Abracadabra!
17 Em Kotohiki
Notas iniciais
Diário da Hinata *ON*
Okaa-san, no inicio desconheci o porquê me surpreender por sentir falta do Naruto.
Se gosto das aulas dele, sentir falta dele próprio não deveria me assustar.
Nunca neguei a mim mesma a atração que ele me causa, é muito belo, notável, por isso, ele me deixa facilmente vermelha.
Até aí nenhuma novidade.
Então o que me deixou com a mente agitada? Perdi sono pesquisando a resposta, mas no último minuto, quase me rendendo ao sono, clara como cristal, a realidade caiu na minha cabeça:
Estou me apaixonando pelo Naruto.
Diário da Hinata *OFF*
*
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~10 de Julho
~Sábado
~Praia Kotohiki
~09: 04
As meninas se maravilharam com o quarto onde dormiriam no Koto Hotel, só não perderam tempo nele porque ansiavam visitar a famosa praia da areia cantante.
Quando se pisava na areia se produzia um barulho semelhante ao da harpa Koto, daí o nome, Kotohiki.
Sasori ligara para Sakura, avisando que aconteceu um problema na estrada e que por isso se atrasaria.
Marcaram de se encontrar na frente do Koto Hotel.
A Haruno avisou que esperaria pelo namorado e pediu que as meninas fossem na frente, visitar a praia.
Meia hora depois, as irmãs Hyuugas e a Nohara se espalharam em Kotohiki.
Hinata usava vestido azul bebê, no centro do decote de babado, as alças finas despontavam no formato em V, o tecido era transparente abaixo do babado até o final, a base chegava quatro dedos acima dos joelhos, e calçava suas sandálias floridas.
Aceitara o vestido de praia emprestado pela Nohara.
Seu cabelo se prendia, como no dia anterior.
As águas chegavam aos seus pés.
O vento era forte.
O barulho do mar, aconchegante.
Desceu as pálpebras suavemente.
Antes que se demorasse naquele momento precioso, procurou por Hanabi quem se banhava, era fácil de encontrar a menina, ela estava em uma das boias alugadas por Rin.
Energeticamente, Hanabi sacudiu o braço, chamando-a:
— Vem manaaaaa!
Usava maiô amarelo com flores alaranjadas e vermelhas.
A peça foi comprada por Sakura e Hinata.
Sorrindo à menor, a irmã mais velha meneou o rosto.
Retornou a aprofundar seus perolados na imensidão azul do horizonte a qual se fundia com o azulado do céu, as nuvens dividiam-se em camadas arredondadas, lembrando ondinhas formadas no piso de areia.
— Hanabi ainda não saiu da água? — perguntou a Nohara que se aproximou de Hinata.
Em sua mão trazia um espeto de camarão.
Seu biquíni era fio dental roxo e suas sandálias, pretas.
Usava óculos de sol.
— Ela gostou muito da boia. Acho melhor comer depressa, Rin-san, ou não aproveitará seu tempo.
A Nohara agiu como se escutasse um crime bárbaro.
— Não devorarei rápido os meus camarões, deixe Hanabi aproveitar a boia, posso alugar quantas vezes eu quiser. — Olhou em volta e comentou desanimada: — Puxa, Sakura ainda não veio.
— Espero que estejam bem. — Hinata temeu que algo ruim estragasse o primeiro dia na praia.
Rin lhe ofereceu um camarão, aceitou e ao morder, fechou os olhos com força.
— Gomenasai, não avisei, é que coloco bastante limão hahaha.
A Hyuuga sorriu um pouco, aguentou o sabor forte e mastigou até engolir.
Ao volver seus perolados à amiga, questionou-a:
— O... o que foi?
A Nohara afastou o óculos, subindo e descendo a visão sobre Hinata.
Mastigou seu camarão severamente, enquanto a analisou.
Ao engolir, respondeu-a séria:
— É sua roupa.... não está com roupa de banho por baixo do vestido.
Empurrou o óculos de volta.
Através da transparência do tecido se via o short fino da Hyuuga, o que ela usava sob o babado era um mistério.
— Não me banharei no mar, então não me importo, me satisfaço de ter vestimentas apropriadas pra aproveitar um passeio na areia que canta. — Sorrir pisando sem sair do lugar, ouvindo o som gostoso de harpa.
— Não é justo, quero que aproveite ao menos um banhinho com a gente. Por sorte, eu trouxe um biquíni pra cada dia, quero que escolha um, são novos.
De bochechas vermelhas, Hinata observava o fio dental da Nohara.
