Notas iniciais
PENÚLTIMO CAPITULO

Percy

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Cheguei ao hospital, minha mãe, os pais da Rachel e o Will já estavam lá. Todos me encararam, provavelmente se perguntando onde eu estava, mas eu só havia saído por uma hora.

— Ela não quis falar com ninguém, antes de você – Minha mãe veio até a mim.

Eu sorri sem jeito e passei por todos no corredor, até finalmente entrar no quarto de leito da Rachel. Ela estava encarando o teto, seu rosto estava machucado por conta do impacto da colisão, mas ela parecia tranqüila. Eu sentei sobre a cadeira ao lado dela, coloquei a caixa de presente da Annie sobre a bancada ao meu lado e segurei a mão da Rachel.

— Como você está? – Perguntei

— Cansada – Ela sorriu – Por quanto tempo estive desacordada? Os médicos não disseram...

— Três dias – Eu sorri – Foi um susto em tanto.

— Sinto muito, foi culpa minha... Tentei desviar de um gato na rua, enquanto tentava desesperadamente colocar o cinto, e falar com Will no telefone – Ela revirou os olhos

Eu ri.

— Com certeza o gato saiu ileso – Nós dois rimos. – Mas você foi imprudente, quantas vezes já não te falei sobre celular enquanto dirige? É quase a mesma coisa que dirigir enquanto bebe...

— Eu sei – Ela se lamentou.

Rachel encarou nossas mãos, depois encarou meu rosto e suspirou.

— O que foi? – Perguntei sem entender sua feição triste

— Você recolocou a aliança, mas porque eu tenho a impressão de que não foi por mim? – Ela sussurrou.

— Seus pais estão aqui... – Eu sorri. Não existia motivos para mentir, eu não iria enrolar a Rachel novamente, eu precisava ser sincero – Não foi fácil ter que explicar o que aconteceu, eles me culpam, e eu...

Não sei explicar o porque naquele momento, eu senti a vontade de chorar. Era como se minha ficha sobre as palavras da Annie tivessem caído naquele exato momento. Como se eu tivesse recebendo as pontas da faca no meu coração naquele exato momento.

— Eu sinto muito, Rachel... – Eu beijei sua mão, enquanto as lagrimas caiam.

— Ela te contou não foi? – Rachel perguntou – Ela te contou sobre o sentimento dela.

Rachel sempre foi esperta.

— Ela vai embora – Eu admiti tentando segurar o restante das lagrimas que insistiam em cair – Ela acha que indo embora, poderia estar salvando nosso relacionamento. – Eu a encarei

— Mas não vai estar – Rachel sorriu um pouco sem jeito.

— Sinto muito! – Eu disse mais uma vez. – Não posso continuar brincando dessa forma...

— E você disse isso a ela? Disse que não voltaria comigo, mesmo que ela não ficasse? – Rachel parecia estar segurando as lagrimas também.

— Não... – Disse rispidamente – Ela escolheu sozinha, ela me abandonou novamente.

Rachel deu um ar de riso, e ficou em silencio por alguns segundos.

— Foram dois minutos – Ela quebrou o silencio

— Oi? – Perguntei sem entender

— Da primeira vez, ela ia voltar... Foi um surto de ambição acadêmica, temporária – Rachel riu como se estivesse contando uma piada. – Ela é tão idiota... — Rachel revirou os olhos.

— Do que você está falando? – Perguntei sem entender.

— A Annabeth não te abandonou, Percy. – Rachel me encarou — Ela ia voltar, mas quando ela se arrependeu de ter cogitado a idéia de não voltar, você já havia desistido dela. – Rachel apertou minha mão – Você desistiu rápido demais, foram dois minutos – Rachel sorriu. – Ela me contou, ela achou que seria injusto comigo, você saber disso.

Meu coração estava acelerado. Era a primeira vez que eu ouvia aquilo, e parecia que o mundo ia cair sobre mim.

— Por que você está dizendo isso, agora? – Perguntei surpreso

— Por conta disso – Ela desprendeu sua mão da minha e alisou meu antebraço no local da tatuagem – Eu vi a mesma tatuagem no braço dela. Não tem como eu lutar contra isso. – Ela sorriu – Eu nunca acreditei nessas coisas, mas... Isso não pode ser visto apenas por uma coincidência, Percy. – Ela suspirou – Então se existe mesmo pessoas destinadas a cada um nós, não quero acordar todos os dias, ao lado de alguém que não pertence a mim.

