ANTROPÓFAGO - Diário de um Canibal
9 Na mira da polícia
Notas iniciais
Braço Forte era uma cidade pequena, pacata e tranquila, mas repleta de charme. Com seus casarões históricos, igrejas imponentes, praças bem cuidadas e museus que contavam a história do tempo do ouro e da escravidão. As ruas ainda conservavam o calçamento original de paralelepípedos. O rio da Juventude, banhava suas extremidades, os antigos acreditavam que suas águas obscuras eram milagrosas e tinha o poder de rejuvenescimento.
Corri pelas ruas estreitas da cidade até chegar às suas extremidades, com Ricardo amarrado ao para-choque do carro. Ao me aproximar do rio, desci do veículo e fui verificar como ele estava. Como diz o ditado, "vaso ruim não quebra fácil", e para a tristeza de Ricardo, esse ditado parecia se aplicar a ele naquele momento. Acredite, apesar de estar dilacerado, ensanguentado e rodeado por moscas, o maldito ainda estava vivo. Seu corpo mutilado exalava um odor nauseante, mas sua respiração fraca indicava que ainda havia vida dentro dele. Ele me olhou com os olhos semicerrados, transmitindo uma mistura de dor e desespero, seu olhar dava pena.
Enquanto eu avaliava a situação de Ricardo, ouvi ao longe a sirene da polícia, algo muito raro naquela cidade pacata. A cidade era tão tranquila que os piores bandidos que se tinha eram ladrões de galinha. No entanto algo me dizia que desta vez não eram esses ladrões que a polícia estava atrás.
— A polícia! Eles não podem me pegar. E a pequena Érica, preciso salvá-la — dizia pra mim mesmo, sentindo o coração acelerar.
Voltei rapidamente até o carro e encontrei a pequena Érica acordada, soluçando em um gemido fraco. Ao tocá-la, percebi que estava ardendo em febre, o que só aumentou minha preocupação. Eu sabia que tinha que ajudá-la, mas com a polícia cada vez mais próxima, a situação se complicava.
Enrolei-a bem na manta e a segurei nos braços, fugindo por um beco escuro. Tinha que encontrar um lugar seguro para deixá-la, algum lugar onde pudesse encontrar ajuda e cuidados. Foi então que me lembrei de que ainda mantinha próximo ali um orfanato antigo, era um casarão dedicado aos pequenos enjeitados. As mães que não queriam ou não podiam cuidar dos seus filhos os deixavam no que chamava de roda dos expostos, o que era algo comum em tempos atrás. A "roda" consistia de um cilindro de madeira oco instalado no muro do orfanato, com uma abertura voltada para a rua onde se depositava o recém-nascido. Esse cilindro girava em torno do seu próprio eixo, e ao girá-lo, a abertura dava acesso à parte de dentro do orfanato. Após isso, tocava-se a sineta, avisando a freira, que ia buscar a criança exposta.
Estava ali a solução: o lugar perfeito para deixar a pequena Érica em segurança. No entanto, para isso, eu teria que desviar a atenção da polícia, cujas sirenes ecoavam cada vez mais perto. Desci por uma rua bem deserta, de casas pequenas e simples. Ao longe, avistei o orfanato. Porém, entre mim e ele, havia uma praça, com alguns bêbados fazendo algazarra. Eu não poderia chamar atenção.
Decidi, então, retornar e contornar o quarteirão por outra rua, evitando a praça. Ao chegar ao final da rua, deparei-me com a polícia, que estava furiosa por ter encontrado o estado em que deixei Ricardo. Fiquei na espreita, segurando a pequena Érica nos braços, enquanto escutava atentamente as conversas dos policiais. Moraes, o velho delegado da cidade, estava de pé ao lado de Ricardo, que ainda lutava pela vida, mas claramente estava em seus últimos momentos. Vários policiais do regimento estavam ao redor, todos chocados com o estado terrível em que Ricardo se encontrava.
