Notas iniciais
Oi, gente! Demorou, mas saiu. A capa do Capítulo está disponível no Dropbox, o link se encontra no meu Perfil e abaixo. Dedico esse capítulo a Lyta White que fez a FOFA da Lissa/Ye Song Park... Porque março é o aniversário dela! É o mês dela! =D Parabéns Lyta! Muitas felicidades, saúde, comida gostosa, amigos ótimos... Enfim! Tudo de bom e do melhor! Curta muito! =* Também dedico à minha Beta e fiel amiga... Miyo! Que se formou e agora está na Pós! =D Sim, pode ficar constrangida, porque estou tão feliz que vou anunciar aos quatro cantos do mundo e aos sete mares! Tenho muito orgulho de você! Agora... Ao que interessa: o capítulo! Espero que gostem!

Capítulo II

(Capa)

"O conhecimento nos faz responsáveis."
– Che Guevara

Respirou fundo. Uma, duas, três vezes. Era seu primeiro dia de aula e dessa vez como Professor, não poderia estar mais nervoso; talvez, até mais nervoso do que sua primeira missão sozinho como Auror. Sua primeira aula seria para os alunos do sétimo ano. Por que não começar com os alunos do primeiro? Respirou mais uma vez e abriu a porta de seu escritório, entrando na sala. Podia ver seu sobrinho na última fileira junto de seu melhor amigo.

– Bom dia, senhores e senhoritas. — Seth soou mais firme do que esperava, gostou disso.

Desceu as escadas tentando ignorar os olhares sobre si e os cochichos ocasionais. Também não gostava em nada do sorriso confiante de Dean. Desde que anunciara na família que iria lecionar em Hogwarts, o sobrinho parecia excessivamente contente e algo lhe dizia que não era por ter a oportunidade de ver mais o tio favorito, àquele que o ensinara a jogar quadribol.

Engoliu em seco. Agora não tinha mais volta. Sorriu de forma simpática, mas sem mostrar os dentes, mantendo os lábios cerrados. A sala ficou em silêncio, e ele pode olhar para o rosto de seus novos alunos. Não bastava a primeira aula ser para o sétimo ano, ainda por cima tinha de ser para os alunos de NIEM da Grifinória e Sonserina? Só esperava que a rivalidade das casas tivesse melhorado. Pareciam tranquilos, talvez os alunos do primeiro ano fossem piores, apesar dos demais professores terem enfatizado que os do quarto e quinto ano eram os mais terríveis.

– Sou Seth Tiberius Prince, seu novo Professor de Defesa Contra Arte das Trevas. Fui Auror por 12 anos e agora estou aqui para lecionar para vocês.

A sala permaneceu em silêncio, sentia todos olhares sobre si. Torcia para que seu nervosismo não deixasse transparecer. Sentia os olhares o julgando. Andava de um lado para o outro, analisando os alunos. Será que ele também era daquele jeito quando estava em Hogwarts?

– Bom, vocês já chegaram no sétimo ano para prestar os últimos tópicos da disciplina de modo mais aprofundados. Esse ano prestarão seus NIEMs, então durante as atividades do ano focarei nos assuntos mais recorrentes no exame antes de iniciarmos a revisão geral de conteúdo da matéria inteira. Sim, a matéria inteira desde o primeiro ano. — fez uma pausa e conjurou uma lista em sua mão com os nomes dos alunos da turma. — Maldições Imperdoáveis! Alguém saberia me dizer um pouco sobre o assunto?

Aelia, que estava na segunda mesa da segunda fileira levantou a mão, junto com Whitaker, na mesa da frente e Moore que se encontrava na ultima mesa da quarta fileira, bem no fundo.

– Pode falar, Senhorita... — Seth consultou o pergaminho em suas mãos.

– Aelia Rosier. — respondeu com firmeza. — As Maldições Imperdoáveis são três feitiços proibidos pelo Ministério da Magia por seu caráter maligno e crueldade sobre as vítimas.

– Muito bem, senhorita Rosier. E os usuários dessas Maldições ganham uma passagem direta para Azkaban. — complementou Prince. — E alguém poderia me falar quais são elas e o que fazem?

Dylan levantou a mão rapidamente, pelo menos, mais rápido que seus colegas de sala. Seth Prince apontou para ela e com um gesto indicou que continuasse:

– Sou Y. Dylan Ó'Cónnor. — se apresentou. — A primeira seria a Maldição Cruciatus que serve para torturar os oponentes, infligindo neles imensas dores físicas e psicológicas. A segunda é a Maldição Imperius, ela faz com que o usuário tome o controle da mente de seu oponente, fazendo com que ele realize todas suas vontades; a verdade é que mesmo oclumentes experientes são incapazes de resistir já que controla a vontade da vítima e não visa ler seus pensamentos.

– Muito bem, senhorita Ó'Cónnor. — Seth disse satisfeito com as respostas. — E qual seria a terceira, senhorita Rosier?

– É a Maldição da Morte, ou Avada Kedavra, se atingir seu alvo causa morte instantânea no oponente sem deixar vestígios e é caracterizada por um raio verde. — Aelia respondeu com um sorriso confiante.

– Exatamente! — Seth parecia satisfeito. — Parabéns, senhoritas, acabaram de conquistar 10 pontos para Sonserina.

Aelia e Dylan sorriram uma pra outra cúmplices. Sabiam que havia outros alunos muito bons em aula, mas ai estava seu primeiro passo para conquistar a Copa das Casas. Leo também abriu um sorriso largo, afinal, o que seria melhor do que encerrar o sétimo ano com o verde e prata colorindo todo o Salão Principal?

– O que?! — Dean pronunciou indignado. — Você não está falando sério, não é, tio? Beneficiando a Sonserina?

– Sim, estou. — Seth endureceu as feições e o tom de voz. — E é Professor Prince, inclusive para o senhor.

– Não acredito que você esteja realmente falando sério! — Dean desafiou.

– Estou falando perfeitamente sério, Sr. Prince. E para comprovar minha seriedade são menos cinco pontos para a Grifinória.

– O que? — o Capitão do Time de Quadribol arregalou os olhos incrédulo no que acontecia.

– Serão menos 10 se senhor não retomar seu lugar, senhor Prince. — replicou.

– Dean... Fica quieto, por Merlin! — Freddie sussurrou para o amigo.

O Capitão da Grifinória se sentou sem acreditar no que estava acontecendo. Oras, o Professor era seu tio, era para ele ser o beneficiado. O tio continuava sua aula sobre as Imperdoáveis, e Dean sentia os olhares furiosos e cheios de reprovação dos companheiros de casa. O astro do quadribol olhou para a mesa das duas cobras peçonhentas; Rosier e Ó'Cónnor. Como podiam enganar seu tio dessa forma? Viu ambas virarem o rosto em sua direção, pareciam ter sentido todas as maldições mentalizadas por ele. A loira deu apenas um sorriso de canto, como se estivesse se divertindo com a raiva que acometia Prince, enquanto Ó'Cónnor foi pior e deu uma piscadela e jogou um beijo para ele com um ar irônico e zombateiro voltando a prestar atenção na aula. Dean teve vontade de explodir de raiva.

– Cara, calma...É sério. — Freddie falou preocupado com a expressão do amigo.