Rachel voltou a tocar minha mão, mas dessa vez ela foi até meus dedos e lentamente tirou a aliança de mim, em seguida ela tirou a dela e colocou sobre a bancada, ao lado do presente da Annie. Eu suspirei e recostei meu corpo sobre a cadeira, peguei a caixa e abri, era um relógio, muito bonito e elegante. Eu o tirei da caixa, e o analisei...

— Então é isso... – Rachel suspirou – Não se preocupe com meus pais, eu irei explicar tudo a eles, eu irei transferir minha faculdade para onde eles moram, não é que eu esteja fugindo daqui, mas preciso de um tempo longe de você, longe das nossas lembranças.

Eu ouvi todas as palavras da Rachel, mas não pude dizer nada. Notei que o feche tinha algo escrito com uma daquelas canetas que marcam metais, ou aço, ou ouro. As palavras eram: “Eu te amo” e a data que fizemos nosso primeiro ano de namoro, porem longe um do outro. Pouco tempo depois, nós terminamos, e se passaram cinco anos até aqui.

— Dois minutos... – Sussurrei pra mim mesmo. Rachel sorriu.

— Você tem mais tempo que isso agora – Ela sorriu – Você está livre, Percy... Dessa vez de verdade.

Eu me aproximei da Rachel com um meio sorriso, e encarei seus olhos antes de lhe dar um beijo. Não foi um “beijo” foi apenas o toque dos nossos lábios pela ultima vez. Rachel sorriu.

— Típico de um conquistador – Ela tocou meu rosto. Ainda estávamos de testas coladas.

— Obrigada por tudo, Rachel. – Eu lhe dei um beijo na testa e me afastei.

— Percy... – Ela disse antes que eu saísse – Nós mulheres, sempre esperamos que a pessoa que amamos, nos impeça de cometer ações estúpidas.

— Isso é um conselho? – Perguntei sorrindo

— Talvez – Ela deu de ombros

Eu sorri mais uma vez e sai. Me bati de frente com Will ao voltar pelos corredores, ele me encarou apreensivo, ele realmente gostava da Rachel. Eu toquei seu ombro...

— Boa sorte... – Eu sorri – E obrigada...

— Do que...

— Eu sei que você não estava tentando me prejudicar quando me pressionou sobre as escolhas que eu tinha que fazer, eu sei que você só queria abrir meus olhos. – Eu suspirei – Não deixou de ser meu amigo, mesmo quando eu estava te machucando, agora eu entendo porque você teve que sumir, e bem... Ainda bem que você voltou, parece que o destino gosta de brincar com linhas cruzadas.

— Eu não estou entendendo, Percy – Ele realmente não parecia entender.

— Eu não amo a Rachel, Will. Eu não teria como continuar nos enganando desse jeito, então parece que dessa vez ela não está disposta a esperar por nada de mim, ela na verdade precisa do ombro de um melhor amigo, então... Boa sorte! – Eu lhe dei tapinhas nas costas e sai.

Minha mãe me olhou com uma expressão aliviada, e me acompanhou em silencio até a saída do hospital. Eu olhei para o céu, já estava noite... Suspirei com a idéia da Annabeth estar indo embora. “Nós mulheres, sempre esperamos que a pessoa que amamos, nos impeça de cometer ações estúpidas” a frase da Rachel bateu como luva sobre mim.

— Ela está indo... – Eu disse pra minha mãe – Mais uma vez.

— E dessa vez, o que pretende fazer? – Minha mãe perguntou

— Uma coisa que eu deveria ter feito desde a primeira vez... – Eu sorri pra minha mãe, e ela sorriu de volta.

Peguei meu celular, eu sabia que a Annabeth não iria atender, mesmo se eu ligasse mil vezes seguidas. Então eu liguei para Thalia.

— Thalia... – Eu disse quando percebi que ela havia atendido

— “Daqui a 1h, portão 3 de embarque...” – Ela sussurrou

— O que? – Perguntei sem entender.

—“O vôo” – Ela disse em um tom de ironia.

— Ok, valeu... Como sabia que eu...

