Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. E nesse capítulo as mina pira na fofura -nn Partes desse capítulo eu tirei de uma história real, a cena da sala de aula entre Lana e Lynn. Boa leitura.

Assim que vi aquilo, corri para a janela para ver se via alguém. Havia sim uma pessoa debaixo da árvore da nossa casa. Corri até o quarto de Kentin, para minha surpresa ele estava acordado.

– Tem alguém lá em baixo. – falei choramingando enquanto sacudia o braço dele.

– O que é que tem? – ele perguntou, fazendo cara azeda.

– O que é que tem?! – cruzei os braços, incrédula, sério que ele nem ligava? — Uma pessoa pula o portão daquele tamanho pra entrar no nosso quintal e você diz “O que é que tem?”.

– Posso dormir? – ele pediu revirando os olhos.

– Você nem estava dormindo. – fiz bico. – Vai lá embaixo olhar quem é.

– Eu não. – Kentin se recusou .

– Então você não vai? – fechei a cara olhando para as paredes. – Sendo assim, eu vou.

Peguei uma katana que estava em uma das paredes, ainda antes de sair do quarto dele, arranquei o pôster da mulher quase pelada e joguei no meio do corredor. Kentin nem ligou, nem deve ter visto também.
Desci as escadas e abri a porta da frente, tirei a katana da bainha já em postura de fazer um estrago em alguém.

– QUEM É VOCÊ? – bradei de longe com a katana nas mãos.

A pessoa que estava lá parecia nem ter me escutado. Cheguei mais perto.

“Aquele idiota! Isso era dever dele, não meu”. – pensei furiosa enquanto dava passos com cautela.

Cheguei atrás da árvore, dei uma olhada para ver quem era, além de estar escuro e frio, ainda não dava para ver quem era.

“Ou vai, ou racha”. – foi o que eu pensei.

Meu primeiro golpe foi um chute que eu achei que seria surpresa. Isso mesmo, “achei”. Eu não sabia nem quem era, mas defendeu o chute com a maior facilidade e me derrubou. Após isso não fez nada, agora dava para ver quem era a pessoa.

– Lysandre?! – arregalei os olhos.

– Oi, Lynn. – ele deu um sorriso.

Lysandre tirou os fones de ouvido e fechou o bloco de notas. Fiquei impressionada com os reflexos dele. Ele tinha me visto chegar?

– Oh! Você se assustou? – ele olhou para a katana que estava comigo. – O Kentin sabe que as vezes eu venho aqui.

– No meio da noite? – arqueei a sobrancelha. – Você pulou o portão?

– Não. Eu tenho o cartão. – ele mostrou o retirando do bolso.

O portão tinha um sistema de identificação de cartão. Kentin tinha um, eu tinha um, mas não sabia que Lysandre também tinha.

– Eu escrevo as melhores músicas debaixo dessa árvore, não sei por quê. – ele sorriu. – Não precisava vir aqui fora.

– É que... O Kentin não me contou... – expliquei sem graça.

– Oh... Ele deveria ter contado. – Lysandre voltou os olhos para o bloco de notas e escreveu algo.

– Ele deveria ter contado um monte de coisas. – resmunguei fazendo uma cara azeda.

“Pelo menos Kentin já sabia quem era, mas poxa... Bem que ele poderia ter falado, paguei o maior mico”. – pensei. – “Espera... Era isso que ele queria?!”.

– Você escreve muito? – perguntei, óbvio que ele escrevia, ele que compunha as músicas dele.

“E essa vai para a lista das perguntas idiotas”. – pensei batendo a mão na testa.

– Se eu escrevo muito? – ele parecia nem ter prestado atenção na pergunta. – Sim.

– É, eu já imaginava. Você já trocou o bloco de notas. – sorri.

– Lynn. – ele corou. – Aquele que você LEU. – ele pausou um pouco, dando ênfase em uma palavra fazendo uma expressão de aborrecimento por lembrar que eu tinha lido sem permissão. Logo ele desfez essa expressão e continuou. – Era um muito antigo. De uns dois ou três anos atrás...

“Como?!” – pensei. – “Então aquilo que eu li não era para mim?” – fiz uma cara de desapontamento, seria muito fofo receber uma poesia. Aliás, é fofo, eu já recebi uma música de Lysandre. Acho que era para mim, pelo menos.

