A.C.A.
5 Vizinhos
Notas iniciais
– Desculpa! Err… Alice, não é mesmo? – era uma menina. Ela estava passando reto pela porta que liga a cozinha aos fundos da casa quando viu que tinha alguém ali. Quando Alice notou a garota, ela levou um susto e gritou.
– Você quer que eu tenha um infarto?! – respondeu Alice, ainda se recompondo. – Aliás… Quem é você? – só então ela notou que não conhecia tal menina. Elas tinham praticamente o mesmo tamanho. Alice encarava seus olhos castanhos, seus cabelos cacheados, sua cor parda. Não, ela realmente não a conhecia.
Pedro surgiu na cozinha de toalha, com o xampu escorrendo pelo rosto e seus braços brancos de sabão. Ele tomava cuidado para não escorregar com suas sandálias molhadas e para não deixar a toalha cair.
– O que houve? – perguntou ele, com tom de preocupação. Ao ouvir o grito de Alice, ele saiu correndo do box do banheiro, agarrou a toalha, enrolou-a envolta de sua cintura e seguiu para ver o que tinha acontecido. – Perla? O que você está fazendo aqui?
– Perla? – perguntou Alice, como se já tivesse ouvido esse nome antes. Ignorada, o diálogo continuou entre Pedro e Perla.
– Ah, oi Pedro! Eu comecei a sentir um cheiro de queimado vindo daqui, aí eu achei estranho porque você sempre foi um ótimo cozinheiro, apesar de ser meio “lerdinho” às vezes. – Perla e Pedro tinham a mesma idade e os dois estudavam juntos desde o início do ano letivo. Coincidentemente, a casa para a qual ele havia se mudado era vizinha à casa de Perla. De vez em quando, quando Perla chamava os amigos para irem à casa dela, era Pedro quem preparava a comida. – Eu estava no quarto quando senti esse cheiro. Liguei para sua casa e você não atendeu, liguei pro seu celular e a mesma coisa. Chamei por você e você não respondeu, aí eu decidi pular o muro para ver se estava tudo bem. – sim, ela tinha mania de pular o muro pelo fato do caminho ser mais curto. Pedro não ligava já que os dois eram muito amigos.
– Ah! Perla! Então é ela a tal “Perla”? – interrompeu Alice, dirigindo-se à Pedro. Enquanto Perla estava explicando para os dois a situação, Alice estava ocupada tentando lembrar quem era Perla, o que a fez perder toda a explicação até o momento.
– Sim, sou eu. – respondeu Perla, chamando a atenção de volta para ela. – Pedro me falou bastante sobre você! – disse ela. Pedro sabia que a situação estava começando a esquentar por ali.
– É, ele também me falou bastante sobre você. – rebateu Alice, alternando seu olhar entre Perla e Pedro. Ela o encarava como que dissesse “Você vai me explicar direitinho sobre essa tal Perla, está me entendendo?”, e ele respondeu com um que dizia “Err… Ok.”. – Bem… Se estava queimando, porque as panelas estão aqui no fogão, com a comida pronta e com um cheiro agradável no lugar do fedor de queimado? E, Pedro, vá terminar de tomar seu banho. Você está molhando a casa. – ele resolveu não discordar nem desacatar sua “ordem”, e foi melhor assim.
– Err… Vejo vocês mais tarde. – e saiu, indo em direção ao banheiro.
– Ok, até mais Pedrinho! E em relação à isso… Eu não poderia ficar parada vendo a comida queimar sem fazer nada, né? Eu desliguei o fogão, joguei a que estava no fogo fora, lavei as panelas e preparei novamente. Diante das inúmeras coisas que ele fez por mim, isso foi só um pequeno pedido de agradecimento. – Perla terminou a frase com um sorrisinho. Tal sorrisinho não agradou Alice, absolutamente não.
– Bem… Agradecemos muito pelo que fez, foi muito gentil de sua parte. – disse Alice, forçando um sorriso nada natural. Perla não deixou passar despercebido tal fato.
– Que nada! Seja bem-vinda de volta, Alice! Mais tarde ou outro dia eu passo aqui de novo para trocar ideias com você, ok? Ou então chamo vocês para irem lá em casa! Bem, aqui do lado. – ela sorriu gentilmente. – Agora vou indo. Até mais!
– Não posso esperar! – Perla não sabia se sentia medo ou felicidade ao ouvir essa frase vinda de Alice naquele momento. – Bem… Muro ou portas?
– Muro, é mais rápido. Fui! E diga ao Pedro que eu mandei um “tchau”, ok?
– Pode deixar. – ao falar isso, Alice a observou escalando o muro. Não demorou 5 segundos e ela já estava do outro lado.
Pouco tempo depois, Pedro havia terminado de se vestir. Ele foi em direção à cozinha, e quando chegou lá, não acreditou no que viu:
– Alice, pare! Porque está fazendo isso? Ela deve ter tido um trabalhão preparando tudo isso e você simplesmente começa a jogar no lixo? – gritou Pedro, mas não alto o bastante para ser ouvido da casa de Perla. Ele começou a andar rápido na direção de Alice para tentar impedi-la, mas já era tarde demais.
– Imagina! Foi só um “favorzinho”, não é mesmo? E você, trate de começar a me explicar tudo sobre essa menina, agora!
Pedro não sabia como reagir. Não sabia direito o que exatamente tinha que explicar. Quando ele abriu a boca para falar, Alice colocou a mão na boca dele, agarrou-o pelo braço com a outra mão e começou a andar em direção à ele, meio que o forçando a andar também, só que para trás. Dentro de poucos passos, apesar de um pouco atordoado, ele estava encostado na parede. Ela o prensou contra a parede, e então, com a seguinte frase: – Cale a boca. – ela o beijou.
Fale com o autor