A Órfã Doce
22 A foto
Notas iniciais

“Eu sinto que o perigo vem de longe
Com toda certeza ele vem acompanhado pelo terror
Pelo medo de perder algo que muitos têm e poucos dão valor.
Mas ao passar do tempo, entre suspiros
e desesperos, nada eu temo, nem eu nem ninguém
Porque, meu bem.
Eu tenho você meu bem” – li mentalmente a poesia.
Em quesito de atitudes fofas, Lysandre estava em primeiro lugar na minha lista depois dessa poesia. Eu notei que ele é uma pessoa meio fechada, por isso fiquei surpresa, não imaginava que ele fosse escrever algo do gênero. Para falar a verdade, eu não achava que alguém do F4 escreveria algo no gênero. Talvez nem todos fossem como Castiel... Lysandre era mais uma incógnita para mim, e olhando por outro lado, eu só o via assim porque não tive muitas conversas com o mesmo.
Voltei a mim, observei o envelope do qual eu tinha tirado o papel de dentro. O envelope era vermelho e era fechado por um adesivo de carinha feliz.
– Isso é coisa do Alexy. – revirei os olhos, sorrindo. As vezes eu noto que Alexy meio que me “shippa” com o Lysandre. – Tudo valeu a pena. – coloquei o papel sobre o peito e suspirei corada.
HORAS MAIS TARDE...
– GENTE, O QUÊ QUE É ISSO?! – Lana gritou me dando um sorriso pervertido. – Ele parece gostar de você!
– Eu acho que foi só uma poesia para me agradecer, ele nem demonstra nada. – fiz bico indo contra o que pensei mais cedo.
– Há muitos meninos assim por aí, que não demonstram nada. – Lana questionou. – Você já teve um namorado, Lynn?
– Não, nunca tive oportunidade e nem disposição para ter um relacionamento. – expliquei. Cocei a cabeça e desviei o olhar.
– Sempre quis ter um namorado. – ela sorriu. – Será que é como os romances que a gente lê?
– Duvido que seja. – dei uma risada descontraída. – As pessoas normalmente fantasiam muito em romances.
– Você acha? – ela fez uma carinha de decepção. – Mas... Será que tem meninos que fazem coisas bonitas assim como o Lysandre?
NA ESCOLA.
– Preciso de você. – Lysandre me puxou pelo braço.
– Eh?! O que? Como? – interroguei confusa apenas o seguindo.
– É que... – ele desviou o olhar corado. – Eu tenho que tirar uma foto para a capa do CD.
– CD? Que CD? – perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
– Oh! Claro. Você não sabe. – ele deu um suspiro, parecia meio nervoso. – Eu tinha uma banda no exterior, eles vieram para cá e eu preciso tirar uma foto para a capa do CD... Deram uma sugestão meio...
– Ah! É por isso que você escreveu a poesia para mim? Achei estranho uma pessoa escrever aquilo normalmente, você deve praticar bastante fazendo as letras. – sorri.
– Lynn, foco! – ele exclamou me chamando a atenção. – Pode me ajudar com a foto e posar comigo?
– Hein?! – Corei totalmente, posar? Posar como? E vestindo o que? Essa conversa estava me deixando nervosa.
– É... Eles têm uma foto como base. – ele tirou a foto do bolso e me mostrou.
Quase caí para trás. A foto era bem provocativa. Era uma menina com orelhinhas de gato com uma gargantilha que era presa por uma corrente, que estava na mão de um rapaz. O rapaz tinha uma expressão bem sexy, ele segurava a corrente meio que puxando a menina para frente, os rostos estavam meio próximos.
Coloquei a mão na boca, apenas olhei chocada, corei feito um pimentão. Olhei para Lysandre, o rosto dele estava MUITO corado, ele estava nervoso e parecia esperar a minha resposta.
– Então...? – ele interrogou me encarando, já que eu não tinha falado nada.
– Eu não sei se... – pausei um pouco voltando o olhar para a foto.
– Poxa, Lynn! – ele exclamou. – Eu não quero posar com outra menina, é constrangedor. – ele encarou o chão.
– E não é constrangedor comigo? – bradei colocando a mão na cintura.
– Eu não disse isso. – ele balançou as mãos, meio apavorado. – É que... É complicado explicar. – ele colocou a mão na testa e desviou o olhar. – Bem... É que é mais fácil posar com você... Não tenho a quem recorrer e não quero posar com nenhuma menina escandalosa.