— Vasculhem tudo, até encontrarem o desgraçado que fez isso! — Ordenou Moraes, com determinação.
Enquanto observava a cena, senti o peso da necessidade de fugir. Não podia permitir que me encontrassem. Olhei para a menina em meus braços, preocupado com sua segurança.
— Vamos, meu amor, preciso encontrar alguém para cuidar de você — sussurrei para ela, determinado a protegê-la a todo custo.
Decidi contornar a praça por uma viela ao lado oeste, buscando evitar a atenção indesejada. Ao passar despercebido pelo canto da praça, percebi que a menina tremia, provavelmente de fome e frio. Sabia que precisava agir rapidamente para garantir sua sobrevivência. Decidi levá-la ao orfanato, onde esperava encontrar ajuda. Ao chegar lá, avistei a roda dos expostos. Com cuidado, coloquei a menina deitada no cilindro e toquei a sineta com urgência, esperando que as freiras viessem logo resgatá-la.
Eu corri pelas ruas desertas, me afastando o máximo possível do local onde a polícia estava concentrada. A minha sorte é que por não ter muitos casos de violência na cidade, a companhia era composta por poucos policiais. Isso facilitava minha fuga, mas não diminuía a tensão que sentia. Estava exausto. O dia já estava quase amanhecendo e eu não havia dormido. Mas agora, com a polícia atrás de mim, a urgência em escapar era ainda maior. Se fosse preso, minhas chances de encontrar Érica seriam praticamente nulas.
Avistei uma pequena casa, espremida entre dois velhos casarões coloniais. O muro baixo, com cerca de meio metro de altura, mostrava sinais de desgaste e rachaduras. A calha danificada indicava que a chuva havia castigado sua fachada. Na entrada, já podia ver a vegetação começando a se espalhar verticalmente pela parede úmida. O quintal, se é que podia ser chamado assim, estava tomado pela grama alta, com alguns pés de mamona crescendo ao longo da parede. No meio, apenas uma calçada de pedras ligava o portão à porta de entrada. Parecia que não havia moradores ali.
Decidi arriscar. Saltei o muro e me abriguei em uma pequena área em frente à casa. Rodeado por paredes minúsculas feitas de blocos deitados, senti um alívio momentâneo por ter encontrado um esconderijo temporário. Aquela casa abandonada seria meu refúgio até que a situação acalmasse e eu pudesse seguir em busca de Érica.
Ao amanhecer sou despertado pelo os raios do sol batendo em meu rosto. Levantei-me cautelosamente, observando a rua com receio de ser avistado pela polícia. Foi então que notei movimentos dentro da casa. Diferente do que eu pensava havia moradores ali. Saí discretamente, mas ao passar pela porta principal, fui surpreendido por uma senhora idosa, moradora do local, que se assustou ao me ver ali.
— Jesus de misericórdia! Quem é você? — Ela exclamou, visivelmente assustada.
Sem hesitar, avancei em sua direção e tapei-lhe a boca, puxando-a para dentro da casa e fechando a porta para evitar que alguém nos visse. Ao soltá-la, a senhora, já idosa, implorava para que eu não a machucasse.
— Por favor, moço, eu sou só uma pobre viúva. Não me faça mal. Leve o que quiser, mas não me machuque — ela suplicou, com a voz trêmula.
— Não quero nada com a senhora. Me diga, tem mais alguém na casa? — Perguntei, tentando manter a calma.
Ela hesitou por um momento antes de responder, visivelmente nervosa.
— Não senhor, eu moro sozinha.
Fiquei desesperado. Agora eu era procurado pela polícia e não sabia o que fazer. Olhei disfarçadamente pela janela, certificando-me de que ninguém havia me visto.
Enquanto isso, a senhora permanecia encostada na parede, com os olhos arregalados de medo, respirando ofegante.
— Tá com medo de mim? — Perguntei, percebendo seu nervosismo.
