A Órfã Doce

80 O primeiro beijo


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Primeiramente eu queria iniciar falando que fiquei MUITO feliz com as recomendações e que achei cada uma mais fofa do que a outra *u* Fico feliz também porque o capítulo anterior teve aproximadamente 60 comentários. Adiantando algo: nesse capítulo terá cenas de luta. Vão até as notas finais que eu deixarei um link por lá. Boa leitura.

– Eu nem conheço você! – gritei.

– Vai conhecer agora, com toda certeza.

FLASH BACK ON

– Por que eu preciso aprender essas coisas? – fiz bico. Sentia uma sensação de queimação no braço, passava a mão no mesmo, que acabara de levar um golpe.

– Não seja tão fresca, Lynn! – Angela fez bico. – Quando um tarado tentar por a mão em você, o que você faz?

FLASH BACK OF

Ele posicionava as mãos no cinto da calça. Uma expressão horrível tomou conta da minha face. Dessa vez, não iria ser como naquele dia em que Castiel havia mandado aqueles moleques me agredirem. Agora sim a porra ia ficar séria.

Levantei-me bruscamente e acertei uma de direita no queixo do garoto, que recuou para trás, bateu a cabeça na porta. Isso o retardou um pouco. Corri para a gaveta em busca do athame que havia ganhado de presente. Ao me virar para o garoto, ele rebateu minha mão, o que fez o athame voar longe.

Ele me agarrou pelos cabelos e fez com que eu ficasse agachada. O cinto já havia sido retirado. Uma cotovelada no meio das pernas foi o suficiente para que ele largasse meu cabelo. O menino caiu de joelhos no chão, se encolhendo. Aproveitei a oportunidade para cerrar um chute nas costelas. Ele era rápido, e não aparentava sentir muita dor pelos meus golpes. E eu sentia dor pelos golpes dele. No caso, eu estava em desvantagem.

Seus olhos estavam vermelhos, havia um cheiro estranho no ar. Tinha quase certeza que era erva, apesar de nunca ter sentido o cheiro. Estávamos atracados, um batendo no outro ao mesmo tempo. De vez em quando, batíamos na cômoda ou nas estantes, derrubando todos os objetos de vidro que estavam por lá. Ele conseguiu me derrubar, provavelmente com um golpe de judô, parecia que ele não era só mais um drogado largado. Enquanto rolávamos pelo chão, os cacos de vidro se prendiam a minha carne, o sangue se espalhava pelo chão, o deixando mais liso e escorregadio.

“Calma Lynn, não deve ter medo desse cara!”.

Com algum esforço, consegui me livrar dele e me levantar. Ele estava perto da cama, um pouco distante de mim, a respiração rápida e o olhar vidrado e parado, cheio de raiva. De uma hora para outra, ele apressou o passo e pulou em cima de mim, rolamos pelo chão mais uma vez, senti que minha blusa já deveria estar totalmente rasgada pelo atrito do tecido com os cacos de vidro cortantes. Ele pôs as mãos no meu pescoço e o apertou, senti o ar escapar a cada segundo. Ao olhar para o lado, vi o cinto que ele havia deixado no chão. O peguei e bati com a fivela no rosto do garoto, com mais um soco, ele saiu de cima de mim. O chutei para que ficasse de bruços. Peguei o cinto e usei o mesmo para enforcá-lo. Ele levantou-se, e mais uma vez, teve vantagem. Atirou-me contra a parede, segurou grosseiramente meu rosto e bateu minha cabeça contra a parede umas três vezes, na quarta vez, o loiro me atirou contra a parede oposta. Senti meu braço arder, quase pensei que havia torcido. Assim que ele se aproximou, peguei o ultimo objeto frágil que havia restado no quarto, um vaso que provavelmente deveria ser de cristal. O impacto da peça de cristal fez um rasgão perto da sobrancelha. O garoto caiu.

Fui até minha mochila, tremendo, com pressa, desesperada. Finalmente havia encontrado uma pistola. O loiro já levantara, colocou a mão no rosto e viu a mancha de sangue na mão. Assim que olhou para mim, viu que a pistola estava apontada para ele.

– Levanta as mãos. – falei rangendo os dentes. – Levanta a porra das mãos, agora!

