Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Não contei a vocês ontem, mas hoje eu fui ver meu gato na clínica e infelizmente ele perdeu uma das patas por conta de um irresponsável que atropelou ele. Graças à Deus e ao veterinário ele está vivo

– Debrah? Quem é? – perguntei.

– Uma ex-aluna que vai voltar a estudar na Sweet Amoris. – ele respondeu. – Ela foi embora da escola para seguir uma carreira profissional. Aliás, não faz tanto tempo que ela foi embora, na verdade ela saiu e pouco tempo depois você apareceu.

– Espero que seja uma menina legal. – suspirei. – A Sweet Amoris está em carência de meninas legais.

– Eu sou meio neutro em relação a ela. – ele confessou. – Talvez você tenha problemas com ela, ela é a ex do Castiel. Não acho que existe uma chance de uma ex e uma atual se darem bem. – ele sorriu vitorioso, fiz uma cara de surpresa. – Achou que eu não ia descobrir, sua tábua? – ele apoiou o queixo na mão.

Espera... Ele sabia e não estava zangado? Tinha algo errado... Espera, espera... Ex do Castiel? Como assim ex do Castiel? Castiel só beijou uma menina, a Angela. Espera... ISSO ESTÁ ESTRANHO! Tentei retrucar isso com Kentin, mas ele revirou os olhos.

– Além de tábua, é burra. – ele soltou um suspiro e bateu a mão na testa. – Você acreditou mesmo nisso que ele disse? – ele deu uma risada, franzi a testa, decepcionada. Aquele viado do Castiel tinha mentido para mim? – Por isso eu quis deixar você longe dele depois que ele te pegou na cozinha aqui em casa.

FLASH BACK ON

– Kentin. – chamei a sua atenção dando um leve suspiro no final. – Quantas meninas você já beijou? – Kentin olhou para cima por uns segundos, estava contando? Foram vários segundos, ele devia estar contando e deveria ter perdido a conta nessas alturas do campeonato. – Castiel só beijou a Angela. Agora olhe para mim e diga sinceramente quem é o pervertido entre vocês dois.

– ELE! – Kentin exclamou, bati a mão na testa

FLASH BACK OF

“Por que o Kentin não quis me contar...?” – pensei.

– Ele não me pegou, ele se declarou para mim. – corrigi.

– Eu segui você...– ele se recusou a terminar a frase, logo deu uma tossida para descontrair e continuou. – Informantes me falaram sobre o que houve no telhado. – continuei calada, fingindo que acreditava na desculpinha esfarrapada. – Eu desisto, você é impossível! Por que nunca me escuta?

– Primeiramente, aquiete seu cu. O Castiel não é meu namorado, aliás, nem ele, nem o Lysandre e nem ninguém. – expliquei. – Acho que toda garota tem direito de beijar os carinhas que bem entender.

– A não ser que o irmão mais velho, sexy e musculoso diga para que ela não o faça. – ele sorriu irônico. – Eu gostaria que você me escutasse pelo menos uma vez. Eu não confio no Castiel, não acho que você deveria. – ele falou em um tom sério, meio decepcionado, dava para notar. – E pode crer, eu conheço ele muito mais do que você. Não sei se você concorda comigo, mas o Castiel é meio imprevisível.

Fiz que sim com a cabeça para concordar. E na verdade, eu concordava totalmente com aquilo. Mas eu não estava apaixonada pelo Castiel, apenas quis dar uma chance para nós dois, algo assim... Na verdade eu só queria gostar de alguém, ser eu mesma sem ter que me importar com nada. Por causa da escola militar, eu fui meio que obrigada a assumir uma postura, uma postura que realmente não fazia meu tipo. Algumas coisas chegam à sua vida, das quais você acaba tendo a obrigação de se acostumar. Passei sete anos tendo a obrigação de pelo menos aparentar ser forte. Essa era a minha identidade? Eu achava que sim, mas lá no fundo uma voz gritava o contrario. Acabei dando razão ao grito interior, aquela não era eu. Então quem eu era?

