A Órfã Doce
79 O surfista
Notas iniciais

Na hora em que eu quis tirar minhas dúvidas, Alexy mudou de assunto.
– Vai ter um luau, você está sabendo? – Alexy coçou a cabeça, sem graça.
– Alexy! – fiz bico. – Você não vai me responder?
– É que... Lynn, essas coisas são complicadas. – ele corou. – Eu não posso contar esse tipo de coisa para você.
– Só estou perguntando quem é o surfista. – fiz bico. – Pode me responder pelo menos isso?
– É um... – Alexy desviou o olhar. – Um maconheiro.
Meu queixo desceu até o chão. Isso explicava o porquê de Castiel não querer o pessoal daquela parte da ilha adentrando na parte da ilha correspondente a ele.
– Mas não pense que os outros são como ele! – Alexy balançou as mãos tentando explicar.
– Eu sei que não são. – falei, com a imagem de Dajan na cabeça. – Mas a maconha foi legalizada. Em quase todo o planeta, até mesmo aqui. Por que o Castiel fez tanto drama?
– É que esse garoto já usava bem antes de ser legalizado. Digamos que ele não só consome. E ele tem outras coisas ilegais.
“Um traficante”.
– Espera um minuto... Mesmo que ele ou qualquer outro viesse para essa parte da ilha, o que eles iriam fazer aqui se aqui não tem quase ninguém?
– Bom... – Alexy coçou a cabeça.
“LYSANDRE!” – uma bomba relógio explodiu na minha cabeça. Ele e o irmão dele, foi nessa ilha! O surfista vendia as drogas para ele e o irmão dele. Eu tinha certeza disso.
– Não posso falar sobre isso, Lynn. – Alexy fez careta. – E também, não tem importância e nem sentido em falar sobre esse tipo de coisa. Já passou.
“Eu tenho razão!”.
– Eu só queria saber o porquê de vocês esconderem tantas coisas de mim! Acha que eu não suporto a verdade?!
– Hei! Eu não disse isso! – Alexy fez cara feia. – Se deixasse de ser tão curiosa, quem sabe as pessoas confiassem mais em você. Você fica pressionando todo mundo!
– É uma tremenda mentira! – exclamei zangada. – Sim, eu já tive minhas curiosidades e já cheguei a perguntar, mas nunca pressionei ninguém! Você me contou seu segredo mais profundo, então por que acha que eu não mereço confiança?
– Eu não te contei isso porque confiava em você. Você acha que eu iria confiar numa estranha?! Te contei porque estava vulnerável demais na época. Além do mais, que outra desculpa eu poderia arrumar?
Rangi os dentes. Fiquei quieta para não causar mais confusão. Alexy estampou uma feição neutra na face, colocou o colar no pescoço e disse que tinha que ir.
Fiz bico. Aqueles meninos pareciam ser bipolares. Uma hora estava tudo bem, já outra, não estava. Talvez, quem sabe, esse humor oscilasse por causa de algo que aconteceu. Mas ninguém me conta, então eu não posso entender.
Fiquei pensativa sobre o que Armin havia me falado quando estávamos no meu quarto. Usei a desculpa de “Castiel está na ilha”. Foda-se o Castiel. Armin acha mesmo que eu ia me esfregar com ele quando ele e Lana estão saindo? Até parece! Porém, quando ele disse que o Castiel não merecia nem uma segunda chance, ele estava certo. Mas... Eu prometi a mim mesma que pelo menos o toleraria um pouco. Ele assumiu uma culpa que não tinha nada a ver com ele, ele voltou pra tentar reatar, ele me trouxe para essa ilha.
“Do que adianta? Quando chegar outra garota, ele te deixa em dois tempos”. – pensei comigo. – “Assim não dá, Lynn. Não pode gostar de carinhas assim. Bom... Pelo menos você não tem que ficar se preocupando em dispensar o Castiel. Ele fará isso primeiro.”.
