AMOR EM CAMPO

33 Capítulo 32: Jogo é jogo…


Notas iniciais
🚨 ATENÇÃO, ISSO NÃO É UM TREINO!!! 🚨 Então, respirem fundo, peguem uma água e preparem o psicológico, porque hoje o capitão Duarte vai entrar em campo e a partida promete ser acirrada. 😏⚽️ (E eu posso ou não estar falando sobre futebol. 🤭) Boa leitura, time! 📖⚽️❤️

O barulho do secador de cabelo de Letícia disputava com a playlist de indie rock no celular de Rafaela. O sábado à tarde tinha chegado com aquele clima clássico de dia de jogo na faculdade.

Rafaela estava na frente do espelho do banheiro passando rímel. Um mês atrás, a ideia de ir ver jogo dos Falcões dava embrulho no estômago. Agora ela só ria lembrando do áudio que o Gabriel mandou de manhã cedo, praticamente implorando pra ela não esquecer o fone dele. Ela já tava no meio da rotina dele, e ele na dela.

— Rafa, essa blusa ou a preta de gola alta? — Letícia apareceu na porta com dois cabides.

— A preta — Rafaela respondeu. — Fica melhor com o jeans claro.

— Fechou.

Letícia jogou a peça na cama, mas, antes de vestir, o celular apitou na cômoda. Pelo reflexo do espelho, Rafaela viu a cara da amiga fechar na hora. Já estava virando hábito Letícia mudar toda vez que chegava mensagem do Guilherme.

— Guilherme? — Rafaela perguntou de leve.

— É. Chegou de viagem e tá cobrando que horas o jogo acaba porque marcou jantar com os pais dele às oito — respondeu, digitando na força do ódio. — Falei que futebol sempre atrasa, e o bonito me manda um "ok" seco.

Letícia soltou um suspiro pesado, jogou o celular de lado e colocou a blusa. Quando a cabeça passou pela gola, forçou uma animação:

— Mas foda-se! Hoje é dia de jogo. Como tá o coração pra ver o camisa dez em campo?

Rafaela riu, passando o hidratante labial:

— Preparado. Vamos?

— Vamos!

Ao cruzarem os portões do complexo esportivo, a bateria da torcida organizada já ditava o ritmo nas arquibancadas. Subiram os degraus até encontrarem Sabrina acenando e guardando dois assentos para elas.

No gramado, o time aquecia. No meio da roda, usando a braçadeira de capitão, estava Gabriel. Bastou ele virar e achar Rafaela na arquibancada pra abrir aquele sorrisinho folgado de quem já sabia que ia dar show.

O juiz apitou.

O jogo começou pegado. Clássico contra a Federal nunca era amistoso, era na base da canelada. Gabriel corria com tudo e Diego parecia ler a mente dele.

Foi assim que o gol aconteceu. Gabriel recebeu no meio, girou tirando o marcador e enfiou a bola em profundidade. Diego passou como uma flecha entre os zagueiros e estufou a rede.

A arquibancada veio abaixo. Na comemoração, Letícia entornou uma gota de açaí no tênis:

— Puta merda! — berrou, sem saber se pulava ou se limpava a sujeira.

O apito final veio com a vitória garantida.

Gabriel tava morto, ensopado de suor e com a camisa na mão. Olhou pra cima, achou a Rafaela descendo os degraus. Ele foi direto até ela.

— Jogou bem — ela elogiou, com as mãos nos bolsos do short jeans.

— Você que dá sorte — ele respondeu, ainda tentando recuperar o fôlego, puxando a barra da camisa preta e dourada que era dele e estava nela. — Ficou gata demais com a dez.

— Fala isso só porque tem o seu nome atrás.

Gabriel segurou na cintura dela, chegando mais perto e falando baixo:

— Tô falando porque é verdade, ué.

— Ô, casal — Letícia cortou, apontando a colher de plástico. — Eu ainda existo aqui do lado, tá?

Antes que Gabriel pudesse retrucar, Diego chegou num pique só e travou o pescoço dele num mata-leão:

— MEU CAPITÃO!

Daniel veio logo atrás, dando um tapa na nuca de Gabriel:

— Que passe foda, irmão.

— E aí, Rafa? — Diego jogou o braço por cima do ombro dela. — Viu o golaço do pai?

— Diego, tira o braço da minha namorada — Gabriel puxou o amigo de leve.

