Abracadabra!

35 Amizades e família


Notas iniciais
Respeitável público, infelizmente aviso que este é o PENÚLTIMO capítulo da fanfic!

A Haruno piscou diversas vezes em três segundos, descrente no nome pronunciado pelo dono da tenda.

Rin, igualmente, perplexa, quase incrédula de que fosse o próprio Uchiha sob a máscara.

Sakura avançou contra o mascarado e retirou a peça a cobrir a face dele.

Deparou-se com os ônix orbes e os cabelos pretos rebeldes os quais conhecia bem.

— Que brincadeira é essa? — perguntou a rosada.

— É o cafajeste do Uchiha mesmo! — a Nohara espremeu a alça de sua pasta ao cerrar os punhos.

— Ele é meu aprendiz de mágica. — Naruto revelou, enquanto se encaminhava à mesa, distribuiu nela os pães quentinhos. — Prepararei chá, alguém a fim?

A Haruno encarou o homem loiro, chateada.

— Estou a fim de uma explicação melhor. — Rin jogou sua pasta sobre uma poltrona roxa a qual beirava a lona, cruzou os braços sem tirar seus orbes faiscantes de Sasuke. — O que trama, Uchiha?

Naruto dera de ombros e andou ao fundo da tenda, atravessou a lona, pela passagem camuflada.

— Não tramo nada. — Respondeu o Uchiha, pondo o bambolê sobre uma pilha de caixas, seus ônix desviaram para qualquer direção que não fosse algum dos rostos presentes. Enfiou as mãos nos bolsos e virou quase totalmente de costas às colegiais. Adicionou: — Era apenas um hobby que comecei a praticar.

—Hobby? —Rin repetiu desdenhosa, recusando-se a crer.

— Você aprendendo mágica. — Sakura teve dificuldade em conceber a ideia.

— Não posso aprender? — irritara-se um tanto, a passos rápidos e curtos, Sasuke se dirigiu à saída. — Não é minha intenção brigar, vou nessa.

— Não precisa ir, se Naruto o aceitou na tenda, não quero expulsá-lo. — A Haruno dissera apressada, antes que ele cruzasse a abertura da lona.

— Deixe-o ir. — Rin andava até a mesa e inspirou o cheiro dos pães. — Posso ter lanchado na casa da Hina-chan, mas isso aqui abriu novamente meu apetite. — Sorriu, ignorando ligeiramente a existência do Uchiha.

O mágico retornara, trazendo um bule de chá pela alcinha férrica, vendo o Uchiha na saída da tenda, convidou-o:

— Está servido, Sasuke?

— Eu já estava pensando em ir embora. — Sasuke apertou a lona e seguiu em frente, indo à escada e descendo os degraus, seus pés trêmulos, o coração em disparada e o gelado da pele a expandir-se.

A Haruno se impulsionara, indo atrás dele.

— Sakura, aonde vai? — Rin interrogou, pegando um pão de salsicha, virando-se na direção da rosada.

— Vou convencê-lo a voltar, é obvio que ele foi embora por nossa causa, se ele é um aprendiz do Naruto... posso aceitar a presença dele aqui. — Respondendo-a, livrou-se de sua mochila, jogando-a no chão, correu para fora da tenda, deixando o mágico e a amiga a sós.

— Não acredito que ela aceitará numa boa ficar perto dele. — Sentada, Rin esticou suas pernas, depois as cruzou e mastigou um pedaço de seu pão.

— Ela é uma boa pessoa, sem rancor. — O mágico se sentou do outro lado da pequena mesa.

A Nohara franziu a testa.

O loiro lhe serviu um pouco de chá.

— Sakura me contou que ele a perseguiu uma vez até aqui, fiquei sabendo das coisas horríveis que ele disse sobre ela, a melhor coisa que minha amiga fez foi romper com o Uchiha... — Pausou sua fala para engolir. Depois prosseguiu: — Só foi ele aparecer de repente e puft, quer que fique perto de nós. Será que ela não percebe o quão perigoso é isso?

— Acha que ela voltará com ele? — Naruto fatiou uma baguete.

— Lie! Sakura respeita o namorado. Só que... o Uchiha pode persuadi-la, sei lá. Ela está muito bem com o Sasori, são perfeitos juntos. Sasuke pode tramar algo para separá-los! Aliás, como pôde aceitá-lo como aluno?

Os azuis se conduziram para o alto, reflexivo, o loiro se recordou de quando o Uchiha veio a sua tenda pela primeira vez, não tinha como esquecer, foi no dia, que quase pulou da colina.

— Acreditei um dia que ele não seria digno de entrar na minha tenda de novo, ele é do tipo que não acredita em magia e zombaria se eu dissesse que magia existe. — Verbalizou calmo. Sorveu um pouco de chá. Elegante, cruzou as pernas. — Mas ao contrário da primeira vez que ele veio, na segunda, a aura dele estava diferente, a energia em volta dele... me chamou atenção.

— Aura? Energia? — a Nohara achou a figura do mágico cheia de charme, ele se assemelhava a um personagem de livro. — Já ouvi você citar essas coisas, o que são? O que significam?

O N. Uzumaki ponderou durante um minuto.

— São aspectos não visíveis para uma visão comum, normalmente, cercam as emoções do ser humano, quando são ruins, bloqueiam a luz que há no coração. — Balançou sua xícara de forma levemente circular para mexer o seu chá. — Sasuke veio envolto de uma mancha negra, ela era densa e quase o sufocava por inteiro. Mas na segunda vez que me visitou, ela estava esburacada.

— Esburacada?

— Ele lutava para se livrar dela. Ainda está lutando na verdade. Cada vez que vence essa mancha negra, consegue arrancar um pedaço dela.

Rin assentiu, achando interessante.

O mágico desconhecia se sua explicação foi clara o suficiente para a Nohara, mas sorriu, satisfeito consigo mesmo, por tê-la tentado explicar e não ficar enrolando.

*

Foi em uma quarta feira após as aulas que Sasuke foi direto ao parque, buscava a colina e ao alcançar a tenda, entrou quase caindo.

Acabado em sofrimento e cansaço implorou pela ajuda do mágico que o fitava seriamente.

— Eu... estou seguindo Sakura faz mais de uma semana. Ela sempre sai daqui feliz, eu gostaria de saber... como faz pra ela ficar tão... tão entregue a essa felicidade?

Os azuis do mágico cintilaram surpresos por verem que a energia obscura do Uchiha se danificava.

— Tentará conquistá-la? — perguntou ao colegial.

Sasuke mordeu o beiço inferior, forte, tanto que marcou-o.

— Lie. Sakura devia estar destruída antes de encontrá-lo, por tudo o que causei. Quando a vi consertada, feliz, contente de novo... percebi que é o que preciso para seguir em frente, como ela. Me conserte por favor, eu posso pagá-lo.

O N. Uzumaki aprovou o motivo do Uchiha, adoraria apresentar a magia para Sasuke que precisava se libertar imediatamente do resto da energia negativa que o rondava.

— Guarde seu dinheiro. Tudo o que peço é comprometimento verdadeiro comigo, futuro aprendiz!

*

Naruto terminou de contar o que sentiu quando aceitou o Uchiha como aluno.

— Você é tão caridoso, realmente, combina com Hinata. — A Nohara se maravilhou, lambeu os beiços após sentir a manteiga derretida do último pão que digeriu. — Não disse a ela sobre Sasuke?

— Ela nunca perguntou.

— Bem, acho que não é um problema, ela também não negaria que ele fosse seu aprendiz. Mas se ela soubesse avisaria a gente.

— Sasuke prefere ter aulas a sós comigo, porém com o tempo ele se abrirá mais. — Seguido do término de seu chá e pão digeridos, esticou os braços pro alto em uma longa espreguiçada. Pondo uma mão sobre a outra nos joelhos cruzados, fitou docemente Rin. — E você, Sra. Nohara, não acredita em magia ainda, não é?

— Claro que acredito.

— Não hahahaha você é gentil também, apenas não quer me magoar. — Sereno observava a energia envolvente no corpo da jovem. — Sua descrença não é por mal, percebi isso, na primeira vez que lhe perguntei.

Ela também terminou de se alimentar.

Meio corada coçou atrás da cabeça.

— Espero que não fique chateado com isso.

— Não fico. Mas posso te provar que magia existe, com isso? — o mágico exibiu um papel amassado em sua mão direita.

Sem demora, a Nohara reconheceu aquele material e se alarmou com isso.

— Isso é...

— Você coloca esse papel dentro do seu caderno já faz algumas semanas. É de alguém importante? — intrometido, ele balançou o papel pra lá e pra cá.

— Lie.... não é. — Tentou se manter a calma.

— Então eu poderia deixar na minha caixa de correio mágica?

— Como é? — o coração feminino disparou desesperado.

— Qualquer coisa deixada dentro da caixa de correio mágica é enviada para onde você quiser.

— Impossível, eu nem sei onde a pessoa que riscou nesse papel mora...

— Não tem problema, por isso a caixa é mágica, não precisa colocar o endereço. Mas entendo... se é algo importante...

— Lie, não é, é algo bobo. Faça o que quiser. — Rin tentou demonstrar desinteresse, todavia, seus músculos estavam instáveis, remexia-se na cadeira, insatisfeita com todas as poses.

*

*

*

A Nohara observava o mágico dobrar, de cuidadoso modo, o papel antes de pô-lo dentro da caixa de correio, fincada ao lado da saída no interior da tenda.

Naruto teve essa cautela mesmo o papel estando nitidamente amassado e manchado.

Rin permaneceu sentada à mesa se fingindo de desinteressada, enquanto recaiu sobre si a lembrança de quando recuperou o papel do lixo.

Aconteceu depois de se despedir das amigas, retornou desesperada ao shopping para revirar o lixo, ignorara os olhares das pessoas, não lhe importava que parecesse uma doida varrida.

Era um mistério o porquê de se influir tanto sobre o papel, pois pertencia a um desconhecido.

Recebia cantadas de tantos chegados, colegas e amigos.

E seu interesse focava apenas no garoto bonitinho do shopping.

— “Acho que é por isso mesmo, ele é alguém que ninguém próximo de mim conhece. Se algo der errado, se eu pagar alguma vergonha... não ficarei falada. Os garotos do colégio pensam que sou experiente... e sou virgem... sou virgem até de beijo, OH MY GOD, eu ainda sou BV.”.

Descoberta a resposta, seu interesse no carinha do shopping se devia à cautela quanto a sua reputação.

— “É isso, não que ele seja alguém especial, afinal sequer sei o nome dele, amor a primeira vista é coisa de filme.”.

Encantara-se com o elogio no avião de papel porque fazia um tempo que não recebia flertes de outros garotos.

Flertes bonitos, não indecentes.

Todos que lhe conheciam cansaram de serem rejeitados, deram um tempo, regressaram com as tentativas de conquistá-la após algumas semanas, quando ela começou a colocar no status de suas redes sociais que estava interessada em um par para as festas do final de ano.

Era má, pois sabia que não escolheria nenhum deles.

Nenhum que pudesse espalhar no colégio, um possível defeito seu.

Prolongado suspiro feminino.

Sua visão descansou sobre suas mãos, em seu colo, quando ergueu seu rosto, deparou-se com a face analítica do loiro de cartola.

