A Órfã Doce

50 Observatório


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Não sei se eu já coloquei gif aqui na fic, mas eu não sei se pode colocar '-' Eu olhei nas regras e não falava nada sobre gif, apesar de que gif é um formato de imagem e o gif não está violando as regras de imagem. Boa noite.

– Você me ouviu dizer que te odeio? – resmunguei.

– Fale alto! – ele insistiu. – Acha que eu vim aqui para ouvir você resmungando?

– Quem você pensa que é? O papa? Pra quê tanta marra? – finalmente consegui puxar meu braço.

Fui surpreendida com uma tentativa de Castiel me beijar, o empurrei de leve e virei o rosto.

– Ficou maluco? – bradei. – Por que está fazendo isso?

– GOSTO DE VOCÊ! – ele exclamou em alto e em bom tom, logo ele se aproximou querendo voltar a tentar me beijar.

Um taco de beisebol encostou no peito de Castiel o impedindo de avançar.

– Não, você não gosta da minha irmã. – Kentin falou calmamente enquanto ia empurrando Castiel para trás com o taco. – E se não quer levar um sacode, sugiro que não chegue perto dela. – ele ameaçou.

Kentin me puxou pelo braço e subiu as escadas. Havia só três quartos abertos e o banheiro. Kentin me levou até meu quarto, entrou comigo e fechou a porta.

– Quero ver se ele vem pra cá. – Kentin sentou-se na cama com o taco nas mãos.

Eu me deitei, fiquei de olhos abertos um bom tempo. Castiel... Quem ia imaginar? Alexy! Ele me falou sobre isso no halloween antes de ficar bêbado, mas... Ele disse que talvez fosse só impressão dele.

“Os presentes, a mudança de comportamento dele...” – pensei colocando a mão na cabeça, tudo se completava agora. Apesar de que uma coisa ainda estava meio confusa. Os presentes que ele me dava eram bem antes de Angela vir para cá, e ele era perdidamente apaixonado por ela. Talvez Castiel fosse agradecido demais. Armin disse que Castiel era desesperado por qualquer tipo de afeto, talvez ele quisesse mais alguém do lado dele... Mas francamente, eu não achava que ele ia tentar algo como aquilo.

– Você está bem? Ele fez alguma coisa com você? – Kentin perguntou assim que viu que eu não estava com uma cara normal.

– Estou bem. – respondi. – Não precisava fazer aquilo. – disse calmamente, para evitar mais a confusão.

– Claro que precisava. Ele tentou te agarrar! Aquele pervertido! – Kentin fez cara azeda.

– Kentin. – chamei a sua atenção dando um leve suspiro no final. – Quantas meninas você já beijou? – Kentin olhou para cima por uns segundos, estava contando? Foram vários segundos, ele devia estar contando e deveria ter perdido a conta nessas alturas do campeonato. – Castiel só beijou a Angela. Agora olhe para mim e diga sinceramente quem é o pervertido entre vocês dois.

– ELE! – Kentin exclamou, bati a mão na testa. Ele fez uma cara desconfiada, ignorei.

“É o mesmo que falar com uma porta”. – pensei virando de lado para dormir.

No outro dia quando acordei, Kentin não estava do meu lado, e ao andar pela casa concluí que de fato ela estava vazia. Sim, nem Kentin estava lá. Espreguicei-me e fui pensar em algo para fazer. Chamei Lana para ficar comigo, já que era feriado.

– É verdade mesmo que ela escreveu no seu caderno? – Lana perguntou ansiosa para ver. – Onde está?

– Lana, tenho coisas mais importantes para te falar. – fiz bico.

Lana foi correndo até meu quarto folheou meu caderno até achar a mensagem de Miki.

– Meu Deus... Isso é incrível. – Lana admirou-se passando os dedos no papel.

– Lana, o Castiel disse que gosta de mim. – Lana me olhou rapidamente e ficou boquiaberta, pareceu estar mais chocada do que eu, soltou o caderno e me encarou de olhos arregalados.

– Eu ouvi bem? – fiz que sim com a cabeça. – Ah meu Deus! Isso é uma catástrofe mundial.

– Não seja exagerada. – revirei os olhos.

– Fala sério! – Lana exclamou. – Você pensa em ser a namorada do Castiel?

“Para falar a verdade, eu nem pensei nisso...” – pensei.

– Eu não sei. – confessei.

– Acorda, Lynn! – Lana segurou meus ombros. – O Castiel foi o menino que humilhou você na escola até você chantageá-lo para ele parar.

