Notas iniciais
Mais um capítulo aí e o que eu mais quero é que vocês fiquem curiosos sobre o que vai acontecer ...
Bom, deixa eu calar a boca ...
Boa leitura

Eu ainda estava assustada com o que tinha acontecido. Quando eu entrei nesse emprego, quase um ano atrás eu ainda estava com Nolan. Declan se declarou pra mim — pela primeira vez — exatamente duas semanas antes de ... nos separarmos. Eu nunca contei isso ao Nolan mas acho que agora não é mais necessário.

Eu fiquei com aquela imagem na cabeça. Primeiro o sorriso, ele me imitando, eu tentando evitá-lo e então, em meu momento de pânico, confesso que reparei cada detalhe. Seu cabelo castanho claro quase loiro que sintilava, seu meio sorriso um tanto sarcástico, como se, em sua mente brilhante, ele realmente soubesse que eu não iria reagir. Parece que encontrei alguém tão estrategista quanto eu. Como isso era possível?

Enfim, Declan. De alguma forma, seu jeito de mostrar afeto me confundia. Sua maneira de ser me instigava. Eu deveria conhecê-lo melhor? Essa foi a pergunta que me fiz milhões de vezes e também foi a pergunta que fez meu dia passar mais rápido do que eu jamais teria imaginado. Já era seis horas e eu ainda estava olhando pra porta. Até que meu celular apitou. Era uma mensagem... Charlotte:

Okay, daqui a pouco saio de Orlando. Sabe como é! Tentar salvar essas baleias não está fácil. As pessoas estão protestando mas depois eu te conto sobre isso. Enfim, chego a Nova York uma hora atrasada se eu tiver sorte porque fim se semana é um merda. Beijos.

Ah, sim. Tinha me esquecido de seu projeto com as baleia. Charlie fez faculdade de biologia e se especializou em vida marinha. Sua vida é dedicada a salvar as baleias encalhadas em todo o país. Acho isso tão incrível, mas não conseguiria ser como ela! Tem que ter paciência, coisa que me falta.

Arrumei minhas coisas e saí pelo corredor. Apertei o botão do elevador. Vi que Declan estava vindo em minha direção e por impulso saí correndo e acabei descendo — na verdade quase rolando — pela escada. Eu não podia encará-lo antes de responder as minhas próprias perguntas. Eu tinha que me afastar dele e conversar com a minha amiga. Ela era uma perfeição em dar conselhos, tão boa quanto eu. Ela sempre foi a minha salvação.

Muntei no carro, coloquei o som no último e acelerei rumo a minha casa. Chegando, eu tomei um banho, arrumei meu cabelo e coloquei uma roupa melhor do que um pijama. Me sentei no sofá, minha olheiras deviam estar fundas porque eu desmaiei no sofá. Acordei com o toque do celular. Já havia se passado muito tempo desde que eu dormi. Era Charlotte. Com certeza, gritante como de costume reclamando por eu ter esquecido de ir buscá-la. A notícia boa era que eu não tinha sonhado com nada:

– Alô Char...

– Alô é o cacete, você esqueceu de mim! Não pegou a minha mensagem não?

– Eu peguei, é que Charles não está em casa e é de costume eu dormir e ele me acordar para a janta. Esqueci que hoje é dia de folga dele, sou uma burra, me desculpa Charlie!

– Perdoo se você me der um grande abraço quando eu finalmente te ver!

– Prometido.

Ela desligou na minha cara e isso significava que eu tinha que correr. Por sorte eu já estava trocada. Apenas coloquei meu All Star e peguei minha bolsa e saí correndo pra garagem.

O aeroporto estava lotado e fiquei horas olhando de um lado pro outro quando fui derrubada no chão! Que previsivel. Ela sempre fazia isso e eu não tinha me acostumado ainda.

– Abraço de urso brutal! — Charlotte disse me levantando.

– Adoro suas visitas! Tão amável.

– Vamos lá, você não viveria sem mim. — até aí era mesmo verdade.

De volta ao carro, ela deu as ordens para que fossemos no shopping comprar roupas pra mim! Mas era muito tarde, tipo, muito tarde.

– Tá maluca Charlie? É 1:30 da manhã. Não vai ter ninguém lá. — gritei.

– Confie em mim, aquele shopping nunca fecha!

– Eu sei que não fecha, mas ...

