A Órfã Doce
66 Era segredo
Notas iniciais

As perguntas que eu fazia a mim mesma eram muitas, infelizmente as respostas estavam em falta. E Castiel... Estava nervosa por causa dele e Debrah... Será que eles já fizeram...
“Que pensamento é esse?!” – pensei sacudindo a cabeça. – “Sai de mim! Sai de mim!”.
Uma noite MUITO mal dormida. Apesar de que Kentin viu que eu não dormi direito, ele não falou nada. Talvez soubesse o que fosse, mas não quisesse comentar para não gerar nenhuma discussão matinal. Se fosse isso, seria uma boa iniciativa da parte dele, aquilo diminuiria minha dor de cabeça. Por que eu tinha que me preocupar com tantas coisas? Eu era uma jovem, jovem! Jovens só têm que vadiar, não precisam ficar se importando com coisas como os adultos. Eu sabia que aquela realidade não era para mim, mas eu tinha consciência que aquilo era preocupações de uma adulta.
Na escola, a primeira coisa que eu avistei no corredor foi Lana andando e se deparando com Debrah. Corri e parei do lado de Lana, Debrah arqueou a sobrancelha e fez uma leve cara feia, mas não se notava de longe.
– Bom dia, meninas. – ela disse com um sorriso, de provocação talvez? Eu já não era mais tão boa em analisar as expressões faciais. – Como vocês estão?
– O que está fazendo? – arqueei a sobrancelha. – Não fale como se nada tivesse acontecido!
– Do que você está falando? – ela desfez o sorriso.
– Nada! – Lana se pronunciou na frente. – É que ela não dormiu bem. – justificou e me agarrou pelo braço. – Debrah, querida. Está linda hoje.
– Oh! Obrigado, vocês também. – ela sorriu e foi para o lado oposto.
– Prostituta barata. – Lana resmungou. – Lynn, não vacila! As pessoas estão olhando. Evite de falar da Debrah e com a Debrah, certo?
– Por quê? – cruzei os braços. – Eles têm mais é que saber que tipo de pessoa ela é.
– Lynn, desculpe. – ela suspirou. – Você está sendo burra. – ela cruzou os braços.
– Ela tem o maior número a favor dela, até a probabilidade de alguém acreditar na gente é muito pouca! Debrah pode ser uma vadia manipuladora, mas ela é inteligente. Seja mais cautelosa, certo?
Ouvir sermão da Lana é mais chato que ouvir sermão do Kentin. Analisando o que ela disse, estava mais do que certa, por isso eu sempre ouvia o que Lana dizia. Como bruxa, Lana sabe controlar suas emoções mais do que qualquer outra pessoa, essa é uma das qualidades dela. Meu defeito era ser muito explosiva, fazer as coisas sem pensar, dizer as coisas sem pensar, mas era injusto! Quando eu pensava no que fazer e no que falar, tudo dava errado!
Para falar a verdade, Lana tinha direito de me dar sermão, Kentin não! Kentin não podia sequer citar meu defeito de ser explosiva, ele era pior do que eu! Tirando aquele lado pervertido, alcoólatra, chato, irritante, ciumento e violento, eu via que Kentin era doce. Não muito doce, claro. Para falar a verdade, era mais azedo do que doce. Mas... Será que se tudo desse errado, eu poderia pedir ajuda a ele? Será que ele acreditaria no que eu falasse...? E Castiel? Ora, Lynn! Ele não acreditou na própria irmã quando ela falou sobre Debrah querer trair ele com o Leigh, por que acreditaria em você? Eu tinha que procurar ajuda através de Lysandre ou Kentin, mais em Lysandre do que em Kentin. Lysandre era uma pessoa calma, assim como Lana. Acho que Castiel daria mais ouvidos a Lysandre do que a Kentin, até porque ele e Kentin vivem em pé de guerra.
E aquele problema voltou para me assombrar... Lysandre não havia sequer trocado uma palavra comigo desde que descobriu sobre minha suposta relação com Castiel. Pedir a ajuda de Lysandre seria muito... Nem sei que adjetivo usar para descrever. Só de pensar que eu havia magoado Lysandre, já me dava vontade de chorar. Eu me dizia tão diferente, mas eu praticamente me igualei ao nível da menina da trança... Da Nica, esse era o nome dela.
