About To Crash

7 Chapter Six: The Root of All Evil


Bronsky procurou por uma porta além da de entrada, avistou uma atrás do balcão. Correu até ela. Grudado na maçaneta, havia um bilhete escrito a mão:

”Mais memórias estão guardadas em outro mundo”

Sem tempo para pensar, Bronsky tenta abrir a porta. Está trancada.

- Perfeito.

Ele pega o canivete de seu bolso e tenta arrombar a fechadura, aprendera a fazer isso há muitos anos com...

”Com quem aprendi mesmo? Não importa agora”.

Um golpe forte na porta de entrada a deixou entreaberta.

- Vamos. – dizia Bronsky para o canivete.

Um estalo e Bronsky conseguiu arrombar a porta.

- Finalmente.

A porta dava para a cozinha, que por sua vez tinha outra porta de ferro que Bronsky presumiu dar acesso a rua. Bronsky atravessou a cozinha e passou pela porta de ferro, estava de volta ao ar gelado da noite.

Consultou o mapa.

”Tenho que ir reto pela Riverside e seguir em frente pela Crichton....”

- Mas por quê?, perguntou Bronsky a si mesmo.

”É claro que não tem ninguém nessa maldita cidade, do que me adianta ir até a mecânica se chegando lá vai estar vazia?”

Esse pensamento fez Bronsky se sentir um idiota.

”No momento que Garcia matou aquela criatura eu já deveria ter deixado a cidade. Porque eu simplesmente não virei as costas e fui embora?”

Mas, por mais que Bronsky quisesse escapar da cidade, mais curioso ele ficava e a vontade de ir até no Cedar Groove Sanitarium crescia dentro dele.

Tiros de doze foram disparados.

”Garcia”

Mais tiros de doze foram disparados e ele seguiu o som dos tiros.

Garcia estava na frente do restaurante que Bronsky havia entrado. Nada menos que quatro criaturas estavam o cercando. Garcia atirou na cabeça de mais uma delas. A criatura caiu no chão com um buraco na cabeça, mas ainda 3 restavam de pé.

Bronsky olhou em volta e procurou por algo que pudesse ajudar a matar as criaturas. No seu lado direito havia lenhas cortados e um machado cravado nelas. Rapidamente, e com muito esforço, Bronsky retirou o machado da lenha cortada e correu para ajudar Garcia.

Garcia atirou mais uma vez e outra criatura, faltavam duas, o problema era: tinham acabado as balas.

- Droga, estou ferrado.

ZUM. Bronsky, em um movimento com o machado, decepou a cabeça de uma das criaturas. Quando a outra se virou para atacá-lo, Bronsky acertou em cheio um golpe vertical na sua cabeça. A criatura caiu morta.

Garcia o olhava como se não acreditasse que Bronsky tinha acabado de salvar sua vida.

- De nada – disse Bronsky, rindo.

- Bem, agora estamos quites, hein?

- Sim.

Bronsky retirou o machado da cabeça da criatura.

- Aonde achou isso, cabrón?

- Aqui do lado haviam umas lenhas cortadas e isso estava cravado em uma delas.

- Bom, com certeza é mais útil que uma pistola. Aonde está aquela que eu te dei?

- Acabou as balas – mentiu Bronsky.

- O mesmo com a minha doze. Desde que anoiteceu, o número de criaturas deve ter triplicado.

Garcia olhou para a sua doze e suspirou. Então olhou novamente para Bronsky.

- Então cabrón, ainda indo para a mecânica?

- na verdade não mais, além do que duvido que tenha alguém lá.

- Então porque veio até aqui?

Bronsky hesitou antes de falar, não sabia o que dizer, sua vontade de ir ao Sanatório era grande porém se dissesse isso Garcia ele talvez o quisesse acompanhá-lo ou tentar fazê-lo mudar de idéia.

- Bom, eu pensei que já que vim até aqui, porque não sigo para saída que dá acesso a Brahms? – respondeu Bronsky.

- Bom, boa sorte então, está bloqueada.

- O que? Mas você não veio por ela essa manhã?

- Sim, mas agora a pouco quando tentei voltar e ir pra Brahms encontrei-as bloqueadas.

- Bloqueadas como?

Garcia hesitou e então respondeu.

- Buraco.

- O que?

- Um buraco enorme no chão.

- Mas como?

- Eu realmente não sei.

Bronsky continuou encarando Garcia, que estava cabisbaixo, como alguém que desiste de algo.

- Se você tentou voltar então... você não encontrou seus pais e irmão?

- Encontrei... mortos.

Bronsky ficou chocado, não sabia o que fazer nem o que dizer a Garcia.

- Si-sinto muito.

Garcia não respondeu. Levantou a cabeça, e desviando o olhar de Bronsky disse.

- Eu não sei porque você quer ir a Brahms, cabrón, mas seja o que for não vale a pena arriscar a sua vida, essa cidade é... demoníaca. Ela só vai deixar você sair daqui morto, seja tanto por dentro ou tanto por fora.

- Eu... eu tenho que prosseguir.

Garcia o olhou, seus olhos estavam cheio de lágrimas.

- Você ainda tem o canivete?

- Sim.

- Então me prometa que se qualquer coisa vier atormentar a sua cabeça, pega esse canivete e enfie na sua garganta. Não deixe nada dentro dessa cidade entrar em sua cabeça, porque se entrar isso vai te destruir e você vai implorar pela morte.

- Porque você está dizendo isso?

— Porque eu não fui corajoso o suficiente pra apontar essa doze pra minha cara e puxar o gatilho. Não seja covarde como eu fui.

Garcia começou a andar em direção a rua em pela qual Bronsky correu fugindo das criaturas.

Bronsky, olhando Garcia indo ele não soube o que dizer, apenas:

- Garcia...

Garcia se virou para ele.

- Eu prometo.

Garcia o fitou por um momento, então assentiu a cabeça e disse:

- Boa sorte, cabrón – e então continuou a andar.