Dean pensava em tantas formas de trucidar a dupla de sonserinas! Ou melhor, o trio, afinal, qual o propósito de deixar a russa sem as amigas? Pelo menos teria o treino de Quadribol a tarde para relaxar. Mas para o dia ficar realmente perfeito, teria que trucidá-las! Diziam por ai que nem todos Sonserinos eram ruins, apesar de Lilia se encaixar no perfil de ruim, e diziam que Aelia era bem tolerante com mestiços, até conversava com eles com naturalidade e que Dylan, definitivamente, tinha sido escolhida para a casa errada, mas não pensava isso. A verdade é que Lilia era mais sincera ao ser autenticamente ruim e que as outras duas eram muito, mas muito piores que a russa.

Dora estava animada quando terminou de se aprontar e pegou sua vassoura escorada em um banco próximo ao armário que deixara seu uniforme de Hogwarts. Era o primeiro treino de Quadribol da Grifinória do ano letivo, apesar de ainda não terem um apanhador. Essa seria sua grande chance, finalmente deixaria a posição de batedora! Pisou no gramado dando um sorriso para os companheiros de time que já estavam lá, todos apostos com suas vassouras; Frederic Moore, o goleiro, conversava com Iris e Diana, as duas outras artilheiras do time, além do capitão. Cumprimentou os companheiros de time e abriu um largo sorriso para Josh Carter, o outro batedor da equipe. Josh foi até ela:

– E, ai, Dora? Vai falar com o Capitão hoje? — ele sorriu. Era o maior apoiador para que Dora mudasse de posição.

– Vou! Tem que ser hoje! — a ruiva disse entusiasmada. — Ele vai anunciar que irá abrir a vaga para testes, tenho que me voluntariar como candidata.

– Morgan, eu sugiro que você não fale com o Dean hoje. — Freddie se aproximou da batedora com a vassoura em mãos.

– E por que não? — a ruiva questionou desconfiada.

Não era segredo nenhum que Freddie era o melhor amigo de Dean. Também não era segredo para o time quanto o goleiro detestava viver à sombra do melhor amigo. Frederic Moore era um excelente goleiro, se não fosse, metade das estratégias ousadas e arriscadas de Dean não iriam funcionar. O capitão sabia que podia confiar no goleiro para dar a retaguarda quando algo na jogada de ataque desse errado.

– Digamos que a aula de Defesa Contra Arte das Trevas não foi exatamente como ele esperava. — foi a única coisa que o loiro respondeu.

– Mas não é o tio dele que está dando aula? — Dora questionou. — O que poderia dar errado?

– Eu acho que ele realmente acreditava que o Professor iria... Digamos que iria pegar leve por serem parentes. — Fred explicou receoso. — E na verdade ele acabou demonstrando o quão a sério irá levar seu trabalho e que não vai dar moleza pro Dean ao longo desse ano.

Mal acabara de falar Dean Prince veio dos vestiários, andando daquele jeito extremamente confiante ao mesmo tempo que parecia à vontade com a grama do campo, como se estivesse em sua casa. No entanto, seu rosto estava tenso, muito tenso. Os colegas de time estranhavam a atitude, pois era o primeiro treino do ano e, em geral, Dean estaria bem mais animado. Ele não trazia sua vassoura, estava apenas com as roupas de treino. Parou em frente aos colegas de time e cruzou os braços, realmente parecia irritado, algo um tanto quanto atípico.

– Daqui a dois treinos faremos a seleção do nosso novo Apanhador. — falou sério. – Quero que comecemos essa temporada preparados, então até a escolha do próximo apanhados faremos exercícios de condicionamento físico e treinamento estratégico. Vamos começar com 50 voltas pelo campo. Podem começar.

– Prince! — Dora chamou. — Posso falar com você?

– Diga, Morgan. — falou sério, enquanto os outros companheiros já se dirigiam para começar o exercício.

– Eu gostaria de fazer teste para posição de Apanhador. — disse com tranquilidade e segurança.

– Não quero perder minha melhor batedora, Morgan. — Dean estava sério. — Você é uma excelente batedora. Entenda que para ser apanhador são necessárias outras habilidades que não são essenciais em uma posição como a sua.

"Outras habilidades? Quem ele pensa que eu sou?" A voz de Prince ecoou na mente da ruiva que estreitou os olhos indicando que havia ficado extremamente irritada com o comentário. Dora sabia que se havia alguém que realmente daria conta do recado seria ela própria, além do fato de ser uma posição de maior destaque e que lhe daria melhores oportunidades em uma possível carreira como jogadora profissional em times de grande destaque. Talvez pudesse até jogar na seleção da Irlanda. Com suas habilidades e seu talento isso não lhe parecia impossível de ser alcançado.

– Eu tenho plena consciência disso, Prince. — respondeu já levemente irritada, mas tentando conter seus ânimos. — Só me deixe fazer o teste! Nem que seja junto dos demais candidatos! Se eu não demonstrar ter essas "outras habilidades" que você procura continuo em minha posição e não falo mais sobre isso!

Dean já estava irritadíssimo com o fato de seu tio ter sido completamente injusto com ele, na condição de sobrinho predileto, durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Como ele tinha coragem de dar 10 pontos para a Sonserina? Ele foi Diretor da Grifinória, não era pra ser assim! E ainda por cima, agora, tinha de aturar sua melhor batedora pedindo para trocar para a posição de apanhadora? Quem ela achava que era? Achava que era fácil? Ele queria um time vencedor, não um fiasco como o time da Corvinal, cuja apanhadora era não só a garota mais estranha e sinistra de toda a escola, como também a pior jogadora de quadribol que já vira. Ele não era obrigado a aturar esse nível de ingenuidade!

– E me forçar a procurar outro batedor e perdermos mais uma semana de treinos? Isso se existir a remota possibilidade de você realmente possuir as habilidades necessárias para um bom apanhador! — o capitão retrucou irritado. — De jeito nenhum! A Lufa-Lufa vem com o mesmo time do ano passado, já estão muito bem entrosados e são um time muito forte.

– Sou a jogadora mais versátil desse time. — Dora protestou novamente. — Eu sei que tenho a capacidade de ser Apanhadora.

– Não, Morgan! — Dean falou ríspido. — Se quer mesmo provar seu valor ao time estaria correndo com os outros e não discutindo comigo, seu Capitão.

– Ótimo! Mas vai se arrepender muito disso. — Dora respondeu brava, indo correr com os demais.

– Como vai, Kiara?

Kiara sorriu para a aluna do quarto ano da corvinal que a cumprimentava. Acabavam de sair de uma revigorante aula de Poções e a alemã se sentia fantástica, afinal, realmente gostava da matéria. Retribuiu com aceno de mão um trio de lufanas e um cumprimento com um sorriso simpático de dois grifinórios mais novos.

– Os males da popularidade! Aposto que você fez o dia dos garotos. — Ye Song tentou soar divertida, como seria normalmente, mas falhou miseravelmente, andava bem chateada.

Kiara olhava para Ye Song que não tinha uma cara exatamente boa já há uns dois dias. Nas feições da coreana havia um misto de angústia e desânimo e, aparentemente, sem motivo algum, a não ser que algo tivesse acontecido dentro de sua casa, o que era muito improvável, afinal, Lufanos eram conhecidos por serem as pessoas mais legais de toda a escola. Além do mais, Kiara sabia que a amiga estava muito quieta e isso, definitivamente, não era normal. Decidiu por um fim a sua curiosidade e a toda àquela agonia.

– Liss, o que está acontecendo? — perguntou genuinamente preocupada com a amiga.

– Você não iria entender... — a coreana suspirou pesadamente.

– Tente, talvez você se surpreenda. — Kiara insistiu parando de caminhar e saindo do meio da passagem.

