A Última Chance - J e of
21 Capítulo 21 - Volta pra casa
Notas iniciais
POV Julie
Arrumei minhas malas, assim como o Pedrinho arrumava as dele. Ele iria embora comigo, já que eu não iria mais viver ali naquele orfanato, por já ter completado meus tão sonhados 18 anos. Demorou, mas finalmente chegou. Tive que ficar por mais um mês depois do meu aniversário, não sei o porquê. E o tempo que fiquei a mais ali já tinha chegado ao fim e eu já poderia ir embora.
Depois de tudo pronto, me despedi das minhas colegas de quarto, com quem dividi bons e inesquecíveis momentos juntas. Eu iria sentir saudades delas. Elas me divertiam, eram engraçadas e eram de bem com a vida. Sabiam se divertir como ninguém e mesmo estando na situação que elas estavam, elas tinham um sorriso no rosto e a esperança delas não morria nunca. Isso era incrível e com certeza, foi bom demais conviver com elas. Não evitei chorar quando abraçava uma a uma. Uma despedida nunca é feliz, sempre existe aquela pontadinha de dor e saudade que vai ficar. Me despedi dos amigos garotos que fiz ali também. Eles eram amigos de verdade assim como as meninas. Adorei conhecer todos eles.
Fui à sala da Valentina, outra vez, para acertar últimos detalhes. Assim que ela me viu entrar em sua sala, me sorriu largamente.
— Entre Julie. Senta e fica a vontade. – ela disse e eu me sentei. – Você foi uma das internas que mais me deu trabalho. Sabia? – eu sorri torto. – Você dever pensar que sou uma bruxa. Não é?
— Algumas das suas ações me levaram a pensar isso mesmo. – lhe respondi sincera.
Ela deu uma risada curta. – Não sou nenhuma bruxa como você pensa. Sabe, eu gosto de você. Não pense que eu não gosto. Gosto tanto quanto cada um desse orfanato. Mas você é especial. Você me lembra uma irmã bem mais nova que eu tinha. A mesma coragem, a mesma confiança, a mesma personalidade forte. Você e ela são iguaizinhas.
— Perdão, mas “tinha”?
— Sim. Minha irmã faleceu há uns anos atrás. Ela tinha um câncer incurável. Eu cuidava dela quando eu tinha a sua idade. Ela tinha uns 12 anos na época. Eu morava com a minha mãe. O meu pai eu nem cheguei a conhecer. Ele saiu de casa quando eu tinha 1 ano, não me lembro dele. Nenhuma lembrança, nada. Eu só tinha uma foto que alias eu tenho até hoje. Anos mais tarde minha mãe conheceu outro homem, se casou e teve mais dois filhos com ele. Meu irmão e essa irmã que lhe contei. No começo eu gostava do meu padrasto, porque ele era legal comigo, me dava tudo o que eu queria, me ouvia sempre quando eu tava triste. Ele era o pai que eu não tinha. Mas, quando eu estava com 13 anos ele começou a mudar comigo. Ficava me assediando quando minha mãe não estava perto e um dia me obrigou à... – ela pausou, abaixando a cabeça. – à fazer “aquilo” com ele. E quando eu não queria, ele me batia e dizia que se eu contasse para alguém ele me matava e iria dizer que aconteceu qualquer coisa comigo, menos a verdade. Felizmente um ano depois ele foi preso por porte ilegal de armas e trafico de drogas. Eu, minha mãe e meus irmãos ficamos livres deles. Contei para minha mãe tudo o que ele fazia comigo. Um erro. Já não bastasse ela ficar abalada pela prisão dele, ela ficou ainda pior quando lhe contei a verdade. Ele entrou em depressão e ficou anos assim. Passei a cuidar sozinha da minha irmã doente. Comecei a fazer faculdade de Pedagogia e a trabalhar. Terminei minha faculdade e uns dias depois minha irmã morreu. Ela tinha 14 e ia fazer 15 em dois meses. Ela estava radiante só em pensar que ia fazer seus 15 anos. Estávamos combinando a festa e tudo o que ela tinha direito. Minha mãe foi ficando cada vez pior depois que soube da morte dele. À partir daí, eu passei a cuidar da minha mãe. Pedi que ela fizesse um tratamento e se curou. Hoje ela está bem. Depois que meu irmão fez 18 saiu de casa e anos mais tarde se casou e teve uma filhinha, minha sobrinha. É a minha cara. – ela parou de falar e não controlou o choro e desabou em lágrimas.
