Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Eu vi nos comentários do capítulo passado que as mina ficaram mordidas com a atitude do Kentin xD Talvez vocês achem ele mais fofo agora u-u Boa leitura.

No meio da noite eu acabei descendo, era tarde, a probabilidade de esbarrar com Kentin era pouca. Assim que eu desci as escadas e fui para a cozinha, encontrei ele debruçado na mesa com três garrafas de whisky, duas vazias e uma pela metade. Pouca probabilidade ainda sim é uma probabilidade.

– Veio para me perdoar? – ele perguntou, a voz dele estava estranha, com certeza ele estava bêbado.

– Não, seu bêbado. – virei a cara. – Onde arrumou isso?

– É da mamãe. – arqueei a sobrancelha, nunca soube que a tia enche a cara. – Digamos que você quer ser modelo... Você come? – fiz que sim com a cabeça. – Vai ter que parar de fazer isso. – ele pausou um pouco se sentando na cadeira direito.

– Você fuma ou bebe? – neguei com a cabeça. – Vai ter que começar a fazer isso.

Fiz careta, ele me olhou com a “cara de cão arrependido”, desviei o olhar, não funcionaria dessa vez. Tinha olhado meu rosto antes de sair no quarto, estava meio vermelho, acho que ele nem usou tanta força assim quando me bateu. Mas que ia ter troco, ia sim!

– Me desculpe pelo que aconteceu. – ele falou se debruçando sobre a mesa deitando a cabeça na mesma.

Peguei uma garrafa de água e saí sem dar resposta, ele me chamou e eu não respondi nada.

– Sabia que o Lysandre viu que eu bati em você? – arregalei os olhos e me virei para ele, Kentin deu um sorriso meio estranho. – Aquele seu namorado quase quis quebrar a minha cara.

– Ele não é meu namorado. – retruquei. – Deveria ter quebrado, aliás, eu deveria ter quebrado.

– Minha cara tá aqui. – ele bateu a mão na face duas vezes. – Por que não quebra?

– Você já está todo quebrado, quebrar pra quê? – debochei.

– Não seja má! – ele fez bico. – Você tem que ser boazinha, eu sou seu irmão mais velho.

Ele levantou-se e colocou as mãos no seu rosto, ficou falando umas coisas sem nexo algum. Fiquei encarando-o. O que entregava que ele estava alcoolizado era o modo como ele falava, dava para vê que ele estava meio grogue. Fora isso, as expressões faciais dele estavam normais, ele estava com cara de bocó, como sempre.

Dizem que bêbados riem, choram, ficam carentes, acham que são ricos, entre outras coisas, nunca vi um bêbado alegre na minha frente. Só um violento, que era o pai de Angela.

Bêbados fazem besteiras, isso é fato, naquela hora ele fez a maior besteira do universo. Ele simplesmente tentou me beijar. Além de desviar, virei à mão na cara dele, exatamente como ele fez comigo. O deixei caído no chão e voltei para o meu quarto. Minha vida estava uma bagunça, será que o melhor era desistir de tudo e começar do zero?

No dia seguinte ouvi batidas na minha porta, peguei o travesseiro e coloquei em cima do meu rosto tentando ignorar as batidas frenéticas.

– VAI EMBORA, KENTIN! – berrei.

– Não é o Kentin, é a sua mãe. – a voz respondeu lá de fora.

Abri a porta do quarto e deixei-a entrar, sentei-me na cama junto a ela e comecei a explicar tudo, claro que ela tinha notado que havia algo errado, mas... Não sabia se deveria contar sobre Lysandre e Castiel... Se eu não contasse, a história ficaria cheia de buracos. Então eu acabei contando.

– Seu irmão é uma pessoa muito ciumenta e também, ele quer que você conte tudo o que acontece para ele, mas ele não conta nada para você. – ela fez bico. – Tenha paciência. – ela sorriu passando a mão nos meus cabelos.

– Desculpa, tia. – a cortei fazendo com que ela desfizesse o sorriso. – Já tem muita coisa da qual eu tenho que ter paciência. Ele é mais velho, ele é quem deveria ter paciência comigo e não o contrario.

– Eu entendo... – ela suspirou.

– Você o viu na cozinha...? – perguntei.

– Não. Ele está no quarto. – ela sorriu. – A Miki escreveu no diário que vocês brigaram.

