A vingança das suas (quase) namoradas
4 Capítulo 4 - Seu Passado Pede Passagem...
Liguei pra minha mãe e disse que ficaria em casa, pois não me sentia bem. Eu não estava mal a ponto de não ir para a escola, apenas não estava com cabeça pra isso. Tudo que eu queria fazer era olhas para aquelas flores. Elas não eram tão bonitas como as tulipas que o Nick trouxe no dia anterior, mas elas tinham um mistério ao redor delas, um toque de segredo. Fiquei deitada no sofá durante a manhã toda e acabei pegando no sonho, acordei mais tarde com minha mãe me chamando.
– Lily meu amorzinho, acorda.
– Mãe? A senhora já chegou? Que horas são?
– São seis e meia, você deve ter dormido a tarde toda. Você está melhor?
– Estou sim.
– Eu vou preparar o jantar.
Fui para o meu quarto e troquei de roupa, quando voltei para a sala estava um pouco enjoada por causa do cheiro da comida da minha mãe. A campainha tocou e eu fui ver quem era, foi difícil chegar até a porta, meu corpo estava pesado e eu esbarrei no sofá e na mesa de centro. Assim que abri a porta eu me deparei com um ursinho de pelúcia idêntico ao que ganhei do Lucas quando criança no parque de diversão, olhei para os lados e não vi ninguém, me abaixei pra pegar o urso e apaguei. Não sei o que aconteceu e quanto tempo eu fiquei desacordada. Quando abri os olhos fui ofuscada por uma luz muito forte.
– Mas que merda. — eu disse.
– Lily, você esta melhor minha filhinha?
– Vou estar assim que desligarem essa luz.
– Pronto filha, pode abrir os olhos agora.
Aos poucos me acostumei com a iluminação ambiente, eu estava em um quarto de hospital cuidadosamente pintado de marfim, a cerâmica reluzia de tão limpa, o único barulho que eu escutei foi o do ar condicionado baixinho e constante, o cheiro de cloro com desinfetante (acho que tinha aroma de pinho doce) estava presente no quarto e os móveis estavam cuidadosamente espalhados para preencher o espaço.
– O que aconteceu? — minha mãe perguntou, mas eu levei um tempo até entender as palavras.
– Eu que pergunto mãe, oque aconteceu e como foi que eu parei aqui?
– Você desmaiou na porta filha.
– A porta.
– O que?
– Tinha um ursinho na porta mãe...
– Esta aqui filha. — ela me entregou o urso e segurava um pequeno envelope na mão. — Isso veio junto, tem seu nome escrito nele.
Assim que abri o envelope vi um pequeno cartão roxo com um aroma de uva e tinha os dizeres ‘espero que te traga bons sonhos e espero eu esteja presente neles.’ Pensei nas flores recebidas de manhã e comecei a fitar o vazio.
– Você quer me contar alguma coisa senhorita Alice? De que você recebeu isso?
– Não sei mãe.
Eu contei pra ela das flores e ela me disse que iria pedir para alguém ficar de olho.
– Com licença. — disse um homem entrando no quarto. — Vejo que ela já acordou. Como se sente? — ele perguntou.
– Bem, só estou com fome.
– Daqui a pouco você pode comer.
– Quando eu vou embora doutor?
– É difícil dizer, hoje você fica de observação e amanhã bem cedo faremos alguns exames para sabermos se podemos te dar alta ou não.
– Eu posso ficar aqui com ela doutor? — perguntou minha mãe.
– Infelizmente não. Vá para casa descanse e volte amanhã, eu prometo cuidar bem dela.
Minha mãe foi para casa e eu fui dormir, acordei apenas no outro dia com a enfermeira me chamando.
– Ora dos exames Alice.
– Me chame de Lily. — fiz meus exames e fiquei esperando.
– Alice, infelizmente você vai ter que ficar aqui mais uns dias, seus exames não estão bons, você tem um principio de ulcera.