— Nossa. Que estória. Sinto muito. Por sua irmã, sua mãe... Por tudo.
— Tudo bem. Me desculpe por me abrir assim, mas é que tinha tempos que eu não desenterrava essa estória da minha vida e... Sei lá... Precisa me abrir com alguém. – ela disse limpando as lágrimas.
— Não tem problema. Mas você não precisava falar tudo isso para mim. – pausei. – Ainda tem contato com seu irmão?
— Tenho. – ela sorriu pela primeira vez depois de cessar seu pranto. – Nós nos visitamos com frequência. Minha mãe também. A visito sempre. – ela pausou. – Espero que seja feliz Julie.
— Serei. Muito obrigada por tudo. Te devo muito. Acho que sem você eu estaria não sei aonde agora. Obrigada mesmo.
Ela se levantou e eu também. Nos abraçamos. Chorei também. Não consegui segurar. Chegava a doer de tanto que eu me esforçava para não chorar. Chorei de soluçar. E pensar que por muito tempo tratei mal essa mulher, que me ajudou e me tratou como se eu fosse sua filha. Me soltei do abraço, me despedi e sai. Me deixei levar pelos meus pensamentos. Nunca pensei que a estória da Valentina me abalaria tanto.
Me distrair tanto com tais pensamentos que nem percebi que já estava na porta da minha casa. Pedrinho sorria contente em pensar que estava em casa. Eu tinha lhe dito que eu ia ligar para a nossa tia para ela cuidar da gente de agora em diante.
— Eu estou com muitas saudades do Daniel, do Martim, do Félix, da Bia, do Patrick, do... ... – e ele ficou falando o nome de um monte de gente que até cansei. O interrompi, antes que ele falasse a lista do catálogo telefônico da cidade toda.
— Ta bom, eu sei disso, Pedrinho. Também sinto muita falta de todos. Vamos entrar logo. Não quero mais ficar aqui fora segurando essas malas.
Entramos em casa. Meu queixo caiu quando vi o quanto a casa estava muito bem arrumada. Achei que quando chegasse eu iria encontrar uma verdadeira bagunça, uma montanha de pó pelos moveis e tal. Mas não. Acho que devia um agradecimento a seja lá quem foi que deixou a casa em perfeita ordem.
Subi pro quarto e Pedrinho foi para o dele. Guardei todas as minhas coisas. Mas a saudade era demais, precisava rever meus amigos e o Daniel. Desci correndo para a edícula. Antes que eu abrisse a porta ouço um barulho de música. Eles estavam tocando e cantavam uma música bem bonita.
“Eu admiro que me faz voltar
A ver a vida como eu sempre quis
Minhas verdades ninguém vai mudar
Nem apagar o que foi feito aqui
Hoje eu sou o que restou da dor
Da minha dor
Eu posso me esconder
Mas que a verdade seja dita agora
(refrão)
Eu mudei por você
Mas não quis sofrer
Por ser tão real pra mim
Vou, aprendo a viver
E num segundo perder
O medo de ser quem eu sou
Ser quem eu sou
Eu admiro que me faz voltar
A ver a vida como eu sempre quis
Minhas verdades ninguém vai mudar
Nem apagar o que foi feito aqui
Hoje eu sou o que restou da dor
Da minha dor
Eu posso me esconder
Mas que a verdade seja dita agora
(refrão)
Eu mudei por você
Mas não quis sofrer
Por ser tão real pra mim
Vou, aprendo a viver
E num segundo perder
O medo de ser quem eu sou
Ser quem eu sou
Que a vida me leve afinal
Não tenho mais medo de errar e aprender
Com os meus passos escuros
Com os meus passos escuros
(refrão)
Eu mudei por você
Mas não quis sofrer
Por ser tão real pra mim
Vou aprendo a viver
E num segundo perder
O medo de ser quem eu sou
Ser quem eu sou”
Esperei a música terminei para entrar.