Diego ergueu as mãos em rendição.

— Olha só — Letícia apontou para Gabriel. — Então você faz o tipo namorado ciumento?

— Eu não — Gabriel rebateu.

— É sim — Daniel, Rafaela e Diego afirmaram ao mesmo tempo.

— Enfim, partiu churrasco lá em casa? O capitão banca. — Diego anunciou, batendo palmas.

— Eu não vou bancar churrasco nenhum — Gabriel retrucou. — A conta vai ser dividida por cabeça.

— Foge enquanto há tempo, Rafa, o homem é ciumento e mão de vaca — Diego zombou.

— A gente se encontra lá — Daniel encerrou o assunto. Antes de se afastar, cravou o olhar em Letícia: — Oi, Pinscher. Tchau, Pinscher.

Letícia girou nos calcanhares, indignada:

— Por que você insiste nessa porcaria de apelido, Daniel? Eu odeio!

— É sob medida pra você, Pinscherzinho — o zagueiro deu de ombros com calma. — Pequena, estressada e cheia de marra.

— Se me chamar assim de novo, juro que arranco as suas bolas — ela avançou, cravando o indicador no peito dele. — E não tô falando das que rolam no gramado.

Daniel segurou o dedo indicador dela por um instante, envolvendo a mão pequena antes de soltar uma risada limpa:

— Você não decepciona nunca.

— Letícia?

A voz seca e fria veio de trás. Era Guilherme.

O sorriso de Daniel morreu na hora. Ele soltou a mão da Letícia e deu meio passo pra trás.

Guilherme aproximou-se com passos firmes. Vestia uma camisa polo impecável e calça de sarja. Seu olhar foi direto para a mão de Letícia, passou por Daniel e parou na namorada.

— Gui? — Letícia piscou, a postura ficando defensiva. — O que está fazendo aqui? Eu ia te mandar mensagem agora...

— Imaginei que esqueceria de olhar o relógio — Guilherme falou, com aquele tom de desdém que dava raiva. — Faltam quarenta minutos pro jantar dos meus pais, Letícia. E você ainda está comendo açaí no meio do campo.

— O jogo atrasou um pouco por causa dos acréscimos — Gabriel interveio, sério. — A culpa não foi dela.

Guilherme olhou para Gabriel com um sorriso polido.

— Eu sei como é desorganizado o futebol universitário — Ele estendeu a mão para a namorada: — Vamos? Meus pais odeiam esperar.

— Claro. Vamos sim — Letícia murmurou, forçando um sorriso fraco para Rafaela. — Te vejo depois, amiga. Valeu, meninos.

Ela nem olhou para Daniel. Guilherme segurou-a pela nuca, guiando-a até o estacionamento.

Daniel ficou parado, os olhos fixos nas costas de Guilherme até que sumissem de vista.

— Qué tipo más pelotudo, na moral — Diego soltou. — O que a Pinscher vê nesse maluco?

— Vou pro chuveiro — Daniel cortou e se afastou em direção ao vestiário.

Rafaela soltou o ar, deitando a cabeça no peito do Gabriel. Ele a puxou para um abraço apertado e deu um beijo na cabeça dela.

— Dá um ódio ver ela murchando perto desse cara — ela murmurou.

Gabriel só apertou o abraço, olhando fixo para o caminho que Daniel fizera.

⚽️📖⚽️

Mais tarde, na casa dos meninos, a carne estalava na churrasqueira sob o comando de Diego. Gabriel desceu as escadas, sentou-se ao lado de Rafaela no sofá e acomodou-a no colo.

— Acho que o Dan ficou mexido com o que aconteceu lá no campo — Gabriel comentou, passando a mão pelo braço dela.

— Eu percebi.

— Ele vai fingir que não.

Rafaela suspirou:

— Eles ainda vão se matar.

— Ou fazer outra coisa.

Na cozinha, Daniel pegava um fardo de cerveja na geladeira, com a expressão controlada de sempre.

Aos poucos, o terraço foi enchendo. Sabrina chegou com Léo, seguida por Jennifer e Lucas e mais alguns jogadores. E então Rafaela viu Brunna.

Ela vestia um cropped justo, shortinho colado e exalava uma arrogância ensaiada. Diego fuzilou Lucas com o olhar, o que o fez encolher os ombros sabendo da besteira que fizera em deixar a ficante trazer a Brunna.