A nova Lynn demonstrava seus sentimentos? Meu Deus! Que mudança confusa. O que eu deveria fazer?! Eu estava perdida como cego em tiroteio. O que fazer sobre Castiel? E sobre Lysandre? Que vontade de jogar tudo pra cima e voltar para a escola militar. Naquele momento eu percebi que era mais fácil viver ao redor de gente que te odeia, o amor complica tudo na vida.
Quando deu a hora do almoço, Castiel veio falar comigo. Juro que eu quis sumir a falar com ele. Como ele é muito popular, as pessoas ficaram todas nos olhando com ouvidos atentos a nossa conversa.
– Eu ouvi coisas desagradáveis ao seu respeito, Lynn. – ele cruzou os braços. – Céus! Como você pôde sair falando mal da Debrah daquele jeito?
“Viado corno do caralho. Eu devia sair falando mal do seu rabo para você deixar de ser trouxa”. – pensei.
– Não preciso difamar a imagem dela, ela mesmo faz isso! – arqueei a sobrancelha. Falei demais. Deveria ter me segurado como Lana aconselhou. Todos a viam como a santinha, como eu iria provar que ela era uma cobra?
– Do que está falando? Debrah é gentil! – ele fez cara feia. – Você deveria dar uma boa olhada no que você fala sobre as pessoas. Ela chegou aqui não faz nem quatro dias e você sai falando mal dela como se ela fosse uma vadia.
“Ela é uma vadia”. – revirei os olhos. Pensei numa boa resposta para pisar na cara dele.
– E você devia dar uma boa olhada em si mesmo! – exclamei batendo as mãos na mesa e me levantando. – Você gosta de mim? Estou vendo como gosta de mim, seu ridículo! Castiel, a cada dia que passa você consegue me provar que é a pessoa mais idiota desse mundo. Você que escolhe se acredita nas pessoas que estavam dizendo que eu falei mal dela. – pausei um pouco e umedeci os lábios, suspirei. – Lembra-se quando brigamos e eu joguei sorvete em você? Naquele dia você me disse que eu tinha o defeito de ser intrometida e ficava tomando as dores pelos outros. O que você está fazendo agora? No seu caso, ficar se metendo nos assuntos dos outros é ser hipócrita! Aliás, hipócrita eu já sabia que você era há muito tempo! – puxei ar. Havia falado quase sem pausas, e ele lá só me olhando com uma cara de pastel. – Você veio tomar as dores por causa de boatos estúpidos! E se eu estivesse mesmo falando mal dela, o que iria adiantar VOCÊ vir querer tirar satisfação? Se ela coloca pessoas à frente dela para resolver os próprios problemas, que tipo de mulher ela é? – Castiel continuava quieto, o olhar dele era baixo. Ótimo, aquilo significava que eu estava certa e ele errado. – Tome cuidado com quem você está se metendo. Se você se magoar e vier atrás de mim, eu te mando pro inferno, seu maldito.
Só eu mesma para falar com toda aquela marra e praticamente pisar na cara do líder do F4, o cara que é dono da Sweet Amoris. Será que eu estava ficando metida porque agora era irmã de um membro do F4 e tenho dois que supostamente gostam de mim? Lysandre não falou nada sobre gostar de mim, Castiel falou, mas as ações dele são como as expressões faciais e as palavras da Tia Mika. Elas simplesmente não fazem nenhum sentido, uma aparenta contradizer a outra. Por que uma pessoa tão idiota teve que se declarar para mim? E porque eu fui dar chance? Era a segunda vez que eu soltava palavras tão agressivas contra Castiel, mas ele merecia! E mesmo a nova Lynn tendo sentimentos e sendo mais sensível, ela simplesmente não se importava nenhum pouco com o que tinha feito ou como Castiel se sentia. Sensível ou insensível? Eis a questão.
Naquele, quando eu cheguei em casa com Kentin, ele evitou papo.
– Ei! Não vai falar nada sobre o acontecido com Castiel? – perguntei.
– Para quê? Para você sambar na minha cara? Não, obrigado. – ele riu. – Se quiser algum remédio pra cólica ou calmante, fala que eu ligo pra farmácia. – ele colocou o polegar perto da orelha e o mindinho perto da boca, fazendo sinal de telefone.