Pode perceber, a sua identidade tem relação com a opinião dos outros. Não se forma um conceito sozinho, ainda mais porque temos mania de observar mais a vida do próximo do que a própria. Se você se acha arrogante, impaciente, antipático, isso com certeza foi o que você ouviu de alguém. De qualquer forma, a opinião dos outros influencia diretamente ou indiretamente na nossa vida, umas mais do que outras. A opinião das pessoas da escola militar foi o que me influenciou. Na verdade, o tio fadinha quase não me acompanhou nesses sete anos, mas mesmo assim eu o achava uma boa pessoa. Lá na escola militar as pessoas tinham que ser padrão, era questão de “sobrevivência”, na verdade era de permanência. Mas eu tive que praticamente sobreviver a aqueles moleques de lá, por sorte ainda tive os irmãos da Califórnia que ainda me ajudaram em algo.

O que eu quero dizer com tudo isso? Eu acabei achando que o que eu me tornei na escola militar era a minha verdadeira identidade. Após um ano, é que eu vim me tocar de que não era. Olhando por outro lado, poderia ser pior, não é? Às vezes eu meio que tento ser otimista, mas esse lado nunca permanece por muito tempo. Uma hora ou outra a merda é lançada contra o ventilador.

Eu me sentia meio desconfortável com a mentira de Castiel. Ele me disse que a Angela era a única menina que ele beijou. Parece bobo, não é? Mas eu aprendi que é de mentiras pequenas que se faz um grande mentiroso. Eu não queria namorar um mentiroso! Não mesmo! Ia tirar essa história a limpo, quando pensasse o que falar... Era incrível como eu planejava tudo, ensaiava mentalmente o que falar e na hora simplesmente TUDO saía errado! Às vezes eu sentia que pensar demais era perda de tempo.

– Vai dormir, tampinha. Sei que está com ressaca. – Kentin bagunçou meu cabelo, odiava quando ele fazia aquilo, fiz careta.

– Por que não vai também? Tenho certeza que a sua é maior que a minha. – retruquei.

– Depois. – ele contestou.

Acabei indo mesmo, acordei só no outro dia. Eu simplesmente desmaiei! Além de ter “dormido” tarde, havia acordado em plenas oito da manhã com a cabeça latejando. Ainda estava latejando, só que menos. Já era segunda-feira de manhã, tinha que encarar a escola e todo aquele blábláblá dos professores que as vezes me enchia o saco.

Naquele dia, só o que eu ouvi foi sobre aquela tal de Debrah. As pessoas pareciam contentes em falar dela, principalmente os meninos. Logo eu vi porque, a primeira coisa que eu notei foi um decote. Era uma menina com o cabelo bem longo, olhos azuis e cabelos castanhos. Até que ela tinha estilo, apesar de que ela parecia mais uma rockstar. Claro! Kentin me disse que ela saiu da escola para formar uma banda. Isso meio que me lembrava deLysandre, ele já saiu da SweetAmoris para formar uma banda no exterior. Ele nunca soube, aliás, nem ele e nem Kentin, mas eu já comprei um CD da banda do Lysandre. O Lysandre tem uma voz que derrete o coraçãozinho de manteiga de qualquer garota. Foi o CD que eu saí na capa, o guardo com maior cuidado, nem sei se Kentin sabe que eu posei com Lysandre. Acho que deve saber.

Nem todo mundo parecia contente, as “três belezas” estavam fumaçando, especialmente a Ambre.

– Quem ela pensa que é? Olha como ela se veste! – Ambre exclamou zangada enquanto a olhava de longe. – Parece que os peitos vão pular para fora da blusa com o tamanho desse decote. Vadia!

– Olha só como ela anda se maquiando. – começou Li. – Se dermos um beijo em seu rosto, aposto como ficamos grudado nele. – segurei a risada.

“FALOU A COMEDORA DE BATOM”. – pensei arqueando a sobrancelha, apenas continuei a observar.