Meio sem clima, a Rafaela se levantou pra ir ao banheiro. Parou na frente do espelho pra dar uma respirada. Nem deu tempo de abrir a torneira e a porta foi escancarada. Brunna entrou sem pedir licença, pegou o gloss e soltou no deboche:

— Tá aproveitando bem a vidinha de namorada de capitão, né? — passou o batom, olhando a Rafaela de cima a baixo. — Aproveita mesmo. Esse jeitinho de príncipe dele não dura muito, não.

Gabriel surgiu no cômodo com a cara mais amarrada do mundo antes que Brunna pudesse soltar mais algum veneno:

— Que porra você está fazendo aqui, garota?

— Calma, Gabe. Você nunca reclamou da minha presença aqui quando a gente ficava.

— A palavra-chave aí é ficava. No passado. — Gabriel deu um passo à frente, colocando-se entre as duas. — Para de ficar enchendo o saco da minha namorada com sua ladainha e vaza da minha casa.

A Brunna guardou a maquiagem e passou batendo o pé.

Assim que a porta bateu, Gabriel virou pra Rafaela e segurou o rosto dela.

— Você está bem? Me desculpa, eu não fazia ideia de que ela viria.

Rafaela colocou as mãos no ombro dele, calma.

— Relaxa, Gabriel. Tá tudo bem.

Ele deu um beijo demorado na boca dela.

— Vamos voltar lá para fora? Quero todo mundo vendo a primeira-dama dos Falcões.

Quando o relógio passou da meia-noite, a resenha dos meninos finalmente começou a esvaziar. Aos poucos, os convidados foram embora, deixando a casa naquele silêncio bom de fim de festa.

Rafaela estava largada no sofá bocejando, quando Gabriel se aproximou e jogou o corpo ao lado dela, dividindo uma garrafa de cerveja.

— Esse povo não tem casa, não? — ele reclamou, jogando a cabeça para trás.

Em seguida, escorregou o corpo até deitar a cabeça no colo de Rafaela. Ela sorriu, afundando os dedos no cabelo dele em um cafuné lento. Gabriel fechou os olhos, entregue. Ele ficou assim por alguns minutos e Rafaela até achou que ele havia adormecido.

De repente, ele abriu os olhos e levantou-se do colo dela de uma vez.

— Vem — estendeu a mão, com um sorriso conspiratório. — Vamos sair de fininho.

— Gabriel, e a sua resenha?

— Rafa, sabe de quantos churrascos exatamente iguais a esse eu já participei na minha vida?

Rafaela fingiu pensar, levantando a mão e mostrando três dedos. Gabriel deu um sorriso aberto.

— Um pouco mais que isso, nerdzinha. Bem mais — ele se abaixou, apoiando as mãos nos joelhos dela. — E sabe quantas vezes eu já tive a oportunidade de dormir abraçado com você?

Rafaela engoliu em seco, o coração acelerando. Ergueu apenas o dedo indicador.

Gabriel assentiu, o olhar fixo nos lábios dela antes de subir para os seus olhos.

— Exatamente. Então, anda... vamos subir.

À medida que avançavam pelo corredor, a música e o falatório da festa transformaram-se em um zumbido abafado.

Gabriel abriu a porta e deu espaço para ela passar.

Rafaela entrou com uma familiaridade gostosa. Não havia mais o frio na barriga daquela primeira noite. O quarto já não parecia território desconhecido.

— Não repara na zona — ele falou, passando a mão pelo cabelo meio sem graça

Era estranho como aquele cômodo era tão Gabriel quanto o próprio dono.

Bagunçado, acolhedor e cheio de vida.

Rafaela sentou-se na beirada da cama e puxou uma mecha do próprio cabelo até o nariz.

— Só se você prometer não reparar que meu cabelo está pura fumaça de churrasco.

Gabriel riu.

— Dramática.

— Se eu me deitar nessa sua colcha limpa, você vai chiar amanhã.

Ele caminhou até ela e parou entre suas pernas, inclinando-se para roubar um beijo demorado.

— Eu nunca reclamaria de você. Mas, se o cheiro estiver incomodando, pode usar o meu shampoo. — Ele olhou para o espaço na cômoda, onde já havia um prendedor de cabelo dela perdido entre o seu relógio e alguns papéis da faculdade. — Sabe... Você bem que podia começar a trazer algumas coisas suas para deixar aqui de vez. Seu shampoo, um pijama... Facilitaria as nossas fugas.

