About To Crash

11 Chapter Ten: When Two Worlds Collide


Bronsky se contorcia no chão com as mãos na cabeça. As lembranças junto com a dor física demais para Bronsky.

”Por favor alguém me mate, POR FAVOR ME MATEM”

Então... a dor de cabeça parou. Não havia mais dor porém Bronsky ainda estava no chão e dessa vez não se contorcendo, mas sim chorando. Todas aquelas lembranças eram do que ele havia feito no passado, fora ele que matou Vincent, Timmy e seu pai. Fora ele que havia feito sua mãe enlouquecer e se matar. Fora ele, sempre. Ele era o culpado de todo o mal que havia acontecido com sua família.

Mas algo estava acontecendo ao seu redor. As paredes e o teto estavam “mudando”. A antiga pintura branca estava descascando e dava lugar a algo enferrujado... e sangue. Tudo ao seu redor era ferrugem e sangue, tudo havia mudado.

”O que é isso? Isso é o inferno? Eu morri e vim parar aqui?”

Um barulho veio do lado esquerdo da sala e Bronsky olhou. Era o espelho. Bronsky foi se aproximando. Quando estava em frente ao espelho encarando o seu próprio rosto, sua face no espelho sorriu, porém Bronsky não havia sorrido.

Bronsky sobressaltou um pouco para trás, mas sua imagem no espelho continuou sem se mexer, apenas rindo.

- Olá Bronsky, faz tempo que quero conversar com você – disse a imagem no espelho.

- O que você é?

- Eu? Bom eu sou.... você. – disse a imagem rindo – Na verdade sou parte de você, vivo no mesmo corpo que você porém temos idéias um pouco divergentes.

- Você é... Horton?

- Parabéns – disse Horton batendo palmas – Prazer em conhecê-lo.

Bronsky não acreditava no que acontecia. Ele estava falando com sua dupla personalidade através de um espelho.

- Vejo que você parece um pouco confuso – começou Horton – Esse lugar aonde você está é chamado “Outro Mundo”. Por mais que eu “viva” dentro de sua mente, não conseguimos coabitar um mesmo mundo, por tanto toda vez que eu estou “no comando”, você vai para o outro mundo. Quando você está no comando, eu estou no outro mundo.

- Mas então... as outras vezes que você estava no comando... porque eu não me lembro de ter ficado aqui nesse mundo?

- Porque você sempre desmaiava. Sua consciência ficava “apagada”, por isso você não se lembra.

- Mas... como... você... – Bronsky não conseguia encontrar uma palavra.

- Nasci dentro de você? – perguntou Horton.

Bronsky assentiu a cabeça.

- Como você leu na carta, você foi adotado – começou a falar Horton – O orfanato que nós ficávamos não era o que podemos chamar de normal. Coisas terríveis aconteciam naquele lugar e você presenciou uma delas. Nem tente sem lembrar do que viu – falou Horton abruptamente quando viu Bronsky abaixar a cabeça franzindo a testa – porque a partir daquela lembrança eu fui criado, sou nada menos que uma lembrança terrível. Apenas eu sei a minha origem.

- Então me responda – retrucou Bronsky, com mais coragem agora – Porque você teve que matar todos de minha família?

- Você não percebe, Bronsky? Eles te fortaleciam com o amor e o carinho que te davam, lhe fortaleciam emocionalmente, e eu só podia tomar o controle quando você estivesse fraco, por isso matei eles todos. O problema é que você sempre desmaiava quando isso acontecia e não conseguia se lembrar o que havia ocorrido. Caso o contrário, eu já teria tomado o controle faz tempo.

- E Vincent? Porque você o matou?

- Com certeza não foi por causa do lanche – respondeu Horton, rindo.

- Então porque?

- Porque assim como você, ele também presenciou aquilo que você presenciou.

- O quê?

- Sim, ele presenciou. E esse “fantasma” que você é a lembrança daquele dia.

- Ou seja, igual a você.

- Podemos dizer que sim. Porém eu atingirei meu objetivo.

- Não, farei de tudo o possível que não.

- Claro que fará, mas agora creio que você tenha visita.

A porta do quarto se abriu e uma criatura sem olhos ou bocas, com a pele toda coberta de sangue e um grande buraco na garganta entrou.

- Vou deixa-lo a sós com a sua mãe – disse Horton, soltando uma gargalhada.

”Mãe?”

A criatura abriu os braços. Bronsky segurou firmemente o machado, era hora de enfrentar seu passado.