Notas iniciais
Aos novos leitores sejam bem vindos! É sempre bom receber leitores novos, é empolgação que não tem fim. Segurando o coração aqui por que recebi a minha primeira recomendação de fic, então dedico esse capítulo a Gangnam Style, obrigadão!

~15/02/2010

~Segunda-feira

~17: 42

Feita a limpeza da bancada, a Hyuuga se encarregou de jogar o lixo fora.

Procedeu colocando no saco plástico preto, o que encontrou de resto sobre as mesas da lanchonete.

Ficou estática.

Encontrou um pedação de hambúrguer.

Ela espiou o balconista quem desinteressado lia o jornal, na espera do próximo cliente.

Agindo o mais naturalmente possível, a colegial saiu da loja e andou ao beco vizinho, onde uma fileira de containers de lixo se encostavam na parede do estabelecimento.

Parando ao lado do primeiro container, no qual despejou o saco de lixo, Hinata na escuridão do beco levou o resto do lanche aos lábios e experimentou o incrível sabor do que acreditava ser o paraíso.

Acabou com o pedação de hambúrguer em duas mordidas.

— ”Hanabi amaria…” — Refletiu, sustentando pouco de culpa, por não levar pra caçula. — ”Mas eu não teria onde guardá-lo até o final do meu turno.” — E de acordo com seu paladar, acrescentou: — ”E não é saudável…. tem muito óleo...

Minuciosamente, era assistida.

— Que esfomeada. — Danzou fumava, escorado na parede, entre a porta dos fundos da loja e o último container da fileira. — Passa por tanta necessidade a ponto de comer do lixo. — Comentou, rumando à jovem, produzindo o conhecido barulho das sandálias amadeiradas e quadradas.

— Eu... e-eu... — Hinata receando perder o emprego tentou encontrar alguma desculpa.

— Eu presenteio meus funcionários com lanche, podem pegar um de graça por mês, a hora que quiserem. Você não sabia? — ele parou dois passos diante à colegial que demonstrava surpresa. — Acho que esqueci de avisá-la, erro meu. — Expeliu sua última fumaceira da tarde.

Que burra! Hinata se puniu.

Se soubesse do lanche de graça antes!

Danzou jogou a bituca do cigarro contra o solo, ignorando a existência dos containers ali perto.

Cruzaou os braços dentro das mangas do quimono cinzento.

Gomenasai! — a jovem se curvou, concluindo que era o certo a se fazer ao invés de mentir.

— Se estiver passando por dificuldades, não se sinta envergonhada de falar. — Ele soou compreensível.

O coração dela palpitou fortemente.

— E-eu! — a Hyuuga exclamou nervosa, alcançando nova esperança. — Estou passando por situação financeira horrível. Tanto que... quero pedir um adiantamento! Eu sei que é cedo demais para pedir algo assim, só que tenho que pagar uma dívida o quanto antes.

O choro não desceu, embora ela o sentisse preso na garganta.

Mizuke visitara seu lar novamente, dando-lhe um prazo definitivo para pagar as dívidas do pai.

— Adiantamento hã? — indagou Danzou indeciso.

— Sinto muito... foi um erro meu. Esqueça esse meu pedido... — Hinata se arrependeu.

O desespero a enforcava, possuía três dias para pagar Mizuke, o jeito era enrolá-lo até o final do mês, seria complicado, entretanto, mais viável que arriscar seu trabalho.

— Esquecer de modo algum, você estava comendo do lixo, isso é inaceitável! Para sua sorte saquei dinheiro mais cedo, estou com ele na minha carteira. Não sei se é suficiente, mas.... — Danzou estendeu para ela um maço verdinho de notas.

Sim! Era muito! Tudo o que ela precisava! O coração da jovem festejava. Permitiria o choro descer, contudo, agora a causa dele seria a alegria.

Hinata pegou o dinheiro, inebriada pelo cheiro dele, por pouco não gritou de felicidade.

— Arigatou gozaimasu, prometo que me esforçarei mais no meu trabalho! Quando esse meu tempo ruim passar, trabalharei alguns dias de graça....

— Não precisa, é um prestigio tê-la comigo. É normal que jovens passem por dificuldades, seu esforço lembra a mim quando tive sua idade. Nunca mais comerá do lixo, lembre que posso ajudá-la. — Danzou verbalizou orgulhoso da própria gentileza.

Arigatou! Encontrar pessoas que fazem boas ações... ultimamente é um milagre... estou emocionada, arigatou! — agradeceu repetidas vezes. Fixando seus perolados em Danzou, considerando ele seu anjo salvador, o sorriso dele era doce. — ”Se ao menos meu pai fosse assim…

Danzou destruiu a distância entre os dois, pousando a mão sobre o ombro da Hyuuga e desceu levemente ao braço, parando no meio dele, os dedos se fecham.

— .... — Hinata ao sentir o firme toque, congelou.

— Quer que eu te compre algo para comer agora? — Danzou sorrir largamente. — Eu gosto muito de sushi, já experimentou? — aproximou-se mais, pondo-se atrás da jovem, levou a outra mão para a cintura dela onde acarinhou. — Vamos para minha casa, temos que nos conhecer melhor... — Ansioso, sua face enrugada se avermelhava.

