A última poesia
4 Interlúdio
PRIMEIRO INTERLÚDIO
Chegamos ao primeiro interlúdio. Vejam: Estou deveras enfraquecido e minha recuperação tardará alguns séculos a mais, portanto não poderei dar continuidade a esta narrativa. Todavia, meu velho amigo Týr o fará por mim, já que o mesmo compartilha comigo um ódio profundo por aquela serpente a quem chamam de Loki. Bem, já que estão acerca de todos os pormenores de Loki, Victória e outros personagens importantes, devemos então prosseguir com esta história tão conturbada que a tanto queria esquecer, mas que está impregnada em nosso complexo cromossomo célico.
Estou em um local onde o tempo não existe, portanto posso ver o passado, o presente e os possíveis futuros. Há quanto tempo estou aqui? Nem sei! Mas Lembro-me bem de quando fui expulso de Ásgarðr... Era um dia alegre, se quer saber. Uma brisa acariciava minha face como uma mãe amima seu filho, e um banquete estava a saciar a fome dos guerreiros que retornaram de nilfhein, o reino do gelo e da névoa. Mesmo seriamente machucados, estavam todos sorridentes e alegres, talvez por conta das boas vibrações que os antigos elementais emitiam naquela manhã. Eu estava contemplando aquela magnífica visão dos outros oito mundos quando uma mão veio ao meu ombro e me chamou calmamente. “Venha comigo Bragi, todos estão a lhe esperar.” Uma voz suave e persuasiva me fez ir até o grande salão sagrado, onde todos os deuses se encontravam sentados e inquietos em seus belos tronos dourados. Quando me aproximei da entrada, todos olharam para mim com um ar de desgosto absoluto, como se eu tivesse feito algo terrivelmente proibido e imperdoável.
“Não creio que tu tenhas feito isso, Bragi. Se não fosse por Loki, algo pior teria acontecido.” A voz profunda de Odin era inspiradora a uns, temida por outros, mas amigável a mim, seu amigo de tantas eras. Porém, naquele exato instante, aquela frase não soou nada afetuosa ou acolhedora. Sentei-me em meu trono que permanecia vazio e indaguei a todos os presentes. “Não compreendo o porquê de todos me arrostarem assim, então pelo menos me digam o que está acontecendo aqui!” Uma divindade menor ao qual eu não era familiarizado manifestou-se com papiros antigos em uma mão e um punhal enegrecido noutra. Colocando os objetos na mesa, ele começou a discursar fria e meditativamente:
“Tais itens foram encontrados em seus aposentos, senhor. De acordo com Loki, estes seriam instrumentos de uma revolução maquinada por você para derrubar o então rei de Ásgarðr, Odin.” Fiquei perplexo com aquilo, mas conservei a compostura. Fitando os olhares desapontados de todos, comecei a me defender. “Eu não planejei nada disso. Odin é um velho amigo, e eu nunca faria nada para prejudicá-lo e nem ao nosso lar. Que provas vocês tem para me julgar assim, tão deliberadamente?”
“Do gelo ao fogo, do aço ao pó. Devaneios ígneos forjados em terra, que impetram os firmamentos por si só. Se isso não lhe é inteligível, temo que não esteja apropriado a ler. Todavia, se tens a força em teu coração, será capaz de fazer o todo poderoso padecer.” Loki se achegou por detrás de Bragi e continuou seu falatório:
“Esta última poesia foi encontrada em seu templo, meu caro. Como podes ver, tu claramente incita o abatimento de meu pai, e isto reflete a tua inveja do enorme poder que ele tem sobre todos os mundos. Vocês deuses não devem deixar isto passar batido, sendo a única saída o banimento.” Cobra, conseguiu manipular a quase todos ali. Eu tentei me defender, mas um último argumento foi crucial para a minha expulsão. “Vejam amigos” Loki disse, abrindo um dos pergaminhos. “Esta é a caligrafia inconfundível de Bragi. Para aqueles que andam desinformados, estes pergaminhos estavam atados em um pégaso que se preparava para uma viajem a Midgard. O propósito disto no mundo dos homens? Não sei. Todavia, tenho absoluta certeza de que traria mais desgraça para esta terra que anda tão ameaçada recentemente.” “Isto é um ultraje!” eu gritei, mas fui ignorado. Odin não parecia são naquele momento, me banindo permanentemente do lar dos ases para o limbo natural do qual ninguém sabe a respeito, a matriz do universo.
Então, persuadindo todos os deuses ali presentes, Loki conseguiu triunfar novamente, banindo-me para este canto tão remoto e desolado. Se Týr puder impedir este falaz, eu poderei descansar em paz e fertilizar as mentes artísticas com meu espírito divino e então dar continuidade á arte e afins através das eras. Týr, conto com tu para deter este patife!
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