Abracadabra!
36 A melhor magia
Notas iniciais
A Yamanaka abraçava a bolsa diante da residência da Nohara.
Quase desacreditava que aceitou participar da festa do pijama.
Sua vida não era a mesma do começo do ano, quando fingia ser amiga de Karin, sendo uma garota bonita da turma ou “a namorada do representante de classe”.
Hoje, esquecida pelos alunos que terminaram o colegial, eles seguiam as vidas rumo às faculdades.
Todos os títulos atribuídos à Yamanaka ou tudo o que ela fez no colégio ficaria para sempre no colégio, porque nada daquilo importaria na vida de alguém.
Isso era bom demais, pois Ino Yamanaka passava por um recomeço significativo, ela precisava desse reset.
Tocou a campainha uma vez, não teve que repetir o ato, a porta fora aberta ligeiramente por uma Nohara sorridente que logo a abraçou e depois recuou falando:
— Sabia que era você, chegou ao momento certo. Estamos preparando tudo que há de bom para encher a barriga. — Pegou a mão da loira, arrastando-a pelo interior da casa.
— Tem mais alguém aí? — preocupou-se Ino.
— Eu avisei que era uma festa do pijama.
— Você sempre chamou de festa do pijama quando somente nós duas fazíamos isso. — Comentou receosa, enquanto atravessavam o corredor que separava a sala da cozinha.
— Há problema se for com as meninas? — cessou seu andar no meio do corredor, pegou a bolsa da loira e abriu uma porta que era de um armário de casacos. Nos ganchos, onde se penduravam as bolsas das garotas, guardou a de Ino e fechou a porta. Volveu-se à amiga: — Estamos todas em paz, não? — retornou a agarrar a mão da Yamanaka e a levá-la ao final do caminho.
Ino insistia receosa:
— Acho que está muito cedo para eu ter uma noite assim com Hinata.... e Sakura.
— O que tenho? — a Haruno parou na porta da cozinha, segurando um balde de pipoca amanteigada.
Hinata fechara a porta da geladeira e cumprimentou a loira apenas sorrindo e a Yamanaka retribuiu-a num gesto mudo.
— Eu pensei que seria problema. — A Yamanaka respondeu permanecida um pouco atrás de Rin, intimamente, usando-a como uma barreira de proteção.
Contra o que se protegia, desconhecia.
— Nenhum por mim. — Sakura avançou até a Nohara, oferecendo a pipoca quentinha. — Gostaria? — seus verdes buscaram a imagem da recém chegada.
—.... — A loira andou para o lado, atou um sorriso simples e encheu a palma direita de pipoca, caso passasse quase o tempo todo comendo, não precisaria conversar muito. — Arigatou.
Ao provar, espaçou as pálpebras, travou sua boca um instante, era o sabor de uma manteiga pertencente a uma marca que vendia muito antes da época de colegial, Sakura sempre soube que era a sua favorita, no seu café da manhã não podia faltar.
Quando os verdes cruzaram com os azuis, os lábios da Haruno se estenderam nos cantos, um sorriso belíssimo estava ali.
Mas como as duas ainda agiam timidamente uma com a outra, mantiveram-se apenas na troca de sorrisos.
A rosada entregou o balde de pipoca para a Nohara e foi terminar de preparar um bolo.
*
*
*
As garotas formavam uma roda, deitadas de bruços sobre a cama circular de Rin, cheias de travesseiros e bichos de pelúcia, entre cada uma delas, havia bebidas não alcóolicas, doces e salgados.
Cada uma das garotas vestia pijama curtinho, expondo a região da barriga e as pernas, exceto Hinata.
— Vocês arrasaram. — Ino deslizava as fotos no celular de Rin.
Seu pijama era azul claro e era estampado de margaridas.
Sakura e Rin riram, enquanto a Hyuuga corava de intenso modo, tratavam-se das fotos tiradas no inesquecível passeio do shopping.
— hahaha Hinata ficou vermelha o dia inteiro, foi muito divertido. — A Nohara abraçou a Hyuuga pelo ombro. Seu pijama era amarelo e com desenho de estrelinha e meia lua espalhado pelo tecido. Quando a Yamanaka lhe devolveu o celular, prestou atenção na mão dela. — Ué... Ino! Isso aí é um anel de... de...
As maçãs do rosto da loira se ressaltaram, antecipou o que a amiga queria dizer:
— De namoro, ele me deu hoje de manhã, pensei que tivesse notado na tenda, acreditei que você tinha me convidado à festa do pijama querendo conversar a respeito. — Separou uma fatia do bolo feito pela rosada e deu uma mordida, apreciando a maciez da massa e a camada cremosa.
Sakura sorriu vendo que a Yamanaka aprovava seu bolo.
Sua roupa de dormir era rosa clarinho e com desenhos de maçãzinhas.
Guardou seu sorrisinho e se concentrou na Nohara, dizendo:
— Por que tanta surpresa? Todos do grupo esperavam que isso acontecesse, até demoraram em oficializar.
O rosto de Ino se transformou em escarlate, tratava de encher bem a boca. Em seguida, pegou seu copo de refrigerante e bebeu até a metade.
— É que... logo Ino se tornará experiente... se é que me entende. — Rin afundou a cabeça, em um elefante amarelo e sua voz saiu abafada a seguir: — Serei a única virgem.
— Mas isso é bom Rin-chan. — Hinata buscou pelo otimismo. Sua roupa era uma camisola comprida de cor branca. — Quanto mais tempo esperar, quando chegar à hora, maior certeza terá se quer avançar um passo ou não, terá muito tempo para refletir.
— Ou eu posso estar tão desesperada que vou avançar sem pensar. — A Nohara espremeu o elefante.
