AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
43 Capitulo 44 - VIDAS PARALELAS - PARTE 02
Percy
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6 MESES DEPOIS
Eu havia voltado a minha antiga faculdade, eliminei as matérias que eu fiz na universidade dos EUA durante meu intercambio e voltei a minha vida antiga normal. Acabei mudando o turno pra noite já que agora eu tinha um emprego fixo como engenheiro em qualificação.
— Tem uma empresa vindo para essa área da cidade – Charles me disse – Vai precisar de sondas marinhas, você estará a frente disso.
— Eu nem me formei – Disse brincando
— Mas é um dos melhores funcionários – Ele me deu alguns tapinhas – Sabe, Percy... Meu pai está pra se aposentar, ele deixará a empresa em minhas mãos, e a melhor escolha que fiz, foi ter conseguido um estagio pra você aqui. Eu tenho planos pra aumentar a produtividade, eu quero que você faça parte disso também.
— Obrigado Charles, eu fico feliz pelas oportunidades – Eu sorri – Como está o Igor?
— Igual a mãe, esquentando minha cabeça – Nós dois rimos – E sua irmã? Ela é quase um ano mais velha que ele, quantos anos? Três anos já?
— Isso, ela fez quatro anos em setembro – Eu confirmei.
— Final de semana iremos nos encontrar, na sexta a noite pra ser exato, Frank, Jason, Leo... – Ele me avaliou.
— Claro – Eu disse sem animo – Vou tentar ir.
— Percy... – Charles suspirou – Passar finais de semana enchendo a cara e dormindo com qualquer mulher, não vai fazer você esquecê-la.
— Annabeth é passado – Eu tentei me convencer daquilo.
— Não, ela não é... Mas precisa começar a ser — Charles apenas sorriu.
— É tão visível assim? – Sorri em ironia – Faz quase três anos já.
— Três anos – Charles pensou um pouco sobre aquilo – E você se tornou uma pessoa horrível, com todo esse sorriso irônico e forçado, essa cara desanimada e cansada e esse mau humor idiota.
— Não exagera – Nós dois rimos
— Tenta achar uma garota certa, Percy... E esquece a Annie de vez – Ele sugeriu
— A Selena tem falado com ela? – Perguntei em curiosidade
— Sim, quase sempre, mas não se preocupe, a Selena não tem falado de você – Charles sorriu. Eu havia pedido por isso.
— Ela tem perguntado por mim? – Me xinguei mentalmente por ter feito aquela pergunta. Charles riu.
— Não mais... Faz tempo que ela não pergunta por você – Charles desviou o olhar.
Ele sabia que aquilo tinha me ferido.
***
Eu estava tentando sair o mais rápido que podia da faculdade, prometi ao Charles que iria me reunir com os caras hoje à noite. Acabei me batendo com alguém no caminho.
— Me desculpe – Eu disse de imediato.
Eu conhecia aquela garota de algum lugar, cabelos ruivos e ondulados, olhos verdes esmeralda, pintinhas no rosto...
— Garota do departamento de arte e inclusão social – Eu lembrei
— Oi... Garoto do... algum lugar que não sei – Ela revirou os olhos e se abaixou para pegar as coisas que haviam caído.
Eu a ajudei.
— Perseu, conhecido como Percy – Eu entreguei as coisas que eu havia pego – Engenharia Marinha.
— Rachel, conhecida como Rachel mesmo – Ela estendeu uma mão sorrindo – Departamento de arte e inclusão social, mas você já sabe – Ela riu. – Tenho que ir, estou atrasada para uma palestra no centro e, meu carro quebrou...
— Estou indo pro centro, quer uma carona? – Eu perguntei. Ela pensou sobre aquilo –Não aceita carona de estranhos? – Eu ri
— Mais ou menos isso – Ela nem tentou disfarçar.
Eu a analisei mais uma vez, hoje poderia ser meu dia de sorte, com mais uma noite em um motel qualquer.
— Taxi essa hora te faz esperar mais ou menos uma hora – Eu dei de ombros – Sua palestra não deve ser tão importante.
— Você é bom em persuadir as pessoas – Ela suspirou e eu ri.
Rachel... Ela era uma garota bonita e visivelmente atraente. A primeira vez que eu a vi, foi quando voltei do intercambio e ela estava na direção palestrando sobre arte, eu adoraria saber o que a Rachel podia me oferecer, alem de seus lindos olhos esmeralda.