Aquele bocó não estava me levando a sério! Ele estava achando que eu estava de TPM? Não era TPM, não era... Pelo menos eu achava que não. Estava sendo muito estressante tudo aquilo. Mês passado a quenga da diretora disse que não haveria férias no meio do ano, só no final. INFERNO! POR ISSO QUE EU ESTAVA TENDO QUE AGUENTAR AQUELA PUTA DA DEBRAH! Calma, Lynn! Você tem que manter a porcaria da calma.
Já não bastava aquele dia totalmente estressante, outra noite mal dormida. Eu queria chorar, mas parecia que o choro não queria sair. É como quando você está com fome, mas quando vê comida, perde a fome. Que situação mais chata a que eu estava vivendo. Tudo por causa daquela vadia! Ela tinha que ir embora! Se antes ela foi embora, azar o dela, quem manda nessa porra agora sou eu.
“Calma, Lynn. Calma”. – pensei, respirei fundo para manter o pensamento positivo.
Na escola, céus! As coisas se complicaram mais ainda. O corredor estava vazio, havia chegado muito cedo. Droga, deveria ter dormido mais, ou pelo menos tentado... O problema do corredor vazio foi simplesmente porque Debrah estava no meio dele.
– Você falou mal de mim? Como se atreveu? – ela veio com uma expressão zangada.
– Ora Debrah! Onde está o coleguismo de ontem? Parecia tão feliz falando comigo e com a Lana. – dei um sorriso irônico, provocando ao máximo.
– Não seja estúpida, você sabe muito bem que eu fiz aquela ceninha para simplesmente todos os trouxas caírem na minha! – logo após ela sorriu. – Pensando bem, obrigado por falar mal de mim e por falar com o Castiel naquele tom. Você só deixou as coisas melhores para mim. Deveria ter escutado a tábua da sua amiguinha, ela não parece ser tão burra quanto você. Pode ir dando seu adeus para o Castiel, como as coisas estão, ele irá vir comigo mole-mole!
– TÁBUA?! – um grito veio do final do corredor. Olhei para trás, Lana! Agora a porra ficava séria. Ela veio andando rapidamente pisando duro no chão. Quando chegou perto, suspirou tentando manter a calma. – Eu não deveria me rebaixar ao seu nível, sua meretriz! – eu quis rir, juro que quis, mas guardei para mim mesma.
– Meretriz?! – Debrah exclamou, me admirava ela saber o que significava. – Com quem pensa que está falando?
– E quem VOCÊ acha que é para sair xingando os outros?! Foi a segunda vez que fez isso, eu juro que se acontecer pela terceira vez, você irá se arrepender amargamente e pode crer que eu irei fazer isso pessoalmente, não mandarei peões. Aliás, eu sou tábua, mas sou pura. Acho que pureza é uma palavra que saiu do seu dicionário há muito tempo, certo? – Lana sorriu irônica, ganhou completamente aquela discursão.
Lana me puxou pelo braço e foi até a sala. Irritada? AO EXTREMO. Aquilo era um problema muito grande, eu sabia que se Lana abrisse a boca para desejar algo ruim para Debrah, aquele algo aconteceria!
– É melhor afastar a Debrah dos seus pensamentos. – Lana aconselhou. – Quanto mais você pensa na presença dela, mais o universo acredita que o que você quer é que ela permaneça aqui!
Como se eu fosse bruxa para isso acontecer comigo. Olhei e olhei. Lana não estava irritada pelo fato de Debrah tê-la chamado de tábua, eu tinha certeza que era por outra coisa. Bingo! Era outra coisa. Ela me contou que ontem depois da aula, pegou Melody tentando agarrar Nathaniel na sala dele.
– Que vontade eu tive de descer o cacete nela. – o tom irritado estava presente, mas pouco a pouco foi se substituído por um tom choroso na voz, os olhos já estavam marejados.
Eu sou horrível em confortar as pessoas. Ela começou a chorar, escondeu o rosto com as mãos. Fiquei sem ação, o que seria melhor fazer naquela hora? Lana estava sentada na carteira, me ajoelhei na frente dela, tirei suas mãos do rosto e a abracei. Lana retribuiu o abraço, escutava soluços no meu ouvido. Sentia vontade de chorar com ela, já estava querendo aquilo faz tempo, mas me mantive firme. Com toda certeza não só Lana que faria Debrah se arrepender amargamente, eu também faria. Lana ainda era minha irmã, com todo meu coração eu posso afirmar isso como nenhum outro documento de adoção. Ela estava comigo, e se ela estava comigo, eu me sentia capaz de tudo!