– Não me preocupe Ambre, você tem muito mais classe que ela. – Charlotte comentou para acalmar os nervos de Ambre. – Em minha opinião ela é o tipo de garota que sai na rua à noite em troca de dinheiro.

Charlotte sempre usava a forma mais culta para falar, mesmo que fosse para falar mal de alguém. Na verdade, eu sempre achei que Charlotte tem classe demais para andar com Li e Ambre. Depois eu lembrei porque ela anda com essas duas. Charlotte veio do interior do Texas, digamos que ela tinha um sotaque meio “caipira”. Ambre meio que adotou Charlotte como de um “seus projetos”, mudou a aparência e fez dela “bem vista”. O resultado foi que,tanto Charlotte quanto Li, viraram as sombras de Ambre. Mas mesmo assim, sempre achei Charlotte uma moça com muito mais classe que Ambre e Li, ela sempre foi muito educada, e ainda é. Coitada... Aposto como anda com essas duas por falta de amigos. Mas se fosse eu, preferia andar sozinha a ser mal acompanhada.

Debrah passou por mim com umas pessoas em volta, as que eu vi rapidamente foram Violette e Lety.

– É a aluna nova? – Lana perguntou me pegando de surpresa, não sabia que ela estava ao meu lado.

– Mais ou menos, ela estudava aqui antes. – expliquei.

Lana estava com a mochila nas costas, a acompanhei até a sala. Eu não sentia mais vontade de ir nadar desde que Iris armou aquela confusão para mim. E não era só por isso, Lety ocupou a piscina. Eu que não queria nadar no mesmo lugar que aquela cobra cascavel, e Lana não sabia nadar para me acompanhar. Na minha casa tinha piscina, só que Kentin não chama o cara da limpeza da piscina, então se eu entrar lá, no mínimo iria contrair leptospirose. Isso tudo porque ele diz que não gosta de nadar! Devia ao menos pensar em mim!

– Estou tendo um mau pressentimento. – Lana fez bico enquanto sentava-se na carteira. – Nathaniel não veio hoje, nem ele e nem Lysandre.

– Quê? – fiz careta. – Espera... Lysandreé fácil de notar porque ele passa na escola com o F4. Então... Como percebeu que o Nathaniel não veio hoje se ele não é do F4? Você está próxima a ele?

Teve certo tempo que eu notei um comportamento diferente em Lana, como se ela estivesse apaixonada ou algo do gênero. Sempre que falávamos sobre qualquer menino, eu aprofundava e insistia em perguntas na esperança de que ela me contasse algo. Lana sempre foi uma pessoa tímida para com esse tipo de assunto... Apesar de que somos muito amigas, não sei se ela teria coragem para me contar que beijou algum carinha. Naquele dia com Alexy, ela não contou, fui eu que vi com Armin. Não suspeitei de ninguém do F4 porque Lana sempre falava mal deles, apesar de que ela até que simpatizava com o Lysandre e Alexy... Fazia certo tempo que eu estava com essa paranoia com o Nathaniel, no dia em que eu dormi na biblioteca, foi porque ela tinha ido lá para falar com Nathaniel.

– É que... – ela corou. – Eu ia pedir ajuda dele para algo. – ela parecia nervosa, para piorar eu dei um sorriso pervertido. – Não é nada disso! – ela sacudiu os braços. – Era para ele me ajudar a achar um livro, sua pervertida!

– Um livro pervertido... – brinquei e fiz uma expressa pensativa, como se tivesse entendido errado o que ela falou. – O Kentin tem um, quer emprestado? O nome dele é KamaSu... – Lana tapou minha boca, as pessoas estavam nos olhando. Lana estava feito um pimentão, mas era engraçado ver ela embaraçada daquele jeito.

Lana me contou que os pais de Nathaniel começaram a viajar muito durante esses meses, como Ambre sempre está saindo com as amigas, ela disse que as vezes vai na casa de Nathaniel estudar com ele.