— Não se preocupe mais, ele receberá. — Naruto antes curvado, pusera sua coluna reta e recuou dois passos. — Escrevi seu nome, ele a encontrará.

Rin meneou de leve a cabeça, amando a doce e inocência do N. Uzumaki.

— Que tal algum número com barbantes? — o loiro se encaminhou à mesa, trazendo uma caixinha aveludada e ao abri-la exibiu uma coleção de barbantes de diversas grossuras.

— Parece legal. — A Nohara crer que será algo bom para distrair sua mente. — Como funciona? — varreu todo seu incomodo de segundos atrás.

— Preste atenção. — O mágico retirou dois pequenos barbantes e ao enrolá-los, cobriu-os com as duas palmas, começou a esfregá-las, ao tempo em que um único barbante saía por entre os dedos.

— Parece que não acaba. — Após um tempo, Rin dissera surpresa, e se dera conta que o objetivo era aquele.

Um barbante infinito saía daquele movimentos de esfrega-esfrega das mãos.

Naruto sorridente seguiu esfregando as palmas, a extremidade que saiu por entre seus dedos estava chegando ao chão.

Passou a ensinar a Nohara.

Foi divertido.

Ela gargalhou quando fez uma bagunça com os barbantes, na parte de esfregar as mãos saíram fiapos embaraçados, e cenas como essas se repetiram fazendo o mágico também rir.

Ele era paciente e gostava de ensinar junto com a diversão.

*

*

*

As aulas envolvendo os barbantes terminaram, deram espaço para um jogo de dominó.

— Seria problema se eu voltasse a falar com Ino Yamanaka? — Rin perguntou, colocando um terno no terno. — Sei que a visita que ela lhe fez foi tão desagradável quanto à primeira do Uchiha.

Sem julgamentos, o mágico a fitou, colocando uma quadra na quadra.

— Essa decisão cabe a você, por que se importa com o que eu acho?

— Porque.... Hinata se tornou uma amiga querida em minha vida. E você está intimamente ligado com ela. Interesso-me por sua opinião, apreciaria se fosse sincero comigo. — Pusera um duque contra um duque.

O sorriso nos lábios masculinos era amável.

Os azuis apreciaram as cores que entornavam o corpo feminino diante de si.

Colocou um carrão de uno no uno.

— Se ela não interferir em minha vida com Hinata, ficará tudo bem. Pessoas que se acumulam de trevas são indignas de conhecerem a magia. — Coçou o queixo. — Mas gostaria de olhá-la de novo, talvez a energia dela tenha apresentado mudanças, como a do meu novo aprendiz.

Rin mesmo tendo que coletar mais peça de dominó, agradava-se, a resposta do homem de cartola a animou bastante.

A partida terminou com vitória do mágico, porém a Nohara jazia pronta para a revanche, contudo, o N. Uzumaki fez um pedido:

— Feche os olhos, hai?

A Nohara estranhou, porém, sem questionar desceu as pálpebras.

Os dedos do mágico alcançaram sua testa, pousaram suavemente nela.

Abracadabra!

— Abra os olhos agora.

A jovem ao libertar a visão se levantou do assento e caminhando pela tenda contemplava a imagem dos campos de girassóis estampados no chão e nas partes internas da lona de circo.

— Oooh não acredito! Como conseguiu colocar esse papel de parede tão rápido? Oh, que besteira minha perguntar, um grande mágico nunca revela seus truques.

— Não são truques, é mágica de verdade. — Caminhou até parar ao lado da Nohara e a abraçou pelo ombro.

— Hai... — Rin falou sem jeito.

Às vezes era difícil escolher as palavras certas com uma pessoa que realmente acreditava em magia.

— Tudo bem, não se envergonhe, como eu disse, sua descrença em magia não é por mal, é uma boa pessoa, tem potencial para crer. — Ele carinhosamente beijou o lado da testa de Rin. — Escolha um dos girassóis, qualquer um. — Andou pela tenda, girando devagar em seu próprio eixo.

Rin em dúvida acabou, apontando ao mais próximo de seus pés.

O loiro confiante se abaixou e pousou a mão no girassol escolhido, do bolso traseiro da calça pegou um guardanapo e o jogou por cima, ergueu a mão e quando tirou o tecido dela, segurava um verdadeiro girassol.

Os orbes castanhos cintilaram intensamente. Era impossível controlar o sorriso maravilhado. Bateu palmas incessíveis.

— Bravo! O mais impressionante é que o girassol do papel de parede sumiu!

— Senhorita. — Ele se curvou, oferecendo o girassol à Nohara. — Gostaria de me acompanhar para assistir ao lindo pôr do sol?

Rin rir um pouco e acolheu o girassol na mão, envolveu com a outra mão o braço que o mágico lhe ofereceu.

— Será uma honra. — Dissera ela.

Os dois se encaminharam para fora da tenda, ao passarem pela saída, a Nohara deu uma rápida olhada para a caixa de correio.

*

— “Que merda faço? Por que não fui embora?”.

Sasuke escondia-se no carrossel.

Quando descia a escada ouviu a Haruno chamá-lo, instintivamente, ele correu tanto e por acaso parou ali.

Lembrando-se dessa fuga sem sentido, passou a mão no rosto, tendo vergonha de si mesmo.

O que Sakura pensaria dele agora?

Por que simplesmente não se virou para ela, atendendo ao chamado de modo... comum?

Suspirou, refletiu no que aconteceu na tenda, sentiu-se bem ao saber que ela gostou do seu número de apresentação.

Foi apenas um simples truque de ilusionismo que Naruto o fizera treinar, entretanto, memorizando a reação da Haruno pareceu algo surpreendente, um grande show.

— “Mágica de verdade é isso?”.

Não precisava acreditar em magia, apenas sentir a transformação positiva em seu ser.

Sorriu bobo, cobrindo os olhos com o braço, relaxando no assento da carruagem, deitou-se.

Estava... feliz.

Fizera algo que Sakura adorava e ainda a recebeu como plateia, ela gostara!

— Sasuke-kun! Por que correu de mim?

Ele, em primeiro momento, cerrou os dentes, não esperava ser encontrado depressa, todavia, nos próximos segundos sua expressão suavizou, quando assimilou a forma pela qual foi chamado.

Sasuke-kun”.

Ergueu seu tronco, sentando-se outra vez e pairou sua vista sobre a rosada.

A Haruno de pé ao lado da carruagem encarava os ônix.

— Eu queria saber primeiro, por que você correu atrás de mim?

A Haruno suspirou e entrou no brinquedo, sentando ao lado do Uchiha.

— Quero conversar. — Fitava-o curiosíssima. — Achei inesperado encontrá-lo na tenda do Naruto, pensei que o odiasse, mas se tornou aprendiz dele. Por que se interessou por mágica?

— Segredo. — Moveu a cabeça, fugindo de encará-la.

Será que ela não percebia que estava perto demais?

Depois de tantas vezes de a Haruno dizer para ele ficar longe.... ela mesma criava a proximidade.

O silêncio perdurou por dois minutos.

Sakura nesse pouco tempo criava o anseio de que ele sanasse suas duvidas.

Se Naruto permitiu a permanência do Uchiha na tenda, mesmo depois do quão horrível o moreno se comportou, Sakura decidiu que também se esforçaria para dar-se bem com Sasuke.

Ela confiava no julgamento do N. Uzumaki quem tornou o Uchiha, um aprendiz de mágica.

Sasuke fixava seus ônix no céu.

Deveria estar um lindo pôr do sol, mas dali não possuía a vista completa, somente dos rastros das cores transitivas para o anoitecer.

— Você me odeia muito... Sakura?

Os verdes pararam no perfil erguido do rosto do Uchiha.

— Lie. — Notou os ombros de Sasuke relaxarem após a resposta. — Eu....

A carruagem se moveu e instantaneamente a rosada agarrou a barra de segurança com as duas mãos.

O Uchiha agiu igualmente e olhando para os lados, procurava pelo responsável a ligar o brinquedo.

— É o senhor do parque! — exclamou a Haruno ao ver o velho atrás da máquina. Levantou o braço acenando para ele. — Finalmente, o encontrei!

O velho correspondeu ao aceno dela, sacudindo o boné na mão direita.

— Conhece?

— Claro, é com ele que eu pretendia me encontrar quando vinha ao parque. Ele foi minha fonte de inspiração para mudar. Com ele conversei... sobre quando eu sofria sabe.... desabafei sobre nós dois. — Sinalizou para o senhor, mostrando sua vontade de falar com ele, o velho compreendeu a mensagem e assentiu.

— Você conversou com um estranho sobre mim? — Sasuke achou esquisito.

— Ele não é um estranho! Sendo sincera.... posso não saber o nome dele.... mas quando conheci esse senhor, tive a impressão que tenho uma amizade com ele há anos! — vendo que a velocidade do brinquedo diminuía, segurou a mão de Sasuke, assim que a xícara parou, conduziu-o para fora. — Venha, vou apresentá-los.

O Uchiha desprendeu sua atenção do que falavam, pois tudo o que sentia no momento era o toque dos dedos femininos em torno de sua mão.

*

O pôr do sol havia sido lindo.

— Puxa, Sakura ainda não voltou. — Rin comentou de braços cruzados, vendo as primeiras estrelas no céu. Embraveceu-se. — O que o Uchiha ta aprontando?

Naruto saiu da tenda, antes foi buscar um cobertor e ao sentar ao lado da Nohara no degrau envolveu os dois com o tecido.

— Ele não fará nada com ela. — O N. Uzumaki garantiu. — E se tentasse não conseguiria, ele não pode com Sakura.

— Verdade, ele não daria conta. — A Nohara rir um pouco. — Não conheço quem pode enfrentá-la brava.

Uns minutos de apreciável silêncio, o céu da noite não apresentava sinais de chuva, pareceu que o outono queria descansar um pouquinho do clima.

— Estive pensando, acho que quero guardar o papel, Naruto. — Rin decidiu. — Agradeço por ser otimista comigo, estou me sentindo bem.

— Isso é bom, mas há essa hora o papel já foi enviado.

A Nohara delicadamente retirou o cobertor em torno de si e se afastou do loiro, indo ela para a tenda, ao cruzar a lona dirigiu seu olhar à caixa de correio, ao abri-la, só encontrara o vazio.

*

*

*

Sakura se deteve perante o velho assim que ele saiu detrás da máquina.

Os verdes orbes fulguravam junto ao brilho do sorriso, por rever a pessoa que considerou especial, ainda que tivessem tido um único encontro até o presente.

A Haruno ainda segurava a mão do Uchiha.

Sasuke usufruía das mãos dadas.

Reparava no anseio transbordante de Sakura, o acalanto com o qual ela fitava o senhor, libertou-o curiosidade.

— Deixe-me adivinhar... esse é o jovenzinho do qual me falou? — o velhinho perguntou, bem humorado.

— É sim senhor.

Com falsa rigidez, o velho mirou o moreno.

— Rapazinho, abençoado é, por essa linda jovem perdoá-lo. Se continuasse a desesperançá-la mereceria uma bela surra.

A rosada encheu-se de risos.