Eu ainda estava com a playboy da Angela. Ela estava dentro da minha mala, num bolso secreto. Nunca que eu deixaria Kentin por as mãos naquela revista. Ele até poderia comprar outra, mas a revista vendeu tanto, que se esgotou. Quem não quer ver uma lutadora de boxe, e namorada do filho do presidente, pelada? E ainda mais, com o dinheiro da playboy, ela fez doações para orfanatos e abrigos de animais. Com toda certeza eu posso afirmar que Angela não é uma mulher que precise fazer um ensaio fotográfico para ganhar dinheiro. Ela tem o cinturão há quatro anos consecutivo, não tem nem perigo da carreira dela despencar.
Estava no meu quarto, deitada. Toda descabelada. Minhas pernas doíam um pouco. Talvez porque eu tinha andado demais pela praia.
– Lynn! – exclamou uma voz batendo na porta. – Está pronta?
– Pronta? – interroguei.
– Para o jantar.
– Jantar?
– Sim! O jantar! Você concordou que iria jantar comigo. Você não esqueceu, esqueceu?
Castiel, era Castiel.
“Certo! Calma. Espera!”. – comecei a me desesperar enquanto andava rapidamente de um lado para outro dentro do quarto. – “Droga, Lynn! Concordou com isso!”.
– Não! Eu não esqueci. – gritei de volta. – Ainda estou me arrumando. Daqui a vinte minutos eu saio!
– Vinte minutos?! – ele se queixou. – Mas eu marquei o horário com você!
– É que eu não ajustei o relógio!
– Certo. Eu vou ali e venho já!
Peguei a tolha e corri para o banheiro. Será que ele iria me levar ao tal luau antes de Alexy? É, eu fiz muito mal em não escutar o que Castiel me falou. Corri do banheiro e revirei minha mala em busca de algum vestido. Assim que o coloquei, fiquei de frente ao espelho.
“Espera um pouco”. – coloquei meu antebraço no meio da barriga, apoiei o cotovelo do braço esquerdo na mão direita.
– Não. Eu não posso jantar com o Castiel parecendo o Lysandre.
Retirei o vestido e revirei a procura de outro. Não havia problema com aquele vestido, só que para a ocasião, seria meio estranho. Pelo menos se nós fossemos realmente para um luau, como Alexy havia falado.
Castiel apareceu depois dos prometidos vinte minutos. Eu nem havia me arrumado direito, mas já estava decente para sair.
– Não vai por uma maquiagem? – ele perguntou franzindo a testa.
– Não preciso. Eu não sou feia. – fiz bico.
– Eu não disse que era. – ele fez uma cara azeda. – Ainda bem que não vai se pintar. Não quero ficar plantado aqui, esperando.
Tranquei a porta do meu quarto. Não havia bolsos no meu vestido, então coloquei a chave do quarto dentro da bota.
– Por que não coloca no seu enchimento? – ele debochou olhando para meus seios.
“Deveria colocar no meio dos seus chifres”. – minha resposta mental me pareceu o suficiente. Apenas dei um suspiro e revirei os olhos. Nem sei como não havia tirado meus olhos de órbita, eu os revirava tanto enquanto ouvia as bobagens de Castiel, que já estava esperando que isso acontecesse.
Realmente era o tal luau. Com umas mulheres dançando em cima do palco com umas saias de capim e um biquíni que cobria os seios, aqueles que parecem um par de cocos. Havia várias mesas com muitas pessoas, pessoas que eram visitantes da ilha.
– Só para constar, não estamos na nossa parte da ilha. – Castiel lembrou lançando um olhar paranoico para os lados, como se alguém estivesse ouvindo. – Então não é uma boa ideia você ficar sozinha.
“Certo”. – pensei apoiando meus cotovelos na mesa e meu rosto nas mãos. – “Hora de arrancar informações”.
– Não entendo o porquê de toda essa fixação com o pessoal da ilha. – fiz bico.
– Poderia me explicar?
– Não. – ele foi curto e grosso. Lançando o olhar para o rebolado das meninas do palco.
– Hei! Como você me chama para jantar e fica se recusando a falar comigo?!
– Não estou recusando. – Castiel retrucou sem me encarar.
– Hei! Hei! – exclamei alto para chamar sua atenção. – Eu sei que isso tem alguma relação com o Lysandre! Se não quer me contar, eu mesma o procurarei e perguntarei.