Perguntou receosa:
— Um como o seu?
— hahaha eu tenho um comportadinho, juro.
O sorrisinho de Rin enquanto mastigava o próximo camarão não convenceu a Hyuuga.
*
*
*
O restaurante do Koto Hotel possuía vista para o mar através das meias paredes.
As mesas arredondadas cobertas de toalhas brancas, adequadamente, espalhadas pelo ambiente para melhor área de circulação.
O cheiro ótimo da boa comida, futuramente, servida, agradava o olfato dos hóspedes os deixando ansiosos e à vontade.
Hinata andando entre as mesas, atrás de Rin e na frente de Hanabi, sem largar a mão da caçula, observava as vestimentas das pessoas.
As três se mantinham com as vestes de banho.
— Deveríamos ter trocado de roupa. — A Hyuuga maior comentou ao sentar, usava biquíni cropped azul esverdeado. Rubra se tornou, vendo que arrancava olhares de uns três caras, um deles recebeu da namorada, um soco no braço. — Devíamos voltar e vestir algo por cima.
— Não há problema, veja. — Usando a cabeça, a Nohara apontou para um dos cantos do ambiente, onde existia um casal em roupa de banho. — Contanto que estejamos secas, nós podemos entrar. Os hospedes podem ficar bem à vontade. — Puxou uma cadeira e sentou, tendo a vista frontal do mar. — Querem que eu chame o garçom ou esperamos Sakura e Sasori?
— Esperamos.
— Chame o garçom.
Respectivamente, Hinata e Hanabi responderam em igual tempo.
A primeira olhou repreensiva pra outra, a segunda, deu um sorriso amarelo.
— Hahahaha ora vamos Hinata, podemos fazer duas refeições grátis por dia.
— É que quem ganhou a viagem e tudo pago foi a Sakura-chan, devemos pelo menos espera-la. — Apertou a bochecha da caçula. — Quando ela estiver aqui você pode pedir a ela.
— Nesse caso... — Rin puxou o cardápio e após uma rápida pesquisada, decidiu-se: — Pedirei um mega tempurá de sorvete, por minha conta, podemos dividir.
— Yeahs! — Hanabi comemorou.
Momentos mais tarde, quatro minutos após o garçom trazer o mega tempurá de sorvete, Sakura e Sasori chegaram ao restaurante, e assim que avistaram as meninas, foram até elas.
Os dois pararam ao lado da mesa, diante suas cadeiras vazias.
A Haruno trajava conjunto rendado de cor branca, sob ele amarelo biquíni cavado, e nos pés, sandálias rosa.
O Akasuna vestia regata branca de academia, o centro dela, enfeitado pelo desenho de escorpião vermelho, short esportivo preto com listras laterais escarlates e sandálias de couro.
— Como demoraram. Aposto que Sasori chegou há um tempão e resolveram dar uma fugidinha. — A Nohara provocou, pondo a mão na boca mal cobrindo o sorriso.
— Rin! — Sakura de bochechas róseas distanciou seu olhar do namorado.
O Akasuna risonho abraçou a rosada pelo ombro trazendo-a para perto de seu corpo.
— Uuuhh seus olhos são vermelhos. — A Hyuuga menor apoiou as mãos na mesa e ergueu a parte superior do corpo.
— Hanabi. — Hinata pronunciou o nome da caçula, por entre os dentes, sorrindo constrangida.
— Sem problema, estou acostumado com essas observações, principalmente vindas de crianças. — Sasori comentou de bom humor.
Sakura aproveitou para compartilhar uma história:
— Outra vez estávamos na fila do cinema, ficamos atrás de uma mulher com um bebê no colo, aí o pequenino ficou assim... — Espaçou as pálpebras e fixou a boca meio aberta. Entre risos, completou: — ...o bebê não desfez a cara enquanto via Sasori.
Rin e Hinata riram, a primeira controlando para não rir alto.
O Akasuna sorria, assentindo, confirmando a veridicidade da história.
A Haruno seguiu falando:
— É legal por que quando estou sozinha é meu cabelo que chama atenção dos pequenos, estando com Sasori posso ser uma simples expectadora.
— Sentem-se logo gente. — A Nohara pediu, estranhando os dois permanecerem de pé.
— Estão comendo o que? — Sakura sentou, puxando o prato para seu lado e lascou um pedaço. — Huuum, tempurá de sorvete, adoro.
— Se saberia a resposta porque perguntou? — Rin puxou o seu sorvete de volta. — Ainda bem que não comeu a cereja, combinei com as meninas que ela seria minha.