“Ela só veio para saber da briga? Eu abri meu coração e ela só queria saber da briga, DROGA!” – pensei.

– Quando ele acordar e vomitar eu falo com ele.

Aquelas palavras não combinaram com o sorriso que ela deu, uma repelia totalmente a outra. Que coisa linda, falar de vômito em plenas oito da manhã! Depois daquilo eu não quis mais dormir, mas também não queria que ela fosse embora. Era uma das poucas vezes que ela estava em casa. Ela já sabia que eu tinha entrado no quarto dela, então não fazia mal perguntar.

– Tia, a senhora ficou grávida anos depois que a Miki faleceu... Por que não trouxe o Kentin para cá? – ao encerrar com a interrogação, ela sorriu. Aqueles sorrisos não eram confiáveis. Era a segunda vez que eu faria aquela pergunta, talvez com a rotina, ela teria esquecido que eu já havia perguntado.

– Eu tive uns problemas. – ela pausou um pouco. – E nunca mais me pergunte sobre isso, entendeu? – ela lembrou, droga.

E novamente, o sorriso não combinava com o tom de voz, pareciam duas pessoas diferentes ao mesmo tempo. Que bela resposta! Aquele mês era o mês de “deixar a Lynn na merda”, céus! Estava ficando insuportável. Ao ouvir a porta bater, meu caderno se abriu. Ótimo, parecia que Miki era a única que me contava as coisas naquela casa.

“Acho que era porque ela estava com problemas psicológicos”. – li mentalmente o que estava escrito no caderno.

É mesmo, a tia tinha pirado na batatinha! Havia me esquecido desse detalhe. Kentin disse que o pai dele morreu na guerra. Poderia ser o motivo que Miki havia dito, mas deveria ter algo em relação ao pai de Kentin, era compreensível que ela não quisesse tocar no assunto do seu falecido marido. Liguei os pontos, aquela teoria era a mais aceitável para mim, até porque não conseguia pensar em outra coisa. Espera... Mas a tia nunca casou.

Às vezes eu me sentia como uma estranha naquela casa, ao entrar na cozinha vi Kentin e a tia agindo como mãe e filho, aquilo não era comum, já que a tia não era presente. Não vou mentir, queria ter meus pais biológicos, apesar de que a tia e o Kentin até que não eram tão ruins assim. Sentei-me na mesa ficando de frente pra Kentin, mas eu não o encarava, e quando encarei, fiz careta ao ver a cara dele.

“Que ressaca da porra”. – pensei, ele estava todo derrubado.

– Tem alguma coisa na minha cara? – ele perguntou rude.

– A sua cara. – respondi. – Já é algo que chama atenção. Qualquer dia eu a tia vamos te trancar numa jaula e te levar para o zoológico.

Ele ia responder algo, mas levou a mão na cabeça. Estava doendo, ressaca de novo. Seria muito divertido fazer barulhos em casa enquanto ele tivesse de ressaca. Por isso que eu calcei as sapatilhas mais barulhentas que tinha e saí andando sem parar pela casa. Ele parecia incomodado, mas não falava nada.

À noite já estávamos sozinhos de novo, e aquilo me preocupava. Dizem que o álcool é como se fosse um empurrão para fazer coisas que você queria fazer enquanto sóbrio... Mas por outro lado, o álcool também faz com que você diga e faça coisas que você não quer. Em que quesito ele estava? Era a minha duvida e ao mesmo tempo preocupação.

Passei pela cozinha novamente, ele estava sentado à mesa. Graças à Deus não estava bebendo de novo, até porque seria burrice, a ressaca que ele teve deve ter ensinado algo. Torci para que ele não falasse comigo, então fui fazendo a minha parte em andar rápido.

– Hei! – ele me chamou, estava de costas para ele, fiz uma cara de decepção.

– Você me colocou na cama ontem?

– Não. Por quê? – perguntei.

– É que eu me lembro de ter subido. – ele coçou a cabeça. – Na verdade eu só me lembro de estar aqui bebendo.

Amnésia alcoólica, claro. Pelo menos ele não se lembrava do que tinha feito, então eu não precisava ficar constrangida em falar com ele. Mas eu ainda não sabia se aquilo foi o álcool que fez involuntariamente ou se foi o álcool que apenas deu um empurrãozinho. Oh céus! Ainda tinha vontade de jogar tudo para cima e começar tudo do zero. Aquele pessoal era mais complico do que o pessoal da escola militar, lá eu só tinha que ficar de olho caso algum idiota tentasse me passar a perna, aqui eu tinha que me preocupar com todo mundo. Grande merda de vida essa que eu fui arrumar. Se ao menos o Tio fadinha ainda estivesse vivo...