– Ele não está aqui! – Castiel respondeu com cara feia. – E você está em um encontro comigo. Por que iria atrás de outro garoto?
– Um encontro?! – arregalei os olhos. – Você só pode estar brincando!
– Você aceitou! – ele corou.
– Castiel, para ser sincera, eu não ouvi uma palavra do que você disse. – confessei.
Em poucos segundos, eu vi a cara de Castiel ficar parecida com algum monstrinho de algum RPG que eu já joguei em algum tempo quando era irmã da Lana.
– COMO PÔDE FAZER ISSO?! – ele berrou.
– Não grita! As pessoas estão olhando.
– ENTÃO EU ESTOU GRITANDO COM VOCÊ, LYNN! É ISSO?
Bati a mão na testa, revirei os olhos novamente. Estava simplesmente vermelha de vergonha. Castiel se calou, quando eu o olhei, ele estava com um sorriso mala no rosto.
– É isso que você ganha por não me escutar. – ele debochou.
No final, nem com raiva ele estava. Não passava de um teatrinho para conseguir me envergonhar na frente das pessoas. Na verdade, acho que Castiel foi a pessoa que mais me fez passar vergonha na vida. Qualquer dia eu poderia dar uma bolacha na cara dele por causa disso.
Castiel falou algo sobre uns drinks enquanto eu observava umas garotas de outra mesa me olharem e rirem entre si.
– Você quer um? – Castiel perguntou.
– Sim. – respondi.
Castiel se levantou e foi até o bar do luau, que ficava um pouquinho distante da nossa mesa. Encarei os lados a procura de algo que me entretece. Meu olho parou direto na mesa das sobremesas. Meu estomago começou a me implorar por açúcar. Quando me aproximei da mesa, meus olhos ficaram passeando pelos bolos de frutas, que eu nunca nem ouvi o nome na vida.
– Oi, garota. – um loiro cumprimentou.
– Oi. – respondi sem dar muita atenção, mas meu coração acelerava. Ele tinha um estilo de surfista. Será que era o surfista maconheiro do qual Alexy falou?
– Uma garota linda como você não deveria estar sozinho numa festa como essas. – ele sorriu.
Admito que fazia muito tempo que eu não interagia com garotos assim, ainda por cima, garotos desconhecidos. Antes eu mandaria ele ralar peito facilmente, mas parecia que havia esquecido de como se fazia isso.
– Sabe, nós podemos dar umas voltinhas...
– Já escolheu o bolo, Lynn? – uma mão quente repousou em meu ombro. Além da voz, o reconheci pelo cheiro.
– Sim, Lysandre.
– Por onde andou, estava te procurando. – o loiro sorriu. – Quando o Dajan falou que a pomba menstruada estava na ilha, eu sabia que você também estava. É sua namorada? – ele perguntou apontando para mim. Já tinha tomado ar o suficiente para negar.
– Sim. – Lysandre confirmou pegando em meu braço. – Bom, temos que ir. Até outra hora.
– Certo. A gente se esbarra por aí.
Lysandre saiu me puxando pelo braço, além de certa grosseria no toque dele, havia uma cara bastante feia.
– Estava sozinha? Ninguém te avisou que não é bom para você que fique sozinha por aqui? – Lysandre encheu o tom de voz com aquele jeito de dar sermões, aquele que se parecia com o tom que Lana usava.
– N-não. Eu estava com o Castiel e ele saiu para pegar uns drinks. Eu só queria um bolinho e...
– O que houve? – Castiel perguntou se aproximando.
– Da próxima vez, cuida dela direito. – Lysandre largou meu braço e saiu pisando duro.
– O que deu nele? – cochichei para Castiel.
– O simples fato de você ser uma tonta e teimosa, tira a paciência de qualquer um. – Castiel fez careta.
Voltamos para a mesa. E eu tinha uma leve impressão que Lysandre tinha agido daquela maneira por causa da presença do surfista.
“Poxa. Esse cara é tão ruim assim?” – pensei. – “Um traficante, Lynn! Um traficante que vendia drogas para o Lysandre!”. – bati a mão na testa.
Mesmo que aquele fato tivesse sido exposto, eu não conseguia processar e muito menos aceitar que Lysandre já fez esse tipo de coisa. Isso meio que cortava meu coração.
