A Órfã Doce

10 A pessoa errada


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan u-u A imagem não tem muita coisa a ver com o capítulo ;3; BUT eu achei ela maravilhosamente maravilhosa u-u Agradeço de coração a todo mundo que está lendo e comentando. Eu aproveitei isso de postar novamente e estou relendo para corrigir erros, é um aperfeiçoamento a mais na fanfic. Espero que realmente gostem. Boa leitura.

Quando acordei na manhã seguinte, a interrogação continuava a me intrigar mais intensamente. Até pensei que Castiel pudesse estar querendo aprontar comigo de novo e estava contando com a parceria de Armin para isso. Mas não fazia sentido! Armin e os outros três do F4, por mais que sejam amigos de Castiel, não concordaram com as palhaçadas que o ruivo fez comigo. Se Armin se posicionou contra naquele dia, ele se posicionaria contra caso ocorresse de novo. Outro ponto que fazia desmanchar minha própria paranoia é o fato de Castiel ter ficado todo calminho desde que eu o ajudei no observatório.

Tentei tranquilizar a mim mesma. Tinha que estar preparada para tirar isso a limpo. Querendo ou não, isso me deixava nervosa. Era inevitável!

Naquela manhã, acordei cedo o suficiente para ir a pé para a escola. Tive a sorte de encontrar-me com Nathaniel. Finalmente a normalidade estava voltando em seu rosto. Por mais que já houvessem passado dias e dias, o representante ainda sentia-se constrangido por causa do flagrante na sala do grêmio.

— Bom dia. — o cumprimentei.

— Bom dia. — respondeu ele com o rubor não só presente nas bochechas, mas até nas palavras!

Parei e pensei. Pensei e pensei mais. Na verdade, deveria ter pensado bem. Definitivamente bem. Infelizmente uma das minhas manias insuportáveis é ser movida pela curiosidade. Esta infeliz consegue tomar posse do meu corpo, chega até ser inacreditável.

— Você é o namorado da Melody?

O problema é acabar incomodando as pessoas e as vezes ser tachada de intrometida. Outro detalhe incômodo que devo ressaltar é que: a curiosidade toma conta de mim e me faz ser impertinente, mas o arrependimento e vergonha chegam logo em seguida. Justamente quando o que foi dito, está dito.

— Não! — respondeu o loiro completamente nervoso. — Por que está perguntando isso?

— Ah, não seja bobo. — claro que era errado continuar insistindo. E por mais que a vergonha já estivesse me atingido, eu era forte o suficiente para aguenta-la. — Você sabe do que eu estou falando. Melody, aquela garota que estava com você na sala do grêmio.

— Eu não gosto daquela garota. — ele negou com a cabeça. Era evidente que ele estava mentindo. Confesso que senti muita pena dele, aposto como ele nem mesmo sabia que Melody só fizera aquilo por ordens do F4. Foi naquele justo dia que a garota passou meu histórico para Castiel. — Bom, é um pouco complicado de explicar. Você compreende? — assenti levemente com a cabeça. Seu constrangimento era tanto que chegava até ser cômico, mas eu não seria tão cara de pau para rir do pobre coitado numa situação dessas. — Ela não é minha namorada. Ainda não, pelo menos.

Aquele foi o justo momento em que chegamos a Sweet Amoris. O constrangimento de Nathaniel foi para um lado e minha impertinencia para outro, infelizmente houve um transplante de rubor via aérea. Este foi realizado no justo momento em que Armin veio em minha direção com um sorriso no rosto, o mesmo sorriso que até ontem era confuso para mim. Agora sim eu entendia, era um sorriso de malícia!

— Pode vir comigo? — pediu ele estendendo sua mão para mim.

— Eu vou depois. — respondi acanhada. Foi naquele exato momento em que desejei ser Jesse Owens pra correr dali a todo vapor. Até mesmo tentei desviar o caminho, mas o garoto parecia ser tão irritante e insistente quanto eu fui com Nathaniel.

— Ora, vamos! — persistiu ele. Armin tomou minha mão e me arrastou até o corredor da sala do F4. Foi aí que o ponto de interrogação começou a me incomodar. O que diabos ele estava fazendo?

— O que você quer?