— Talvez sim, se uma surra me impedisse de fazer besteira. — Nada irritado, Sasuke concordou. — Aceitaria uns belos socos.

— Esse rapazinho é ajuizado. Nada se assemelha ao rapaz do qual me contou.

Pusera seus cansados e ao mesmo tempo alegres olhos na Haruno.

Ela se permitiu a rir, antes de falá-lo:

— Sasuke mudou enfim, mas demorou um tempo até que se aquietasse.

De lado, ela observou o Uchiha, ele se mostrou irritado, visto que não sabia lidar com a vergonha.

— Vocês estão juntos de novo, é o que importa. — O senhor reparara nas mãos unidas dos jovens. — Deram-se uma chance. Segundas chances são difíceis de serem encontradas.

A Haruno soltou a mão do Uchiha, caindo em si.

Falhando em evitar o rosto corado, abriu um sorriso mal feito.

Sasuke se descontentou, pois estava adorando segurá-la.

— Na verdade não voltamos, mas... pretendo me dar bem com ele. — Brandamente, ela fitou o Uchiha.

Sasuke assentiu.

— Estranho, consigo senti-los tão próximos. — O velho comentou, desceu suas pálpebras ao tempo que pusera uma mão no peito.

Curvando-se, foi acometido por forte tosse que perdurou tempo o bastante para preocupar os jovens.

As tosses escassearam-se e o velho pediu que o levassem ao quiosque, onde havia o lugar adequado para repousar.

O mesmo quiosque onde conversou com Hinata Hyuuga.

A mesma cadeira onde sentou....

*

*

*

O ataque de tosse retornou forte, sentado, o velho jogava a cabeça pra trás, tentando suportar a dor.

Sakura se ajoelhou ao lado dele, passou a mão nas costas do idoso.

— Chamarei uma ambulância. — Decidiu Sasuke, testemunhando o corpo envelhecido tremer. Tirou o celular do bolso. — O senhor precisa ser internado, e busque se aposentar desse trabalho!

— Lie, onegai... isso já aconteceu antes... — O velho estendeu ao Uchiha, uma carteira. — Ligue para o meu filho.

A tremedeira do corpo e a crise de tosse, juntas, cessaram de modo gradual.

— Hiruzen.... Sarutobi. — O Uchiha leu o nome da identidade. — Esse foi o nome citado por Shion, quando ela nos contava sobre a vida de Naruto.

— Era o nome do diretor.... — Murmurou a Haruno.

— Hai, sou eu. Vocês devem conhecer o meu filho, Asuma Sarutobi. É professor de geografia no colégio Konoha. — Olhou para Sasuke. — É para ele, a quem deve ligar, o número está colado atrás da minha identidade.

O Uchiha sem questionar assim o fez.

— Senhor... — Sakura acarinhou a mão enrugada, seus dedos passando de suave forma sobre as veias. — Você sabe tudo o que aconteceu com Naruto, é por isso que ajuda levando coisas pra ele sempre que possível... não é?

— Claro. — Hiruzen sorriu de olhar insondável. — Me sinto como o grande causador da desgraça que acometeu a vida dele. — Achou que se acabaria, em mais um ataque de tosse, porém, daquela vez foi alarme falso. Retornou a elevar voz: — O Uchiha mencionou Shion?

— Hai, Shion Fujimura. — Sakura confirmou. — Ela nos contou sobre o que aconteceu com Naruto, na época que ele estudava.

— Entendo... então deve ter mencionado, o quanto eu me envolvia, com o sucesso de Naruto.

— Não carregue a culpa sozinho, um monte de adultos agiram dessa forma com ele. — A Haruno dissera. — E acredito que Naruto seja mais feliz hoje em dia, que naquela época.

Sasuke ligava para Asuma, sem deixar de se atentar ao que os dois conversavam.

— Não quero pensar na culpa dos outros, apenas na minha. — Firmava o idoso. — Eu vivia fazendo a cabeça dos pais dele, incentivando-os a encherem o filho de responsabilidades... a cada encontro nosso, eu sempre sugeria uma ideia para explorar a inteligência de Naruto. Eu amava a fama que ele trazia para o colégio que eu dirigia. Eu quase sempre fui assim, por conta do meu irmão Hajime que largou tudo: estudo, trabalho, família e até noiva, para viver de circo. Isso abalou nossa família e eu jurei que nunca seria como ele.

O sucesso se tornou uma obsessão de Hiruzen.

— Seu irmão Hajime... — Sakura sussurrou.

Sasuke pressionava o celular contra a orelha e quando o outro lado da linha foi atendido, depressa explicou a situação e entregou sua localização para quem julgou ser Asuma. Assim que desligou o celular, seguiu bem atento, ao que Hiruzen falava:

— Hajime era o mágico da lenda, da colina, o que fazia as pessoas desaparecerem.

Sasuke e Sakura elevaram suas sobrancelhas.

— Na época que ele atuava no circo da colina, ocorria uma onda de desaparecimento de crianças. Hajime criava sua fama, de ser um mágico esquisito, e entre seus truques, gostava de fazer assistentes de palco, desaparecerem, por conta disso, espalharam-se boatos, de que ele tinha algo com o desaparecimento das crianças. E então, um grupo de pessoas decidiu tocar fogo na tenda de Hajime.

— Que maldade. — Sakura comentou, dolorosa.

— E seu irmão teve algo com os desaparecimentos? — o Uchiha perguntou.

— Sasuke! — Sakura o repreendeu.

— Lie. — Respondeu Hiruzen, sem se ofender com a pergunta. — O responsável pelos desaparecimentos das crianças foi pego em outro Estado, porém quase dez anos depois. Quanto ao meu irmão, ele não foi encontrado depois que o fogo na lona cessou. Acho que conseguiu fugir, e desde então, nunca mais voltou. Até hoje, deve ter alguém daquela época, que não viu a notícia do verdadeiro criminoso, e deve continuar achando que era Hajime o responsável pelos desaparecimentos.

A má fama de Hajime prevaleceu, no fim.

Era isso que julgamentos e boatos causavam na imagem de alguém.

— Eu segui com minha vida, tentando fingir que ele nunca existiu, como meus pais tentavam fazer. E passei a me ocupar demais. Casei, tive filhos e netos. — O velho Sarutobi verbalizava, doloroso. — E não consegui aproveitar isso, pois eu estava muito cego para o que realmente importava: o amor.

— Senhor Hiruzen... — Sakura murmurou preocupada, a expressividade dolorosa se enfatizava nele.

Ele meneou o rosto, sorrindo meigo, mostrando estar tudo bem.

— Quando vi Naruto decair, afastando-se mais dos estudos, eu entendia que perdia o meu "astro" do colégio. Fui me aquietando, deixando de lado a minha ganancia, e pude olhar mais para minha família. Meu filho Asuma, quase casando, pretendia se mudar. Minha esposa, adoecida, acabou piorando, desenvolveu um câncer e veio a falecer um ano depois do casamento de Asuma. Nosso filho mais novo, ocupava-se do outro lado mundo, com a vida de sucesso que eu planejei para ele. O filho dele, Konohamaru gosta muito de vir ao parque visitar o mágico. — Ficava contente de ter apresentado seu neto a Naruto. — Eu tive um bem tão precioso em minhas mãos, e não soube aproveitá-lo. Quando sentei-me para aproveitar... todos da minha família escorriam pelas minhas mãos, como areia.

Um sorriso nasceu em seus beiços rachados.

— Agora consigo entender Hajime. Agora que abandonei meus antigos objetivos. Vejo o quão bom é apreciar a vida, sem necessariamente, alcançar um bom papel de destaque na sociedade. Consigo perceber alegria, nas coisas mais simples. Um faxineiro, um caminhoneiro, um sapateiro, um sorveteiro... já vi alegria em tantas pessoas, com os trabalhos mais simples que podem existir.

— Por isso que decidiu trabalhar no parque. — Sasuke comentou.

— Hai. Ver as famílias... os momentos preciosos delas, os momentos que eu queria recuperar com a minha família, é um prazer diário. Gosto de fornecer alegria às pessoas, por meio desse instrumento tão simples que é o parque. Mas no inicio de tudo, eu visitei a colina para orar por Hajime, e me surpreendi por ver a lona armada. Quando entrei... lá estava Naruto. Ele não demonstrou sinal de me reconhecer, e me tratou como um visitante. — Esticou os lábios. — Antes de ele se aproximar de mim, eu tremia, pois o que eu enxergava era a face de Hajime. Porém, bastou ele erguer a cartola e me fazer a pergunta, vislumbrei a expressão alegre de Naruto.

— Depois ele lhe fez a pergunta. — Sakura sorriu ao adivinhar.

— Hai. — Na memória, o idoso ainda podia apreciar aquele momento, como se tivesse vivido ontem.

Sasuke enfim foi atendido e explicou a situação para Asuma Sarutobi que chegou ali em quarenta e três minutos, mesmo a contragosto do pai, o professor de geografia decidiu internar o velho.

Sakura e Sasuke se prontificaram a fazer companhia para Hiruzen, porém educadamente Asuma decidiu que assumiria a situação e agradeceu o amparo que os dois jovens concederam ao seu pai.

E assim, encerrava-se o reencontro da Haruno com aquele velho do parque que se consumia pelo arrependimento e que, como forma de redenção, buscava promover a alegria às pessoas, através daquele humilde sonho de trabalhar no parque de diversões.

*

*

*

*Diário de Hinata*On*

Okaa-san, Ino Yamanaka foi bem recebida por nós, ela lagrimou emocionada pela nossa recepção, a vi abraçar Sakura por mais tempo.

Ela está diferente de antes, se parece comigo quando comecei a estudar no colégio, tímida, de pouca fala.

Mas acho que está contente, pois mantém um sorriso meigo, principalmente, quando está com Sai.

Algo que veio me preocupando mais é a respeito da história de meu pai, agora há mais alunos me parando aos arredores do colégio, meus amigos estão mais atentos, Sakura e Rin me pressionam para contar para Naruto.

Meu noivo chegou a me questionar se estava tudo bem no colégio, me embraveci com minhas amigas, pensei que elas tivessem dito algo, porém me juraram que mantiveram segredo dele, por mais que não concordassem.

Acho que não estou conseguindo esconder essa agitação que a preocupação causa no meu corpo.

Naruto está sentindo que há algo errado.

Falta tão pouco para as provas acabarem, quero que esse problema permaneça oculto ao conhecimento de Naruto.

Nenhum desses alunos tem coragem de me fazer algo, creio que só querem me amedrontar.

Não vão conseguir! Não vão!

*Diário de Hinata*Of*

*

*

*

~Sexta feira

~26/11/2010

~16: 00h

As irmãs Hyuugas receberam inesperada visita.

O Sabaku trouxera Utsu na coleira, o animal aparentava estar muito melhor.

Hinata sequer pensou em avisar ao ruivo que estudava para as últimas provas, restavam apenas duas.

Deixaria os estudos para o dia seguinte.

Entregaria sua atenção à bela visita.

O outono coloria fortemente as árvores de sua rua, então a azulada achou uma boa ideia se conversassem apreciando a vista.

Primeiro perguntou se o Sabaku aceitaria água ou suco.

Ele negou.

O ruivo persistia com sua face apática.