Rafaela sorriu, entendendo o recado.

— Você está tentando me mudar para cá aos poucos?

— Talvez.

— Muito estratégico.

— Sou atacante. Estratégia é meu trabalho.

— Vou avaliar a proposta — ela se levantou e pegou a toalha.

Quando Rafaela saiu do banheiro vestindo a camiseta dele — que ficava nela como um vestido curto —, estava com os cabelos úmidos e o perfume do sabonete dele. Gabriel já tinha tomado banho no banheiro de baixo e a esperava deitado, com os braços cruzados atrás da cabeça.

Ele afastou o lençol, abrindo espaço.

Ela se deitou e Gabriel grudou nela na mesma hora, colando o peito quente nas costas dela numa conchinha perfeita.

— Melhor? — sussurrou no ouvido dela.

— Muito — ela segurou a mão dele na sua cintura.

Ficaram quietos por um tempo, ouvindo o resto do som da festa e a respiração um do outro. O Gabriel dava uns beijinhos no pescoço dela, mexendo de leve na barriga dela. Falavam bobagem do jogo, do Diego, da implicância do Daniel com a Letícia... até o assunto morrer. Gabriel parecia que ia apagar.

Mas a Rafaela perdeu o sono de vez.

A cabeça dela parou de racionalizar. Ela cansou de pensar no que era certo ou errado. Só sentiu o peso do braço dele e decidiu que queria mais.

Num movimento rápido, ela virou o corpo de frente pra ele.

Gabriel piscou, meio grogue de sono, sem entender nada.

Ela passou a perna por cima do quadril dele e montou na cintura dele.

O capitão arregalou os olhos na hora, paralisando-se na cama ao ver a garota que sempre pensava dez vezes antes de agir encarando-o de cima com aquela cara de quem ia mandar no jogo.

— Rafa? — soltou, com a voz rouca.

Ela apoiou as duas mãos no peitoral dele, descendo o rosto até o pescoço pra sentir o cheiro dele e o puxou pela nuca para beijá-lo.

Foi um beijo de tirar o fôlego, quente, com a língua pedindo passagem e uma vontade acumulada de semanas.

Gabriel demorou meio segundo pra reagir. As mãos dele desceram pelas coxas dela com uma pegada firme, apertando a carne macia e devolvendo o beijo com força. A boca dele mordiscou o queixo dela até achar a curva do pescoço.

O clima esquentou de vez. Gabriel a segurou pela cintura, virando o corpo na cama e deitando-se sobre ela apoiado nos cotovelos pra não esmagar a garota.

Olhou no fundo dos olhos dela, arfando:

— Até onde você quer ir? — a voz dele falhou na tentativa de não perder a linha. — Me diz o que você quer que aconteça.

Rafaela sustentou a encarada, rindo de canto enquanto passava a mão no rosto dele:

— Quero explorar isso com você, mas sem ir até o fim ainda. Sabe como é, né? Jogo é jogo, treino é treino.

Gabriel piscou, chocado com a audácia, e soltou uma risada rouca na cara dela:

— Ah, é? — sussurrou na boca dela. — Pois saiba que no treino eu dou a vida, nerdzinha.

Voltou a possuir a boca dela com tudo. Puxou a camiseta dela num movimento só, jogando longe e deixando Rafaela só de sutiã e calcinha.

Ele colou o peito no dela. A rigidez por dentro da bermuda ele pressionou com força entre as pernas dela, e Rafaela abriu espaço para ele, sentindo um arrepio correr o corpo todo.

Ele foi descendo a boca pelo pescoço até o meio dos seios dela.

— Tira — ela pediu, quase sem ar.

Gabriel soltou o fecho do sutiã nas costas dela e jogou a peça de lado.

— Linda pra cacete... — murmurou, antes de abocanhar o bico entumecido do peito dela, alternando mordidinhas e lambidas até fazer a Rafaela arquear as costas e cravar as unhas no ombro dele.

Enquanto ele estava entretido ali, Rafaela desceu a mão pelo abdômen trincado dele até a barra do short. Sem hesitar, enfiou a mão por dentro da cueca, segurando o pau dele já duro e quente.

Ela parou por um segundo, surpresa com o tamanho do estrago. Olhou pra cima, encarando-o.

— Eita...

Gabriel deu aquele sorrisinho presunçoso na hora:

— Que foi?