Armin me empurrou contra a parede e passou a me segurar pelos ombros. Seus lábios vieram lentamente a meu ouvido para um sussurro. Nessa altura do campeonato, já estava morrendo por dentro. Meu corpo congelava, o que eu iria fazer?

— Quer repetir? — propôs ele. Fiquei boquiaberta na hora com sua safadeza.

— Está maluco?! — retruquei. — Vão nos ver aqui!

— Ah, não vão não. — rebateu ele de um jeito manhoso.

Armin deu uma mordida em minha orelha e me fez soltar um suspiro. Definitivamente aquilo era muito estranho! Não só o modo estranho como o gamer estava se comportando, mas como o meu corpo estava reagindo. Estava cedendo, vulnerável, frágil, derretida. Passei anos rodeada pelos garotos da escola militar, mas nunca imaginei como era ter um garoto tão perto de mim assim.

A porta se abriu, meu coração quase saiu pela boca. Quando olhei para a entrada da sala do F4, pensei até estar alucinando. Vi Armin totalmente histérico rugindo como um leão. Mas Armin estava colado em mim, como poderia haver outro logo a frente?

— Que porra é essa?! — foi o primeiro estrondo. — Alexy, seu idiota!

— O que? — interroguei confusa encarando um e logo após o outro. Estava tão perdida quanto cego em tiroteio.

O garoto furioso que estava na porta nos puxou para dentro da sala. Lá havia apenas Lysandre e Kentin. Além de confusa, estava constrangida. Que ótimo! Em que bosta o usurpador foi me meter!

— Qual é a tua, vacilão?! — vociferou Armin. — Lynn, o que esse pervertido fez com você?

Mesmo atordoada, me pus a explicar o que havia acontecido. Olhava para um e outro sem saber quem era quem, até as vozes eram muito parecidas.

— Eu não acredito! — trovejou o gamer, apontando e acusando seu impostor. — Você se passou por mim de novo.

A ficha caiu e parte da confusão se desmanchou dentro da minha cabeça. Eram gêmeos, dã! Lynn, que lerda você é!

— Você passa o dia inteiro com o rabo pregado jogando essa merda! — rebateu o irmão gêmeo apontando para a pilha de jogos que estavam ali mesmo na sala. — Depois que te chamam de bicha, você não sabe o porquê.

— Agora já chega! — berrou mais alto ainda. Sua voz até soou aguda. Toda aquela situação seria bastante cômica se eu não fosse uma das envolvidas nela. — Não muda de assunto! Você passou dos limites. Alexy, você assediou a garota!

— Eu não assediei. — negou o garoto.

— Assediou sim. — insistiu o gamer.

— Prove!

— Se eu tivesse os deixado mais cinco segundos no corredor, eu teria uma prova concreta! — exclamou Armin pegando em meu braço. — Uma trilha de baba que te acusaria! — o garoto gesticulou com o dedo, passando o dedo por perto de meu rosto até minha cintura. — O que deu em você, hein? Nem avisou que estava vindo!

— Não avisei e nem avisaria. — Alexy arqueou a sobrancelha. — Além de querer fazer surpresa, é divertido pregar peças em você fazendo esse tipo de coisa. Não sei por que está fazendo tanta tempestade, nem a garota se ofendeu. Sem contar que você já se passou por mim, não pode falar nada. Hipócrita!

— Mas aquele foi um caso a parte! — explicou Armin. — Eu estava afim da garota e ela queria você. Mas isso não vem ao caso!

— Isso vem totalmente ao caso. — questionou Alexy.

Quando ninguém mais pensava que poderia piorar, eis que surge Castiel na sala do F4. Ele fez uma careta ao ver toda aquela bagunça, minha presença e seus outros dois amigos em silêncio presenciando a batalha de palavras travada pelos gêmeos. Castiel, em seu momento mais "brilhante" resolveu tentar sacanear o gêmeo de Armin. Digamos que o usurpador não era apenas um bom ator, também era linha dura e tinha respostas na ponta da língua para dar e vender.

— Ora, ora. O que temos aqui? — sorriu Castiel em um ar de deboche. — A cópia mal feita.

— Ah, Castiel. Que desagradável surpresa. — comentou Alexy com um desprezo mascarado de desdém. — Nossa, o que houve com o seu cabelo? Você parece o absorvente interno que a minha mãe jogou fora semana passada.