Contudo, a Hyuuga maior sabia que a intenção dele não era nada negativa.

Minutos progredidos, Hanabi brincava com o cachorro de três patas, em frente do condomínio.

Gaara e Hinata conversavam sentados na escadinha da entrada do corredor.

Eles sentavam do lado direito, o ruivo um degrau acima em relação à Hyuuga.

Precisavam deixar espaço para as pessoas passarem.

— Utsu-chan está tão bonito. — Hinata elogiou, seus perolados cintilantes de alegria. — O pelo cresceu tanto, e a cor mais viva.

— Ração de qualidade. — Gaara informou, em sua voz rouca e séria. — Temari avisou que eu estava na cidade?

— Oh... sim, ela avisou faz algumas semanas, mas estou em tempo de prova, sinto muito. — Abraçou as pernas sobre seu vestido branco de lírios azulados.

— Por que se desculpa? Foi apenas uma curiosidade, não faz diferença se quer me ver ou não. — Gaara se justificou, encarando algumas folhas caindo da árvore, do outro lado da rua. — Utsu me deu dor de cabeça de tanto chorar, resolvi trazê-lo aqui para ver se fica quieto por alguns dias.

— Kawai, ele sentiu minha falta. — Hinata sorrir, fitando o animal que a cada dois minutos ia até ela para receber um agrado e logo voltava para correr loucamente com Hanabi na calçada. — Ainda bem que as provas estão no fim, vou agendar para vê-los mais. Naruto adorará conhecer Utsu-chan, e você, Gaara-kun.

— .... — O Sabaku fitou os cabelos azulados. Escutou sua irmã falando sobre o loiro de cartola que ajudou a noiva a manter-se no emprego, na casa de chá, após o problema com um assediador. — Não gosto de mágicos.

— Do Naruto talvez goste.

— Não tenho interesse.

— Que pena Gaara-kun.

— Não me chame assim.

— Oh, gomenasai, é que aprendi a criar tratamento íntimo com as pessoas. — Coçou a cabeça, envergonhada. — Bem... Naruto não pôde vir hoje, há mais público visitando a tenda dele, muitas crianças vão lá. Eu gostaria de ajudá-lo, sou aprendiza dele, eu e Hanabi. Na verdade... todos os meus amigos são agora hahaha, assim que as provas terminarem voltarei a receber aulas dele, também quero apresentar alguns números para o público infantil.

O Sabaku emudecido escondia sua surpresa atrás de sua natural inexpressividade.

A Hyuuga não era de falar tanto quando a conheceu na praia, ela estava mais solta, mais à vontade.

Mais minutos progrediram, Hanabi sentou um pouco para descansar, ofegava e suava bastante.

Quando descansada, foi ao seu apartamento buscar uma vasilha e enchê-la de água, após retornar, colocou para Utsu beber, ele deu grandes lambidas.

Hinata sorrir olhando sobre o ombro, verificando a quietude de Gaara, ele moveu os verdes claros para qualquer ponto além da rua.

Quando considerou que sua irmã e o cão jaziam bem descansados, ergueu-se.

— Vamos passear.

O Sabaku não se opunha, haja vista que se entediara de ficar só sentado.

Durante a volta, a azulada foi falando ao ruivo sobre seus lugares preferidos do bairro, ele somente lhe prestava atenção.

Hanabi andando na frente deles, ia pra lá e pra cá, Utsu seguia a menina.

Após passearem por dois quarteirões, retornaram para frente do condomínio, o Sabaku segurou a coleira de Utsu, preparando-se para ir embora.

Sua despedida foi somente fixar seus verdes em Hinata e dizê-la:

— Quando estiver disponível para o Utsu de novo, me avise. — Virou as costas, caminhando para longe, ouvia a tristeza do seu cão que abaixava as orelhas e cessava o abanar de rabo.

A Hyuuga mais nova acenou chorosa, enquanto a visita ia embora com seu amigo de três patas.

Hinata suspirou, gostara da visita surpresa do Sabaku, adorou ver que ele adotou o amigo canino.

As irmãs após dois minutos decidiram regressar ao lar.

Conversavam pelo corredor:

— Mana, precisamos ter um animal de estimação.

— Quando tivermos nossa casa própria.

As duas detiveram-se avistando uma moça ruiva na porta do apartamento delas.

— Quem é? — Hanabi segurou a mão da irmã.

— É a prima de Naruto. — Reconheceu seriamente.

— Legal, mais alguém pra família! — a menina correu e se jogou contra o corpo da Uzumaki que ficou sem reação.

Onegai, Hanabi. — Hinata se apressou em tirar a irmã de cima de Karin.

A Uzumaki vestia casaco marrom por cima de um vestido negro, calçava botas de couro e o batom vermelho escuro ressaltava seus lábios carnudos.

O que chamava atenção no visual era o óculo grande de lente redonda e preta.

Ela era muito linda aos orbes perolados, o cabelo volumoso e ruivo tornava a imagem feminina majestosa.

A seriedade a tornava mais atraente.

A azulada não se perdurou em admirar a aparência da ruiva, pois se recordava do que Karin possivelmente fizera: Espalhou a história de seu pai.

— Sinto aparecer sem avisar. — A ruiva disse, enfiando as mãos nos bolsos do casaco.

— Hanabi, entre, quero conversar com a Sra. Uzumaki a sós. — Hinata empurrou a porta, parando de lado, abrindo espaço pra menina passar.

A menor se mostrou um pouco confusa, observou o rosto da ruiva uma vez mais, no fim resolveu obedecer à irmã.

Estava com vontade de mexer no celular, até o presente não mexera nele.

— Serei rápida. — Karin avisou após o encostar da porta. Fixava sua visão nas feições delicadas da moça a sua frente. — Compromete-se sinceramente a casar com Naruto?

— Tenho certeza. — Determinada, Hinata entregou sua resposta, tornou visível o fato de não se intimidar pela presença da Uzumaki.

Karin percebeu.

Notava a Uzumaki, o ar confiante da Hyuuga.

Decidiu abaixaro óculo expondo seus olhos inchados.

Inchaço de agressão física.

Hinata cobriu os lábios com as mãos.

Despreparada para ver tal cena.

— Minha nossa, quem lhe fez isso?!

A ruiva hesitou um pouco antes de entregar a fria resposta:

— Naruto.

Em perplexidade, a Hyuuga se guardou silenciosa.

Recuperando o controle de suas emoções, negou veemente:

— Não acredito em você, espalhou sobre o meu pai pelo colégio. Quer me prejudicar, já deixou claro que fará o possível para me afastar de seu primo. — Sua pele gelava-se muito além do que o outono permitia.

Karin foi a próxima a negar com veemência:

— O que? Eu não espalhei nada. Deixei de ir pro colégio por que Naruto me agrediu. Meu rosto estava pior do que isso uns dias atrás. Tive que me esconder em um hotel barato para não ter que explicar para ninguém o que aconteceu, não quero que meu primo seja preso ou internado.

— Por que ele lhe agrediria? — Hinata demonstrou resistência em crer na palavra da Uzumaki, alimentava apenas dúvida e mais dúvida.

— Por que contei a ele que me recusava a aceitar essa ideia de casamento, ameacei-o a romper o noivado caso contrário eu colocaria você na boca de todos do colégio, só que ele apertou meu pescoço e depois me golpeou. Ele não quer mais receber minha visita.

A dor se impregnava nos inchados olhos da Uzumaki, e Hinata soube que Karin repassava na memória aquele momento difícil.

A Hyuuga a observando, tentava imaginar quão sofredor era ser agredida por alguém que tanto amava.

Preocupada, Hinata comentou:

— O Naruto está sem receber injeção de ti durante esses dias. Por isso... ele a agrediu.

— Acredita em mim, Hyuuga?

Os orbes escarlates se encheram de esperança.

Os perolados fincaram-se nos orbes vermelhos.

Hai. Naruto tem me perguntado como vão as coisas no colégio, até lhe mencionou, queria saber de você. Desconfiei que Sakura ou Rin tivessem comentado sobre os alunos que estão me perseguindo ou da discussão entre nós duas, mas agora eu sei o porquê dele me questionar a respeito. — Concluiu, abraçando o próprio corpo.

A Uzumaki não ocultava o alívio, não teria trabalho para convencê-la.

— Amanhã irei à clínica... lie. Nós vamos. A uma clínica onde atua um dos doutores que examinou o caso de Naruto, quando esteve internado no hospital psiquiátrico. Esse doutor é um amigo da família Uzumaki, e me fornece os medicamentos que preciso aplicar no meu primo. Precisamos atualizá-lo da situação.

— Faz... faz questão da minha presença? — Hinata perguntou, surpresa.

— Hai, já que sinto que não poderei separá-la de meu primo, é preciso que você se inteire da condição de Naruto. E se for você... acho que será mais fácil convencê-lo a continuar recebendo o medicamento. Ou a receber um novo medicamento, creio que será necessário mudar a dosagem, mas precisamos conversar com o doutor primeiro.

— Ha-hai, arigatou por me informar, certamente, irei com você. E... farei Naruto perdoá-la.

— Lie. Tudo bem. Está na hora de eu viver sem ele. — Karin andava em direção a saída do corredor. — Venho lhe buscar amanhã depois da aula. Mantenha segredo de todos, principalmente, do Naruto.

— Não esconderei isso dos meus amigos, eles estão me defendendo muito, principalmente de alunos que querem me prejudicar pelo que meu pai fez.

A Uzumaki girou nos tornozelos e fitou a Hyuuga, de frente.

— Conte depois que retornarmos da clínica. Se souberem antes poderão me impedir de levá-la comigo, pois podem acreditar que estou tramando algo. É melhor que não percamos tempo.

Hinata pensativa balançou a cabeça em sinal positivo.

Não acreditava que Karin tramava algo, no entanto, não seria bom perder tempo tentando convencer seus amigos.

Viu a ruiva se afastar e depois devagar volveu para sua porta, pensando:

— “É por você Naruto-kun... é por você.”.

*

*

*

A Uzumaki usava novamente seus óculos grandes e pretos.

Seu cabelo expandido e um casaco longo por cima de uma calça e camisa preta.

Seus sapatos possuíam listras laterais vermelhas.

Karin estacionou o veículo preto do outro lado da rua, onde se situava o condomínio.

Somente de manhã cedo era que se deu conta de que era sábado.

Dissera à Hyuuga que levaria ela a clinica depois da aula.

Sem aula no sábado, antes das dez, chegara ao endereço de Hinata.

— Eu esperava que você viesse mais cedo, ontem à noite me dei conta que era sexta. — Hinata dizia depois de receber a ruiva em seu apartamento. — Acabei de voltar da colina, Hanabi se divertirá muito com Naruto. Juro que ele não desconfiou de nada, não fiquei nervosa. — Apenas se sentia ruim por mentir.

— Isso é bom. — Karin se deteve diante da azulada. — Escute, Hyuuga. Eu tenho um plano.

— Plano?

— Antes de irmos à clínica, preciso que conheça os pais de Naruto.

Os orbes lua ressaltaram, difícil de assimilar o que escutou.

— Os... os...

— Sei que é repentino, mas precisamos fazer isso. Só preciso que me deixe guiar meu plano. — A Uzumaki estremeceu entre seriedade e imploração.

