AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
42 Capitulo 43 - VIDAS PARALELAS - PARTE 01

UM ANO DEPOIS
Percy
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As coisas mudaram bastante durante um ano, eu mudei bastante, acabei ficando um pouco mais caseiro, me dediquei a faculdade, já estava estagiando e juntando dinheiro para curtir minhas férias junto com a Annabeth. Cada um acabou seguindo um caminho diferente entre meu grupo de amigos, mas ainda nos encontrávamos de vez em quando. O único que estava sempre comigo, era o Charles, pois eu estagiava na empresa do pai dele. O filho dele já havia nascido e Selena insistia em dizer que Annabeth e eu éramos os padrinhos, ele era um garoto gordinho, pele acobreada, e risonho, tinha acabado de completar seus sete meses de nascido, Julia também havia crescido bastante, já tinha um ano... Todos os dias eu conversava com a Annabeth, trocávamos fotos e vídeos dos nossos momentos no dia a dia. Foi um pouco difícil, torturante, estressante, mas acabamos superando isso e já estava chegando ao fim. Pelo menos era o que eu achava.
— Intercambio – Charles disse segurando o pequeno Igor no colo – Não poderei ir por conta do Igor.
— Quantos meses? – Eu analisei a proposta
— Um ano e meio – Ele disse – O valor é acessível, é pela empresa, vão custear 80%, não vai interferir na sua graduação, você vai continuar o estudo no mesmo curso por lá, quando voltar, poderá eliminar as matérias e se formar no tempo previsto.
— Não da pra mim cara... – Eu lhe entreguei o contrato – A Annie está pra voltar, seria muito chato se eu tivesse que sair do país assim que ela voltasse.
— É verdade, ela está pra vim mês que vem? – Charles se lembrou. Igor começou a chorar – Oh meu filho, por favor... Sua mãe já vem. – Ele tentou acalmá-lo – Meu Deus, eu não sei o que fazer quando essa criança chora – Ele reclamou.
Eu ri.
— Ela irá me dizer hoje – Eu disse um pouco ansioso.
Eu sorri. Charles e Selena se tornaram tão responsáveis depois da chegada do Igor que eu imaginei um futuro parecido também. Onde Annabeth e eu poderíamos construir uma família.
— De qualquer forma, por questão de empresa você tem até três dias pra aceitar ou rejeitar, e caso aceite, terá que ir no final de semana, vou ficar com o contrato, qualquer coisa me liga – Charles me deu um cumprimento e saiu.
Me apressei para chegar em casa, precisava falar com a Annie, ela ficou de saber quando seria a data para seu retorno.
***
Eu achei que hoje seria o melhor dia durante o ano inteiro, até que tudo virou de cabeça pra baixo. Cheguei em casa e chequei mensagens do skype.
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*Skype*
ANNIE
#Chamada de vídeo perdida#
#Chamada de vídeo perdida#
Annie: Percy... Chegar me avisa.
...
Percy: Oi amor, acabei de chegar
Percy: Aconteceu alguma coisa?
...
Annie: Precisamos conversar.
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Só em ela ter dito aquilo, meu coração acelerou. Nosso relacionamento a distancia não foi um mar de rosas, tivemos diversas brigas, diversos desentendimentos, já terminamos mais de três vezes, e a maioria das vezes por questões de ciúmes, mais meu do que dela, admito... Só que quando sua namorada diz que precisa conversar, assim... Do nada, sua mente da uma reviravolta surpreendente e começa a puxar momentos passados como se estivesse voltando a cena de um filme, eu não tinha nenhuma nova amiga da faculdade, nas minhas redes sociais não existia nenhum comentário maldoso das garotas nas minhas fotos, eu já tinha excluído a menina que ela não gosta, então o que poderia ter acontecido? Eu comecei a soar frio. Foi então que as coisas viraram o contrario, quando ela mandou a frase seguinte, eu acabei ficando pior.
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Annie: Percy, eu sinto muito
Annie: Eu não posso voltar agora.
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Meu coração gelou, minhas pernas tremeram e eu tive que sentar imediatamente na cadeira em frente ao computador. Minhas mãos tremiam e meu coração começou a acelerar mais que o normal. Suspirei e tentei me acalmar para poder dar seqüência a conversa.
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Percy: Porque?
...
Annie: Vou receber uma gratificação por ter sido melhor aluna, isso irá contar como uma qualificação, mas terei que esperar a renovação, que é de dois anos.
...
Percy: DOIS ANOS?
