Notas iniciais
Minha beta no Fanfiction, a Miyo, fez e vai fazer uma capa para cada capítulo. Coloquei um Link para a pasta com o avatar dos personagens. Link: https://www.dropbox.com/home/About%20Life%2C%20Love%20and%20Madness/Personagens Meus comentários e os da Miyo estão abaixo. Boa leitura e Beijos!

Capa por Miyo

Avatares e Personagens

"Cada novo começo vem do fim de alguns outros começos" – Seneca

A plataforma 9 ¾ estava cheia. Pais se despediam dos filhos que iam para mais um ano em Hogwarts. Os calouros andavam meio perdidos, alguns eram encorajados pelos pais a embarcar nessa nova aventura que seria Hogwarts. Era o marco de que um novo ano letivo se iniciaria. Novas histórias, novas aventuras, todo um novo mundo de possibilidades para alguns e o último ano para outros.

Madonna abraçou a filha com ternura, se segurando para não chorar, afinal a viúva se separaria de sua maior companheira desde que seu marido falecera anos antes. Era tão difícil ter de se separar mas, ao mesmo tempo, tinha muito orgulho da filha. Katherine estava ingressando em seu sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, seguindo os passos do pai, talvez não da mesma forma, ainda assim, entrando no mundo mágico de poções e varinhas que para Maddona, enquanto uma mulher comum ou, como seu marido dizia "trouxa", era algo tão misterioso e incrível.

Katherine havia nascido com os cabelos castanho-claros e lisos da mãe, que mantinha compridos, com uma franja emoldurando seu rosto, os olhos castanhos esverdeados eram gentis e acolhedores, apesar de serem levemente caídos dando a impressão que estava sonolenta, o nariz pequeno e de ponta redonda e a boca pequena, mas bem carnuda completavam o rosto delicado e arredondado. Apesar da baixa estatura, 1,58m, seu corpo era bem curvilíneo, com busto avantajado, cintura fina e pernas grossas, a pele que costumava ser clara, estava tingida pelo bronzeado do verão.

– Não esqueça de me escrever, tá? — a mãe italiana perguntou segurando as lágrimas.

– Não se preocupe, mãe. — Kath retribuiu o abraço com lágrimas nos olhos, se afastando em seguida. — Tenho que ir.

– Faça uma boa viagem, querida — Madonna insistiu. — E não se esqueça de me enviar uma coruja quando chegar.

– Não se preocupe. — Kath deu um último abraço e um beijo na mãe e subiu no trem.

Olhava as cabines, procurando uma vazia ou algum de seus amigos, até que abriu a porta de uma e viu William Lewis. Alto, magro, cabelo castanho e famoso por suas piadas em aula... Só não tão célebre quanto Victor Shafiq, seu melhor amigo, que tinha um histórico maior de detenções pela incidência de piadas um tanto mais pesadas que as de William, contra alunos e professores

– Hey, Kath! Procurando uma cabine? — perguntou com um sorriso tímido no rosto.

– Sim! Posso me sentar aqui? — perguntou tranquila.

– Claro! O Victor foi buscar alguma coisa no vagão-restaurante e já chega. — ele indicou o banco a sua frente.

Katherine sorriu e ia entrar na cabine quando ouviu seu nome ser chamado. Olhou para o corredor mais uma vez e viu aqueles misteriosos olhos castanhos a encararem, perdeu o folego momentaneamente. Não sabia ao certo o que fazer ou como reagir. Era sempre assim com Theobaldus Wilkes e suas feições misteriosas, os cabelos castanhos sempre bem aparados e alinhados, sempre perfeitamente arrumado, mesmo agora que usava uma camisa cinza simples e jeans. Notou que ele estava falando alguma coisa, mas, simplesmente, não conseguia prestar a mínima atenção, até que se forçou a focar no que ele dizia:

– Vai mesmo se rebaixar e sentar com o Lufano, Lacorte? — questionou com um sorriso de canto nos lábios. — Existem companhias bem melhores do que um Sangue-Ruim e muito mais adequadas a você.

A garota olhou de soslaio e viu que William havia se levantado. Apesar do olhar permanecer tranquilo sua expressão corporal dizia que estava atento. Wilkes não era exatamente um briguento, mas era conhecido por ameaçar alunos e, ocasionalmente, se envolver em brigas, entretanto Kath tinha certeza que aquilo não era proposital... Afinal, Wilkes era um cavalheiro com mulheres em geral e jamais havia a destratado de alguma forma. Conseguia sentir um clima estranho se formar naquele espaço. O que estava havendo? Olhou para William com segurança, pedindo em seu olhar que ele não fizesse nada, William baixou a guarda com relutância. Theobaldus sorriu vitorioso para o Lufano que lançou-lhe um olhar de desgosto, mas nada fez a respeito.

– Ué? A minhoca se perdeu de suas irmãs? — a voz debochada de Victor Shafiq se fez presente.

Katherine virou para trás para enxergar de onde vinha o som e se deparou com a figura de Victor parado a suas costas no corredor do vagão. Trazia diversas guloseimas nas mãos.

– A segunda toupeira chegou. – Theo sorriu provocando. — Te vejo por ai, Lacorte... Quando estiver sem seus guardas-costas.

Ele se afastou, soltando um último sorriso para ela. Kath nem tinha se dado conta de que prendia a respiração. Mas era inevitável, Wilkes exalava prepotência e superioridade assim como vários outros Sonserinos, mas para Kath ele era completamente diferente de seus outros companheiros de casa. Continuou pelo corredor sem olhar novamente para Kath. A jovem de cabelos castanhos saiu de seu transe momentâneo e imediatamente soltou um olhar de reprovação para os dois Lufanos.

– Precisavam ser tão hostis? — questionou irritada. — Vocês são da Lufa-Lufa, em tese, deveriam ser legais com todo mundo.

– Ser legal, Kath, não significa ser idiota. — Victor pegou Kath pelos ombros e a tirou da porta da cabine para poder entrar. — Aliás, é tão estranho te ver com cabelos castanhos.

A garota ficou estática enquanto era movida para fora da passagem. Era verdade, costumava transfigurar os cabelos ruivos na escola, a coloração era vermelho-cereja, mas como ainda era menor de idade, morava em um local trouxa e sua mãe era trouxa... Logo, se fizesse como nas férias de seu quarto ano em que transfigurou os cabelos para vermelho, receberia a adorável carta do Ministério a chamando para depor em uma sessão a respeito de uso de magia por menores e em local amplamente habitado por trouxas. Assim que Victor se acomodou, tomou seu lugar ao lado de William, o garoto se virou para a amiga dizendo calmamente:

– Wilkes não é lá flor que se cheire, sabe muito bem disso. — ele parecia genuinamente e desnecessariamente preocupado. — Além disso, é Sonserino.

– Nem todos da Sonserina são ruins. — Kath rebateu e se virou para Victor. — E só está dessa cor porque não podemos usar magia fora da Escola... Mal posso esperar para atingir a maioridade.

– Sim, eu concordo, Kath... Mas Wilkes definitivamente não está entre os que "não são ruins". — Victor respondeu.

– Vocês estão implicando com ele! — Katherine rolou os olhos. Em geral, os amigos eram verdadeiros palhaços e a fariam dar muitas risadas, mas não quando se tratava de Theobaldus Wilkes. Bufou: — Acho que estão com ciúmes, isso sim.

Victor começou a gargalhar diante do apontamento, como se fosse a melhor piada do ano, mal conseguia respirar de tanto que ria. Já William, enrubesceu o máximo que sua pele mais morena permitia e se concentrou na vista de todos os pais amontoados na Plataforma enquanto o trem partia. Não estava com ciúmes. Ou será que estava?

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Candance Crane deixou que seus tios a abraçassem pela emoção em sua despedida, Andrew e Ryan pareciam mais pais da garota do que tios. Na verdade, Andrew era irmão de Alicia, mãe de Candance e que, assim como seu pai, estava presa em Azkaban e condenada à apodrecer por toda eternidade na prisão dos bruxos.