— Dani! – eu disse e ele me olhou.
— Julie! – veio correndo até mim e me abraçou, me pegando no colo. – Que saudade amor.
— Eu também. – lhe beijei. – Oi Martim, oi Félix. Que saudade também. – abracei os dois.
— Hey Juh. – Daniel me chamou. – Eu tenho um presente pra você. De aniversário atrasado. – ele riu.
— Não precisava amor. – eu disse enquanto ele pegava algo que eu deduzi ser uma caixinha retangular preta de veludo.
— Precisava sim. – ele veio até mim e abrindo a caixa, que só agora eu havia reparado que parecia um estojo. Era um colar banhando a ouro com um pingente em forma do símbolo do infinito. No centro dele estava escrito “Eterno” e nós lados as inicias dos nossos nomes: de um lado um J e do outro um D.
— Que lindo. Eu adorei Dani. – eu disse sorrindo e lhe dei um beijo.
Os três foram cumprimentar o Pedrinho que minutos depois, saiu pra visitar o Patrick. Preparei um almoço. Eu estava faminta, pois, apesar de gostar do orfanato, eu odiava a comida de lá. Sou mais a minha mesmo. Fui ligar para a minha tia. E torcer para ela poder ajudar.
: : : ligação on~
Tia L___: — Alô?
Julie: — Alô Tia Lúcia. É a Julie.
Tia Lúcia: — Ah, olá Julie. Como vai querida? Que saudade de você. Como vai você e o Pedro? Vocês sumiram. O que aconteceu? Tentei falar com vocês, mas eu não encontrei vocês em casa.
Julie: — Nós estamos bem. Sabe tia. É uma longa estória. Eu devia ter te contado. Eu e o Pedrinho estávamos em um orfanato. Mas como eu já fiz 18 eu já saí e trouxe Pedrinho comigo. Saí hoje.
Tia Lúcia: — Oh. Céus. Mas, um orfanato. Por que não me contou. Eu poderia ter indo pra sua casa sem pensar.
Julie: — Eu sei. Mas é que aconteceu tudo tão rápido que nem me lembrei de ligar para a Senhora. Só liguei agora. Para saber se você pode vir e ficar com a gente. Você me disse que o faria com muito prazer e... Bom, se a Senhora puder...
Tia Lúcia: — Claro. Eu vou pra aí imediatamente. Amanhã mesmo eu estou chegando.
Julie: — Obrigada tia. Tchau.
: : : ligação off~
— Búú... – ouvi uma voz dizer no meu ouvido.
— Nem me assustou Daniel. Eu já me acostumei. – eu disse e ele ficou visível.
— Ainda vou conseguir te assustar. Você vai ver.
— Sei. – eu disse subindo pro meu quarto e entrando no meu quarto. Quando abri a porta...
— Búúú... – Daniel surgiu na minha frente.
Dei um pulo e pus a mão no peito. Ele riu.
— Eu disse que ia ter assustar. – ele disse e eu fiz uma careta de “Engraçadinho você, né?”. – Então quer dizer que a sua tia vai morar com vocês? – ele disse sentando na cama.
— Vai. – respondi sentando na cama. – E acho que vai se melhor assim.
— E vai mesmo. – ele disse.
Ele ficou encarando meus lábios. Avançou e me beijou vorazmente. Eu, obvio, retribui na mesma intensidade. Sem pensar duas vezes, ele me deitou na cama e começou a tirar minha roupa. Tirei a dele também e ele me ajudava. Ele desceu os beijos até meus seios, sugando, lambendo e mordiscando o bico, alternando de um seio para o outro. Eu já gemia baixo só com esse toque. Ele subiu aos meus lábios novamente. Eu fui mais atrevida e desci as duas mãos para a bunda dele. Era redondinha e não me contive em apertá-la. E como era gostosa. Ri em meio ao beijo com tais pensamentos. Ele riu também, depois que soltou um suspiro com meu toque. Subi as mãos por suas costas e comecei e arranhar de leve. Ele começou a me penetrar. Entrava e saia numa velocidade alucinante.