...
Annie: Percy, calma...
...
Percy: Isso é algo obrigatório? Você precisa disso pra ter seu diploma?
...
Annie: Ah... Não, mas seria algo a mais para minha qualificação.
...
Percy: Então isso é uma escolha sua?
...
Annie: Sim, mas...
Annie: Percy, eu sinto muito, isso é uma oportunidade única.
...
Percy: Você decidiu isso sozinha?
Percy: Tipo... Não se importou ao menos a perguntar o que eu acharia disso?
...
Annie: Eu preciso dessa qualificação.
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Todo meu corpo tremia de raiva, como ela podia ter feito isso? Ela prometeu voltar, ela me fez esperar por um ano, como ela podia ter quebrado essa promessa assim tão der repente? Fizemos planos de férias, eu estava juntando dinheiro pra isso, fizemos planos de varias coisas pro nosso futuro... Então porque ela estava desistindo de tudo isso, por uma qualificação que não era nem obrigatória? Isso não era justo, ela não precisava disso, ela simplesmente estava colocando o que a gente viveu para segundo plano, ela não tinha o direito de ter feito isso comigo, eu já tinha decidido terminar com ela, mas ela me convenceu de que isso daria certo, e eu acreditei que daria certo e agora ela estava jogando tudo pro alto? Eu não tinha como aceitar isso, definitivamente eu não tinha como aceitar isso.
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Percy: Então basicamente resumindo, você não vai voltar.
Percy: Porque não existe “não vou voltar agora” quando você diz que precisa ficar por mais DOIS ANOS...
...
Annie: Tenta me entender...
...
Percy: Te entender? Você prometeu que isso daria certo
Percy: Você me pediu pra eu não desistir de você, e agora você está simplesmente me trocando por uma qualificação? QUALIFICAÇÃO!!!
...
Annie: Percy, eu preciso da qualificação
...
Percy: Não, você não precisa
Percy: Olha... Pra falar a verdade, acho que você precisa, já que decidiu isso sozinha, provavelmente eu não tenho tanta importância na sua vida.
...
Annie: Eu sinto muito
...
Percy: Não sinta, eu sinto...
Percy: Adeus Annabeth.
...
Annie: ?
…
Percy: Eu desisto
Percy: Não da pra amar por nós dois, não dá pra sonhar um futuro junto por nós dois, não posso ficar preso a você, você decidiu o que é mais importante, eu não quero ser a pessoa que irá atrapalhar seus sonhos.
...
Annie: Vou ligar o vídeo chamada pra conversarmos direito.
...
Percy: Não precisa, estou saindo.
Percy: Boa sorte com o seu grande futuro, SEM MIM...
Percy: Acabou e dessa vez, não volto atrás.
...
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Eu me desconectei imediatamente, pra não correr o risco de me arrepender, como eu sempre fazia, desliguei o celular, eu tinha certeza que ela ligaria. Fiquei por alguns segundos encarando o computador, meu peito começou a doer e eu nem senti as lagrimas escorrerem sobre meu rosto. Com um impulso de raiva e dor eu gritei jogando o computado no chão, chutei a cadeira, comecei a quebrar o quarto todo.
— Percy! – Minha mãe gritou na porta do meu quarto – Paul...! – Ela gritou meu padrasto.
Paul veio correndo e me conteve para que eu não destruísse o quarto inteiro. Eu cai de joelhos no chão com Paul ainda me segurando e comecei a chorar, chorei muito, chorei até soluçar, chorei feito uma criança quando é tirado o brinquedo que mais ama, eu poderia ter esperneado no chão e feito um papel ridículo de criança mimada, mas Paul evitou isso. Ainda bem.
— Percy, se acalme – Ele gritou pra mim
— Meu filho, o que houve? – Minha mãe se jogou no chão. Paul soltou meus ombros.
— Ela não vai voltar – Eu disse ainda chorando – Ela não vai voltar, mãe.
Minha mãe me abraçou em desespero, eu a abracei forte tentando controlar meu choro. Eu sei que eu deveria ter me controlado, eu sei que a posição de um homem é ser sempre durão, mas eu me fingi de durão por muito tempo, eu estava destruído por dentro, sentindo uma dor que eu nunca havia sentido antes.
— Dói tanto! – Eu murmurei em choro – Porque ela fez isso?
— Percy – Minha mãe segurou meu rosto – Olha pra mim. – Ela me encarou com os olhos em lagrimas. – Annabeth não foi sua primeira garota, e nem será a ultima, você não pode parar de viver por causa disso, entendeu?