— Nada — ela tentou disfarçar a surpresa. — Só refazendo uns cálculos aqui.

— Cálculos?

Ela deu um sorriso malicioso:

— É. Eu tinha uma estimativa na cabeça.

— Quer dizer que você estava calculando o tamanho do meu...

Ela o apertou de leve, arrancando dele um gemido baixo.

— Você é cheia de truques, não é, nerdzinha?

— Você não conhece nem a metade — ela murmurou no ouvido dele, apreciando a forma como seu pau pulsava conforme a mão dela se movia para cima e para baixo em uma carícia cadenciada.

Gabriel segurou o pulso dela com cuidado, puxando a mão dela pra cima da cabeça pra não gozar ali mesmo:

— Ainda acha que tudo isso é superestimado? — murmurou, com aquele tom provocador. — Porque você não me parece muito entediada agora.

— Eu disse que era superestimado. Não disse que era ruim.

Gabriel soltou uma risada desacreditada, fascinado com a empáfia dela. Desceu a outra mão até a beirada da calcinha:

— Então me deixa testar uma hipótese.

Rafaela arqueou uma sobrancelha.

— Qual?

— Que talvez você esteja errada sobre algumas coisas.

O olhar dela afrontou o dele.

— Se está tão confiante assim, então te desafio a tentar.

— Desafio aceito.

Ela ergueu o quadril para ajudá-lo a descer a calcinha, entregando-se ao momento.

Mas, antes que a peça deslizasse pelas coxas dela, três batidas violentas chocaram-se contra a porta.

— Ô, Gabriel! Caralho, abre aqui! — a voz de Diego ecoou do corredor.

— Puta que pariu! — Gabriel praguejou, travando o movimento.

Ele pulou pro lado no susto. Rafaela arregalou os olhos, puxando o edredom até o pescoço no reflexo. Os dois se entreolharam sem acreditar no que tava acontecendo.

Mais uma porrada na madeira:

— Bieeeeeel! — Diego berrava, completamente bebado. — Abre aí, porra! Você não vai fugir da faxina no terraço de novo, seu vagabundo!

Rafaela cobriu o rosto com as mãos, o corpo inteiro tremendo enquanto ria em uma mistura de vergonha e nervosismo.

— Caramba, seus amigos têm um timing impecável.

— Diego, se eu abrir essa porta, vai ser pra te arrebentar! — Gabriel gritou com os dentes trincados.

A voz de Daniel surgiu no corredor, ligeiramente mais lúcida:

— Que merda você tá fazendo, animal? Ele tá com a Rafaela lá dentro, esqueceu?

Diego soltou uma gargalhada escandalosa:

— Eita, caralho! Esqueci real, foi mal, casal!

— Fica frio, Biel. Segue o jogo — Daniel completou, rindo. — Se a bateria arriar, avisa que a gente joga um tadala por baixo da porta!

— Isso! — Diego gritou. — Entrega rápida dos Falcões!

Gabriel fechou o olho, respirando fundo pra não cometer um homicídio. Levantou-se, ajeitando a bermuda e abriu só uma frestinha da porta.

— Se vocês não sumirem daqui agora, segunda-feira eu vou quebrar a perna dos dois no treino. Caiam fora!

Os dois recuaram pelo corredor se matando de rir:

— Beleza! — Diego piscou, dando as costas. Mas, antes de sumir pela escada, gritou por cima do ombro: — Boa sorte aí com esse broxa, nerd!

Gabriel bateu a porta e girou a chave. Encostou a testa na madeira, respirando fundo até o ódio passar.

Ele se aproximou da cama. Rafaela estava sentada, segurando o edredom contra o peito rindo da própria desgraça. Ela procurou qualquer sinal de frustração no rosto dele, mas não encontrou. Havia desejo reprimido, claro, mas nenhuma cobrança. Gabriel apenas sentou-se ao lado dela, inclinando-se para dar um beijo carinhoso em sua testa.

— Desculpa por isso. Você está bem?

— Sim... Só morrendo de vergonha.

Gabriel sorriu de canto.

— Mas me diz… tirando os dois idiotas, valeu a pena?

— Valeu muito a pena — ela confessou, deixando o edredom cair um pouco.

— Mas é melhor a gente dormir antes que alguém tente derrubar a porta de novo.

Ele concordou, pegando a blusa dela no chão e entregando.

— Só vou tomar uma ducha gelada antes.