— Tatuagem legal – Ela comentou enquanto estávamos a caminho
— Era pra ser discreta – Eu sorri por perceber que ela estava comentando sobre a tatuagem do antebraço.
— Ela é discreta, eu que tenho bons olhos pra riscos de artes, tatuagem é uma arte – Ela deu de ombros. Eu apenas sorri – Akai Ito... Quem foi a garota que deixou seu coração em pedaços?
Eu ri, será que era tão lógico assim?
— Uma garota bem idiota – Eu respondi sorrindo, tentando disfarçar o incomodo pelo assunto.
— Ela rejeitou você? Tipo... Você? – Rachel riu fazendo uma piada sem graça de que não acreditava que alguém poderia rejeitar um cara como eu.
— Vamos dizer que ela não é o tipo de garota que se prende apenas na aparência, ela gosta mais da intelectualidade – Eu acabei defendendo-a sem nem mesmo perceber.
— Ela te trocou por outro cara mais inteligente? – Rachel riu
— Não, por uma qualificação internacional em seu currículo – Eu disse rispidamente
— Wou! – Rachel pareceu surpresa – Isso é muita coisa, é tipo triplicar o valor de um salário na área formada. Foi um bom jogo de troca – Eu sei que foi uma piada, mas bateu na ferida aberta.
— Certo – Eu me irritei pela conversa está sendo protelada – Não vamos falar dela, certo?
— Entendi... Ainda mexe com você – Rachel comentou e senti uma pontada de incomodo.
— Serio... Não comenta mais nada sobre isso – Eu serrei os punhos sobre o volante.
— Eu vou ficar na praça – Rachel disse um pouco sem graça.
Eu estacionei o carro no local que ela pediu. Eu ainda sentia uma vontade enorme de levá-la a um motel, talvez ela precisasse de uma lição por ter me irritado.
— Obrigada – Ela deu um largo sorriso – Me desculpe por ter me metido no assunto “tabu”, mas é serio, você precisa superar isso.
— Hmm, talvez você possa me ajudar com isso – Eu disse em um tom casual de cara conquistador, era minha chance.
Rachel riu.
— Então é assim que você consegue uma noite com uma garota? Conta sua história triste e depois suplica por conforto? – Ela disse enquanto saia do carro.
— Foi a primeira vez que tentei dessa forma, funcionou? – Eu sorri
— Não obrigada, não vou dormir com você pra satisfazer um ego ferido – Ela sorriu de volta – A gente se vê por ai. – Então ela fechou a porta e virou-se sem olhar pra trás.
Foi o primeiro fora que eu tinha levado desde a Annabeth. Eu sorri pra mim mesmo observando-a se distanciar. Eu ainda era o Percy que adorava desafios, é... Rachel, você com certeza poderia ser um desafio interessante.
Annabeth
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*(Diálogos originais é pra ser imaginado na língua original do país, nesse caso ALEMÃO)
— Um jantar – Ele insistiu.
Artur era tão encantador as vezes.
— Você não desiste – Eu ri e me afastei. – Talvez um outro dia, estou ocupada essa semana.
— Finalmente uma chance? – Ele pareceu surpreso e eu apenas acenei para me despedi.
Artur era um cara de vinte dois anos, imensamente alto e robusto, cabelos loiros e baixos, seus olhos eram tão pretos que pareciam pedras de turmalina polida, ele cursava medicina e era incrivelmente inteligente. Entrei rapidamente ao quarto, Thalia estava lá, ela sempre invadia meu quarto.
— Acabei de falar com o Jason – Thalia disse sorrindo
— Quando você disse que não é muito de entrar em contato, não mentiu. Faz mais de seis meses a ultima ligação – Resmunguei
— Acha que quando voltar para sua cidade natal, vou continuar entrando em contato com você também? – Thalia riu.
— Eu não vou voltar – Revirei os olhos – Mas acho engraçado esse seu jeito com o Jason, eu não me lembro dele ter comentado que tinha uma irmã. Talvez uma vez ele tenha comentado, ou foi a Piper – Eu pensei sobre aquilo.
— Deve ter sido a Piper, eu dei uns puxões de orelha nela uma vez – Thalia pareceu se divertir lembrando daquilo
— Acho que foi isso mesmo – Eu ri
— De quem era a voz do cara lá fora? – Ela perguntou curiosa
— Artur – Eu sorri – Ele tem estado no meu pé há meses.