— Q-qual plano?

— Apenas em nenhum momento me contrarie diante meus tios. Peço a mesma confiança que depositou em mim ontem. Prometo que mais tarde, a caminho da clínica, eu explicarei.

Hinata não recusaria estando naquele patamar, já havia mentido para seu noivo, não recuaria. Concordou:

— Certo.

Dentro do automóvel, enquanto Karin dirigia e ao mesmo tempo, através da ligação pelo celular, tentava remarcar a visita para clinica em um horário mais adiantado, Hinata enchia sua cabeça, pensando nos futuros sogros e o papel deles no passado de Naruto.

*

*

*

A mulher jazia deitada de lado, no divã, usando o braço esquerdo como suporte para a cabeça e a mão espalmando a lateral da face.

Com a outra mão segurava o fino e longo cigarro preto entre dois dedos, afastava-o quando expelia a fumaça e o aproximava para tragá-lo.

Vagarosamente, realizava esses movimentos.

Seus cabelos vermelhos e brancos eram adoravelmente compridos e espalhavam-se atrás, alguns fios desciam na frente dos ombros, seriam mais belos se recebessem melhores cuidados.

Deixara de pintá-los há meses, existiam-lhe mais cabelos brancos do que ruivos.

Há beleza padrão no corpo feminino, podia-se notar a cintura fina sob o vestido preto de decote reto e as formas arredondadas dos quadris e as curvas das pernas.

Seus orbes azulados escondidos pelos óculos grandes e de lente preta, focavam-se no lustre cristalino, nada mais lhe interessava observar.

O marido usava suéter verde e calça de linho. Ao contrário da esposa, cultivava entusiasmo. Seus orbes azuis possuíam um pouco mais de vivacidade, um sentimento esperançoso o erguia. Seus cabelos possuíam um fraco tom loiro, a branquidão da idade caía sem piedade sobre os fios.

Os dois, seguramente, se cuidassem da aparência poderiam ainda parecer adultos na casa dos trinta, contudo, considerando a situação, era nítida que o visual não era nenhuma opção da lista de prioridades em suas vidas.

— Nossa sobrinha enfim retornará ao nosso lar, ela me ligou ontem avisando que trará a nossa futura nora. – Avisou esfregando as mãos sem ocultar a ansiedade, andando de um lado a outro. – Bem que eu queria que o próprio Naruto nos apresentasse à noiva.

— Ex-noiva, Minato. – Corrigiu-o, expulsando mais fumaça. – Uma jovem pobre se interessar por um estranho a morar numa tenda? No topo de uma colina abandonada? É difícil não pensar que seja somente interesse. — Enojara-se. — Argh, a chame de novo de “futura nora” e eu vomitarei.

— Escute o que você mesma disse “Uma jovem pobre se interessar por um estranho a morar numa tenda, no topo de uma colina abandonada” onde existe interesse nisso? Como ela saberia que Naruto possui familiares enriquecidos?

— Por KAMI, Minato! Eles estão juntos por quanto tempo? Não se iluda. De repente, PÁ! “Vamos nos casar”? – sendo brusca, sentara-se no divã. – O povo é curioso, de uma forma ou de outra se descobrem essas coisas. Os paparazzis, eles nunca descansaram esses anos todos. “Essazinha” pode ter investigado a vida de Karin, ter ganhado qualquer pista, sei lá. Amor puro é que não é!

A face do Sr. Namikaze nublou-se.

— Acha que nosso amor não é puro? Afinal.... você sempre ganhou mais dinheiro que eu...

— Não comece, com a gente é diferente, nos conhecíamos desde a infância. — Kushina abandonou o cigarro sobre a mesa de centro.

— Nosso filho quase pulou da colina. Hoje, se ele estivesse morto você não se arrependeria de não ter cedido à vontade dele? O meu medo foi tanto querida..... – Minato passou as mãos pelos cabelos. – Naruto não deixaria qualquer um se aproximar dele. Essa moça... sente algo verdadeiro por ele, acredite querida...

— Não seja ingênuo! – vê-lo defender a pessoa que nem havia conhecido ainda, esfarelava-a. – Caindo fácil nessa historinha de contos de fadas, que decepção Minato, pensei ter escolhido um marido inteligente. Ser professor aparentemente não quer dizer nada hein!

— “E eu não esperava que você congelasse seu coração”. – O aposentado restringiu as palavras em pensamento.

O silêncio perdurou a seguir até escutarem a campainha, ele se apressou em atender a porta.

Vislumbrou-se com a imagem que acompanhava sua sobrinha.

Aquela moça, de certo, exalava delicadeza.

— Sejam bem vindas, você é linda. — Recebeu-a com um abraço carinhoso e aquecedor.

Arigatou. — Hinata corou, Minato era um homem belo demais para sua faixa de idade, havia muito que dele Naruto herdou. — Sou Hinata Hyuuga.

— Hyuuga. — O Namikaze afastara-se devagar da figura feminina, reflexivo.

A perolada sentira um frio na espinha.

Karin prendeu-se em seriedade.

— Nome bonito. — Ele complementou. — Venha, entre.

Os ombros da Hyuuga relaxaram e a Uzumaki destravou o maxilar.

— Karin, não acha que é um visual muito pesado tão cedo pela manhã? — o homem perguntou-a.

— Lie, estou sentindo muito frio. E essas cores são a moda de outono. — A Uzumaki em parte não mentiu. Aproximou seus óculos para mais perto do rosto. Certificando-se de que as lentes grandes seguiam cobrindo a maior parte de sua cara.

— Puxou à família mesmo, sua tia está com visual parecido. — Minato quase é vencido pela tristeza ao brincar com a aparência, pois sabe o porquê de Kushina ocultar os olhos. Fechou a porta após as duas entrarem, e se apressou para ultrapassá-las e chegar primeiro ao centro da sala, realizou as apresentações: — Hinata Hyuuga, essa é minha esposa Kushina Namikaze. Veja querida, ela lembra um pouco Shion.

A ruiva lançou rápida observação sobre a tímida imagem da azulada, comentou:

— Seria bom se Naruto escolhesse Shion.

O Sr. Namikaze franziu a testa, incomodado pelo indevido comentário da esposa.

Kushina se inclinou, estendendo o braço alcançou a mesinha central sobre a qual possuía a coleção de martini que precisava.

Encheu um dos copos pequenos com a bebida e o virou na boca só de uma vez.

Hinata sentia o cheiro de cigarro.

Fumar e se alcoolizar, duas coisas que detestava.

Teve pena vendo a linda mulher a exprimir desagrado tentando suportar o momento com aquele hábito nada saudável.

Talvez fosse o passatempo dela.

De qualquer modo, triste.

Era notável que a mãe de Naruto não estava feliz.

E o pai dele, esforçava-se em carregar positividade.

— Gostaria de alguma coisa? — Minato ofereceu. — Temos diversos tipos de bebidas, não precisa ser alcoólica. E temos quatro opções de aperitivos antes do almoço.

A perolada hesitou.

Karin agarrou a mão da Hyuuga.

— Não podemos ficar. Trouxe Hinata para uma conversa rápida. Levarei Hinata à colina, pois conversarei com ela e Naruto. A Hyuuga ainda não conhece a história dele e me encarregarei de colocar juízo na cabeça de ambos.

Hinata estampava o embaraço em seu rosto, era claro que sabia do passado de seu noivo, contudo, recordara-se de que precisava confiar no plano da ruiva, por isso não a contradisse.

Minato meio que se desanimou.

— Contanto que faça bem ao meu filho.... — Dissera ele à visitante que o sorrir tímida.

— Confio em você Karin. – Kushina segurava novo copo cheio de martini. – Eu não irei até aquele fim de mundo que é a colina, de modo algum.

O Namikaze capturou as mãos de Hinata, surpreendendo-a:

— Enlouquecemos querendo ir atrás de Naruto ao sabermos que ele tentou pular da colina, mas Shion nos assegurou que ele ficou fora de perigo, nos acalmando um pouco. A colina é um assombro aos nossos corações, porque aquele lugar é onde Naruto considera o verdadeiro lar e é doloroso para os pais saberem que o filho é mais feliz num lugar distante e abandonado do que perto da gente.

— Naruto é muito teimoso... — Murmurou a ruiva no divã.

A Hyuuga lamentou a distância entre pais e filho.

Em cima do criado mudo, uma fotografia muito bem moldurada foi perceptível para seus perolados que reconheceram a imagem de uma Kushina mais jovem e cheia de graça.

Minato, lentamente, a soltou e ele sorriu em direção para onde os orbes perolas se hipnotizavam.

Kushina sentada no divã era uma mulher de cabelos lindos, mas bagunçados.

Corpo curvoso, porém mais magra que o adequado e de pele macia, contudo, pálida demais.

— Duvidando que seja a mesma pessoa? — a Sra. Namikaze flagrou a observação da visitante.

Lie....

Kushina saindo do divã arrancou os óculos da cara expondo a pele escura abaixo de seus olhos cansados, e neles a marca de tanto choro que a atacou desde que soubera que Naruto quase pulou da colina.

O sofrimento de uma mãe que a qualquer segundo podia perder o filho, a dor materna de uma mulher que é impedida pelo próprio fruto de vê-lo.

O rosto magro e envelhecido dez vezes mais pelo sofrimento causou um embolo na garganta de Hinata que não fez outra coisa a não ser permanecer estática.

Minato quis abraçar sua esposa, no entanto, conteve-se sabendo que no mínimo seria repelido com duras palavras.

— Memorize, essa que está diante de seus olhos é uma mãe que nunca deixou de sofrer pelo filho e que impedirá qualquer interesseira se aproveitar do estado no qual ele se encontra. — Discursou Kushina sem piscar, fincando todo o peso de suas palavras através de seus escuros orbes oceânicos.

A Hyuuga queria dizê-la algo, mas lhe restou os pêsames pelo estado da Sra. Namikaze.

Suspeitara que qualquer coisa que dissesse não seria convincente à mãe feroz e abatida a sua frente.

Kushina retornou a se deitar no divã, pegando um novo cigarro e voltando a observar o lustre, agora sem os óculos.

Karin saiu da sala puxando Hinata pelo punho, ao cruzarem a porta, o Namikaze as seguiu.

Fora da construção, ele as alcançou para dizer à noiva de seu filho:

— Onegai, Hyuuga, não guarde nenhuma oposição sobre nós. Não posso abandonar Kushina, mas não concordo com o que ela pensa. Naruto precisa de pessoas especiais por perto, faça meu filho feliz. Não desista dele, por favor... não desista...

— Farei... — Hinata assegurou, curvando-se em agradecimento pela confiança.

Karin se dirigiu ao automóvel e ao abrir a porta, fincou seus orbes através das lentes na imagem da perolada, esperando-a entrar no carro.

A Hyuuga hesitou, séria, correu de volta para dentro do casarão, escutou o chamado exclamador da prima de Naruto, mas teve que ignorá-la, pois precisava dizer o que não conseguiu momentos atrás, dizer para Kushina Uzumaki Namikaze. Mesmo que suas palavras não soassem convincentes se sentiria mais leve ao soltá-las.