Lissa acompanhou a amiga e começou a procurar algo em sua bolsa, até que tirou aquele estranho bloco retangular trouxa preto e branco. A coreana indicou a tela para Kiara como se fosse óbvio o que se passava, mas, ainda que fosse de uma outra nacionalidade, garota de cachos castanhos era uma puro-sangue e o gesto da coreana não fazia qualquer sentido. Deu um sorriso levemente amarelo, não entendia o problema e esperava que Lissa não se importasse de responder.

– Liss, você vai ter que ser bem mais específica do que isso. — explicitou seu pensamento. — Seu aparelho trouxa continua exatamente igual a antes para mim.

– A bateria acabou, Kiara. — suspirou pesadamente. — Meu pai comprou pra conseguir falar com mais frequência comigo e, além do sinal não pegar em lugar nenhum dessa escola, a bateria acabou e não tem como carregar!

– Okay...Essa tal de "baretia" acabou... E você não tem sinal... Não é só arranjar outro aparelho desses? — questionou a grifinória.

Kiara não fazia ideia do problema! Trouxas possuíam muitos itens que Lissa havia lhe contado serem descartáveis. Talvez esse artefato de Lissa também fosse e ela não soubesse. Porque depois que acabava a tal "baretia", era só comprar outro, como muitos outros itens trouxas que Lissa possuía. Não entendia muito desse universo estranho, a verdade é que era péssima em Estudos de Trouxas e, se não fosse Lissa para literalmente lhe salvar explicando tudo com muita paciência e didática, provavelmente teria repetido a matéria. Ainda assim, admirava a criatividade dos Trouxas por produzir tantos artefatos interessantes e que supriam a necessidade criada por falta de magia.

– Não. Meu celular não é descartável. — Lissa esboçou um pequeno sorriso, divertida com a situação. — Quando acaba a ba-te-ria eu tenho um carregador que eu teria que ligar em uma tomada ou qualquer fonte de energia elétrica para recarregá-la e ele voltar a funcionar. Só que não temos energia elétrica aqui.

– Ah! — Kiara havia entendido, sabia sobre energia elétrica e achava isso fascinante. – Então... Eu realmente não sei como posso te ajudar, Liss, mas sei que existem alguns bruxos que encantam objetos trouxas pra poderem usar normalmente.

– Pois é, mas eu não faço ideia de que tipo de encantamento seria esse. — suspirou pesadamente.

– Bom, temos o tempo livre agora. Até sua monitoria com a Professora Sinistra mais a noite... — comentou Kiara. — Podemos falar com o Professor Singh e ver se ele conhece algum encantamento para isso.

O Professor Jammal Singh havia assumido o Departamento de Estudos Trouxas desde o final da Segunda-Guerra, era um bruxo mestiço e indiano. Apesar de Kiara não ser uma de suas alunas mais brilhantes, muito longe disso, ele parecia entender a dificuldade dos mestiços e bruxos puro-sangue, que não possuíam contato com o mundo trouxa, para compreenderem como se vivia sem a possibilidade de realizar encantamentos e era um professor bem legal e querido por quase todos os alunos.

– Ótima ideia! — Um sorriso iluminou as feições de Lissa e isso deixou Kiara satisfeita.

Voltaram a caminhar, já mais tranquilas. Kiara comentava sobre como não haviam pensado a respeito disso antes, ocasionalmente retribuindo os cumprimentos dos outros alunos quando sentiu ser praticamente atropelada. Arregalou os olhos em surpresa, ao mesmo tempo que se preparava para receber o pequeno impacto do chão que não veio! A pessoa havia lhe segurado pelos ombros de forma firme e a segurava em posição. Olhou para cima e encontrou os olhos azuis severos de um dos aurores que estariam em Hogwarts naquele ano, Kiara não gostava de aurores. Lembrava-se dele, havia o achado bonito, era o tipo de homem que com toda certeza tinha uma namorada linda e inteligente, mas ele tinha um brilho sombrio nos olhos cinzentos. Um arrepio lhe percorreu a espinha. Ele a colocou de pé.

– Me desculpe. — foi a única coisa que disse e saiu andando.

– Apenas tome mais cuidado da próxima vez, Sr. Clayworth. — Kiara respondeu polida olhando ele se afastar.

–ALLM-ALLM-ALLM-

Deric largou o corpo no banco de pedra pesadamente. Os alunos estavam em aula e já faziam uns três dias que procurava por algo que nem sabia ao certo o que seria e, ainda por cima, tinha que orientar Sean que no momento fazia um levantamento dos encantamentos que protegiam a Escola. Assim que acabasse, reforçariam o que precisasse ser reforçado. Mas e depois?

Apoiou a cabeça nas mãos e massageou as têmporas. Não sabia ao certo por onde começar ou como começar. Sabia como uma investigação normal procederia, mas nesse caso estavam falando do local mágico mais seguro da Grã-Bretanha com excelentes professores e sem outras pistas além de uma nota anônima que havia sido colocada no bolso de uma das vestes do Ministro sabe-se lá quando.

Deric não imaginava que haveria muitos encantamentos que deveriam ser reforçados em Hogwarts. Não queria incomodar Seth, mas não via muitas outras alternativas. O antigo auror era mais experiente e já havia liderado diversas missões sozinho, apesar de estar lecionando justamente para se afastar de passado como auror. Seu calcanhar esquerdo batia no chão e a expressão grave em sua face eram a marca típica do nervosismo de Clayworth enquanto via Sean se aproximar com a varinha em mãos. Perguntou assim que ele estava mais próximo:

– E, então? O que precisamos modificar e reforçar?

– Quase nada. Talvez os Protego, apenas como garantia. — o irlandês sentou ao seu lado. – Bom, eles foram nossos professores...

– Eu imaginei que isso aconteceria. — Clayworth respondeu com um suspiro pesado.

– Qual é o plano? — Sean perguntou.

– Vamos reforçar esses feitiços entre hoje e amanhã. — a voz de Deric saiu mais firme, já estava mais resoluto quanto ao curso de suas ações. — No fim-de-semana vamos conversar com Seth sobre isso. Não fale nada para ele por enquanto, porque ele pode se recusar e fugir de nós.

– Tudo bem. — Sean se levantou. — Então, vou começar pela entrada principal.

– Vou começar pela entrada da Floresta próxima a Cabana do Hagrid.

Clayworth também se colocou de pé e seguiu seu caminho em direção a entrada da Floresta Proibida. Havia sido um grifinório quando estivera em Hogwarts e não costumava agir dessa forma furtiva como os sonserinos, preferia encarar os problemas de frente. Porém, sabia que se fosse pedir a Seth ajuda com uma investigação, era provável que o Professor de Defesa Contra Artes das Trevas se esquivasse. Seria muito mais fácil pegá-lo desprevenido e envolvê-lo, porque Seth não era do tipo irresponsável que abandonava nada com que estivesse comprometido.

Via alguns alunos saindo das salas de aula; as aulas da tarde deveriam estar acabando e todos se dirigiam a suas casas, atividades extra curriculares e etc. Uma certa nostalgia encheu seu peito ao ver todos àqueles estudantes andando e conversando sem grandes e reais preocupações com a vida. Naquela época sua grande preocupação era com o maldito trabalho de Astronomia que não se faria sozinho ou se Phaedra Hunt aceitaria ir com ele no próximo passeio para Hogsmeade. Nunca diria que acabaria se envolvendo em uma Guerra contra as forças de Voldemort. Como era ingênuo. E agora sentia-se mal pelo fato de todos àqueles alunos com problemas similares aos seus antigos, andarem por ai alheios a ameaça que os rodeava. Não parecia justo.

