A Órfã Doce

84 O cientista morto


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. HEUHEUHEUEHUEHUE vão logo se preparando, que a bomba vai ser gigantesca. Escolham uma das duas musiquinhas, ou outra, se você não gostar dessas (uma música triste, de preferencia): https://www.youtube.com/watch?v=mmqJ4Vzwe40 https://www.youtube.com/watch?v=RuzgfVR6h_0 Peguem os lencinhos, leiam sozinhas e boa leitura.

Quando eu havia chegado à casa de Lysandre, estava totalmente nervosa, admito isso já desde cedo. A ansiedade foi tanta, que o copo de café desceu rapidamente. E como sempre, eu havia pedido aquele café com caramelo e creme.

– Na cafeteria você disse que queria falar algumas coisas em um ambiente mais particular. – estava sentada numa poltrona, de frente para Lysandre, que estava sentado em outra poltrona. Cruzei as pernas. – O que tinha para falar?

O silêncio se instalou no cômodo. Umedeci os lábios, ainda firme, esperando que ele falasse o que queria. E ele apenas respirava pesado e encarava os cantos da sala. Como se estivesse mais alguém além de nós dois.

“Será que ele quer falar sobre o que aconteceu na ilha?” – pensei.

Ele encarou o teto por uns instantes. Achei estar vendo mal, mas não, ele estava chorando.

– Lysandre?

– Meu pai morreu.

– O que? Quando? – perguntei perplexa.

– Hoje de manhã.

– Mas a Rosalya estava agindo tão normalmente hoje.

– Ela não sabe. O Leigh me contou hoje, e estava vendo quando iria contar para ela.

Só de vê-lo chorar, eu queria chorar junto. Naquele momento eu senti como se as emoções dele fossem as minhas. E mais do que ninguém, eu sabia como era a sensação de perder uma pessoa próxima, um pai, ainda por cima.

– Não é só isso. – ele continuou. – Há outra coisa. – ele passou as costas das mãos no rosto.

– O que?

– Eu vou embora.

Tapei a boca com a mão, respirei fundo, em estado de choque.

– Mas vai voltar, não é? – tentei ser otimista para confortar a mim mesma.

– Não vou.

– C-como assim não vai voltar?!

Lysandre ficou em silêncio. Batendo os dedos da mão direita no braço da poltrona, enquanto a mão esquerda apoiava o queixo. Parecia pensar em algo para responder. Mordi o lábio inferior, tentando conter as lágrimas.

– Como assim não vai voltar? – insisti na pergunta, quem sabe ele já teria pensado em uma resposta.

– No dia dos pais, quando eu fui para a França, ele e minha madrasta sugeriram que eu e Leigh fossemos morar lá. No começo, Leigh aceitou, mas logo lembrou que não poderia ficar com a Rosalya. Nós dois acabamos brigando com o nosso pai e ele morreu num acidente de avião quando estava vindo para cá. – ele pausou, esperando a dor se esvair pelo menos um pouco, para que pudesse continuar. – E não é só isso.

“Quanta coisa ruim ele tem para me contar?!” – pensei.

– Eu gosto de outra garota.

Foi o momento que eu fiquei sem chão. O momento em que eu quis mandar pararem o mundo para que eu pudesse descer. Como assim ele estava gostando de outra garota?! Por que não disse nada?

– Por que não contou?

– Porque eu não tinha certeza, mas agora eu tenho.

– Quem é ela?

– Uma garota que eu conheci em uma cafeteria na França. Ela conhecia Armin, é uma design de games.

“Ela disse que quer fazer uma faculdade de design de games” – aquele trecho vagou pela minha mente. Uma dor, uma lembrança. Uma lembrança do diário de Armin, que eu li na Alemanha quando saímos de férias ano passado. Aquela menina... Eu tinha certeza de quem era aquela menina.

– Essa menina... Já foi a namorada dele, não?

– Sim... Achei que você não a conhecia.

– Não a conheço.

Lysandre se desconcertava com o tom de mágoa em minha voz. Ele me olhava de uma maneira boba, que lembrava eu mesma quando tentava remendar as coisas quando havia feito alguma besteira.

– Sinto muito.

– Vai ficar na França só por causa dela?