Parou diante a mesinha central, de frente ao divã capturando a atenção apática da ruiva.

Kushina ergueu as sobrancelhas, em estranheza, após alguns segundos silenciosos da perolada.

— Amo o Naruto! Ele prometeu que seremos felizes e acredito. Desconheço quantos problemas a mais enfrentaremos, mas não me afastarei dele. — Sorriu passando a mão por trás dos cabelos. — Ele quer ter oito filhos, até escolheu os nomes, mas neguei, bato o pé e nego sempre, oito filhos é muito. Pretendo entrar em uma boa faculdade, conseguir uma boa carreira, minhas notas são ótimas, sei que tenho potencial para garantir conforto ao meu futuro marido e minha irmã menor. — Limpou uma lágrima que lhe escorreu do lado direito. — Ele fez alguns serviços para conseguir nossos anéis de noivado. Já está decidido que morará comigo depois que nos casarmos, conseguirei inseri-lo de volta ao convívio social, mas isso não quer dizer que ele precisa voltar a ser o Naruto “inteligentão e sério” de antes... ele de alguma forma sabe que tentarei ajudá-lo a ser aceitável socialmente, embora não se preocupe com isso. Se você e seu marido quiserem me ajudar nessa jornada, serei eternamente agradecida. — Curvou-se.

Minato estava quatro passos atrás da azulada com as mãos no peito, ouvira a tudo emocionado.

Kushina nada dissera, apenas se virou no divã, continuou deitada de lado, só que agora, de costas para a visita.

Hinata saiu do lar dos Namikazes, satisfeita.

De Karin recebeu olhares questionadores, porém terna se limitou a sorrir.

*

Dentro da SUV, Hinata pensava nos pais de Naruto.

Empós dez minutos de desligar o celular, Karin se mitigava por conseguir adiantar o horário de sua visita à clínica, e também ponderosa escolhia as futuras palavras para se explicar à Hyuuga:

— Desculpe por mentir.

Hinata arrastara-se para fora de seus pensamentos, fitou o perfil do rosto da Uzumaki.

Reparou que ela dirigia exercendo um pouco mais de força que o necessário.

Karin seguiu dizendo:

— Usei uma estratégia, eles não podem desconfiar aonde vamos e o que faremos hoje. O casamento é uma tamanha notícia, revelando sobre ele, o Sr. Minato e minha tia confirmam a confiança que possuem em mim, isso me assegura de que eles pensem que eu não escondo mais nada deles.

Hinata compreendeu e criou uma dúvida:

— O que disse pra eles, enquanto esteve no hotel, esperando...

— Esperando minha cara ficar um pouco melhor? Sou independente, tem temporada que fico arranjando vários trabalhos por aí, já fiquei várias semanas sem voltar pra antiga casa de Naruto. — Fez uma curva acentuada na estrada. Hinata teve que se apoiar, mesmo com o cinto de segurança prendendo seu corpo. — Você se saiu bem, uma vez mais, eu agradeço por confiar em mim.

A Hyuuga assentia, só gostaria de ter sido avisada antes de conhecê-los, participaria melhor do plano.

— Me sinto péssima em começar minha relação com eles, escondendo algo importante. — A Hyuuga lamentava, tentando equilibrar sua atenção entre o modo preocupante que a ruiva dirigia e a conversa.

— É para o bem de Naruto. — A Uzumaki reafirmou. — Por ele vale a pena, certo?

— Com toda certeza.

*

*

*

Hinata perdera o ar, diversas vezes, durante a explicação do doutor, sobre a condição de Naruto.

Ele repassava as informações que coletou até a última vez que examinou o Namikaze.

Sob o ponto de vista médico, aumentava a noção da Hyuuga, do quanto era preocupante a situação de seu noivo.

Após finalizar seu relato médico, o doutor se pusera a escutar as jovens que se alternaram para explicar o que viera acontecendo com Naruto.

Era sempre importante ser informado quanto ao comportamento do paciente, por meio de quem mantinha uma convivência com o próprio.

Após elas terminarem de contar tudo, ele soltou um suspiro.

— Eu sei que não querem escutar isso, mas de acordo, com todas as informações que me repassaram, não vejo outra sugestão melhor que a internação.

Determinou o doutor Kabuto Yakushi, ele tinha pele clara, usava óculos de grau, de arame grosso e preto. Seus cabelos eram compridos e de cor branca, apesar de não ser velho. Recentemente, completara trinta e três anos.

A mesa do consultório o separava das jovens.

Seriamente, fitava-as e continuou:

— Ainda que as recaídas dele sejam poucas, é o suficiente para considerar a possibilidade de internação, creio eu, que em um período bem curto com Naruto internado, será o suficiente para a remissão dos sintomas.

— Período curto, quer dizer, meses? — Hinata perguntou.

— Uns cinco anos. — Ele respondeu.

As mãos da Hyuuga se cerraram, com força.

Karin fechou os olhos, em lamento.

Para Naruto, seria muito. Ele jamais aceitaria.

— Posso mexer os pauzinhos e reduzir esse tempo para no mínimo dois anos. — O Dr. Yakushi ofereceu sua ajuda, a qual ele sabia que fugia da ética. — Eu já arrisquei meu emprego durante anos pela família Namikaze, seria apenas mais um risco que eu estaria correndo. Mas é o máximo que posso fazer, nessa atual situação.

Apenas um pingo de esperança brotou no coração da Hyuuga, um pingo que logo secou, tratou de não alimentar otimismo, pois em sua mente, antecipava-se uma resposta, de que Naruto não aceitaria permanecer nenhuma semana internado, quem dirá dois anos.

Dois anos, também ainda era muito para o mágico.

— Não posso continuar aplicando os mesmos medicamentos? — Karin questionou.

— Não posso entregar uma certeza. Eu teria que avaliá-lo. — Kabuto respondeu, retirou o óculos e pegou um pequeno pedaço de tecido, e começou a limpar suas lentes. — Apenas deduzindo, eu diria que ele precisa de dosagens mais fortes, porém é um risco muito grande modificar o medicamento sem examiná-lo. Pode ser que isso agrave o estado dele. Por isso, é mais seguro a internação, onde poderemos ter certeza, de qual dosagem correta ele precisa atualmente. — Pondo os óculos de volta, em lamentoso tom, completou: — E manter a mesma dosagem pode não adiantar de nada, se ele de fato precisar de uma dosagem maior. Nessa situação, o mais responsável que posso ser, é lhe entregar a dosagem de sempre.

A ruiva assentiu, não podia cobrar muito do doutor, ele fazia sempre o que podia, ultrapassando o código de ética de sua classe profissional.

No momento que as jovens se retiravam, Hinata olhou para trás e observou a expressividade de "boa sorte" do profissional da saúde.

Kabuto Yakushi não transparecia esperança quanto à melhora do estado de Naruto.

*

*

*

Após a saída da clínica, Karin dirigiu até o parque, Hinata foi até a colina, buscar sua irmã, e convidou Naruto para passar a noites com ela, no condomínio.

Ele aceitou.

E foi mais uma noite feliz para Hanabi que brincou muito com o loiro.

No horário de dormir, Naruto de lado deitava-se na beira do futon, apoiado pelo cotovelo sustentando a própria cabeça, a mão que estava livre acariciava repetidas vezes as costas da noiva.

Hinata deitava a cabeça de lado sobre seus braços cruzados, seus serenos perolados pousavam sobre o noivo, apreciando o contato do amado.

Ambos cobertos até metade de seus corpos em seus respectivos leitos vestiam conjunto de algodão.

Hanabi adormecia, agora sobre o futon que o mágico arranjou pra ela, em posição toda aberta com uma baba lhe escorrendo pelo canto da boca.

— Não está totalmente curado. — A Hyuuga comentava em voz baixa.

A mão masculina se imobilizava no meio da costa da amada.

— Você agrediu Karin. — Ela abaixou as pálpebras ao revelar o que sabia.

O mágico taciturno recolheu sua mão, em lentidão se deitou de peito para baixo imitando a posição de Hinata.

Empós uma pausa de dez longos minutos, ele usou o mesmo timbre baixo:

— Eu pretendia lhe contar. — Só não teve a coragem necessária, pois sabia que ela se preocuparia com seu estado mental. — Estava esperando ao menos você terminar o último ano colegial.

— Você precisa ser tratado de algum modo, Naruto-kun. — Ergueu suas pálpebras, revelando suas pérolas brilhantes de lacrimejar.

Ele identificava na voz feminina a inclinação para um possível choro.

— Me vigiarei, prometo. Posso me desculpar com Karin. — A seguir, ele acrescentou a contragosto: — Peça para ela me injetar novamente, se quiser que eu tome alguma pílula, que eu faça algum exame... aceitarei.

Hinata ergueu a parte superior do tronco se apoiando pelos cotovelos.

Arredou-se mais para o lado do noivo, assim alcançava a face dele com sua mão direita.

Exame, pílulas. Nada se comparava a uma possível internação.

— O que sentiu ao agredi-la?

— .... — Ele fechou as pálpebras, não podia encará-la. — Não lembro.

— Naruto. — Ela implorava, queria entrar na mente dele.

— Eu não lembro. — Ele reforçou. — Quando busco na memória, apenas vejo o rosto dela machucado e uma sensação de raiva sobre meu corpo.

Ela é uma ameaça para sua vida, está ameaçando a paz que deve existir entre você e Hinata.

Escutou a voz novamente, as mesmas palavras ditas, quando sua prima esteve presente pela última vez. Cerrou os punhos.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— O que mais, Naruto? — a Hyuuga precisava saber contra o que ele lutava. — Lembra de outro detalhe?

Ele abriu as pálpebras.

— Eu consigo dominar. — O U. Namikaze assegurou. — Falhei uma vez, mas agora sei o que preciso fazer. Se quiser, converse com Karin. Aceitarei a injeção de bom grado, algum exame, um novo remédio. Apenas.... vamos continuar vivendo como agora, até o nosso casamento.

Ele implorava.

A perolada apertou os lábios, deslizando sua mão ao ombro e pela lateral das costas do seu amado.

Após alguns minutos silenciosos, sentou de joelhos parando as mãos nas coxas.

— Será sempre assim, Naruto? — Exerceu controle sobre suas emoções, a vontade de choro foi vencida. — Você recebendo injeção a cada mês....

— O que tem em mente? — ele também sentava sobre seu futon, pegou uma mecha azulada e brincou com ela. Seus azuis pararam na imagem feminina, sempre apreciando a beleza dela, a aura, a energia.

Hinata acariciou a mão masculina que brincava com seu cabelo.

Ela respondeu:

— Consultas com psicólogo. Algo que possa melhorar sua condição. Apenas para aumentar a segurança se você estiver na presença de alguém que possa.... causar... um comportamento agressivo.

Que doloroso ouvir, Naruto comparava como se agulhas fossem introduzidas em seu coração.

Era notável que sua noiva o considerava um perigo.

— Se eu continuar do jeito que estou... me deixará? — ele questionou, olhando pra baixo.

— Jamais. — Hinata alcançou a outra mão dele.

— Nem se temer por Hanabi?

— Sei que não agrediria ela, nem eu.

Um sorriso de canto brotou nele.