—“Só vem logo, idiota” – Ela bateu o telefone na minha cara.

Eu sorri. Precisava fazer uma parada antes. Uma parada até minha irmãzinha, ela guardava algo especial pra mim, algo que eu pretendia usar.

Annabeth

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Thalia estava mais nervosa que eu, olhando para os lados como se estivesse esperando alguém.

— Eu pedi para as garotas não virem – Eu a lembrei – Já nos despedimos diversas vezes hoje.

— Porque você não continua sentadinha e calada? – Thalia revirou os olhos

— Até quando vai ficar sem falar comigo? Está agindo como uma criança... – Eu também revirei os olhos. Ela me remendou como uma verdadeira criança.

O chamado do embarque soou. Eu estava ansiosa por isso, foi uma decisão repentina que provavelmente eu me arrependeria. Não, eu na verdade já estava arrependida, porem, eu praticamente joguei o Percy nos braços da Rachel, e agora eu não podia voltar atrás.

— Vamos... – Eu chamei a Thalia – Vamos pra fila de embarque.

— Aquele idiota – Thalia reclamou

— Do que é que você está falando? – Perguntei já sem paciência das suas reclamações.

— Nada... Vamos! – Ela passou por mim.

Peguei minha bolsa e caminhei junto com ela, meu coração estava doendo e a cada passo que eu dava, uma lagrima escorria do meu rosto. Thalia apenas me observou apreensiva, mas não quis começar uma discussão.

— Annie! – Alguém gritou meu nome, e meu coração quase saiu pela boca.

— Graças aos deuses... – Thalia parecia aliviada.

Eu me virei para trás, sim... Era o Percy. Tentando recuperar o ar como se estivesse acabado de chegar de uma maratona de corrida.

— Percy... – Eu disse surpresa

— Não faz isso – Ele ainda tentava recuperar o ar. Percebi que ele estava usando o relógio que eu havia dado, e não tinha mais a aliança em seu dedo. O que poderia ter mudado em apenas algumas horas?

— Por que você está aqui? – Perguntei

— Por que você, está – Ele deu um grande suspiro e diminuiu a distancia entre nós. – Você não pode pegar esse vôo...

— Mas eu destruí...

— Sim, você destruiu minha vida, você destruiu meu relacionamento com a Rachel, os pais dela me odeiam agora, sou considerado o pior cafajeste da história... Tudo parece errado, tudo começou a dar errado quando você voltou, tudo está errado... Menos você, você é a única coisa certa pra mim. – Ele praticamente gritou as palavras, e as pessoas começaram a nos encarar. Percy diminuiu mais ainda nossa distancia, podendo finalmente tocar meu rosto.

— Percy...

— Não! – Ele me encarou – Eu não posso deixar você ir, não dessa vez... Eu decidi ser egoísta, eu decidi agir da minha maneira, e eu não vou deixar você ir embora novamente. – Ele segurou meus ombros – Se você quiser ir, terá que se jogar no chão, e gritar por socorro, pra fazer os seguranças e a policia vir me prender, porque eu não vou te soltar.

— Eu... Eu não vou me jogar no chão! – Eu gaguejei um pouco surpresa

— Ótimo, porque seria uma cena ridícula – Ele tentou despojar um sorriso.

— Eu não entendo – Eu disse – A Rachel...

— A Rachel sabe que nunca seremos felizes juntos – Ele sussurrou – Mesmo que você fosse, nós não iríamos reatar, eu já estava decidido, e ela também.

Meu coração tremeu, borboletas decidiram voar sobre meu estomago. Rachel não queria reatar com o Percy? Ela decidiu isso?

— Dois minutos... – Ele sussurrou – Você ia voltar pra mim.

Minha mente fez um clique. Eu havia contado a Rachel sobre essa história. Ela contou a ele? Ela realmente fez isso? Meu Deus, eu não conseguia acreditar...

— Eu... Eu ia – Minhas lagrimas desceram – Eu ia, Percy! Eu sinto muito, eu sinto muito mesmo, eu fui uma infantil e idiota...

— Eu sinto muito – Ele me interrompeu – Eu surtei, eu me desesperei e eu fugi... Eu desisti de você, porque eu achei que não me amasse, achei que eu estava amando sozinho.