— Eu a amo – Eu ainda fungava com o choro
— Você vai amar de novo, a gente sempre amava de novo – Ela dizia firmemente, embora eu tivesse certeza que não – Ela deve ter tido os motivos dela pra ter feito essa decisão, lembre-se que ela foi embora com o objetivo de crescer profissionalmente, ela não vai voltar até esse objetivo ser alcançado. Você deveria começar a pensar da mesma forma.
— Mas ela prometeu que ia voltar – Eu reclamei – Ela prometeu
Eu não queria aceitar as palavras da minha mãe, eu não conseguia enxergar ou pensar em nada, eu mal conseguia parar de chorar, o mundo desabou em cima de mim. Automaticamente as palavras da Caly entraram em minha cabeça. “Annabeth não te ama, ela pode gostar de você, mas ela não te ama... Um dia você vai perceber isso, quando ela escolher algo que realmente é mais importante que você”. Eu odiei a Caly por ter previsto isso e odiei a mim mesmo por não ter escutado. Eu tinha certeza de que a Annabeth me amava, ela suplicou pra que eu não desistisse dela, eu tinha certeza que ela me amava, achei que ela não ter dito foi apenas porque parecia ser cedo pra ela, mas eu tinha certeza que ela me amava... Eu me enganei.
Annabeth
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Tentei de varias formas o contato com Percy, ele não respondia emails, celular dava na caixa, o skype sempre inativo, nunca estava online nas redes sociais, eu tentei de tudo, mas não obtive sucesso, eu estava quase entrando em desespero. Assim que eu li as palavras de Percy “eu desisto” “ Futuro SEM MIM” entrei em um conflito comigo mesma, eu não podia fazer isso, não podia deixá-lo dessa forma, eu o amava, e ele precisava finalmente saber disso, mas eu não consegui entrar em contato com ele pra dizer que eu havia mudado de idéia e que eu ia voltar. Que a decisão que eu tinha tomado foi um impulso de ambição repentino, mas que eu ainda não tinha assinado o contrato, eu queria ter dito isso antes dele se desconectar e sumir de vez.
Dois dias depois as redes sociais do Percy haviam sido desativadas, tudo que existia dele havia sido desativado, foram os piores dois dias da minha vida. Eu havia feito a maior burrada da minha vida, e pior... Dessa vez eu não tinha como consertar, mandei um email pra Piper, ela me respondeu apenas uma semana depois, três dias antes deu confirmar para a instituição se eu ficaria ou não. Eu já havia emagrecido de tanto ficar chorando no quarto, comendo apenas do meu enorme prato de arrependimento. Foram apenas dois minutos, dois minutos após eu ter dito que não voltaria, que me arrependi. Foi preciso apenas dois minutos para que tudo fosse por agua abaixo, se ele tivesse continuado online por dois minutos, eu estaria sorrindo agora e não chorando.
Chequei os e-mails pela milésima vez em três minutos, essa maratona já vinha acontecendo por uma semana. Parecia que a maré de azar tinha caído sobre mim, pois nem com a minha mãe eu consegui contato. Franka, Hazel, Selena, Jason... Ninguém aparecia online, provavelmente ocupados com suas vidas, mas e a minha? Eu acabei de dar um tiro no coração.
E-mail da Piper, meu coração acelerou.
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*e-mail*
PIPER
Oi Annie, desculpa a demora pra responder, eu estava em viagem, junto com a Hazel, Frank e Jason, e não tivemos acesso a internet, pois era um interior. Soube que não vai voltar... Isso é serio? Espero que o motivo seja algo realmente grande pro seu futuro, pois isso deixou muita gente no fundo do poço, e você sabe de quem estamos falando. Bem e por falar nele, o Percy (Pra você entender que foi dele que falei) sinto muito, ele aceitou um intercambio que a empresa onde ele estagia ofereceu, era imediato, ele vai passar um ano e meio nos EUA. Quando chegamos de viagem, ele já tinha ido, fiquei surpresa... Nossa, não estou acreditando até agora.
Estou muito triste com o terminar da história de vocês, mas tenho certeza que você teve seus motivos pra continuar. Beijos, volta logo!
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Eu me desmanchei em choro, por um deslize, por uma pequena ambição curricular eu havia perdido o cara que eu amava, e pior, eu nem ao menos tive a oportunidade de admitir isso a ele. Eu tinha certeza agora, eu tinha claramente certeza de que eu o amava, porque a dor que senti, foi a pior dor que um dia eu imaginei que pudesse existir.