Ele levantou as mãos, deu alguns passos para trás. Em um movimento brusco, suas mãos estavam na maçaneta, tentando destrancar a porta que havia trancado.

– Agora você já era. – mordi o lábio, mirando com máximo cuidado. Mas quando meu dedo apertou o gatilho... Ouvi o som de um “clic” metálico. Meus olhos se arregalaram, meu coração começou a acelerar e o pânico bateu. Estava descarregada. Como?! Eu havia trazido justamente para uma emergência, deveria estar com pelo menos quatro balas. E o mais estranho é que eu tinha certeza que estava carregada.

O garoto sabia muito bem o que estava acontecendo, um sorriso maldoso se formou em seus lábios. Ele me puxou pelos cabelos e me jogou em cima da cama. A arma foi jogada o mais longe possível, suas mãos já haviam rasgado a minha blusa.

– Agora sim, sua puta. Você vai ser o que é bom para tosse.

Meus olhos se fecharam, com eles abertos eu ficava cega pela umidade que se formava e escorria pelo meu rosto. Quando tentei revidar, meus reflexos não me obedeciam. Senti um peso em meus seios, ao abrir os olhos, vi que era o garoto, desacordado.

– Oi, Dakota. – um tom sarcástico pairou no ar.

Lá estava Kentin, com o taco de alumínio nas mãos. Ele tirou grosseiramente o surfista de cima de mim.

– Por que não se defendeu?

– O que acha que eu estava fazendo? – fiz cara feia apontando para o sangue no chão e o quarto todo revirado.

Limpei o sangue que escorria pela boca com as costas das mãos. Sentia dor, estava com as costas machucadas e a blusa completamente rasgada, o quarto devastado, o cabelo bagunçado e uma expressão feia na cara. Kentin me pegou no colo. Não estava ferida ao ponto de não conseguir andar, mas que mal fazia? Depois daquilo, não quis mais fazer esforço. Estava assustada, mas preferi esconder. Que tipo de pessoa recebe um treinamento durante sete anos para simplesmente cair diante de um moleque qualquer?

Kentin abriu a porta do quarto e deixou Dakota estirado no chão. Já iria perguntar se ele não o tiraria dali. Antes que eu pudesse fazer a pergunta, ele abriu a porta de um dos quarto com três chutes.

– Hei, Lysandre. O Dake entrou no quarto da Lynn.

Lysandre estava deitado na cama. Seus olhos estavam esbugalhados, com uma expressão de espanto. Não se sabia se ele havia ficado assustado com o barulho dos chutes na porta ou com a noticia.

– Dê um jeito nele ou eu dou um jeito nele. E você não vai querer que eu dê um jeito nele.

Kentin saiu andando até a porta do seu quarto. A essa altura, todos já estavam do lado de fora.

– O que aconteceu com a Lynn? – Lana perguntou de um lado.

– Hei, Kentin. O que houve com a Lynn? – Castiel perguntou, reforçando a pergunta de Lana, que não havia sido respondida.

Castiel não ficou nem um pouco satisfeito tendo o silencio como resposta. No final, ele acabou tendo como resposta uma porta na cara. Kentin me colocou no chão, passou a tranca na porta e foi pegar algo no banheiro. Assim que voltou, ele tinha uma caixinha branca nas mãos com uma cruz vermelha na frente.

– Aqui tem algumas bandagens, talvez seja o suficiente.

Meu cabelo estava sobre o rosto, totalmente bagunçado. Minhas mãos escondiam minha face envergonhada, apenas deixando passagem para que eu enxergasse com um olho.

– Está tudo bem. – Kentin tentou me confortar.

Usei o banheiro dele para tomar banho novamente. A água saía num tom meio avermelhado, por conta do sangue que se misturava a mesma. A parte mais vergonhosa foi ter que ficar sem blusa para que Kentin passasse as bandagens em volta do meu corpo.

– Você age até como se eu já não tivesse te visto pelada. Como você é patética! – ele reclamou.

No final, as bandagens unidas taparam tudo que estava descoberto. Até pareciam constituir uma blusa. Infelizmente o que havia por baixo não era uma coisa muito boa de ver. Kentin havia me falado que a cicatriz do acidente de carro havia sido cortada por um vidro. Para cicatrizar iria demorar mais ainda. Kentin me deu uma das blusas dele, já que a minha estava rasgada. A blusa dele era quase um vestido para mim.