— E o que você acha dele? – Ela perguntou
— Ele é interessante, tem conversas legais, é bonito... – Eu ri. – Talvez uma chance.
— Claro – Thalia revirou os olhos – Não sei porque vocês se sentem tão necessitadas em terem um relacionamento.
— Não sei porque você não se sente – Revirei os olhos também – E faz tempo que não tenho um relacionamento.
— Você ficou com aquele cara que se formou agora, na festa da formatura dele – Thalia me lembrou
— Foi mesmo – Eu ri – Mas eu estava bêbada.
— Você não se da muito bem com bebidas – Thalia riu – Preciso te ensinar algumas coisas pra se manter bem consciente.
— Eu realmente precisava de uma amiga como você Thalia – Eu disse ironicamente – Que me ensinasse a beber, a curtir festas, a mudar de aparência... Nossa, como você é influente – Revirei os olhos.
— Mas você não é mais uma adolescente, é adulta agora, precisa agir como tal – Ela me analisou – E voltar a treinar, você está um pouquinho fora de forma.
Eu olhei pra mim mesma com horror, eu não acredito que Thalia estava me chamando de gorda. Ela mantinha um sorriso idiota e eu não pude deixar rir. Mudar sempre é bom, e eu mudei, deixei de ser a Annabeth lerda e nerd, agora eu tinha uma personalidade mais diferente, eu curtia festas, eu ficava com garotos de outras turmas, eu vivia... Achando que isso poderia um dia tapar o vazio que existia em meu coração.
Percy
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TRÊS ANOS DEPOIS – TEMPOS ATUAIS
— Isso é serio? – Jason perguntou
— Serio – Eu respondi sem graça
— Vai casar? – Ele parecia eufórico
— Não é... Casar – Repudiei a idéia – Não é tão especifico assim, morar junto, talvez? – Suspirei – Cogitei a ideia de morar junto com Rachel, mas ela acabou se empolgando...
— Quando? – Ele perguntou
— Quando a Rachel terminar a faculdade, ano que vem. – Eu tentei sorrir.
Rachel e eu tínhamos mais de dois anos namorando, ela foi um desafio cumprido, mas acabei me perdendo no caminho. Pela primeira vez em anos eu conseguia respirar a vontade, ela estava me ajudando a superar o passado, eu ainda me pegava preso a ele, mas então, ela sempre estava ali pra mim. Eu já havia me formado, acabei virando sócio do Charles ao invés de um simples funcionário, nunca pensei em sair da cidade onde eu cresci, nunca pensei em deixar as pessoas que cresceram comigo. Jason e Piper iriam casar em breve, não era apenas se juntar, como eu planejava, era casar de verdade, com cerimônia e festa.
A decisão de chamar a Rachel para morar comigo foi repentina, eu havia saído de casa, morava sozinho em um apartamento no centro e me sentia só. Ela era meu conforto nas noites em que o passado me atormentava.
— Então pra que uma aliança? – Jason observou a caixa na minha mão
— Ela achou que seria apropriado – Sorri em ironia. – Você sabe que eu sempre acabo fazendo as coisas pra agrada-la.
— É, eu sei – Jason revirou os olhos – Isso soa como algo feito por obrigação. Você não parece esta fazendo isso por que a ama – Ele me analisou e eu desfiz o sorriso. – Você ama a Rachel?
Me senti incomodado com aquela pergunta, eu sabia o que era amor, eu já senti isso, e definitivamente, eu não amava a Rachel, mas eu me sentia bem com ela, foi a única garota com quem eu acabei realmente me sentindo bem.
— Rachel é uma mulher incrível, eu nunca irei encontrar alguém como ela, alguém que...
— Substitua a Annie – Jason me interrompeu – Essa decisão não foi porque te falei que a Annie está morando com um cara que é medico na Alemanha, não é?
Meu coração se apertou e eu fechei a cara. Pensar sobre aquilo me fazia ficar com raiva. Pensar nela morando com outro cara, me deixava puto... Dividindo a mesma cama... Eu repudiava a ideia.
— Ela não está casada e nem nada do tipo, a Thalia às vezes exagera na informação, ela não é do tipo de garota de boa influencia – Jason deu de ombros – E ele ser medico não é grande coisa, você é engenheiro que tem 50% das ações de uma empresa. É sócio, empresário e engenheiro...