Intervalo, hora horrível, como todas as horas estavam sendo naquela hora desde que Debrah havia chegado. Corredor vazio, parecia que era uma macumba que tinham jogado em mim para o corredor sempre estar vazio. Estávamos indo até a sala de Nathaniel, Debrah apareceu mesmo na nossa frente.
– Me disseram que você estava chorando. Algo errado, Lana? – ela perguntou provocando, ainda teve a cara de pau de fazer uma cara triste e arrastar levemente o dedo indicador de perto do olho até o queixo, fazendo um gesto de uma lágrima. – Você também deve se sentir triste, Lynn. Castiel aparenta ter voltado a gostar de mim, e sem aquela vadia da Angela no caminho, sem a Iris e sem ninguém, o Castiel vai comer na minha mão.
– Ôh piranha! Toda caída, mole pra caralho! Tu fica quieta aí na tua, porque senão tu vai quebrar os dentes. – dei um empurrão dela, ela fez cara feia, já estava até levantando a mão para querer bater em mim.
Debrah parou de vez, por quê? Viu a aglomeração que havia se formado logo após os meus gritos. Debrah foi esperta em falar tudo em um tom bem baixo, vacilei de novo!
– D-do que está falando? – os olhos dela começaram a lacrimejar, fiquei boquiaberta, era sério aquilo? – Pensei que nós fossemos amigas! Você é má, Lynn!
As pessoas já se aproximavam mais, os cochichos ficavam altos, já que tantos falavam a mesma coisa como: “Como ela é invejosa” ou “Tadinha da Debrah”. No meio de toda aquela porcaria, Lana finalmente se manifestou. Quando eu menos esperei, ela deu-lhe uma bela tapa na cara que ficou muito bem marcada com todos os cinco dedos. Debrah caiu no chão e começou a gritar com a mão no rosto. Tudo encenação da parte dela.
– Agora chora, piranha! – ela exclamou.
– Hei! Não faça isso! – Melody chegou empurrando Lana de leve pelos ombros.
– Cai fora, vagaba! – empurrei Melody. – Você é uma vadia igual ou maior que a Debrah! Você foi pegar o Nathaniel quando o F4 mandou, vocês queriam ferrar ele e me ferrar! Eu sou órfã mesmo! EU SOU ÓRFÃ! Mas eu tenho muito mais honra do que todos vocês. – falei apontando para a aglomeração que estava próxima. – Mesmo que eu venha de um “orfanato caindo aos pedaços”.
– Não sei se você sabe, mas o Nathaniel gosta de MIM e eu dele. Vocês são criancinhas ciumentas que querem dizer o contrario, mas nunca conseguirão nos afastar.
Olhei para Lana, seu rosto já estava vermelho e todo molhado por conta das lágrimas.
– CALA A BOCA! CALA A BOCA! CALA A BOCA! – Lana repetiu várias vezes. Ela agarrou Melody pelos cabelos e a jogou contra a parede. Eu confesso que eu não tive ação, e mesmo que tivesse, deixaria Lana arrancar o couro da Melody.
Lety se aproximou para dar uma de “heroína” e “correta”, Charlotte apareceu de Deus sabe onde e impediu Lety com o puxão de cabelos que doeu até em mim. Nunca esperei aquilo de Charlotte, ainda mais quando ela deu um golpe de judô que nocauteouLety na hora.
– NINGUÉM CHEGA PERTO DELA! – Charlotte gritou apontando para Lana, que continuava a bater em Melody.
E era a gritaria aflorando, a putaria reinando e os viados gritando: “não briga, não briga”. Acabou que Nathaniel apareceu para apartar a briga de Lana e Melody, tive que entrar na frente de Charlotte para que ela não impedisse Nathaniel. Estava na hora de parar, as coisas seriam piores depois, disso eu tinha certeza. E seria legal ver Lana corar só de lembrar daquela cena quando o tempo passasse. Nathaniel a agarrou por trás e puxou, o puxão foi tão forte que Lana saiu de primeira de cima de Melody com um punhado de cabelo na mão.
– LANA, ACALME-SE! – Nathaniel gritava enquanto segurava Lana, que gritava e se debatia para voltar a brigar.