Deric só despertou de suas divagações quando sentiu que esbarrava em alguém. Mais por um reflexo do que um ato propriamente consciente, o auror esticou os braços amparando a aluna e a impedindo de cair no chão. Os olhos castanhos da garota estavam arregalados em sinal de surpresa; tinha cabelos castanhos com cachos bem definidos e o rosto de traços delicados chamou a atenção. Automaticamente se censurou mentalmente, ela era uma aluna, não podia acha-la atraente. Colocou-a em pé, suas feições permaneceram rígidas e falou polido e distante:

– Me desculpe. — disse sério e retomou seu trajeto.

– Apenas tome mais cuidado da próxima vez, Sr. Clayworth. — Ele ainda a ouviu dizer polidamente.

Ela havia o repreendido? Era isso mesmo? Que garota ousada! A maioria dos alunos apenas se retrairia ou até pediria desculpas pelo esbarrão, ainda que não tivesse sido culpa deles. Esboçou um meio sorriso e continuou seu trajeto, não valia a pena discutir isso, ainda mais quando tinha trabalho a fazer e muita coisa a se pensar.

Leo estava tendo uma semana relativamente agradável. Diria relativamente porque Theodora Harrison tornava suas rondas noturnas que, além de inúteis, costumavam ser engraçadas com Dylan como sua dupla, um ato muito pesaroso e desagradável. Diria que a expressão chula "mal-comida" cabia muito bem para sua nova dupla na Monitoria. Dylan havia dito que tinham um assunto importante a tratar e agora se dirigia para a beira do lago, onde deveria encontrar com Dylan, Aelia e a amiga russa delas. Quando Lilia estava envolvida, sabia que deveria ter relação com alguma festa. Afinal, desde que ela entrara quantas vezes havia conseguido impedir que Whitaker e a namorada fizessem a ronda no horário da festa e chamassem algum professor que acabaria dando uma detenção coletiva para todos? Muitas! Incontáveis, na verdade.

Se aproximou vendo apenas os cachos loiros e as madeixas castanhas de, respectivamente, Aelia e Lilia. Aelia deu um pequeno aceno para ele e Leo se limitou a lançar um sorriso charmoso enquanto se aproximava com as mãos nos bolsos das calças em seu típico caminhar displicente.

– Duas das Três Rainhas reunidas. — cumprimentou, sentando-se na toalha ao lado delas. — Onde está a Dyl?

– Como vai, Fawley? – Lilia cumprimentou com sua expressão clássica de inalcançável.

– Ela tinha reunião com o Whitaker e disse que ia se atrasar um pouco. — Aelia sorriu.

– Russa, como está? — Leo perguntou sentando próximo a ela.

– Meu nome é Lilia, Fawley. Pode se dirigir a mim como Beloskvic — a morena respondeu fria.

– Eu sei, mas Russa combina mais com você. — Leo deu um sorriso galanteador de canto. — Me chame de Leo, por favor.

Lilia olhou para Leonides Fawley. Nunca haviam trocado muitas palavras e sabia pouca coisa a respeito dele, apesar de Dylan e ele serem muito próximos por conta da monitoria. Primeiramente, ele era de uma família Puro-Sangue importante no Reino Unido, diziam que sua família datava de antes da fundação de Hogwarts. Diziam pelos corredores que ele era um grande conquistador, talvez mais do que Dean Prince, mas não era de ficar exibindo por ai suas conquistas e, definitivamente, não era de se apegar e se apaixonar. Poderia dizer que ele parecia com ela mesma nesse aspecto. No ano anterior corriam boatos de que ele e Dylan estavam se encontrando escondidos em salas vazias, mas sabia que não era verdade. Se havia alguém que conseguia identificar alguém que guardava um segredo ou mantinha algo escondido, esse alguém era Lilia e podia dizer só de olhar para a amiga irlandesa que eram apenas boatos.

E, agora, ele estava jogando com ela. Lilia sabia jogar o jogo da sedução. Muito bem, aliás. Contudo, Leo parecia do tipo que preferia ter paciência, esperar e executar pequenos movimentos em busca de um objetivo maior. Diferente dela que costumava ser bem direta. Ele gostava do jogo, pelo que podia perceber, Lilia não era uma jogadora paciente, por isso, não ia dar corda para isso. Tinha um objetivo maior a cumprir, depois pensaria nessas investidas de Fawley. Manteve sua expressão séria, não cairia no joguinho dele.

Aelia também não tinha lá tanta intimidade com Leonides Fawley, só sabia da influência e poder de sua família no mundo Bruxo e para a loira isso já bastava para querer ter uma relação de amizade com o rapaz. Ele poderia ser muito útil em seu futuro e no futuro do grupo Rosier, como um todo. Em termos de famílias puro-sangue era de uma das mais tradicionais da ilha; e não era segredo que o avô de Aelia e seu tio haviam distanciado os Rosier dos Fawley. Algo que era diferente décadas antes, já que era muito comum Rosiers e Fawley casarem entre si, o que fazia de Leo seu primo em algum grau. Era filho único do principal eixo da família. Era bonito, tinha nome, sangue, educação e dinheiro; se enquadrava no grupo que sua avó designaria como bom candidato a um possível casamento.

– Vocês querem mesmo esperar a Dyl? — o rapaz já se incomodava com a demora.

– Sim, é mais fácil falar para os dois de uma vez. — Aelia respondeu com tranquilidade. — Não precisa ficar impaciente.

Aelia olhava na direção do castelo, Lilia e Leo seguiram o olhar da loira e conseguiram ver Dylan vindo na direção deles com tranquilidade e não parecia ter pressa. A expressão tranquila no rosto pálido dava a entender que a reunião havia ido bem. Ela sorriu para os amigos e se ajeitou ao lado da loira, colocando os livros que trazia consigo logo ao seu lado.

– Como foi a primeira reunião com o sr. Certinho? — Fawley comentou com um sorriso carregado de ironia.

– Foi tranquila. — respondeu com simplicidade, logo complementou diante do olhar indagador do amigo. — Ele é bem mais razoável do que parece, juro! Eu estava esperando pelo pior.

– Pago pra ver. — o garoto rebateu. — Por que não fugiu dele? Podia ter saído da Biblioteca e ter vindo direto para cá.

– Não deu. Ele estava me esperando na porta da Biblioteca. — torceu a boca.

– Podia ter o estuporado. — Leo sugeriu zombateiro. — Afinal, está podendo tudo agora.

– Enfim! — Lilia colocou um ponto final na longa conversa que iria se iniciar. — Trouxe vocês aqui porque preciso falar sobre a minha festa que acontecerá no próximo fim-de-semana.

A russa olhou para os dois e, assim que teve certeza que tinha a atenção que desejava de ambos, continuou com seu tom firme e baixo. Não queria que a informação vazasse por ai. Suas festas eram muito seletas! Quanto menos pessoas soubessem anteriormente, melhor! Afinal, invasores ou tentativas de invasão sempre davam muita dor de cabeça. Contudo, organizava-as de tal maneira que todos comentavam sobre elas depois.

– Esse ano, farei uma festa na Torre de Astronomia. Traje será social completo. Convidados seletos... Só os melhores! — Esboçou um sorriso. — E vou precisar da ajuda de vocês que são Monitores e podem assegurar que ninguém descubra e que todos se divirtam, sem que isso custe detenção para ninguém.

– Eu posso ajudar no que der, mas acho que a Dyl pode contribuir mais. — Leo deu de ombros.