— Não se preocupe meninas, incluirei no meu pedido quantos tempurás de sorvete quiserem. — A Haruno prometeu, deixando Hanabi mais ansiosa.
— Sasori, não vai sentar? — Rin estranhou o ruivo segurar o encosto da cadeira, enquanto os orbes avermelhados vagavam pelo restaurante. — O que há?
— Ah, é mesmo. — Sakura também passeou seus verdes pelo ambiente. — O amigo dele.
— Cadê? É invisível? — a Nohara colocou a cereja na boca.
— Ele estava atrás da gente. — A rosada informou. — Nem percebi quando ele se afastou.
Sasori pediu licença e saiu do restaurante, em três minutos esteve de volta, agora acompanhado do amigo, outro ruivo, detentor de um kanji vermelho no canto direito da testa, destituído de sobrancelhas, contornados pretos nos olhos, globos verdes bem claros, pele clara, não mais que a de Hinata.
Usava camisa de malha, short verde escuro e estranhamente seus pés estavam cobertos por meias de fino tecido, chegando até três dedos acima dos tornozelos.
Rin demorou pra disfarçar sua cara ao avaliar a aparência do sujeito, sofreu um pouco de arrepio.
As Hyuugas demonstraram surpresa.
Hinata conseguiu disfarçar primeiro que a irmã.
Apertou a mão dela por baixo da mesa. "Não o encare muito" murmurou pelo canto da boca.
Hanabi não ouviu e ficou com seus olhinhos surpresos para o ruivo do kanji.
O Akasuna iniciou as apresentações:
— Meninas, esse aqui é meu amigo Gaara no Sabaku, e...
— No Sabaku? — a Hyuuga interrompeu de voz exaltada, corou após perceber o que fez. — Oh... gomenasai, continue Sasori, fiquei surpresa, nada demais.
— O conhece? — Sakura perguntou curiosa.
Gaara pusera o olhar em Hinata.
— É que.... é o sobrenome de uma pessoa que.... — A Hyuuga realizou uma pausa silenciosa.
— Que? — Rin a estimulou a continuar.
Hinata até o presente não revelara sobre seu trabalho, entretanto, desencontrava motivos para manter segredo.
Após revelar sobre sua condição financeira, seria incoerente esconder o que fazia pra ganhar dinheiro.
— Atendo como assistente em uma casa de chá, Temari no Sabaku, é o nome de uma pessoa que trabalha lá.
Rin demonstrou surpresa.
Sakura se encantou, imaginando Hinata em roupas tradicionais, deveria parecer uma boneca de porcelana.
— É mesmo a irmã do Gaara. — Sasori confirmou. — Ela está trabalhando em outro restaurante não muito longe daqui, aproveitando as férias pra ganhar um dinheirinho a mais. — Firmando seu olhar na Hyuuga, convidou-a: — Mais tarde posso lhe mostrar onde é.
— Arigatou, mas não somos muito próximas... não quero incomodar no serviço dela.
O Akasuna compreendeu, nos minutos seguintes arranjou uma cadeira para o Sabaku quem sentou entre Hanabi e Sakura.
A Haruno se prontificou a pedir o almoço, enquanto fazia o pedido, a Hyuuga menor observava o perfil do Sabaku, então o rosto dele se virou pra ela.
Hanabi se inclinou para a irmã e a falou:
— Ele não tem bolinha dentro do olho.
— O que? — desentendida, Hinata perguntou.
Como a menina falou em voz alta, o Akasuna escutara e achou graça do modo descrito pela criança. Revelou-a:
—Ele tem pupila sim, mas é bem sutil.
— Gomenasai, ela é muito... observadora. — A Hyuuga mais velha, dirigiu-se ao ruivo.
— Gaara não liga, ele é acostumado com essas situações, assim como eu. — Sasori revelou.
O Sabaku nada comentou, ele pôs os fones de ouvido, e ficou quieto.
Os outros à mesa começam conversar, enquanto ele se desligava do assunto.
No meio do almoço, Rin perguntou se Gaara estava bem, ele mantinha os olhos fechados, mastigando uma ou outra coisa do prato dele.
Sasori explicou que era o jeito dele, o Sabaku não se importava se era ou não incluído numa conversa, buscava sempre algum modo de se manter sozinho.
— Nossa, e como se tornaram amigos? — Rin perguntou interessada, bebeu um pouco do suco de limão.