“Será que eu não estou mais crescendo?”.

– Hei, tampinha. Isso aqui é seu. – ele falou jogando uma pistola para mim. – Você deve ter colocado na minha mochila por engano.

Nossas mochilas eram iguais, só que a minha tinha um chaveirinho de ursinho. Eu tinha certeza que tinha carregado a arma, e quando eu peguei aquela, verifiquei o pente e estava lá, com todas as sete balas.

– Droga... – resmunguei.

– Minha pistola não é essa. Ela estava descarregada. Eu trouxe um cartucho, mas não havia carregado.

Então a pistola descarregada na minha mochila era a dele. Droga, Kentin! Deveria ter carregado a maldita arma.

– Aquele garoto conhece o Lysandre... Eles são amigos? – perguntei, Kentin estava hesitando responder a pergunta. – Por que fazem isso?! Por que não me contam nada? Se eu soubesse quem esse garoto era, com toda certeza eu teria sido mais cuidadosa! A culpa foi de vocês, que não me falaram nada. Especialmente sua! Você tinha obrigação de me contar isso! – pausei para tomar ar. Respirava rapidamente enquanto observava Kentin calado.

– Eu odeio isso. – ele suspirou. – Odeio essa sua mania irritante de ficar jogando a culpa para cima dos outros. Você tem que estar preparada sempre! Acha que os perigos vão vir até você sob medida de avisos? – ele rangeu os dentes e respirou fundo. – Mas até que você não tem um cérebro de minhoca para vim sem sequer trazer uma arma.

– Não vai contar? Por que não conta? Eu já sei que Lysandre comprava drogas desse moleque, mas eu sei que existe algo a mais do que isso.

– Quem contou?

– Deduzi.

– Você?! Você não consegue nem achar suas meias sem ajuda.

– Algumas coisas mudam. – dei de ombros.

Kentin fez bico. Continuou a hesitar.

– Não vai me contar?

– Se quiser saber, pergunte a ele. – Kentin retrucou.

– Então mesmo você sabendo de absolutamente tudo, você não vai me contar nada?

– Pois é, Lynn. Algumas coisas não mudam.

Mordi o lábio inferior. Deitei-me na cama do quarto de Kentin. Em poucos minutos, Kentin não estava mais lá, havia saído. Provavelmente ele havia saído para resolver os assuntos com Lysandre, e possivelmente, com o surfista. Fiquei pensando comigo mesma: seria uma boa idéia falar com Lysandre?

Pelo que eu soube, começaram a planejar as coisas do meu aniversário algum tempo depois do acidente. E outra coisa que Kentin havia me contado era: Castiel fez a diretora declarar o tal mês de férias antecipado, para que pudéssemos viajar até a tal ilha. Estava feliz e triste. Feliz pela atitude dele, mas estava triste por saber que Castiel estava fazendo aquilo tudo para reatar comigo. E eu acho que estava bem evidente que eu não queria.

Lysandre deve ter se sentido mal quando começaram a planejar isso tudo. E acho que ele veio por pura obrigação, para não pegar feio para ele. Será que ele ainda gosta de mim? Bem... Eu acho que ainda gosto dele. Vamos dizer que as coisas foram se sedimentando. Entre mim e Castiel e entre mim e Lysandre. Digamos que estava tudo neutro, outra vez. Até horas atrás, pelo menos. Quando Castiel me beijou, a coisa toda mudou de figura.

“Porra!”. – bati a mão na testa. – “O viado do surfista vai contar que me viu com o Castiel!”.

Não que Castiel ganhasse vantagem, mas o estado neutro já era. E se Lysandre soubesse... Ferrava tudo. Mas talvez não. Talvez eu tivesse que simplesmente parar de me preocupar e ser mais segura de mim mesma. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que eu não era totalmente segura de mim mesma. Acho que toda pessoa tem suas inseguranças. E eu sabia que não adiantava fingir que eu era segura de mim mesma, eu já fui assim e já aprendi com os meus erros. Acho que quebrar a cara dando uma de babaca, foi o suficiente.