– Mas... – suspirei. – CERTO. – bradei ao aceitar o pedido dele.
– Certo?! Você aceitou?! – Lysandre me olhou sem acreditar. – Obrigado, Lynn! – ele sorriu para mim. – Os meninos da banda vão vir aqui hoje. O tecladista fez três cursos de fotografia, ele vai fazer a capa do CD. Então... Encontre-me na sala do F4. Se não estiver lá, eu te procuro na cantina depois do almoço.
HORAS DEPOIS...
Fui para a sala do F4, coloquei a mão na maçaneta. Travei, nervosa, meu estômago embrulhava.
A maçaneta girou bem devagar, tirei a mão dela rapidamente.
– Oh! Você está aí. – Alexy me puxou para dentro. – Tive a impressão de que você já tinha chegado. Vamos! Você tem que vestir o figurino.
O pessoal da banda havia chegado como Lysandre havia falado. Eram meninos que tinham cara de quem tocavam rock ou pop rock, algo assim.
– Então você é a menina? – um dos rapazes me olhou e sorriu. – Eu sou Leigh, irmão do Lysandre. É um prazer conhecer a namorada dele.
– O QUE?! – arregalei meus olhos.
– De onde você tirou isso? – Alexy perguntou arqueando a sobrancelha, mas ainda notei um sorriso que ele estava tentando esconder junto com uma risada que ele reprimia.
– A Rosa falou que... – Leigh tentou se explicar, estava confuso e um pouco corado.
– Você conhece a Rosalya? – o cortei com uma pergunta.
– Oh! Claro. – ele sorriu me encarando e me mostrando a mão onde tinha uma aliança no dedo anelar. – Ela é minha noiva.
“A Rosalya é noiva de alguém...” – o pensamento ecoou na minha cabeça. – “Mas... Ela é tão jovem”.
– Deixem de papo furado! – Alexy exclamou e me puxou para o banheiro da sala do F4.
O banheiro era tão grande que cabiam sete pessoas numa boa. Alexy abriu uma bolsa ENORME e tirou uma roupa de dentro.
– Veste isso. – ele falou pegando a roupa e jogando para mim.
– Certo... – falei esperando que ele se retirasse.
– O que foi? – ele sorriu safado.
– Você não espera que eu me troque na sua frente, não é? – interroguei, e como resposta ele me deu um sorriso mais safado ainda. – SAI! – gritei o empurrando até a porta, Alexy morria de rir, parecia que para ele era divertido me provocar.
“Mas que merda”. – pensei ao vestir a roupa.
Era curta, muito curta. Para falar a verdade, com aquela saia eu sentia que todo mundo estava olhando para a minha calcinha. Mandei Alexy entrar no banheiro para me ajudar a finalizar com aquilo.
– Nossa. – ele deu uma risada quando me viu.
– Não ria! – bradei fazendo bico. – Não tem graça.
– Você tem um corpo bonito, porque fica com essa frescura? – Alexy fez bico.
A roupa era curta, mas pode crer que era até bonita. Alexy colocou as orelhinhas de gato para que eu ficasse parecida com a menina da foto que Lysandre tinha mostrado.
– A roupa até que é bonita... – silenciei após o meu elogio a mesma.
– Sabe... – Alexy sorriu para mim. – Eu tive uma namorada que era estilista. – logo ele fez bico. – Não pense que eu me visto bem porque sou gay, a maioria das pessoas pensam isso. Para falar a verdade eu comecei a me vestir bem desde que a conheci.
– Oh! E porque vocês... – pausei um pouco pensando se a pergunta era adequada. — ...Terminaram?
– Ela se mudou para a França. – ele suspirou. – Isso me fez ver que você não acha a felicidade só com pessoas do sexo oposto e que você se apaixona por pessoas, não por genitálias. – ele sorriu para mim enquanto me maquiava. – Sabe... Leigh largou a escola para seguir o sonho dele que era ter uma loja de roupas e trabalhar com moda.
– Ele... Largou os estudos? Ele não foi expulso de casa por isso? – interroguei.
– Não. – ele negou. – Os pais deles dois são meio indiferentes, não dão muita atenção para o que eles fazem. Dá para perceber, já que nem Lysandre e nem Leigh praticam atividades normais de meninos da idade deles.
– E o que você considera normal? – perguntei.
– Normalmente, um menino bonito, rico, da idade deles sai pegando qualquer uma que vier pela frente. – Alexy riu. – Mas não é muito o caso do F4... Apesar de que já aconteceu algumas coisas do tipo com o Armin.