– Que horas planeja essa festa? — a irlandesa questionou.

– Achamos melhor começar às 11.00 PM. — Foi Aelia que respondeu. — Mas precisaremos ir até a Torre para arrumar tudo antes.

– Os Monitores começam as rondas às 10 PM. — Dylan colocou a mão no queixo, estava pensativa — O que posso fazer é tentar convencer o Whitaker a colocarmos apenas as duplas da Sonserina para fazer a ronda das 11 PM. Para dar tranquilidade aos convidados e vocês preparem tudo com antecedência e usem um feitiço para ocultar as coisas dos olhos dos outros.

– E vocês terão de convidar todos monitores da Sonserina. — Leo completou e Dylan apenas assentiu.

– Eu não queria convidar a Harrison... — Lilia fez uma careta de desgosto. — Ou aquele ser grotesco do quinto ano. Estou denegrindo minha festa! Se for assim, vou começar a chamar todos os Sangues-Ruins, também. Ai já acabamos de uma vez com a elegância e exclusividade!

– Me desculpe, Lili. — Dylan suspirou, estalando os dedos de uma das mãos, marca de seu nervosismo. — Mas não posso fazer nada quanto a isso. Se você não convidá-los é capaz de contarem pro Whitaker. E nem eu vou conseguir reverter a situação.

– Tudo bem! — a russa bufou contrariada revirando os olhos.

– Você chamou o "Sr. Astro do Quadribol"? — claro que Dylan estava sendo irônica, não queria ver Prince nem de perto.

– Ele precisa ir. — foi a resposta de Lilia. — Tive de convidar até a Collins, mesmo sabendo que talvez ela leve aquela amiguinha sangue-ruim dela.

A russa sabia que se não chamasse Prince, o nível de sua festa cairia muito. Nenhum dos seguidores dele iria. Dylan se limitou a rolar os olhos, contrariada. E se não chamasse Collins... Também não teria a presença de pessoas importantes que, por acaso, eram adoradores dela.

– E as bebidas? — Leo perguntou, talvez ainda tivessem que dar um jeito de conseguir algo mais alcoólico que suco de abóbora e cerveja amanteigada.

– Já conversamos com o Travers. — Aelia respondeu com um sorriso de canto. — Convidamos ele, também. Por precaução. Mas ele nunca vai mesmo.

Lilia deu de ombros, se Travers não fosse pouco importava. Ele nunca interagia muito com ninguém da própria casa, mesmo.

Os passos apressados de Katherine ecoavam pelo corredor. Tinha ficado tempo demais na Biblioteca estudando e, tinha que confessar, acabou cochilando em cima dos livros sem nem perceber. O importante é que, agora, estava a ponto de perder o jantar. Não bastasse estar atrasada, ainda tinha que equilibrar uma pilha de livros de Transfiguração e levá-los até seu dormitório na Torre da Corvinal antes de descer até o Salão Principal. Parou abruptamente, seria melhor ir jantar direto do que correr o risco de ficar com fome até o dia seguinte. Mudou de direção, sabia que se chegasse a mesa, Candance a ajudaria levar todos os livros depois.

Ouviu passos vindos do corredor. Talvez mais algum companheiro de casa que também havia perdido a noção do tempo na Biblioteca, porque dizer que perdeu a noção do tempo, era melhor do que dizer que havia cochilado. Mas ao virar o corredor se deparou com Theobaldus Wilkes e ele estava sozinho. Ele esboçou um sorriso em sua direção que Kath classificou como muito sedutor. O coração da corvinal disparou, teria sido para ela? Olhou para trás, porque tinha de ser realista: quais eram suas chances? Nenhuma! Olhou para trás por sobre os dois ombros para ter certeza e, realmente, não havia ninguém, ele estava sorrindo para ela. Viu Wilkes rir logo depois que olhou para trás e começar a caminhar em sua direção daquele jeito despretensioso.

Ela sentia as mãos tremerem, tendo dificuldade de suportar os livros nos braços, quanto mais ele se aproximava. Wilkes parou a uns dois metros de distância olhando no fundo de seus olhos. Tinha a estranha sensação de que os olhos escuros penetravam no fundo de sua alma. Sentiu seu coração falhar uma batida.

– Eu disse que eu iria encontrá-la sozinha algum dia, Lacorte. Sem seus seguranças e a menina-dementador. — a voz arrastada causava arrepios.

Em algum canto de sua mente Katherine ouvia claramente uma voz gritando em desespero para que ela corresse para bem longe; sabia que essa voz estava certa, Thobaldus Wilkes possuía uma reputação de mulherengo incorrigível, ainda assim, algo em seu coração dizia que ela poderia mudá-lo. Que, talvez, toda a atenção que ele vinha dando a ela desde o fim do último ano letivo fosse algum sentimento maior do que apenas desejo carnal.

– O que? — Kath perguntou de olhos arregalados, ignorando o insulto aos amigos.

– Você me ouviu, Lacorte. Eu disse que um dia nos encontraríamos sozinhos. — e àquele sorriso não abandonava o rosto do Wilkes.

– Oh... Sim... Wilkes. — conseguiu articular de alguma forma, apertando os livros contra seu corpo.

– Me chame de Theo.- o sonserino disse quase em um sussurro e se aproximou mais um metro. — Pra que tantos livros?

– Pra... Pra... Um trabalho... — respondeu a corvina, mais vermelha que um tomate.

– Acho que podemos conversar melhor se você deixar esses livros de lado por um minuto. — o meio sorriso jamais abandonava seu rosto.

– E.. Eu... Eu... — Kath não conseguia articular nada, sentia que seu coração saltaria por sua boca a qualquer momento, principalmente agora que encarava os olhos cheios de malícia de Theobaldus Wilkes.

Desviou o olhar por um momento, parecia ter ouvido alguém lhe chamando. Olhou para o fundo do corredor. O olhar de Theo a acompanhou e não vendo nada, segurou delicadamente o queixo virando o rosto de Katherine em sua direção, deixando seus rostos próximos.

– Não precisa ter medo de mim, Kath.

– Kath. — a voz feminina e fria ainda soava longe, mas se aproximava. — Kath...!

A, agora, ruiva tentava lutar, mas àqueles olhos predadores a prendiam de tal forma que parecia impossível se libertar, podia sentir um encanto no ambiente. Talvez ele a amasse também e por isso vivia tentando um momento só com ela. E finalmente tinham esse momento. Ainda assim, Katherine Lacorte segurava os livros firmemente contra o corpo sem saber o que fazer com eles e, também, incapaz de deixá-los cair no chão.

– Kath! O que raios você está fazendo?!

A voz imperativa e fria de Candance fez Katherine despertar de seus devaneios, deixando todos livros irem ao chão, amassando páginas de pergaminho já antigas. O susto também fez com que se afastasse bruscamente do garoto a sua frente. Olhou para Candance que estava bem mais próxima do que imaginara, nos olhos frios conseguia distinguir um traço de repreensão, algo breve, mas que para Katherine era óbvio.

– Wilkes, se mantenha longe dela! — a voz de Candance possuía um tom ameaçador muito evidente.

– Acho que Lacorte já é grande o suficiente para saber o que é melhor para ela. — o garoto usou um tom desafiador, demonstrando que não tinha medo da filha de Comensais.

– Não se preocupe comigo, Candy. — respondeu Kath, afetuosa, numa tentativa de evitar um conflito.

– Ele não é confiável, Kath. Está nos olhos dele! Mas você quem sabe, a vida é sua. Candy deu de ombros. — Vim te chamar para jantar, achei que estivesse cochilando na Biblioteca novamente.