– Coincidentemente, há uma gravadora na França que se interessou por mim. Eu sou uma pessoa sensata, não ficaria lá só por causa de uma garota.

– E o seu irmão?

– O Leigh não vai demorar a se casar com a Rosalya. Ele não precisa de mim, assim como eu também sou independente dele.

– E os seus amigos?

– Não somos mais crianças. O F4 já cresceu, todos nós crescemos. Uma hora eles vão seguir as suas vidas. E você também vai.

– Não, eu não vou. – neguei com a cabeça. – Eu vou morrer antes de poder fazer isso. Ou você se esqueceu?

– Sinto muito. – ele murmurou.

Estava um clima muito tenso, a morte do pai dele, a minha morte que não demoraria a chegar, a ida sem volta dele, lágrimas, raiva, mágoa e o meu coração que tinha acabado de se despedaçar.

– Eu não tenho mais nada para fazer aqui, Lynn. – Lysandre se pôs a falar. – Você escolheu o Castiel. E a consequência foi aquela.

– Eu não escolhi o Castiel! Eu não escolhi ninguém! – duas exclamações, dois gritos, um levantar brusco da poltrona. – E o único motivo por eu querer falar com você, foi porque eu queria te pedir desculpas pelo que eu te disse na ilha, e por tudo que eu fiz para acabar te magoando!

Ele se levantou, repousou gentilmente as mãos em meus ombros. Com lágrimas nos olhos.

– Sinto muito. – ele murmurou.

– Você diz tanto isso. Será que sente mesmo?! – eu chorava, e as palavras se espremiam para sair. – Será mesmo que tudo que você me falou até hoje não foi da boca para fora?

– Sempre fui sincero com você. Nunca ousei a lhe dizer algo que fosse da boca para fora. E com todo respeito, se teve alguém aqui que o fez, esse alguém foi você.

– Acho que foi um erro vir até aqui. – segurei os braços dele, tirei suas mãos dos meus ombros e os larguei no ar. – Mas mesmo assim, eu não vim aqui só para te pedir desculpas. – ele arqueou as sobrancelhas. – Eu vim porque achei que era uma oportunidade para te dizer que...

– Que...?

– Que eu escolho você, e não o Castiel. – mordi o lábio inferior, para segurar aquelas palavras, mas elas saltaram da minha boca. – Por favor, não vá. Eu não quero ficar sozinha.

Ele colocou, novamente, as mãos em meus ombros. Aquilo era costume dele, parecia até que aquele toque servia para acalmar quem quer que seja.

– Você não vai estar sozinha.

Ele forçou um pequeno sorriso, em meio das lágrimas, assim como eu. Tomei os lábios dele aos meus, ele se forçava para trás, para livrar-se do beijo, mas eu insistia.

“Antes, quem tentava escapar era eu”. – pensei. – “Por que isso tinha que acontecer? E logo agora que nós poderíamos ficar juntos... Daria tudo para que ele estivesse comigo. Quem sabe se eu tivesse o escolhido há mais tempo e com mais certeza de que tudo daria certo”.

Tarde demais? Não era tarde demais para ter uma boa lembrança que pudesse atropelar todas as lágrimas daquele dia.

Foi uma questão de segundos para que ele parasse de resistir. Afinal, não se apaga sentimentos de uma hora para outra. E se ele não sentia nada por mim? Não, isso não seria possível, não mesmo! Se ele não gostasse de mim, não teria me defendido quando o Castiel me provocou. Ou será que ele estava seguindo o que achava certo? Tudo se enrolou na minha cabeça. Mas eu tinha certeza que ele gostava de mim, mesmo que fosse um pouquinho. Contar-me tudo isso já é uma prova de que ele gosta de mim. De que ele acha que eu tenho que saber a verdade.

Ele me pegou no colo, como aqueles casais recém-casados fazem assim que chegam em casa ou vão para a lua de mel. Por um momento eu pensei: nunca me casaria, e nunca faria aquilo. A saída de Lysandre só me fez lembrar, reforçar e forçar na minha cabeça que eu não teria uma vida como a dele, como a vida das outras pessoas. A direção foi o quarto, meu coração palpitou.