– Algum problema? – ele perguntou observando as caras que eu fiz.

– Oh! Nenhum. – respondi rápido meio sem jeito. – Lysandre... – o chamei pensando se deveria ou não fazer aquela pergunta. – Você estava apaixonado quando escreveu aquelas coisas?

Lysandre parecia surpreso, corou para caramba e desviou o olhar. Será que eu tinha sido intrometida demais?

– Eu só estava saindo com uma menina. – ele respondeu sem me olhar.

– A menina da trança? – perguntei novamente de uma maneira intrometida.

– É, era ela. – ele respondeu novamente, dessa vez olhou para o bloco de notas e o fechou.

Certo, quem era a menina da trança? Era da Sweet Amoris? Nem sei o que pensar, o F4 é cheio de pessoas que vem e vão, viajam por vários lugares... Ele poderia ter conhecido ela em qualquer lugar, desde uma festa até um bar no meio da estrada da solidão.

– Ela não mora mais por aqui. – ele fez uma expressão pensativa. – Lynn, eu vou indo. – ele falou se levantando.

– Já vai? Está cedo. – falei gentilmente.

– Cedo? – Lysandre deu uma risada olhando para seu relógio de pulso. – Tem razão, são só três horas da manhã.

– Três horas...? – pensei que fosse mais cedo, imagina só o sacrifício que ia ser para ele acordar para ir à aula.

– Minha família tem insônia, é hereditário. Entende? – ele explicou com um sorriso. – Provavelmente eu nem irei mais dormir hoje. – suspirou.

– Certo. – devolvi o sorriso. – Na próxima vez que vier, não irei mais estranhar. Peço desculpas pelo... Chute. – cocei a cabeça dando uma risada constrangida, por dentro eu já pensava nas maneiras de matar Kentin. – Boa noite... E-er... Quer dizer... Bom dia. – continuei com a mesma cara de pastel, parecendo uma monga.

Entrei, tranquei as portas e me deitei na cama. Fiquei me revirando de um lado para outro na cama sem conseguir dormir. O resultado foi que quando eu cochilei e fui acordada por Kentin, eu me sentia simplesmente destruída.

– Anda menina! – ele falou me derrubando da cama. – Vamos! Vamos!

– Só mais cinco minutos. – murmurei me cobrindo com a coberta que tinha caído junto comigo.

– LYNN! – ele bradou me puxando pelo braço.

Kentin foi me arrastando até o banheiro, me colocou debaixo do chuveiro e o ligou com a água congelando. Sim meu jovem, ele me pôs de baixo do chuveiro com roupa e tudo.

– Vamos ver se você desperta agora! – Kentin saiu com cara de bunda e bateu a porta do banheiro.

Droga de Kentin! Agora eu tinha que por meu pijama no varal. Mais um trabalho e eu não estava com muito tempo para me arrumar. Corri de um lado para outro para me arrumar, ora fazia uma coisa, ora outra.

– Parece uma barata tonta. – Kentin debochou vendo minhas ações totalmente descoordenadas.

– Cala a boca e me ajude! – berrei.

Kentin revirou os olhos e veio me ajudar a arrumar a bolsa enquanto eu calçava os sapatos. Fiz tranças totalmente desengonçadas no meu cabelo. Não tinha tempo para fazer o café, então pegamos duas daquelas porcarias que Kentin sempre toma pela manhã. Kentin foi até a garagem e pegou o carro.

– Entra logo! – ele ordenou.

No meio do caminho eu acabei cochilando. Como não tinha chegado cedo e sim tarde, assim que cheguei, fui logo para assistir as aulas. Tudo parecia tão chato para mim.

– Lana. – a chamei. – Se a professora olhar pra mim, você me cutuca. – pedi. Apoiei o cotovelo na cadeira e o rosto na mão, fiquei dormindo sentada.

Já estava tirando um cochilo tão bom, quando Lana deu um tapa no meu braço e eu quase bati a testa na carteira, me alertei na hora.

– O que foi? – perguntei feito uma bocó olhando para os lados.

– A aula acabou. – Lana explicou fazendo bico.

– Me acordou para isso? – cocei os olhos.