— Po-pode descobrir a si mesma... encontrar objetivos maiores.... — A azulada persistiu, em tentar elevar o ânimo da amiga.
— Menina coloca logo seu nome em um site de relacionamento. — A Haruno recomendou, quase em uma ordem, enchia seu paladar de chocolate. — Ao menos um ficante você encontra para passar o final do ano.
Ino concordou com seu mover de cabeça, arrotando contra sua mão para abafar o som.
— Lie, será o auge da humilhação, acho melhor esperar que aconteça pessoalmente. E também, passarei o final de ano em família, não levarei um pobre coitado para ser interrogado pelos meus pais. — Rin decidiu em tom de derrota. De repente, levantou a cabeça e lançou o elefante amarelo para longe. Sorridente dissera: — Vou pensar pelo lado bom, terei amigas experientes para me orientarem quando eu chegar em um passo intimo com meu namorado uhuhuhuhu — Olhou para Hinata e Sakura que coraram. De repente, encarou a loira: — Uh, você é virgem, não é Ino?
A Yamanaka encontrou problema com o pedaço de bolo na garganta.
A Hyuuga cobriu os lábios com as palmas, preocupada.
A Haruno ergueu a mão, tendo vontade de dar umas tapinhas nas costas de Ino, porém recuou o braço, quando notou que a mesma depressa resolvera a situação. Após respirar bem, Ino respondeu:
— Sou... mas não me preocupo muito com isso. Sai é bastante paciente, não me sinto pressionada.
— É você que terá que ter paciência com o Sai. — A Nohara destacou.
— Não posso discordar. — A Yamanaka confirmou, após refletir um instante.
— Ei gente, vocês perceberam como está o pescoço da Hina-chan? — a Haruno questionou maliciosa, vendo a Hyuuga tremer os lábios. — Não imaginam o que ela me contou hoje.
Rin rapidamente afastou os cabelos azulados do pescoço e dilatou suas pupilas, vendo as marcas vermelhinhas.
Comentou de olhos arregalados:
— Uuuuhh Naruto chegou nesse nível.
Ino pasma observava as marcas, esperava que a Haruno tivesse marcas assim.
— Sasori costuma me morder nas coxas. — Sakura comentou, suspirando, saudades do seu namorado.
— Vocês ainda estão usando... lubrificante? — Rin se inclinou pro lado da Hyuuga, seu sorrisinho esbanjava safadeza.
— Não mais. — Hinata respondeu, embora sempre tivesse vergonha de entrar nesse âmbito de assunto, já não hesitava em responder, tanto que quando esteve na casa de Sakura conversou sem ocultar os detalhes mais íntimos. — Estamos gostando do nosso ritmo. Naruto está... demorando mais. E eu estou aprendendo a segurar. Queremos ver até onde aguentamos. — Colocou as mãos na face, fechando as pálpebras sentindo sua face arder.
— Ai que romântico, são fofos até na cama. — Rin falara, em seguida, apontou à rosada: — E você senhorita Sakura?
— Sasori e eu já éramos experientes... não tivemos problema com o sexo. Eu só gostaria de voltar a fazer com ele. — Comentou entristecida.
A Yamanaka segurou um hipopótamo verde e espremeu-o contra o peito.
Desprendeu-se do que as garotas seguiram conversando, pois algo a incomodava.
— O que acha, Ino?
Momentos depois, a loira foi trazida de volta ao presente, fitou o rosto curioso da amiga Nohara esperando sua resposta, moveu seus azuis para as outras duas garotas que a olhavam.
— Gomenasai, o que perguntou?
— Que gênero de filme gostaria de assistir? Tenho romance, comédia e... de terror. — Entoou dramaticamente a última palavra.
— Bem... de terror?
Rin comemorou aliviada, pois não queria ver filme de romance, apenas Sakura votou nesse gênero.
Hinata optou pela comédia, e dependendo do voto da Yamanaka, se ela não escolhesse o romance, a Nohara votaria objetivando que comédia ou terror ganhasse.
As três tomaram altos sustos e adormeceram de barriga cheia alguns minutos depois do término do filme.
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*Diário de Hinata*On*
Falta um dia para o natal, okaa-san, essa data é tão linda, no Japão pode ser apenas uma comemoração comercial, mas eu lembro o quanto amava as luzes coloridas e brilhantes, tudo bem iluminado cheio de brinquedos, presentes coloridos.
Acho que adorava por me lembrar o parque de diversões durante a noite.
Claro que após sua morte, essa data já não era tão animada na minha vida, e só de pensar que esse ano minha felicidade está restaurada, lagrimo de emoção. Não só por mim, mas por Hanabi. Ela não terá uma irmã guardando uma dor aguda no coração. Poderei me divertir com ela sem ter que suportar algo doloroso no meu peito. Quero que esse dia seja especial para Hanabi.
Fui visitar Gaara e ele foi muito fofo, preparou algo para eu beber e comer, ele parecia seguir um manual de instrução em como tratar uma visita, me lembrou muito o Sai em aprender a lidar com as pessoas.
Temari pareceu emocionada em ver o irmão se esforçar para ser uma boa companhia.
Hanabi e eu o levamos para visitar o mágico, a primeiro momento pensei que ele trataria Naruto com inimizade, mas quando ele viu o quanto meu noivo se divertia com Utsu-chan, senti que ele se comportava ameno.
Gaara-kun aprovava todos que tratavam bem o nosso amigo de três patas.
Utsu se apegou bastante ao meu mágico.
Há só uma coisinha me incomodando, desde a noite da festa do pijama, Sakura não entrou em contato comigo e nem com uma das garotas. Primeiro Karin se ausentou, agora ela. Só posso supor que é coisa de família, Rin me disse que está muito ocupada ajudando os pais a preparar a recepção para os parentes, nessa época eles dispensam os empregados porque é uma data que devem se esforçar pela família. Imagino que Sakura esteja passando pela mesma situação.