Se afastou dos tios e seguiu seu caminho para o trem apenas acenando diante das palavras de incentivo, ajeitou os cabelos castanhos médios encaracolados, mas que estavam presos em uma trança que chegava a sua cintura. As feições apáticas de sua face magra se mantinham impassíveis como os olhos cinzentos diante do tumulto de alunos, pais, malões e tudo o mais. Todo começo de ano era basicamente isso: caos e lágrimas de pais. Subiu em um vagão, geralmente onde encontrava àquela que poderia chamar de amiga, enquanto os outros alunos se afastavam da sua presença. Era quase como se um predador decidisse sair de sua toca e dar um passeio pelo descampado, habitat dos demais animais, todos pareciam abrir caminho para ela, desejando se afastar o máximo possível da garota de ar sinistro.

Era uma surpresa ter ido para a Corvinal em seu primeiro ano, tinha certeza absoluta que honraria suas origens e a tradição da família de seu pai e seria escolhida para a Sonserina. No entanto, àquele Chapéu tagarela mal encostou em seus cabelos e berrou arbitrariamente que ela estaria na Corvinal.

Havia subido atrasada e já sentia o trem se mover aos poucos. Seus tios deveriam estar em prantos de emoção e orgulho, como qualquer outro casal que se despedia dos filhos. Abriu a porta de diversas cabines, onde os ocupantes a olhavam assustados, principalmente os novatos. Seriam suas vestes desbotadas ou as tatuagens de runa que desciam de seus ombros e por toda extensão de seus braços? Onde estaria Katherine?

Ouviu uma barulheira e risadas, risadas muito altas por sinal. Abriu a porta da cabine e lá estava Katherine com Victor e William, dois lufanos. Não seria bom mencionar em sua próxima carta para seus pais que andava por ai com dois lufanos.

– Candy! Tudo bom? – Katherine Lacorte abriu um largo sorriso. – Como foram as férias?

– Entediantes. Novamente o pedido para visitar meus pais foi negado. – respondeu.

– É uma pena. – Kath estava realmente sentida pela amiga de casa, Candance sentia isso.

– Quer se juntar a nós em um concurso de imitação? – Victor perguntou. – Eu e William estamos disputando para ver quem imita melhor nossos professores.

– Não e não sei nem porque perguntam. – Candy respondeu em sua sinceridade típica e brutal.

– Então, que tal se juntar a mim e dar nota? – Kath perguntou sorrindo.

– Pode ser. – a garota de trejeitos diferentes do normal respondeu.

– Ótimo. – William que se pronunciou. – Você tem de avaliar similaridade de trejeitos e de voz. Candy, escolha o próximo... A Professora Trelawney já foi.

– Professor Flitwick, então. – Candance se pronunciou, tomando confortavelmente o assento ao lado de Katherine e olhando enquanto os dois lufanos tentavam imitar o Diretor da Corvinal.

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Dora não era fã de fofocas. Na verdade, detestava esse tipo de coisa. Achava uma grande perda de tempo e até de neurônios, mas todos falavam do novo caso entre Dean Acacius Prince, Capitão do Time de Quadribol da Grifinória e Bi-Campeão da Taça das Casas, e de Olympia James, Corvinal e, de acordo com os garotos, uma das mais bonitas de Hogwarts, sem grandes méritos além desse. As meninas só falavam disso! A cabine era ocupada apenas pelos irmãos Morgan. Dora olhou para seu meio-irmão emburrada e ele riu, passando as mãos pelos fios negros e curtos logo em seguida. Dora revirou os olhos verdes e, ainda descontente, ajeitou os cachos ruivos, voltando ao seu pacote de Feijõezinhos de Todos os Sabores, sua pele branca pincelada por inúmeras sardas contraída em uma expressão mista entre revolta e irritação profunda.

– Sério... Como você tem paciência pra isso? – bufou a ruiva, finalmente não conseguindo se conter diante dos comentários feitos de dois em dois minutos no corredor sobre Prince e James.

– É só não levar a sério, pirralha. – ele riu.

– Não... Te juro! O Prince não pode fazer nada que até parece que a Rainha, em pessoa, resolveu vir para Hogwarts. — a garota disse realmente indignada.

– Todas as garotas amam o Prince... É só ele chamar que vão quase todas correndo. Vai me dizer que você não tem nem uma quedinha por ele? – cutuco Jake, dando uma piscadela sugestiva. — Ele é seu capitão, nunca pensou em agarrá-lo no vestiário depois do jogo? — Jake deu uma piscadela provocativa para a meia-irmã.

– Humpf! – bufou novamente. Bingo, ele havia acertado em cheio seu ponto de irritação profunda. – Até parece! Nem se ele realmente fosse um bom jogador de Quadribol! Aliás, esse ano a vaga de Apanhador está em aberto e eu vou fazer os testes.

– Ele ganhou a taça duas vezes, pi! Com você como batedora, ele não vai te deixar sair dessa posição. – Jake ressaltou. – Além disso, ele sempre pega as garotas mais gostosas da escola.

– Agora... Nesse exato momento... Tenho nojo de você! – rebateu Dora irritada. — E não se esqueça que nessas duas vezes, tinha um time, além dele, que ganhou a taça!

– Mas é sério! Veja Olympia James! Alta, morena, olhos cor-de-mel, jeito de top model com todo aquele ar de inatingível... Eu ficaria com ela, fácil! Qualquer homem hetero e até algumas mulheres ficariam com ela! – o garoto insistiu no assunto, mais para ver sua irmã irritada do que qualquer outra coisa. — Ela entra na mesma categoria de beleza da Lilia Beloskvic e Aelia Rosier, mas com muito menos ódio e desprezo a pobres almas comuns.

– Que seja! Isso só prova que você gosta de cretinas. – respondeu ainda mais irritada e pegou um feijãozinho e sorriu internamente. – Achei seu favorito, quer?

– Claro! – Jake abriu um sorriso.

Imediatamente ele pegou o feijãozinho da mão da irmã e colocou na boca, nem mastigou e já o cuspiu longe. Dora rolava de rir em seu assento, lágrimas começavam a se formar em seus olhos de tanto que ria. Havia sido um palpite de sorte, muita sorte, mas que havia dado muito certo.

– Que merda, Dora! Você me paga! Sério! – esbravejou o rapaz, alcançando rapidamente uma garrafa de água.

– Era do quê? – conseguiu dizer entre risos, enquanto tentava respirar.

– Vômito!

Dora voltou a gargalhar, sentia a barriga doer ainda mais ao ver o irmão tentar se livrar do gosto de vômito virando uma garrafinha de meio-litro de água. Tentava respirar, mas mal conseguia, suas bochechas já até doíam e ainda assim, era inevitável. Que melhor maneira de começar mais um ano letivo do que pregando uma pequena peça em uma das pessoas que melhor conhece?

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O casal austero, evidentemente estrangeiro, olhavam para única filha; uma jovem em seus 16 anos, alta, magra, porte elegante, cabelos castanhos lisos encobrindo seus ombros, o rosto angular de maçãs proeminentes e nariz delicado, eram decorados pelos marcantes olhos azuis bem amendoados, a pele morena pelo verão que passara no litoral da Itália com a família dava ainda mais destaque aos olhos. A mãe se vestia de forma elegante com diversas jóias, enquanto o homem usava um terno bem alinhado e impecável, possivelmente feito sob medida e com tecido nobre em algum alfaiate bruxo de renome.

– Espero que continue a ser uma boa menina, Lilia. – a mulher falou.

– Não se preocupe, mãe. – respondeu a jovem.

– E, Lilia! – o pai chamou a atenção e a jovem olhou para ele sem emitir uma palavra, isso o encorajou a continuar. – Se mantenha longe de nascidos trouxa e de trouxas... Não são dignos de sua posição.

