A Órfã Doce

83 A juíza platinada


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Jovens, minhas provas terminam amanhã (inglês e espanhol). E eu dei uma acelerada e tanto no processo do capítulo. E vou dando um aviso: no próximo capítulo, vai rolar pegação e uma tragedia gigantesca. Então vão logo se preparando, para não serem pegas de surpresa e infartarem por causa da minha fanfic. Boa leitura.

– Me expulsar?! Que direito ele tem em fazer isso?

– Os pais dele são donos da Sweet Amoris. No começo do próximo ano o Castiel vai assinar um documento que passa a Sweet Amoris para o nome dele.

– Isso não justifica! – berrei. – Ele ficou com dor de cotovelo para decidir me expulsar?!

– Eu diria que foi mais dor de chifre, mas tudo bem.

– Você não vai fazer nada?

– E o que você quer que eu faça? O Castiel não iria me dar ouvidos.

– Poderia tentar.

– Tente você. Você disse que não queria mais ajuda.

Ele deu um sorriso, mas não era um sorriso de felicidade. Era um daqueles de superioridade, que me lembrava muito Castiel quando eu o conheci. Segurei minha raiva fazendo bico.

– E não faça tromba. – ele aconselhou. – Se quiser sair dessa, se vire. Eu ainda posso levar você até a casa do Castiel.

– Para ele me humilhar?

– Por que não? Você o humilhou.

Ele colocou a mão no bolso e me mostrou a chave da moto, balançando-a longo em seguida.

– Ultima chance.

– Não, obrigada.

– Certo, então. Eu vou buscar a Lety.

– Nem pensar!

– Por que não?

– Porque eu não gosto dela.

– Mas eu moro nessa casa e tenho os mesmos direitos que você. Eu não falava nada quando o Lysandre vinha aqui.

Levantei-me da cama, fui até a minha cômoda e peguei as luvas que Kentin tinha me dado de presente. Com minha mão direita, soquei a palma da mão esquerda, fazendo estalar todos os dedos.

– Está bem, pode trazê-la. Assim será bom para que eu treine alguns socos nela.

Kentin fez bico, guardou a chave no bolso e foi em direção a porta.

– Então eu vou buscar ela e vou para a outra casa. Acho que você ficará bem com a Lana.

Quando colocou o ponto final na frase, ele fechou a porta e o barulho dos seus pés seguia descendo as escadas. Suspirei, em poucos minutos a campainha soou. Eu e Lana fomos para meu quarto, mas eu disse que já sabia do ocorrido.

– Sério! Você não viu a cara que o Castiel fez. Foi muito cabuloso. Parecia até que ele ia matar você e o Lysandre.

– Até parece! E por que eu não fiz esse escândalo todo quando ele me trocou pela Debrah?

– Porque o Lysandre estava passando a mão no seu ombro, te abraçando e fazendo assim. – ela fez um bico, gesticulando um beijo.

– Hei! – a repreendi com uma tapinha no braço, ela apenas deu risada com a minha cara de constrangimento. – Duvido que o Lysandre queira me ver depois do que aconteceu.

– Lynn, o Lysandre é louco por você. Não tem essa de “duvido que ele queira me ver”, lógico que quer. E se você chutar o Castiel de vez, você fica com ele. Duvido que a raiva do Castiel passe. Ele parecia uma garota de TPM.

Não queria chutar ninguém, mas me livrar do Castiel de uma vez por todas, era algo que meio que me interessava. Eu já estava cansada de tudo que ele fazia e fez. De tudo que ele fez acontecer. Do modo como ele era bonzinho e depois se mostrava outra pessoa. A saída seria essa. E afinal, ser a namorada de um cara que bate em mulheres, não era algo que me interessava nem um pouco.

– Sorte que Castiel não quis expulsar o Kentin também. O Kentin quase quebrou o nariz do Castiel.

– Sorte do Castiel que o Kentin não decidiu quebrar o resto da cara dele. Achei digno. Você viu como meu rosto ficou?! – ela fez que sim com a cabeça. – Ele, no mínimo, merecia aquilo. Não acha? – outra concordância.

Ficamos em silêncio.

– O Kentin saiu.

– Falando nele, ele parou com aquela ideia de ficar saindo com a Lety?

– Saiu com ela agora.

– Nossa, que burro do caralho. Quando vai aprender?

– Quando levar um chute no traseiro. Aquele babaca. Como ele pega uma garota que ele odeia.

– Vingança? – sugeriu.

– Não, acho que ele não seria tão ridículo.

