A Última Chance - J e of
13 Capítulo 13 - Ninguém acabará com a minha vida
Notas iniciais
POV Julie
Mais uma semana havia se passado. Já era sábado. Nada melhor do que descansar depois de uma semana muito cansativa. Apesar disso, Daniel me fez passar os melhores momentos da minha vida. Ele é sempre muito fofo comigo e eu adoro. Ele me faz bem de uma maneira que ninguém fez antes. A todo o momento, eu passava olhando para o anel que o Daniel me deu. Nunca pensei que ele fosse assim. Não sei se é só comigo, mas eu adoro ser tratada assim.
Porque todo vez que o Daniel me olha, eu sinto faíscas. Sinto o meu coração acelerado, que eu estou andando nas nuvens, que minha alma estivesse mais leve. Sinto com se ele fosse meu amor verdadeiro.
Estávamos todos na edícula. Eu, os fantasmas, Bia e Pedrinho. Estávamos conversando, rindo, nós divertindo. Eu estava tocando com a banda também. Já fazia um tempo que não tocávamos. Estávamos até um pouco enferrujados. Tocamos todas as músicas. Quando eu olhava para o Daniel, ele estava olhando pra mim. Quando paramos, a Bia começou com a suas piadinhas.
- Acho que o Daniel precisa de um babador. – Bia disse caindo na gargalhada.
- Eu também acho. – Félix concordou rindo junto com o Martim.
- Ha ha... Muito engraçado. – Daniel disse sarcástico.
- Mas é verdade. Você não tirava os olhos da Julie. Estava babando por ela. – Bia diz ainda rindo.
- Deixa de ser chata. Ele pode né. Ele é meu namorado. É só meu. – eu disse, logo ouvindo um “Ui, ele pode tudo” dos chatos meus amigos. E eles disseram “Own...” depois que eu dei um beijo no Daniel.
- Vocês são muito fofos juntos. – Bia disse. Félix, Martim e Pedrinho concordaram.
- Me fala uma coisa que eu não sabia. – eu disse, enquanto eu era abraçada por trás pelo Dani. Virei meu rosto e dei um selinho nele.
- Ta bom, casal. A gente já percebeu. Agora, pára um pouco com essa pegação que não queremos ficar de vela aqui não. – Martim disse.
Rimos juntos com isso. Estávamos conversando amenidades até sermos interrompidos pela campainha.
- Espera, galera. Eu vou atender a porta.
- Ok. Só não demora. – Dani disse, beijando meu rosto.
Sai da edícula e atravessei toda a casa até chegar à sala e atender a porta. Abri a porta, não reconhecendo a pessoa a minha frente.
- Pois não. – eu disse.
- Bom dia. Você é a...? – a pessoa perguntou.
Fiquei encarando a mulher a minha frente, pensando se respondia ou não e tentando entender o que ela queria. Ela me pareceu estranha. Nunca a tinha visto em minha vida. Com certeza não é alguém que eu conheça. Ela fazia o tipo de diretora de colégio interno. Aquela do tipo “sargentona” que gosta de seguir regras e exige que as suas regras sejam cumpridas. Logo de cara eu não gostei dela. Ela trajava uma saia de cintura alta, acompanhada de uma camisa branca com mangas dobradas, um sapato de salto alto preto e colores no pescoço. Seu cabelo estava solto e liso, mas com leves ondas do meio até pontas do cabelo. Ela é bem bonita, tenho que admitir. Depois de examiná-la, eu lhe respondi.
- Meu nome é Julie. Juliana, na verdade.
- Juliana. É Juliana Spinelli de Almeida. Certo?
- Isso. – dei uma pausa. – Mas por que quer saber? Quem é você?
A mulher parou para me olhar. Anotou algo em um papel que estava em sua mão e voltou a me olhar.
- Meu nome é Valentina Olivier. Prazer. – me estendeu a mão e eu a cumprimentei. – Trabalho no Orfanato Estrela Dourada. Recebi um chamado relatando que você e seu irmão estavam vivendo sozinhos depois que seus pais morreram.
Quando a tal de Valentina disse “orfanato” meu coração já foi pra garganta. Estava com um mau pressentimento. Com certeza eu não iria gostar nem um pouco.
- E, o que tem isso? – respondi um pouco grosseira. A mulher soltou um “Rum” por causa da forma mal educada que me dirigi a ela.
- É que você e seu irmão são menores de idade e, portanto não podem viver sozinhos, sem a supervisão de um adulto responsável. Por isso, eu fui mandada aqui. Vocês serão encaminhados ao orfanato para ficar sob nossos cuidados. Vai ser bem melhor no orfanato do que ficar aqui sozinhos.
- Mas eu tenho 17 anos. Logo eu vou fazer 18 e eu vou cuidar do meu irmão. Vou começar a trabalhar e tal... Não vamos precisar ir a um orfanato. – eu disse indignada.
Não quero ir a orfanato nenhum. Ninguém vai me obrigar a ir. Eu preciso fazer alguma coisa. Preciso impedi isso. Só não sei como.
- Sinto muito Juliana, mas é assim que tem que ser. E você mesmo disse. Tem 17 anos. Não vai ficar muito tempo lá. Quando ficar de maior vai poder sair.
- Não importa. Eu não quero. E por favor, me chama de Julie.