E tentar bater uma no chuveiro para conseguir pregar o olho, ele pensou.

Rafaela, percebendo a linha de pensamento dele pela cara de sofrimento, soltou uma risada abafada e cobriu o rosto com o travesseiro.

Minutos depois, Gabriel voltou do banheiro e deitou-se ao lado dela, puxando-a para o seu peito de forma natural. Acomodou o queixo no topo da cabeça dela e sussurrou:

— Boa noite, nerdzinha.

Rafaela sorriu no escuro, aninhando-se nos braços dele. A eletricidade ainda pairava no ar, mas deu lugar a uma paz tranquila, e ambos sabiam exatamente o que estavam construindo juntos.

⚽️📖⚽️

O amanhecer entrou pelas frestas da cortina com uma luz dourada e preguiçosa.

Gabriel abriu os olhos devagar, demorando meio segundo até lembrar que não estava sozinho naquele quarto. Quando a memória da madrugada veio inteira, ele virou o rosto no travesseiro e encontrou Rafaela. Ela dormia encolhida, relaxada, com os cabelos espalhados no colchão e a camiseta dele cobrindo quase tudo, mas não o suficiente para evitar que a lembrança do toque dela o atingisse em cheio.

Caralho. A gente quase chegou lá.

A ousadia dela, a mão firme puxando-o de dentro da cueca e aquele beijo na boca ainda tavam queimando na memória. Mas aí lembrou dos dois idiotas berrando na porta e veio aquele ódio matinal.

Moro com dois arrombados.

Deu um beijinho de leve na testa dela:

— Continua descansando, linda. Já volto.

Desceu descalço pra cozinha. Botou a água pra ferver quando ouviu os passos arrastados na escada. O Daniel apareceu na porta, sem camisa, descabelado e parecendo que tinha sido atropelado por um caminhão.

— Pelo amor de Deus... me dá café — Daniel gemeu, desabando na banqueta.

— Bom dia pra você também. — Gabriel botou o pó no filtro.

— Nunca mais bebo na minha vida.

— Você fala essa merda todo domingo, Daniel.

— Hoje é real. Minha cabeça vai explodir.

Gabriel encheu uma caneca até a boca e bateu na frente do amigo.

— Cara… sobre ontem… — Daniel puxou a caneca.

— Se não for pedir desculpa, é melhor nem abrir a boca.

— Foi mal, mano. O Diego tava muito louco e eu fui na onda. Tentei segurar ele.

— Segurou pra caramba, né? Oferecendo tadalafila na porta do meu quarto — Gabriel resmungou, encostando na pia.

— É… vacilei — Daniel deu um gole. — Mas e aí? Deu ruim?

— Não, pô, imagina! Tô com a cabeça cheia e um tesão do caralho desde ontem. Maravilha de domingo.

Daniel soltou uma risadinha curta e fez careta com a dor de cabeça:

— Então vocês estavam mesmo no vuco-vuco?

— O que você acha, porra?

— Azar o seu de morar com o Diego. O cara tem um radar pra momentos inoportunos.

Lá em cima, a Rafaela acordou sentindo a cama vazia. Esticou o braço, piscou contra a claridade e se sentou devagar.

As cenas da noite vieram estalando na cabeça: o corpo dele quente colado no dela e a cara que ele fez quando ela o tocou.

Ela soltou uma risadinha sozinha, afundando a cara no travesseiro.

É... o camisa dez tem moral mesmo.

Ainda achava que o mundo fazia tempestade em copo d'água com essa história de sexo, mas tinha que dar o braço a torcer: Gabriel Duarte era um argumento bastante convincente contra a sua própria teoria.

Levantou-se, escovou os dentes e desceu as escadas. Quando virou o corredor, parou na entrada da cozinha. Gabriel estava mexendo os ovos na frigideira, com o cabelo desordenado de quem acabou de acordar, e Daniel coçava a barba rala na banqueta, tentando convencer o capitão.

— Sério, cara… a gente precisa criar um código para quando você estiver no quarto com a sua mina. Que tal uma meia na maçaneta?

— Pensei que a porra da porta trancada já fosse sinal o suficiente — Gabriel resmungou.

Rafaela soltou uma risadinha leve. Os dois congelaram na hora. Daniel virou-se devagar e abriu um sorriso torto, ligeiramente envergonhado.

— Bom dia — ela cumprimentou, a voz suave.

