Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Primeiramente, desculpem pela imagem. Como esse capítulo não tem quase dialogos, foi dificil pegar uma imagem para ele, mas enfim. Já tinha mina nos comentários sugerindo coisas para a fanfic, mas como eu falei: Eu escrevi até o 66. Gente shushaushush ' Mas ela sugeriu exatamente o que ia acontecer na fanfic xD Boa leitura.

– A mãe dele morreu...? – arregalei os olhos. – Mas... O Alexy me disse que...

– Se ele falou algo para você, deve ter sido que os pais do Lysandre não ligam muito para ele, foi isso? – confirmei com a cabeça. – Depois que a mãe dele morreu, o pai dele se casou com uma vadia qualquer, uma stripper que ele conheceu num cassino quando ele voltou a Las Vegas por causa do jogo.

Lysandre tinha me contado que o pai dele era viciado em jogo e que tinha sido ele quem o ensinou a jogar poker, os pais dele quase se separaram por causa desse vicio. Então quando a mãe dele morreu, o pai foi buscar um refugio no cassino. No caso, deve ter sido histórias que Leigh contou, Kentin me revelou que esse acidente ocorreu quando Lysandre tinha um ano de idade.

– Ele se casou com uma stripper? – arqueei a sobrancelha.

– Pelo menos não foi com uma morta. – ele riu enquanto ainda bebia. A garrafa que estava pela metade ontem, estava quase vazia hoje. – Ele estava bêbado, esperava o que?

– Ele estava bêbado como você ou bêbado quase em coma alcoólico? – sorri.

– Quem disse que eu estou bêbado? – ele questionou.

Concordei com um sorriso irônico, ele mal percebeu, continuou a falar merda e a responder perguntas que eu tanto queria saber. Se ninguém me contaria nada, o álcool contaria, e pelo visto estava funcionando bastante. O fígado de Kentin poderia até pedir socorro, mas o fígado é dele, não meu, então por mim ele poderia encher o cu de cachaça, desde que me respondesse tudo. Eu até achava ele mais interessante quando estava bêbado, ele era pervertido e muito! Mas até que tinha lá suas vantagens, ele respondia tudo na maior franqueza e sem nem se importar se estava soltando um fato que deveria ser segredo.

Naquela brincadeira ele me disse que Castiel não sabia nadar porque tinha medo. No primeiro sequestro, antes do chip no qual Kentin estava presente, os sequestradores jogaram Castiel numa piscina. Quando Kim, Angela e Rosalya vieram salvá-los, Kentin e Castiel se apaixonaram por Angela ao mesmo tempo.

Quando Kentin começou a falar sobre a foto que eu achei no quarto, ele ficou se mal dizendo porque disse que queria ter tirado uma foto com Angela no dia em que eles se conheceram. Apesar de que eu acho que Kentin não era tão fotogênico quanto era mais novo. Ele conheceu Angela quando Rosalya tinha chamado Angela e Kim para uma festa do pijama ou algo do gênero. Castiel tinha feito o mesmo chamando os meninos do F4. Todos dormiram na casa de Castiel no dia em que Rosalya reuniu as meninas.

– Engraçado que ela chamou as meninas e depois acabaram dormindo em quartos separados. – ele tinha pegado outra garrafa, aliás, eu quem abri para ele continuar bebendo e falando. – Ela pensa que eu não a ouvi trepando com o Leigh? A Rosalya é safada que dói na alma. – nada de copos, ele bebia na garrafa mesmo.

– Bem que eu queria ter uma irmã adotada safada e gostosa. E olha só o que veio pra mim! – ele apontou para mim. – Uma tábua ranzinza e freira! Eu joguei pedra na cruz, só pode. Mamãe poderia ter adotado a mulher do pôster do meu quarto.

– Deveria tirar aquilo de lá! – apoiei meu queixo na minha mão, fingindo que não o ouvi me xingando de novo. – Se você trouxesse alguma menina para cá, coisa que obviamente você não vai nem sonhar em fazer, ela acabaria se sentindo constrangida com aquele pôster.

– Eu não tiro ele de lá. – ele balançou a garrafa. – Eu tive que ir ao prêmio do filme pornô pra olhar pros peitos da atriz e ganhar aquela porcaria.

– Eu vou repetir uma antiga pergunta. Por que faz tanta questão de falar essas coisas na minha frente? – já não perguntava mais ofendida ou com raiva, já havia mais de meia hora que ele só falava de putaria.