*Diário de Hinata*Of*
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~24/12/2010
Tenten Mitsashi e Rock Lee subiam na escada da colina.
Ela usava uma calça jeans e uma camisa de mangas compridas de cor vermelha escura. Por cima, um casaco marrom café aberto e botas de couro.
Seu amigo, usava um macacão verde e colado no corpo, um sobretudo alaranjado e sapatos pretos.
O sol prestes a partir.
Os dois amigos possuíam bela vista do céu avermelhado, alaranjado e um pouco de amarelado.
A floresta e montanhas no horizonte enfeitavam a vista, a paisagem parecia fazer parte de uma pintura.
Do outro lado possuíam a visão do parque de diversões.
— Sinceramente, Lee! Éramos para estar planejando o que faremos para as festas de fim de ano, e você me trazendo aqui pro mágico da colina. — Achava que o amigo havia esquecido essa paranóia. — A culpa é minha por ainda te dar ouvidos.
— Eu não queria terminar o ano sem ver esse mágico. Ele é a maior atração agora, os boatos ruins quase não existem mais.
— Você quer comprovar com os próprios olhos. — Tenten findou. — Beeeem... acho que isso será o melhor, assim você finaliza de vez essa paranóia da lenda de assombro do tal mágico da colina.
— Não acredito mais que ele possa ser o mágico da lenda, vou me apresentar e me desculpar por ter feito parte da galera que espalhou mentiras. O mágico é uma boa pessoa.
A Mitsashi sorriu, orgulhosa.
Terminaram de subir à tenda e quando chegaram lá o mágico realizava truques para um grupo de seis crianças.
Os dois amigos assistiram de longe e quando o mágico acabou de se apresentar, as crianças tiveram permissão dele para vasculhar a tenda.
— Sejam bem vindos! — Naruto alegre se aproximou dos recém chegados. — Vocês acreditam em magia?!
Tenten se prendeu na beleza do homem de cartola esquecendo-se da pergunta.
Lee por outro lado entregou sua resposta com sua elevadíssima empolgação:
— Hai! Eu acredito no fogo da juventude. Sabe o que é o fogo da juventude?
— Lie, gostaria que me explicasse, há muita energia emanada de você. — O homem de cartola respondeu, com seus reluzentes azuis, apreciando da aura que envolvia o corpo daquele jovem energético.
Enquanto Lee explicava ao mágico, Tenten meio que fez beicinho, com inveja do amigo sobrancelhudo que atraía toda a atenção do mágico
O loiro era a primeira pessoa que ela via se interessar tanto pelo falatório de Lee sobre o fogo da juventude, uma filosofia de vida.
Afastou-se dos dois, vagando pela tenda começou a verificar caixas de papelão encontrando várias bugigangas.
Segurou umas argolas de ferro e passou a deslizá-las umas nas outras.
As argolas estavam entrelaçadas, uma contida na outra de modo que visivelmente era impossível de separá-las, contudo, a Mitsashi teve sucesso em fazer isso.
— Uau, sabe mágica moça. — Uma menina dentre as crianças disse maravilhada abraçando seu urso de pelúcia.
— haha não menina, tem aberturas camufladas bem aqui.... — Tenten aproximou as argolas para perto do rostinho infantil e mostrou as aberturas existentes nas argolas, elas eram finíssimas. — Você só tem que deslizar devagar uma argola na outra para quem estiver assistindo não notar essas aberturas.
— Que pena, pensei que fosse mágica de verdade. — A menina falou após um minuto assimilando a novidade.
As outras crianças foram se juntando próximo das duas.
Um garoto pediu para a Mitsashi explicar outra vez e assim ela fez, logo todas as crianças presentes souberam como funcionava o truque.
Naruto deixou de ouvir Lee que logo se calou.
— O senhor não é um mágico de verdade. — Um menino decepcionado apontou para o loiro.
— Okaa-san disse que mágico de verdade não existe... eu queria apresentar ela pro senhor Naruto pra mostrar que ela estava enganada... mas agora vejo que ela está certa... — A menina falou tristonha, andando em direção à saída da tenda.
— Puxa.... eu cheguei a acreditar que foi magia mesmo. — Um menino logo atrás dela, entediado colocou as mãos atrás da cabeça, toda sua motivação que tinha com os números de apresentação do U. Namikaze se esvaiu. — Era para eu ter continuado em casa jogando vídeo game.
— Vamos nos divertir no parque gente, ele já está todo iluminado. — Uma menina sugeriu cruzando a saída.
— Estão muito crescidos para acreditar em mágica, vão estudar que é melhor. — A Mitsashi mandou, jogando as argolas de volta dentro da caixa de papelão. Mirou à poltrona e resolveu se sentar ali.
— Tenten!!!
A voz de Lee alcançou os tímpanos da morena assim que ela já estava toda relaxada na poltrona, mas ao abrir suas pálpebras, duas mãos estavam em torno de seu pescoço e os azuis faiscavam ódio sobre seu rosto.
*
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— Mana, ele está atrasado. — Hanabi chegou até a irmã e parou em pé atrás dela, seus prateados redondos procuravam pela imagem do cunhado. — Não tem quase ninguém na rua, faltam poucos minutos para meia noite.
— Não há problema comemorar depois da meia noite, conhece o Naruto, ele não perderia esse momento por nada.
Hinata sentada, em um dos degraus, deu umas tapinhas ao seu lado, convidando a caçula para se sentar.
Hanabi suspirou e se acomodou ao lado da irmã na escada e foi abraçada pelo ombro.
Passaram-se vinte minutos após a meia noite, a azulada conversou com Hanabi sobre a escola, como andava os amigos, os coleguinhas, e essa distração deu certo até o momento que a caçula retornou a pensar no cunhado.
