A.C.A.
3 Passeio
Notas iniciais
– Alice, tenho péssimas notícias. – disse Pedro, olhando atentamente para Alice. Ela não podia olhar de volta pelo fato de estar dirigindo.
– O que houve? Você se feriu? Não vai ter comida na sua casa hoje? – disse ela, com bom humor. Ela não costumava ficar abalada com as coisas por um longo período de tempo.
– Alice, nós estamos sendo seguidos.
– Ãn?
– Eu percebi isso já faz um tempo, mas eu queria ter certeza. Depois das curvas que fizemos esse carro continua atrás de nós. Olha pelo retrovisor, está vendo um Foccus preto?
– Qual, aquele ali? – disse ela, gesticulando com a cabeça em direção ao carro cujo reflexo, apesar dele estar distante, estava claro no retrovisor. O bom humor dela se esvaiu em um piscar de olhos.
– Tem outro carro preto além daquele? – perguntou Pedro, sarcasticamente. Ele não costumava ser grosseiro, mas o nervosismo mexia com o psicológico dele, assim como faz com o de qualquer pessoa.
– E agora?
– Que horas são?
– 9:47, porque?
– Acelere, temos que chegar no rio.
– O que você vai fazer?
– Na verdade, é você quem vai fazer.
– Eu?
– Você confia em mim?
– Claro que confio, mas…
– Eu tenho uma ideia, Alice, e preciso que você confie em mim. Por favor.
Ela não tinha nenhuma outra ideia no momento, então resolveu seguir a ideia dele.
Ao acelerar, o Foccus preto seguiu o ritmo, acelerando também. As pessoas da rua encaravam os dois carros se movendo à uma velocidade absurda para aquele local. Quando Alice cortava os carros, os motoristas a xingavam e xingavam também o motorista do Foccus. Não dava para saber quem era ou porque estava fazendo aquilo, mas deu para ter uma ideia quando Pedro encarou o retrovisor tentando enxergar o rosto de alguém dentro daquele carro. O que ele viu foi…
– São eles! As mesmas pessoas do supermercado! Seja quem for que está dirigindo aquele carro, ele usa uma daquelas máscaras de palhaço!
– O que eles querem com a gente? Será que sabem que chamamos a polícia ou algo assim? E se eles tentarem algo contra nó–
– Como assim? Eu pensei que você sabia!
– Não! Eu não sabia! Quando eu estava chegando no supermercado, vi você entrando, mas não deu tempo de chegar perto para falar com você. Um tempo depois, quando eu estava entrando no supermercado, vi esses caras com máscaras estranhas e pensei em chamar você para sairmos dali, mas já era tarde dem– e ela foi interrompida com um baque no carro.
O Foccus alcançou o carro deles. O mascarado estava tentando tombar o carro no qual os dois estavam, jogando o para-choque frontal do Foccus contra o para-choque traseiro do Citröen.
– Que horas são? – perguntou Pedro, novamente.
– 9:59.
– Não temos mais tempo… Ali! Acelere em direção à ponte!
Já dava para ver a ponte, sinais de alerta estavam soando fazendo com que os carros na frente deles começassem a diminuir a velocidade.
– Passe na frente de todos eles!
– Você enlouqu– outro baque.
– Tem ideia melhor?
A esta altura, ela já sabia qual era a ideia dele. A ponte era levadiça, vários navios de pequeno porte e barcos passavam por ali.
10:00. A ponte começou a levantar e as cancelas começaram a descer. Os carros já estavam parados dos dois lados antes das cancelas, deixando livre a parte esquerda da pista. Alice acelerou por ali.
– Não acredito que estamos fazendo isso, eles nem têm arma ou algo do tipo. – eles passaram pelas cancelas por pouco, mas o Foccus as arrancou.
Uma explosão foi ouvida por eles. Um dos pneus traseiros havia estourado. Quando Pedro olhou para trás viu outro mascarado no banco do carona com um revólver, seu tronco estava para fora da janela e ele segurava a arma com as duas mãos.
– Eu não teria tanta certeza se fosse você.
– Não vamos conseguir passar, ela já está em mais da metade!
– Acelere!
– Não vai dar tempo!
– Não temos mais escolhas!
No momento, os dois carros estavam na contramão. Os motoristas buzinavam como quem diziam “Vocês estão malucos?!”. Bem, talvez estivessem.
Apesar de só passarem navios pequenos e barcos, a distância entre as margens do rio eram grandes. A ponte estava subindo mais e mais… 45º. 55º. 60º. O carro estava perdendo velocidade. O Foccus havia se distanciado para atirar nos pneus, e assim que chegaram na metade da parte em que eles estavam da ponte, atiraram no outro pneu traseiro.
A velocidade do carro começou a cair drasticamente, fazendo com que o Foccus ficasse cada vez mais próximo.
– Não vai dar para pular!
– Eu sei!
– Você quer matar a gente? Que ideia retardada!
Nesse momento eles estavam quase na ponta da ponte, e a distância entre suas duas pontas era absurda, mas apesar disso tudo, os perseguidores não diminuíam a velocidade. Eles viam em direção à Pedro e Alice, e aparentemente, queriam empurrar de vez o carro deles para mata-los, mas quando chegaram na ponta da ponte que já estava quase atingindo sua envergadura máxima, Pedro tomou o volante das mãos de Alice e jogou para a direita enquanto ao mesmo tempo puxava o freio de mão.
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