“Lysandre é um pervertido”. – me veio aquele flash back, aquela frase era de Kentin. Mas logo minha mente se esvaziou novamente, tudo que eu pensava era nele, e a felicidade que eu sentia por estar com ele. E ao mesmo tempo, a tristeza por saber que depois eu não estaria.

Tudo começou a esquentar: os beijos, o quarto, nossos corpos. O toque dele, que antes costumava a ser frio, estava me incendiando por dentro. E mesmo que chovesse lá fora, e mesmo que já estivéssemos sem as blusas e as jaquetas para o frio, eu não sentia frio. Ele me aquecia, e tudo que eu queria era mais. Desci minhas mãos, até sentir a barra da calça. Estava por cima dele, ele parou, me empurrou, colocou as mãos na minha cintura e me jogou de lado, na cama.

– Você me tira do sério. E você tem a capacidade de fazer isso, não é? – ele deu um suspiro em meio de um pequeno sorriso, enquanto cobria os olhos com o antebraço. – Eu disse que gostava de outra pessoa, não disse? – fiz que sim com a cabeça. – Então por que me fez fazer isso?

– A culpa não é minha se você não sabe se controlar. – retruquei. – Se gostasse dela mesmo, resistiria a todas as garotas do mundo.

– Eu fiz isso, eu já fiz isso por você. E eu ainda gosto de você, muito mesmo. – ele retirou o antebraço da frente dos olhos. – Mas eu não vejo futuro com você. Sinto muito.

Assenti com a cabeça. Meu coração sangrava por dentro, aquilo teve o mesmo efeito que uma facada no peito. Mas eu tinha que me recompor, ser firme e pelo menos fingir que aceitei tudo que ele havia falado.

– Por que fez isso? – ele bateu numa tecla que já havia batido anteriormente.

– Sabe... – meus olhos se encheram de lágrimas. – Às vezes, quando eu penso que não vou ter uma vida como a das outras pessoas, isso já começa a me corroer por dentro. Se você for pra França, nunca mais me ver, casar e ter filhos com essa garota. Eu não vou estar mais aqui. Eu não vou estar mais aqui para ouvir os seus cd’s, não vou estar mais aqui para envelhecer e trocar cartões de natal e de aniversário com você. – pausei, entre soluços e lágrimas. – O Kentin um dia vai se casar, todos vão seguir suas vidas, e se eu ainda estiver viva, estarei sozinha. E eu não quero ficar sozinha.

Mesmo comigo chorando, Lysandre deu um pequeno sorriso.

– Pelo que eu sei, duvido muito que você fique sozinha.

– E o que você sabe?

– Bom, isso você vai ter que esperar para ver.

Ele me deu um beijo na testa. Recolheu a camiseta no chão, me devolveu minha blusa e minha jaqueta.

– Ainda há mais uma coisa.

– Outra?! – arqueei as sobrancelhas. – Já não basta?

– Bom... Dessa, eu tenho certeza que tenho que te contar. É sobre você. E é sobre algo que você não sabe.

A curiosidade bateu. O que ele sabia de mim que eu não sabia?

– O que sabe sobre mim?

– Poderíamos voltar a sala? – ele sugeriu. Fiz que sim com a cabeça e o acompanhei, assim que ele terminou de se vestir.

Sentei na mesma poltrona de antes, mas nada era como antes. Eu estava mais calma, apesar de ter tido o coração despedaçado. Tinha que me aguentar, pelo menos enquanto estivesse na casa de Lysandre. Forçava a minha mente a pensar em outras coisas, como no que ele iria me falar. Como tudo o que ele falou foi ruim, eu já estava me preparando para outra bomba.

– Quando eu tinha aproximadamente um ano de idade, a minha mãe morreu em um acidente de carro. – ele falou, com um ar nostálgico. – E pelo que eu sei, a sua mãe morreu da mesma forma, e eu seu pai, em uma guerra.

– Perdão, mas não me lembro de ter lhe contado isso.

– Kentin não é uma boa pessoa para guardar segredos. – ele arqueou a sobrancelha. – Mas ele tinha boas intenções, apesar de tudo. Ele contou para o Castiel, e o Castiel parou de implicar com você porque sentiu pela. Deveria agradecer ao Kentin, Lynn. Normalmente quando você dá um tiro nas costas de alguém, essa pessoa não retribui com tanta gentileza.