— Vamos vê-lo na colina, mana. — Hanabi agarrou o tecido do casaco da irmã e implorou com suas pequenas luas da face.
Hinata receava causar desencontro, porém compartilhava da mesma vontade que a irmã.
O surgimento de um SUV lhe impediu de responder a menina.
Reconheceu o veiculo, pertencia a Karin.
A janela do automóvel abaixou, revelando a face preocupante da ruiva que mirou seu olhar na Hyuuga maior.
— Entre no carro, é o Naruto!
As irmãs se alertaram de instantâneo modo.
Hanabi correu em direção ao veiculo.
— É perigoso, fique em casa, criança! — a Uzumaki exclamou enraivecida.
— Eu quero ver ele! — a pequena insistiu.
— Tomarei conta dela. — Ino abriu a porta e depressa agarrou a menina, impedindo-a de adentrar no automóvel. — Entre, rápido. — A Yamanaka pediu à Hinata, enquanto a caçula esperneava.
— O que está acontecendo? — a perolada volveu seu rosto para Karin.
— Explicamos no caminho. Entre logo. — A Uzumaki buzinou nervosa, fazendo a azulada se mover e enfim entrar no veículo.
Sakura também se fazia presente, no interior do automóvel.
— Hanabi, obedeça a Yamanaka-san. — Hinata ordenou pela janela traseira. — Te amo, voltarei assim que puder.
A criança fez bico, assistindo o automóvel partir e subir no fim da rua.
Quando sozinha com a loira, Hanabi apontou para ela:
— Eu quero explicações.
*
*
*
A SUV parecia estar em fuga.
Karin nas regiões mais vazias se arriscou nos sinais fechados.
Apertava o volante como se agarrasse a própria vida e se curvava toda pra frente.
Hinata queria saber tanto o que acontecia que destemia o modo que a ruiva dirigia e o caminho que ela escolhia para chegar mais rápido ao parque de diversões.
Sakura explicou que mais cedo, Lee e Tenten visitaram a tenda, e que Naruto se descontrolou e atacou a Mitsashi.
A Hyuuga meneou a cabeça, tapando os ouvidos um momento, pendurou sua vontade de chorar, queria estar ao lado dele agora.
Abaixou uma mão e a outra passeou-a pelo rosto.
— Minha tia e o Sr. Minato já estão na colina, ligaram-me agora a pouco. — Karin avisou e repassou mais detalhes à Hyuuga: — Eu que os avisei sobre Naruto. Eu ia para sua casa, mas resolvi passar no parque para saber se Naruto estava na colina, ou se ele já havia ido para sua casa, imaginei que vocês fossem passar o natal juntos, mas ao pé da escada, avistei um veiculo da polícia. Rock Lee estava lá perto, abraçando a Mitsashi pelo ombro, ela estava desesperada.
Hinata espremeu os lábios, o casal Namikaze na colina, o lugar que eles evitaram visitar por tanto tempo....
— Estou chegando, Naruto-kun. — Sussurrou.
*
*
*
A Uzumaki freou a SUV furiosamente numa curva encurtada, parando a poucos passos do inicio da escada.
As jovens desceram do automóvel, correndo aos degraus.
Avistaram a viatura da policia estacionada e outro veiculo que Karin reconheceu pertencer aos pais de Naruto.
Lee e Tenten já se ausentavam.
Subiram à tenda sem pausa, estavam exaustas quando terminaram os degraus, porém a emergência da situação fazia-nas suportar a agonia de seus pulmões.
Naruto usava o traje de mágico.
Cartola, luvas brancas, capa, o terno, gravata borboleta, calça e sapatos pretos.
Arrumado como fosse apresentar o show mais maravilhoso de sua vida.
Todavia, sua expressão não era animada.
Quando as garotas adentraram na tenda avistaram dois policiais e o casal U. Namikaze.
— Senhor Namikaze, é melhor para todos que se entregue, a denuncia foi realizada e temos testemunhas. Caso não seja culpado é necessário que venha conosco limpar seu nome. Se continuar fugindo, a situação se agravará para você. — Um dos policiais tentava dialogar.
O mágico se mantinha parado numa região elevada no centro da tenda.
Ele não ouvia mais nada após a chegada da noiva, pois ela iluminou tudo a sua volta com a luz que transbordava do suave coração.
E ele só precisava dela para o seu conforto fluir.
Os orbes perolados tremulavam, não saíam da direção do amado.
Minato apertou as mãos em sinal de imploração, sacudia-as conforme falava:
— Naruto, sua mãe e eu não queríamos entrar na tenda, sabe o quanto evitamos esse lugar. Mas estamos aqui agora. Poderemos optar por interná-lo, entenda bem, é um tratamento no lugar da cadeia. Sabemos que não é o lugar onde você gostaria de voltar, mas é melhor do que ser preso.
— Tratamento? — Naruto tremeu ao pronunciar tal palavra. — Eu não preciso de tratamento.... estou curado. Quando comecei a tomar remédios para manter-me acordado, buscando mais tempo pra estudar, eu me tornava mais inteligente a cada mês e junto disso os efeitos colaterais da medicação me permitiram enxergar as maravilhas que pessoas comuns não podem.... foi uma combinação que me libertou das amarras da sociedade. — Os orbes oceânicos se mantinham presos aos perolados. — Como não conseguem entender? Provas, emprego, dinheiro, status social.... nada disso importa na minha vida.
Ele.... somente desejava a felicidade que estava em coisas simples como beijar a pessoa que amava, brincar com Hanabi, fazer mágica às crianças.... conseguia imaginar acordar cedo de manhã, desejar um bom dia de trabalho à sua esposa, não sem antes dá-la um beijo no rosto. Depois se arrumava, despedia-se da cunhada com um grande abraço e ia para sua tenda na colina.