Ela apenas assentiu com a cabeça. Não estava em posição de questionar seus pais, provavelmente, nunca estaria. Eles se afastaram enquanto ela virava as costas entrando no vagão de uma vez, sem nem ao menos se virar e olhar novamente para os pais. Suspirou assim que teve a certeza que já estava fora do alcance dos olhos severos. Olhava para dentro das cabines, procurando alguém que conhecesse, até que se deparou com uma jovem loira, mas em um tom loiro claro que descia até suas costas, era alta e pele macia, com maçãs proeminentes e rosadas, tudo em perfeita harmonia no rosto angelical delicado e os grandes olhos azuis límpidos e brilhantes que adornavam seu rosto. Aelia tinha um jeito angelical e aparentava ser uma garota tranquila, não que necessariamente fosse verdade.

– Verão difícil? — perguntou para Lilia com sua voz angelical e já imaginava a resposta pelas feições da russa.

– Nem me fale. Geralmente as pessoas reclamam de voltar pra escola... — a russa respondeu num suspiro. — Mas pelo menos eu consegui ir pra praia.

– Viu a Dyl por ai? — Aelia perguntou, ainda não tinha visto a amiga e companheira de quarto.

– Não. Provavelmente ela vai no vagão dos monitores, de novo. Só vai aparecer quando chegarmos às Masmorras.

– Ah, sim... — Aelia abriu um pequeno sorriso. — Mas como planeja melhorar seu ano?

Diante da pergunta, Lilia abriu um largo sorriso. Afinal, já no dia 10 de setembro faria 17 anos, sua maioridade e, certamente, a data não poderia passar em branco. Já tinha todos os planos em sua mente, precisava apenas da ajuda de Wilkes para executá-los e de Dylan, afinal, ela como Monitora era peça fundamental para ninguém ir parar na Detenção.

– Então... Esse ano minha festa de aniversário será incrível! Planejo começar o ano superando tudo o que já foi realizado nessa escola. — sua empolgação transbordava de sua voz.

– O que planeja? — Aelia já se animou também.

A loira amava festas, amava dançar ao som de uma música agitada e aproveitar cada minuto de uma dessas festas que passam num piscar de olhos e fazem a noite parecer muito mais curta do que realmente era. E se havia alguém naquela escola que realmente sabia como organizar festas do mais alto nível possível e de um gosto impecável, esse alguém era Lilia.

– Quero fazer meu aniversário na Torre de Astronomia! Aproveitar que o tempo ainda estará bom. E já tenho planos para o seu aniversário que é em Novembro. — a russa sorriu. — Dyl terá que fazer sua mágica e garantir que nenhum dos monitores das outras casas ou os Monitores-Chefe apareçam por lá durante a ronda.

– Isso pode ser um problema. — Aelia voltou a ficar preocupada. — Um grande problema!

– O que? Que problema? — Lilia tinha preocupação na voz, não queria se desfazer de seus planos.

– Não sabemos quem serão os novos Monitores-Chefe — Aelia verbalizou preocupada — Dizem que o novo Monitor-Chefe será o Leo Fawley, mas e se a nova Monitora-Chefe for a namorada daquele mestiço da Grifinória? Ela me odeia e te odeia! A Dylan não conseguiria dobrá-la.

– Talvez não, mas confio nela e acho que até lá conseguiremos pensar em algo. — a russa ajeitou as vestes. — Não vou mudar meus planos só por causa desse pequeno desvio.

– Espero que sim. — Aelia parecia genuinamente preocupada, mas logo amenizou as feições com um largo sorriso. — Festa na Torre de Astronomia... E então, Lili, já sabe quem vai convidar?

– Mais ou menos. Preciso muito de sua ajuda para isso, Lia! — Lilia verbalizou. — Não quero que a melhor festa do ano seja contaminada com pessoas vulgares, ou pior... Sangues-Ruins.

A expressão de nojo e desgosto de Lilia era algo único dela. Claro, era normal Sangues-Puros sentirem desprezo por Nascidos Trouxas, Aelia mesmo sentia asco deles e achava vergonhoso como Dylan sustentava com orgulho os objetos "trouxas" que ganhava dos avós paternos. Realmente acreditava que eles não mereciam estar em Hogwarts ou ter posições de grande status no Ministério da Magia ou no mundo bruxo, como um todo. Ainda assim, seu desprezo em nada se comparava com o de Lilia, que era ódio puramente dito. Se para Aelia, nascidos trouxas não mereciam posições de destaque e deveriam executar apenas aquelas tarefas indignas de Puros-Sangues, para Lilia, eles não mereciam respirar o mesmo ar que ela, não mereciam estar no mesmo ambiente que ela. Se Aelia convivia com os estudantes nascidos-trouxas, com apenas um pouco de bullying, Lilia era verdadeiramente cruel. Ninguém sabia ao certo o porquê, entretanto. Os boatos mais populares diziam por ai que ela havia sido atacada por algumas crianças trouxas quando ainda era pequena e não tinha domínio de magia para se defender, diziam que ficou seriamente machucada.

Aelia sabia que não era verdade, conhecia Lilia desde pequena, eram amigas de infância e conviveram juntas na Rússia até Aelia voltar para Londres com a avó, assim que completou seus 11 anos. Até essa época, Lilia era completamente indiferente a trouxas e tolerava nascidos-trouxas. Outra versão dizia que os Beloskvic torturavam nascidos-trouxas e trouxas no geral, o que loira também questionava, porque era um grande absurdo em sua própria experiência. Interrompeu suas divagações quando viu o olhar questionador da amiga, não havia respondido sua pergunta e nem percebeu ao se perder em pensamentos, por isso, abriu um sorriso e disse:

– Me desculpe. Estava listando em minha mente quem podemos convidar. Acho que isso responde sua pergunta.

– Muito obrigada! — a russa respondeu com um sorriso. — Devemos chamar o Prince?

– Pode ser. Ele é Puro-Sangue, a família é importante, mas a Dyl vai surtar quando souber!

– Hum... — Lilia estava pensativa. — Melhor discutirmos ele depois, vamos aos que temos certeza.

As duas começaram a planejar a festa. A primeira grande festa de Hogwarts tinha apenas dez dias para ser planejada, por isso, pegaram um pergaminho e Lilia encantou uma pena para já rascunharem os nomes daqueles que teriam a honra de estar no evento.

A porta da cabine fechada, em geral, seria sinal de privacidade, mas ela se abriu, fazendo com que ambas colocassem os pergaminhos de lado olhando de forma suspeita para o intruso. Porém, a postura alerta não durou muito tempo, logo os lábios de ambas se converteu em sorrisos, já que era apenas Alberich Abbott, com seu ar descontraído, cachos castanhos-escuros curtos meio desgrenhados e olhos chocolate carregando àquele brilho de quem realmente havia gostado do que tinha ouvido.

– Como vão as beldades de Hogwarts? — riu, entrando e se sentando ao lado de Lilia, ainda que não tivesse sido convidado.

– Como sabia que éramos nós e não o Travers dentro da cabine? — Aelia perguntou divertida.

– Oras, ouvi suas adoráveis vozes. — sorriu galanteador e logo fez uma expressão de quem escondia um segredo importante. — E ouvi algo sobre uma festa! Me contem mais sobre isso.

– Como o você é enxerido! Não é, Sr. Abbott? — Lilia o repreendeu amigavelmente.

– Oras, não tenho culpa se disseram o feitiço que me atraiu até aqui. — ele riu da repreensão. — Então, me conte Lily, minha flor, estou na lista de convidados dessa sua mega festa?

– Oras! — Aelia se fingiu de zangada. — Há quanto tempo está do lado de fora da porta ouvindo a conversa dos outros? Não sei se merece ser colocado na lista com uma atitude dessas.

– Pois é, Alberich...! Acho que merece uma punição por ser tão intrometido. — Lilia complementou. — Talvez ficar a noite inteira do lado de fora enquanto a gente se diverte.

– Poxa, vocês já foram melhores. — Alberich ensaiou uma expressão indignada, que não passou de uma caricatura.

– Nós já fomos melhores? — a russa olhou rindo num misto de surpresa e divertimento — Não sou eu, nem a Lia que ficamos na porta das cabines ouvindo a conversa dos outros.