– ESTUDAR, SEI! – dei uma risada.

– Fala baixo! – ela reclamou. – Estudar! É estudar mesmo! O que acha que fazemos lá?

– O que eu acho? Quer mesmo que eu responda? – arqueei a sobrancelha, segurando para que uma gargalhada escandalosa não saísse de mim. Lana balançou freneticamente a cabeça dizendo que não.

Na hora do almoço, Lana disse que recebeu um SMS de Nathaniel dizendo que ele estava na escola, ela só não achou ele. Novamente eu dei um sorriso pervertido que a deixou totalmente nervosa e zangada. Ela sabia que eu só fazia aquilo para irrita-la, mas era brincadeira, mais ou menos como Kentin faz comigo. Assim que terminamos de almoçar, ela foi para um lado e eu para o outro.

Fui para a sala do F4 encontrar Kentin para perturba-lo, já que não tinha nada para fazer, talvez aproveitasse para perguntar sobre a tal menina nova. Eu só fui à sala do F4 depois de ter ido ao jardim, ele não estava lá com o violino, então deveria estar na sala do F4. Coloquei a mão na maçaneta para entrar, a maçaneta girou antes e a porta abriu. Dei de cara com um par de peitos expostos por um decote bem na frente do meu nariz. Recuei para trás, ao olhar o rosto, vi que era aquela menina, a Debrah. Achava que ela era bem mais alta do que eu, olhei para os pés, ela estava usando uma bota com um salto gigantesco. Na verdade, parecia até com uma bota que eu tinha, ela cobria acima do joelho. Em minha opinião, a minha bota era muito mais bonita que a dela!

– Oi, você deve ser a Lynn. – ela sorriu e estendeu a mão para mim. – Eu sou a Debrah.

– Oi. – sorri gentilmente e apertei a mão dela. – Muito prazer.

“Estou tento um mau pressentimento”. – pensei. – “Será que Lana estava certa?”.

Castiel estava com um sorriso bobo no rosto, aquilo não era bom, nada bom! Ainda mais porque eu não estava perto na hora, ele só tem esse olhar de peixe morto quando eu estou por perto. Debrah passou pelo corredor, assim que eu a perdi de vista, entrei na sala do F4 e sentei-me no sofá ao lado de kentin.

– Sabe ser educada com alguém? – Kentin sussurrou perto de mim. – Tampinha.

– Não enche. – fiz bico. Puxei o ombro de Kentin para baixo para falar em seu ouvido. – Estava mesmo falando sério quando disse ontem que ela pode ser um problema?

– Quem sabe. – ele riu discretamente.

Analisei bem, talvez ele estivesse brincando, não era? Kentin sempre me protegeu, se aquela menina realmente fosse má, ele não estaria rindo ou fazendo mistério bobo só para me deixar nervosa...

“O que é isso, Lynn? Está com medo daquela garota?” – pensei. – “Não seja ridícula”.

No termino da aula, fiquei no portão do colégio. Esperei, esperei. Precisava ir ao vestiário pegar minhas luvas, estava fazendo frio de novo. Fui até o vestiário, se Kentin chegasse, ficaria me esperando. Peguei minhas luvas e já ia saindo do vestiário, estava escuro. Comecei a escutar uma conversinha, me aproximei enquanto me escondia atrás dos armários. O local onde as duas pessoas estavam era próximo a janela, o único local claro do vestiário.

– A sua irmã não entregou? – era Lety, ela falava com uma voz decepcionada. – Ela rasgou, não foi? Aquela pestinha!

– É melhor deixar a tampinha fora disso. – ele suspirou leve e colocou as mãos nos bolsos, pelo “tampinha” eu já sabia que era o Kentin.

A vadia pulou no pescoço dele e o beijou. Muito bonito para a cara dele! Deixou-me sozinha lá fora para ficar se comendo com uma vagabunda no vestiário. O que é dele está guardado, o que é dela também.