Eu gemia alto. Me lembrei do meu irmão no quarto ao lado e fiquei com medo dele ouvi algo. Levei minha mão a minha boca para evitar os gemidos. Ele riu com meu gesto.
— Não se controle Julie. – ele disse ofegante. – Eu quero te ouvir gemer meu nome. – ele me deu uma penetrada mais forte apertando minhas coxas de forma agressiva, me fazendo arrepiar.
— Aaahh, Daniel... – gemi de olhos fechados o ouvindo dar uma risada maldosa e terrivelmente maliciosa.
— É assim que eu gosto. – ele disse, me fazendo arranhar suas costas com uma mão e com a outra agarrar seu cabelo com força. – Ah, Julie... – ele gemeu.
Ele continuou me penetrando até chegarmos ao orgasmo. Ele resolveu ousar, se levantou e me puxou. Ele me fez sentar em seu colo, de frente para ele e com as minhas coxas em volta da sua cintura. Coloquei meus braços em volta do seu pescoço. Ele segurou minha cintura, me fazendo levantar e sentar em seu membro novamente ereto. A mudança de posição me fazia gemer muito mais e eu mordia o lábio inferior tentando segura-los. Ele coordenava os movimentos, me fazendo subir e descer em seu colo, segurando forte minha cintura. Eu mordia seu ombro e eu percebia ele se arrepiar. Ele gemia tanto quanto eu. Eu sentia que estava quase gozando de novo. Ele também. Assim que chegamos ao ápice ele me beijou docemente. Me tirou do seu colo gentilmente, me deitou na cama e se deitou ao meu lado. Dormimos de conchinha.
Acordei horas depois. Olhei no relógio. Eram cinco em ponto. “Tenho que cozinhar o jantar daqui a pouco” Pensei. Olhei pro lado e Dani ainda dormia. Ele era tão lindo e perfeito, principalmente quando dormia. Ele ainda não vestia nenhuma peça de roupa. Mordi o lábio pensando no seu corpo desnudo perfeito, forte e bem desenhado. Me levantei, me vesti e fui pra casa da Bia. Ainda não tinha a visto e estava morrendo de saudade.
Fique lá por um bom tempo. Depois voltei pra casa, fiz o jantar. Eu e Pedrinho jantamos. Fui ver TV, mas fui vencida pelo cansaço. Dormi cedo.
Apesar de ter dormido cedo, acordei tarde. Já eram 10 horas. Daniel me deixou mesmo cansada ontem. Levantei procurando me livrar de pensamentos pervertidos. Desci e estava indo para a cozinha tomar café da manhã. Mas ouço a campainha e vou atender. Era a minha tia.
— Tia Lúcia. Que bom que chegou. Que saudade. – eu a abracei.
— Julie. Que saudade também querida. – ela deixou um marca de batom na minha bochecha com um beijo.
— Tia!! – ouvi Pedrinho gritando e descendo as escadas correndo. Pulou no colo da minha tia quase a derrubando.
— Também senti saudades de você Pedrinho.
— Entra tia. – eu disse. – Fica a vontade. – ela entrou e a ajudei com a mala.
Ficamos conversando por um bom tempo. Contei para ela todo o tempo que eu e Pedrinho passamos no orfanato. Ela só ouvia com a expressão visivelmente chocada e repetindo que eu deveria ter ligado para ela, por ela ser uma parenta mais próxima e obviamente a responsável. Nos pouparia de ter que ficar no orfanato. Mas o que passou, passou. Era passado.
O tempo foi passando. Já fazia dois meses que a minha tia estava morando com a gente. Eu estava cada vez mais feliz, se é que isso era possível. A companhia materna da minha tia, a amizade cada vez mais sólida com a Bia e os fantasmas e o meu namoro firme de mais de um ano com o Daniel estava me fazendo bem demais. Nossa, nem parecia que eu já estava namorando um pouco mais de um ano com o Daniel. O tempo passou voando, literalmente. Nem percebi.
Ultimamente tenho tendo sonhos estranhos. Eu sonho e quando acordo não me lembro de nada, nem de vagas imagens. Nada. Fiquei cada vez mais cismada com alguma coisa, que eu não sabia o que. E tudo isso me assustava. Algo ia acontecer e isso eu tinha certeza.
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