No final, eu acabava misturando tudo. Não era por insegurança, não era que eu fosse influenciada pela opinião dos outros, era porque eu me importava com os sentimentos dos outros. Especialmente com os garotos próximos a mim. Não só os garotos, garotas também. Lana é um bom exemplo, mas ela não tem relação com a minha situação atual. Talvez fosse uma boa idéia sentar e conversar com ela, mas lembrei que Lana estava tendo problemas com Armin. E quando Lana está tendo problemas, ela fica mais perdida que cego em tiroteio. Principalmente se esse tipo de problema envolver algum garoto, ainda mais, um garoto bonito.

Talvez eu fosse como Lana, e talvez Lana não fosse diferente da maioria das garotas. Vendo por um lado, desde que Alexy me beijou na porta do restaurante, as coisas começaram a desandar. Foi o meu primeiro beijo. O primeiro beijo de verdade... Pelo menos.

FLASH BACK ON

– Verdade ou consequência?

– C-consequência.

– Certo... Você vai beijar o representante!

– Hei! Combinamos de que não envolveríamos pessoas de fora da brincadeira!

– Quer continuar jogando ou não, Lynn?

Naquele tempo, a minha relação com o representante era distante. Acho que ele só havia me notado porque eu estava em evidencia, por ser a única garota da escola militar. Para falar a verdade, ele me notava, mas não ligava para a minha presença. Não se incomodava e nem se irritava. Mas as vezes ele demonstrava alguns sinais de antipatia.

Não aconteceu no mesmo dia, claro. Mas os garotos estavam me pressionando a fazer aquilo. Principalmente Dajan, que foi quem sugeriu o beijo quando estávamos brincando. Dajan era o meu amigo mais chegado, e ele sabia que eu tinha uma queda pelo representante. Ele só me deu “um empurrãozinho”.

– Vai, Lynn!

– N-não posso. Ele está ocupado! – sussurrei.

Estávamos cochichando, fora do alcance da visão e da audição do representante. Lá estava ele, entretido enquanto desmontava o rifle, para limpar e montar novamente. O rifle dele era um dos melhores, que eram usados em guerra. Uma AK47.

– Vai Lynn!

Dajan acabou de encorajando mais do que eu queria. Ele simplesmente me empurrou! Com o empurrão eu quase caí, e infelizmente, meu tênis fez barulho na cerâmica.

– Ah... É você. O que quer?

– N-nada... – o representante revirou os olhos e voltou ao seu trabalho. Fiz uma cara feia para Dajan, que gesticulou para que eu continuasse. Apontei para Dajan e fiz um gesto, como se estivesse jogando algo para longe. No caso, eu estava expulsando ele. Dajan fez uma cara de decepção, ele não queria sair, mas com mais uns segundos de caretas, ele acabou saindo.

– Ainda está aí? – ele suspirou e virou-se para mim. – Escuta, garota. Eu sei que quase todo mundo acha que você é burra, mas eu acho que você não é tão burra para achar que eu posso perder tempo com você. – ele colocou as mãos nos bolsos.

– Eu sei que é ocupado... – corei. Tinha que achar alguma desculpa.

Eu tinha aproximadamente uns 12 anos. Só tendo essa idade para aguentar um cara mesquinho e grosso como ele. Além do mais, precisa-se realmente gostar de verdade, para aturar desaforos como esse! Digamos que ele sempre foi assim, impaciente e grosso. Pelo menos não era só comigo, o que significava que ele não era como a maioria dos garotos. Dajan era um garoto bem legal, e eu tinha motivos para me apaixonar por ele, mas o irmão dele me disse que ele tinha uma namorada ou algo assim... Quase todos os garotos tinham, ou pelo menos, beijado alguém. E eu era a única boboca que nunca tinha beijado alguém.

– Desculpa o incomodo. – cocei a cabeça.

– Não consigo trabalhar sendo observado. – ele insistiu.

– É que eu estou tendo problemas com a pistola e...

– Está com ela?

– Sim.

Não tínhamos permissão para carregar as armas dentro da escola, mas ele nem me repreendeu por isso. Eu me senti especial. Ele sempre tomava as armas dos outros, quando os via em poder das mesmas.

