A.C.A.
2 Visita
Notas iniciais
– Alice? – perguntou ele, reconhecendo a voz de sua namorada. Ela era um pouco menor que ele, apesar de ter aproximadamente dois anos a mais. Seu cabelo negro e liso não era nem longo, nem curto; a cor de sua pele era parda; e sua aparência, jovial.
Pedro ainda estava atordoado com as várias coisas acontecendo uma seguida da outra: primeiro, uma explosão; de repente o supermercado todo engolido pela escuridão; depois, assustados, vários compradores correram em disparada para a saída da loja; e para finalizar, sua namorada aparece atrás dele bem naquela hora.
– O que você está fazendo aq– interrompido pela zoada dos alarmes, ele parou de falar. Agora tudo estava em um tom vermelho.
– Depois te explico, mas corra. AGORA! – e assim, ela pegou a mão dele e os dois correram juntos.
Os alarmes soavam à medida em que as sirenes vermelhas presas pelo teto da loja giravam, o caos havia tomado conta do lugar. Passando pelo corredor de brinquedos, eles ouviram um rangido estranho vindo do lado esquerdo.
– CUIDADO! – Pedro gritou, impulsionando Alice para longe da área de impacto da estante junto com o seu corpo e indo ao chão junto com ela.
Os dois se ajudaram, levantaram e rapidamente voltaram a correr. Pelo caminho, viram pessoas com máscaras medonhas… Pareciam palhaços com sorrisos largos e olhos vazios. Uns carregavam pedaços de madeira, outros, galões de gasolina.
– Gasolina… Alice, o que está acontecendo? – perguntou ele, ainda tentando entender o que diabos estava ocorrendo naquele exato momento.
– Já disse que depois te explico. Cale a boca e corra! – ela o puxou com mais força, fazendo com que ele acelerasse os passos. À medida em que se aproximavam da saída, os portões de ferro iam descendo.
– O que eles pensam que estão fazendo, querem nos trancar aqui dentro? Não vai dar tempo, não vai dar tempo, não vai d–
– SE VOCÊ NÃO CALAR ESSA BOCA EU JURO QUE CORTO SUA LÍNGUA FORA. AGORA FICA QUIETO E CORRE! – e, finalmente, ele ficou calado.
– Ali, a saída! – ela apontou para os portões que estavam quase fechando.
– O que vamos fazer? Não dá para passar por aquilo.
– Escorregue! Um, dois… – e os dois escorregaram pelo chão encerado do supermercado.
Já no lado de fora, eles ouviram outra explosão; minutos depois, fumaça. Eles continuaram correndo, mas ele não sabia para onde estava indo até que Alice tirou do bolso as chaves de um carro e destravou um Citröen C3vermelho que estava no estacionamento.
– Entre. Está com o celular aí? – disse ela, largando a mão de seu namorado e indo para o outro lado do carro.
– Estou sim. – enquanto eles entravam e ela ligava o carro, ele aguardava novas instruções. Estava apavorado demais depois de tudo isso.
– Ligue para a defesa civil e conte tudo isso que aconteceu.
– Certo, mas… para onde vamos?
– Não sei, mas qualquer lugar longe daqui está de bom tamanho pra mim. Tem alguma sugestão?
– Não… Alô? – ele mudou de assunto assim que atenderam a chamada dele…
– Não sei ao certo o que está acontecendo, mas estão invadindo uma loja aqui no centro, um supermercado… Sim, com pedaços de madeira, gasolina, fogo, estão incendiando as coisas também!… Não, eles estavam usando máscaras, mas a situação é urgente! Com certeza deve haver gente ferida lá, por favor, mandem alguém pra cá… Não, estou bem… No Wal-Mart, na Avenida Sete… Ok, obrigado. – e desligou a chamada.
– E aí?
– Estão mandando os policiais, bombeiros e outros para lá – respondeu ele, já distante do estabelecimento. Pelo retrovisor dava para ver uma grande nuvem de fumaça preta subindo ao céu e se acumulando entre as outras nuvens.
– Você ainda não me respondeu, o que estava acontecendo? Como você me achou assim do nada? Você estava me seguindo? Tinha preparado o carro pra uma fuga ou algo do tipo? Espera… Você tinha um carro? Desde quando você tem um carro? E você não tinha viajado? – ela parecia estar perdendo a paciência com tantas perguntas sendo feitas por ele.
– Desde quando você pergunta tanto?
– Desde sempre, e você sabe disso. – respondeu ele, se inclinando e dando um beijo na bochecha dela.
– E então, para onde vamos? – perguntou ele.
– Acho que irmos para minha casa não seria uma boa ideia. Meus pais estão lá, iam nos encher de perguntas do tipo “Onde vocês estavam? Porque estão sujos desse jeito? Bla bla bla”, e acredite, se alguém me perguntar mais alguma coisa por agora eu explodo. – os dois ficaram em silêncio por um instante.
– Que tal sua casa? – sugeriu ela.
– É, pode ser. Vamos lá, tomamos um banho, comemos alguma coisa… Pera. A COMIDA! PELO AMOR DE DEUS, ACELERA ESSE CARRO, MINHA COMIDA VAI QUEIMAR!
– Para fugir de malucos armados com paus, gasolina e fogo você não tem tanta pressa, né? Quando chegarmos lá, te conto tudo, ok? – ela olhou pro rosto dele e deu um sorrisinho. Ele amava aquele jeito meigo dela, pena que não era sempre assim.
– Ah, eu esqueci de te dizer… Eu me mudei. Estou morando só agora. Deixa que eu te digo como chego lá.
– Você não vai tentar me estuprar nem nada do tipo né? Minha mãe disse para não ficar sozinha com meninos, eles são perigosos. – disse ela, rindo.
– É mais fácil você tentar me estuprar do que o contrário… – disse ele baixinho e rindo.
– O que?
– Nada não. Vire a esquerda. – e assim, ele foi guiando ela para sua nova casa… Até perceber que estavam sendo seguidos.
Fale com o autor