— Acordou? — Gabriel desligou o fogão e a encarou com aquele olhar quente que dizia tudo. — Fiz café e ovos mexidos. Quer?

— Quero

Gabriel deu um beijo rápido na testa dela e serviu o prato. Daniel olhou de um para o outro, levantando-se da banqueta com uma careta dramática.

— Bom… esse clima de love já tá me dando enjoo. Vou ralar. Valeu aí, casal.

— Vai pela sombra — Gabriel mandou.

Quando o Daniel subiu, Rafaela se acomodou na banqueta, rindo.

— O Diego ainda vai descer pra encher o saco?

— Se ele pisar aqui, eu jogo a frigideira quente na cara dele — Gabriel avisou, servindo a xícara dela. — Agora come. A gente conversa depois.

No meio do caminho para o andar de cima, Daniel encontrou Diego descendo as escadas feito um zumbi faminto.

— Se você preza pela sua vida é melhor não pisar naquela cozinha agora.

— Me solta, Dani… preciso de café.

— Escuta aqui, gênio — Daniel plantou a mão no peito dele. — O Gabriel está lá embaixo com a Rafaela. E eles estavam tão perto dos finalmentes ontem que dá para dizer que a gente interrompeu a formação de um novo universo.

Diego piscou devagar, lerdo de ressaca.

— A gente interrompeu o… quê?

— O coito, Diego. O ápice. O grand finale. A festa do pijama sem pijama. Entendeu agora ou quer que eu desenhe?

Diego soltou uma risada que virou um gemido de dor.

— Aí, merda…

— O Gabriel está puto e cheio de tesão acumulado — Daniel abaixou a voz. — Tem café solúvel no meu quarto. Usa a água quente do chuveiro e vai lá antes que ele te use como saco de pancada.

— Aquele café tem gosto de terra, pô!

— É isso ou levar uma coça do capitão. Escolhe aí.

Diego bufou, virando as costas e subindo de volta.

— Puta que pariu, virei fugitivo na minha própria casa…

Na cozinha, alheios ao drama no andar superior, Gabriel e Rafaela terminavam o café.

Ela fez menção de recolher as louças, mas Gabriel segurou seus dedos com delicadeza, puxando-a para perto.

— Sobre ontem à noite… — o tom dele mudou, ficando sério de verdade. — Não quero que você pense que aquilo mudou as coisas entre nós. Eu vou no teu tempo. Mas preciso dizer que mexeu comigo. Muito.

Rafaela sustentou o olhar, segurando a mão dele de volta com firmeza:

— Comigo também, Gabriel. E eu não quero recuar. Quero continuar daqui.

O rosto do Gabriel abriu num alívio genuíno. Ele deu um passo pra frente, prensando-a de leve contra a pia e botando as duas mãos do lado do quadril dela.

Desceu a boca até o ouvido dela, falando baixinho:

— Que bom. Porque aquele teu desafio ainda tá de pé. E eu odeio perder.

Rafaela sentiu o corpo esquentar, alisou o peito dele e deu um sorriso desafiador:

— E vai querer resolver aqui? Na bancada? Arriscando outra interrupção dos seus amigos? Não sabia que você gostava de plateia.

— Você abusa da sorte, Rafaela — Gabriel segredou com uma curvatura sugestiva nos lábios. — Não vai ser aqui porque eu prefiro privacidade. Mas outro dia, quando a gente tiver sozinho de verdade… eu te mostro que rabanada é só o básico do que eu sei fazer nessa cozinha.

Rafaela depositou um selinho estalado na boca dele, vitoriosa:

— Tô pagando para ver, capitão.

Notas finais
GENTE??? 😭🔥 Eu queria muito fingir que estou surpresa com os acontecimentos desse capítulo, mas, depois de escrever certas cenas… fica difícil. KKKKKKK Rafaela resolveu testar algumas hipóteses; Gabriel estava mais do que disposto a colaborar com a ciência e, quando finalmente parecia que o negócio ia acontecer… DIEGO. DANIEL. A PORTA. TADALAFILA. 😭🤡 Enfim, tivemos acontecimentos, quase acontecimentos e uma quantidade preocupante de tensão acumulada. Agora me contem: vocês estão tão frustrados quanto o Gabriel ou estão rindo da desgraça igual à Rafaela? 😂👀 Até o próximo capítulo, time! ❤️⚽️📖