— Eu sou uma pobre viúva, nunca fiz mal a ninguém. O senhor pode levar o que quiser, eu só te imploro, não faz nada comigo — ela suplicou novamente, em tom desesperado.
— Eu já disse que não quero nada da senhora. Acho que eu sou um monstro, não é isso? É exatamente assim que eu me sinto, um monstro. Me perdi de mim mesmo. Eu sei que fiz coisas horríveis, mas eu só queria encontrar a minha Érica.
— Mas eu não tenho culpa, moço. Por favor, só me deixa em paz.
Senti-me incomodado com o descaso dela em relação ao que eu estava passando. Parecia que ela não se importava minimamente com os sentimentos que eu carregava dentro de mim.
— Velha maldita! Pouco te importa o que se passou comigo, não é mesmo? — Desabafei, irritado.
A sirene da polícia soou ao longe, e meu desespero aumentou. Segurei-a pelo braço e comecei a arrastá-la pela casa. Ela suplicava, dizendo que era uma senhora de bem, implorando para que eu não a fizesse mal.
— Mora mesmo sozinha? Não tá mentindo? — Interroguei, enquanto vasculhava alguns cômodos em busca de possíveis esconderijos.
— Moço, por favor, tenha misericórdia de mim! — Ela continuava a implorar.
Foi então que uma voz feminina, jovem e suave, interrompeu nossa tensa situação.
— Vó, o que tá acontecendo? — Disse a moça, saindo de um dos quartos.
Ela era uma bela jovem, com traços caboclos, vestida com um simples vestido florido. Seus cabelos despenteados caíam sobre os ombros, e seu olhar era tímido e assustado ao me ver ali. Com uma de suas mãos delicadamente colocou o cabelo atrás da orelha. Aquele gesto, como não me lembrar de minha amada Érica? Fiquei paralisado diante da beleza simples da moça.
— Sai daqui, Clarinha, fuja, minha filha! — A velha gritou, desesperada.
Soltando o braço da senhora, avancei sobre a jovem e a agarrei pelo braço, pressionando-a contra o meu corpo. Ela olhava para mim assustada e arquejante, seus olhos grandes refletiam o medo. Seu rosto, mesmo em meio ao terror, mantinha uma beleza incomparável. Era uma jovem que aparentava ter dezesseis anos, dona de uma beleza deslumbrante.
Aproximei meu rosto do dela, na intenção de beijá-la, mas ela fechou a cara e se franzia de nojo diante da minha aproximação.
— Solte a minha neta, desgraçado! — Ouvi a voz da senhora, antes de sentir uma pancada forte na nuca.
Cambaleei, tonto, para o lado, e ao me virar vi a senhora com uma frigideira nas mãos, pronta para me atingir novamente. Antes que pudesse reagir, ela se aproximou e começou a desferir pancadas em minhas costas.
— Pare com isso! — Gritei, tentando me defender das pancadas.
Sem opção, peguei meu punhal que estava preso à cintura e o cravei no abdome da senhora. Ela soltou um gemido sufocado, seus olhos arregalados de dor e surpresa. A frigideira caiu de suas mãos enquanto ela ia se desfalecendo no chão. Levantei a mão, traçando o punhal verticalmente em seu abdome, expondo seus intestinos. A senhora caiu no chão, tapando a incisão em seu abdome com as mãos, em uma tentativa inútil de conter o sangue. Clarinha, aos prantos, caiu de joelhos ao lado da avó, tentando desesperadamente ajudá-la.
— Vó, por favor, não morra! — Ela suplicou, em lágrimas.
Parti para cima da moça, arrastando-a para o quarto enquanto ela lutava e suplicava.
— Por favor, não! Eu só quero ajudar a minha vó! — Clarinha implorava, em desespero.