Kath sabia que Candy era muito boa em ler pessoas, porém, ela era passível de erros, não era? Além disso, Kath considerava Candy como uma amiga, apesar de grande parte dos alunos a evitarem por ela ter um jeito muito peculiar. E por alegar que seus pais estavam reclusos em Azkaban injustamente, apesar de serem Comensais e portarem a Marca Negra.

– Bom, acho que esse é o momento em que eu retorno às Masmorras. — Theo deu novamente aquele sorriso para Kath. — Te vejo por ai, Kath.

Theo se afastou, enfiando as mãos nos bolsos das calças e andando calmamente. Ainda lançou um sorrisinho para Candance e desapareceu pelo corredor. Wilkes sabia muito bem que aquele jogo estava ficando cada vez mais divertido.

A caminhada até Hogsmeade foi bem tranquila. Como Monitor-Chefe, Sebastian auxiliava os Professores que guiavam os alunos do tereceiro ano que saiam pela primeira vez até o vilarejo bruxo. Foi o caminho inteiro conversando com sua contraparte, Dylan Ó'Cónnor. Assim que chegaram ao vilarejo se separaram. Aparentemente, a irlandesa iria se encontrar com os sonserinos e ele mesmo iria celebrar seu aniversário de um ano e meio com Lyla que, possivelmente, já o aguardava na Casa de Chá de Madame Puddifoot. Entrou no estabelecimento e andou em direção a namorada, que já o aguardava. Ela lhe cumprimentou com um beijo na bochecha discreto, mas parecia distante. Sentia que Lyla estava meio estranha, como se tivesse algo que quisesse perguntar, se contendo por receio de algo que nem mesmo ele sabia definir.

Fizeram os pedidos e, por alguma estranha razão, Lyla permanecia em total e completo silêncio. Sebastian não era de falar muito, essa função era preenchida por Lyla que era mais falante e simpática, ainda assim, se viu forçado a perguntar:

– O que aconteceu, Lyla?

– Você já teve duas reuniões com a Ó'Cónnor e não disse nada. — a loira comentou, ainda séria. — Vi vocês conversando no caminho para Hogsmeade com os alunos do terceiro ano, você não me diz nada.

– É porque não há nada para dizer. Nas reuniões gerais da Monitoria, você sempre sabe a respeito de tudo que resolvemos. — ele respondeu sério.

– Mas... Ela é da Sonserina, Sebastian. Não é possível que você não tenha nada a dizer sobre o posicionamento de alguém da Sonserina! — Lyla protestou.

Havia certo fundamento no que Lyla dizia, desde a última guerra que, muito em breve, completaria 10 anos, os alunos de Hogwarts estavam muito mais unidos e os laços de amizade entre as casas haviam se fortalecido significativamente. O melhor exemplo disso eram Park da Lufa-Lufa e Collins da própria Grifinória, não apenas eram de nacionalidades diferentes, mas também de casas diferentes. E todos sabiam que a melhor amiga de Kiara Collins, alemã, Puro-Sangue e de uma família tradicional bruxa, era Lissa Park, coreana, trouxa e primeira bruxa de sua família. O próprio Sebastian tinha como amigos mais íntimos Luke Ank da Corvinal e Benjamin Taylor da Lufa-Lufa, que havia conhecido no Clube de Duelos. Era até mais comum ver casais de diferentes casas.

Essa nova união era um dos grandes benefícios do Pós-Guerra para todos. Quer dizer, exceto a Sonserina e os acolhidos por ela. Desde seu posicionamento na Guerra 10 anos antes, a Sonserina havia sido excluída pelas demais casas desse processo. Claro que não era uma escolha da geração que frequentava a casa naquele momento, mas depois do isolamento inicial, eles próprios abraçaram sua condição em relação aos demais e poucos eram àqueles que se aventuravam fora de seu círculo. Mas todos tinham de admitir que as serpentes eram muito unidas e leais entre si, todos eram muito amigos. Ou pelo menos, era isso que aparentava para os demais, com exceção de Travers, todos os sonserinos se apoiavam e se ajudavam.

– Ó'Cónnor é uma pessoa bem ponderada. — foi a única coisa que respondeu.

– Como? Você não pode estar falando sério. — era evidente que a garota estava indignada.

Sebastian permaneceu sério, não estava brincando, Lyla pediu sua opinião e ele a forneceu com sinceridade. Ao ver a expressão imutável do namorado, a loira suspirou pesadamente; ele realmente estava falando sério e parecia não se incomodar com isso. Resignada falou:

– Não gosto dela. Não gosto de você perto dela. — os olhos chocolate fixos nos de Sebastian que apenas assentiu. Lyla abriu um sorriso mais afetuoso. — Mas viemos aqui comemorar nosso aniversário de namoro, não ficar falando sobre os outros!

O grifinório apenas assentiu e continuaram a comer, sem maiores problemas. Lyla, como sempre, tagarelando sobre as questões de sua família e ele apenas ouvindo.

Seth ergueu a caneca já vazia com a mão direita, deixando-o a mostra de Madame Rosemerta. Assim que ela olhou em sua direção, com um gesto da mão vazia apontou para a caneca vazia indicando que gostaria de mais uma bebida. Baixou a caneca assim que a dona do bar indicou que havia compreendido com um leve aceno de cabeça. Alguns de seus alunos ocasionalmente o cumprimentavam e olhavam curiosos para o amontoado de pergaminhos sobre a mesa. Sorria e os cumprimentava, educadamente, ainda assim, podia ver os olhares curiosos sobre os pergaminhos.

Assim que Madame Rosemerta trouxe mais uma caneca cheia de Cerveja Amanteigada se debruçou novamente sobre àquele amontoado de pergaminhos. Havia feito uma pequena atividade com os alunos do primeiro ano. Um pequeno exercício a respeito do futuro, por assim dizer. Propôs a eles que respondessem o que acreditavam que se aprendia em Defesa Contra Artes das Trevas e como acreditavam que isso seria útil depois que se formassem. Não havia certo ou errado, queria apenas conhecer a expectativa de seus novos alunos e, no momento, se divertia com a resposta de um aluno nascido trouxa que dizia algo sobre aprender a combater os Monstros que viviam em seu armário durante a noite. Talvez fosse um Bicho-Papão, mas isso poderia ser resolvido em sala.

Seth só tirou os olhos da atividade de seus alunos ao sentir que alguém o olhava. Levantou a cabeça e se deparou com Deric o olhando sério e ao seu lado estava Sean que, por sua vez, esboçava um pequeno sorriso.

– Podemos sentar? — Sean perguntou.

– Por favor. — Seth indicou as cadeiras a frente e, com um gesto da varinha, organizou os pergaminhos em uma pilha perfeita. — Pelos olhares, não acredito que tenham vindo até aqui beber em minha agradável companhia.

– Podemos conversar em um lugar mais privado? — Deric permanecia sério.

– Não. — Seth foi enfático. — Eu não vou cair nessa armadilha. O que Sr. Whitaker disse a vocês? Sabem muito bem que estou afastado do Quartel ainda por tempo indeterminado.

– Ele disse que você poderia nos auxiliar em nossa missão. — Deric era franco.

– Ele deixou bem claro que você não está exercendo seu cargo de auror, mas que poderia nos auxiliar dando dicas e algumas orientações gerais sobre como realizar uma investigação. — Sean emendou rapidamente e recebeu um olhar censurador de Clayworth.