— Enfim, me considera uma pessoa enlouquecida. Como todos os outros. — Não a culpava, afinal agrediu uma pessoa. Uma pessoa que se preocupava com ele.

Mas sua prima nunca acreditou em magia.

Ela será uma péssima influência, puxará Hinata de volta para a realidade.

Karin sempre cuidou de ti, Naruto. Ela o vê como um parente que precisa de cuidados médicos, é um paciente nas mãos dela.

Hinata com o tempo o verá sempre assim. Você não proporcionará proteção a ela, ela será sua proteção.

Os orbes azuis tremularam. Almejava espantar a voz.

— Não faça essa cara, onegai. Já tivemos essa conversa antes, quando descobri sobre sua vida colegial. Não confia em mim? — Hinata se aproximou mais, ficando de joelhos para abraçá-lo, pressionava suavemente o rosto do amado contra seu peito. — Você quase pulou da colina... eu quase o perdi. Eu não imaginava que pudesse agredir alguém. — Suas lágrimas venceram, caíram em forma de um choro calmo.

Naruto a abraçou aliviado por ela não desconfiar que sua expressão era pelo conflito interno que vivenciava.

Psicólogo.

A idéia o repugnava. No mínimo acabaria parando nas mãos de um psiquiatra.

— Dei-me um tempo querida, dei-me uma nova chance.... se eu falhar novamente... eu aceitarei.

Hinata não queria dar essa nova chance, queria melhorar a condição de seu amado o quanto antes.

Sendo abraçada por ele permaneceu quieta até adormecer.

Acabou para você Naruto, será levado de volta ao mundo programado das pessoas que não creem em magia e sua querida noiva será a ponte.

*

*

*

*Diário de Hinata *On*

Okaa-san, estou preocupada com a prima do meu noivo. No dia posterior que visitamos a clinica, ela aplicou a injeção em Naruto, ele pediu desculpas, embora corporalmente contido. Ela não expressou nada além de lamentação e desde esse domingo, Karin-san se ausentou. Faltou as duas últimas provas. Acho que ela está esperando a marca do olho sumir, completamente. Eu gostaria que ela me mantivesse em contato.

Meus pensamentos estão agitados. Também me encontrei pensando constantemente no mistério sobre quem espalhou a história de meu pai, agora que tenho certeza que não foi Karin-san. Tudo me leva a concluir que poderia ter sido qualquer um que tivesse um familiar que se prejudicou pelo que meu pai causou e que enfim descobriu que uma parente de Hiashi Hyuuga estudava pela manhã no colégio Konoha. Provavelmente, um dos estudantes do turno da noite.

As coisas na tenda vão super bem, no início me entristecia por dentro, me esforcei para não transparecer diante de Naruto, eu queria muito melhorar a condição dele agora que sei do que se trata seu comportamento. Contudo, as coisas progrediram normalmente e fui deixando de ficar vigilante no meu subconsciente. Mais uma coisa que me causava profunda dor era isso, Naruto sabia que eu agia vigilante mesmo dizendo que confiava nele, era uma ação instintiva minha, não conseguia impedir. Ele em nenhum instante demonstrou tristeza, irritação ou qualquer outra emoção por esse fato. Continuou sendo esse homem sorridente que traz alegria para mim e Hanabi.

Como o amo, okaa-san. Como o amo.

*Diário de Hinata*Of*

*

*

*

~18/12/2010

~Sábado

~09: 17h

Acordara tendo a deliciosa sensação pelo corpo nu.

Os toques, os beijos e o cheiro de Naruto percorriam toda a extensão de sua delicada pele.

O avançado tempo à fizera acordar e descobrir que a péssima realidade mostrava que seu amado ausentava-se.

Tudo o que sentira nos segundos recentes foi produto das lembranças frescas da noite de amor compartilhada com seu mágico.

Sentando-se no futon, levantou o lençol para cobri-la até o peito, enrolada nele se encaminhou ao banheiro.

Pelo espelho viu as marcas vermelhas no pescoço.

Tremeu de excitação ao se lembrar como foram feitas.

O bom de estar numa estação fria era que precisava usar peças as quais cobriam muito da pele, naquela manhã, por exemplo, optou por camisa de gola alta e mangas aos pulsos.

Olhou-se no espelho, a saia longa e ajustada no corpo moldava suas curvas.

Por baixo, sua meia calça e nos pés, sapatilhas.

Achava-se bonita, sempre que seu loiro a amava intensamente, sentia-se como a mulher mais bela e amada do universo.

Apreciava mais sua figura no reflexo.

Vinte minutos mais tarde, no corredor do condomínio, encontrou Hayate retornando de lá fora, trazendo uma sacola de pães.

Ele afastou o cachecol verde claro da boca para comentar:

— Indo atrás do noivo, hein. Ele saiu cedo.

— Vou buscar minha irmã, está com uma amiga. — Revelou, esboçando sorriso.

— Certo, precisa ter um tempo com o noivo. — Hayate dissera antes de entrar em seu apê. De dentro de lá, desejou alto: — Tenha um bom dia!

— A-arigatou! — retribuiu apressada, corando completou em volume menor: — Po... pro senhor também. — Seguiu andando, dessa vez em ritmo mais rápido, constrangendo-se. — “Será que ele sabe o que eu e o Naruto fizemos?

Esfregou o rosto, tentando espantar a vermelhidão trazida pelas últimas lembranças ardentes.

Quando chegou ao lar de Sakura, a caçula estava acordada e sentava junto com a Haruno no sofá, assistiam “O rei leão” na TV de plasma.

Sorridente, a rosada recebeu a amiga, seus esmeraldinos rotundos em contradição com seus lábios, exibiam-se cansados.

— Manaaa, sente com nós, agora que eles cantarão Hakuna Matata. — Hanabi ansiosa remexeu seu bumbum no sofá.

— Vim aqui buscá-la, não para assistir filme. — Hinata contradisse, entristecendo a menina.

— Deixa ela terminar de assistir o filme, vamos para a cozinha. — Sakura segurou a mão de Hinata a guiando ao outro cômodo da casa.

A criança Hyuuga se animou ao saber que veria o filme até o final. Sacudiu as pantufas de panda que dentro de seus pés tornavam-se imensas já que eram de tamanho adulto.

O corpo da Haruno se cobria por pijama rosa de listras verticais brancas e calçava pantufas de hipopótamo.

Mesmo com os cabelos rosados bagunçados, Hinata achava a beleza da amiga inalterável.

Chegando à cozinha, a rosada soltou a mão da amiga e foi ligando a cafeteira.

Seu lar não tinha nada tradicionalmente japonês.

As opções para o café da manhã também não.

A azulada puxou um dos bancos altos e sentou nele diante o balcão.

— Gostaria de leite ou creme? — Sakura bocejou a pergunta.

— Um pouco de... creme. — Teve vontade de experimentar. — Lamento, a noite foi muito puxada para você?

A Haruno se encaminhou à geladeira durante seu responder:

— De modo algum Hina, eu aceitei ficar acordada até tarde com sua irmã, eu não conseguiria dormir mesmo. — Abriu a porta do eletrodoméstico e enquanto procurava pelo pote de creme, seguiu dizendo: — Minha cabeça se enchia de preocupação, então meio que usei Hanabi para me distrair. Até me sinto mal por isso sabe, sua irmã gosta muito de atenção.

— É. — Esticava os lábios. — Antes do Naruto eram raras as vezes que eu brincava com ela, e na escola não tem muitos amigos, bem, deve ter feito mais agora que age mais comunicativa. — Seus perolados miraram o sofá, onde Hanabi prendia toda atenção na TV. Volveu sua atenção à Haruno: — Se preocupa com os resultados das provas? Acha que foi ruim?

Sakura de voltou ao balcão com o pote de creme, respondeu-a:

— Lie, sei que me saí bem. Ando preocupada com o meu namorado. — Suspirava, começando a separar umas torradas. — Quer um copo de água antes do café?

— Não precisa, arigatou. — Hinata se concentrou no assunto: — Algum problema aconteceu?

— Comigo não. Com ele não sei. Sasori está meio distante, acho que é porque ando me encontrando com Sasuke já que ele está frequentando as aulas de mágica. — Colocou as torradas em um prato e um pote de geleia ao lado dele, oferece-os à Hyuuga. — Ciúmes né. Por um lado é bom saber que Sasori gosta tanto de mim. Espero que seja só uma fase. Sasuke quase não conversa comigo. Tem vezes que trocamos palavras lado a lado, durante as aulas de Naruto, mas nunca transformamos em uma conversa pessoal. Sasuke está respeitando o meu espaço. — Aprontando o café, serviu à amiga. Revelou com a voz fragilizada: — Já faz quase uma semana que não vejo Sasori. A última mensagem que me mandou... dizia que assim que se organizasse, viria me ver.

— O que ele quis dizer com se organizar?

— Acho que só esperando a cabeça esfriar. — Sakura separou seu café da manhã. — O que aconteceu foi que Sasori e eu apresentamos várias peças de marionetes para o público infantil, um dia falei que eu me sentia especial fazendo isso e ele disse que ficava feliz por compartilharmos esse momento. Até que... um dia depois, ele chegou na tenda e me viu apresentar ao lado de Sasuke alguns truques de mágica às crianças. Esse foi o estopim para Sasori que desde então se distanciou.

A Hyuuga recordava, foi uma tarde maravilhosa aquela, foi o dia que comprovou que os boatos ruins sobre seu noivo quase não existiam mais, muito público visitou a tenda naquele dia.

Hinata verbalizou:

— É, eu lembro, tentei cumprimentá-lo, mas Sasori-kun... apenas virou as costas e foi embora irritado. — Sugeriu: — Faz uma visita a ele, tire um dia só seu e dele. É maravilhoso quando se tem um dia inteiro apenas de casal, você se sente renovada. — Pegou uma colher pequena e abriu o pote de creme, tirou uma porção e afundou no seu café.

A Haruno pensativa sorriu.

— É uma boa idéia, acho que farei isso amanhã, uma visitinha surpresa cairia bem. — A Haruno deu sua primeira sorvida no liquido quente e a seguir, sorriu maliciosa. — E aí, o Naruto está melhorando?

A azulada corou, era sempre assim, as amigas sempre pediam detalhes após uma noitada com o mágico.

Privando-se de palavras, a Hyuuga apenas puxou a gola da camisa mostrando as marcas vermelhas.

Os olhos verdes brilharam.

— Eu quero detalhes. — Sakura exigiu, espalmando a mão direita, fortemente, no balcão.

Hinata espiou Hanabi, depois arredou seu banco para mais perto da rosada, ficando bem do ladinho dela e se preparou para contar tudo, enquanto a amiga se preparava para ouvir tudo.

*

*

*

~10: 30h

A caminho do lar, Hinata aproveitou para passear com a caçula em uma praça, e em um momento para descansar sentaram sobre um banco marmorizado.

— Hanabi-chan. — Acariciou o lado do rostinho redondo. Recebendo a curiosidade estampada na face da menina, alertou-a: — Tenho algo importante para lhe dizer.

— O que é?

Hinata descreveu sobre o problema psicológico de Naruto.

Escolheu cuidadosamente as palavras, facilitando o máximo possível para o entendimento da criança.

