ANA

2 Ana: Parte II


Notas iniciais
Olá pessoal! Após longos meses eu retornei, queria muito pedir desculpas por esse longo hiatus... A vida adulta meio que anda me "pegando de jeito". Aqui vai um capítulo quentinho, e não se preocupem! Os próximos capítulos serão postados com frequência maior!

ANA

Parte II

00:00 AM

— Vovô?! – gritou Ana de volta – Vovô o senhor está bem?!

Não ouvindo resposta alguma Ana, correu até a porta da frente da casa. Estava trancada. Ela esmurrou a porta de madeira com força.

Novamente sem resposta alguma. A menina ando até uma das janelas baixa, que estava apenas por vidro. Ela rasgou um pedaço de sua regata, enrolando o tecido no punho fechado quebrando o vidro com violência, até não sobrar nada. A menina pulou a janela, conseguindo adentrar a casa, e fazer um grande corte nas costas, por causa de um resticío de caco de vidro. Sem se preocupar com a dor, ela foi correndo até a cozinha, abriu com força uma das gavetas, quase a derrubando, empunhou uma longa faca de cozinha, de quase quinze centímetros. Sentiu-se estranha com aquela faca em mãos, não sabia o que estava acontecendo, podia não ser nada demais... Porém, preferia não arriscar.

— Já chamamos a policia! Eles estão a caminho! – berrou a menina para os possíveis ladrões – Não façam nada com meu avô, isso só irá piorar a situação de vocês! Vão embora, por favor! – ela tentou ser firme em suas palavras e não demonstrar medo.

Ana ouviu um gemido de dor. Engoliu a saliva, ao ouvir o ruído, sentiu medo ao imaginar de quem poderia ser.

A menina seguiu a o gemido, sempre segurando a faca com força, em frente ao seu corpo, e a lanterna em outra mão. Suas costas ardiam por causa do ferimento, e ela podia sentir o sangue escorrendo por sua coluna vertebral. Adentrou no quarto do avô, ao vê-lo, Ana quase deixou um grito de horror, sair pela boca. O velho estava em volto de uma poça de sangue, que crescia lentamente em volta de seu corpo moribundo.

Ana ajoelhou-se ao lado do senhor, agarrando-lhe com força nas mãos. Todo aquele sangue vinha da barriga inchada dele. Os ferimentos eram profundos, e pareciam ter sido causados por uma faca.

— Vovô! Quem fez isso?! – perguntou ela em choque, seus olhos corriam rapidamente por toda a cena, e ela não acreditava no que via.

O velho arregalou os olhos. Tocando o rosto de Ana com uma das mãos, sujando a menina com o seu sangue. Ela viu o pavor refletido nos olhos dele. Sangue começava a brotar da boca do velho homem, e toda vez que ele tentava falar ele engasgava-se com o próprio sangue. Ele gemia de dor, e parecia estar chorando.

Passos pesados foram ouvidos no corredor ao lado. Ana virou-se rapidamente. Empunhando a faca com força. O avô apertava a sua mão com força.

— VÁ EMBORA! – berrou a menina, as lágrimas já começavam a brotar de seus olhos – VÁ EMBORA! VÁ EMBORA!

Ana só parou de gritar, quando a mão de seu avô. Afrouxou-se, ela voltou-se para o senhor. Ele estava com a boca escancarada, da qual brotava sangue vermelho e grosso, seus olhos arregalados, estavam petrificados, sem vida.

— Não, não, não, vovô não! – ela sacudia o velho pelos ombros como se tentasse trazer de volta a vida – Nós vamos pedir ajuda, não morra, não... Não morra!

O barulho de passos aumentou. Alguém estava correndo. Ana levantou-se de pressa com a faca em mãos, deixando a mão sem vida do avô cair no assoalho de madeira. Outro barulho ecoou pela casa. Ela reconheceu o barulho como sendo da porta da frente sendo escancarada. O vento forte da tempestade adentrou a casa, assobiando forte, e batendo de frente com Ana. O assassino havia saído da casa, e estava indo em direção à casa da mãe e do padrasto.

Ana olhou para o avô por uma última vez. Ela soube que não tinha mais o quê fazer, ele estava morto, e ela precisava agir rápido, ou o restante da família teria o mesmo destino. Sentindo-se culpada, a menina foi obrigada a abandonar o corpo sem vida do ancião, e partir, antes que fosse tarde demais.

Desesperada, Ana correu para a casa de cima. Ela não podia deixar que o assassino fosse ao encontro da mãe e do padrasto, caso eles não tivessem acordado com os gritos, ela teria que os acordar, antes que fosse tarde demais! Durante a corrida frenética ela caiu com força no chão de terra que estava virado em uma lama negra e pegajosa. A chuva ainda não havia cessado, eram gelada e forte, os pingos eram quase cortantes. Ana sentiu o ar fugir dos pulmões ao cair no chão. Ela havia tropeçado em algo duro, sentiu os seios doerem com o baque da terra. A lanterna caiu rolando para longe, já a faca Ana, continuou empunhando. A garota levantou-se com dificuldade tentando recuperar o ar. Ela estava completamente suja pela lama. Foi até a lanterna, e iluminou no que tinha tropeçado. Ao ver a cena, ela não segurou o grito de pavor que saiu de sua boca. Ela havia tropeçado em um dos cachorros da fazenda. Que jazia morto, com um profundo corte em sua garganta.

