Eu estou parada em frente ao meu closet tentando decidir o que vestir,a expectativa de estar com ele de novo me deixa empolgada.

—Aaarg — um grunhido animalesco sai da minha garganta em quanto saio pisando firme em direção a cozinha.

Estou frustrada a tempos não me sentia sem controle das coisas e tudo esta seguindo seu próprio caminho e eu não podia fazer nada a respeito.

Pego uma garrafa de agua na geladeira e disco o numero de Nyfrey no meu celular.

*

—Alo. — diz ela com a voz rouca devia estar dormindo.

—Nyfrey você viu ele? — perguntei tentando disfarçar a agonia na minha voz — você tem alguma coisa a ver com isso ou sei la...viu algo em suas visões por que ele apareceu e — ela me corta.

—Clary cala boca e respira...o que aconteceu? — ela pergunta.

—Pelo jeito você não sabe de nada né — digo deixando a decepção transparecer.

—Não não estou,agora me explica o que aconteceu já que você me acordou mesmo. — diz Nyfrey.

—Bernar,ele voltou. — digo e então lhe conto todo o resto mesmo não acreditando nas minhas próprias palavras.

—Clary — ela diz depois de algum tempo em silencio — eu não sei o que lhe dizer não tive nenhuma revelação desde a ultima vez que nos falamos seu futuro esta em branco para mim não vejo nada é como se não existisse.

—O que eu faço Nyfrey? — pergunto desesperada.

—Sinceramente não sei minha querida,tente deixar as coisas acontecerem. — ela me aconselha.

—Eu deixei uma vez e sabemos o que aconteceu. — digo já em lagrimas.

—Você não tem escolha. — diz ela apenas revelando o óbvio.

—Tchau Nyfrey. — desligo.

*

Pego a garrafa de agua e começo a beber quando o barulho da campainha toca fazendo com que eu de um pulo na cadeira e molhe meu chambre que fica colado no corpo.

Esbravejando vou até a porta.

—O que é? — digo abrindo a porta com cara de poucos amigos.

—Desculpa, cheguei em uma hora ruim? — Bernardo diz ao olhar o tecido molhado grudado nos meus seios agora rígidos e depois desvia o olhar para o chão.

—É... — me atrapalho com as palavras — não, não, pode entrar tive um pequeno incidente com a garrafa de agua me desculpe pela minha aparência mais você esta adiantado né? — pergunto mudando o rumo da situação.

—Na verdade não. — diz ele sorrindo.

Pego o celular e vejo que eu estou atrasada.

—Droga — sai em direção a escada mais voltei — é já venho pode ficar a vontade. — digo e vou para meu quarto.

Entro no meu quarto tranco a porta e começo a recitar as palavras de um encantamento que nunca tive interesse em usar,fazer as coisas como uma mulher normal era as poucas coisas que eu gostava de fazer mais com certeza iria demorar de mais para ficar pronta,então o fiz.

Descendo as escadas o vejo parado olhando para piscina,tão lindo que me faz parar no meio do caminho para apreciar sua beleza.

A quanto tempo não via seu rosto.

Um suspiro escapa pelos meus lábios e ele se vira com um sorriso que acende algo dentro de mim.

—Você foi rápida. — ele se limita a me olhar e sorrir novamente.

—Bom eu já estava atrasada então, desculpa por fazer você vir até aqui mais Thomas não me deixou dizer nada. — digo constrangida por ele estar ali na minha casa.

Ele vem andando lentamente em minha direção e para bem próximo e ergue a mão e passa perto do meu olho fazendo meu corpo estremecer.

—Tinha uma fio aqui. — ele diz sorrindo deixando a mao passar pelo meu braço.

MEU DEUS

—Vamos então. — digo tentando fugir dele ou de mim mesma.

Saímos e entramos no seu carro.

Ficamos em silêncio durante o curto trajeto ate a casa de Thomas,chegando vejo alguns carro e muitas pessoas rindo e brincando.

"O que você esta fazendo aqui?

Minha consciência me adverte.

Você tem mais de trezentos anos e agora vai ficar fingindo ser uma mulher normal em meio a essas crianças?

Minha consciência diz tentando chamar meu juízo de volta.

A foda-se eu a respondo."

—O que ? — Bernardo me pergunta.

Acho que falei alto.

—Nada não,vamos. — digo abrindo a porta do carro e saindo em direção as pessoas ali presentes.

Logo Thomas me vê e vem em minha direção me puxa e me apresente para todos ali que me recebem calorosamente.

Passei a noite dividindo minha atenção entre as meninas que Thomas me apresentou e Bernardo que me deixava nervosa e agitada toda vez que saia do meu campo de visão.

A noite passa rápido com música,sorrisos,bebidas e casais se agarrando em cada canto escuro da casa era fascinante a energia que eles exalavam,e o que não me surpreendia era o fato de que eu podia ler os sentimentos de praticamente todos ali menos o dele.

A casa foi ficando vazia e logo estávamos nos despedindo dos poucos que restaram eu e Bernardo nos dirigimos para o carro em silencio quase constrangidos por estarmos indo embora juntos sob os olhares de Thomas e Matheus.

O ar dentro do carro estava quente e ficou pesado quando ele ligou o motor e suspirou fundo ao entrarmos em movimento.

Eu não estava aguentando ficar perto dele mais suportava menos ainda o fato de que estaria longe dele em poucos minutos.

Então fiz a maior besteira da noite.

—Você já tem que ir embora? — pergunto.

—Não,por que? — ele me responde rápido.

—Sei la,você poderia me mostrar a cidade,não conheço nada aqui. — menti para prolongar minha tortura.

Ele pensa por alguns instantes.

—Já sei,acho que você vai adorar. — diz ele fazendo o retorno e pegando uma rua com poucas casas,começa a subir uma ladeira que se revela sem fim e um pouco escura a apenas uma fonte de luz,ele para o carro e descemos.

É lindo.

Posso ver toda a cidade la de cima,todas as luzes,é tudo tão calmo...fico um tempo parada abraçando meu próprio corpo e me perdendo por aquela imensidão de luzes distantes.