— Eu não sei qual parte do “Não quero saber sobre a vida dela” vocês não entenderam – Resmunguei
— Você precisava saber, você precisava esquecê-la de vez – Jason me analisou – A Piper mandou o convite de casamento para a Annie, não sei se ela vem, não sei se ela vem com ele... Eu só queria te preparar.
— Tanto faz cara... Eu não ligo, é serio – Eu ri nervoso – Foram seis anos desde que ela foi embora, cinco anos desde que terminamos, a Annie é passado. Eu estou com a Rachel, eu vou construir um futuro agora.
— Casar?... – Jason me lançou um olhar duvidoso
— Cala boca, já basta a Rachel me pressionando pra isso – Eu repreendi e Jason riu.
— E se a Annabeth voltar? – Eu precisei sentar ao ouvir aquilo – Tipo... Ela já se formou, ela já tem um nome conhecido no mercado de trabalho, ela já está estabilizada e a Piper disse que a Annie é financeiramente bem sucedida. Bem sucedida mesmo...
— Jason, da pra calar a boca? – Eu coloquei a mão sobre a testa. – Eu espero que ela não volte, cara. Nunca mais! Eu espero que a Annabeth nunca mais volte.
Dei um longo suspiro. Ela não pode voltar. Não agora, não quando eu finalmente consegui seguir minha vida.
Annabeth
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*(Diálogos originais é pra ser imaginado na língua original do país, nesse caso ALEMÃO)
Era um jantar simples em um restaurante simples. Artur e eu decidimos morar juntos faz seis meses, embora já estávamos namorando ha mais de dois anos. Eu tinha meu próprio apartamento, quando brigávamos eu costumava voltar pra lá, mas eu me sentia bem com ele, apesar de não ser um cara totalmente perfeito, e já ter dado motivos pra grandes desconfianças, ele me tratava bem. Então eu aceitei morar no apartamento dele, Artur era um medico de carreira grande, trabalhava de plantão e eu acabava sendo a pessoa que estava ao lado dele nas horas difíceis.
— Isso é um jantar para se desculpar pelo acontecido da semana passada? – Perguntei
— Ah... Não – Ele sorriu – É algo mais serio que isso.
— Certo... – Fingi acreditar.
Eu estava mudada, eu havia cortado o cabelo em um Chanel, um corte que aparentava ser mais adulto, acompanhei a Thalia em seus treinos de musculação, acabei emagrecendo um pouco e definido meu corpo, assim como eu era na época da escola, só que agora, mais alta e mais velha, parecia ser mais atraente. Eu era uma pessoa estabilizada, bilíngüe, tinha uma carreira de sucesso e mantinha uma personalidade forte, porem, agora mais madura, eu já tinha ido ao Japão, EUA, Grécia, Roma... Em todos esses lugares havia projetos de arquitetura meus. Uma garota de vinte três anos que cresceu em uma favela, não teria o mesmo destino que eu, em tão pouco tempo, mas eu estudei e dei tudo de mim pra alcançar isso, hoje eu apenas saboreio do que meu suor e dor me trouxeram.
— Annie... – Artur despojou um belo sorriso – Eu sinto muito por todos os descuidos que já tive, mas agora estamos morando juntos, e eu percebi que não quero outra mulher em minha vida que não seja você. É você quem me espera todos os dias, todas as madrugadas e me consola quando perco um paciente – Ele segurou minha mão.
— Artur... Não estou entendendo aonde quer chegar – Eu estreitei os olhos.
Foi então que ele tirou do bolso uma caixa preta e colocou sobre a mesa. Meu coração acelerou.
— Annabeth, eu quero oficializar nosso futuro, não quero apenas te dar um lado da minha cama, ou parte da minha casa, eu quero te dar meu nome e dividir tudo com você, dividir minha vida. Você quer casar comigo? – Ele me olhou receoso.
Me faltou palavras no momento. CASAR? Tipo casamento mesmo? Igual ao da Piper que recentemente recebi o convite? Ele ficou maluco?
— Artur, isso é um pouco demais – Eu o encarei – Eu peguei você de beijos com a enfermeira no trabalho semana passada.
— E eu me arrependi – Ele gaguejou – Foi por você ter dito aquelas coisas pra mim, foi por você ter pego suas coisas da minha casa e ido embora que percebi que não posso viver sem você.