– Como?! O Armin?! – exclamei no final, surpresa.
– O Armin era muito pegador. – Alexy deu um suspiro, depois riu. – Era chato na época, ele marcava com mais de uma menina e depois esquecia. Ele normalmente me ligava pedindo reforço, eu ia lá e pegava a menina. Elas nunca suspeitavam de nada. – Alexy encerrou a maquiagem e começou a arrumar meu cabelo. – Até que um dia ele começou a sair com uma menina, ele gostava mesmo dela, ia até pedir ela em namoro... Daí ele soube que ela estava saindo com outros caras.
– Ele se traumatizou com o sexo feminino como você? – brinquei.
– Foi. – ele respondeu.
– É sério? – interroguei surpresa. Não, era apenas uma brincadeira, ele negou com a cabeça rindo. Poxa Lynn, você acredita em tudo mesmo.
– Enfim. Ele passou um ano chorando por causa dela. Por isso ele passa o dia inteiro jogando, ele diz a típica frase “namorar não dá XP”. – ele suspirou.
Dei uma risada por causa da ultima frase. Ele já tinha concluído com o meu figurino e maquiagem. Saí do banheiro e dei de cara com Lysandre. As roupas não combinavam com ele, para falar a verdade as roupas dele pareciam mais com as de Castiel.
– Eu tenho que usar isso? – Lysandre perguntou corado olhando para Leigh. – Essa calça é apertada.
– Vamos logo! Não quero conversa. – Leigh bradou ignorando as reclamações de Lysandre. – Oh! Lynn. Como está bonita. – Leigh sorriu a me ver. – Já arrumaram o cenário.
O cenário nada mais nada menos era um sofá vinho bem estilo vitoriano, para falar a verdade, meio que lembrava o estilo de roupa normal que Lysandre usava.
– Ok. – Leigh deu um sorriso posicionando a câmera do tripé. – Deita aí, Lynn.
– Deitar? – perguntei nervosa, já estava querendo desistir por conta da vergonha.
– Não me falaram nada sobre deitar.
– Claro que falaram, sua palhaça. – Alexy fez bico. – Mostraram a foto de como seria, você de safada que aceitou. – logo Alexy piscou, o que me deixou mais corada.
– Vamos, Lynn! – Alexy insistiu, me arrastou e me empurrou no sofá.
Havia umas espécies de algemas que eram presas por uma fina corrente presa ao sofá. Alexy colocou as algemas em mim e sorriu se afastando, fazendo um sinal positivo com a mão.
– Lysandre, sua vez. – Leigh falou rindo como se aquilo tudo fosse um espetáculo e ele estivesse assistindo tudo de camarote.
– O que eu tenho que fazer? – Lysandre perguntou, corado, estava fazendo o mesmo que eu fiz. Talvez quisesse desistir, assim como eu.
– Ora! Vamos! – Alexy o empurrou até perto do sofá.
– Se estiver nervoso Lysandre, cante um pouco. Isso sempre ajuda a te acalmar. – Leigh sugeriu.
Lysandre cerrou os olhos por uns segundos, começou a cantarolar uma melodia, logo começou a cantar não muito alto, mas o suficiente para que eu ouvisse em claro e em bom tom.
“Ele está cantando... O que ele escreveu para mim”. – pensei enquanto corava mais do que já estava.
A corrente que estava presa na minha gargantilha estava presa a uma algema na mão de Lysandre. Ele agarrou a corrente e me puxou um pouco para perto de si, como na foto daquele casal. Eu sentia que eu ia explodir e morrer bem ali na frente de todo mundo. Só de ter ouvido a voz de Lysandre cantando, eu já me derretia toda. Aquilo havia me seduzido mais rápido do que os beijos que Alexy tinha me dado enquanto realizava a sua “brincadeira”.
– Pronto. – Leigh falou dando uma risada. – Já está tudo pronto, eu só preciso editar.
– Ótimo. – Lysandre falou se afastando de mim e tirando as algemas, tanto de mim quanto dele. – Obrigado, estou te devendo essa. – ele sorriu meio sem jeito.
Assim que saí da sala do F4, em chamas, fui até o jardim para tentar me acalmar. Lembrava-me do que tinha acontecido lá. O estranho era que não ouvia a melodia melancólica de Kentin, tudo que eu ouvia era o vento que fazia barulho nas árvores. Vi uma pessoa com um capuz sentada no banco que de costume, era Kentin que se sentava por lá após terminar a melodia do violino.
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