Ser o trouxa que aparta as brigas sempre é ruim, é como juiz de luta livre. Lana deu uma cotovelada no nariz de Nathaniel, não sei se quebrou, mas o sangue desceu na hora. Coitada da Lana, aposto que estava tão furiosa que nem percebeu que era Nathaniel que estava tentando apartar a briga. Apareceram mais dois meninos para segurar Lana, assim que eles a seguraram, ela viu que o primeiro que tentou apartar a briga foi Nathaniel. Nathaniel estava com a mão no nariz, o sangue escorria pelo braço, Lana quase chorou quando viu que ela fez aquilo. Alexy apareceu logo em seguida com Violette do lado, os dois ajudaram Debrah a se levantar.
– Como você pôde? – Alexy olhou para Lana. Céus! Ele estava do lado da Debrah!
– Lana, estou desapontado com você. E com você também, Lynn! Como pode falar essas coisas?
– Com a boca, meu bem. – arqueei a sobrancelha, estava tentando manter a calma, mas também estava na hora de passar umas verdades da cara de Alexy caso ele continuasse a defender aquela pomba gira! – Você está do lado dela?! Quanta ousadia.
– Não estou do lado de ninguém, apenas estou reconfortando e ajudando uma amiga. – ele retrucou. – O que você e a Lana fizeram não foi certo!
– E por acaso eu perguntei?! Eu estou simplesmente cansada dessa merda toda. – respirei fundo para manter a calma, lógico que não funcionou. – Escuta aqui! Não me venha falando de “amiga”, amiga mesmo é quem foi lá no prédio pra te salvar quando você foi sequestrado. Eu levei a porra de um tiro por sua causa, seu idiota! Vocês são tão mal agradecidos que nem sequer se lembram disso e simplesmente viram as costas para mim! Alexy, você acreditou uma vez em mim e provou que era meu amigo, por que agora está fazendo o contrario agora? – ele não respondeu, típico. Eu estava com a razão de novo. – Eu quero mais é que você e todos esses idiotas ardam no inferno! É o que vocês merecem.
– Você pode dizer o que quiser de mim. – ele suspirou. – Mas para mim, você é a pior pessoa do mundo. Não me importa quantos tiros você leve.
Debrah começou a ceninha dela de novo, eu tive vontade de socar a cara dela, mas tinha certeza que se ao menos levantasse a mão para ela, Alexy a defenderia. Por mais que eu estivesse com raiva de Alexy, não sei se teria coragem o suficiente para bater nele. A Lana quem sabe poderia ter... Mas ela não estava lá, apareceram mais dois professores, provavelmente a levaram para a diretoria. Não pude impedir, Alexy entrou na minha frente.
– Você é muito mimada e insensível! – ele exclamou de frente para mim. – Você fala com as pessoas friamente, como se não tivesse coração. Você acha que o Castiel mereceu aquilo? Ele disse que gosta de você, por que você se comporta dessa maneira?
– Porque eu simplesmente estou cansada de tudo isso. Eu já tive muita paciência com o Castiel, eu tentei. Eu juro que eu tentei! Ele simplesmente não fez por onde.
– Então as pessoas que não concordam com você são suas inimigas? Você acha que bater é a solução? – Nunca disse nada daquilo, ele que estava falando coisas sem sentindo, talvez por conta da raiva. Ele pegou minha mão e colocou perto do rosto dele.
– Então bata em mim, eu quero ver se você consegue.
– Eu não vou bater em você. – puxei minha mão de volta. – A tapa da razão dói muito mais que a minha, pode crer. Quando eu provar que estou certa, você me paga! Todos vocês! – apontei para as pessoas. – Até lá, procura alguém pra passar o seu pó compacto, seu ridículo.
– E até lá, procure alguém que aprove suas burradas! – ele devolveu com mesma intensidade. – Não estou mais com saco para pessoas que nem sequer têm coração. Da próxima vez que alguém falar que gosta de você, não fique procurando o Lysandre e muito menos o meu irmão para ficar com as suas safadezas, me entendeu?!
Ele virou as costas e saiu andando com Debrah e Violette do lado. Todos estavam me olhando feio, oh céus! Aquele idiota iria me pagar! Corri para o jardim, o que ficava no meio do caminho até a piscina. Kentin quase não ia mais para lá, então não tinha chances que pedir-lhe ajuda, nem ao menos sabia onde ele estava. Minha mente estava uma bagunça, estava precisando fazer um limpa e começar do zero.
