alunos reorganizem-se, ainda temos tempo para aproveitar.

Os dois lugares na frente de Ino foram ocupados.

Os estudantes que antes conversavam de pé em grupinhos de amigos, se afastaram uns dos outros, rápido, cada um foi se ajeitando, em seu devido lugar.

— Vou indo, até depois Rin. — A loira avisou, levantando-se.

— Senta aí, esse lugar está vazio, então não precisar sentar no lugar que você tirou na numeração do primeiro dia de aula.

— Tenho que ficar perto da Karin, ela é minha amiga também.

Rin meneou a cabeça, fazendo careta em reprovação dessa “amizade”. E quis confirmar sobre o conversaram antes:

— Combinado irmos para Kyoto Station?

— Quando será?

— Domingo que vem.

— Combinado, mas se você se descontrolar nas compras agarrarei suas mãos para salvá-la de um novo castigo.

— Para quê mais você me serve? — as duas riram e o professor pigarreou, dirigindo olhar de advertência para elas.

As duas se tornaram as únicas de pé na sala.

Rápidas se separaram e durante a pressa da loira, ela esbarrou, no canto de uma mesa, derrubando o livro de uma aluna.

Curvou-se para pegá-lo, estando com a cabeça lá embaixo, prestou atenção nas pernas da dona do livro, enfiadas em uma meia-calça preta na qual existia um pequeno buraco, na região do joelho direito.

— Aqui querida. — Pondo-se na vertical, devolveu o livro. — Me desculpe, eu me.... — Encarou as feições suavizadas da colega. — ....me distraí.

Arigatou.

A garota agradeceu, desenhando um sorriso acanhado.

A amostra de voz tão suave lembrava o som de um passarinho dando o seu mais belo canto, os olhos incrivelmente perolados se afundavam em plena tenuidade, o rosto alvo enfeitado pelos alongados cabelos naturalmente lisos e azulados completava a beleza de uma boneca de porcelana.

Corando, Ino assentiu e continuou seu caminho.

Quando se sentou, conferiu que seu coração acelerara-se perante a aparência da aluna quem lhe era uma estranha dentro da sala.

Antes da desconhecida, só havia visto alunos com quem estudava desde o primeiro ano.

Em seu lugar, inclinou-se para a esquerda, tocando no ombro da ruiva de óculos, perguntando-a:

— Karin, você a conhece?

Os exóticos olhos escarlates se moveram para a direção que os topázios de Ino focavam-se.

— Sei o nome dela, Hinata Hyuuga. — Mexeu nos óculos de arame grosso, volveu sua atenção ao que o professor escrevia no quadro. Copiava em uma folha reciclável de seu caderno.

— Eu não me lembro de tê-la visto ontem. — Endireitando-se, em sua cadeira, Ino tentava se recordar.

— Ela foi a primeira a pegar o número de lugar na sala, você chegou meio atrasada ontem. — Karin ao contrário, recordava-se perfeitamente.

— É verdade eu me atrasei. — Após refletir um tanto, confirmava vagando a visão pelo alto. Feito um imã, a imagem da Hyuuga atraiu os azuis reluzentes os quais almejavam analisá-la a todo instante. — Pelo jeito ela me parece uma pessoa quietinha, tem uma voz baixa, deve ser bem tímida.

Pusera a mão em seu peito, confirmando que seu ritmo cardíaco se normalizou.

O professor iniciava a aula oral, enquanto os alunos seguiam copiando do quadro.

— Terceiro ano pessoal. De nossa aula de kokugo, língua nacional, temos domínio sobre o kanji, leitura, provérbios, literatura, entre outros assuntos importantes da escrita japonesa. No terceiro ano entrará o Koten que por sua vez será dividido em kobun e kanbun...

Ino se desconcentrara no segundo minuto de aula, seus azuis retrocederam à Hyuuga, especificamente para as pernas dela.

Apoiava o cotovelo na mesa e o queixo na mão, mordia a unha do mindinho e com a outra mão batucava o lápis na mesa.

O som repetitivo aborreceu a ruiva quem pretendeu reclamar, ao observar à loira, mudou de objetivo, pois seus escarlates levados pela curiosidade encontraram o alvo da visão de Ino.

A Hyuuga tinha um livro aberto na mesa e o lia quando dava pausas no que copiava do quadro.

Era veloz em escrever.

A cena fazia Karin julgá-la como uma estudante esforçada e consequentemente acabava por lembrar-se de um detalhe sobre a nova colega:

— No ano passado ela ficou entre os primeiros do ranque de aritmética. — Pensou ter murmurado, no entanto, Ino lhe escutou.

— Do ranking nacional? Minha nossa. — Parando de batucar, virou a cabeça para a ruiva, mantendo a mão no queixo.

— Não o nacional, somente o do nosso colégio.

— Então ela não é nova no colégio, só entre nós. — A loira concluiu se interessando mais pela novata da turma. — Sabe a colocação dela?

— Terceiro ou quarto... não memorizo direito as posições daqueles que estão atrás do meu nome na lista.

— Exibida. Não se ache muito só por que é a segunda.