Hanabi nutriu estranheza e jazeu calada nos minutos seguidos.

A azulada se estendeu pensativa, selecionando o que dizer mais, fechando as mãos sobre os próprios joelhos.

Dolorosa, Hinata finalizou:

— Não acredito que Naruto possa agredir uma de nós, mas o problema que ele tem pode induzi-lo a.... machucar outras pessoas.

— Ele pode...? Acho difícil, passamos meses com ele e não nos fez nada, meu cunhadinho está curado.

— Hanabi. — A perolada pronunciou séria. Ergueu-se e se ajoelhou na frente da menina, segurando as mãos dela. — Antes de minhas aulas acabarem, Naruto agrediu a prima dele.

— A ruiva bonitona. — A pequena murmurou perplexa. — Foi por isso que nunca mais vimos ela?

— Acho que sim... mas ela vai aparecer de novo quando Naruto precisar.... receber um remédio especial. Pois Karin-san quem se responsabiliza por medicá-lo.

A menor arregalou os olhinhos, preenchendo a cabeça de lembranças boas, nas quais o mágico iluminou sua vida.

Naruto era uma pessoa tão feliz, tão cheia de vida, como pode ter um passado tão entristecido? Era muito para a mente infantil aceitar.

— Mana... se ele agrediu a prima, por que acha que com a gente será diferente? — com mais força, apertou as mãos, da irmã mais velha.

O peito da Hyuuga maior se comprimiu.

— Porque como você disse, convivemos com ele há meses sem saber da condição dele, e até depois que eu soube da agressão dele contra Karin-san, permiti que continuasse vivendo com a gente. Ela entende que ele não tem culpa. Naruto precisa de nossa ajuda.

A menina era vitimada pela constante sensação de surpresa. Na verdade, a ficha não caíra totalmente. Não parecia que estavam falando da mesma pessoa. O mágico alegre e gentil, agressivo?

— O que Naruto tem, tem cura?

— Pelo que entendi do Dr. Yakushi, não tem cura, mas é grave se não for tratado. O tratamento adequado ameniza os sintomas e a pessoa com essa condição pode viver sem grandes problemas.

— Ainda pretende se casar com ele, mana?

Hinata fitava a carinha inexpressível da menina, Hanabi só queria entender toda a situação, incluindo o que ocorria no seu interior.

— Eu o amo, não quero abandoná-lo. — Lacrimejou. — Naruto me mostrou uma nova forma de ver a vida e outra forma de acreditar em magia. Serei eternamente grata por isso. Mas o melhor de tudo.... é me sentir amada como mulher, ter encontrado alguém que se interligue comigo pelo coração. — Recuou suas mãos para segurar os próprios dedos e contemplar o anel de noivado com o detalhe em vermelho representando o fio vermelho do destino. — O amo demais, não desistirei dele. Nunca.

Hanabi também lacrimejava. Esfregando os olhos, perguntou-a:

— Se tiverem filhos, eles poderão ter... o mesmo problema que o Naruto?

— É possível. — Hinata respondeu, também limpando suas lágrimas. — Dependendo da situação, talvez não tenhamos.

Em primeiro instante, a menina se desanimou, o sonho de ter uma família grande e feliz do mágico jazia mais longe de acontecer, e doía assaz considerar que fosse melhor assim.

— Mana, se não desistir desse amor, eu também não vou desistir de sermos uma família, quero o Naruto nas nossas vidas. — Hanabi se jogou sobre a mais velha a abraçando com toda sua força. — Com ou sem sobrinhos, quero que fiquemos juntos.

O coração de Hinata abrandara-se, doces sentimentos levitavam ao escutar a caçula falar.

Como há muito não fazia, circulou a cintura da menor e a carregou no colo.

*

*

*

~16: 30

O mágico ensinava um número de apresentação ao seu grupo de aprendizes: Sasuke, Sakura, Rin, Hanabi e Hinata.

— Miram a imagem do urso? Quando ele é colocado no assento diante o plano de fundo preto, iniciem o jogo de luzes, ou façam o pedido de palmas, eu preciso somente de dois segundos, mas para facilitar, vocês podem fazer em cinco segundos. Quando o público puser o olhar novamente sobre o bicho de pelúcia, dessa vez, será o reflexo do espelho.

Eles começaram a manusear as linhas transparentes de nylon.

Vinte minutos depois, o clima se encontrava agitado.

— É muito difícil lembrar a posição de cada espelho, será um jogo de reflexos.... vou ficar confusa. — Hanabi se estressava pela terceira vez. — Eu sou melhor com elástico, tem outro truque de elástico, não?

— Não é tão difícil se você tiver lógica sobre como funciona o padrão dos reflexos. — Sakura achava a coisa mais simples do mundo, era a melhor entre os aprendizes. — O primeiro passo é memorizar os ângulos dos espelhos pela lona e pelo chão...

Sasuke resmungou algo, odiando o fato de se sentir burro perto da ex.

Rin começou a contar quantos espelhos se espalhavam ao redor.

Hinata riu bastante e entre seus risos trocou olhares com seu noivo, ele sorria abrindo espaço para uma gostosa risada também.

A tenda se preenchia de luz, felicidade, amizade e amor.

Após o término da aula, o pessoal permaneceu na tenda.

Sasuke, Hanabi e Naruto jogavam dominó, enquanto Hinata, Sakura e Rin conversavam ao tempo que lanchavam algo.

A Hyuuga mais velha pediu licença um momento e se levantou.

Abaixou-se ao lado da irmã, colocando bolacha na boca da menina que não queria parar de jogar por nada.

A menor mastigou de modo rápido e abriu a boca pelo lado, pedindo por mais pedaços.

Hinata revirou os olhos e colocou mais bolacha no paladar da caçula.

— Me dá um pouco de chocolate quente. — Hanabi pediu séria, colocando uma peça no jogo. Sentira o cheiro gostoso da bebida e seu estômago implorava por aquilo, mas sua mente ordenava ali no momento, estava estritamente proibida de abandonar o jogo.

— Está muito quente. — Hinata avisou.

— Eu aguento.

— Humpf. — A azulada assoprou bastante antes de levar o primeiro gole à boca da pequena. — Só isso, se quiser beber o resto, pare de jogar. Deixarei o pacote de bolacha aqui do lado.

— Tô quase ganhando mana, torça por mim. — Hanabi dissera, quando a maior se afastava dela.

— Tá legal. — Sem ânimo Hinata dissera de volta, preferia que a caçula desse um tempo do jogo.

Sentou sobre suas pernas, próxima de suas amigas que a esperaram para seguirem conversando.

— Estive pensando, agora que Ino está no nosso grupo, devemos fazer uma festa do pijama a incluindo. — Rin sugeriu empolgadíssima. — Essa noite mesmo.

— Eu apoio, agora veremos se ela aceitará, Ino se tornou uma ostra, Sai é o mais próximo que consegue de abri-la. — Sakura comentou.

— Deixe comigo, conseguirei arrastá-la. — A Nohara falara esfregando as mãos.

— Huuum, eu é quem deveria fazer isso. — A Haruno considerou se sentindo um pouco ruim. — Fui amiga dela há mais tempo que você.

— Quando você está perto dela fica tímida, parece que quer dar em cima de alguém. — Rin comparou rindo.

— Oras, é difícil tratá-la como antes, mesmo que eu esteja com muita vontade de tocá-la. — A Haruno observou a própria mão.

— Uuuuh, romance entre garotas? — os orbes brilhantes da Nohara se ressaltaram. — Ei, espera aí, cadê seu namorado? Faz tempo que ele não vem à tenda.

Hinata sorveu seu chocolate desviando seus perolados para um canto qualquer.

— Resolvendo um problema com alguns parentes que estão na casa dele.... — Sakura pegou seu copo de chocolate quente e assoprou repetidas vezes antes de engolir uma porção.

— Que chato. — A Nohara se deitou, abrindo os braços e pernas. — Só de imaginar que o final do ano está chegando e que vocês estão namorando.... — Teve vontade de chorar. — E eu não....

— Para com isso, ninguém disse que é obrigado a ficar com alguém. — Sakura afirmou.

— É fácil falar quando tem namorado! — a Nohara se encolheu em posição fetal.

— Silêncio, tem gente querendo se concentrar aqui. — Hanabi dissera, encarando as peças de seu jogo de um modo mortal.

— GRRR... AHAAA HANABI NÃO TEM NAMORADO! — Rin se sentou direito, feliz. — Agora que pensei, não serei a única das meninas a passar de forma solitária o final do ano hahahahah.

Enquanto a Nohara ria alto, Sakura falara:

— Mas Hanabi não conta, ela é cri...

Hinata abanou as mãos, por meio do gesto, avisou à Haruno para ela se interromper, era melhor deixar que a Nohara pensasse daquele modo.

Pelo menos, Rin ficava com bom humor o resto do dia.

Sai e Ino entraram na tenda, o que chamou a atenção das meninas, pois era a primeira vez que a Yamanaka punha o pé dentro da lona desde sua única e última visita ao mágico.

O Hino recebia aulas de Naruto em horário diferente porque gostava de fazer companhia pra loira, quando o resto do grupo visitava o mágico.

Ino jazia um pouco nervosa e apertava com força a mão de Sai.

Naruto terminou a partida de dominó, antes de começar outra, avisou que falaria com alguém.

Sasuke e Hanabi continuaram jogando, os ônix por alguns segundos pousaram sobre a loira, mas nada esboçou, concentrou-se no jogo.

— “Ele está diferente”. — A Yamanaka pensou a respeito do Uchiha, percebia só de olhá-lo.

O mágico cessou diante da loira, hesitante.

— Eu vim pedir perdão, mas entenderei se recusar, eu só vim tentar. — Como ele permaneceu silenciado, a loira prosseguiu: — Descontei minha frustração na Hinata porque eu queria me distrair dos meus próprios problemas e acabei perseguindo-a, uma perseguição sem sentido... misturei tudo... entende?

— Por que está ferida? — Naruto perguntou totalmente surpreso.

— Ferida?

— Você está toda machucada. Como consegue manter-se de pé? — passava seus olhos de cima a baixo ao corpo da Yamanaka. — São feridas grandes.

— Eu... não sei...

O U. Namikaze então deteve sua visão nas mãos unidas de Ino e Sai.

— Ah é isso. Nada como o amor para sustentar as dores de alguém. É esse sentimento que está mantendo-a de pé mesmo com todas essas feridas. — Conseguia ver a cor que rondava o corpo dos dois, as cores deles se uniam, formando uma nova. — Sabia que o amor é a maior magia que existe?

— Não sabia.... — A loira respondeu, e atando um sorriso, completou: — Mas acredito.

O mágico não duvidou.

— Venha, daqui a pouco assistiremos ao pôr do sol, sente-se com as meninas, elas estão lanchando. — Girou nos calcanhares e voltou a jogar com Sasuke e Hanabi, a Hyuuga sacudia as mãos fechadas ao alto, em gesto de vitória.

O Uchiha se emburrava mais. Sasuke passara o dia inteiro de cara fechada, no entanto, não queria estar em outro lugar que não fosse na tenda.

A Yamanaka continuou imóvel, emocionada.

— Avisei que ele era especial. — Sai falou conduzindo-a para perto das garotas.