Meu celular tocou, umas três vezes, quando o atendi, havia um irmão furioso na outra linha.

– Manda o Armin parar de me ligar! – afastei o celular da orelha, ele falou tão alto que até Lana ouviu.

– Por que ele está te ligando?

– Ele disse que trocou de chip e perdeu seu número. Ele está dizendo que está na casa do Castiel e que ficou pedindo pra você ir lá. Mande-o parar! Estou ocupado.

– Então desliga o celular, sua ameba!

– É exatamente isso que eu vou fazer!

E desligou o celular.

– Vai ao Castiel? – fiz que sim com a cabeça. – Vou junto.

Fui até a garagem. Kentin havia levado o carro. Os chaveiros ficavam pendurados em um suportezinho verde que era colado na parede. Peguei os capacetes que ficavam em cima da moto, Lana e eu seguimos para a casa de Castiel. Assim que parei a moto, o avistei falando com Armin e Alexy. Todos estavam na frente casa de Castiel.

Parei a moto e desci.

– Castiel! – exclamei retirando o capacete e o levando na mão comigo.

– Não! Você não!

– Eu vim aqui porque o Armin...

Ele nem ao menos me deixou terminar a frase. Correu para o carro e saiu nele. Voltei para a moto e saí em alta velocidade atrás dele.

– Lynn, vai devagar! – Lana pediu.

– Segura aí! – mandei.

Lana agarrou em minha cintura e seus gritos eram abafados pelo capacete e pelo barulho do vento. Tentava bloquear o carro de Castiel, tentando passar a frente para que ele encostasse. A estrada estava vazia, porque além de ser uma rodovia tranqüila, era feriado.

Um carro vermelho passou por mim. Esse carro vermelho era um esportivo feminino super caro que eu havia visto a propaganda na TV. Além de nos ultrapassar, ele se meteu na frente do carro de Castiel e parou. Castiel foi forçado a frear, e ainda por cima, quase virou o carro para não bater.

Aproximei-me mais com a moto e desci da mesma, entregando o capacete a Lana.

– Está maluca?! – Castiel gritou assim que saiu do carro, para o motorista do carro vermelho.

Uma garota saiu do carro, com um lenço que cobria a maior parte de um cabelo loiro e quase todo o rosto, além disso, estava de óculos escuros. Passos rápidos e um salto alto marchando no asfalto, dois socos, o terceiro foi um cruzado. A moça agarrou Castiel pela gola da camisa e o pressionou na lataria do carro.

– Hei! – exclamei, mas parecia que não haviam escutado. – Hei!

Ao me aproximar, minha perna foi erguida e forçada, numa grande velocidade, a altura do peito da mulher, que logo recuou com o mesmo. Ela avançou com um soco, desviei quando me abaixei, o resultado dessa ação foi uma joelhada no queixo. Caí sentada no chão, o lenço e os óculos abandonaram o rosto da mulher.

– Belo chute. – ela comentou, oferecendo uma mão para me ajudar a levantar.

– Angela?! – Castiel exclamou. – Eu já desconfiava! Mulher alguma bate como homem, a não ser você!

– Quieto! – ela bradou. – Você merecia mais.

– O que eu fiz?

– Você sabe o que fez! – ela apontou para mim.

Por um momento eu não pensei que realmente fosse aquilo que eu estava pensando.

– Sua mãe não te ensinou que não se deve bater em mulheres? Por que não bate na sua mãe também?! – Angela berrou.

– Pega leve aí. – uma outra voz adentrou a conversa, com um ar largado. Uma mulher de cabelos platinados, muito bem conhecida por Castiel. Ela chegou em Castiel, o puxou pelo braço. O endireitou e deu leves tapinhas na roupa dele, limpando um pouco de poeira. O segurou pelos ombros e deu um sorriso. – ENTRA NO CARRO! – ela o sacudiu pelos ombros. Abriu a porta do carro de Castiel e o jogou lá dentro. – E você vai para casa! Eu vou com você! E tenho dó de você se ao menos pensar em desviar o caminho, entendeu?!

– Quem você pensa que é? Minha mãe?!

– Mais respeito com uma policial! – ela exclamou, dando um sorriso vitorioso. – Posso prender você por ter agredido duas pessoas.

Fiquei boquiaberta, sem saber o que dizer. Lana ainda estava ao lado da moto, segurando os dois capacetes, só assistindo ao espetáculo.

– Vocês duas! – ela apontou para mim e para Lana. – Vão para lá também.