— Mas eu te amava, eu te amo, e... – Fui interrompida com um beijo, um beijo salgado que se uniu com minhas lagrimas escorrendo.

Percy se afastou do beijo segurando o meu rosto com as duas mãos e me encarou profundamente nos olhos.

— Você é uma idiota, Annabeth... – Ele disse irritado – Decidir ir embora depois de me fazer esperar por seis anos pra ouvir isso... Você só pode ser idiota, você definitivamente não me merece

— Eu sinto muito – Eu disse um pouco atordoada...

— Mas eu te amo, e não posso mudar isso, nunca pude... Eu tentei, mas não consegui mudar – Ele suspirou – E eu to cansado de reprimir esse sentimento, cansado de não poder vivê-lo.

— Eu também – Admiti.

— Você não vai pra Alemanha, não vai mais sair dessa cidade, não vai mais colocar nada entre nós... Entendeu? – Ele ainda segurava meu rosto sobre suas mãos, e me encarava de uma forma apreensiva e irritada ao mesmo tempo. – Entendeu Annabeth? Por que você tem sérios problemas em entender as coisas...

— Entendi – Respondi de imediato.

— Você vai recusar qualquer trabalho que te faça ficar longe de mim, vai esquecer países que te prendam por mais de um mês em seus projetos, entendeu? – Ele perguntou mais uma vez

— Entendi...

— Você vai deixar todo passado, pra trás... – Ele me fitou – Preciso saber se está realmente entendendo.

— Eu... Eu estou... – Eu gaguejei

— Ótimo – Ele continuou – Vai deixar o passado pra trás, vai esquecer todos esses cinco anos que passamos longe um do outro como verdadeiros estranhos, vai excluir a Alemanha do seu mapa... Entendeu?

— Entendi...

— Você vai voltar agora comigo, eu vou vender meu apartamento, você vai vender seu apartamento, vamos comprar um apartamento juntos, vamos morar juntos a partir de agora, e você vai casar comigo, o mais rápido possível... Você entendeu? – Dessa vez ele suavizou a voz.

Meu coração fez um estalo “você vai casar comigo, o mais rápido possível” não foi um pedido de junta panela, na verdade não chegou nem a ser um pedido, ele estava me informando de que isso ia acontecer.

— Ai meu Deus... Percy, você...

— Entendeu? – Ele insistiu – Você entendeu que a partir de hoje eu não vou deixar que você fique longe de mim? Entendeu que as coisas vão ser da minha maneira agora? Que você terá que aprender a olhar pro lado, aprender a não ir mais embora?

— Entendi – Eu sorri

— Então você entendeu que casar faz parte das condições pra isso?

— Entendi, Percy... Eu entendi. – Eu continuei sorrindo.

Então Percy soltou meu rosto, achei que ele me daria outro beijo, mas ele me surpreendeu se ajoelhando bem ali, no meio do aeroporto, onde muitos olhos já nos cercavam. Ele pediu minha mão e eu dei, tapando minha boca entre aberta com a outra mão. Surpresa e sem acreditar que ele realmente estava fazendo aquilo.

Percy tirou do bolso da calça um anel que eu reconheci, o anel que a Julia havia me mostrado, “o tesouro do príncipe” para a princesa que ele amava, para a princesa que seria a única digna de receber tal jóia. O anel de brilhante que pertenceu a sua mãe e que agora estava sendo colocado em meu dedo.

— Akai Ito? – Ele me deu um sorriso despojado. Como se aquelas palavras estivem sendo “Quer casar comigo?”

Eu ri.

— Akai Ito! – Eu respondi, como um “sim”

Percy se levantou e me puxou para um beijo. Todos a volta aplaudiram, e gritaram, tinha gente até filmando a cena. Eu não me importei, cedi ao beijo, cedi ao abraço, cedi ao sentimento... Eu estava transbordando de felicidade. O beijo só parou quando Thalia pigarreou, nos separamos com sorrisos um pouco sem graça.

— Grande show... Me comoveu – Thalia sorriu

— Thalia, seu vôo – Eu olhei para o portão de embarque já fechado – Nossas malas...