– Você é mesmo burra. – ele suspirou. – Sabe atirar com rifle, mas não sabe usar uma pistola. Que lamentável.

– Eu sei sim! – exclamei, fazendo bico. Eu me sentia constrangida, envergonhada. Eu sempre tentei impressionar ele quando a turma treinava, mas tudo que ele fazia era revirar os olhos e resmungar alguma coisa. – O que acontece é que tem alguma coisa de errado com a mola.

– Vamos ver.

Ele apontou a arma para mim, com um sorriso nos lábios. Ele não mirou em qualquer local, ele mirou na minha cabeça. Era a pistola que o tio fadinha tinha me dado. Havia seis balas, e os projeteis eram verdadeiros. Quando vi o dedo dele pressionar o gatilho, me abaixei com as mãos na cabeça, e como toda mulher histérica, soltei um grito.

Ele riu, e como riu. Estava descarregada. Mas como?! Eu tinha certeza que estava carregada!

– Que escandalosa. – ele disse enquanto dava uma risada discreta, mostrando o cartucho de balas que havia retirado. – E afinal de contas, não há problemas com a mola.

– Hei! – berrei me levantando. – Qual é a sua?!

– Como?

“Ninguém aponta armas para mim!”.

– Quem você acha que é? – gritei. – Você fica humilhando os outros o tempo inteiro. Não aceitarei que faça o mesmo comigo! – se Dajan estivesse vendo aquilo, não sei se ele me apoiaria ou diria que eu estraguei tudo com o representante.

– Que ousada. – ele forçou um sorriso, logo o desfez. – Já disse que não tenho tempo a perder. E aliás, sua pistola está confiscada. E com toda certeza a diretora irá saber. Talvez eu conte algumas coisinhas a mais para que ela aumente a sua punição.

– Devolva, agora!

– E quem você pensa que é para levantar a voz para mim? Que abusada!

Um tapa no rosto, um beijo nos lábios, só um pequeno contato por pouco tempo. Só para pagar a “consequência”. Se eu soubesse que ele era tão idiota, nunca que eu gostaria de uma pessoa como ele. É tão idiota. Eu gostei dele por tanto tempo, e tudo se acabou em um piscar de olhos. O mais patético era que eu gostava de um cara que nunca nem ao menos havia conversado.

– Hei, o que pensa que está fazendo?! – ele corou e tapou a boca com a mão direita.

Tomei a pistola da mão dele e fugi. E se você pensa que ele gostou de mim depois disso, está muito enganado. Ele me odiou pelo resto da vida. E aliás, eu nunca perguntei o porquê. Um beijo de uma garota é tão estranho assim?

FLASH BACK OF

Mergulhar nesse rio de lembranças me faz ter vontade de querer me afogar, por tanta besteira que eu fiz. Mas eu sei que toda pessoa tem memórias das quais se envergonha, talvez seja natural.

Ainda estava na cama, deitada, sem ver que o tempo passava. Quando a porta abriu, eu fechei meus olhos incomodados pela claridade. Quem diria que a luz da manhã poderia ser tão destruidora?

– Lynn?

– Sim?

– Está machucada?

– Se veio aqui, é porque sabe que eu estou.

– É que eu pensei que talvez você gostasse de jogar um pouco. Trouxe o PSP de volta.

– Obrigada...

Armin entrou no quarto, deixou o PSP no criado-mudo e virou as costas para sair. Por um momento, ele parou, virou-se para mim e começou:

– Lynn?

– Sim?

– Sinto muito.

– Não aconteceu nada demais.

– O Kentin falou que você espancou o Dake...

– Acho que com isso, eu pude me recompor.

– Parabéns. – ele sorriu. Fiz uma expressão de duvida. – Parabéns por voltar a ser durona.

Notas finais
Pois bem. Eu baseei essa cena de luta numa cena de luta de The Walking Dead. Eu não achei esse vídeo em lugar algum, só consegui atraves desse link, então não pensem que é divulgação da página: https://www.facebook.com/photo.php?v=523859054366607&set=vb.282401045212013&type=3&theater A cena na fanfic é até os 35 segundos desse vídeo. Isso é só pra estimular a imaginação de vocês.