– Sim, Rosalya. – concordei com a cabeça.

Sinceramente, Rosalya era uma mulher da qual eu tenho medo. Além de ser uma policial totalmente explosiva, ainda tem uma sala secreta cheia de armas. Será que a sala cheia de armas era só mais uma coisa normal para ela? Imagine só o que é anormal para ela.

Quando chegamos, estava quase todo o F4 reunido, exceto Kentin.

– Onde está seu irmão? – Rosalya perguntou.

– Trepando com a Lety. – Armin respondeu por mim, lancei um olhar de censura. – O que? Ele disse que iria!

– Poderia dormir sem saber dessa. – Angela resmungou acomodando-se no sofá, ao lado de Rosalya.

Eram três sofás, dois menores e um bem grande. Os dois pequenos ocupavam duas pessoas, no caso, eu e Lana estávamos em um e Rosalya e Angela em outro. No sofá maior estavam os gêmeos, Castiel e Lysandre. Alexy mudava freneticamente a direção do olhar, estava pronto para acompanhar a discussão inteira, mas não vi indícios que indicavam que ele iria fazer parte da confusão. Armin segurava a risada, tanto que tentava disfarçar o sorriso o cobrindo com a mão. Castiel estava nervoso pela presença da irmã opressora e Lysandre olhava para mim de vez em quando, e acabava desviando o olhar quando eu o olhava de volta.

– Certo, vamos começar. – Rosalya ergueu-se, ficando no lugar onde a mesinha de centro deveria estar. – Minhas fontes me informaram que...

– Pode dizer que foi o Armin. – Castiel fez tromba, interrompendo o discurso da irmã. – Todo mundo já sabe que foi ele!

– É, fui eu mesmo. – Armin cruzou os braços, com um ar de revolta. – Você já pagou por ter batido na Lynn e no Lysandre, mas querer expulsa-los já é demais! Está se comportando como uma menina birrenta.

– ORDEM! – Rosalya berrou. Assim que o silêncio voltou a se acomodar na sala, Rosalya limpou a garganta e prosseguiu. – No caso, chamarei a testemunha. Lysandre, venha cá. – ele negou com a cabeça, freneticamente. – Vamos, Lysandre. Venha cá!

Lysandre saiu no seu assento, relutante. Angela abandonou seu lugar e ocupou o lugar do qual pertencia a Lysandre. Lysandre sentou-se sozinho no sofá pequeno, do qual Rosalya e Angela ocupavam anteriormente.

– Por que sempre o Lysandre? – Castiel resmungou, se braços cruzados.

– Ah, por favor! – Alexy exclamou. – Sempre isso! Toda vez que a Rosalya tentava resolver as coisas e chamava o Lysandre para falar, você falava isso! Você usa calças ou fraldas? Pelo amor de Deus!

– SILÊNCIO! – Rosalya berrou novamente. – Tsc! Desde moleque é a mesma coisa. – Rosalya fitou Castiel. – Eu já disse uma vez, já disse duas vezes, já disse três vezes: eu chamo o Lysandre porque ele não mente. – dito isso, Castiel deu uma risada de deboche. – O que foi dessa vez, Castiel?

– O Lysandre não mente? Desde quando?

– Então me diga quando ele mentiu. – Rosalya lançou um sorriso convencido. Castel ficou de braços cruzados, fazendo bico. – Certo. – Rosalya lançou o olhar para Lysandre, que se encolhia a cada palavra. – Lembre-se que se você mentir, você estará mentindo para a lei, e para a sua cunhada. Certo? – Lysandre fez que sim com a cabeça. – Você beijou a Lynn, por quê?

Lysandre ficou boquiaberto. Armin deu uma risadinha que eu tinha certeza que tinha sido contida, ele estava lá, com as bochechas vermelhas e rindo baixinho para não levar uma bronca da Rosalya.

– Não poderia fazer outra pergunta? – questionou Lysandre. – Isso é pessoal, não?

– Ele tem razão. – Angela veio a intervir com um ar divertido. – Seria o mesmo que eu chegar em você, na frente de todo mundo, e perguntar: Rosalya, o que você e o Leigh estavam fazendo no quarto da minha casa na semana passada? Sem contar o barulho que...

– MENOS! – outro grito novamente.

“Tenho certeza que sairei surda daqui”. – pensei.

– Certo. Relate mais sobre o acontecido.

– Depois desse “ocorrido”. – ele continuou, meio acanhado. – O Castiel apareceu e começou a fazer escândalo. Então o Kentin veio intervir e partiu para cima do Castiel.