— Quem é essa jovem? — um dos policiais perguntou, quando a Hyuuga seguiu ao elevado do chão, subindo e parando de frente ao mágico. — Se afaste jovem, ele é perigoso! — colocou a mão no cano da arma.
— O que pensa que está fazendo? — o outro policial o impediu. — A família dele está presente.
Karin se atentava aos homens fardados.
— Você me perdoa, Hinata? — sussurrante, Naruto falara levando a mão ao rosto dela e massageando-o com o polegar. — Eu faltei à ceia....
— Não seja bobo, isso não importa agora. — Ela riu, infeliz.
— Não peço só perdão por isso.
— Então pelo quê? — as pérolas cintilavam, umedecidas.
— Continuei escutando a voz, os medicamentos que recebo já não são eficazes. Mantive em segredo. Não consigo lembrar quando a voz me.... me domina, é... é... um estado que me descontrolo. E é por causa disso que a tenda, aqui no alto da colina, é um lugar seguro para eu realizar meus truques de mágica.
— No meio da multidão seria mais fácil Naruto perder o controle. — Karin dizia. — Ele escolheu o topo da colina para proteger as pessoas dos possíveis ataques de fúria dele. — Sentiu orgulho e ao mesmo tempo completou entristecida: — Mas não adiantou.
Naruto pensou na Mitsashi, apertou as mãos de Hinata contra seu peito e contou o que sabia:
— A garota arrancou os sonhos das crianças, ela fez as crianças desacreditarem na magia. É a última coisa que lembro... mais a frente estou vendo ela sendo ajudada pelo amigo. Eles me olham assustados. — Delicado libertou as mãos da Hyuuga, esfregou seus olhos com o pulso. — Eu não sou uma pessoa má Hinata, eu quero ser uma boa pessoa.
— Você é uma ótima pessoa, Naruto-kun. — Os dois lagrimaram incessantes.
— Fala pra eles que magia existe... onegai. — Naruto a abraçou, implorando. — Eles vão acreditar em ti porque você ainda segue as normas impostas pela sociedade, entrará em uma boa universidade e conseguirá um bom emprego. Você é digna de respeito.... nas regras das pessoas, eu nunca serei... — Todo seu corpo tremia. — Não permita que eles me internem!
A Hyuuga o apertou firme, ele parecia uma criança assustada.
— Está enganado meu amor, eu posso está na “regra” do convívio social, mas eu sempre serei julgada por algo, sou filha de Hiashi Hyuuga, afinal. — Sorrir abatida, devagar ergueu a cabeça de seu homem para limpar as lágrimas dele. — Não quero vê-lo internado, meu amor, mas também não o quero preso na cadeia. Eu o amo, amo muito.... nunca se esqueça, tá bom?
— Hinata....
— Você confia em mim, não confia? — ela agradou o rosto dele.
O mágico depois de contemplá-la rodeou o olhar pela tenda, sugou cada expressão facial dos que se faziam presentes.
Colocou-se um passo a frente de sua noiva, verbalizou:
— Eu temo passar por um tratamento que me faça perder as coisas belas que vejo como as cores, o campo de girassóis, as borboletas e as luzes das pessoas. Ainda que o preço que eu pague seja ter essa voz obscura dentro de mim.
— Naruto, se não aceitar o tratamento... quer ficar atrás de uma cela? — Karin questionou.
— Arigatou, prima. Mas não é pretensão minha viver na cadeia, eu só preciso de tempo. — Moveu seu olhar para a Haruno. — Eu preciso de uma assistente para o véu da noite, um brilhante número de mágica.
Sakura sorriu e se apressou em alcançá-lo, conhecia esse número.
— Isso significa que ele se entregará? — um policial perguntou ao outro.
— Otou-san, okaa-san. — Naruto observava as auras deles e se maravilhava com as cores ainda que estivessem esburacadas. — Eu sinto muito, deveria ter entregado o perdão a vocês há muito tempo, não era intenção minha fazê-los acreditar que os odiava.
Kushina manteve o lábio reto, contudo, seus olhos a traíram.
Ela enxergava tudo embaçado pela quantidade de lágrimas a expelir rapidamente e sem parar.
Minato segurou o sorriso na boca trêmula, tentando lidar com o alivio que as palavras de Naruto lhe passaram, finalmente sua maior ferida no coração estava sendo curada.
Sakura buscou um lençol com desenho de constelações, o tecido passou em torno do casal.
— Eu voltarei. — Naruto se volveu à noiva, agarrando-a pela cintura.
Hinata entendeu, enlaçou o pescoço dele, dizendo:
— Mata aimashou, não sayounara.
Uma despedida.
Não um adeus.
Beijaram-se sem se preocupar com a situação.
Os dois viveriam o sonho que queriam.
Afastaram suas bocas e grudaram suas testas, ela permaneceu nas pontas dos pés.
— E se chegar o dia que eu tiver que me tratar.... — Naruto dissera arfante depois do beijo intenso.
— Não sairei do seu lado. — Hinata completou, dando a certeza na voz.
Abracadabra!
A Haruno, depois de cobrir bem o casal, retirou o lençol de cima deles, em um veloz movimento.
Naruto sumiu.
Hinata acariciava seu anel de noivado, suas lágrimas secaram e um sorriso doce bailava em sua boca.
A claridade diminuiu, no interior da tenda neve de forma vagarosa desceu e os flocos finíssimos de gelo se desfaziam ao tocarem o chão.
— “É mágica de verdade”. — Sakura pensou sorrindo, ergueu as mãos, aparando vários floquinhos.
— Esse menino exibido. — Kushina disse recuperada de seu choro, um sentimento tímido e manso em seu peito.