– Oi. – Armin veio que veio rindo na minha direção. – Cara, eu nunca vi um barraco tão grande.
– Você contou! – o agarrei pela gola da camisa. – Você disse que não contaria que nós nos beijamos! Agora todo mundo sabe!
– Calma aí, rainha das donzelas. – ele brincou tentando me acalmar. – Ele é meu irmão, uma hora ou outra ele tinha que saber. Você tem irmão, você sabe como é.
Eu simplesmente não acho que a relação de Armin e Alexy era a mesma que a minha e a de Kentin. Não posso dizer que eles dois são unidos... Armin quis ir embora da Alemanha por causa dos pais, mas ele nem ao menos pensou em Alexy. Se eles fossem realmente unidos, teriam que agir pensando um no outro, o que não era de ocorrer. Talvez a comunicação entre eles fossem melhor, talvez eles soubessem dos segredos um do outro... Apesar de é que estranho ter uma boa comunicação e não ter união. Kentin não era mais tão explosivo como antes, ele me dava mais liberdade. Ele não começaria mais uma guerra porque eu beijei Armin, afinal ele não fez uma guerra quando me viu com Lysandre.
Nem eu mesma acredito que eu passei noites em claro pensando em como eu resolveria as coisas com Castiel e com Lysandre. Nem acredito que eu CHOREI só por imaginar que eu teria magoado Castiel. Tudo tempo perdido, ele estava do lado da Debrah. A menina que usou ele e que jogou fora como um copo descartável. Em minha opinião, ele estava merecendo aquilo de novo para deixar de ser trouxa, mas isso não era a coisa que eu realmente queria. O que eu queria era tirar a mascara dela e mostrar para todo mundo que eu tenho razão, eu queria apontar para a cara de Castiel e manda-lo ir para o inferno. Que raiva! Eu estava começando a gostar dele! Por isso eu ficava evitando Lysandre toda hora. Era pior, mas eu não imaginava que uma praga como a Debrah iria chegar, eu não imaginava que o jogo iria virar e que eu teria que acabar precisando da ajuda de Lysandre.
– Não, eu não sei como é. – soltei Armin e meio que empurrei-lo para trás. – Deveria imaginar que nem todos os irmãos são como você e o seu. O que você deveria ter feito era ter calado a boca. Era segredo.
– ERA. – ele fez ênfase, ainda com um sorriso no rosto. – Não estressa não, o Castiel não vai saber. Eu invento uma desculpa.
– Para o inferno com o Castiel. Não duvido nada como aquela quenga já deve ter aberto as pernas pra ele. – fiz cara feia rangendo os dentes.
– Que delicadeza. – Armin sorriu irônico, cruzando os braços. – Então quer dizer que você não liga para o Castiel? – fiz que não com a cabeça.
Armin, o gamer santinho que me mostrou as garras. Todos aqueles do F4 eram pedaços de mau caminho, principalmente Armin e Castiel. Olhando por esse lado, todas as pessoas são imprevisíveis. Iris, que se dizia minha amiga, tentou me tirar do caminho dela da forma mais baixa possível. Armin me chantageou dizendo que iria contar sobre a escola militar se eu não o ajudasse com a família. Castiel passou de vilão a mocinho e depois mentiu para mim. Todos são humanos, humanos são imprevisíveis. Será que não tinha mais ninguém em quem eu poderia depositar a minha confiança? Parecia que não. Talvez eu não pudesse nem confiar em Lana. Eu não podia mais contar com ela enquanto ela estivesse daquele jeito. Amor é um veneno. Ela estava louca de amores pelo Nathaniel, aquilo era muito visível. Lana nunca chegou a brigar com uma menina daquele jeito, e mesmo que ela negue, eu sei que aquilo tudo foi por causa de Nathaniel. Brigar por homem era completa baixaria, sempre achei isso. Comentei isso com Armin.
– Acha isso? – ele deu uma risada. – Eu não sei se você percebeu, mas você está brigando com a Debrah pelo Castiel. Bem... Ele pelo menos é um dos motivos, eu acho.
– Não, ele não tem nada a ver com a nossa briga. – cruzei os braços.