– A verdade, então. As senhoritas sabem muito bem que não existe uma festa realmente boa nessa escola sem minha ilustre presença. — o moreno se gabou, fazendo uma pose de importante. — Nem mesmo uma festa na Torre de Astronomia.

– Abbott! Acho que você e seu ego precisam de uma cabine só pros dois. Está ficando difícil de respirar aqui, vocês sugam todo nosso oxigênio. — Aelia cutucou, mas sem perder o tom de brincadeira.

– Ouch! — o rapaz colocou a mão sobre o peito, como se tivessem cravado um punhal nele. — Assim você me ofende, meu anjo celestial.

Aelia só abriu um meio sorriso e fez um gesto com as mãos, como se Alberich não tivesse salvação, enquanto Lilia sorria abertamente diante da cena dos amigos. Logo a expressão do sonserino se converteu em uma mais séria e ele disse:

– Mas é sério! Muito a se planejar e que terá de ser perfeito para muito pouco tempo. — constatou. — Do que precisam, meninas?

– Já que você está se oferecendo... — Lilia esticou os braços. — Então, temos que começar a planejar tudo agora e começar a execução já amanhã.

Os três começaram, então, a discutir ideias de como organizar uma festa de tamanho risco, em tão pouco tempo e sem que ninguém fosse parar na detenção por isso. Estavam tão absortos em seus planos que mal repararam quando o trem partiu deixando Londres para trás.

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Ye Song ou, melhor, Lissa falava ao seu celular em coreano; um iPhone novíssimo que ganhara de seu pai durante as férias, aliás, falava com ele. Ele gostaria de estar presente em seu embarque, mas tinha de trabalhar. Já havia se despedido de sua mãe e de seu padrasto e agora procurava por algum rosto conhecido. Lissa tinha um rosto fino e delicado, de pele clara, olhos castanhos-escuros bem puxados, seus cabelos eram negros e lisos, compridos com uma franja farta emoldurando seu rosto. Tinha um estilo mais mignon, bem magra e esguia, e seu jeito delicado era ressaltado pelo vestido azul-marinho de saia rodada com pequenos cachorros estampados em bege, nos pés uma sapatilha rosa com um pequeno laço na frente.

Continuava sua procura em meio a multidão, até que encontrou um rosto conhecido. Os cabelos castanhos e cacheados de Kiara contrastavam com a pele clara, os olhos castanhos pareciam procurar rostos conhecidos. Diferente de Lissa que era bem magrinha, até por conta de sua ascendência oriental, Kiara tinha bem mais curvas e busto avantajado. Falava com um homem que devia ter algo entre 35 e 40 anos, feições sérias, cabelos loiros escuros e olhos castanhos.

– Tenho que ir, appa! — Disse Lissa em coreano. — Anneyong!

Desligou o telefone e foi até a amiga que tão logo a avistou se despediu do rapaz e foi de encontro a coreana. Um grande sorriso emoldurando os lábios rosados de Kiara que também abriu os braços e cumprimentou a amiga em um gesto muito caloroso. Claro que Lissa retribuiu o cumprimento, não haviam se conversado durante todas férias de verão, também não haviam visto nem sinal de Morgan ou de Katherine, mas teriam tempo mais do que o suficiente para colocar as novidades em dia:

– Por que não me respondeu nenhuma de minhas corujas ou falou comigo na lareira? — Kiara perguntou calorosa. — Parecia que você foi abduzida.

– Ah! Fiquei essas férias com meu pai em Seul, meu pai é trouxa e ele não tem nenhum aparato mágico. — Não que a mãe de Lissa tivesse, mas era milhões de vezes mais fácil uma coruja chegar a casa de sua mãe em Londres do que na casa de seu pai, em Seul.

– Podia ter me avisado! — protestou Kiara. — Vamos achar algum lugar pra sentarmos?

– Sabe como é, estou tão acostumada que acabei esquecendo. — respondeu, seguindo a amiga para dentro de um dos vagões.

– E como é a Seul? — Kiara estava curiosa, passava pelas cabines, procurando uma vazia, logo protestou quando alguém esbarrou nela. — Hey! Olha por onde anda!

Ye Song nem teve muito tempo para responder, apenas sentiu ser bruscamente empurrada para trás com o tranco. Só não caiu porque teve tempo de se agarrar a uma porta aberta e reestabelecer seu equilíbrio. Olhou para trás e viu a figura apressada de Aiolos Travers, um sonserino do sétimo ano e um ogro em termos de educação com qualquer um; colegas, professores, monitores e funcionários. Não fazia distinção, diferente de alguns puxa-sacos. Com seu porte forte, 1,80m, os cabelos castanhos-claros curtos, olhos azuis claros enigmáticos e penetrantes; ele realmente era bonito, mas toda essa beleza e aura de mistério que ele exalava eram completamente por seu jeito rude e grosso de tratar a todos, afinal, que espécie de pessoa saia esbarrando em todos alunos no corredor apertado de um trem sem sequer se importar se estava machucando alguém, ou não? Não era de se admirar de ser o recordista de detenções já levadas por alguém.

– Alguém podia dar algumas aulas de etiqueta pro Travers. — Park bufou irritada, se recompondo e se endireitando.

– Travers é um caso perdido. — Kiara respondeu. — Não irei me espantar nem um pouco se ele virar um bruxo das trevas assim que sair de Hogwarts, se é que ele já não é!

– Eu duvido... — Ye Song disse incerta, admirando as costas largas enquanto ele empurrava outros estudantes pelo corredor, resolveu dividir sua agonia com a amiga. — É errado achá-lo bonito?

– Quer dizer que ele faz seu tipo, é? — Kiara provocou, mas logo disse com simplicidade e sem qualquer julgamento. – Não! Ele é muito gostoso! Só que a falta de educação compensa completamente tudo o que ele tem de bom fisicamente!

– Pois é... — a coreana respondeu desanimada.

– Mas você não me respondeu como é Seul! — Kiara havia notado o desânimo da amiga lufana e tentou retomar o assunto anterior.

– É bem agitada. — Lissa se animou novamente. — É uma megalopole, milhões de pessoas! Mas eu gosto bastante. — um sorriso iluminou seu rosto. – Áquelas luzes! Me sinto em casa, não sei explicar.

Kiara entrou em uma cabine e Lissa a seguiu, acomodando suas coisas em um silêncio confortável. Kiara sorria para a coreana que resolveu quebrar o silêncio momentâneo:

– E você é alemã, não é mesmo? — era uma pergunta retórica, por isso continuou. — Foi passar as férias na casa de seus pais?

Collins ficou tensa por um momento, não sabia ao certo o que responder. Em geral, as pessoas não faziam esse tipo de pergunta porque ela não dava a chance de fazerem. Respirou fundo, o melhor era responder sem dar detalhes, talvez Lissa se satisfizesse com isso e deixasse para lá as perguntas que poderiam vir em seguida.

– Não, fiquei por aqui mesmo. — respondeu rezando para que isso bastasse.

– Como é a Alemanha? Nunca tive oportunidade de ir pra lá. — Lissa sorriu simpática e demonstrando curiosidade. — Dizem que as pessoas são sisudas, mas você é tão simpática.

E agora? O que responderia? Que não se lembrava direito como era sua casa? Que não falava com sua mãe nem sabia ao certo a quanto tempo? Resolveu se ater a técnica empregada por Lissa, responder evasivamente e torcer para que ela não perguntasse maiores detalhes. Queria saber mais sobre a estada da amiga em Seul na casa do pai, mas decidiu que não perguntaria a fim de que ela não perguntasse também.

– É. As pessoas são mais sérias. É um país grande, muitas cidades. Hamburgo é como outras cidades grandes, nada demais. — Kiara respondeu tentando desconversar.

– Ah, mas deve ser legal! — Lissa parecia empolgada. — De qualquer forma, quando eu for pra lá, você pode me guiar! Seria divertido.

– É...Seria. — Kiara disse hesitante.