— Sofríamos bullying, me refugiava dos valentões na biblioteca e encontrava Gaara frequentemente ali. Ele apresentava sempre algumas marcas da surra que levava que nem eu. Quando caímos na mesma sala, depressa o escolhia para os trabalhos em duplas. Ele não tagarelava como as garotas que queriam minha atenção, não implicava comigo por causa dos meus olhos e cabelos, afinal passava pela mesma situação. Percebi que gostava da companhia dele. E como ele não me expulsa nem nada, acho que me aceita como amigo até hoje. — Rir olhando para Gaara quem abria os olhos.
O Sabaku retirava os fones, erguendo o rosto para o Akasuna.
Gesto indicando querer saber se lhe foi perguntado algo.
Sasori negou em gesto também.
Gaara voltou a se afundar na música dentro dos fones.
Rin achou fofo.
Sakura já ouvira a história, achara lindo em como o namorado se referia ao amigo.
Hanabi estava alheia a conversa, empanturrando-se de peixe ao molho especial.
— “Alguém que busca sempre se isolar...” — A Hyuuga mais velha refletiu, observando o Sabaku. Achou impressionante, não se imaginava retornando para a solidão.
*
*
*
Mais tarde, de volta à praia, Hinata e Hanabi formavam castelos de areia até a menina se lembrar de realizar o grande desejo de ser enterrada.
A Hyuuga mais velha então tratou de trabalhar para enterrar a irmã.
Sakura e Sasori correram no mar, a água batendo nos joelhos, ele pegou ela nos braços e a jogou sobre o ombro, girou-a rápido, fazendo-a gritar.
Quando chegaram um pouco mais ao fundo foram derrubados por uma onda.
Gargalharam bastante.
Pararam de brincar, agarraram-se, ficaram abraçados e trocaram beijos, uns curtos, outros, demorados.
Rin conversava com alguém pelo celular, contudo o sinal estava péssimo, ela se distanciou cada vez mais.
Gaara andava pela beira das águas, afundando suas meias finas na areia, as mãos introduzidas nos bolsos e cabeça abaixada.
Ele também se distanciava.
Mais tarde, o grupo foi se reunindo para assistir o pôr do sol, tiveram que sentar perto de onde Hanabi estava, pois ela não queria ser desenterrada.
A menor estava somente de cabeça e pés fora da areia.
O Sabaku se postou a dez passos, do lado direito do grupo, em pé, fixando seus verdes na paisagem, não se podia dizer se o brilho dentro de seus olhos era do reflexo do pôr do sol ou de uma emoção.
Rin de joelhos na areia abraçava por trás, o corpo da Hyuuga maior, os braços em torno do pescoço e o queixo em cima dos cabelos azulados.
Sasori se deitou e repousou a cabeça nas coxas da namorada quem passou a acariciar os lisos cabelos ruivos.
Hinata acariciou as mãos da Nohara em seu peito, sorrindo amena, em seus pensamentos sobreviera a curiosidade sobre o que um homem de cartola estaria fazendo.
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*
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Diário da Hinata *On*
No chegar da noite me avaliei descobrindo que passei o dia inteiro despreocupada com o que sinto.
Se estou apaixonada pelo Naruto, não preciso negar, podemos conversar sobre. Não esconderei nada. O silêncio não será meu inimigo. Não mais.
Nossos abraços, nossos apertos de mãos, quando assistimos o pôr do sol na escada, quando andamos lado a lado, consigo sentir o carinho dele em cada gesto, me faz corar e arrepiar.
Fico tentada a acreditar que deva existir algo de especial que ele direciona a minha pessoa, no entanto, daí lembro como nossa história começou, em como demonstrou interesse por mim quando nos conhecemos. Poderia ter sido qualquer outra garota a visitar a tenda naquele dia, daí ele iria atrás dela, ajuda-la o quão possível fosse. Por causa disso, considero a crer que todo o interesse amoroso que ele demonstra por mim seja da personalidade amável, altruísta que nele predomina. Ou quem sabe seja apenas a atração, a mesma que eu sinto pela beleza dele e que mexe comigo. Ele está atraído e confundindo cada vez mais com algum sentimento maior.
E ainda me existe um pedacinho de esperança de que Naruto esteja apenas brincando ao dizer que nos casaremos, anseio que ele não seja tão fantasioso assim, apenas gosta de me fazer corar.
Quero poder usufruir de uma conversa madura com Naruto.
Enquanto esse dia não chega, aproveitarei Kotohiki com minha irmã e amigas.
Diário da Hinata *OFF*
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