— Não provoca não, sua bicha. — defendeu-se o ruivo já em um jato de aborrecimento. Uma veia pulsava em sua testa e seus olhos se estreitaram.

— Eu pareço ser mais hétero que você. Sem contar que pego mais garotas que você. — por um momento percebi que Alexy quis apontar para mim, mas parece que mudou de ideia. Que bom, eu já havia sofrido muito constrangimento para um dia só. Vai que o ruivo tem uma recaída e resolve voltar com o F4. O estresse aumenta só de pensar. — É melhor não se intrometer na conversa, ou eu te desço o braço sem pensar duas vezes.

Kentin finalmente agiu, mas de forma que não piorasse a situação. Ele simplesmente puxou Castiel para o lado, deixando os gêmeos continuarem a discutir.

— Lynn! — chamou-me Armin. — Ele se passou mesmo por mim?

— Sim, eu pensei que fosse você. — expliquei. — Ele fingiu bem!

— Ele te agarrou mesmo?! — perguntou novamente o gamer.

— Eu já disse que sim.

Agora as coisas tinham sido reveladas para Castiel, que droga. É melhor eu ir pedindo a ajuda de Kentin. Será que ele tem mais fotos constrangedoras do ruivo para me passar?

Pelo menos o que estava me intrigando finalmente fora esclarecido. Bom, não era o tipo de brincadeira que se faça com as pessoas, mas eu não me ofendi tanto.

— Peço desculpas por ele. — pediu Armin, olhando feio para seu irmão. — Espero que não tenha ficado ofendida e nem magoada.

— Nossa, quanto drama! — reclamou Alexy. — Até parece que ela deixaria barato se eu a tivesse deixado ofendida ou magoada. Quando se aborrece esse tipo de garota, se ganha um soco bem dado na cara. Ou uma voadora. — comentou ele olhando diretamente para o ruivo.

— Pode ir para a sua sala, Lynn. Terminarei de resolver isso. — Armin me pediu calmamente, mas dava para perceber que o gamer estava prestes a explodir. Então tratei de sair logo dali.

Horas mais tarde eu fui a piscina na esperança de encontrar Iris e relatar aquele estranho ocorrido. Se bem que acho que não seria adequado, sabendo que ela não gosta do F4. Soube que Iris está se acompanhando mais com outra estudante, confesso que isso me deixa um pouco aborrecida.

Por não ter companhia, resolvi sair da piscina. E assim que terminei de me vestir, o usurpador ressurgiu.

— Oi.

— Oi.

— Você não se ofendeu mesmo com a brincadeira, não é? — ele indagou um pouco sem graça. — Não era a minha intenção. Foi só uma brincadeira, foi inocente.

— Eu não vejo muita inocência nisso. — retruquei.

— Sim, de fato. Até porque você gemeu. — acusou ele com um sorriso safado nos lábios.

— Eu não gemi! — exclamei em alto e bom tom, mas ele apenas deu risada.

— Não precisa bancar a durona, eu sei que você não é de ferro. — deu de ombros. Seu rosto forçou parar o riso para não me aborrecer mais. — De qualquer forma, vim para te pedir desculpas.

— Cara, não precisa vir aqui com essa cara de arrependimento só porque o Armin mandou. — rebati asperamente, mas novamente ele sacaneou.

— Ah, que bom então. — sorriu ele colocando as mãos por trás da cabeça. — Que bom que sabe que não são desculpas sinceras.

Preferi até ficar calada diante da cara de pau, do descaramento, da ousadia daquela criatura. Já estava a ponto de me sentir realmente ofendida e soca-lo.

— Hei! — chamou ele assim que percebeu uma veia a pulsar em minha testa. — Posso te levar no shopping? Para te compensar, sabe?

— Ah, claro. — concordei, mas minha tolerância já estava desgastada. Resolvi não me aborrecer mais. Tinha que pegar minhas coisas e ir embora de uma vez por todas. Afinal, as aulas já haviam terminado.

— Pode ser no sábado? — gritou ele de longe.

Fiz um sinal positivo com a mão. No caminho das pedrinhas encontrei uma garota desconfiada e com um olhar paranoico.

— Pode me dizer onde fica a sala do F4?

— Você vai ao pátio, lá está o escritório. Se não tiver ninguém lá, vire a esquerda, depois a direita. A sala fica no final de um corredor.

Notas finais
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