Como Lana sabia? Eu contei sobre o que Castiel fez, mas não me lembro de ter contado nada sobre chantagem. Depois que eu a encontrei, eu simplesmente a contava tudo. Contei tudo o que aconteceu e tudo que acontecia. Ela também fazia isso. Apesar de que eu desconfiava que ela estava gostando de alguém, mas não me contava por algum motivo. Talvez fosse só coisa da minha cabeça.

– Eu sei! Eu sei! – murmurei encarando o chão. – Eu estou mais surpresa do que você pensa.

– É, alguém mais surpresa que você não há. – Lana disse em um tom sarcástico.

– O Kentin viu... – nem ao menos terminei a frase e Lana já me cortou com os olhos arregalados.

– E você me chamou de exagerada! Vai ser pior que o Nazismo e a Guerra Fria! Eles vão fazer o inferno na terra. – Lana balançou os braços, eufórica. – Se eles dois já não se dão muito bem, imagina agora.

– Kentin é muito chato. – fiz bico. – Como se eu falasse das meninas com quem ele sai.

– Bem... – Lana corou um pouco. – Na biblioteca... Quando você dormiu... Eu tive uma conversa com Lysandre...

– O que falou com ele? – perguntei quase que exigindo que ela falasse.

– Eu tive uma conversa civilizada com ele. – Lana ressaltou esse ponto. – Depois eu fiz umas perguntas, sem parecer muito curiosa. Estava preocupada sobre aquele boato, perguntei se algum dos meninos do F4 estava saindo com alguma menina. Fiz várias perguntas, mas tive uma preferencia em saber mais coisas sobre Kentin.

– E o que ele disse? – perguntei rapidamente, como se a minha vida dependesse da resposta.

– Ele disse que não sabia de nada sobre o Kentin estar saindo com garotas, Lysandre disse que normalmente Kentin se gaba disso. – Lana explicou. – Como ele não falou mais nada, Lysandre acha que ele não está saindo com nenhuma menina no momento. – acrescentou. – Mas continue de olho. – Lana por fim aconselhou.

É engraçado ter uma conversa desse jeito, parecia até que algum deles era meu namorado para eu estar nessa preocupação toda, mas... A gente não se preocupa só com namorado. Lana era uma pessoa altruísta, disso eu não podia negar, ela mal conhecia o F4 e já se preocupa com eles. É uma preocupação diferente das outras meninas da escola. Elas querem aparecer, Lana só quer ajudar. Assim como eu, mas ela tem um coração mais bondoso.

– Oh, Lana! – exclamei lembrando-me de algo. – Eu tenho que ir lá fora na caixa de correio pegar a revista de Kentin e da tia. Ele pediu para que eu ficasse pegando caso ele esquecesse. E como ele burro, ele deve ter esquecido.

Era cedo, umas oito horas para ser exato. Eu ainda não sabia onde Kentin estava, e admirei-me por Lana vir assim que chamei, ela não costuma acordar cedo em feriados ou em finais de semana.

Assim que peguei o jornal e as revistas, olhei para a casa a frente onde tinha alguém tirando a neve da calçada. Cocei os olhos, estava vendo errado?

– Nathaniel? – o chamei, logo ele me olhou e sorriu.

– Que surpresa, Lynn! – ele exclamou atravessando a rua e vindo até mim. – O que... – ele corou pausando um pouco. – O que está fazendo na casa do Kentin?

“É verdade, quase ninguém da escola sabe que agora somos irmãos”. – pensei mordendo o lábio.

– Vocês estão saindo? – Nathaniel corou.

– Não. – neguei balançando a cabeça. Era Nathaniel, eu estive com ele numa fase difícil, ele com entenderia a situação. – É que a mãe dele me adotou, estou morando aqui agora. – expliquei.

– Que coisa boa! – Nathaniel sorriu. – Minha mãe já falou dela. Disse que ela sempre foi uma ótima vizinha, pena que sempre foi ausente também.

É claro que ele diz isso, a mãe dele não devia morar aqui quando a Tia pirou na batatinha. Ou morava, e ela não contou a Nathaniel. De qualquer forma, era melhor deixa-lo pensar assim. Se as informações vazaram para mim no maior esforço, para os vizinhos é que não sairiam fáceis, ainda mais porque eles não precisam saber de nada.

Logo entrei para casa, Lana ainda estava lá no meu quarto. Fiz um chocolate quente para nós duas. Combinamos de sair amanhã à noite, havia uma loja que Lana queria me mostrar. Ela falou que era uma loja mística e que queria me mostrar um banho que espanta energias negativas. Lana tinha todas as macumbas dela, Lysandre tinha a dama da sorte, agora eu tomaria banho em água de macumba para não ser tão azarada. Eu disse isso a ela, mas ela sabe que é apenas zoação da minha parte.