– É a hora do intervalo. Você está meio pálida, não quer tomar um ar? – Lana interrogou, preocupada.

– Tá. – concordei e me levantei feito um zumbi.

Lana disse que queria que eu a acompanhasse até a biblioteca.

“Tomar um ar numa biblioteca, Dona Lana?” – pensei.

Sentei-me numa mesa qualquer perto da janela e me debrucei, tirei um cochilo daqueles. Acordei sentindo uns movimentos na minha cabeça. Levantei a cabeça bem devagar e vi Lysandre olhando para a janela enquanto mexia no meu cabelo.

“Por causa das tranças?” – pensei.

O bloco de notas dele estava aberto, havia alguma coisa escrita. Ele nem ao menos tinha percebido que eu tinha acordado, só olhava para a janela.

“Se a tarde está triste
com ar de que vai chover
não te esqueças de meus olhos
que choram por não te ver”. – li mentalmente a poesia no bloco de notas.

A situação se complicou quando ele olhou para mim na mesma hora em que eu corei. Lysandre deu um sorriso, fiz bico e desviei o olhar.

– Deveria estar na aula. – Lysandre sussurrou, por estarmos numa biblioteca.

– Aula? – o olhei começando a congelar.

– Sim, o intervalo já terminou há mais de uma hora. – explicou.

– Uma hora? – choraminguei.

– Sem problemas, eu não conto para o Kentin. – Lysandre disse gentil.

– Eu não ligo para o que aquele pastel pensa. – fiz bico desviando o olhar. – Ele está sendo muito irresponsável esses dias.

– Não acho. – Lysandre discordou.

– Não mora com ele. – argumentei fazendo uma cara azeda. – De qualquer forma, o que está fazendo aqui? Não deveria estar na aula também?

– Não sei se você sabe, mas o F4 não assiste aulas junto com o resto das pessoas. – ele informou tocando a ponta do indicador na ponta do meu nariz.

– Hei! Pare com isso. – reclamei rebatendo a mão dele.

– Desculpe. – ele deu uma risada. – Você ficou muito fofinha com essas trancinhas.

Corei, e corei MUITO, fiz bico. Para minha sorte, depois do intervalo só teria mais duas aulas para mim. No caso, eu nem estava perdendo muita coisa. Fiquei com Lysandre na biblioteca esperando o tempo passar.

– Por que está aqui na biblioteca? – perguntei.

– Por que está aqui? – ele rebateu a mesma pergunta para mim.

– Lana insistiu que eu viesse com história de que eu estava pálida e que precisava tomar um ar. – expliquei.

– Você está pálida mesmo. – ele falou meio aéreo olhando para a janela.

– E você? – insisti na pergunta.

– Gosto de vir para cá, é sossegado. – foi apenas o que ele disse ainda mantendo o olhar para a janela.

– O que está olhando? Tem alguma coisa interessante lá fora? – perguntei, curiosa.

– Teve um ano... – ele pausou puxando ar. – Que a escola teve a semana de preocupação com o meio ambiente. Eu plantei aquela árvore ali. – ele apontou levantando-se e indo até a janela.

Levantei-me para olhar, era uma árvore gigantesca.

– Você a plantou? – arregalei os olhos quando a vi. – Impossível! Olha o tamanho dessa árvore!

– Eu a replantei, ela já era meio grandinha quando eu a trouxe para cá. – explicou. – Onde ela estava não era um bom local. – acrescentou. – Sabe... A árvore do seu quintal também fui eu que a replantei.

– Oh... E onde ela estava? – interroguei ainda olhando para a árvore.

– É que estavam derrubando árvores para fazer uma estrada. – Lysandre contou com um tom triste. – Ainda consegui salvar algumas, entende?

– Sim. – respondi me debruçando um pouco na janela. – Hei Lysandre... – o chamei, meio receosa.

– Sim? – ele deu um meio sorriso sem me encarar.

– O Kentin estava com vocês ontem? – perguntei.

“Sinceramente, eu não acredito no que ele disse. Se ele estava com os meninos, o que eles estavam fazendo para Kentin chegar todo suado em casa? O tempo está congelante”. – pensei.

– Engraçado perguntar isso. – Lysandre me olhou com um sorriso mala no rosto. – Acabou de dizer que não liga para o que ele faz.