Não era o doce sorriso que a Hyuuga julgou antes.

Com as mãos envelhecidas no corpo dela, Hinata interpretou o sorriso dele, como um sorriso malicioso.

É assim que um adulto tem que ser?

A mão enrugada pousada na cintura feminina começou a descer devagar.... e foi o fim, Hinata não aguentou.

POOOF

As notas de dinheiro caíram, espalharam-se no ar…. perderam o valor para a Hyuuga ainda que pudessem resolver imensa parte dos problemas dela.

— AAIAI... minhas costas... — Jogado no chão, o velho gritava e gemia de dor. — Por que me agrediu? — levantou-se esforçado, uma das mãos pressionando a coluna. — Te dei o adiantamento e é assim que agradece, me derrubando? Que merda é essa! Vou te denunciar, está muito encrencada vadiazinha!

Se eu for presa.... minha irmã.... Hanabi, me perdoa, me perdoa irmã…

Quanto mais ela lutava maiores problemas surgiam.

Quero que alguém me ajude”.

Na sombra do beco surgiu uma luz, não uma iluminação de algum aparelho elétrico, ou a iluminação natural do dia.

O imo da colegial foi iluminado, só ela podia ver essa claridade distinta. E o motivo de toda a especial luz veio da aparição do mágico, parando ele, ao lado de Hinata.

É um sonho!

A Hyuuga achou que o momento se tornava irreal. Rompendo seu transe, correu à saída do beco.

— Volte aqui sua delinquente! — Danzou tentou ir atrás dela, todavia, o loiro o impediu. — Oras quem é você?! Saia da frente!!!

O mágico jogou a capa sobre o senhor.

Abracadabra!

Um grito e um barulho grande.

Sob a luz do dia, na calçada Hinata parou de fugir, virando-se e cessando, observando o beco.

A capa foi puxada de volta.

Danzou sumiu.

— Você acredita em magia?

Retornou a famosa pergunta à jovem perolada petrificada.

*

*

*

*Diário da Hinata*On*

Eu alimentava sonhos quando era criança. E quem não alimenta? É normal. Nessa fase tudo parece real. Visitei parque de diversões muitas vezes. O circo me foi comum na infância. Assisti vários números de mágica.

Acreditava em papai Noel, coelhinho da pascoa, nos deuses dos templos, na árvore dos desejos e fada dos dentes.

Meus sonhos e desejos eram impulsionados pela fantasia, tudo mágico.

No entanto...

O mundo no qual vivo gira em torno de dinheiro.

Descobri conforme a infância escorria pra fora de minha vida.

Quando o dinheiro é ausente, a magia acaba.

Otou-san se entregou aos sonhos de infância, dizia que era uma forma de homenagear você okaa-san, que quando pequena, sonhou em ser dona de uma loja de brinquedos.

Por isso, ele investiu na fábrica de brinquedos.

O pouco do dinheiro que sobrou após a falência das empresas Hyuugas, investiu numa decadente fábrica de brinquedos.

Poderia ter poupado e usado a grana para fins melhores, poderia ter investido no futuro das filhas, mas preferiu arriscar num sonho infantil.

A intenção dele foi boa, mas no momento errado.

*Diário da Hinata*Off*

*

*

*

Diante da porta do lar das irmãs Hyuugas, o mágico e a colegial se encontravam imóveis, lado a lado, silenciosos.

Fitando a maçaneta, ela o perguntou:

— Por que me seguiu?

— Eu precisava lhe deixar em casa, em segurança.

— Arigatou... — Dos pequenos lábios femininos, o agradecimento saiu sussurrante.

Sentiu-se realmente segura na presença dele, bastante contraditória à sensação de quando o visitou na colina.

— Não foi nada. — O mágico ao contrário dela, mantinha as costas para a porta e virou o rosto, para fitá-la. — Tive saudades.

— Como sente saudades de alguém do qual não sabe nem o nome?

— Hinata Hyuuga, é o seu nome.

— Você... leu o crachá do meu uniforme. — Argumentou, pondo a mão em cima de sua identificação sobre o peito. — ”Crachá e uniforme do meu ex-trabalho”.

— Será mesmo? — o loiro usou um tom provocante, o qual, em nada animou a jovem: — Me chamo Naruto.

— Naruto? — os perolados se arremessaram, contra o homem de cartola. — Como um componente de lamen?

— É! Você gosta de lamen? — o loiro surfou no ímpeto de interesse da jovem.

O que estou fazendo?

Para Hinata era indesejado abrir espaço pessoal para o mágico.

Focou-se na gravidade da situação atual:

— O que você fez com o meu ex-chefe? — em seu pânico, não perdeu tempo olhando demais para o beco, correu a caminho do lar, só pensando em abraçar Hanabi. O cansaço veio e estando longe da loja, sua pressa não se tornou prioridade, prosseguiu em andança de velocidade regular. Faltando pouco para chegar ao condomínio, foi que notara ser seguida pelo loiro, no entanto, medo ele não lhe despertou. Aceitou que o acontecido no beco foi real. — Eu sei que o senhor Danzou é uma má pessoa, mas não quero que o machuque. Nós dois estamos condenados, não piore a situação.