– Você sabe...?

– Continuando. – ele insistiu, umedeceu os lábios para prosseguir. Mas isso foi difícil para que ele prosseguisse, demorou alguns segundos com o olhar direcionado ao chão. – Sua mãe morreu no mesmo acidente que a minha. Você disse ao Kentin que o acidente aconteceu quando os carros se bateram, não é mesmo? – fiz que sim com a cabeça, com os olhos marejados. – Meu pai estava no volante, bêbado. Ele bateu o carro no carro da sua mãe. Minha mãe ficou presa porque havia quebrado o braço e não conseguia soltar o cinto, quando tentaram, era tarde demais. O tanque de combustível havia sido perfurado, e os dois carros explodiram. Eu fui um dos últimos que fui resgatado. Foi por isso que ganhei uma cicatriz nas costas.

– Posso ver?

– O que?

– A tatuagem.

– Sabe da tatuagem?

– Sim, posso vê-la?

– Você a viu quando estávamos no quarto, não viu?

– O quarto estava escuro, eu não a vi!

– Você nem ao menos ligou para o que eu falei?! Isso é algo sério, Lynn!

Fiquei em silêncio, encarei o chão. Ouvi um suspiro, ele se levantou. Levantei meu olhar, ele estava de costas para mim, primeiro tirou a jaqueta, depois a camisa. Minhas bochechas rosaram.

– Seu irmão uma vez me disse que tatuagem era uma coisa de...

– Vândalos. – completei com o que já sabia.

Levantei-me, dei alguns passos para observar a tatuagem. Ele olhou por cima do ombro, corado. Passei os dedos sobre o desenho preto e branco. Em certa parte da pele, se sentia um aspecto diferente, quando observei bem, a cicatriz estava lá, camuflada pela pintura corporal. Ele vestiu a camisa rapidamente, eu o abracei por trás, colando o lado do meu rosto em suas costas.

– Esse é um dos motivos pelos quais eu não quero ter você comigo. – ele falou baixinho. Uma lágrima escorreu pelo canto do meu rosto. – Eu não queria viver com você, sabendo que meu pai matou a sua mãe e arruinou a sua vida. E mesmo assim, você não liga, me faz te mostrar uma tatuagem ao invés de se preocupar com o que eu falei.

– Eu nunca conheci meus pais. E eu meio que já superei essas conversas relacionadas a eles. Meu pai morreu na guerra porque quis arrumar dinheiro para pagar a quimioterapia da minha mãe, e a minha mãe iria morrer da mesma forma, porque não tinha dinheiro e o câncer já estava em estado terminal.

– Isso não elimina o fato de que ele a matou.

– Ele também matou a sua mãe. E acho que você não sente raiva dele, sente?

– Sempre senti. Ele nunca cuidou de mim e do Leigh.

O abracei mais forte. Segurei as lágrimas e fiz força para esquecer o que ele havia falado.

– Como soube de todas essas coisas?

– O Leigh descobriu.

– Quando soube?

– Depois que você sofreu o acidente.

– Eu gosto de você da mesma forma.

– Lynn, por favor, não recomece. – ele suspirou, retirando meus braços de perto dele.

– Desculpa.

– Sinto muito. Acho que arruinei a sua idéia de ter uma boa lembrança.

Forcei um pequeno sorriso e fiz que não com a cabeça.

– Você é forte.

– Ainda vai embora? Mesmo depois de tudo que eu disse?

– Lynn, você tem que entender que as coisas não são como você quer. Eu gosto muito de você e sinto muito mesmo por ter feito você chorar, mas o que eu falei que faria, eu farei. Foi uma decisão minha, e eu gostaria que respeitasse. Eu respeitei todas as suas decisões. – ele encerrou, recolocando a jaqueta.

– Certo. – engoli a seco. – Sinto muito.

Virei o rosto para a porta de entrada da casa, meu capacete estava no chão, junto com as chaves.

– Se não se importa, eu já vou indo.

– Mas está chovendo, você não gostaria de...

– Até mais.