– O Kentin estava com vocês? – Rosalya interrogou.

– Não. Ele apareceu do nada, assim como Castiel.

– E depois disso? Quem apartou a briga?

– A Lynn. – Lysandre me olhou.

– E a valentona se achou no direito de nos xingar. – Castiel comentou com tom de deboche.

– Eu não discordo da decisão dela. – Lysandre defendeu. – Principalmente no que ela falou de você. Desculpe-me, mas acho que você mereceu. Você já decepcionou muito a Lynn, e ainda quer que ela concorde com tudo o que você faz?

Castiel permaneceu calado.

– Pode sair, Lysandre. – Lysandre foi em direção ao sofá, Angela mudou de lugar, sentando-se no braço do sofá onde eu e Lana estávamos.

– Não me chamará? – Castiel perguntou. Rosalya fez que sim com a cabeça e fez sinal para que ele mudasse de sofá. O ruivo sentou-se no sofá em que, anteriormente, Lysandre havia se sentado.

– Certo. Pelo que eu soube, você quis expulsa-los por causa disso. – Castiel tentou interrompe-la, mas ela continuou com o tom de voz mais alto. – Você quis expulsa-los porque a Lynn te rejeitou e o Lysandre a beijou. Foi isso?

– Não venha com essa! A Sweet Amoris já é uma propriedade prometida a mim! Eu faço o que bem entender! – concluiu o ruivo. – Nem sei o porquê de eu estar dando satisfações a vocês!

– Está me dizendo que mamãe dará a Sweet Amoris para você? – debochou Rosalya. – Um pivete que nem ao menos aceita perder.

– É minha e pronto! – teimou Castiel.

– O que é seu nessa merda? – bradou Rosalya, retirando um papel do bolso e jogando no rosto de Castiel. – Essa é a cópia do documento de transferência. A Sweet Amoris foi passada para o meu nome, e eu me recuso a passar para o seu. Aliás, mamãe me passou para que você não se apoderasse dela.

– Por que ela não me falou nada? – perguntou Castiel, incrédulo enquanto analisava o documento.

– Você acha que ela iria falar? – o silencio ecoou na sala, novamente. Assim que Rosalya se certificou da derrota do ruivo, se pôs a falar novamente. – Eles não vão ser expulsos. Caso encerrado.

Dei um suspiro de alivio, mas lá no fundo eu sabia que as ameaças de Castiel não resultariam em nada. Nunca vi uma resultar.

Castiel trancou-se no quarto e Rosalya nos convidou para tomar sorvete, comer umas pipocas e conversarmos um pouco. Logo eu descobri, definitivamente, que aqueles procedimento já haviam sido realizados anteriormente.

– Era mais ou menos isso. – comentou Armin. – Sempre que o Castiel e o Kentin brigavam, a Rosalya chamava o Lysandre e ele contava tudo pra ela.

– Ele era dedo duro? – perguntou Lana.

– Não. É que a Rosalya sempre teve esse “jeito simpático”. – Armin deu uma risada. – Até eu contaria se ela me ameaçasse daquele jeito.

– Sempre soubemos que a Rosalya iria seguir alguma carreira na área policial ou na área de direito. Ela sempre dava uma de “juíza” e sempre fazia uns mini-julgamentos para resolver as coisas. – Alexy comentou, também rindo, com um ar de nostalgia. – E ela quase nunca chamava o Castiel, porque ela sabia que o Castiel inventava uma série de mentiras só para não admitir que estava errado.

“Algumas coisas não mudam”. – pensei.

Olhei no meu celular para saber que horas eram.

“Talvez seja melhor mandar uma mensagem para o Kentin, avisando que eu saí e levei a moto dele”. – pensei.

Na casa do Castiel não havia área o suficiente para mandar a mensagem. Então eu saí e fui até o jardim. Assim que terminei de escrever a mensagem e quando já iria mandá-la, senti uma mão repousar suavemente em meu ombro. E pelo cheiro, eu já sabia quem era.

– Eu aceito o café.

Vir-me-ei, inevitavelmente com um sorriso nos lábios. Ele deu um sorriso sem jeito, evitando me olhar, corado.

– Poderia ir à minha casa depois do café?

Fiz que sim com a cabeça. Fiz um gesto com a mão, para que ele aguardasse um minuto.

“Kentin, eu saí com a Lana e vim para a casa do Castiel. Eu peguei a sua moto. Não sei que horas irei voltar. Deixarei o celular desligado”. – e mandei a mensagem.