Eu estava enlouquecido, obcecado por Érica. Ela não saía da minha cabeça, e a presença daquela jovem apenas avivava meu desejo doentio. Cego pela paixão distorcida, comecei a pegar lençóis, roupas e tudo mais que encontrava pela frente. Rasguei-os, fazendo longas tiras, e emendei uma na outra para amarrar os braços e pernas de Clarinha. Sua boca foi amordaçada com uma das tiras, e suas mãos foram presas na cama.
Quando retornei à cozinha, levei um susto ao ver que a velha não estava mais lá. Meus olhos se arregalaram ao vê-la de pé, de mãos estendidas em direção à porta, gritando por socorro.
— Socorro! Polícia, socorro! — Ela tentava gritar, sua voz sufocada.
Sem pensar duas vezes, me aproximei dela rapidamente e desferi facadas violentas em suas costas. Ela caiu se estrebuchando no chão, e eu continuei.... Passando a faca em seu pescoço, cortando todos os músculos e a traqueia. Sua cabeça ficou pendurada apenas pelos ossos da coluna cervical, em um gesto brutal e sem piedade.
Ouço o barulho da sirene da polícia já do lado de fora da casa. A maldita velha conseguiu chamar atenção para a casa. Eu sabia que precisava dar um jeito de fugir, antes que fosse tarde demais. Olhando pela janela, avistei Moraes descendo do camburão com a arma em punho, apontando para o rumo da casa.
— Saia de mãos para cima! — Ordenou ele.
Um dos policiais ao lado de Moraes alertou sobre minha condição de refém.
— Ele tá com refém.
Moraes confirmou, mantendo-se firme em sua postura.
— Eu sei. Todos atentos, o meliante tá com refém. Não podemos colocar a vida de inocentes em risco. Repito, todos atentos às minhas ordens. Temos que ser cautelosos.
Voltei ligeiramente para o quarto, cortando a tira que mantinha a moça amarrada na cama. Liberei suas pernas e a segurei firmemente pelos braços, pressionando a faca contra seu pescoço. Arrastei a jovem até a porta e a segurei como refém. Ao verem meu estado, todos ficaram abismados, especialmente Moraes, o velho delegado.
— Minha nossa! Solte a moça e ninguém sairá ferido — pediu Moraes, tentando manter a calma.
— Um carro, eu quero um carro! — Gritei, minha voz soando rouca e descontrolada.
— Calma rapaz, fique tranquilo. Vamos conversar — tentou acalmar Moraes.
— O senhor não entendeu, doutor...
Me aproximei do rosto de Clarinha e dei-lhe uma forte mordida na bochecha, arrancando um pedaço. A jovem gemeu de dor, seus olhos cheios de lágrimas.
— Ou me arranje um carro ou eu devoro essa garota aqui na sua frente! — Ameacei, vendo o horror estampado nos rostos ao redor.
— Se o senhor quiser eu posso atirar. Eu tenho uma boa mira, posso acertá-lo — disse um policial.
— Tá maluco? Se você errar o tiro matará a moça. Não podemos nos precipitar, ele não tá brincando. Ele é capaz de devorar a moça aqui em nossa frente — explicou Moraes, sua voz soando desesperada.— Eu te darei o carro que você quer, pode pegar o meu camburão. Mas solte a garota — ofereceu Moraes, tentando negociar.
— Eu não sou tão idiota. Quero que todos desengatilhem as armas e as coloquem no chão. E sem gracinha, doutor — ordenei, mantendo a faca firme contra o pescoço de Clarinha.
— Ouviram o que ele disse? Desengatilhe as suas armas e as coloquem no chão — ordenou Moraes para sua equipe.
Um policial hesitou, mas Moraes foi firme em sua decisão.
— Mas doutor Moraes...!
— Obedeça, apenas obedeça. Eu conheço a jovem, não posso arriscar a sua vida — reforçou Moraes, vendo o policial desengatilhar sua arma e colocá-la no chão, seguido pelos outros.
Todos me obedeceram, desengatilharam as armas e as colocaram no chão, enquanto eu mantinha Clarinha como refém.
