About To Crash

6 Chapter Five: Surrounded


Abriu os olhos e viu a neblina, porém já era noite. Bronsky acordou no meio de uma rua. Sua cabeça ainda estava doendo um pouco. Ele se levanta. Procura o mapa em seus bolsos e o encontra no esquerdo junto com seu celular, seu canivete estava no direito, junto com a sua lanterna. Ele a pega e a acende.

”Aonde estou? Aonde está a minha arma? Droga, deixei ela cair quando eu estava na casa. Mas... eu desmaiei lá, como vim parar aqui, quem me trouxe pra cá?”

Avistou uma placa a esquerda dele, iluminou-a com a lanterna. Era o cruzamento com a Bachman e a Sandford.

”Bachman? Garcia era o único que sabia que eu queria chegar aqui, será que foi ele? Tenho que olhar o mapa.”

Mas antes de Bronsky conseguir olhar no mapa, seu celular começou novamente com a estática e nada menos que seis criaturas iguais a que Bronsky matou na casa de seus pais apareceram, três vindo da Bachman e três vindo pelo lado esquerdo da Sandford.

”Merda. Tenho que me mandar daqui.”

Apenas com a Direita livre, Bronsky começou a correr por ela. As criaturas pareciam mais rápidas e a lanterna não iluminava muito, de modo de que alguma criatura estivesse muito a frente, Bronsky não poderia prever o impacto e ter chance de se desviar.

As criaturas davam pequenos gritos correndo atrás de Bronsky. Sendo um advogado mal-sucedido, sua forma física não era das melhores. Suas pernas já cansavam e a respiração era ofegante.

O desespero dominava-o. As criaturas estavam se aproximando.

”Oh Deus, não vou conseguir, elas estão se aproximando”

Bronsky já não sabia de onde tirava forças pra correr. As criaturas cada vez chegando mais perto. Ele já poderia até imaginar ele caindo de cansado e elas devorando a sua carne.

Ele chegou em uma esquina e decidiu ir para o norte, porém foi um erro, quando mal começou a correr para o norte mais duas criaturas, agora igual as que Garcia matou estavam “esperando-o” a frente, encurralado, Bronsky não sabia o que fazer.

”É o meu fim”

Foi então que ele olhou para direita e viu uma porta entreaberta, era a sua única chance.

Com todo o fôlego que conseguiu reunir, Bronsky correu desesperadamente para a porta e entrou. Fechou a porta e ficou segurando-a com o corpo esperando as criaturas tentarem entrar, mas isso não aconteceu. Mesmo aliviado, ainda segurando a porta com o braço esquerdo, com o direito ele puxou uma mesa quadrada e colocou ela em frente da porta. Não iria segurar muita coisa mas atrasaria se alguma criatura tentasse entrar.

Com a lanterna, ele examinou o local. Deveria ter sido um restaurante, várias mesas com duas cadeiras em cada uma. Algumas delas estavam caídas no chão. Havia cardápios no balcão, Bronsky pegou um para ver se havia o nome do local no cardápio.

- Jude’s Dinner – leu Bronsky.

Bronsky procurou no mapa. Em alguns segundos achou o local. Alguem, enquanto ele estava desmaiado, o levou para o fim da rua Bachman, e ele correu das criaturas até ali aonde ele estava

- Bom, pelo menos estou na Center Silent Hill.

- Você pode apostar que está – disse uma voz atrás de Bronsky.

Em um pulo, Bronsky virou-se para ver quem tinha falado aquilo. Uma figura pálida estava a sua frente. Os cabelos negros, lisos, um riso debochado e um olhar sombrio.

- Quem... quem é você?

- Eu? Pensei que soubesse – disse o homem, debochado.

- Eu nunca o vi em minha vida.

- Tem certeza? Pois eu me lembro muito bem de você.

Bronsky nada falou.

- Meu nome é Vincent – disse o homem, abrindo um sorriso doentio – Isso ajuda a se lembrar de mim?

De fato ajudava. Vincent era o nome do garoto que roubava o lanche de Bronsky no colégio quando eles eram garotos.

- Pela sua expressão parece que você lembra-se de mim, porém, quanto?

- Realmente não me lembro de muita coisa sobre você.

Vincent riu debochadamente.

- Muita gente saiu da cidade, algumas se mudaram para outras maiores, outras não gostavam daqui e algumas se mudaram por simples.... medo.

- Medo? Das criaturas?

- Essas míseras criaturas? Você me faz rir. Não, elas não sentiam medo dessas criaturas.

- Então do que....

- E você? – interrompeu Vincent – Porque fugiu daqui?

- Não fugi, meu pai e eu nos mudamos.

- Claro, e Bush é contra a guerra no Iraque.

- Olha...

- Você fugiu de suas memórias, e você sabe disso. Essas memórias que vem voltando a tona são todas aquelas que você quis abandonar. Pois deixe eu lhe contar meu amigo, se você conseguiu esquecer, essa cidade por outro lado... não.

- Você fala como se a cidade fosse viva.

- E você acha que ela não é? Essa cidade tem mistérios, histórias horríveis. As lembranças que você reprimiu, Horton ,não se comparam as memórias que essa cidade guarda.

- Espere, de que nome me chamou?

- Horton – respondeu Vincent com sua voz debochada e arrogante.

- Meu nome é Bronsky.

- Ah não, esse é o seu outro nome, que sua mente perturbada e esquecida acha que é o seu verdadeiro, mas no fundo você sabe que não estou mentindo – disse Vincent, com um sorriso macabro nos lábios.

- Escute bem, eu não sei quem você realmente é e nem como você sabe que minhas memórias estão voltando, mas te digo uma coisa, meu nome é Bronsky Harper.

Vincent olhou para o teto e suspirou.

- Façamos o seguinte, quando você lembrar-se do seu verdadeiro nome, me procure.

- Eu tenho coisa melhor pra fazer.

- Como ir ao sanatório.

Bronsky o encarou por um momento, e então, furioso, disse:

- Foi você? Você que marcou a minha casa e o sanatório naquele mapa?

Antes que Vincent respondesse, a porta começou a chacoalhar, uma das criaturas estava tentando entrar. Bronsky desviou seu olhar para a porta, e quando se virou para encarar Vincent de novo, ele não estava mais lá.

”Maldito”

A porta chacoalhava com mais força.

”Tenho que sair daqui."