– Como assim? — perguntou minha mãe incrédula.
– É comum os adolescentes passarem por estresse e isso é o que deve ter desencadeado a ulcera.
– Mãe?
– Fala minha linda.
– Vai trabalhar, eu vou ficar bem.
– Tudo bem minha linda, mais tarde eu volto.
– Eu a acompanho, daqui a pouco eu volto pra ver como você esta.
– Tudo bem doutor.
– Lily? Tem alguém aqui querendo ti ver, posso deixar entrar?
– Claro doutor.
Quando a pessoa entrou, trazia vários balões e uma caixa de chocolate.
– Oi. — disse o menino.
– Lucas? Ai meu Deus, o que você faz aqui?
– Minha família voltou pra cá, vou terminar meus estudos aqui.
– Que bom Lucas, eu senti muito a sua falta. Mas como você descobriu que eu estou aqui?
– O Jhon me contou. Ele que ajudou a te trazer, aliais, eu achei que ele iria estar aqui, aconteceu algo?
– É complicado, mas mudando de assunto, como foi lá em São Francisco?
– Foi bom, eu fiz vários amigos, mas senti falta de você e do Jhon. Lembra de quando íamos pra minha casa assistir filmes?
– Lembro sim, aquela época éramos felizes e não sabíamos.
– Mas agora eu estou de volta e tudo vai ser como antes.
– Você não sabe como é bom ouvir isso.
O médico não deixou o Lucas ficar muito tempo, ele disse que eu precisava descansar e eu fui dormir, quando acordei o quarto estava cheio de flores, balões e tinha outro urso de pelúcia com um envelopinho idêntico ao anterior. — Enfermeira. — chamei e ela veio.
– Boa tarde Lily.
– Boa tarde, você sabe quem fez isso?
– Um menino veio aqui, perguntou se podia trazer uns presentes e o médico deixou.
– E como ele era?
– O garoto que perguntou era moreno, alto, muito bonito por sinal. Já o outro era moreno também, mas era um pouco mais baixo, também era muito bonito.
– E eles não disseram os nomes?
– Pra mim não, talvez para o médico tenha falado. Eu vou lá perguntar e já volto.
Quando ela saiu fui ler o cartão ‘Eu queria poder dizer que sei o que estou fazendo, mas não posso, pois não sei. Apenas sei que sou capaz de tudo para te ver sorrir. Nós somos o equilíbrio (quase) perfeito.’ Pensei na minha discursão com o Jhon, na verdade antes da discursão.
– Somos perfeitos juntos.
– Perfeição não existe Lily.
– Então somos quase perfeitos.
Era ele, só podia ser ele. Procurei meu celular, tinham varias fotos dele lá.
– Voltei. — disse a enfermeira.
– E o que ele disse?
– Ele disse que não vai falar.
– Droga. Mas por favor me diga, foi esse menino que veio aqui? – disse mostrando um foto do Jhon pra ela.
– Não tenho certeza, mas acho que não.
– Obrigado mesmo assim.
Passei a semana toda no hospital e no sábado recebi alta. Para minha surpresa o Magno (esse era o nome do médico que me atendeu) apareceu no apartamento pra ver a minha mãe.
– Eu não estou entendendo o que está acontecendo mãe.
– É que... bom, nós estamos nos conhecendo.
– Mas e o pa...
– Ele é passado filha.
– Tudo bem mãe. Agora eu vou deixar vocês sozinhos, estou indo para o cinema.
–Com quem?
– Sozinha. Eu quero assistir o filme novo do Fin.
– De quem?
– Do Fin, ele é um super-herói e coisa e tal.
– Vai lá então. Mas tome muito cuidado.
– Sim mãe. Até mais Magno.
– Até Lily.” Peguei minha bolsa e quando abri a porta tive uma surpresa.
–Mãe, seu passado pede passagem.
– O que filha? Não entendi.
– O Papai está aqui, de mala e tudo.
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