Abnormal

1 O Primeiro Desejo


Notas iniciais
Bom, essa é a minha primeira história na conta, e os personagens serão meus e não citarei celebridades do mundo real. Leiam e comentem! ^^

Eu sempre soube que havia algo de errado comigo. Não o errado do tipo “deslocado” e “antissocial”, mas o errado de “mau” e de “cruel”. Eu não queria ser má, mas no fundo eu sinto que o que me faria feliz seria machucar as pessoas e tornar minhas suas almas.

Talvez seja por isso que o meu nome é Kunou, porque Kunou é “agonia”.

O segundo item é a minha aparência. Não, eu não tenho o rosto lotado de espinhas e nem o cabelo tão seco quanto palha. Eu sou extremamente pálida e sem defeito algum no rosto; isso agrada muito as pessoas, mas como uma adolescente, eu não deveria ter pelo menos algumas espinhas?

Meus olhos são de um castanho dourado e eles parecem estar mudando para uma nuance vermelha mais e mais, a cada dia. A pupila quase tem a forma de uma pupila de gato. Meus cabelos são longos, lisos e totalmente pretos. Minhas presas também são mais longas e pontiagudas do que as de uma pessoa normal.

Estranhamente, eu não consigo me sentir atraída por ninguém. Talvez seja porque eu não ache humanos bonitos, mas eu não sei. Eu mal consigo... Me sentir humana para começar. Nunca acreditei no amor, nunca senti e nem quero; na verdade, eu sinto vontade de rir daqueles apaixonados.

Eu não tenho pais ou memórias da minha infância, é como se o meu corpo tivesse sido jogado no mundo sem propósitos ou família. Minhas memórias mais velhas são as da qual eu tinha sete anos, e isso foi há sete anos. Nunca me faltou nada, nem casa e nem comida, nunca me faltou dinheiro, sempre que eu olhava em minha carteira – também não sei de onde ela veio – eu achava rolos de notas de cem reais.

Enquanto eu reflito sobre minha existência, eu começo a achar que eu fui deixada aqui por algum motivo anormal... Por causa de alguma missão... Do bem ou do mal, dos Céus ou do Inferno. Mas eu sei que essa missão é a minha essência e que as minhas vontades são vindas dela.

Escola. Um lugar cheio de almas, um lugar cheio de personalidades em desenvolvimento. Adoro olhar no fundo da alma de cada ser vivo; de sentir o doce aroma das mágoas e das decepções que se escondem nas profundezas de cada um.

O meu olhar é avassalador, eu sei bem disso; as pessoas se intimidam com ele, isso traz um pequeno sorriso. Enquanto eu subo as escadas até o segundo andar, – onde minha sala de aula fica – eu estudo o olhar de cada um.

Eu gosto de olhar para os garotos considerados “pegadores”, para ver se, embaixo de todo aquele ego, esconde-se uma alma triste.

Por alguma razão, eu consigo enxergar certas... Cores ao olhar para alguém, essas cores são sempre diferentes. Por exemplo, quem é mais alegre tem cores alegres e as pessoas mais sombrias tem cores mais escuras e opacas. Mas, sendo a cor alegre ou não, sempre há uma mancha cinza e ela varia de tamanho de pessoa para pessoa.

Eu só não sei qual é o gosto dessas almas, eu queria tanto saber. Elas parecem tão saborosas, tão apetitosas. Isso é estranho, eu acho, mas o que eu mais desejo na minha vida é dar uma mordida naquela matéria desconhecida.

Mas eu nunca falei a ninguém sobre essa minha habilidade; eles não precisam saber. Eu gosto da ideia de que isso é o meu segredo.

Eu entro na classe e escolho a última mesa, já que de lá eu poderei ver todos. Jogo a minha mochila em cima dela. Sento-me e apenas assisto enquanto todos entram e sentam-se também.

Uma das colegas mais próximas a mim, Anne, se aproxima e sorri alegremente. Eu levanto minha mão para cumprimentá-la.

– Bom dia, Kunou! – Ela diz euforicamente, sentando-se à mesa à minha frente e abrindo o zíper de sua mochila. Ela tira uma revista de celebridades e coloca na minha frente, apontando para o cantor da capa. – Olha só! Meu ídolo, Matt Hendricks, está vindo para nossa cidade e vai fazer um show! – Seus olhos brilham e a cor de sua alma fica mais luminosa e forte, receio que ela está feliz.

– Eu sei ler, Anne, – eu só estou sendo chata porque não há nada de especial neste cantor. Ele tem olhos verdes e cabelo preto espetado em um moicano; belo porco-espinho. – você tem dinheiro para ir ao show? Se não tiver não vejo a razão para sua euforia.

– É claro que sim, eu não deixaria meus pais em paz se eles não dessem dinheiro. – Ela ainda está sorrindo, acho que ela vai sorri o dia inteiro... E quando estiver noite também, já que ela não vai conseguir dormir. – E mais, eu vou levar você junto comigo.

Uh? Eu? Em um show para meninas adolescentes idiotas? Eu acho que não. Eu abano minha cabeça, negando o convite. Ela puxa meu braço e me faz olhinhos caninos, brilhantes. Eu não caio por essa, e apenas abro minha boca.

– Você realmente quer que eu vá? – Eu a indago, sinto que meus olhos estão brilhando em carmesim. Anne fecha seus olhos castanhos e sua cabeça se move para cima e para baixo; dizendo que sim.

– É minha chance de ficar com o Matt e eu preciso de você para me dar apoio emocional! – Algo me diz que é tudo que ela mais quer no momento. Eu posso sentir isso. Ela terá isso, mas não de graça.

– Tudo bem, eu vou. Você vai ficar com ele e eu faço questão de realizar seu desejo. – Era como se fosse meu dever realizar os desenhos dos outros, se eu ganhasse algo em troca. Eu sorrio, quase que maliciosamente.

Ela ia ter o que queria, mas ela me daria algo em troca. E no fundo, eu sabia o que eu queria...

Notas finais
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