– Apenas confie em mim!

Entrei no shopping, estacionei o carro e me espantei com o número relativo de carros — que ocupavam mais ou menos 40 vagas. Isso era estranho. É 1:30 da manhã! Ninguém curte muito dormir mesmo. Vejo que não sou a única zumbi que tem insônia e quase nunca dorme.

Entramos em várias lojas. Ela me obrigou a esperimentar vestidos, saias, calças de estilos diferentes mas, acabei não comprando quase nada. Foi então que eu vi uma loja chamada "Bones of the Devil" e foi lá mesmo que eu me encontrei. Camisetas de banda e calças rasgadas. Era o que eu sempre usava fora do trabalho. Perfeito. Comprei um monte de camisetas, duas calças e, por culpa da Charlie, uma saia — que eu sabia que só iria usar por causa dela.

– Posso usar a saia com a blusa do Nirvana que eu comprei certo? — eu amo Nirvana e ela sabe disso.

– Sim, apesar de eu não gostar muito da ideia.

– Cala a boca. Tá com fome ou sou apenas eu?

Não era apenas eu. Então eu fui ao único restaurante que estava aberto as 3 da madrugada: Marmaid Gourmett. Parecia bom e então resolvemos entrar. Comemos sushi e tomamos vinho. Amo vinho tanto quanto amo whisky.

– Amanhã, não se esqueça que vamos sair. Eu estava pensando no...

– Neverland? — eu disse com medo de ouvir um "sim".

– Na verdade, sim. Lá é bom e seria perfeito pra você superar o ... o ...

– O Nolan. Eu sei. Mas, tem uma coisa que eu preciso te contar.

– Não vai me dizer que ele te procurou! — disse Charlie com cara de espanto.

– Não viaja Charlie, por favor. O que vou te contar é sério. Muito sério. Éis o que aconteceu. Lembra do Declan o... — e lá vai ela me interrompendo.

– O que se declarou pra você quando você namorava o Nolan?

– Isso mesmo, sua memória é ótima. Bom, continuando. Eu tinha quebrado uma xícara na minha sala e então eu fui limpar. Quando eu estava limpando ele bateu na porta e eu me cortei aqui. — mostrei a mão cortada pra ela, ainda com o curativo do Dec.

– Ok, e o que que tem? Ele te faz um curativo e então...

– E então ele me beija, Charlotte. Ele simplesmente me beijou.

– Mas o quê? Ele simplesmente te beijou?

– Sim. E o pior é que eu não evitei.

– Ah meu Deus! Você tem uma quedinha por esse cara não é? — fiquei vermelha e então ela deu seu velho sorriso de canto de boca. — Você está confusa, claro. Ainda não superou o Nolan e agora o Declan vem e ... — ela parou para suspirar e fazer a "cara de romance" dela — te mostra algo que você perdeu a tanto tempo! Ele merece uma chance senhorita Maine?

– Charlie, é isso que me pergunto desde o momento que ele virou as costas. Ele me ama de uma forma diferente, não sei. É como se eu fosse a única pessoa do mundo. Ele me olha e eu, eu não sei explicar. Eu vejo um novo mundo nele.

– Uma nova chance de ser feliz sempre deve ser testada Verônica. Mesmo que no final o caminho te leve a um destino que você não quer, ter tentado é melhor que não fazer nada. Isso te torna humana. Arrisque.

– Ele me chamou pra ir com ele pra algum lugar, ele queria me pagar um drinque mas eu não pude responder.

– Então você vai mandar uma mensagem e dizer que amanhã você estará na Neverland com uma camiseta do Nirvana.

– Mas e se...

– Você só vai saber se tentar. Ouse ser ousada.

Não pensei denovo. Ela estava certa! Eu não posso ficar assim pra sempre e pelo menos por agora, dar uma chance ao Dec é a minha melhor chance de ser feliz. Então peguei o celular e escrevi:

Amanhã, 11:30, no Neverland eu vou estar com uma camiseta do Nirvana. Leve dinheiro, a minha noite é por sua conta. Foi você quem prometeu, agora cumpra.

Agora era só esperar que a sorte estivesse do meu lado pois não existem limites para ser feliz, apenas aqueles que você mesmo coloca. E eu merecia ser feliz.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo e tenham realmente ficado curiosos pela história! Beijos e deixem reviews ...