Peguei a chave e o capacete, dei um pequeno sorrisinho ao sair porta a fora. Coloquei o capacete e subi na moto. A chuva estava forte, os pingos de chuva machucavam meu rosto. Eu não sabia se o que doía mais era o frio e a chuva, ou tudo que Lysandre me contou. Quando ele falou sobre os meus pais, eu simplesmente fingi que não me importava. Na verdade, menti quando disse que superei diálogos que envolviam meus pais. Quem supera a dor de nunca ter conhecido as pessoas que mais te amaram na vida? Tudo que eu queria era que o pai dele, numa hora dessas, estivesse ardendo no inferno. Matou a mulher que a amava, matou uma inocente, quase matou os filhos e quase me matou. Só não falei isso, porque não queria magoar Lysandre mais ainda.

As lágrimas se misturavam com a chuva. E quando eu cheguei em casa, a garagem estava aberta e Kentin estava colocando o carro para dentro. Acelerei e adentrei a garagem, quase que batia no carro dele. Tirei o capacete e saí como um raio em direção a meu quarto.

Tirei a jaqueta, a blusa, a calça, as botas, e os deixei espalhados pelo quarto. Fui tomar um banho com água morna. Deitei-me na cama, coberta até o queixo. Kentin bateu na porta do meu quarto aproximadamente às três da manhã.

– Lynn, não consigo dormir te ouvindo chorar.

– O que quer que eu faça? Que chore baixo?

– Posso entrar?

– Não!

– Ok.

E ele abriu a porta do quarto e entrou. Sentei-me na cama, para começar a bronquea-lo.

– Se ia entrar, por que perguntou se podia?

– É só para você não dizer que eu sou mal educado. – provocou, fechou a porta e suspirou a me ver. – O que houve, tampinha?

– O Lysandre vai para a França.

Kentin deu de ombros, sentou na ponta da cama.

– Está chorando por isso?

– Ele não vai mais voltar!

Kentin mordeu o lábio. Abriu a boca para falar algo, mas desistiu. Ele fazia uma careta enquanto olhava para algum lugar do quarto.

– Filho da puta. – ele resmungou. – Não me contou.

– Não contou? Tsc! – exclamei no final, passando a mão pelo rosto, com intuito de enxugar as lágrimas. – Isso me impressiona bastante. Afinal, você sabe de tudo e nunca me conta.

– O que mais ele te falou?

– Como sabe que ele falou mais coisas?

– Porque você acabou de se entregar, trouxa. – ele rebateu. – O que mais ele te falou? Ele foi grosseiro?

– Não, pelo contrario. – falei com um ar triste. – Para falar coisas tão difíceis e frustrantes, ele foi bem gentil.

– Ele falou da Yumi?

– Yumi?

– A garota que... – Kentin mordeu o lábio, deixou a frase morrer. Deveria pensar que eu não sabia, não queria piorar as coisas.

– A garota que ele gosta? – completei a frase por ele. Kentin assentiu com a cabeça. – Sim, ele contou.

Kentin passou a mão no cabelo, respirava fundo e sua face estava coberta de raiva.

– Nem pense em brigar com ele. – adverti.

– Não irei. – ele suspirou, retirando o excesso de raiva do rosto. – Sinto muito, tampinha. – assenti com a cabeça, sem encará-lo. – Quer que eu durma aqui? – fiz que não com a cabeça. – Quer tomar banho comigo?

– Sai daqui. – fiz bico, me deitando novamente.

– Está vendo? Fiz você rir. – eu não estava rindo, mas depois que ele encerrou a frase, esbocei um sorriso que tratei de esconder cobrindo-o com o lençol.

– Só... Não chore mais, está bem? – assenti com a cabeça, novamente.

Ele saiu do quarto. Meu celular fez barulhos, em cima do criado mudo. Uma mensagem fora digitada.

“Sinto muito”. – era o que Miki havia digitado.

Até adormecer, foram duas horas repletas de um choro abafado pelo travesseiro.

Notas finais
Gente, é sério. Eu sinto muito por isso, mas isso precisou ser feito pra fanfic prosseguir. A Lynn vai resistir, e vocês também. Mas ainda não elimina a possibilidade da Lynn ficar com ele no final, afinal, falta de acontecimentos é que não vai faltar. Se eu decepcionei alguém, desculpa. Espero que mesmo assim, vocês continuem lendo. Obrigada por ler, kissus de morango.