— Agora, afastem-se das armas — ordenei, vendo-os recuarem conforme me aproximava do camburão do delegado.
Com a faca ainda pressionada contra o pescoço de Clarinha, entrei no carro do delegado, puxando-a junto. Liguei o motor com pressa e acelerei o veículo com violência, sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias.
Os policiais reagiram rapidamente, correndo para pegar suas armas e entrando em seus próprios veículos. A perseguição começou, com eles logo atrás de mim. Manobrei pelas ruas estreitas da cidade, derrubando tudo o que encontrava pelo caminho em uma tentativa desesperada de escapar.
Quando chegamos à ponte, não hesitei em cortar em direção à densa floresta de Mossaíh. Atravessei as árvores, ignorando os galhos que batiam no carro, em uma corrida desenfreada para despistar a polícia. Por fim, consegui perder os perseguidores na densa vegetação. Dentro do carro, Clarinha balançava-se de um lado para o outro, incapaz de se segurar devido às mãos amarradas e à falta de um cinto de segurança.
Mesmo em alta velocidade, abri a porta do lado do passageiro e me joguei para fora, empurrando-a para fora do veículo também. Eu caí rolando pelo chão ao lado de Clarinha, e o carro que nos trouxe chocou-se violentamente contra uma árvore, explodindo em chamas.
A dor percorreu meu corpo, mas a adrenalina me mantinha alerta. Ignorando minhas próprias feridas, levantei-me mancando e fui até a jovem, que estava desacordada. Com a faca em mãos, cortei as tiras que a prendiam e a arrastei para um local mais afastado da estrada, entre as árvores. Encostei-a em uma rocha, admirando sua beleza em meio ao caos. Seus traços, mesmo que distintos dos de Érica, me lembravam tanto dela. Era como se minha obsessão projetasse o rosto de Érica sobre ela.
Aproximei-me e toquei seus cabelos, descendo a mão por seu rosto, onde a ferida causada pela minha mordida ainda marcava. Deslizei minha mão por baixo de seu vestido, sentindo a aceleração de seu coração. A jovem despertou, assustada ao me ver tocando-a. Recuou, mantendo os olhos baixos, observando-me. O desejo que me consumia era repulsivo. Queria provar o sabor de seu coração, uma ânsia que me apavorava. O cheiro de seu sangue preenchia o ar, minha saliva inundava minha boca, e eu me sentia uma fera, sedento por sua carne.
Clarinha se arrastou para longe de mim, levantando-se e correndo entre as árvores. Eu a segui, com o punhal em mãos, determinado a saciar meu desejo. Ao alcançá-la, joguei-me sobre ela, pressionando-a contra o chão. Ela se debatia e tentava escapar, mas eu segurava sua cabeça firmemente. Com a faca, fiz um corte profundo sob seus seios, sentindo o calor de seu sangue em minhas mãos. Ela cravou os dedos na terra, gemendo em agonia. Mesmo fraca, resistia, mas finalmente sucumbiu à dor, seu corpo enfraquecendo até se render.
Após colocá-la em decúbito dorsal, perfurei entre seus seios, arrancando seus últimos suspiros. Segui o mesmo padrão das outras vítimas, deslizando a faca sob suas costelas e arrancando seu coração para fora. O órgão ainda estava quente, e eu o devorei vorazmente, com uma alacridade de quem ansiava por aquilo há séculos.
Era perturbador sentir aquele prazer, um êxtase que tomava conta de mim. Minha carne tremia, meu sangue fervia, era uma luxúria indescritível. Cada pedaço da carne deslizando pela minha garganta era uma sensação de prazer misturada com repulsa.
Então, num instante de lucidez, caí em mim mesmo e percebi o horror do que havia feito. Sentia um profundo nojo, queria me lavar, me livrar daquele cheiro, mas sabia que nenhuma água poderia limpar minha alma. Eu era um monstro, uma aberração, e aquilo me consumia por dentro.
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