– Então porque não vai lá, olha nos olhos dele e diz que ele não vai fazer a mínima falta se for embora. – fiz bico. Armin era mau! Ele me fez ficar com “cara de cão arrependido”. A ver minha expressão, ele deu uma risada. – Você é muito interessante. Em minha posição de observador, eu analiso muito bem as suas características. Mas eu não entendo uma coisa a seu respeito.
– O que é? – perguntei corada.
– Você gosta do Castiel, por que não diz isso a ele?
Encarei o chão, não respondi. Castiel não amava mais a Angela. Ele estava começando a gostar de mim, daí veio o lance das fotos e da Iris. Isso meio que enfraqueceu a nossa tentativa de talvez ter um romance ou algo relacionado... Talvez fosse o destino, talvez não desse certo eu ser a namorada do Castiel, talvez o universo estivesse me protegendo. Eu falei a Alexy que Castiel não fez por onde para ter meu amor. Ele fez, ele demonstrava com pequenos gestos que passavam despercebidos. Talvez ele achasse que eu gostasse de coisas simples, eu gosto. Mas existem atitudes tão simples que vêm de pessoas que gostam de você, que as vezes passam despercebidas. Maldito Armin! Tinha que me fazer ficar arrependida. Eu me sentia um monstro! Se o Castiel me deixasse de lado, a culpa também era minha. Eu quis tentar gostar dele, eu quis tentar pelo menos conseguir ter um namorado pelo menos uma vez na vida. Mas eu também não fiz por onde. Era melhor deixar tudo de lado?
– Talvez eu não goste dele. Isso já se passou pela sua cabeça?
– Que demora para responder! – ele reclamou. – Estou sentindo cheiro de arrependimento, Dona Lynn? – adivinhão.
– Não seja palhaço. – cruzei os braços. – Está do meu lado ou do lado dela? – contornei o assunto.
– Bem... Eu não vou ser idiota para dizer que estou do “lado da verdade”. Foda-se a verdade. Eu só quero ver o barraco. Eu não sou mais personagem de nenhuma história, já disse que sou o narrador observador. E se eu quiser virar personagem, eu viro personagem secundário sem nem me importar com os outros personagens ao meu redor. – Armin me puxou para perto de uma arvore e me prensou contra a mesma. – Você sabe que eu estou pouco me fodendo para o Castiel. Por que eu hesitaria? – ela aproximou o rosto do meu, logo recuou um pouco. – Eu admito que eu já gostei de você. Na Alemanha, quando aconteceu tudo aquilo. Depois eu caí na real. Um dia eu resolvi mudar, eu tentei agradar tanto os meus pais que acabei esquecendo quem eu era. Agora eu estou agindo como eu mesmo, como eu quero agir. Digamos que eu sou um novo Armin.
“Foi exatamente o que eu pensei. Incrível... Ele pensa igual a mim”. – pensei.
– De qualquer forma, não fique se achando porque eu disse que gostava de você. Isso foi no passado. – ele explicou. – Por isso no dia em que nós nos beijamos, eu deixei claro que não gostava de você. Eu não queria te causar problemas, e também não queria nenhuma menina pegando no meu pé. Se bem que você não é desse tipo de menina.
– Por que está falando essas coisas? — perguntei. – Você veio falar comigo nessa intenção? – me referi ao fato de estarmos grudados um no outro. Ele nem ao menos fez questão de sair de perto, continuou da mesma forma.
– Eu vi que essa batalha não era minha, Lynn. E foda-se quem luta por você. Se você acha que brigar por homem é besteira, por que não acha que brigar por mulher também é besteira? Por que não se pronuncia quando vê essas bobagens que são causadas por você? Você poderia fazer algo sobre.
– Como? Que bobagens estão acontecendo por minha causa? Que eu saiba, ninguém está brigando por minha causa. – fiz bico.
– Talvez eu esteja adiantado, talvez eu observe demais ou talvez eu esteja profetizando tudo. – ele pausou um pouco. – Talvez sejam dois, três ou até mesmo quatro. Você é do tipo de menina que cativa os outros.
Corei. De quem ele estava falando? De qualquer forma, se Armin já era sincero antes, imagina agora. Pelo menos eu poderia saber que as palavras dele não tinham falsidade e nem eufemismo.
– Eu vou te beijar, e eu não estou nem aí.
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