***
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UM ANO E MEIO DEPOIS
Percy
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Era meu ultimo dia nos Estados Unidos e eu estava me despedindo da cidade de Nova York, sentei-me em um banco tomando um café, fazia frio, olhei o calendário no celular, 12 de julho, hoje era aniversario dela, hoje ela estava completando vinte anos, um mês mais velha que eu. Sorri por lembrar das vezes que ela se achava por conta disso, mas desfiz o sorriso no mesmo instante. Eu nunca consegui manter um relacionamento depois da Annie, eu não conseguia ser sincero, ou me entregar por inteiro a ninguém, acabei me tornando o pior cafajeste que uma garota poderia ter o desprazer de conhecer, e eu não conseguia me sentir nenhum pouquinho culpado por conta disso. Olhei ao redor das lojas, havia uma loja de tatuadores ao lado. Eu estava de camisa social, um pouco formal demais pra um jovem desiludido da vida. Suspirei e dei mais um gole de café, fui até a loja, uma loucura talvez, mas eu me acostumei a agir por impulso. Desde que surtei com o termino do namoro, decidi que viver a vida sem se prender a nada seria o melhor a fazer. Exclui e bloqueei a Annabeth de toda rede social que eu tinha, mudei de email, mudei de numero, evito tirar fotos com nossos amigos em comum. Um dia eu disse a ela que se ela me rejeitasse eu sumiria da sua vida, como se eu nunca tivesse existido, eu era bom em fazer isso, mesmo que doesse em mim, e ainda doía. Eu tentava não saber da vida dela, embora Jason e Frank as vezes não sabiam ficar de bico fechado, ela tinha crescido bastante em relação aos seus estudos, estava estagiando em uma grande empresa na Alemanha, já havia criado vários projetos arquitetos, tinha até sites que comentavam sobre eles. Me apressei a mudar de pensamento, ela foi embora, ela me largou... Nada é pra sempre.
*(Diálogos originais é pra ser imaginado na língua original do país, nesse caso INGLÊS)
— Boa tarde – O atendente me encarou — Eu quero fazer uma tatuagem – Eu disse sorrindo
O atendente me olhou dos pés a cabeça, provavelmente se perguntando se eu era louco. Um garoto todo social aparecer em um fim de tarde em uma loja de tatuagens, parecia não ser algo comum.
— Tem algo em mente? – Ele perguntou
— Ah... Sim, duas palavras e uma linha – Fui especifico.
O atendente me olhou mais uma vez, só que agora com uma careta feia, talvez eu tenha dito alguma palavra em inglês errada, mas quando ele revirou os olhos eu entendi que era apenas porque o pedido era idiota.
— Pode escrever as palavras nesse programa, escolher a fonte e o tamanho da letra e aguardar naquela sala ali. – Ele apontou.
Eu fiz o que ele instruiu. Demorou alguns minutos para eu ser chamado. O tatuador se aproximou de mim com um papel em mãos. Eu não sei dizer se ele tinha partes do corpo limpas de tatuagens.
— Primeira vez? – Ele perguntou
— Não – Eu sorri – Quarta. O tatuador me observou surpreso – São discretas. – Eu confirmei.
Durante esses dois anos e meio depois da escola, eu havia feito uma tatuagem na panturrilha de imagens marinhas e também o nome da minha mãe, bem pequeno acima do peito esquerdo. A época da primeira tatuagem não foi legal, eu quase tomei uma surra de cabo de vassoura, mas minha mãe superou, já na época que mostrei a tatuagem com seu nome, ela quase chorou de emoção. Quem deu a volta por cima agora?
— Akai Ito? – O tatuador perguntou olhando o papel – O que isso significa?
— Que existe uma linha entre pessoas que nasceram destinadas umas as outras – Eu sorri
— Você quer dizer, tipo alma gêmea? – Ele perguntou
— Tipo isso – Dei de ombros
— Você acredita nisso? – Ele me analisou
— Nem um pouco – Ri de mim mesmo
— E porque vai tatuar isso?
— Pra me lembrar de que isso não existe – Dei um sorriso sínico
— Isso é um pouco contraditório – Ele me analisou
— É uma ferida aberta – Fiz uma careta
— Que tipo de mulher desgraçou com sua vida? – Ele deu um sorriso
Eu ri.
