Abandono Imprudente
7 De volta a Neverland - Parte II
Notas iniciais
Eu estava realmente muito bêbada mas sim, ele estava bem ali. Exitei por um momento. Dei um passo para trás e então Declan segurou meu braço firme e me virou.
- O que aconteceu? — ele arregalou os olhos — É um criminoso ou algo do tipo?
- Antes fosse, aquele — revirei os olhos — aquele é o Nolan.
- Ah, não me diga que é o canalha do Fall?
- Sim. Vamos pro outro lado. — eu disse já o empurrando para o lado oposto.
- Não, o melhor jeito de superar algo é enfrentando. — Parece que eu estou falando com a Charlotte agora.
Mal deu tempo de eu discutir e então, Nolan virou pra trás e parecia surpreso de me ver ali. Ele franziu a testa como se ainda tivesse dúvidas de que era eu mesma que estava ali.
- Porra, eu não vou.
- Eu te desafio. — ele riu.
- Puta que pariu, ninguém me desafia e você sabe disso.
Fuzilei ele com os olhos enquanto caminhava direto ao balcão e antes que eu fizesse meu pedido eu escutei.
- Um Jack Daniel's com duas pedras de gelo para aquela moça, por favor. — aquela voz rouca só podia ser do Nolan.
Eu olhei para o lado. Eu queria voar em cima dele e bater nele até que ele estivesse inconsciente. Mas o que eu fiz foi levantar uma das sobrancelhas.
- Também quero uma cerveja. — eu disse. Era pro Dec, claro.
Então Declan chegou atrás de mim e passou a mão na minha cintura. Eu lhe dei a garrafa. Dec me deu um beijo rápido sem perder o contato visual com Nolan. Parecia que ele queria matá-lo.
- Meu tempo acabou. — ele disse enquanto olhava no relógio — Escuta. Odeio a hipótese de te deixar nessa boate com esse cara...
- Larga de ser idiota. Eu estou com você e com a Charlie, lembra? Você vai sair eu provavelmente vou procurá-la e só.
- Isso é bom. — Eu pulei pra abraçá-lo e recebi a força de seus braços me apertando em seu corpo.
Ele me soltou e saiu. Eu virei e marchei em direção da pista de dança mas fui interrompida por um puxão no braço. Jurei que era Charlotte e me virei rapidamente. Quando vi que era Nolan eu serrei os punhos — os quais ele segurou antes de esmagar seu nariz. Ele não estava tão bêbado quanto eu.
- Não faz isso.
- Depois de tudo o que aconteceu você ainda espera que eu queira ouvir sua voz? Você é mais ridículo do que eu pensei.
- Você nunca me deu sequer uma chance pra explicar o que aconteceu.
Como se eu tivesse ignorado, segui em frente. Tudo girava e digamos que se eu não estivesse naquele estado não teria sequer dirigido a palavra a Nolan. Voltei ao balcão. Eu queria beber, mais e mais e mais. Ele me seguiu.
- Vamos lá! Eu sei que você sempre se perguntou o motivo.
- Você não vai me deixar em paz mesmo?
- Nem por um segundo.
- Você sabe — parei pra respirar — quantas noites eu passei acordada chorando por tudo isso? — encarei seu rosto sem expressão — Você tem noção do quanto você me magoou Nolan? — peguei meu copo e dei uma golada. — Qual é a sua, cara?
- E você Verônica? Você tem noção do quanto eu me senti um lixo depois do que fiz? Aquilo foi um erro, eu me arrependo todos os dias. Eu me odeio pelo que fiz, eu não tinha esse direito. — aquele não era Nolan, ele nunca assumiria nada, muito menos um erro. A bebida com certeza fez efeito.
- Eu não quero te ouvir. Vai embora.
Mas ele não foi e ainda teve a cara de pau de passar os dedos lentamente pela lateral do meu rosto. Eu a retirei rapidamente com um tapa.
- Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Eu não podia dizer que tinha sonhado com ele essa semana. Eu queria fugir de lá. Correr pela rua e me jogar de cima de uma ponte pra nunca mais ter que respirar.
- Me diz você. — disse sem demonstrar absolutamente nada. Estava escorada em uma cadeira para não cair.
- Eu nunca parei de pensar em você. — eu tremi — Seus olhos azuis, seus cabelos dourados fazendo ondas sobre sua pele de marfim, seus lábios grossos e macios, as vezes em um perfeito sorriso. — Nolan estava romântico essa noite, ele não é assim. Aquela era a bebida falando. Pelo menos eu acho que é. — Nem por um minuto eu superei você.
- E eu te superei? — acho que consegui sentir uma lágrima escorrer.
- Depois do beijo que aquele cara te deu, sim, eu acho que você me superou.
- Declan? Eu me surpreendo com você. Você faz tudo que fez e agora vem com ciúmes como se eu ainda fosse sua propriedade? — limpei a lágrima que escorreu.
- Sim, eu tenho ciúmes de você. Você é minha e de mais ninguém. — ele me puxou pela cintura e eu o empurrei.
- Cala boca. Desde quando você me ama? Desde quando você sequer se importa? — peguei meu copo de whisky e mandei pra baixo o resto que sobrou.
- Para de ser assim. — ele bateu o copo vazio no balcão me assustando. — Eu to aqui tentando de tudo e você ...
- Quer saber como eu me senti então? — eu o encarei — Eu queria me matar, cara. Eu me senti a pessoa mais idiota do mundo. Acho que ainda me sinto.
- Isso quer dizer que você pensa em mim?
- Tire suas próprias conclusões, pense o que quiser. Sua opinião não faz mais diferença na minha vida. — quanta mentira em uma frase só.
- Bom, algo você ainda sente.
- E como você poderia saber?
- Você ficou aqui me escutando quando poderia ter ido embora. — eu não sabia o que dizer. Bem no fundo eu sabia que tudo o que ele tinha dito tinha um fundo de verdade. Eu ainda o amava mesmo sentindo tanta raiva e eu ainda pensava nele. Mas eu sou orgulhosa. Nunca assumiria. E então ele completou. — Eu te amo.
- Devia ter pensado nisso antes, não acha?
Ele segurou minha mão machucada e eu gritei. Na outra mão estava o copo vazio, que, em questão de segundos, eu estilhacei no pé dele e pra arrematar, um soco no nariz — do jeito que eu queria fazer desde o começo — e fui pra pista de dança procurar Charlie mas, me surpreendi ao enxergar seu olhos olhando de longe pra mim, ela devia ter visto a cena toda.
Eu corri pra fora. Neverland estava a ponto de me matar.
Notas finais
ME DEIXA UM REVIEW, TALVEZ EU DEMORE PRA POSTAR O PRÓXIMO CAPÍTULO.
Talvez não, mas ok, eu sou meio bipolar mesmo. *---*
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