– Tudo bem. — Seth respondeu em um suspiro cheio de pesar. — Posso dar algumas dicas e orientações gerais, mas não vou me envolver! Vocês farão tudo a partir dai.

– Obrigado, Seth. — Deric agradeceu e Sean sorriu.

– Vamos discutir isso na segunda-feira. Vocês podem ir a minha sala, assim que eu terminar minha última aula da manhã. Depois tenho que supervisionar as atividades do Clube de Duelos.

– Sem problemas. — os aurores concordaram.

Assim que os dois se retiraram, Seth colocou as mãos na lateral da cabeça, massageando as têmporas. Agora mais essa; tinha prometido que ia se afastar dos aurores por um tempo. Primeiramente, para se distanciar de sua, agora, ex-esposa; e também porque gostaria de tentar algo novo para recomeçar. Havia prometido que não se envolveria por hora com questões dos aurores e seu afastamento do Quartel era justamente para isso.

Mas agora com àquela investigação em seu refúgio e com Deric no comando de sua primeira operação, não tinha como não se envolver minimamente. Agora teria de ter autocontrole e muita disciplina para não deixar que Deric lhe contasse nada a respeito da investigação, sabia que se soubesse algo além do mínimo que já conhecia, seu maldito senso de responsabilidade não o deixaria simplesmente largar os dois colegas de profissão desnorteados. Precisava de algo mais forte; um copo de Firewhisky talvez...

O dia havia sido longo, muito longo para Josephine. Tivera de se esquivar de uma corvinal patricinha e raivosa. Olympia James andava mais insuportável do que de costume. Por toda gritaria dela e pelo que diziam pelos corredores, Dean Prince havia terminado com ela. Ou não, já que alegavam que ela havia sido mais uma conquista do Golden Boy da Grifinória do que um relacionamento; afinal, Dean Prince não namorava.

Fora isso, encontrará com Prince e Moore, sendo que o primeiro parecia num humor tão terrível que simplesmente passou direto por ela, praticamente a derrubando no chão com todos seus livros. Estava tão absorto em sua ira que possivelmente nem havia a visto em seu caminho. Moore ainda se virou e a olhou esboçando um leve sorriso, com certeza estava zombando e achando graça da situação. Continuou seu caminho, queria um pouco de paz entre as aulas e aula de Astronomia que teria de noite, por isso, se dirigiu para a própria torre de astronomia, que não era um lugar muito frequentado àquela hora. Subiu os degraus finais, de certa forma ver os terrenos da escola daquela altura era reconfortante.

– O que faz aqui? — o tom era ríspido e hostil, fazendo com que Josephine olhasse para o outro lado da torre e se deparasse com Travers. — Você está me seguindo?

– Gosto de ficar aqui. Não se iluda, Travers. — respondeu impassível. Todos os dias acabava esbarrando com ele em algum momento, principalmente quando queria ficar sozinha.

– Quero ficar sozinho. — rebateu Travers. — Se manda, Sangue-Ruim.

– Até onde eu sei, qualquer aluno pode vir aqui. — Josephine mantinha o tom frio e o ar indiferente, ignorando o xingamento.

A garota olhou para Travers em sua postura defensiva. Em geral, os Sonserinos se protegiam, pareciam uma gangue e cuidavam uns dos outros e não interagiam muito com as outras casas, por razões óbivas. Exceto Travers que sempre andava distante dos seus colegas de casa; na verdade, de todos os alunos. Não tinha amigos, assim como ela. Mas também não parecia interessado em ter qualquer tipo de amizade pela forma rude como tratava a todos, incluindo professores. Tinha a sensação de que ele escondia algo. Talvez os boatos sobre o fornecimento de poções ilícitas fossem verdadeiros? Com certeza ele planeava algo, Josephine só não sabia ainda o quê. Viu que ele ia falar alguma coisa e decidiu interrompê-lo:

– Não se preocupe porque eu não tenho intenção nenhuma de falar com você e espero que não fale comigo.

Aiolos arregalou levemente os olhos e a lufana percebeu que dificilmente ele recebia uma resposta do gênero; talvez porque a maioria dos alunos tivesse medo dele. Viu quando ele desistiu de rebater sua resposta e, por isso, se virou de costas apoiando na grade e observando os alunos abaixo que se dirigiam para o lago. Ainda era verão e tinham que aproveitar o Sol enquanto podiam. Abriu seu livro, já tinha passado da metade e a leitura era muito agradável. Começava a sentir o vazio de se terminar um livro que se gosta muito.

Aiolos olhava intrigado para o livro, mas Josephine não percebia isso. Intrigado, porque não parecia com nenhum outro que já vira na estante de seu pai e, até mesmo nas raras vezes em que entrava na Biblioteca, nunca havia visto um livro similar. A capa não era dura e, definitivamente, as folhas não eram pergaminhos. Josephine notou o olhar curioso de Aiolos e instintivamente sabia que ele não ia perguntar ou admitir curiosidade ou interesse, por isso disse com calma, sem desgrudar os olhos de sua leitura:

– O título é O Apanhador no Campo de Centeio, é um livro trouxa. — viu a expressão de Aiolos se fechar, imediatamente. — Meu pai leu quando tinha minha idade e disse que eu deveria ler, também, pois ele se identificou muito com o protagonista.

– Pensei que ia ficar calada. — Travers rebateu, olhando para em direção a Floresta Proíbida.

– Achei que gostaria de saber. — deu de ombros, voltando a sua leitura.

–ALLM-ALLM-ALLM-

Lissa sorria enquanto caminhava em direção à torre de astronomia. Seu celular estava funcionando novamente, graças ao Professor Noonien. Ainda por cima, logo na segunda-feira, havia sido chamada pela Professora Sinistra em sua sala e lhe foi conferido o título de monitora da matéria. Lissa era, definitivamente, a aluna que mais tinha destaque na matéria. Ainda que estivesse no sexto ano, estava muito avançada em seus conhecimentos. De acordo com a Professora, ser monitora de matéria seria uma ótima experiência para seu currículo e ainda nem estava no sétimo ano, já que a coreana almejava ser Professora de Astronomia em Hogwarts. Tinha várias tarefas a preparar para a aula do primeiro ano, que aconteceria a noite e queria deixar tudo pronto o quanto antes para não comprometer seu jantar.

Subiu os últimos degraus da escada e se deparou com uma cena um tanto quanto inusitada: Josephine conversando com o cara super mal-educado da Sonserina. Não se recordava do nome dele, mas conhecia o rosto e pelas gentilezas trocadas com sua companheira de casa. Bom, pelo menos descobriu que ele efetivamente falava com alguém.

– Era só o que me faltava, mais uma sangue-ruim! — Traves reclamou impaciente.

– Me desculpe... — A coreana respondeu com timidez. — Mas tenho que preparar a aula do primeiro ano.

– Não ligue pra ele, está apenas de mau-humor porque precisa conviver em sociedade. — o tom de Josephine vinha carregado de ironia.

Lissa deixou um pequeno riso escapar, abafando-o rapidamente com a mão. Aiolos, por sua vez, bufou irritado diante de tamanha ousadia para uma Sangue-Ruim. Afinal, que direito ela tinha de falar assim com ele? Nenhum. Contudo, não tinha nenhuma resposta boa o suficiente para colocar as duas lufanas sangues-ruins em seus devidos lugares.

– Não precisam sair, só vou ajeitar as coisas para a aula. — Lissa enfatizou em seu tom doce e simpático. — Sou Ye Son Park, mas podem me chamar de Lissa, do sexto ano.

– Obrigada. — a loira agradeceu. — Josephine Barton, quinto ano.