— Não acontecerá nada com a gente. Eu o fiz desaparecer usando a minha magia. Sem querer me gabar, é a minha magia mais poderosa. — Esfregou seus dedos enluvados, contra o peito.

Hinata soltou uma longa expirada.

— É inútil conversar a sério com você. — Encostou na maçaneta, porém não conseguiu girá-la. Seriamente, lamentou: — Minhas condições impedem que eu receba visitas de modo decente, não tenho nada a oferecer como gratidão pelo que você fez hoje...

— Eu me satisfaço se me oferecer sua resposta.

Você acredita em magia?

— Minha resposta continua a mesma. — Hinata respondeu, no timbre do óbvio. — Danzou não desapareceu, é impossível uma pessoa sumir do nada, você não fez magia de verdade.

— Tem certeza?

— Escuta... — A Hyuuga reuniu paciência contra a voz provocativa. — Quero aproveitar meus últimos momentos com minha irmã em paz.

— Não serão últimos momentos, você não será presa. Nem eu, e se por algum descuido eu for, sair de jaulas é um dos meus feitos mágicos mais famosos.

— O seu otimismo é inacreditável.

— Arigatou!

— Não foi um elogio! — pressionou a maçaneta, sentiu-a tremer.

Afastou sua mão dela.

A porta foi aberta.

Hanabi escutara a voz da irmã, por isso, correu pelo cômodo e abriu a porta.

Rapidamente, notando a presença de alguém mais, tornou-se pasma.

— Um mágico! — os perolados da caçula saltariam pra fora do rosto se fosse possível. — Mana, ele é amigo seu?

— É um.... conhecido. — Hinata respondeu, reprovando toda a empolgação que surgiu na menina. — E-ele já estava de partida.

— Partir sem conhecer sua irmã? — o mágico se virou de frente pra porta surpreendendo mais a pequena Hyuuga com sua bela aparência. — Sou o mágico Naruto, ao teu dispor.

Admirou-se Hanabi:

— Naruto? Que nome delicioso!

A colegial fechou o cenho, vendo o loiro avançar pra dentro da sala.

— Meu nome é Hanabi Hyuuga! — a menina abriu os braços para o alto, como se apresentasse uma surpresa.

— Que maravilhoso! — Naruto bateu palmas, depois se ajoelhou em uma perna e retirou sua cartola. — Eu tenho um presente para você, Hanabi.

— E o quê é?!

O mágico retirou de dentro do seu colete uma varinha e rodeou a ponta do objeto em torno do buraco da cartola, concentrando seu firme olhar no que fazia, ditou a palavra especial:

Abracadabra!

Tirou um coelho de pelúcia da cartola. Puxando-o pelas orelhas, estendeu-o para a mais nova.

— Que lindo! — Hanabi abraçou o coelho se maravilhando com a maciez do bichinho. — O usarei como travesseiro. Eu amei! Isso foi fantástico!

— “Fantástico? O coelho tem o tamanho certo para caber na cartola...” — Hinata pensou, encostando a porta, preocupada pela presença de Naruto. Hanabi estava bastante harmoniosa com a presença dele, se o expulsasse veria a linda alegria da irmã se desarranjar. — ”É provável que seja minha última noite com ela... então quero vê-la feliz hoje…

— Você acredita em magia? — perguntou o loiro, cheio de amabilidade, segurando a pequena mão da menina entre as suas, o braço magrelo e livre de Hanabi abraçava o coelho.

Toda energizada, a menor o respondeu:

— Sim! Muito, muito, muito e muiiitooo!

— Então se prepare para mais mágica! — o espetáculo de Naruto começou.

*

*

*

Diário de Hinata *on*

Okaa-san, a senhora tinha que ver. Hanabi e o mágico entraram em um mundo só deles. Possuíam um coelho de pelúcia, uma cartola e uma varinha, e era só do que eles precisavam.

Riram bastante.

Conversaram de coisas bobas como as manchas que enxergam quando fecham os olhos, as formas que elas fazem, e o tanto que eles podiam enxergar delas no fundo da cartola se antes olhassem muito bem para a lâmpada acesa.

O mágico moveu a varinha dentro da cartola, Hanabi se impressionou gritando para mim que via uma sopa de manchas, elas se agitavam conforme a varinha era mexida.

Eu os assisti de longe, recusava o pedido de me juntar a eles, fingindo que me ocupava com estudo.

Naruto sabia que eu mentia, por bem não me entregou.

É, eu escrevi Naruto, nome engraçado não é okaa-san?

Ele me mostrava que a presença dele era indispensável, pois quando eu vi minha irmãzinha rindo e levantando olhar de felicidade extraordinária com a qual eu sonho ver todos os dias no rostinho dela, eu pude apreciar o momento dos dois e esquecer por poucas horas que eu não estava despedida do trabalho e futuramente condenada.

Depois de um tempo, aceitei me juntar a eles que me incluíram entusiasmados no mundo mágico que criaram.

Diário de Hinata *Off*