Tapou a própria boca com as mãos para parar de gritar. Quem estava fazendo aquilo? Era algo cruel e sem motivação evidente. Primeiro o avô, agora um animal indefeso! As lágrimas começaram a percorrer o rosto sujo de lama de Ana. Ela apertou o cabo da faca com força. E voltou a correr, iluminando o caminho com a lanterna, um a um os corpos dos cachorros da família foram aparecendo. Como em uma cena horrível digna de um filme de terror, todos degolados, com as línguas para fora, os olhos sem vida, sangue, lama, fedor, pavor.

Ana só parou de correr, quando se assustou. Todas as luzes da casa de cima se acenderam, a luz alaranjada iluminou a casa e o pátio da fazendo. Parou por um instante, intrigada. Alguém havia ligado os geradores reservas que eram usados só em casos emergências. E duravam apenas por poucas horas. Mas como eles haviam achado os geradores? Ficavam quase escondidos... Perto do milharal.

Ficou imersa em pensamentos. Pensando como adentraria a casa, como avisaria os pais. Até que um estalo veio a sua mente. Poderia entrar pelo alçapão, que ficava aos fundos da casa. O alçapão dava acesso ao porão da casa, e logo ela sairia no corredor da casa. Daquela forma ela não chamaria atenção da possível ou possíveis pessoas que estivessem invadindo a casa.

Tentando manter a mente calma, o que era uma tarefa difícil na situação que se encontrava, a menina fez a volta, indo até onde se localizava o alçapão. Parou em sua frente, por alguns segundos vacilou. Ela não queria entrar na casa, só queria dar meia volta e sair correndo, e nunca mais parar. Mas ela não podia, sua mãe estava lá dentro, e seu padrasto, que mesmo não sendo a pessoa que ela mais amasse na vida, era um ser humano, que não merecia acabar como o avô.

Respirou fundo. Abriu as portas do alçapão de forma cuidadosa para não fazer barulho. Entrou no porão, não se preocupando em fechar as portas. A chuva gelada não perdoava, e nunca cessava. Com medo até de respirar alto, a menina andava lentamente. Percorrendo o porão, escuro e húmido que servia como papa entulho. Lá encontravam-se ferramentas, sacos de milhos, móveis velhos, e ratos que deveriam ser mais ou menos do tamanho de um filhote de cachorro. Só de pensar nisto o estomago da menina estremeceu.

Quando estava próxima a escada que dava acesso à parte de cima da casa Ana parou. Ouviu passos pesados vindo de cima do assoalho. Sentiu um pavor indescritível, tinha medo até mesmo de respirar ou piscar, ou que qualquer gesto seu fizesse com que a pessoa acima dela, fosse ao seu encontro, e ela terminasse da mesma forma que o avô.

Ana sentiu cheiro forte adentras suas narinas. Logo sentiu o estomago embrulhar. Era cheiro de podridão, que fazia com que suas entranhas dessem voltas, o cheiro era familiar, porém a menina, não conseguia o identificar.

Foi muito rápido e abrupto. A porta do porão escancarou-se, iluminando todo o porão, perdida no próprio medo e pensamentos Ana, não percebeu o ser aproximando-se de forma rápida. Por alguns segundos a menina apenas ficou chocada, boquiaberta, tentando assimilar a cena que via a cena que parecia ter sido moldada no inferno.

O que estava na frente dela ira irreal demais era não humano. O ser que estava ali possuía pelo menos um metro e noventa, vestia macacão, e botas de borracha sujas de lama. E onde deveria ser sua cabeça, localizava-se a cabeça de um porco, usada como máscara, sangue fresco e sujeiras imagináveis. O mais assustador, era que a cabeça de porco, era real. Ana percebia apenas de olhar para aquela máscara horripilante, podia ver o sangue já seco na pele sem vida do animal, e o cheiro fétido que lhe era familiar, quando presenciava abate de animais na fazenda. A única coisa humana eram os olhos, que apareciam por furos feitos nos antigos olhos do porco. Olhos azuis sem vida, quase parados, quase tão mortos quanto a mascara.

— Ai, merda – foram às únicas coisas que Ana conseguiu dizer, e recuar para trás – Que diabos é você?!

A criatura não respondeu nada. Apenas deu dois passos a frente.

—Fica longe de mim! Ou eu juro que te furo seu filho da puta! Louco de merda! – gritou Ana colocando a faca em frente de sí.

O Porco pareceu não preocupar-se com a ameaça. Investiu com mais força contra Ana. Facilmente defendendo-se dos golpes desajeitados da menina. Com uma facilidade ridícula o Porco, desarmou Ana, jogando a faca para longe, e colocando-a sobre seus ombros.

— Me solta! Me solta! – gritava a menina em desespero, esmurrando as costas largas do homem. Porém os socos de Ana, não causavam muito desconforto, naquele homem que parecia concreto.

Sobre os ombros do Porco, eles percorreram a antiga casa. Os gritos de Ana percorriam a casa, ecoando pela fazenda, misturando-se com os sons noturnos e da chuva pesada, porém ninguém ouvia...

Quando chegaram na sala da casa. O Porco jogou Ana, sem dó no assoalho, a menina caiu de peito, o ar lhe fugiu. Ela levantou a cabeça, pois de relance tinha visto a mãe e o padrasto, amarrados com cordas em cadeiras. Viu os semblantes de horror de ambos rapidamente.

Logo sentiu algo pesado contra seu próprio rosto. Demorou em perceber que o quê a havia atingido era um chute do Porco. Sentiu o nariz romper-se, e o sangue jorrar.

Dor invadiu Ana, após isso escuridão total.

Notas finais
O que acharam do Porco?