— Naruto, estaremos sempre com você. — Minato abraçado a sua esposa, olhava para o espaço vazio diante da Hyuuga.
— Mas o que é tudo isso? — um dos policiais agiu, correndo pela tenda, procurando pelo acusado. — Para onde ele foi? — encarou Sakura. — Você ajudou ele a fugir?
— Como eu ia saber que ele ia sumir de verdade? Pensei que ele fosse apenas realizar um último número, sabe, de despedida. — A Haruno se defendeu.
Hinata se posicionou:
— Mágica, senhores policiais, o que vocês acabaram de assistir foi apenas mágica.
*
*
*
Hinata retornou ao lar, acompanhada de Karin e Sakura, as três demoraram com o casal Namikaze na delegacia.
Hanabi chorou bastante após escutar o que a irmã lhe contou sobre o que aconteceu com Naruto.
Ino na escuta, lamentou.
A menina acreditava que ele regressaria, no entanto, não em breve, queria ao menos ter se despedido.
Quando a caçula adormeceu já eram seis da manhã, as mais velhas passaram a madrugada em claro e conversavam sobre outro assunto importante.
Sentadas à mesa baixa, serviam-se da ceia fria.
A fome as castigava por isso não perderam tempo optando por esquentar a comida.
Após terminar de comer um pernil, a Haruno sentindo-se calma, seriamente revelou à Hyuuga:
— Sasori foi quem espalhou sobre Hiashi pelo colégio, Hinata.
— Sa... Sasori-kun. — A Hyuuga pronunciou o nome, espantada.
Largou os hashis que prendiam um pedaço de frango assado.
A Haruno explicou:
— Fiz a visita surpresa pra ele, mas não estava em casa. Encontrei a avó Chiyo. Ela puxou conversa e em um momento agradeceu por eu fazê-lo feliz, pois não o via assim desde que os pais biológicos morreram.
De pupilas trêmulas, Hinata murmurosa soou:
— Pais biológicos...
— O pai de sangue, teve ataque cardíaco quando soube que faliu por ter investido em um negócio de seu pai, Hinata. Poucos anos depois a mãe de Sasori morreu depressiva. Os atuais pais de Sasori eram amigos próximos do casal Akasuna, por isso a avó, única parenta biológica que restou, permitiu que o neto fosse criado por eles.
Foi uma surpresa tremenda, e uma tristeza profunda.
A Hyuuga começou a buscar todos os seus momentos com amigos, na memória, Sasori sempre manteve certa distância, contudo, sempre se mantendo simpático.
— Sasori tentou se desculpar comigo. Não negou o rancor que guardava contra o seu pai, Hina-chan. E que teria lhe prejudicado há muito tempo, caso não tivesse me conhecido. Desistiu de fazer algo contra você, pois confessou que gostava de me ter como namorada. — Seus verdes cintilaram, tristemente. Também gostava... amou ser namorada dele, amou. Não mais. — E como somos amigas, ele não queria prejudicá-la. Porém, quando Sasuke fez parte do grupo de aprendizes de Naruto, Sasori revelou que se enfureceu, por isso mudou de comportamento, estava com ciúmes sim e também retornou a cultivar o rancor sobre o que seu pai fez, Hina-chan. Ele retornou a pensar em lhe atingir, gomenasai.
— Não se desculpe, tola. — Rin dissera, brava.
— Rin-chan está certa. — A Hyuuga concordou. — Sakura-chan não tem culpa de nada. Lamento pelo que está sofrendo, Sakura-chan gostava muito dele.
A rosada assentiu.
— O cara com ciúmes desconta na amiga da namorada, que sentido há nisso? — Ino questionou, incomodada.
— Ex namorada. — Sakura corrigiu e passou as mãos pelos lados da cabeleira rosada. — Perdoem-me por não avisá-las, nos dias que me ausentei, eu estava sofrendo, trancada no meu quarto, não queria ver Sasori nem pintado a ouro e... eu não queria que me vissem chorar, eu precisava de um tempo, um longo tempo sozinha.
— Entendemos perfeitamente, Sakura-chan. — Hinata dissera.
— Mas está na hora de sofrer com as amigas. Não fique mais tempo longe de nós. — Rin falou.
— Não ficarei. — A rosada sorriu.
— Muito antes de Sakura saber a verdade.... — Karin falou após alguns minutos com todas bebendo e comendo mais da refeição fria. — Eu tinha o visto conversar com um grupo de alunos que sabiam sobre seu pai, Hinata. Eles me viram e começaram a me seguir, consegui fugir, tranquei-me em casa e só saí quando me senti segura. Por isso me ausentei do colégio.
— Deveria ter chamado a polícia. — Sakura comentou.
— Eu não teria como provar que eles me seguiram naquele dia. E não tenho certeza se ficaram vagando perto de casa nos dias seguintes, eu apenas desconfiava. Enfim, busquei confiar na minha intuição. Não ligo se perdi provas, confio que tirarei uma boa pontuação na recuperação.
— Eu escutei Sasori perguntando para alguns alunos onde estaria Karin. — Ino revelou. — Comecei a observá-lo de longe, ele parecia muito preocupado com ela, muito sério. Achei estranho ele se importar tanto, mais que os alunos que conviviam com Karin no colégio. Na noite do pijama, eu até pensei em comentar a respeito, porém temi que pensassem que eu estaria insinuando algo.
As outras compreenderam.
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*Diário de Hinata*On*
Sobre Naruto, não me preocupei em procurá-lo, pois sabia que ficaria bem. E também fui vigiada por longos meses, não quis servir de isca dos policiais então me mantive calma.
A minha vida foi adiante, entrei na faculdade, segui trabalhando na casa de chá, encontrando tempo a dedicar para minha irmã e visitar a tenda.