O trem começou a se mover e Kiara olhou para a janela ainda tensa com a sessão de perguntas inesperada. Lissa também olhou dando um "tchau" animado para sua mãe e seu padrasto assim que seu vagão passou por eles, não tinham certeza se eles a tinham visto, mas sentia que sim. Mais um ano em Hogwarts e a coreana tinha uma ótima sensação sobre seu sexto ano. Já Kiara parecia incerta, não queria se afastar de Lissa, mas ela já estava fazendo muitas perguntas que não deveriam ser feitas... Uma hora ela perguntaria de novo e o que diria? A verdade? Não, nunca! Por isso, só lhe restava torcer para que a amiga esquecesse isso ao longo do ano e focasse nos NIEMs que teriam no sétimo ano.

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Josephine estava em um de seus raros momentos de afetividade. Abraçava seus pais com força e já com saudades. Não queria deixar Amélia e Dylan preocupados, mas rezava mentalmente para que seu ano fosse mais tranquilo. Desejava que pelo menos que Prince e sua turma de trasgos da Grinfinória se preocupassem mais com seus NIEMs e a deixassem em paz, assim como Fawley e Wilkes. Ainda assim, o problema maior era Prince. Astro do Quadribol na escola, em seu mundo seria equivalente ao Capitão do Time de Futebol do colégio, só que a níveis muito mais perigosos e insanos.

– Querida, divirta-se. — Amélia sorriu terna, olhando nos olhos da filha. — E namore bastante! Mal posso esperar para você levar algum namorado em casa.

– Não ouça sua mãe, ela está louca! — Dylan falou logo em seguida, um nervosismo em sua voz. — Sendo bruxo ou não, não quero garoto nenhum perto de você. Serei obrigado a ter uma conversinha de homem para homem.

– Não se preocupe, pai. Não haverá nenhum garoto. — Josie respondeu achando aquilo divertido, pois Amélia lhe lançou uma piscadela confidente. — Tenho que ir.

– Tenha um ótimo ano, filhota. — Dylan deu um último abraço na filha.

– Aproveite bastante, querida! Temos muito orgulho de você. — Amélia deu mais um abraço com lágrima nos olhos, sendo amparada pelo marido. — Viremos te buscar para o Natal.

Josie apenas assentiu em resposta, subindo no trem enquanto acenava. Precisava achar uma cabine vazia e fechá-la antes de encontrar com qualquer imbecil.

–/-

– Cara... Esse vai ser nosso melhor ano em Hogwarts! — Dean falava com seu melhor amigo, os dois andavam em direção a cabine reservada a eles. — Vou levar meu time a vitória mais uma vez.

Ainda que Frederic ficasse profundamente irritado com o nível de exibicionismo de seu amigo e com a facilidade ridícula com que conseguia absolutamente qualquer coisa desde vencer jogos até garotas, tinha de admitir que o cara sabia o que fazia em campo e tinha seus méritos. Já Dean sentia que esse era seu ano de glória suprema, seu tio seria Professor de Defesa Contra Artes das Trevas, ou seja, eliminava seu pequeno problema de notas na matéria. Além disso, queria fechar o ano como Tri Campão da Taça de Quadribol! Bastava escolher um novo Apanhador para a vaga que Joseph L. Smith havia deixado com sua formatura em Junho.

Nada o segurava. Ele, Dean Acacius Prince, puro-sangue, família tradicional e abastada, Astro do Quadribol de Hogwarts e irresistível para quase qualquer garota, sabia que deveria fechar sua fantástica estada em Hogwarts com dignidade. Que mulher resistiria a seu charme? O que faltava? Ao seu lado tinha seu melhor amigo, Frederic Moore, goleiro de seu time de Quadribol. Quase todos gostavam dele, além de ser extremamente popular. Todo grande cavaleiro, precisava de um escudeiro fiel e Fred era isso. Também tinha Olympia James em sua grande lista de garotas com quem saíra e com quem dormira.

– Para iniciar o ano com chave de ouro eu poderia ter sido nomeado Monitor-Chefe. — Dean acrescentou enquanto andava pelos corredores.

– Hah! Você nunca foi Monitor, Dean. — respondeu o loiro andando logo atrás do amigo. — Meio difícil, não?

– Fred, isso não impediria que eu fosse nomeado Monitor-Chefe. — o rapaz respondeu.

– Mas seu comportamento e o número de detenções que recebeu todos esses anos são um grande impeditivo — o loiro lembrou rindo. — E suas notas não são tão boas assim. Muito mais fácil o Whitaker assumir a posição.

– Mas isso tudo será relativo quando eu for um Ídolo Internacional do Quadribol. — respondeu jocoso. — E o Whitaker será o que? Chefe do Departamento de Aurores como a família inteira antes dele? Sem emoção nenhuma nisso.

Estavam parados em frente a cabine e Olympia James saiu, dando um belo sorriso para Dean e um olhar de desprezo para Frederic. O rapaz não gostava de estar sempre em segundo plano, queria a garota bonita ao invés de ficar com as sobras de Dean. Porque era sempre assim, se aproximavam dele para ficarem mais próximas de Dean, saiam com ele por ele ser o melhor amigo de Dean

– Estava me perguntando se vocês iriam chegar em algum momento. — ela sorriu. — Entrem, estava guardando a cabine para nós, Dean.

– O Fred vai com a gente, minha linda. — Prince sorriu galante.

– Uma pena. A surpresa terá que esperar, então. — a jovem sorriu maliciosa se virando para entrar na cabine.

Freddie tinha asco dessas conversas, até porque Dean chamava todas de "minha linda". Isso evitava muitas confusões e problemas, principalmente, quando o Capitão do time da Grifinória começava a ver mais de uma garota ao mesmo tempo. O loiro não apoiava isso e já havia falado para o amigo, mas ele não parecia se importar, já que conseguia dormir com quase qualquer garota que queria. Olympia era apenas mais uma na bem extensa lista. Dean saia apenas com as mais cobiçadas, as mais populares, as mais bonitas, dessas apenas seis haviam o rejeitado.

Olympia entrava na cabine quando parou de sopetão olhando em direção ao corredor. Dean e Frederic levantaram o olhar e viram uma garota de, aproximadamente, 1,65m vindo em sua direção no corredor; a cabeça estava baixa, as madeixas castanha-claras, quase loiras, onduladas só não estavam mais bagunçadas por estarem presas em um rabo de cavalo frouxo, feito de qualquer jeito. Ela usava uma camiseta preta obviamente de um ou dois números maiores que o adequado para seu corpo magro com letras grandes com o nome de alguma banda trouxa, jeans desbotado e um all-star vermelho velho completavam o visual desleixado. Fred viu que ela levantou a cabeça e parecendo perceber que era observada, imediatamente soltou um longo e pesado suspiro, como se se preparasse mentalmente para algo ruim. Ele achou estranho, mas logo entendeu muito bem o porquê e, para isso, bastou Olympia abrir a boca com seu tom de superior:

– Fracasine! Quer dizer que vai voltar esse ano? Alguns de meus amigos apostaram que não ia voltar para o Quinto Ano. — a Corvinal vestiu um sorriso um tanto debochado. — Mas você é uma lufana persistente, não é mesmo? Será que dura até os NOMs?

–/-

Todas as malditas cabines estavam ocupadas, uma atrás da outra. Foi para o próximo vagão e para o outro. O melhor e mais vazio era anterior ao vagão dos monitores, até porque, em algumas ocasiões, os novos professores viajavam em alguma cabine dele e circulavam pelos corredores. Os alunos pareciam querer evitar isso, mas Josie sabia que era perfeito, poderia se sentar ler seu livro em paz sem ser incomodada.