— Eu não despachei – Ela sorriu ainda mais

— Como assim não despachou? – Perguntei surpresa

— É claro que eu não ia deixar você subir nesse avião – Ela revirou os olhos

— Não ia? – Percy perguntou confuso

— Olhe sua passagem... – Ela me pediu

Eu cutuquei a minha bolsa e puxei a passagem, eu havia deixado a responsabilidade de chequim toda sobre a Thalia, pois ela resolvia de uma forma mais rápida. Quando chequei a passagem estava totalmente errada.

— Eu te dei meu cartão pra você comprar uma passagem pra Alemanha, e você comprou uma passagem pra Las Vegas, em seu nome, pra mim? – Perguntei confusa.

Com certeza eu seria barrada no embarque.

— Não meu amor, eu comprei uma passagem pra Las Vegas pra mim, em seu cartão – Ela puxou a passagem das minhas mãos – Um presente significativo, pra quem estava prestes a salvar sua vida, caso o bonitão não chegasse a tempo.

Eu encarei o Percy, ele fez uma cara como se não soubesse dessa parte do plano. Thalia deu uns tapinhas em meu ombro, puxou sua mala e saiu como se nada tivesse acontecido.

— Da pra acreditar nisso? – Perguntei

— Bem... Eu até que gostei – Percy deu de ombros – Eu não ia me perdoar se não chegasse a tempo.

Eu suspirei.

— Aquela passagem foi cara – Eu reclamei

— Esse é o preço que se tem por ser, melhor amiga da Thalia Grace – Percy sorriu

— Melhor amiga? – Perguntei sorrindo

— Foi isso que o Jason me falou, que é dessa forma que a Thalia te vê – Percy segurou minha mão e entrelaçou os dedos aos meus.

Eu sorri com essa idéia. Thalia sempre fez muito por mim, mas nunca admitia nenhum tipo de sentimento afetivo, ela não era desse tipo de pessoa melosa, mas eu sempre gostei de estar com ela, eu sempre a considerei uma grande amiga, uma grande irmã... Fiquei mais feliz ainda por saber que era recíproco.

— Amigos de faculdade, sempre nos surpreendendo – Eu sorri

— É... – Percy sorriu também, pareceu ter lembrado de alguém. Me perguntei se seria o Will. –Você realmente entendeu que as coisas seriam da minha maneira agora? – Percy perguntou der repente.

— Ah... Claro, eu entendi sim – Eu ri – Está perfeito assim.

— Ótimo! – Ele me puxou para caminharmos juntos.

Atravessamos o aeroporto, encarando os olhares e sorrisos das pessoas que nos assistiram.

— Então eu sou sua noiva? – Perguntei um pouco envergonhada

— Com todas as letras – Ele respondeu calmamente – Foi um pedido bem claro.

Me senti um pouco mal pela Rachel, ela nunca teve a oportunidade de receber esse pedido. A proposta feita pra ela foi de apenas morarem juntos daqui a um ano, enquanto agora, Percy praticamente insinuou que moraremos juntos e informou que nos casaríamos o quanto antes, mas ao mesmo tempo eu me senti feliz, eu me senti única, a pessoa digna de ter recebido uma proposta desse nível.

— Casar o quanto antes, significa... – Tentei entender melhor sua colocação

— Que você já pode escolher o vestido, a cor da ornamentação, planejar orçamentos, escolher madrinhas, avisar a sua mãe, projetar o local...

— Eu entendi – Eu disse rindo. – Mas você tem certeza disso? Não acha que é cedo? Você estava fugindo de casamento um dia desses...

Nós paramos do lado de fora do aeroporto, e Percy me virou para me encarar.

— Eu nunca tive tanta certeza em minha vida – Ele me lançou um olhar reconfortante – Você é a mulher da minha vida, Annie, e se eu estava fugindo de casamento antes, era porque não existia outra mulher que pudesse me fazer desejar isso, a não ser você.

— Eu entendi – Eu disse, mesmo que ele não tivesse me perguntando – Foi exatamente o que eu senti, quando fui pedida em casamento. Não podia ser ninguém, alem de você...

Percy sorriu e tocou meu rosto.

— Você me deve seis anos de vários “te amos” e uma eternidade deles durante o resto de nossas vidas. – Ele continuou com o meio sorriso que eu amava.

— Eu dou conta disso – Eu joguei meus braços ao redor do seu pescoço.

E dei o beijo mais caloroso que eu já havia dado, um beijo carregado de sentimentos, um beijo carregado de “pra sempre”