E escrevendo sobre a casa de chá, deixo aqui anotado que o senhor Danzou apareceu no meu trabalho e começou a me acusar de estar escondendo Naruto. O velho pervertido passou internado por meses desde o dia que meu mágico me salvou dele. Naruto tinha lançado ele dentro de um latão de lixo. Achei engraçado.
*Diário de Hinata*Of*
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A Nohara usava pijama longo listrado, o tecido todo amarrotado. Os cabelos bagunçados e os olhos semicerrados, assim ela descera a escada em meio a bocejos, apoiando uma mão na parede. O sono pesava. Sozinha em casa, os pais se ausentavam, eram cirurgiões e possuíam dias atarefados, saíam bem cedo quase todas as manhãs.
Na cozinha, parando diante da ilha, se incomodou pelo barulho do gato arranhando a porta de entrada.
A Nohara girou a maçaneta e abrasiva abriu a porta, o gato preto de olhos amarelados num salto correu ao interior da casa.
— Um carinho como obrigado cairia bem. — Disse aborrecida.
— Oi linda!
A voz lá fora guiou a atenção fervente da Nohara.
Ela levou o olhar à calçada em frente da sua casa. Não demorou cinco segundos a reconhecer aquele cara. Seu aborrecimento pelo felino desapareceu.
— SÓ UM MOMENTO NÃO SAIA DAÍ! — o grito arrombou sua garganta, de imediato tampa a boca com as mãos. Desesperada empurrou a porta fortemente. Correu ao seu quarto onde numa pressa danada se aprontou. Vestiu uma saia lápis e uma blusa triangular. Em frente da penteadeira desesperada arrumou os cabelos curtos. Calçou um par de sandálias de tiras que caíam sobre o peito do pé. Quando retornou a abrir a porta de casa avistou o cara de costas com as mãos nos bolsos da calça preta, ele observava as crianças correrem na rua.
— Desculpe a demora, não estava preparada para receber visita. — Falou ao se aproximar e só então notar que o rapaz pisava na ponta de um skate. — “Amo skatistas!”
— Nem ligue, eu que cheguei de surpresa. — Contente ele falou, avaliando a beleza dela e aprovando. — Meu nome é Obito Uchiha.
— Uchiha? — dilatou as pálpebras.
— É eu sei, é um sobrenome famoso. — Falou Infeliz.
— Hai... por coincidência estudei com um Uchiha no....
— Colégio Konoha. — Completou surpreso. E quis confirmar: — Então estudou lá....
— Hai, como eu disse antes. Se você tem esse sobrenome você conhece o....
— Sasuke Uchiha? Ele é meu primo, mas não nos falamos muito. — Passou a mão nos cabelos arrepiados. — Então.... acho que você gosta dele né? — perguntou em desânimo.
— Por que diz isso?
— Ele é muito popular com as garotas.
— Sasuke deu muita dor de cabeça para minha amiga Sakura. — Revelou malcontente. — É bonito, mas não me envolveria com ele.
As chamas da esperança acenderam-se no jovem Uchiha.
— Puxa, espero não ser como ele. A última coisa que quero é ser uma dor para você. — Ambos comprometeram sorrisos. — Qual o seu nome, posso saber?
— Nohara Rin. — Graciosa respondeu.
— Tenho chance de sair contigo? — o coração saltitava. As bochechas pareciam maçãs.
— Eu adoraria tanto! — não escondia a vontade de conhecê-lo melhor. Curiosíssima perguntou: — Como me encontrou?
— Eu sou quem deveria perguntar, foi você que me enviou pelo correio, e eu nem sabia que ainda tinha caixa de correio. — Ele puxou do bolso da jaqueta o papel. — Como sabia onde eu morava?
Incrédula ela perdera voz por alguns instantes, quando percebia que o Uchiha começou a estranhá-la, sacudiu o rosto abrindo novamente seu sorriso radiante.
— Um amigo fez mágica para me ajudar.
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*Diário de Hinata*On*
Okaa-san, há quanto tempo não escrevo, até esqueci que data é hoje, depois eu anoto, vou escrever sobre meus amigos:
Sasuke e Sakura estão noivando, minha amiga rosada segue o ramo de ginecologista, pois visa ter seu próprio consultório, antes eu acreditava que ela faria algo relacionado a transplantes.
O namorado dela está no cargo de acionista, negando-se a ser controlado compulsivamente pela família Uchiha.
Sai e Ino estão viajando juntos, os dois não conseguiram entrar na mesma faculdade e numa decisão de lá pra cá simplesmente anunciaram que partiriam da nossa cidade.
Toneri visita orfanatos, mendigos, centros de recuperação e outras instituições, também financia artistas de circo.
Seu casamento está indo muito bem e eu soube que sua gentil e bonita esposa está grávida do terceiro filho.
Tenho certeza que será mais uma criança fofa e bonita.
Será que quebrará a tradição e vai vir menino? As pequenas Kanna e Lala estão torcendo para terem uma irmãzinha, mas a mãe quer ser mãe de menino também.
Já para Toneri, ele não demonstra desejo exclusivo para um dos sexos, ele está muito satisfeito com o que vier.
Rin e Obito continuam por perto, esses dois são muito grudentos, agora eu sei como o pessoal se sentia quando eu namorava o Naruto perto deles.
Orgulhosa de meu noivo ter sido o responsável por uni-los.
Karin mora em um apartamento agora, próximo da universidade dela.
Às vezes me liga só para saber se eu tenho noticias do Naruto, pois acredita que quando ele voltar a primeira pessoa que procurará será eu.
Espero que esteja certa.
Shion apareceu depois que soube do sumiço de Naruto e visitou a tenda comigo em uma noite, ficamos apreciando o céu estrelado, enquanto pensávamos nele.