Passou por mais um vagão e sentiu que era observada, sentia isso em seus ossos. Ergueu a cabeça e suspirou com a visão; talvez o universo não conspirasse ao seu favor, definitivamente não. Cheia de si, no alto de seus 1,75m e sua magreza no estereótipo de modelo, os cabelos castanhos escuros e sedosos escorrendo por seus ombros, os olhos cor-de-mel destacados pelo delineado de gatinho em preto e os lábios rosados pelo gloss, estava Olympia James, um inferno de corvinal que, definitivamente, merecia estar na Sonserina. Para piorar, junto dela estava Dean Prince, uns dois centímetros mais baixo que Olympia, os olhos azuis brilhantes, as madeixas castanhas penteadas e arrepiadas e o porte atlético e intimidador de Astro do Quadribol e Grifinório. Atrás de Prince, seu escudeiro, Frederic Moore, também do Quadribol, uma subcelebridade eternamente ofuscada por Prince e seu ego. Tinha de confessar que o achava até que bonitinho, tinha 1,80m, também tinha àquele porte atlético de jogador de Quadribol, os cabelos loiros curtos e também meio arrepiados, os olhos azuis esverdeados e a barba rala por fazer davam a ele um ar descontraído e de ser uma boa pessoa. Mas ainda assim, era parte da turma de trasgos montanheses de Prince.

Soltou um longo suspiro. Se fosse apenas Prince e Moore, talvez eles a ignorassem e a vida seguiria como costumava até o segundo dia letivo. Porém, a presença de Olympia James mudava tudo, a garota não perdia uma oportunidade de importuná-la e nem sabia o porque. Em tese, Josephine era da turma dos "invisíveis" a maior parte do tempo. Ouviu a voz suave de Olympia, usando seu tom mais jocoso e debochado:

– Fracasine! Quer dizer que vai voltar esse ano? Alguns de meus amigos apostaram que não ia voltar para o Quinto Ano. — a Corvinal vestiu um sorriso um tanto debochado. — Mas você é uma lufana persistente, não é mesmo? Será que dura até os NOMs?

– Me deixe passar, James. — Josephine disse como se nada tivesse acontecido; usava seu tom frio costumeiro, queria apenas ir embora.

– Ué? Não vai mais cumprimentar os amigos, Fracasine? Onde está sua educação? — Olympia usou um tom de ofensa dissimulada, continuava com o sorriso debochado no rosto.

– Se você se considera minha amiga, acho que precisa se tratar. — Josie usou um tom ácido e irônico e pelas feições de Olympia aquilo realmente havia a ofendido.

– Relaxa, Barton. A Oly não disse nada demais. — Prince interveio em benefício de Olympia, Fred assistia a cena quieto.

– Pelo menos eu tenho um namorado lindo para lutar por mim, diferente de você. — o sorriso debochado no rosto de Olympia retornou e ela pousou a mão sobre o peito de Prince.

Fred viu o amigo segurar a respiração e ficar extremamente tenso assim que a palavra "namorado" saiu dos lábios da corvina. Ele já vira aquela cena milhares de vezes e até tinha um pouco de pena do amigo nessas situações. Dificilmente Prince conseguia diferenciar as garotas que saiam com ele para conhecê-lo e as que queriam o status de estar ao seu lado, ou para beneficiar a imagem de ambos. Ele mesmo, Frederic Moore, tinha dificuldades de saber se as garotas com quem saia estavam mais interessadas nele ou no fato dele ser o "melhor amigo de Dean Prince". Porém, por sua experiência, acreditava piamente que Olympia não estava interessada em conhecer quem era Dean Prince.

– Eu prefiro não ter namorado do que ser apenas mais um nome na grande lista de garotas que esse ai — ela apontou para Prince — já comeu.

Olympia olhava horrorizada para o linguajar de Josephine que mantinha a expressão impassível. Frederic teve vontade de rir por um momento, mas se conteve diante dos olhos arregalados do amigo que suava frio... Afinal, desde quando estavam namorando, mesmo? Josephine andava sozinha, dificilmente conversava com alguém, mas com toda certeza sabia se defender diante das adversidades.

– Se me dão licença. — a lufana pediu.

Josephine passou entre os três dando um esbarrão meio brusco em Olympia e continuou pelo corredor com sua cabeça baixa; abriu uma cabine qualquer quando ouviu a voz indignada e chorosa de Olympia:

– Você não disse nada, Dean!

– Acho que precisamos conversar, minha linda. — Dean pronunciou hesitante com um sorriso amarelo.

Moore suspirou e fez um gesto de negação, se afastando da cabine que iria entrar anteriormente, deixando Dean e Olympia entrarem sozinhos na cabine que a garota tinha reservado. James sorriu vitoriosa e entrou na cabine fechando a porta atrás de si. Josephine, então, se dirigiu a próxima cabine livre e entrou sem qualquer cerimônia.

– Essa cabine já está ocupada. — a voz grossa e imperativa fez a lufana se virar. — Cai fora.

Aiolos Travers era um dos grandes mistérios de Hogwarts. Como ela, ele estava sempre por ai sozinho e não tinha muitos amigos, nem mesmo dentro de sua própria casa, a Sonserina; era rude e grosso. Milhões de boatos corriam por ai a respeito dele, entre eles, o de que ele fornecia poções ilícitas para os alunos. Entretanto, Josie não era o tipo de pessoa que se deixava levar por boatos. Travers estufou o peito, erguendo-se no banco em uma pose agressiva, os olhos azuis-escuros brilhando perigosamente, como se ele fosse matá-la; os cabelos castanhos-claros lisos e bagunçados e as roupas largadas colaboravam para isso.

– É surda? — perguntou aumentando um pouco o tom de voz. — Mandei sair.

– Não achei nenhuma cabine vazia e não é como se eu fosse falar com você, Travers. — respondeu jogando a mochila no banco oposto ao dele — Sou Josephine Barton da Lufa-Lufa, aliás.

– Não me interessa. — rebateu irônico. — Não vai sair?

– Eu vou ficar quieta, é só não me incomodar. Nem vai notar que estou aqui. — Josie se acomodou deixando claro que não se sentia intimidada.

– Que seja. — Aiolos bufou irritado. — Se eu ouvir você respirar, te jogo pra fora eu mesmo.

– Tanto faz. — a garota respondeu, abrindo a mochila e tirando de lá seu livro, Um Apanhador no Campo de Centeio, um livro trouxa e que seu pai havia dado para ler quando tivesse quinze anos.

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Leonides Fawley andava confiante em direção ao vagão dos monitores, ajeitando os fios pretos que insistiam em cair sobre seus olhos. Os olhos castanhos muito escuros olhando os monitores já antigos e os novos do quinto-ano. Todos ajeitavam suas coisas no compartimento acima de suas cabeças e os do quinto-ano conversavam animadamente e pareciam empolgados com a nomeação, mal sabiam eles o trabalho que teriam. Leo poderia estar mais empolgado se tivesse sido nomeado Monitor-Chefe, mas a velha caduca não parecia reconhecer que possuía todos os atributos necessários para a função.

Olhou para frente e viu sentada em um banco sozinha Dylan Ó'Cónnor, sua parceira na monitoria. Ela permanecia com a cabeça abaixada, os cabelos negros como a noite caiam em ondas bem definidas por seus ombros e até o meio de suas costas, contratando com a pele pálida. Curvada daquele jeito não parecia ser tão alta, mas em pé media 1,70m e sustentava um porte e uma altivez de uma rainha, como se todos ao seu redor fossem seus súditos e aqueles que lutariam por ela, e talvez realmente fossem. Parecia compenetrada mexendo em algum objeto e não notou a aproximação de Fawley.

– Dylan. — chamou a atenção da irlandesa.

Ela apenas ergueu os seus olhos verde-jade revelando a face delicada, o nariz pequeno e os lábios rosados. Leonides conseguiu ver o objeto em suas mãos, era um estranho polígono retangular fino com superfície de vidro.

– O que é isso? — indagou curioso.

– Um iPhone.- respondeu com simplicidade em sua voz doce e firme, carregada por seu sotaque irlandês. Ao ver a expressão ainda mais confusa do colega de sala resolveu explicar: — É um aparelho trouxa que funciona por energia elétrica para comunicação por voz e inúmeras funcionalidades... Meu pai o encantou pra eu não precisar carregá-lo.

– Você e seus aparatos trouxas.- suspirou fazendo um gesto de negação com a cabeça, como se reprovasse a atitude.