— Não comentei por exibicionismo, costumo memorizar apenas quem está na minha frente, não devo me preocupar com quem passei. — Seu único objetivo nos cálculos era ultrapassar Shikamaru Nara, o aluno que estranhamente preguiçoso, continuava sendo o gênio da turma. Buscava visualmente por ele e como esperado, o dito cujo quase desabava de sono.

Ino insistia em sua observância na Hyuuga, caçando algo nas pernas da jovem de porcelana.

Voltou a pôr o mindinho na boca e trouxe de novo as batucadas de lápis, só que mais altas incomodando não somente Karin, como também outros alunos sentados em volta.

Shiii

Fez o aluno, sentado atrás de Ino.

— Para Suigetsu, até parece que você quer aprender. — A loira o dissera.

— As pessoas mudam, sabia? — ele devolveu.

— Pessoas normais mudam, você não. — Recebendo shiis de outros alunos, a loira resolveu parar com os batuques e tentou se concentrar na aula, mas o que o professor dizia, estava longe de lhe ser algo entendível. O que queria mesmo era continuar avaliando a novata. — “Talvez eu não seja normal...

Karin reparou que a loira buscou observar a Hyuuga, várias vezes. Questionou-a, em voz baixa:

— Se apaixonou por ela?

A loira se inclinou, nova vez, falando o mais próximo do ouvido da dona dos óculos:

— A meia-calça dela tem um buraquinho, como ela não se sente desconfortável com isso?

— Se importa com algo tão frívolo? É só uma meia-calça.

— Mas é uma meia-calça de liquidação. — Apertou o ombro de Karin. — Por que ela não substitui por outra? Até quando não está em liquidação o preço desse tipo de meia é barato, muito barato. — Junto com Rin era expert em compras e dificilmente as duas encontravam uma peça feminina da qual desconheciam o valor ou uma aproximação de preço.

— Talvez ela não se incomode com isso.

— Talvez ela seja pobre....

— E isso é problema? — a ruiva arqueou uma sobrancelha.

— Lie.... mas o colégio Konoha é habitado por estudantes de classe alta, o mínimo vai até classe média. Quem daqui não teria dinheiro para comprar uma meia nova desse tipo que é tão barata?

— Torno a dizer que ela não se incomoda de usar a meia-calça, é só um buraco.

— Sra. Uzumaki e Sra. Yamanaka. — O professor paralisou a atenção de ambas. — Poderiam explicar o que kobun e kanbun abrangem, respectivamente?

Suigetsu sorrir satisfeito pelo flagra que as duas receberam. A Yamanaka repeliu-se de Karin quem se erguia para responder:

Kobun abrange a língua japonesa clássica, expressões e gramáticas não mais usadas atualmente, mas que se tornou parte importante do estudo histórico de nosso país....

Enquanto a ruiva respondia, Ino lançou diversos olhares para as anotações da mesma, tentando memorizar o que podia.

O professor manteve a visão concentrada na Uzumaki, admirado pela resposta sem falhas da mesma.

Assim que chegou a vez da Yamanaka, ela se levantou com os braços retos, junto ao corpo.

Cabum! — exclamou nervosa, causando uma tempestade de risos, vermelha, recomeçou a resposta: — Kanbun é o mais antigo que o Kobun... e trabalha com japonês e chinês... antigo, Kanjis antigos.. .— Foi o que conseguiu entender, do pouco que leu.

— Sua resposta está correta, Sra. Yamanaka, no entanto, faltou complementá-la. Satisfaço-me de conseguir ensiná-las, mas se quiserem conversar façam lá fora, não é um bom exemplo de comportamento para seus colegas.

— “Olha quem fala” — Ino pensou, considerando que o professor Kakashi era o menos indicado para se falar de bom exemplo, contudo, optou em se calar e não piorar sua situação.

O professor prosseguiria com a aula, todavia, um aviso vindo do alto-falante do colégio pedia que comparecesse na sala do diretor.

Antes de ir avisou para os alunos lerem o primeiro capítulo do livro de koten, pois faria perguntas quando retornasse.

— Depois dessa aula espero que a Ino Cabum! não exploda nossa sala. — O Inuzuka zoou, causando risadas em seu grupo de amigos, enquanto outros alunos mais distantes se seguravam para não gargalharem temendo que algum professor de alguma sala vizinha viesse reclamar do barulho.

— Ignore-os. — Pediu Karin abrindo o livro e deixando-o em pé na sua mesa.

Irritada a loira notou estar se tornando a piada da sala, seus topázios tremeluzentes pararam em Rin quem em nenhum momento virou o rosto para olhá-la.

Ino pegou seu livro, seguindo o conselho de Karin, tentaria ignorá-los. Porém, em meio aos rostos que riam zoeiros, ela distinguiu o pequeno lábio quase sem cor abrir, em um sorriso gentil, e não de zoeira.

Seu olhar se encontrou com o da dona do sorriso.

Hinata Hyuuga envergonhada escondeu o lábio inferior e virou o rosto para o próprio livro aberto, permaneceu assim até o retorno do professor.

Notas finais
Respeitável público, o show está começando!