– Aonde vai? – Kentin perguntou assim que me viu arrumada.

– Sair. – respondi indo em direção à porta.

– Sair?! – Kentin colocou a mão na porta, bloqueando a passagem. – Você não vai sair.

– Posso saber por que eu não posso sair? – cruzei os braços.

– Por que você me mandou não sair, se eu não saio, você também não sai. – Kentin cruzou os braços assim como eu.

– Você saiu mesmo depois que eu disse para não sair. – retruquei. – E eu nem forcei a barra para o seu lado.

– Não vai sair. – ele repetiu, arqueando a sobrancelha.

– Eu vou sair com a Lana. – expliquei, já começando a perder a paciência.

– Como não me garante que vai se encontrar com o Castiel? – Kentin virou a cara. – Não vai sair.

Kentin virou-se de costas, dei um soco nele, seguido de outro que foi defendido.

– Você é muito pirralha mesmo! – Kentin exclamou. – Vai pro seu quarto. – ele falou soltando minha mão e apontando para cima, onde ficava meu quarto.

– Com prazer. – respondi com um sorriso.

O agarrei pelos ombros e dei uma joelhada... Exatamente aí! Deixei-o lá e fui para meu quarto. Quem ele pensava que era? E aquela história sobre o Castiel, que desculpa! Ele sabe que eu não gosto do Castiel, aliás, eu não gosto de ninguém. Liguei para Lana dizendo que não ia com ela por causa do mala do Kentin.

Fiquei sem falar direito com ele por três dias, por mim, merecia outro chute! No final da aula, fui colocar minha roupa da educação física no armário do vestiário.

– Hei Lynn. – uma voz masculina me chamou. Olhei para os lados, um menino no vestiário? – Que dar uma volta comigo?

– Armin? – arqueei a sobrancelha. – Sabia que é proibida a entrada de meninos aqui? – revirei os olhos.

– Sério? – ele sorriu safado. – Da ultima vez que eu vim, uma menina fez um strip pra mim.

– Aonde vamos? – perguntei já cortando a safadeza dele, batendo a porta do armário.

– Sei lá, eu só queria irritar alguém. – Armin bocejou.

– Escolheu me irritar ou irritar o Kentin? – dei um meio sorriso.

– Pague um leve dois. – ele deu de ombros.

Fomos ao observatório, as pessoas não vão muito a esse tipo de lugar, ainda mais durante O DIA.

– Estava sem criatividade? – perguntei enquanto comprava uma latinha de refrigerante numa máquina.

– Aqui é quieto. – explicou. – Eu soube o que aconteceu ontem. Cara, que vacilo!

– Quem contou? – perguntei indiferente tomando um gole do refrigerante.

– Ninguém. – Armin corou. – Sabe Lynn, eu sempre fui o tipo de pessoa que... Sempre fala tudo que pensa, entende?

– Que bom. – respondi desinteressada. – Poderia me dizer por que me trouxe aqui?

– Ontem eu vi na hora que você saiu do quarto até a cozinha, eu ia atrás de você, mas o Castiel foi primeiro. – Armin confessou, agora aquilo tinha me deixado confusa.

– Por que ia atrás de mim? – perguntei.

– Você é muito lenta, Lynn. – Armin corou e revirou os olhos. – Castiel gostava de você há muito tempo, aquilo se via de longe, e eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele ia criar coragem para falar ou tentar fazer alguma bobagem.

– Certo... – pausei um pouco. – Mas ainda não entendeu por que me trouxe aqui.

Armin deu um suspiro alto, mordeu o lábio inferior e me encarou. Armin se aproximou do meu ouvido, me fazendo corar.

– Eu estou te devendo algo, certo? – ele sussurrou, arregalei os olhos, ainda mais corada.

– Como o que? – perguntei imóvel ainda com a mesma expressão. Como ousei perguntar aquilo?

“Sobre a viagem?” – pensei. – “Claro Lynn, sua burra”.

Armin fez uma expressão que me ajudou a saber do que ele estava falando, corei, e não foi pouco. Juro que tentei falar alguma coisa, mas a voz não sabia, abri a boca, apenas saia um bocado de ar sem som nenhum. Quando finalmente tomei forças, fiz uma pergunta mais idiota ainda.

– Está falando algo em relação a um beijo? – pronto! Senhora e senhores, apresento a pergunta mais estúpida do universo.

Agora se dava a impressão de que eu estava querendo. Armin estava meio corado, mas deu um sorriso divertido. O que ele tinha em mente?