– Meus avós me deram. E ainda nem foi lançado! — ao ver que ele não mudaria de ideia. – Enfim, eu acho muito útil.

– Útil para mim, nesse exato momento, seria saber quem a velha gagá escolheu como Monitores-Chefes. — respondeu cansado, mas se mantendo em pé. — Preciso saber quem terei de dobrar esse ano.

– Pois bem, você terá que me dobrar esse ano. — Dylan lançou um sorriso divertido. — Sou a nova Monitora-Chefe.

– Sério? Ótima notícia! Aposto que a Aelia e a aquela amiga russa de vocês irão adorar. –disse surpreso e logo emendou em um tom divertido, de brincadeira. — E quem é o pobre coitado que vai ser o Monitor-Chefe? O patético do Finnigan, o Barker Lufano Sangue-Ruim ou o idiota do-

– Sim, serei eu, Fawley. — a voz penetrante e dura soou às costas de Leo, interrompendo sua fala e o fazendo gelar por um breve momento.

Dylan ia responder, ia pedir para que Leo ficasse quieto quando viu o grifinório se aproximando às costas de seu antigo parceiro na monitoria da Sonserina, porém não teve tempo. Sebastian R. Whitaker era filho do Chefe do Departamento dos Aurores, conhecido por ser o melhor duelista da escola, media por volta de 1,80m, porte atlético, feições sérias e duras como as do pai, olhos azuis frios, cachos castanhos num tom levemente avermelhado e curtos. Atrás do novo Monitor-Chefe estava sua irmã, uma adorável aluna do Quinto-Ano da Corvinal, de cachos castanhos-acobreados que escorriam por suas costas e emolduravam o rosto delicado de olhos azuis brilhantes e sonhadores.

– Whitaker, novo Monitor-Chefe, então? — Leo falou com um pequeno tom desafiador e ferino em sua voz macia. — Vejo que sua irmã também vai integrar nossa pequena equipe. Ela é linda, Whitaker! Sabendo que terei tanto tempo com uma garota tão bonita, deixa meu ano tão melhor.

– O que está insinuando, Fawley?

Sebastian Whitaker semi-cerrou os olhos em um olhar muito ameaçador, gesto também repetido por Leo Fawley que não estava nem um pouco disposto a dar o braço a torcer. Nenhum dos dois eram alunos de brigar sem motivo, não a toa eram monitores, mas era óbvio que Fawley estava cruzando uma linha delicada ao colocar Rosalyn no meio. Era de conhecimento geral que Whitaker protegia sua irmã, agora suas irmãs, já que a caçula também ingressaria em Hogwarts naquele ano.

Rosalyn estava com os olhos arregalados, não sabia ao certo o que fazer e estava se sentindo profundamente envergonhada por chamar a atenção de todos dessa forma, via os olhos dos demais monitores sobre si e achava isso extremamente incômodo. As bochechas tingidas de um vermelho muito forte e o olhar baixo não dava espaço para engano e nem seu irmão mais velho, nem o sonserino pareciam notar o embaraço da garota e nem o fato dela ter se afastado alguns passos, tinha medo que os dois brigassem ali. A única que notou foi Dylan, que se colocou em pé entre os dois rapazes com um sorriso no rosto, tentando quebrar o clima pesado que havia se instaurado naquele pequeno espaço, agia como se nada tivesse acontecendo, eles não fariam nada com ela ali, em pé entre eles.

– Como vai, Whitaker? E seja bem-vinda ao time Srta. Whitaker, sou Y. Dylan Ó'Cónnor, mas pode me chamar de Dylan. E esse ser indelicado é Leonides Fawley.

– Senhorita. — Leo acenou para Rosalyn, com os lábios cerrados em um sorriso galanteador.

O sorriso de Leo sumiu tão logo apareceu; Dylan discretamente deu uma leve cotovelada em suas costelas e fez com que o colega de casa ficasse sério, controlando-se para não esboçar qualquer sinal de dor. Nem doera tanto assim, mas não esperava esse tipo de atitude da irlandesa, pois ele não estava fazendo nada demais, afinal, não havia nada de errado em provocar um pouco o monitor da casa rival.

– Ó'Cónnor. — indicou brevemente com um aceno de cabeça, olhando de soslaio para Leo com uma cara de poucos amigos, mas não disse nada. — Temos muito trabalho a fazer.

– Muito obrigada, Srta. Dylan e Sr. Fawley. — Rosalyn Whitaker disse timidamente com sua voz suave e baixa, tão diferente do irmão. — Estou ansiosa para começar oficialmente como Monitora... E... Pode me chamar de Rosalyn, mesmo.

– Foi um prazer conhecê-la. — Dylan disse mais uma vez para Rosalyn e se voltou para o irmão mais velho. — Vamos sentar lá na frente e começar a organizar a Cerimônia de Seleção e nossa agenda de reuniões?

Whitaker apenas acenou afirmativamente e esperou que Dylan passasse a sua frente para escolher o assento no vagão amplo, apenas a seguindo. Sem deixar de lançar mais um olhar frio ainda que ameaçador para o sonserino que não se deixou intimidar. Apesar de Whitaker não ser nenhum valentão, sabia que não era nenhum covarde e iria lutar se fosse necessário, ainda mais pela irmã. O que o grifinório não sabia é que garotas ingênuas, damas indefesas como Rosalyn, não atraiam em nada Fawley. O sonserino fazia àquilo apenas pelo prazer de atiçar a ira de um irmão mais velho valente, leal e super-protetor. Leo sorriu assim que saiu do campo de visão de Whitaker, tirar grifinórios do sério era fácil e muito divertido. Assim que os novos Monitores-Chefes se afastaram e, apesar de Rosalyn parecer temerosa, Leo apenas se sentou no banco que antes era ocupado por Dylan e não disse nada quando a corvina se afastou.

Dylan se sentou na janela, dando espaço para que Sebastian se acomodasse a seu lado a uma distância confortável. A irlandesa ativou novamente o aparelho em suas mãos, abrindo a agenda eletrônica no dispositivo. Whitaker olhou intrigado, porém não comentou nada a respeito e a irlandesa parecia não se importar em explicar.

– Podemos colocar os monitores do sexto ano para guiar os calouros. – Sebastian sugeriu.

– Sim... – Dylan pareceu pensativa por um momento. – Coloque os do quinto ano junto, para ajudar e para serem orientados pelos do sexto, assim eles já vão aprendendo para quando formos para Hogsmeade com os alunos do terceiro.

Sebastian apenas acenou em concordância, logo que todos os monitores chegassem teriam de anunciar que eram os novos Monitores-Chefes e o que cada um faria na cerimônia de Seleção. Dylan anotava em seu dispositivo essas informações.

– Então, próximo tópico... O que acha de nos reunirmos às 3.00 PM todas terças e quintas? — Dylan perguntou com um sorriso.

– Eu tenho Clube de Duelos até às 3.30 PM. — respondeu com simplicidade. — E se for a partir das 3.30PM?

– Clube de Música. — Dylan rebateu pensativa e consultando sua agenda — Temos as sextas livres, fora a reunião com os monitores. Podemos nos reunir antes e até conseguiremos resolver tudo, se formos rápidos.

– Acho muito corrido. — o monitor da Grifinória respondeu. — Segundas e quartas antes do jantar?

– Eu costumo ficar na Biblioteca, mas... — Dylan se censurou balançando a cabeça e abrindo um sorriso. — Não, tudo bem.

Uma garota de madeixas douradas e belos olhos chocolates se aproximou com cautela da cabine de prota aberta, devia medir algo em torno de 1,60m e tinha o rosto redondo e frágil. Olhava desconfiada para Dylan; a irlandesa notou a desconfiança e automaticamente vestiu suas feições sérias enquanto a acompanhava com os olhos, sabia muito bem quem ela era, a voz baixa e doce da garota chamou:

– Sebastian...? — perguntou temerosa.