– Não, eu disse que não ligo para o que ele pensa. – corrigi.

– Ah, é mesmo! – ele brincou como se tivesse esquecido. – Ele estava conosco sim.

– E o que estavam fazendo? – insisti em perguntas, Lysandre apenas as respondia com um sorriso, como se estivesse apenas brincando comigo.

– Foi engraçado. – ele deu uma risada. – Estávamos jogando hockey e o Castiel caiu com a cara no chão.

“Deve ser sido muito engraçado ver aquele absorvente usado cair de cara no chão”. – pensei dando uma risadinha.

Quando fui para casa com Kentin, ele disse que iria na casa do Castiel, e depois disse que estariam todos indo lá para casa. Passou-se uma hora, então eu soube que eles não iriam voltar tão cedo. Estava muito frio lá fora, e eu queria tirar o excesso de roupa que eu estava usando. Aumentei o aquecedor e fiquei com um shortinho e uma blusa de alças.

Liguei o som em toda a altura e coloquei na minha lista de reprodução, e fui arrumar a casa só por cima, para não falarem que eu sou uma porca que deixa a casa parecendo uma zona. Kentin tinha quebrado um copo hoje mais cedo, juntei os cacos e joguei no lixo, coloquei os pratos na lavadora. Foi quando começou a minha música favorita.

–Gee gee gee gee baby baby baby. – eu cantava com a música enquanto dançava animadamente.

De repente vários meninos apareceram, como me pegaram desprevenida, eu tropecei e caí. Alexy me ajudou a levantar, Armin me lançava um sorriso pervertido, Lysandre só olhada com um olhar preocupado. Logo senti minha coxa sendo apertada.

– ME SOLTA, PERVERTIDO! – bradei empurrando Castiel.

–Tem vidro na sua perna. – ele falou me mostrando o caco que havia acabado de tirar.

– Gente, ainda bem que o Kentin não tá aqui. – Armin deu uma risada. – Ele ia acabar com você, Castiel.

Castiel virou a cara, Alexy risonho me levou até a cozinha e me ajudou a fazer os curativos na perna.

– Onde está o Kentin? – perguntei fazendo bico.

– Ele? Sabe que eu não sei... – arregalei os olhos. – Estou só brincando. – confessou dando uma risada. – É que ele parou no posto para abastecer, ele já vem. O Armin não quis esperar por ele e viemos na frente. Aliás, eu nem queria vir, mas o Kentin queria alguém para proteger você dos pervertidos.

– Armin e Castiel? – perguntei, claro que eram eles, só tinham eles dois.

– É... Castiel e Armin. – Alexy finalizou o curativo na minha perna com uma cara desconfiada.

Ainda era sobre aquilo do Lysandre ser pervertido? Claro que eu só pensei, Alexy não disse nada sobre isso. Se ele falasse isso sobre Lysandre, eu acreditaria. Alexy sempre sabe do que fala, por isso eu creio nele. Em Castiel? Não!

Os meninos ficaram na sala até Kentin chegar. Quando Kentin chegou, eu fui totalmente excluída de tudo, como sempre.

– Quem quer ir pro ofurô? – ouvi a interrogação de Kentin vir do corredor.

– EU QUERO! – Alexy gritou bem alto.

– Hei, nada de ficar com olhares esquisitos. – Castiel falou com um tom de incomodo.

Eu comecei a dar risada dos meninos enquanto trocava mensagens com Lana, acabei contando isso para ela também. Fiz umas lições de português que eram para amanhã. Quando eu terminei já era tarde da noite. Todo mundo já deveria estar dormindo.

Espreguicei-me, fui tomar banho e depois fui até a cozinha tomar água. Assim que fui saindo, Castiel chegou e me agarrou pelo braço.

– O que está fazendo? – perguntei tentando puxar meu braço.

– Por que você gosta de todos eles, menos de mim? – Castiel parecia zangado. – Por que me odeia tanto?

– Do que está falando? – estranhei. – Me solta!

– Você viaja com o Armin, fica se escondendo na biblioteca com o Lysandre, fica na banheira com o Kentin, BEIJA o Alexy, e a mim você só despreza. – ele bradou apertando meu braço. — Por que você me odeia tanto? – ele insistiu a pergunta.