Abandono Imprudente
6 De volta a Neverland - Parte I
Notas iniciais
Espero que vocês gostem e fiquem curiosos pro próximo. E obrigada pelos reviews, adoro todos eles :)
Hoje é sexta feira. Tinha combinado com o Sr. Trick que iria no trabalho apenas pela manhã. Estacionei o carro, subi as escadas e encontrei com Dec no corredor. "É hoje." — eu disse e lhe dei um beijo no rosto. Todos ficaram nos olhando, pasmos com a cena. Fui pra minha sala. Lá tinha uma caixa linda, prateada com um laço preto em cima.
No cartão dizia "Quem sou eu?" e logo pensei que fosse uma brincadeira da Charlie. Eu arranquei o laço e abri a caixa. Eram fotos do meu pai, do assassinato dele. Seu corpo esticado sobre uma poça de sangue em vários ângulos diferentes. Eu joguei a caixa no chão, um pedaço de papel saiu voando e eu o peguei no ar.
"Ele foi o primeiro. Quem será que vai visitar seu papai no inferno primeiro? Faça suas apostas."
Eu não conseguia gritar ou pedir ajuda, era como se o medo tivesse tomado conta de mim. Mas eu não ia me deixar abalar. Deve ser apenas alguém me pregando uma peça, eu vou queimar tudo isso e tudo vai ficar bem. Pelo menos o que eu pensei. Tentei não pensar mais naquilo, o que era difícil mas eu tentei focar no que aconteceria de noite.
O resto do dia eu passei alternando entre medo e ansiedade. Agora já são 11 horas. Eu não contei nada a Charlotte apesar dela ter me perguntado mil vezes se havia algo errado. Enfim, ela ainda não está pronta. Eu vou quase natural. Estou usando uma saia preta escolhida por ela e com a minha camiseta do Nirvana. Coloquei meu coturno preto e Charlie insistiu pra que eu trocasse, em vão. Essa era eu, a saia já estava me incomodando, usar salto só iria piorar. Ela tinha passado uma maquiagem em mim e eu tinha feito uma trança na lateral.
Quando Charlie terminou de se arrumar nós entramos no carro e fomos, sem pressa — e eu continuava pensando no que tinha acontecido de manhã. "Esqueça", era o que eu repetia pra mim no carro. Chegamos em Neverland por volta da meia noite e de longe eu vi Declan sentado no balcão. Ele pegou um copo em cada mão e levantou para o alto. Eu sorri. Que boba eu sou, parecia uma adolescente novamente.
Charlotte foi pra pista de dança e eu andei naturalmente até ele como quem não quer nada. Mostrar a indiferença era uma das únicas coisas que eu executava de maneira memorável. Peguei o copo da mão dele e mandei pra baixo em uma golada só. Coloquei o copo em cima do balcão e sequei minha boca com o braço — super feminina como sempre.
- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você ia me dar uma chance! — disse ele enquanto colocava uma mecha da minha franja que tinha se soltado da trança. Eu fiquei vermelha na hora e acho que ele percebeu isso. Dec sorriu pra mim. — Você é tão linda, eu poderia te olhar a noite inteira!
- Ah é, eu sou? — disse rindo. — Geralmente eu sou a pessoa feia dos locais mais frequentados de Nova York, agradeço pela cegueira.
- Eu realmente gosto de você, eu te ...
- Não diga nada. Só ... deixe as coisas acontecerem no seu tempo. Não comece o que não pode terminar.
Ele pegou minha mão — não a machucada, a outra — e eu a segurei firme. Fomos pra pista de dança onde tinha vários sofás. Sentamos em um grande que ficava em um lugar mais reservado. Dec me perguntou se eu tinha um horário pra ir embora e eu respondi que não. "Isso é bom. Gosto da ideia de passar mais tempo com você sem ser no trabalho. Pena que amanhã eu tenha que trabalhar, vou embora daqui duas horas, quero aproveitar cada segundo."
Enquanto ele me contava uma história sobre seu cachorro ter comido o pé da geladeira da casa dele eu pensava em como poderia ser feliz com Dec. Ele parecia certo pra mim, me fazia rir e me encantava. E então eu pensava na caixa que eu recebi e me arrepiava me perguntando se aquilo poderia ser sério ou se era mesmo só uma brincadeira de mal gosto. Silêncio. Parecia não ter mais um assunto pra conversar. Então ele resolveu quebrar o gelo:
- Como está sua mão? — disse pegando a mão com o corte.
- Boa. Acho que você daria um bom médico, isso sim. — ele riu.
Mais silêncio.
- Porque nunca fala da sua vida?
- Não gosto muito da minha vida. Não acho interessante. É bem melhor ouvir a história dos outros.
- Continuo querendo saber sobre você, quero saber tudo. — disse ele colocando seu dedo na ponta do meu nariz.
- Bom, não quero te assustar então vou falar por cima. — fiz uma pausa para organizar meus pensamentos. — Meu pai foi assassinado no começo de 2008 — e infelizmente isso me foi lembrado hoje — , ainda tenho minha mãe e moro sozinha. Charlotte é minha melhor amiga. Tenho um cachorrinho chamado Cobain. Minha comida favorita é lasanha. Minha cor preferida é preto. Amo usar coturno e odeio usar salto. Essa saia é mera ilusão, amo shorts e camisetas de banda. Uso vestido no trabalho por culpa das regras de vestuário. O máximo de acessórios que costumo usar é um chapéu ou um boina que eu tenho. Dizem que eu sou engraçada mas, me acho insuportável. Tá bom ou ... ou ...
Senti sua mão gelada em meu rosto. Eu olhei em seu olhos e automaticamente me aproximei. Dessa vez eu queria o beijo. Eu estava decidida que aquele seria o primeiro de muitos que viriam. Eu quero amar Declan Clarke. Eu passei um de meu braços por cima de seu ombro enganchando em seu pescoço. A outra mão eu coloquei em seu rosto e aproximei seus lábios dos meus. O beijo durou um tempo, eu queria sentir todas as emoções possíveis. Ultrapassar minhas expectativas. Esquecer o que tinha acontecido de manhã.
Era diferente pra mim. Com Nolan as coisas aconteceram devagar e parecia que com Declan eu queria mais. Como uma aventura. Era isso que eu estava precisando, de um pouco de aventura. De emoção.
Quando o beijo terminou ele disse na minha orelha:
- Amo. Assim ia terminar minha frase. Eu te amo. Eu não tenho dúvidas disso.
Eu não queria responder pra ele que também o amava. Então eu simplesmente disse pra ele:
- Você é a minha ideia mais recente de felicidade. Quero que seja a minha ideia mais brilhante.
- E eu quero você Verônica Maine. Apenas você.
- Só quero que saiba que eu não sou perfeita, estou longe disso.
- Pra mim você é perfeita. Pode parecer esses romances idiotas de filmes mas, quando estou com você é como se eu — ele suspirou — eu sinto que o meu mundo está completo. Mas esquece, deve ser chato ficar me escutando aqui. Eu preciso de cerveja. Tenho só mais meia hora!
- Oh sim, o trabalho. Bom, eu vou de Jack Daniel’s.
Agarrei sua mão e fomos até o balcão. As horas tinham realmente passado muito rápido sem eu ao menos notar. Pra minha surpresa um conhecido estava sentado na cadeira que antes fora minha. E posso dizer que era conhecido, conhecido até demais. Cada parte do meu corpo travou e acho que Declan reparou isso. Eu não esperava por aquilo.
Era Nolan. Nolan Fall estava em Neverland. Justo na minha noite.
Notas finais
Bom, deixe seu review? *-*
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