– Lyla. — o grifinório se virou para ela. — Não sei se já conhece Dylan Ó'Cónnor da Sonserina, a nova Monitora-Chefe; Ó'Cónnor, essa é Lyla Davis, Monitora do sétimo ano da Grifinória.

– Ah! Estavam todos falando que a nova Monitora-Chefe seria Miller da Lufa-Lufa... Você não disse nada sobre a senhorita Ó'Cónnor, Sebastian. — a loira pontuou, mas o Grifinório continuou não dizendo nada a respeito.

– Já conheço a senhorita Davis, mas estou feliz em vê-la bem. — a irlandesa sorriu amavelmente para a garota, ainda sentindo que era medida e avaliada. — Me desculpe por roubar o tempo do seu namorado, mas estamos combinando nossas reuniões durante a semana.

– Então, Ó'Cónnor, se não se importa nos encontramos na entrada da Biblioteca às 4.30 PM. — respondeu para a irlandesa.

– Perfeito! — Dylan sorriu. — Obrigado por seu tempo.

A irlandesa se levantou e se afastou, indo se sentar ao lado de Leonides sem dizer nada. Apenas colocou o aparelho trouxa em sua bolsa. Leo olhou para ela de soslaio e resolveu provocar um pouco:

– Você costumava ser mais sútil.

– E você costumava não arrumar brigas desnecessárias. — ela rebateu.

– Quem vai entrar no seu lugar? – Leo perguntou.

– A Harrison. – Dylan respondeu com um sorriso jocoso. – Vai ficar com saudades?

– Com certeza! Você me abandona e ainda coloca um cão raivoso no seu lugar?

Leo disse alto, em protesto, Harrison passou por eles olhando para o sonserino com cara de poucos amigos. Dylan e Leo se entreolharam e riram da situação, depois continuaram em silêncio, observando o amontoado de pais e guardiões acenando do lado de fora, enquanto o trem partia.

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O tilintar do garfo no cristal chamou a atenção dos alunos, todos devidamente sentados nas mesas de suas casas. Até os calouros que estavam bem agitados na mesa da casa que os abrigaria a partir de então se silenciaram e olharam em direção a mesa dos professores, onde a Diretora se levantava e se dirigia para a frente da mesa. As feições severas de Minerva McGonagall impunham respeito na maioria dos estudantes, principalmente nos novatos que ainda não conheciam a Diretora, apesar de já terem ouvido de veteranos, primos e irmãos sobre a rígida disciplina por ela imposta. Alguns alunos mais velhos comentavam a presença de três novos homens na mesa dos professores, afinal, apenas a vaga de Defesa Contra Arte das Trevas estava disponível nesse novo ano letivo.

– Mais um ano se inicia em Hogwarts. — a Diretora começou a falar, projetando sua voz com um feitiço não-verbal. — Antes de mais nada, gostaria de dar as boas-vindas aos novos alunos. Vocês foram acolhidos em uma das casas de Hogwarts, Corvinal, Sonserina, Lufa-Lufa ou Grifinória. Essas casas serão sua família enquanto estiverem na escola, cabe aos monitores de suas cassa e a seus veteranos lhes auxiliarem nesse novo ano, assim como o Diretor de suas novas Casas. Mas lembrem-se que cada casa tem suas virtudes e seus vícios e ganha a Copa das Casas àquela que demonstra superação de seus vícios pelo triunfo de seus alunos. Assim sendo, suas conquistas irão lhes render pontos, mas se quebrarem regras irão perder pontos. E, ao final do ano, a casa com maior número de pontos é premiada com a Taça das Casas.

A professora fez uma pausa, olhando para os estudantes. Kiara olhava curiosa para um dos homens na mesa dos professores, ele não devia ter mais do que 25 anos e era deverás atraente com seus cabelos loiros curtos e feições rígidas. McGonnagal retomou sua fala:

– Esse ano, teremos uma importante adição ao corpo docente de Hogwarts com a chegada do Senhor Seth Tiberius Prince para lecionar Defesa Contra Arte das Trevas. — um homem de uns 30 anos se levantou de seu lugar a mesa e acenou para os alunos, tinha cabelos castanhos muito claros e olhos azuis, parecia uma versão mais madura e mais séria de Dean Prince. — Além de lecionar Defesa Contra Artes das Trevas, o Professor Prince assume como Diretor da Grifinória, junto do Professor Flitwick, Diretor da Corvinal, Professora Sprout, Diretora da Lufa-Lufa e Professor Slughorn, Diretor da Sonserina.

A Diretora indicou os outros três diretores de casa, cada um se erguendo e acenando para seus alunos antigos e para os que acabavam de ingressar, se sentando logo em seguida.

– O Professor Prince também aceitou o desafio de ser o Professor responsável pelo Clube de Duelos, como melhor duelista quando ainda era um de nossos alunos. — a Diretora sorriu e o novo professor novamente se sentou, mas logo converteu suas feições para mais sérias. — Por indicação do Ministério e para prevenção dos atentados que têm ocorrido por todo Reino Unido e Irlanda, esse ano receberemos dois aurores que irão se encarregar de reforçar a segurança da Escola e de Hogsmead.

Sean e Deric se levantaram e cumprimentaram o salão com um leve aceno de cabeça, tomando seu assento em seguida, mas diante das feições transtornadas dos alunos, que começavam a cochichar entre si a Diretora decidiu emendar:

– São apenas medidas preventivas do Ministério para assegurar que tenhamos um ano tranquilo e sem ameaças desnecessárias. — a segurança de Minerva McGonagall era reconfortante, falava com firmeza apesar de saber das reais circunstâncias da presença dos dois aurores. Sejam muito bem-vindos para mais esse ano! Agora, ao banquete! — e com duas palmas, a comida apareceu nas mesas.

E assim começava o ano letivo de 2006 — 2007.

Continua...

Notas finais
Glossário: * Appa (coreano) - Pai * Anneyong (coreano) - Tchau Comentário da Beta: Obrigada por esperarem pacientemente por esse capítulo! Eu não sei vocês, mas eu como leitora e beta dessa fic achei que a Kitana-chan arrasou com essa estreia de capítulo! Eu sei que eu sou suspeita para falar, mas já estou shippando loucamente alguns casais e muito intrigada com a linha de história de algumas personagens! Se vocês ficaram tão curiosas quanto eu, fiquem tranquilas, pois a Kit-chan prometeu postagens mensais e eu com certeza farei com que ela cumpra os prazos! (Sim, isso foi uma ameaça! Eu sei onde você mora! Eu sei seus segredos! .) Então, em Março teremos mais um capítulo. Gostaria de avisar, que por essa fic ser um projeto interativo, a participação das personagens em cada capítulo vai depender da participação da autora da O.C. Então, se alguma personagem aparecer menos durante a história ou simplesmente desaparecer no banheiro da Murta-que-geme...vocês foram avisadas! Deixem reviews! Elas são um boost de inspiração para nós, e vocês não fazem idéia de como ficamos felizes em ler o feedback! Obrigada! Miyo. Comentário da Autora: Hey, people! Okay... Eu amei escrever as 10 mil palavras desse capítulo! Sim, foram pouco mais de 10 mil! Ufa! Tenho medo da Mi-chan... E dessas ameaças... D= O problema é que ela realmente sabe onde eu moro e conhece os meus segredos! Como o fato de eu ser uma total Cumberbitch! 8D Mas é sério... Tenho medo dela! ú.ù Sim, eu sei que era pra esse capítulo estar pronto na segunda-feira, dia 02/02, mas como sexta foi meu aniversário... Esse é meu presente pra vocês! ;D E fora isso... Sério, comentem, nem que seja pra dizer que não gostou, é bom ter um feedback e saber se estão acompanhando a fic ou não, se que todos tem compromissos, eu mesma trabalho o dia inteiro... Mas eu e a Mi-chan que, além de beta, está fazendo as capas dos capítulos estamos nos dedicando muito nessa fic, para todo mês sair um capítulo novinho do forno. Então, é isso... Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever. Até o próximo e Beijos! Sayuri (aka Kitana-Sama)