— Ai meu Deus, você não pode me trair e me pedir em casamento uma semana depois, nós ainda estamos tentando nos acertar – Eu me exaltei.
— Vai ser melhor pra nós dois, eu prometo – Ele insistia
— Artur, eu não...
— Annie... Eu te amo! – Ele segurou meu rosto e me beijou.
Amor... Amor é um sentimento pra uma vida só. Eu sempre tive essa idéia, e eu não amava o Artur, eu não poderia amar outra pessoa. Olhei pra ele com tristeza quando nos afastamos, ele sabia que eu não aceitaria aquilo, ele conhecia meus sentimentos. Artur foi um grande conforto para minhas frustrações, ele me ajudou a amadurecer e me ofereceu ternura, e apenas por eu não amá-lo, nunca me importei muito com seus casos paralelos, eu sabia que no fundo eu o estava traindo também, porque quando eu estava com ele, não era nele que eu pensava.
— Eu sinto muito Artur, eu não posso – Sussurrei entre o beijo
— Você já disse o nome dele algumas vezes enquanto dormia – Ele sussurrou pra mim – E isso me machucava, então eu sentia vontade de machucar você... Eu sinto muito pelos casos que acabei tendo, era uma forma de chamar sua atenção e uma forma de engrandecer meu ego, por saber que eu estava dormindo com uma mulher que amava outro, mas eu quero acabar definitivamente com isso, eu quero ter a chance de apagar esse nome da sua cabeça...
Eu me afastei dele, sentindo meu coração se apertar e suspirei.
— E é por isso que não posso me casar com você, você não pode apagar esse nome da minha cabeça, eu tentei varias vezes, eu desejei que isso fosse possível, mas não é – Foi difícil terminar tudo desse jeito, mas também foi necessário, a brincadeira de casinha com o Artur tinha ido longe demais.
Eu entreguei a chave do apartamento dele, ele prometeu enviar o resto das minhas coisas quando pudesse e me deixou sozinha. Eu quis chorar, mas não havia motivos, eu quis estar em desespero, mas não havia motivos, só havia arrependimentos e tristeza.
***
Cheguei ao meu apartamento, Thalia havia invadido novamente, mas estava dormindo. Ela era impossível, mas eu a tinha como minha melhor amiga no momento, pois ela foi a pessoa que me ajudou a passar por todos os tormentos durante esses anos.
Chequei meus emails, o convite do casamento da Piper esperava uma resposta que eu provavelmente diria “não”. Um email novo chegou e eu abri, uma proposta de emprego que oferecia o dobro do que eu ganhava aqui, era uma empresa nova que havia chegado na minha cidade natal, a construção de sondas precisaria de desenhos técnicos de uma arquiteta com qualificação internacional. Peguei o telefone e disquei os números.
— Alô, mãe!
— Oi filha, ligando tão tarde... Aconteceu algo? – Ela perguntou preocupada.
Eu havia comprado um apartamento pra minha mãe morar, mas ela recentemente começou a namorar um cara que parecia bacana, e agora morava com ele, eu estava bastante feliz por ela, finalmente eu pude retribuir todo esforço que ela me deu. Vovó Anna havia se mudado para a cidade onde sua filha morava, eram pessoas humildes, também comprei uma pequena casa no interior onde ela planejava ir, para que pudesse finalmente viver perto de sua família. Eu me sentia bem fazendo aquilo, ela era minha família também.
— Como está o apartamento vago? – Perguntei
— Ainda não renovei o contrato para alugarem, está vazio... O que houve?
— Vou mandar um dinheiro para comprar a mobília dele – Eu dei um ar de riso nervoso – Mãe... Eu estou voltando, não sei se é pra ficar, mas estou voltando.
Terminei de conversar com minha mãe e dei um grande suspiro.
— Então decidiu – Thalia disse se aproximando, ela havia acordado com o barulho da conversa – E o Artur?
— Uma péssima noite – Tentei sorrir e encarei o email da proposta de trabalho que precisava de uma entrevista pessoalmente. – Parece que o destino prega peças mesmo. – Eu sorri ironicamente.
— Então também vai ao casamento? – Ela perguntou. Thalia já havia decidido ir, afinal era o irmão dela que iria casar. — Então é isso... – Thalia suspirou
Eu esperava nunca mais voltar, mas eu estava voltando.
— É... Eu vou voltar!
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