FLASH BACK ON
– Certo. E essa aqui é a Vênus.
– Onde?
– Aqui. Pode olhar.
– Nossa! Incrível!
Alguns dias depois do meu aniversario, Lysandre passou na minha casa durante a noite. Isso porque Kentin disse que não conseguia montar o presente que Lysandre havia me dado. Sim, era um telescópio.
– De onde tirou a idéia de me dar um telescópio? – dei um sorriso curioso.
– É que Armin sugeriu isso quando conversamos sobre o seu presente. Ele falou que você gosta de ver as estrelas.
Senti uma pontada de culpa. Na mesma hora, me lembrei do ocorrido no observatório. Passei a mão nos lábios discretamente, como se estivesse limpando algo. Me lembrei exatamente como foi o beijo que Armin me deu naquele dia. Eu só tinha que me conformar com o que eu havia feito.
FLASH BACK OF
Alexy, Armin, Castiel e Lysandre. As vezes eu me sentia como uma vadia por ter beijado todos eles. Mas olhando por outro lado, se eu fosse um garoto, me chamariam de pegador, e não de vadia. Até hoje eu me pergunto o porquê das coisas serem diferentes quando são garotas quem fazem.
Eu tinha que sentir o que eu achava que tinha que sentir. Às vezes eu me arrependia, as vezes não. Por que eu tinha que me arrepender? Nunca namorei ninguém, nunca traí, e só disse que gostava do Castiel. Apesar de que depois, ele jogou tudo fora. Mesmo assim, às vezes eu ainda me sentia um pouco culpada. Deveria estar com Lysandre, mas não estou. Talvez ele nem queira conversa com uma garota patética como eu. O que o motivou ir à minha casa depois do acidente, foi remorso.
– Esse aqui é de morango. – Castiel apontou para um dos drinks. – E esse outro é de...
Mal ele havia terminado a frase. Assim que a borda da taça encostou nos meus lábios, foi questão de menos de dois segundos para a bebida sumir.
– Não é assim que se toma drinks. – Castiel fez cara feia.
– É assim que eu os bebo. – retruquei.
– Não. Foi assim que te ensinaram a beber, isso sim! – Castiel corrigiu. Deveria estar se referindo ao “professor” Kentin.
– Então você marcou um “encontro” comigo para me ensinar a beber drinks? – arqueei a sobrancelha.
Castiel negou, estava meio corado. Eu tinha que fazer uma cara melhor e ser mais tolerante. Eu meio que devia uma a Castiel, por culpá-lo por algo que ele não tinha culpa. E não só por isso... Eu não queria que a doença atacasse de uma vez, e quem sabe, me deixasse muda, sem nem ao menos ter deixado boas lembranças.
Ao mesmo tempo, eu me sentia mal por causa de Lysandre. Eu tinha total consciência de que eu não tinha feito nada de errado. Mas mesmo assim eu me sentia MUITO culpada por magoar Lysandre. Se é que ele estava magoado. Não sei se ele percebeu, mas não há nada entre mim e Castiel. Talvez depois fosse uma boa idéia esclarecer isso com Lysandre.
Eu jantei com Castiel, o luau acabou no outro dia, nas horas preguiçosas do inicio da madrugada. Estava tudo escuro quando as pessoas se moviam preguiçosamente de volta aos seus quartos. Naquele luau eu não tinha visto ninguém conhecido, além de Castiel e Lysandre. Fiquei me perguntando onde os outros estariam.
“Será que Lana saiu com Armin?” – pensei.
– Foi legal? – Castiel perguntou com um sorriso no rosto.
– Sim. – não satisfeito com a resposta, ele propôs que nos passássemos em algum lugar do qual ele falou. Ele falava rápido, e era meio difícil de capturar todas as informações.
