About Life, Love and Madness
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
"Para que a luz brilhe intensamente, a escuridão deve estar presente"
Francis Bacon
Deric, o jovem auror de cabelos castanhos, olhos azuis e feições sérias caminhava pelos largos corredores do Ministério junto do novato irlandês de olhos azuis e cabelos curtos castanhos claros, puxados para o ruivo. O silêncio imperava entre os dois. Acabavam de voltar de uma missão para investigar um possível esconderijo de Bruxos das Trevas e já eram chamados pelo Chefe dos Aurores, pessoalmente, para uma nova missão. Deric mal conseguia conter a ansiedade e sua curiosidade, apesar de manter as feições sisudas de sempre; gostaria muito de saber o que era tão importante a ponto de serem convocados pelo próprio Franklin E. Whitaker, a sua sala.
– Mal posso esperar para saber o motivo dele ter nos chamado! — Sean, o irlandês, sorria e demonstrava claramente sua ansiedade.
– Se acalme, novato. Logo saberemos. — respondeu o mais velho. — E tente se comportar dignamente perante o Sr. Whitaker.
– Deric, meu caro. — Sean sorriu zombateiro. — Fala como se fosse muito mais velho do que eu... E como se eu fosse um bicho do mato. Não se preocupe, sei muito bem me comportar.
– Não sou muito mais velho, mas sou mais experiente. Lutei durante a Terceira Guerra Bruxa. — Deric rebateu. — E às vezes suas atitudes me fazem duvidar de sua capacidade de se comportar adequadamente em qualquer lugar.
– Mas... – Sean se segurou ao perceber que estavam em frente à mesa da secretária de Franklin Whitaker.
A mulher deveria ter seus 40 e poucos anos. Os cabelos loiros-platinados, quase brancos, estavam presos em um coque firme e apertado no alto de sua cabeça. Usava brincos de pérola, com um colar de pérola combinando sobre a cola da camisa em azul-ciano cujo modelo, para ambos aurores, poderia facilmente ser encontrada em tonalidade similar nos guarda-roupas de suas avós. A mulher parecia muito compenetrada em um pergaminho, a ponto de não notar os dois homens parados em frente a sua mesa, por isso, Deric tentou chamar a atenção da mulher:
– Com licença, senhora. – mantinha o tom polido e sério, falou de forma firme e bem audível, mas foi deliberadamente ignorado. Mesmo assim, continuou: — Sou Deric Clayworth e este é Sean McDonágh... Fomos convocados pelo Sr. Whitaker.
– Ele já os aguarda, podem entrar. – a mulher nem levantou os olhos.
Deric olhou para Sean, que apenas deu de ombros, e seguiram para a porta da sala. Deric bateu duas vezes e a porta se abriu para ele. Atrás de uma grande mesa de carvalho-inglês estava a figura austera de Franklin E. Whitaker, sua postura perfeita exalava respeito, sobriedade e honra pelos olhos castanhos severos. O Chefe do Departamento se levantou abrindo um leve sorriso para os recém-chegados, contrastando com sua postura, ajeitou as vestes cinzas-escuras e a capa preta. Alto e robusto, os cabelos castanhos escuros na altura do pescoço já estavam marcados por inúmeros fios brancos em seu meio a seus cabelos castanho-acobreados. Cumprimentou ambos com um aperto de mão firme:
– Sr. Clayworth e Sr. McDonagh, por favor, sentem-se. – pediu.
Os dois se acomodaram nas cadeiras a frente da mesa, assistindo enquanto Whitaker se acomodava em sua própria cadeira de couro. Com um gesto da varinha de abeto vermelho, apenas com punho definido e entalhado rusticamente, e o uso de um feitiço não-verbal, os documentos a sua frente voaram para pastas no armário de madeira próximo, mais um gesto e um outro pergaminho saiu de uma das pastas do armário e pousou a sua frente.
– Os senhores devem estar se perguntando o motivo de eu tê-los chamado aqui. – Franklin falou entregando o pedaço de pergaminho para analisarem. – Bom, senhores... Tenho uma missão para vocês que exigirá máxima dedicação e discrição.
Deric e Sean pousaram os olhos nas letras negras e no pergaminho mal cortado. Possivelmente era uma ameaça de algum Comensal da Morte sobrevivente e ainda não capturado, elas eram bem comuns após a última guerra. Algumas eram concretas, o que geravam pequenos ataques, apesar de gerarem grande impacto, outras distrações para algo maior e ainda outras eram vazias e sem qualquer tipo de execução. O ponto é que os aurores deveriam investigar todas, sem qualquer discriminação, não havia como saber quais seriam reais e quais não. Naquela em específico lia-se:
"Schakelbolt:
Você, que é um traidor de sangue e defensor dos sangues-ruins... Esqueça ameaças vãs e ataques a localidades importantes ou aos trouxas... Nosso Lord nos ensinou a atacar onde mais dói.
O que irá doer mais do que eliminar uma geração inteira de jovens bruxos ainda com seus sonhos e expectativas e no auge de seu aprendizado?"
A nota dizia apenas isso. Sean ergueu os olhos arregalados, era subentendido o local e poderia ser uma ameaça vã, ainda assim era assustador. Deric também ficou apreensivo com o conteúdo da mensagem, ao contrário de Sean que simplesmente arregalou os olhos, sentiu a tensão em seus ombros e braços, chagava a incomodar.
– Não sabemos se é uma ameaça real ou não. Se existirá ajuda interna ou não. – Whitaker falava de maneira firme. – Mas vocês irão para Hogwarts e quero que reforcem os sistemas de segurança da escola, mais do que isso, quero que investiguem a fundo essas ameaças. Sr. Clayworth, você irá encabeçar essa operação.
– Sim, senhor. – Deric respondeu resoluto.
– Senhor, se me permite... – Sean começou delicadamente, receoso de ofendê-lo, e só continuou ao ver Franklin fazer um gesto com a mão indicando que poderia continuar. – Existem aurores mais experientes em lidar com essas situações delicadas...
– Ah, sim! – Franklin sorriu, não estava ofendido com a questão. – Preciso do máximo de discrição, a Professora McGonagall deseja que os alunos tenham um ano normal, caso essa ameaça seja sem fundamento, e acho que são os mais indicados para isso. Além do mais, o Sr. Prince está afastado esse ano e irá lecionar Defesa Contra Artes das Trevas em Hogwarts... Eu não deveria falar isso, mas caso precisem do apoio de um auror mais experiente, falem com ele... O Sr. Prince não irá negar ajuda.
– Muito obrigado, Sr. Whitaker. – Deric agradeceu novamente.
– Boa sorte, senhores. – o mais velho disse.
Os dois aurores apenas acenaram com a cabeça discretamente e saíram da sala. Ambos haviam estudado em Hogwarts e estavam dispostos a fazer de tudo para que nada acontecesse.
Continua...
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