Gaara está cursando veterinária e me visita uma vez por mês.
Ele me acompanha até a tenda, é uma visita rotineira que faço, gosto de organizar as coisas de Naruto. Gaara está gostando de ser tio, a irmã dele casou com Shikamaru Nara, era um garoto que estudou no colégio Konoha, coincidência legal essa, o filho deles é a cara todinha do pai, exceto os olhos que eram expressivamente como os da mãe.
Utsu-chan teve filhotes, foi difícil arranjarmos lares para cada um, nasceram oito.
Conheci meu primo Neji, por meio dele, descobri que otou-san brigou com o ojii-san, muito antes de eu nascer.
Neji me revelou que foi por causa da okaa-san! Ojii-san, Hizashi Hyuuga, gostava da okaa-san, mas otou-san a tomou dele, fiquei chocada, mas Neji disse que acredita ser exagero do pai que nunca superou e quebrou contato com o otou-san.
Eu também acredito nisso, pois se a okaa-san soubesse, teria insistido para o otou-san lutar para reatar com o ojii-san.
Okaa-san se sentiria desconfortável em considerar que estavam brigados por sua causa.
Neji não me considera uma continuidade de inconsequência de meu pai, ele se aproximou de mim, e quer me ajudar a conseguir uma morada própria, no momento estou pensando, já está na hora de me mudar do condomínio.
Soube que otou-san foi preso em uma cidade vizinha, contudo, não quis me envolver e Hanabi também não se importa com o otou-san.
De certo modo me deu pena, sabe okaa-san, afinal ele foi o homem que a senhora amou e constituiu uma família, e lembro do carinho e amor que já senti por ele.
Então ainda me persegue uma dor por ver que otou-san não sai dessa situação, é realmente triste, pois nesse tempo de mudanças, ele poderia mudar.
Pelo visto, continua na mesma coisa. Inclusive, foi pelo fato dele ser preso que Neji viajou até o Japão, pois meu pai o contatou para pedir ajuda com fiança, pois dessa vez, ficará bastante tempo atrás das grades, estará um ancião quando sair da cadeia. E a única fonte com dinheiro suficiente para ajudá-lo seriam os parentes na França.
Contudo, meu primo se recusou a pagar e aproveitou para me encontrar.
Hanabi não é tão aberta com nosso primo, como quando era com Naruto, acho que o jeito sério de Neji a incomoda, e ele não curte mágica, não importa quantos truques ela faça.
Como deu para perceber okaa-san, a vida fluiu, e continuará fluindo, tudo vai muito bem.
Pode haver um problema sempre a surgir, posso chorar de saudades durante algumas noites, mas nada que me faça parar no tempo.
*Diário de Hinata*Of*
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~09/06/2017
— Não se preocupe Hinata, não casarei antes de você. Talvez sim, mas Sasuke-kun e eu só casaremos depois que Naruto voltar, pois acreditamos que ele voltará logo. Precisamos dele nesse dia especial, tanto dele quanto de você.
— O Naruto-kun não se importaria se vocês se casassem sem ele, na verdade ele se preocuparia em saber que é o atraso para o dia especial de vocês. E se ele continuar ausente por mais um ano?
— Relaxa, de qualquer forma vamos nos casar depois de nos estabilizarmos profissionalmente e até lá Naruto terá retornado.
— Isso é ótimo, tenho que desligar agora, até depois Sa-chan.
— Tchau... ah, mas não se esqueça do nosso jantar hoje.
— Jantar... certo, já ia esquecendo. Só não me deixa sentar perto de Obito e Rin, onegai.
— Relaxa, se eles se pegarem na nossa frente eu mesma os separo.
A Hyuuga riu desligando o celular, enquanto subia a escada.
Suspirou, passando pela lona de circo, a sensação aconchegante a abraçava, tudo ali cheirava ao seu amado.
Decidiu abrir mais a entrada, visando obter mais da claridade do dia.
Da entrada da tenda avistou o parque de diversões em funcionamento.
O velho Sarutobi havia partido deste mundo para melhor, ele havia vivido mais que o esperado.
A Hyuuga atendeu a um pedido deixado por Hiruzen, colocando uma carta dele dentro da caixa de correio mágica, carta destinada ao irmão dele.
A perolada não almejava somente que Hajime recebesse, mas que algum dia, em algum campo de girassóis ou margaridas, repleto de borboletas, Hajime e Hiruzen se encontrassem e se dessem as mãos, enquanto conversavam tudo o que tinham para conversar.
— “Arigatou”. — Poderia dizer que o velho causara o vento que lhe arrancou a nota de dinheiro, a nota que perseguiu e acabou parando no parque de diversões. — “Foi o senhor de alguma forma... responsável por tudo o que me aconteceu desde aquele dia, e eu não poderia ser mais grata”.
Ele acertou, ela subiu a colina e ganhou muito mais que uma caixa de macarrão.
Passou a contemplar a paisagem, apreciava a beleza da vastidão do mundo que faltava muito para conhecer, abraçava o próprio corpo num carinho.
Um barulho vindo do fundo da tenda a alertou, no entanto, logo pensou que fosse algum objeto que caíra.
Era comum alguma pilha de caixa desmoronar.
Não se preocupou em verificar, estava tão gostoso sentir o vento contra os seus cabelos que continuou parada de pé ao lado da caixa de correio.
Um novo barulho, som de passos vindo atrás dela.
Um arrepio percorreu pela espinha da Hyuuga quando o som dos passos cessou.
— Você acredita em magia?
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*Diário de Hinata*on*
Okaa-san, meus amigos tiveram uma grande surpresa quando cheguei acompanhada ao jantar.
O amor é a maior magia que existe.
*Diário de Hinata*of*
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