— O tipo que vai embora e leva junto sua alma – Eu ri com meu próprio comentário e o tatuador riu achando que eu estava fazendo uma piada. Pobre tatuador, mal sabe ele que estaria tatuando uma esperança morta.
— Onde? – Ele perguntou
— Antebraço, escondido – Eu sorri.
Tatuei as palavras “Akai Ito” em cinco centímetros horizontais, em uma fonte simulando uma caligrafia a mão, na parte de dentro do antebraço esquerdo, perto da dobra do cotovelo, mas a linha vermelha em voltas curtas, parava um pouco mais acima, quase na metade do antebraço. Saí de lá com um sorriso idiota estampado, com a certeza de que eu nunca mais irei esquecer que “Akai Ito” é só uma lenda estúpida.
Annabeth
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*(Diálogos originais é pra ser imaginado na língua original do país, nesse caso ALEMÃO)
— Uma tatuagem – Thalia disse
— Ok, uma só – Eu sorri.
Eu conheci Thalia no meu segundo ano de faculdade aqui na Alemanha, ela era uma garota legal, gostava de festas, curtia um rock pesado, era divertida e sempre dizia que não precisava de homens para sobreviver, e ela realmente não precisava. Era uma verdadeira feminista, nunca imaginei que eu iria conhecer a irmã do Jason tão longe de casa e me tornar amiga dela... Mundo pequeno, não? Eles não se pareciam muito, apesar dos olhos terem os mesmos tons de azul, Jason era loiro, Thalia tinha cabelos tão pretos que chegavam a quase serem azuis. Ela era desbocada, tinha um estilo despojado, cabelo em um corte masculino, e um péssimo humor. Ela havia me convencido de fazer uma tatuagem. Thalia possuía um estande de tatuagem e fazia sucesso na republica da universidade por isso.
— O que vai querer? – Ela perguntou
— Não sei, algo pequeno e discreto – Implorei
— Que tal uma frase? – Ela sugeriu
— Uma frase... – Pensei sobre aquilo – Duas letras.
— Um bom começo – Ela deu de ombros
— Não farei outra – Resmunguei
— Todo mundo diz isso – Ela riu
— “Akai Ito” – Eu dei um sorriso ignorando sua tentativa de me provocar – Aqui nessa parte de dentro do antebraço, pode ser um pouco mais aqui pro meio.
— Akai Ito? – Thalia revirou os olhos – Você deveria parar de viver em um mundo de fantasia.
Eu ri.
— Só porque não precisa de homens pra sobreviver, não quer dizer que eu não encontre minha alma gêmea – Dei um risinho.
— Você ainda tem esperanças – Ela deu um meio sorriso despojado.
Eu havia contado a ela minha história sobre o Percy. Eu havia dito a ela o quanto eu um dia achei que nossos destinos eram ligados, embora eu tenha me enganado.
— Não é esperança, é só uma parte da minha vida que quero carregar pra sempre – Eu resmunguei.
— Eu não tenho muito contato com o Jason, nós quase não nos falamos, mas da ultima vez que eu conversei com ele, comentei sobre você, sobre ter conhecido você, perguntei sobre o Percy, como ele estava, queria te dar uma boa noticia sobre isso, porque eu via o quanto você precisava saber sobre ele, mas o Jason me disse... “Annabeth foi a droga mais corrosiva que já existiu pro Percy, ele se tornou tão dependente dela que quando houve necessidade de se reabilitar, ele mudou”. – Thalia me encarou e eu desviei o olhar
Thalia ainda se lembrava do Percy quando era mais novo, antes dela decidir vir morar com a tia, fazia muito tempo que ela não ouvia falar nele, quase não se lembrou.
— Você guardou isso pra você e agora resolveu me dizer? – Resmunguei – Desnecessário.
— Porque você não volta? – Thalia perguntou – Se você é uma droga e Percy foi dependente disso, ele pode voltar a ser.
— Eu não posso voltar Thalia, eu trabalho aqui, eu estudo aqui – Eu disse chateada. – E o Percy simplesmente se excluiu da minha vida. Ele fez questão de parecer que nunca tivesse existido.
— Ok! – Ela deu de ombros e riscou a primeira linha da tatuagem.
Eu jamais pensaria em voltar, meus planos era de trazer minha mãe e a vovó Anna pra cá, aqui eu tinha uma carreira, um trabalho fixo que me pagava muito bem, eu havia conseguido a qualificação que eu precisava, antes do tempo previsto e agora eu só precisava me formar para ser uma profissional de nome. Eu jamais pensaria em voltar...
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