– Eu já falei que você parece um menino? – ele me olhou, fiz que sim com a cabeça. – Meninos falam isso, até o santo do Lysandre. – ele deu um sorriso pervertido. – Ele não dizia, mas eu sei que ele era louco pra comer a irmã da Nina, aliás, ele e o Armin queriam isso. Mas tipo... Não ao mesmo tempo, acho que cruzar espadas não é uma coisa legal...

– PROSSIGA! – insisti.

– Eu ia comer ela, mas a safada já tava dando pra outro. Pegou herpes, bem feito! – ele deu uma risada. – E você. – ele apontou para mim. – Vai morrer virgem! Não quero você com nenhum tarado.

Revirei os olhos, já estava ficando com sono. Assim que ele começou a falar do Castiel eu meio que me espertei, o assunto era bem interessante, envolvia o Nathaniel.

– O Nathaniel era amigo da gente, ele nunca gostou do Castiel por ele humilhar muito as pessoas. Daí um dia o Nathaniel resolveu fazer alguma coisa, depois de vários anos apenas vendo e ficando calado. – ele tomou mais um gole da bebida e suspirou. – Daí uma tábua chegou e salvou ele. – ele sorriu irônico. – Ainda bem que fez isso, se não fizesse eu faria.

– Não me lembro de ter te visto no telhado naquele dia. – questionei.

– É mesmo. – ele encarou o teto e começou a rir feito um bocó. – Mas eu deveria ter feito algo, confesso que depois que o Nathaniel se manifestou, eu fiquei meio assustado com as providencias de Castiel para silencia-lo. Mas... Mesmo eu odiando dizer isso, você mudou as coisas como eu nunca conseguiria.

– Então você amarelou? Tsc! – dei uma risada de deboche. – O grande machão amarelou, nem acredito nisso! – continuei a rir.

– Não ria, sua idiota. – ele colocou a garrafa na mesa e bagunçou meus cabelos. – Você mudou o Castiel, querendo ou não, ele merecia que alguém desse um sacode nele, os outros eram muito medrosos para fazerem alguma coisa. E eu era muito burro... – Kentin encarou o chão, logo o teto. – O Nathaniel já sofreu com muita coisa na família dele, a mãe dele vive gritando com ele. Quando pequenos, ele era uma peste e a irmã uma santa. Quanta ironia em uma frase só. De qualquer forma, o pai dele não queria, mas acabava batendo nele. Mandando-o ser homem... Como...

– Como o seu pai fazia com você? – botei para fora, ele não lembraria mesmo daquela conversa, já tinha botado três garrafas para dentro, iria desmaiar a qualquer hora.

Confesso que eu já suspeitava de que o pai dele fazia isso, soldados bem aplicados são treinados à base da pressão. Já ouvi falar que os treinamentos lá na Alemanha são duas vezes mais pesados dos que os daqui, por isso que ele era melhor que eu... Apesar de ter passado menos tempo na escola militar. Eu não esperava, mas após a minha pergunta Kentin fez que sim com a cabeça. Claro, foi treinado com todo aquele jeito machista de ser, de querer ser um homem superior e ter um orgulho tão bobo. Isso explica o fato dele ter dito que se sentia menos homem quando chorava. Coitado, fez tudo isso para ter aprovação do pai.

– Mas não estamos falando de mim. – ele fez careta. – Você deve ter visto no dia que ele tentou se matar, o Castiel o ajudou. Não parece, mas ele doa sangue. Já imaginou o Castiel ajudando alguém? Parece até brincadeira. – ele riu. – É tão impressionante que com isso reforça a minha teoria que ele mudou por sua causa, ele não se comporta diferente só com você, ele parece mais feliz agora.

Paralisação total. O doador anônimo era o Castiel? Ele deveria doar a muito tempo, o pessoal que cuidava das transfusões de sangue tinha até o número dele e tiraram ele de casa no meio da noite para fazer a transfusão. Será que ele já doava sangue antes de eu conhecê-lo? Se fosse isso, ele não mudou por minha causa. De qualquer forma eu vi que Castiel não era tão monstrinho como eu imaginava. Aliás, notei antes que ele estava mais gentil, mas achei que era só uma gentileza a mais porque ele já tinha se acostumado comigo. Pensava isso até ele dizer que gostava de mim, daí eu já fiquei logo com uma dor de cabeça, Castiel não faz meu tipo, na verdade eu nem sei qual menino faz meu tipo. Talvez o Lysandre... Quem sabe.

Kentin ficou rindo feito um retardado por uns cinco minutos, não me pergunte por que ele estava rindo, nem eu mesma entendi o motivo da risada dele. Ele desmaiou no sofá e soltou a garrafa vazia no chão. Com toda aquela bebida ele deveria estar em coma alcoólico, ou não. De qualquer modo, subi as escadas e fui para meu quarto dormir.