- Claro... Julie. Mas não posso fazer nada. É minha obrigação. É melhor se despedir da sua casa. Vai ficar um bom tempo sem vim pra cá.
Arqueei uma sobrancelha. Mulherzinha atrevida. Preciso enganar essazinha.
- Tudo bem. – dei um sorriso falso. – A senhora podia esperar até amanhã. Eu e meu irmão precisamos arrumar nossas coisas, nós despedir dos amigos, essas coisas. Se for possível, eu agradeço.
- Tudo bem. – ela me olhou desconfiada. Mas nem liguei. – E, é senhorita.
- Ah. Sinto muito... – ela me olhou irritada. – Quer dizer... É... Deixa pra lá. – sorri sem graça.
- Não tem problema. Não é defeito ser solteira. Mas enfim, deixa pra lá mesmo. Isso não é da sua conta. – ela pausou. – Eu espero até amanhã. Vou deixar o meu telefone com você. – ela me entregou um cartão. – Até amanhã. – e ela se foi.
Preciso fugir. É isso. Eu e meu irmão vamos fugir. Aja o que houver, eu não vou para um orfanato e não vai ser nenhuma ‘Senhorita Valentina’ que vai me obrigar a ir.
Fechei a porta e dei as costas, para ir a edícula. Mas os fantasmas, Bia e Pedrinho se adiantaram e vieram antes.
- O que aconteceu? Quem era? Você estava demorando e viemos atrás de você. – Daniel disse.
Ignorei suas perguntas e me dirigi ao Pedrinho:
- Pedrinho. Sobe agora, arruma as suas coisas, coloca numas malas, sei lá. Não precisa de muita coisa. Mas arruma agora, já. – eu disse autoritária.
- Mas, por quê? Eu... – o interrompo.
- Não discute comigo. Sou sua irmã mais velha. Me obedeça. Anda.
- Julie, o que está acontecendo? Me fala. – Daniel disse agora preocupado.
- É Julie. Quem era na porta pra você ficar assim? – Bia perguntou.
- Era uma mulher. Ela trabalha em um orfanato. Ela quer que eu e o Pedrinho vamos para esse orfanato. Mas eu não quero. Então eu pretendo fugir.
- Orfanato!? – todos indagaram em uníssono. – Como assim? – Daniel perguntou dessa vez.
- Como assim o que, Daniel? Você não sabe o que são orfanatos e pra que serve. – dei uma pausa. – Desculpa a grosseria mas eu estou nervosa. – dei outra pausa. – Anda Pedrinho. Você quer ir para o orfanato? Não né. Então anda depressa e arruma as suas coisas.
Pedrinho ficou parado, enquanto os outros me olharam atônicos. Coloquei as mãos na cintura encarando meio furiosa o meu irmão.
- Anda logo. – peguei no braço dele o forçando a subir a escada. Ele acabou indo pro quarto por conta própria.
- Calma Julie. Não precisa ser tão dura com o garoto. – Bia disse.
- Bia, não estou em condições de receber lição de moral, então não me enche.
- Como assim você vai fugir? E vai pra onde? – Daniel pergunta.
- Eu sei lá. Eu dou um jeito. Eu tenho um dinheiro guardado, o dinheiro do meu pai também está guardado, eu posso me virar muito bem por um tempo. Depois eu vejo o que eu vou fazer. E eu preciso da ajuda de vocês. Quero que vigiem a casa pra mim, enquanto eu não estiver aqui. Por favor, façam isso por mim?
- Olha Julie. Eu não concordo com isso. Acho melhor você aceitar ir para esse orfanato. Logo você faz 18 e sai de lá. É melhor do que ficar fugindo por ai, como se fosse um presidiário que fugiu da prisão. – Daniel disse.
- É. O Daniel tem razão. – Félix concordou.
- Não. Eu já tomei minha decisão. Eu não vou pra orfanato nenhum. Nem que me arrastem.
Subi pro meu quarto. Peguei uma mala e coloquei algumas roupas dentro. Peguei todo o dinheiro que eu tinha. Fui ao quarto que era do meu pai e peguei alguns cartões de banco. Talvez me sirvam futuramente. Depois das malas prontas, eu e Pedrinho voltamos pra sala encontrando olhares preocupados dos nossos amigos. Daniel me olhou e soltou um suspiro. Eu sabia que ele me repreendia nesse momento, mas eu não tinha outras opções. Ou era fugir ou ir para o bendito orfanato. Mas a segunda opção estava totalmente descartada. Sob hipótese alguma eu iria para esse orfanato. Só se me amarrassem e me puxasse pelo cabelo, se fosse preciso.
Bia me abraçou. Logo recebi um abraço dos fantasmas e do Daniel.
- Eu vou ficar bem. Acreditem em mim. Quando a poeira der uma abaixada, eu volto pra cá. Ok? – eles assentiram. – Vamos logo Pedrinho. Tchau e até breve.
Estava saindo e Dani pegou meu braço, me puxou para si e me beijou. Ficamos pouco tempo no beijo, mas foi tempo suficiente pra me fazer soltou uma fina lágrima de meus olhos. Ele logo a limpou. Sorriu para mim.
- Se você precisar, eu vou atrás de você. Ouviu? Vou te seguir aonde você for. – Daniel disse. Assenti.
Dali em diante, seria “Fugir, fugir e nada mais”. Eu estava disposta a correr todos os riscos. Na minha vida, ninguém vai se meter.
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