– Hei, ouviu o que eu disse? – Kentin falou mais alto para chamar minha atenção.

– Ah! Não, estava pensando em outra coisa. – respondi.

– Eu pedi desculpas pelo... Tapa. – ele encarou o chão, parecia estar arrependido.

Fiz que sim com a cabeça, não queria desculpar, aliás, queria bater nele até ele chorar como uma menina. Mas... Ele parecia meio arrependido, seria maldade não desculpa, não é? NÃO! Eu só desculpava se quisesse, mas dei a entender que desculpei só para ele não encher mais meu saco. Ainda estava zangada, muito zangada, mas ele pareceu feliz quando eu fiz que sim com a cabeça.

Então ele sorriu, fazia tempo que ele não sorria, na maioria das vezes ficava com de cara feia me chamando de tampinha. Mas... No outro dia ele já estava de mau humor, e disse que estava zangado com Castiel. Eu sabia que uma hora ou outra eles iam começar a brigar de novo. Pelo menos eu não teria que ficar aguentando ele defender o Castiel. Kentin era horrível em defender as pessoas, até mesmo a mim. Parecia outra pessoa, parecia com a tia! Ele se comporta de uma maneira e fala de uma maneira, tem momentos que ele fazia o contrário, aprendi a lidar com mais de quinze tipos de rifle, mas eu não saberia lidar com Kentin nem daqui a cem anos.

Passei a tarde fazendo meus deveres de casa, a noite achei ele, novamente bebendo.

– De novo? – suspirei. – A ressaca não ensinou nada?

– O único modo de não ter ressaca é não parar de beber. – ele respondeu, mas não estava alegrinho, parecia meio deprimido. Deveria ter começado a beber agora.

O violino estava em cima da mesa de centro da sala, com uma corda arrebentada, havia sangue nas cordas, ele deveria ter cortado a mão com as cordas, dessa vez foi a direita, mas só um corte de leve. Fiquei sentada no sofá, o deixei beber mais um pouco, seria a oportunidade perfeita para fazê-lo abrir a boca.

– Então... – comecei a conversa como quem não queria nada. – Onde você morava antes de vim morar aqui?

– Alemanha. – ele respondeu. – Por causa da escola militar. Antes que pergunte, eu não via o Armin e o Alexy.

– Certo... – pausei um pouco pensando em outra pergunta. – Há quantos anos você mora aqui?

– Depende, em que anos estamos? – brincou. – Há uns três anos, eu acho.

Tão pouco tempo? Por quê? Ele estava bem simpático, estava começando a gostar dos efeitos da bebida. Logo ele percebeu a curiosidade em meu olhar.

– Quando a mãe ficou grávida, ela ainda não estava muito bem da cabeça. Eles se separaram e ela foi declarada inapta, meu pai ficou com a guarda. – explicou.

Era isso? Por isso que ele não veio para essa casa? Eu não acho que a tia esteja totalmente recuperada dos problemas dela, mas não acho que Kentin iria querer ficar com um tutor ou algo assim, apesar de que eu acho que ele iria acabar optando por outro parente para substituir o pai SE não aceitassem que ele ficasse com a mãe dele.

– Mas, a tia nunca teve marido. – questionei.

– Como? – ele começou a rir de mim. – Então na sua cabeça, uma mulher engravida só quando casa?

– Estão está dizendo que você foi um acidente? – arqueei a sobrancelha.

– Mamãe nunca disse, mas aposto que foi uma mistura de whisky e camisinha vagabunda. – ele bebeu mais um gole da bebida, fiz careta. – O que? – ele me olhou. – Você ainda vai fazer “aquilo”, quem sabe quando seus peitos crescerem.

Fiquei boquiaberta com a cara de pau dele. Fiquei na minha controlando a raiva, ainda tinha muita coisa para perguntar, mas deixei escapulir uma piada.

– Dizem que quem malha demais é porque quer recuperar centímetros que não têm em outros lugares. – depois dessa eu me senti vingada, mas não por muito tempo.

