Notas iniciais
Olá :D Capítulo 10 já, lembro-me de quando postei o capítulo 10 de príncipe Légolas husuhauhsuhahsu saudades dessa fic, mas acho que esta está tão boa quanto. Capítulo dedicado às leitoras Elleny e Senhorita Verde Folha que recomendaram a fic. Obrigada meninas ♥ Boa Leitura

Nunca havia visto um lugar tão bonito em toda a minha vida. O jardim era imenso, cheio de flores de todas as cores que desciam de árvores, algumas frutíferas, outras não. Algumas dessas flores pareciam nascer do alto muro de pedra que cobria todo o lugar. Rosas de todas as cores nasciam em canteiros feitos especialmente para elas, e exalavam um cheiro encantador por todo o local, que se misturava com o leve aroma das demais. No entanto, o local não era exatamente claro pela luz do sol. Havia luzes espalhadas por todo o jardim, essas que não soube identificar do que eram. Alguma coisa parecida com lampião era sustentada no ar, esse de formato redondo, que brilhavam intensamente numa luz dourada. Vários desses estavam sobrepostos em partes do muro de pedra também, mas tão alto que julguei não conseguir alcançar nem se tentasse escalar. O chão de grama era perfeitamente cortado, e algumas pedras no chão faziam caminho para uma fonte de água que nascia de uma imensa pedra, bem parecido com as da prisão. Aproximei-me dela. Esta que escorria para uma espécie de lago, continha alguns pequenos peixes nadando calmamente na água, que não era extremamente fria como nas masmorras.

E o local era mesmo enorme. Pude ver, bem ao longe no teto quase no fim, uma fresta relativamente grande. Por ela a luz do sol finalmente entrava, dando alegria ao lugar, que poderia jurar ser mágico. Algumas árvores estavam bem ao fundo, perto da luz, de onde vi o imenso trono de ouro que era adornado por algumas flores vermelhas ao pé deste. Fiquei um pouco assustada, mas acho que aquele local não era onde as pessoas procuravam o rei, senão Thranduil não ousaria me prender onde seus súditos poderiam me ver.

Atrás do trono um cômodo. A porta, essa de vidro, mostrava parcialmente um local diferente dos demais. Era como se fosse uma pequena casa no meio de um jardim. Abri a porta lentamente, temendo que o rei voltasse a qualquer instante e me visse bisbilhotando suas coisas.

Um cheiro de maçãs tomou conta ao abrir a porta. O piso era liso, parecia com mármore branco, e as paredes combinando com a cor. Algumas pilastras eram recobertas por cortinas vermelhas, deixando com a sensação quente no local. Algumas coroas estavam em fileiras, tomando conta de parte de uma parede e guardadas em caixas de vidro. Quase todas elas pareciam não caber na cabeça do rei, e me perguntei a quem pertenciam. Eram também de uma delicadeza diferente, com pedras lapidadas em todas as cores em algumas delas.

Um vestido estava no final da fileira de coroas. Este era branco, rico em renda e detalhes extraordinários que nunca vi em vestido algum. Parecia, no entanto, com os modelos que Freeda me trazia, porém era visto que este era muito mais velho.

O local estava muito limpo. Nenhuma teia de aranha ou qualquer outro tipo de inseto foi visto dentro do cômodo.

Virando-me para o outro lado, pude ver uma nova fileira de coroas, e no fim desta, vestes verdes tomadas na mesma posição que o vestido.

Aquilo só poderia pertencer ao rei e a rainha.

Senti que era melhor sair do local antes de qualquer coisa. Tudo aquilo estava me dando arrepios e me causando certo incomodo. Parecia muito particular para o rei, e passei a me perguntar por que ele me trouxera para cá. Ao tentar sair, pude ver uma porta que se escondia por detrás das vestes do rei.

Fiquei com receio em abri-la. Talvez algo mais particular estivesse por detrás dela. Forcei a maçaneta, indo contra minhas regras de conduta, mas meu desejo de descobrir mais estava me levando à loucura. Desejei que a porta estivesse trancada, porém ela se abriu diante mim, revelando o conteúdo do quarto. E era, realmente um quarto. Havia uma cama com lençóis brancos demais, combinando com as paredes e o chão. A cabeceira era de ouro, e uma espécie de cortina cobria a parede, descendo vermelho como sangue por sobre a cama. Ao lado, dois móveis de madeira, e mais uma porta, que eu não tentei descobrir o que era. Certamente estava indo longe demais.