Fiquei rolando pela cama tentando dormir, ficava me lembrando de todas as coisas pelas quais tinha passado, aquilo não era mais comum, já que eu fiz tanta força para esquecer como Armin havia aconselhado. Eu sempre me foquei em ser uma boa soldada, isso me fazia esquecer toda a desgraça que já tinha acontecido na minha vida. Agora que eu saí da escola militar, no que eu focaria para esquecer-me de tudo? Eu sempre lutei para ser uma boa pessoa, como o tio fadinha queria. Mas no final meu lado hipócrita, o lado que julgava as pessoas, sempre vencia. Por que estava pensando isso? Eu julguei o Castiel, na verdade eu venho julgando todos desde que saí da escola militar. Eu apenas me precipitei, não dá para conhecer uma pessoa completamente em pouco mais de um ano.

Sempre fui julgada e sempre odiei tudo isso e todas as pessoas que o faziam, hoje eu estava sendo hipócrita. Esse é o verdadeiro lado do ser humano, ver os defeitos dos outros sem ver os seus próprios, odiar algo em alguém e fazer o mesmo. Podemos lutar todos os dias para sermos moralmente corretos, mas no final, o lado hipócrita sempre vence.

Até agora eu lutava para pelo menos aparentar ser forte. Quando Castiel disse que eu não era forte, foi o momento que ele teve mais razão desde que eu o conheci. Mas a aparência é o que importa para as pessoas, eu queria aparentar ser forte. Eu queria afastar os males apenas com o rugido, como os animais fazem para intimar os que representam perigo. Eu sabia que não era a única que fazia aquilo, até porque eu fazia aquilo porque me ensinaram. Eu aprendi que: Ou você toma atitude, ou você toma no cu.

Naquele dia eu percebi que eu não estava ficando sensível por causa das influencias dos outros, eu estava ficando sensível porque eu não tinha mais tanto aquela necessidade de ficar o tempo todo fazendo as aparências para ser forte, a força não está nas aparências. Naquele dia eu percebi que de tanto enganar os outros, eu acabei enganando a mim mesma, e naquele mesmo dia eu consegui aceitar quem eu era.

Parece ridículo apenas se aceitar agora depois de vários anos já vivido, mas eu tinha que ser o que as pessoas queriam, apesar de que nunca dava certo. Crianças adotadas têm que ser o que os pais querem que eles sejam, isso foi o que eu fiz por quase toda a minha vida. Quando eu era filha do tio fadinha, eu acreditava que eu estava livre para ser quem eu era, mas a merda foi atirada contra o ventilador. Não podia mais me sentir segura, a merda poderia ir contra o ventilador qualquer momento, e eu não era mais criança. Se ser filha da tia não desse certo, eu iria viver em outro lugar, de outra maneira e sendo eu mesma, vivendo com a intensidade que eu nunca vivi.

Eu havia pensado em muitas pessoas, mas não pensava muito como Kentin se sentia. Quem sabe ele poderia ser como eu, se fazendo de forte por causa dos outros e por orgulho puro. Eu já pensava nisso, se fosse verdade, éramos irmãos mais do que pensávamos. Para falar a verdade, entre Kentin e Lana eu não sabia qual dos dois era mais meu irmão. Eu e Lana sempre nos comportávamos de maneira parecida como eu e Kentin, só que Lana é pura e o Kentin é um pervertido. E a Angela? Angela nunca foi minha irmã. Se realmente se importasse comigo, correria atrás dos seus sonhos comigo do lado. Custava tanto assim ela me levar junto?

A tia... A tia foi a que mais me ajudou, nunca pensei em como ela se sentia. Que egoísmo... Na verdade a tia era a pessoa mais misteriosa que eu tinha conhecido, Lysandre nem chegava aos pés dela nesse quesito. Eu poderia perguntar a Miki ou ler o diário dela completo dessa vez... Mas algo dizia dentro de mim que aquilo não era necessário. Lana já me falou sobre o budismo, ela disse que se não seguisse a wicca, ela seguiria o budismo. Em alguns quesitos até que havia semelhança, o karma no budismo era um pouco parecido com “a lei do retorno”. Mas o que eu estava pensando naquela hora era que eu tinha que esperar as coisas virem até mim, era o que o budismo ensinava, a se desprender dos desejos e simplesmente viver a vida esperando que as coisas acontecessem de forma espontânea.

Esperar seria um problema para quem sempre correu atrás das coisas, mas... Conquistar as coisas na marra era certo? Estava tão confusa que nem sabia se era certo ou não. De qualquer forma, se eu fosse esperar, será que a vida me traria coisas boas?