– Agora os dois vermezinhos vão começar a tagarelar. — Aiolos não mudou de posição, sequer olhou para as duas, mas seu tom era agressivo.

– E esse garoto tão bem educado, é Aiolos Travers, sonserino do sétimo ano. — Josephine falou com Lissa, provocando o garoto.

Josephine não tinha amigos, efetivamente, ainda assim, não era rude com as pessoas sem algum motivo, principalmente com as pessoas de sua casa. Logo que entrou em Hogwarts foi selecionada para a Lufa-Lufa e ouviu todo àquele discurso deles serem a melhor casa, a única que jamais havia formado Bruxos das Trevas e tudo o que ela considerava blablablas. Pelo tanto de desprezo que recebia de quase todos alunos, achava que na sua casa, em breve, todos parariam de fingir e revelariam sua personalidade preconceituosa, por ela ser nascida trouxa e arrogante como a maioria dos bruxos e mestiços. No entanto, ao longo desses cinco anos aprendeu que os Lufanos eram, de fato, as pessoas mais legais e honestas da escola e a Lufa-Lufa era realmente a melhor das Casas, apesar da tentativa ridícula das demais casas.

Lissa começou a preparar seu telescópio e o da professora para aula e separar alguns pergaminhos. Aiolos se levantou, ajeitando as vestes de forma displicente, com um suspiro pesado. Recolheu rapidamente seu material, colocando-os de qualquer jeito dentro da pasta de couro sem dar atenção se amassaria folhas ou não. Ajeitou a alça da pasta nos ombros e andou em direção a escada para descer da torre.

– É sério, não precisa ir embora. — Lissa repetiu para Travers.

– E atrapalhar a convenção dos Sangues-Ruins? — a irônia carregava a voz de Aiolos. — Não, obrigado.

O sonserino desceu as escadas sem dar tempo de nenhuma das duas responderem. Lissa se ofendeu com tamanha grosseria, afinal, ela não havia feito absolutamente nada para receber esse tipo de tratamento. Já Josephine apenas suspirou e revirou os olhos; ele sempre era assim, pelo visto. Olhou para sua veterana que ainda permanecia parada olhando para a escada e com uma expressão magoada e disse com uma voz calma:

– Não se preocupe, ele é assim com todo mundo.

– Mas eu não fiz nada pra ele... — protestou a coreana.

– Foi o universo que fez, relaxe! — Josephine respondeu.

A loira voltou a sua leitura assim que Lissa acenou, indicando que estava tudo bem e voltou a preparar os itens para a aula.

Sean e Deric aguardavam na porta pelo fim da aula de Defesa Contra Arte das Trevas. Assim que tiveram a certeza que o último aluno havia saído, entraram e viram Seth sentado a mesa lendo concentrado alguns pergaminhos. Ele levantou os olhos e sorriu zombateiro ao ver os dois aurores em pé na frente de sua mesa. Será que era dessa forma que Whitaker se sentia quando chamava os aurores para seu escritório? Cruzou os braços em frente ao corpo e se recostou em sua cadeira.

– Vocês devem estar realmente desesperados. — o tom de Seth indicava que estava se divertindo muito com a situação. Ignorando a cara feia que Deric fez, se levantou dizendo com calma: — Vamos para minha sala, podemos conversar melhor lá.

Os dois aurores acompanharam o antigo companheiro, subindo as escadas que levavam até o escritório do professor. Entraram logo atrás dele e, além da mesa de madeira escura e as cadeiras estofadas em couro que a acompanhavam, não havia nenhuma decoração em particular, apenas um baú grande e antigo e uma tapeçaria também antiga retratando um antepassado de Prince junto de um Rei Trouxa em uma batalha com espadas. Seth se acomodou na única cadeira de costas para a parede onde a tapeçaria estava pendurada, claramente a vontade, cruzou as mãos atrás da cabeça para apoiá-la e aguardou até que Deric e Sean se acomodassem.

– Bom... O que precisam saber?

– Acho bom te colocar a par de algumas coisas, para entender melhor a situação. — Deric respondeu sério, sua postura impecável.

– Eu não quero saber de nada que me envolva na investigação que é de total responsabilidade de vocês. — Prince foi bem claro.

– Não se preocupe. — Deric retomou a palavra, com uma pequena pausa para respirar. — O Ministro recebeu uma carta sem endereço e sem identificação, Whitaker acredita que sejam Comensais remanescentes ameaçando a segurança Hogwarts e todos seus estudantes. Nossa missão é descobrir se essas ameaças têm fundamento e como a segurança da Escola é excelente, se para isso terão ajuda interna e de quem.

– Tudo bem. Primeiro precisam tentar descobrir se a ameaça tem fundamento. — Seth apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou os dedos das mãos a frente de seu nariz. — O Wizengamot possui uma lista especial de possíveis Comensais ainda foragidos, comece seu levantamento por ai e revendo as investigações de ataques não solucionadas.

Os dois assentiram. Seth permaneceu em silêncio por mais algum tempo, pensava que outras ações poderia tomar, até que uma ideia não muito brilhante e também não muito correta, surgiu em sua mente. Não era a ação mais correta a ser tomada, contudo, não era ruim.

– Comecem a investigar alunos a partir do quinto ano, se por acaso escondem alguma coisa; seu histórico pode ajudar a vocês excluírem quem pode ter envolvimento, ou não. No Wizengamot, a melhor pessoa para conversarem é Declan Ó'Cónnor que trabalhou no caso de vários ex-Comensais.

– Entendido. — Deric assentiu.

– Gostaria de ver a carta? — Sean ofereceu.

– De jeito nenhum! Eu disse que não ia me envolver e já ouvi demais. A partir de agora, vocês se virem sem mim. — o professor respondeu.

– Muito obrigado, Seth. — Deric agradeceu.

Saiu da sala já mais aliviado. Já tinha um norte, mesmo que Seth não quisesse se envolver mais com o caso, só o fato de ter lhes dado um norte e um caminho para seguir era muito mais do que o suficiente, ainda mais para ele que estava afastado.

– Obrigado, Prince. — Sean agradeceu, saindo logo atrás de Deric.

Seth ficou olhando os dois saírem enquanto travava uma batalha interna. Racionalmente, sabia que não devia se envolver, porém, seu senso de responsabilidade aliado a sua curiosidade gritava que deveria ajudar os dois, dar a eles direcionamento e ajudar a evitar um desastre de enormes proporções para a comunidade bruxa da Grã-Bretanha. Respirou fundo, não deixaria que o último ganhasse àquela batalha. Havia prometido a si mesmo que não iria fazer isso quando descobriu a presença de seus colegas em Hogwarts.

– Ah... Que se dane! — bradou consigo mesmo.

Levantou de sopetão de sua cadeira e saiu da sala a passos largos. Só avistou Deric e Sean quando saiu pela porta da sala de aula e chegou ao corredor, onde diversos alunos circulavam por ele, alguns ainda olhavam os aurores com curiosidade.

– Hey! Deric! Sean! — chamou em voz alta, assim que os dois se viraram, se aproximou e ainda alto disse: — Me mostrem logo a droga da carta antes que eu mude de ideia.

Deric e Sean sorriram um para o outro sabendo que tinham o mesmo pensamento em mente: Franklin Whitaker estava completamente certo.

(Continua...)

Notas finais
Glossário: Wizengamot - Pra quem não lembra, é a Corte Superior dos bruxos, no Ministério da Magia. É onde o Harry é julgado após ser acusado de prática indevida de magia por menor
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.