Era um lago, provavelmente artificial. Não que eu entenda muito sobre geografia, mas eu acho que não há lagos naturais em Madagascar. Castiel se agachou para retirar os sapatos, o que me chamou a atenção foi o sorriso mala no rosto dele. E logo eu entendi o porquê. Castiel deu um pulo perto da lama. Uma borrifada de lama sujou completamente a barra do meu vestido e as minhas pernas, e como se não fosse o suficiente, ele recuou um pouco, com a água batendo mais ou menos no meio da panturrilha, deu um chute contra a água na minha direção. E lá estava eu, suja, com a cara molhada e toda emporcalhada, graças a Castiel. Não seria muito maduro da minha parte aderir a “brincadeira”, mas eu não ligava para maturidade. Só queria quebrar a cabeça dele com um cascudo.
Agachei-me para tirar as botas enquanto Castiel continuava a jogar água em mim. Assim que as tirei, levantei-me bruscamente com a mão em direção ao cabelo de Castiel. Se eu alcançasse, com toda certeza arrancaria no que pegasse. Para se “defender”, ele deu uns passos para trás. Além de ir para trás e tropeçar, ele agarrou nos meus braços para ter como se apoiar. E como eu não tinha no que me apoiar, caímos os dois. Meu pobre cabelo, além de molhado, estava sujo.
Apesar de estamos todos molhados, Castiel continuava a rir. Fiz bico. Me levantei e estendi a mão para ele. Castiel levantou-se enquanto analisava o “estrago”. Um vestido branco em contato com a água, não preciso falar mais nada.
– Isso é tudo culpa sua! – resmunguei. Acomodei uma parte do tecido entre as mãos e espremi. – O que está olhando?!
– Desculpe. – ainda fazendo cara feia, fiz que sim com a cabeça, como se fosse uma forma de aceitar as desculpas. – Mas não foi por isso. – ele apontou para meu vestido dando uma pequena risada abafada. – Eu faria de novo.
– Então por que está pedindo desculpas? – me apressei.
Castiel segurou meu braço e me puxou para que ficássemos frente a frente. Nesse puxão, ele quase me derrubava, pois as pedras do lago estavam meio escorregadias. Uma de suas mãos deslizou nas minhas costas, e ele me beijou. Foi um beijo roubado. Mas quando eu apertei seu braço, ele entendeu que estava na hora de parar com a palhaçada. Ele não era maluco para continuar com aquilo, e se fosse, eu curaria a loucura dele na base do tapa!
– Entendeu por que eu pedi desculpas? – ele deu um sorriso encarando o chão.
– Quer que eu te leve até o seu quarto?
– Não quero, mas não tenho escolha. Não sei o caminho. – fiz bico.
Eu me sentia estranha, e furiosa por dentro. Eu não queria reatar com Castiel, apesar de que nós nunca nem tivemos um namoro para querer “reatar”. Não tem como reatar algo que nunca sequer existiu. Achei melhor ficar de bico fechado sobre isso. Eu não contaria a Lana enquanto estivéssemos na ilha, e, principalmente, não contaria para Kentin.
Digamos que Kentin não fica muito tranqüilo quando lembramos que Castiel me magoou por causa da Debrah. De qualquer forma, eu acho que não é toda coisa que eu faço, que eu tenho que contar para ele. E pensando bem, ele deve ter o mesmo pensamento.
Passei o caminho com as botas na mão, tendo o máximo de cuidado para não perder a chave. Quando cheguei, abri a porta o mais rápido possível e dei um “tchau” apressado e seco para Castiel. Fiquei olhando pelo olho mágico da porta, ele ficou parado por uns segundos, deu um sorriso bobo e saiu.
Suspirei. Tinha que tratar de trocar aquela roupa molhada antes que pegasse um resfriado. Tomei um breve banho e coloquei uma roupa para sair de manhã, já que eu pretendia cochilar por poucas horas. Joguei-me na cama e fechei os olhos.
Minutos depois, escutei batidas na porta. Levantei fazendo corpo mole, quem seria? Não fazia nem meia hora que eu havia me deitado. No mínimo deveria ser Castiel.
– O que é que você...
– Shh! – a mão de um loiro tapou minha boca com a mão. Além disso, me empurrou para dentro do quarto e fechou a porta. – Então a gatinha do Lysandre é uma vadia traidora? Tsc! – ele me empurrou contra o chão. – Eu posso te ensinar uma coisa ou duas. Mas eu vou te ensinar que: se você se comporta como uma puta, merece ser tratada como uma.
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