– Não posso concordar com nada porque não sei do que está falando, eu sou anaconda, anacondas não entendem isso. — franzi a testa, naquela hora eu quis ri, mas me contive. – E não faça essa cara, tampinha. Eu já vi você olhando pro meu zíper.

Coloquei a mão na testa e encarei o chão, ia ter que aguentar aquilo para saber o que eu queria, que merda. Bêbado é uma merda mesmo, e eu deveria soltar ele no meio da rua, cu de bêbado não tem dono. É o que dizem por aí pelo menos.

– Você sabe alguma coisa sobre a Miki? – perguntei.

– Sei que eu fiquei com um bocado das coisas dela. – ele se espreguiçou. – As katanas e um livro bem interessante.

– Um livro? – perguntei apresentando interesse, era outro diário ou algo do gênero?

– Já ouviu falar no kama sutra? – ERA ESSE LIVRO?

– PARA DE SER NOJENTO! – o empurrei. – POR QUE VOCÊ FAZ QUESTÃO DE FALAR ESSAS COISAS NA MINHA FRENTE?

– Não se estressa. – ele riu. – Eu empresto pra você se você quiser.

Depois de muita perversão da parte dele, eu continuei cutucando para ter informações sobre Miki. Kentin é uma pessoa muito curiosa, ele só não é mais curioso que eu, mas ele provou que era curioso quando entrou no quarto da mãe dele pra pegar as fitas indecentes. Se ele sabia que elas estavam lá, com certeza já tinha ido lá antes. Será que... Ele já leu o diário? Queria extrair mais informações, já que eu não tinha lido tudo.

– O que mais sabe sobre ela? – perguntei, continuando a insistir nas perguntas.

– Você entrou lá, não foi? – ele sorriu. – Mexeu no computador, tenho certeza. – arregalei os olhos, como ele sabia? – É, você fez. – ele sorriu confirmando sua teoria com a expressão que eu fiz. – Descobriu a senha? Nunca consegui.

Então ele não sabia do diário? DROGA! Se quisesse descobrir agora teria que ir lá de novo, e duvido que a tia dê sopa para deixar a porta do quarto aberta.

– Não. – menti. – Eu só vi a foto delas, e só.

– Mamãe não gosta muito de falar dela. Tem até lógica. – ele suspirou. – Para falar a verdade, eu tive medo de falar sobre a tia Miki com ela. A mensagem do seu quarto foi escrita com sangue, ela cortou as mãos para isso, depois ela cobriu com tinta e com papel de parede. Os vizinhos começaram a ficar preocupados e chamaram a policia, acharam ela fumando vinte cigarros de uma só vez. Depois dessa polemica a carreira dela estourou, foi chamada pra fazer ensaio em todo canto. Tem até uma playboy dela. Quer ver?

– Você é muito nojento! – dei uma tapa no braço dele. – Não me diga que viu essa revista?

– Eu a tenho guardada. – explicou. – Eu fazia coisas com aquela revista. – ele falou pensativo, me dava nojo só de pensar nas tais “coisas”. – Mas eu não sabia que era ela! Em minha defesa, ela estava de máscara. Tinha que ver a confusão que aconteceu quando ela achou a revista no meu quarto.

“Zé punheta”. – pensei fazendo cara de nojo.

– Nunca mais eu aperto a sua mão! – exclamei, cruzei os braços me sentindo totalmente constrangida. – E por que ela ainda deixou você ficar com essa revista? Se fosse eu, queimaria! – fiz bico.

– Se fosse você, não teria posado nua. Normalmente chamam mulheres bonitas. – ele provocou.

Ele ficava cada vez mais irritante, fiquei na minha de novo. Tem que pagar para levar, certo? Queria mais respostas.

– Você já viu a tatuagem do Lysandre? – claro que ele tinha visto, perguntei por perguntar.

– Já. Para falar a verdade, queria estar com ele quando ele fez. Leigh estava e disse que foi engraçado. – Kentin encheu um copo de whisky e virou todo de uma vez, parecia aqueles pinguços velhos e pervertidos. – Ele quase chorou, também, quem mandou fazer uma daquele tamanho.

– Ele fez mesmo para cobrir uma cicatriz? – perguntei.

– Foi. – ele confirmou tomando mais uma dose, bêbado completo. – Ele arrumou a cicatriz no acidente de carro que matou a mãe dele.