Tentei sair o mais rápido que pude de lá. Meu coração batendo forte, temendo que o rei estivesse à minha espera no jardim.

Quando consegui sair, fechei a porta de vidro com cuidado, tentando não fazer barulho. Corri em seguida, tentando me afastar e me esbarrando em alguém logo em seguida, sentindo meu coração prestes a para quando meus olhos fitassem o rei diante mim.

— Senhorita? – Ouvi a voz de Freeda, e instantaneamente senti meu corpo relaxar.

— Estou bem. – Respondi tentando me levantar do chão. – Graças a Eru é você.

Freeda riu de minha expressão assustada.

— Estava dentro dos aposentos do rei? – ela perguntou-me, ajudando a espantar a poeira do meu vestido.

— São os aposentos do rei? – perguntei assustada. Era meio solitário ficar por ali, apesar de ser muito bonito.

— Sim, senhorita. – ela respondeu-me, ainda rindo de minha expressão.

— E da rainha também?

— Não. Bem, acho que não. O local foi feito há pouco tempo. Mais ou menos quinhentos anos, e a rainha... bem, está morta há muito mais tempo do que isto. – Freeda respondeu apreensiva.

— Bem, assim é melhor. – Respondi. Não queria descobrir o ninho de amor do rei e de sua mulher morta.

— Mas o que a senhorita fez para vir para cá?

— Cantei. – suspirei. Aquilo parecia um pesadelo. Talvez fosse melhor esperar Tauriel quieta. Mesmo gostando do jardim, do ar que ali tinha e das flores, sentia um arrepio tomar meu corpo por completo pela sensação estranha que sentia naquele local.

— Bem, de qualquer forma, terei de cuidar de você aqui mesmo. – Freeda disse mostrando-me mais um daqueles vestidos.

A elfa puxou-me de volta para o cômodo no fim do jardim. Relutei em vê-la adentrando o local, e guiando-me ao seu lado.

— Acho que prefiro tomar banho na fonte. – disse ao vê-la entrar no quarto e ir em direção à porta que não abri.

— E correr o risco de ser pega nua pelo rei? – ela perguntou, e senti meu rosto corar. Aquilo já havia acontecido uma vez, mas não queria que acontecesse outra.

A ela encheu a banheira com a água da própria fonte. Jogou algumas coisas lá dentro e disse que eu poderia me banhar em paz porque vigiaria pelo lado de fora.

Antes de a elfa sair, encarei o vestido lilás que me esperava. Muito bonito como os outros e diferente do que as elfas vestem-se, lembrei-me do que Tauriel disse sobre o que Thranduil pretendia ao me vestir assim.

— Freeda? – chamei a elfa, que atendeu de imediato. – Pode me trazer um vestido desses que vocês usam? Quer dizer, um vestido de elfas? Tem como me conseguir um? – pedi.

— Mas senhorita, esses vestidos são os aprovados pelo rei. – Ela disse, meio que em receio de deixar algo como aquilo escapar.

Fitei a elfa com curiosidade, mas não perguntei nada mais.

— Por favor. Eu não vestirei este. – Respondi. – Com o rei eu me viro depois.

Freeda encarou-me desconfiada, para depois sair do local em direção à porta.

Se o rei gostava de me ver vestida como aqueles modelos que pareciam com o vestido da rainha, eu faria do contrário. Gostava dos vestidos, porém Thranduil passou a me domar de tal forma que não estava me agradando muito. Ele fazia de mim o que bem queria, me vestia, me dava a quantidade de comida que julgava necessária, me jogava de um lado para o outro no castelo como seu animal de estimação. E eu precisava reverter o jogo. Precisava sair dali, precisava domar Thranduil, burlar suas leis e fugir. Duvidei que presa naquele jardim fosse mais fácil para Tauriel me ajudar do que em um quarto, e passei a me desesperar ainda mais. Afinal, minha própria vida não estava mais em minhas mãos e isso me apavorava. Thranduil queria me deixar louca, me enfiar sua autoridade goela abaixo e me ver aceitar tudo de maneira grata e satisfatória.

Aquilo não era aceitável. Eu poderia, eu precisava fazer algo para sair dali. Mas o que? Não tenho nada a meu favor, não seria capaz de fazer algum mal ao rei, sequer conseguiria convencê-lo a me deixar ir só com palavras. Precisava tomar atitudes, e rápido, antes que enlouqueça.

Quando Freeda voltou, ainda estava na banheira. Encolhi meus braços junto com minhas pernas, enquanto deixava a água tomar conta do meu corpo. Percebi que havia se passado muito tempo quando ela voltara já com o vestido, assustada por eu ainda estar ali.

— Foi o máximo que consegui. – Ela disse, mostrando-me um vestido verde que cobriria todo o meu corpo, de mangas longas e incomodativas, que pareciam arrastar ao chão. Não era bonito, particularmente eu não me agradava daquele tipo. Mas serviria para, talvez, irritar um pouco o rei.

— Esse serve. – respondi, enxugando meu corpo.

Freeda ajudou-me a vesti-lo. Parecia que camadas e mais camadas de roupas cobriam a minha pele e que nunca acabavam. No fim, parecia que tinha engordado uns cinco quilos, mas aprovei o resultado.

— Acho que está folgado. Quer que aperte?

— Não, Freeda. Assim está ótimo. – Respondi sorrindo com a minha imagem no imenso espelho no banheiro. – Agora, ajude-me com meus cabelos.

Disse à elfa que queria meus cabelos baixos. Normalmente, eles têm um volume moderado por causa dos cachos. Mas Freeda quase os fez ficarem lisos.

— Ótimo. – disse no fim, quando a elfa colocara uma espécie de arco em minha cabeça, quase imitando as coroas do rei.

A elfa ainda me olhava curiosa. Provavelmente tinha milhares de perguntas sobre o que estava fazendo, mas não abria a boca. Apenas fazia tudo o que eu pedia.

No fim de tudo, a noite já caíra. Percebi a luz da lua entrar pela fresta, e alguns dos Vagalumes acenderem em meio às árvores e flores. O jardim ficou ainda mais encantador, e percebi as luzes dos “lampiões” baixarem em um brilho quase imperceptível.

Freeda saiu do jardim em busca do meu jantar. Ficar naquele local sozinha era muito estranho, mas podia ouvir o cricrilar dos grilos e o chorar dos sapos, e seus sons era agradáveis. Os ventos que batiam nas árvores vinham pela fresta, e o ar passou a ficar mais leve.

Sentei-me ao lado da fonte, não me incomodando com a presença de alguns sapos e dos vaga-lumes que dançavam ao meu lado. Pela primeira vez em dias, sentia-me em paz.

O portão abriu-se, enchendo o jardim da intensa luz que vinha do corredor, apagando-se logo após sua fechada. Imaginei que fosse Freeda, porém a imagem do rei formou-se em minha frente logo em seguida. Este que parou instantaneamente quando me viu lá, sentada e vestida com aquela roupa de caimento completamente estranho.

— Majestade. – Cumprimentei-o sem ao menos sair do lugar. Apenas o encarei por instantes e voltei minha atenção para a fonte.

— Você está ridícula. – Ele disse, referindo-se ao meu vestido.

— Que bom que odiou. – Respondi, dando de ombros, mas rindo por dentro pela sua expressão.

— Você não é uma elfa. – Ele continuou, sentando-se ao meu lado e passando a me observar atentamente.

— Eu sei, mas sinto-me vulnerável com aquelas vestimentas.

Thranduil encarou-me.

— Vulnerável? Esquece que já lhe flagrei nua? – Ele disse, e senti o arrependimento apontar em sua voz com o ato.

— Não. Por isso mesmo que faço tal coisa. – Respondi rindo. – Sou muito sexy. Não posso ficar provocando o rei.

Thranduil congelou sua expressão. Parecia pensar em algo para responder, mas só sentir o clima pesar quando percebi que ele não encontrava saída.

O rei sentia-se tentado por mim?

— Não acha que ficou bom? – continuei, tentando fazer daquilo tudo uma brincadeira. Levantei-me e dei uma volta completa sobre mim mesma.

— Não. – o rei respondeu, parecendo frustrado. – Definitivamente não.

Ele tentou sorrir logo após. Saiu meio torto, mas achei que o ato era difícil para ele por falta de prática.

— Ah, achei que assim você poderia se sentir mais próximo aos seus amigos elfos. Sei que a presença humana te incomoda mais do que a guerra entre os elfos e anões. – disse, tentando parecer cômica.

Acho que não funcionou.

— Não sei de onde tira essas conclusões. Acho os humanos tolos e frágeis, mas não os odeio. – Thranduil disse calmamente.

— Os suporta?

— Talvez mais do que suportar. – ele continuou. – Sei que preciso deles, que meu povo precisa. Você não entenderia.

Perdi o ar de brincadeira que estava tentando fazer. Claro que o entendia, os elfos encomendavam comida do povo da cidade do lago, e com isso eram generosos no pagamento. Certamente Thranduil sabia do sofrimento dos homens, por isso era piedoso. Kirkel e Bard contavam-me às vezes o quanto os elfos pediam e pagavam por cada item.

— Me perdoe. – Pedi sem jeito, sentando-me outra vez ao seu lado. Por mais que Thranduil fosse complicado, eu não tinha o direito de entrar em certos assuntos com ele. Mesmo percebendo que ele fazia o mesmo comigo.

O rei suspirou longamente. Cada segundo parecia querer que ele deixasse que o ar sumisse com o peso que era visível carregar nas costas. Sua cabeça abaixou-se, e ele passou a encarar certo ponto no chão, pensativo. Esse ato fez com que ele me parecesse vulnerável.

Lentamente, fui escorregando uma de minhas mãos de encontro com a sua, que estava pousada na rocha beirada na fonte. Encontrei com ela, sentindo a pele fina e delicada do rei. Sua mão era quase o dobro da minha, mas pude encobri-la do meu jeito, quase como um ato de proteção.

Thranduil desviou seu olhar para as mãos juntas. Não parecia piscar, apenas contemplar o gesto com doçura. Crispou os lábios, e o vi corar. Corar. O rei estava envergonhado, vulnerável, sentimental. Algo que tive certeza ser raro em sua vida.

Ele afastou sua mão. Voltando a visão para o teto. O constrangimento era evidente, mas ele não dizia nada e nem fazia menção de sair dali. Talvez quisesse me dizer algo, mas não conseguisse. Talvez o momento de distração dele – que no caso era eu – estivesse tentando achar outro assunto para irritá-lo. Mas não conseguia pensar em nada, apenas em como aquilo tudo era estranho.

Aproximei-me dele, e encostei minha cabeça em seu ombro. Thranduil passou as mãos por meus cabelos, enrolando-os um pouco.

— A senhorita ficou bonita assim. – Ele disse, finalmente quebrando o silêncio, mas não me afastando. – Mas prefiro como é. Uma humana.

Ele completou e eu sorri. Parecia que ele realmente gostava da raça, só que era um segredo que ele jamais revelaria à alguém por todos julgar errado.

Levantei-me de seu ombro, e o puxei para mim. Foi um ato brusco, mas parecia ser esperado por ele, que prontamente grudou seus lábios nos meus, segurando-me pela nuca com uma de suas mãos e a outra na cintura.

E aquele arrepio tomou conta outra vez. A sensação de beijar Thranduil era tão diferente de Kirkel, que parecia que dois universos completamente diferentes me eram mostrados.

O gosto, a voz, o cheiro, e agora o toque dele despertava em mim a sensação de loucura, a vontade de ceder a algo inimaginável, de uma loucura ainda não desperta. Sua mão que me apertava a cintura, parecia querer diminuir ainda mais o espaço entre nós dois, quase que num ato de desespero.

Ser dele, era o que me passava à mente. Talvez ser sua distração não fosse totalmente ruim assim.

Mas eu precisava me concentrar. Não era um elfo que tiraria a minha liberdade. O rei não poderia me trancafiar para sempre, fazendo de mim sua serva para o que bem entendesse.

Mas eu sabia que poderia tirar proveito da situação. Só precisava reverter as coisas, ignorar sentimentos e seduzi-lo para, quem sabe, convencê-lo a me libertar.

Notas finais
Vamos aos links: Vestido: http://ecx.images-amazon.com/images/I/61x-fan7ceL._SX342_.jpg Deixem um comentário. E o nome do ship? como acham que deveria ser? Beijos ♥